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O terrorismo islâmico e a profecia do Papa Bento XVI

Alguns anos atrás, em Ratisbona, o Papa Bento XVI levantava a sua voz contra a violência no mundo muçulmano. Embora a mídia reprovasse o seu discurso, o tempo tratou de dar-lhe razão. Suas palavras nunca foram tão atuais. O Papa foi um profeta.

No dia 12 de setembro de 2006, durante uma Aula Magna na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, o Papa emérito Bento XVI fazia um dos mais importantes discursos de todo o seu pontificado. Diante de representantes das ciências, ele convidava as diferentes culturas e religiões do mundo a um diálogo entre a fé e a razão, bem como à superação da violência e da coação em matéria religiosa. "Deus não se compraz com o sangue", dizia o Santo Padre, na ocasião, citando um imperador da Idade Média. "Não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus."

Os eventos que vieram em seguida, no entanto, pareciam indicar um desastre. As palavras de Bento XVI foram mal interpretadas no mundo islâmico e, como consequência, extremistas atacaram igrejas na Palestina, uma religiosa italiana foi assassinada na Somália e um padre foi cruelmente decapitado no Iraque: o caos.

Para alguns jornalistas e "especialistas" em religião, não restava dúvidas de que o Papa tinha cometido uma "gafe" – e, até agora, foi mais ou menos essa a imagem que ficou para o mundo. O Papa emérito tinha trocado os pés pelas mãos, causa finita.

Nesta semana, depois de um atentado de radicais muçulmanos à cidade de Paris – que já contabiliza mais de 130 mortos –, foi impossível não lembrar de Ratisbona.

Na verdade, desde o ano passado, com a ascensão do chamado Estado Islâmico, o discurso de Bento XVI começou a ganhar uma atualidade fora do comum, quase profética. Cristãos cruelmente decapitados e crucificados – simplesmente por serem cristãos –, mulheres sequestradas e violentadas sexualmente várias vezes ao dia, crianças mortas sem nenhum sinal de piedade constituem apenas alguns dos itens desse "quadro de horrores" pintado (com sangue) pelos guerreiros do ISIS – um quadro que põe a humanidade em sobressalto e faz de Ratisbona uma mensagem absolutamente obrigatória para os dias de hoje.

Em sua mensagem, o Papa Ratzinger chama o mundo das ciências e das religiões a uma reconciliação. "Fé e razão", diz ele, não são contrárias entre si, mas devem andar juntas. Para provar o seu ponto, Bento cita o início do prólogo do Evangelho de São João, que diz: "No princípio, era o Verbo". Falando da contribuição da filosofia grega para o desenvolvimento do pensamento cristão, ele explica que a palavra "λόγος" ( logos), aqui utilizada pelo Evangelista, significa, literalmente, "razão". Assim, na fé cristã, Deus aparece como a própria Razão, um ente dotado de razoabilidade.

As conclusões desse pensamento, traçadas por um imperador bizantino medieval, Manuel II Paleólogo, são evidentes:

"Não agir segundo a razão ('σὺν λόγω') é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar corretamente, e não da violência nem da ameaça... Para convencer uma alma racional não é necessário dispor do próprio braço, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa ameaçar de morte uma pessoa."

Nisso consiste a essência da fala de Bento XVI, a "afirmação decisiva" de toda a sua argumentação. Para ele e para Manuel II, assim como para todos os cristãos, está bem claro: a fé, separada da razão, conduz ao fundamentalismo e à violência. A pergunta a ser feita é se isso está igualmente claro para os muçulmanos, ou se, ao contrário, a sua visão "absolutamente transcendente" de Deus o destaca de todas e quaisquer categorias humanas, incluindo a própria razoabilidade.

Hoje, com as ameaças do Estado Islâmico tomando proporções mundiais, está mais do que evidente a urgência e a importância de questões como essa serem respondidas. Pessoas no mundo inteiro, intrigadas com o que aconteceu em Paris, estão se perguntando o mesmo. Será o Islã capaz de converter as pessoas pelo simples uso da razão, sem recorrer à força bruta ou à agressão? Será capaz de pregar a sua religião sem "dispor do próprio braço" ou "ameaçar de morte uma pessoa"?

No fundo, dar uma resposta efetiva a tudo isso é uma tarefa que só os muçulmanos podem realmente levar a cabo.

Um mês depois de Ratisbona, de fato, algumas vozes do mundo islâmico chegaram a aceitar o convite do Santo Padre a um diálogo. Cem intelectuais, de diversas partes do mundo, endereçaram-lhe uma carta aberta, na qual respondiam respeitosamente algumas das questões levantadas em seu discurso.

Em 2008, foi a vez do Rei Abdullah, da Arábia Saudita, dar uma resposta às indagações de Bento XVI. "Tragédias que aconteceram na história – disse o monarca árabe, durante um encontro inter-religioso – não foram causadas pela religião, mas pelo extremismo adotado por alguns dos seguidores de cada uma das religiões."

Enquanto isso, todavia, o sangue dos mártires cristãos continua a correr e a clamar por justiça no Oriente Médio. Para resolver a situação e dar um basta à impiedade, não bastam elucubrações teológicas de uns ou um mea culpa de outros. É preciso deter efetivamente a violência perpetrada pelo fundamentalismo islâmico, começando de cima, de onde vêm as ordens para a jihad. Até o momento, porém, não há sequer a mais remota esperança de que isso aconteça.

Às famílias francesas, sofrendo pela perda de seus entes queridos, as nossas mais profundas condolências e orações. Possa a França voltar, depressa, à sua vocação de "filha mais velha da Igreja". Possa a Europa recuperar, o quanto antes, a sua identidade cristã. Antes que seja muito tarde.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Pró-Vida

Uma palavra sobre o aborto em casos de estupro

A impressionante história de Lianna mostra por que o aborto é injustificável, mesmo nas situações mais dramáticas e dolorosas.

A história de Lianna Rebolledo – a mãe que, com apenas 12 anos, engravidou por causa de um estupro – é realmente chocante. A violação de que foi vítima deixou-a "semimorta" e "com sua face e pescoço horrivelmente desfigurados". Ela mesma confessa, mais de duas décadas depois do ocorrido, que pensou que seus agressores iam matá-la. Não há palavras que possam expressar suficientemente a dor e a indignação de qualquer pessoa moralmente sadia diante de um crime como este. Embora a "cultura pornográfica" vigente procure até mesmo justificar este tipo de abuso, sabemos que se trata de "um atentado contra a justiça e a caridade", que "ofende profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade e à integridade física e moral" e "causa um prejuízo grave, que pode marcar a vítima para toda a vida" [1].

Disto, de fato, Lianna é testemunha viva: a violação realmente "marca a vítima para toda a vida". Mesmo depois de um tempo, ela conta que não conseguia livrar-se do sentimento de sujeira, chegando a cogitar a hipótese do suicídio.

Outro fato, porém, destinou a mudar a vida desta mulher para sempre: a notícia de que estava grávida, de que seria mãe. Já na época em que ficou sabendo de sua gravidez, um médico tentou pressioná-la a abortar. Ela, porém, consciente de que havia outro ser humano dentro de si, disse "não". O abuso que sofreu foi realmente terrível, mas punir um ser humano indefeso por isso não era, absolutamente, uma saída viável.

Alguns defensores do aborto podem sentir-se tentados a usar a história de Lianna para proveito próprio. Nesta ótica, ao invés de respaldar a defesa da vida, o caso de Lianna seria um exemplo da importância de dar à mulher o eufemístico "direito de escolha" – melhor definido como "direito de matar". A posição que estes assumem é a mesma do médico da história: não se poderia obrigar a mulher a viver "com as consequências do estupro". Para eliminar essas "consequências", então, valeria tudo, até mesmo matar o próprio filho.

Este é o argumento dos grupos que se intitulam "pró-escolha" (pro-choice, em inglês), exposto na sua crueza. Seu erro é bem evidente: coloca a liberdade humana – neste caso específico, a feminina – acima do próprio direito à vida. Mas, como bem afirma o Papa João Paulo II, "a tolerância legal do aborto (...) não pode, de modo algum, fazer apelo ao respeito pela consciência dos outros, precisamente porque a sociedade tem o direito e o dever de se defender contra os abusos que se possam verificar em nome da consciência e com o pretexto da liberdade" [2]. Só porque o homem é livre, não significa que tudo o que faz seja bom ou moralmente legítimo.

Outro problema do argumento abortista é supor que vítimas de abuso sexual que ficam grávidas queiram natural e necessariamente fazer um aborto. Um estudo conduzido por Sandra Mahkorn, especialista no assunto [3], mostra exatamente o contrário: de 75 a 85% dessas mulheres querem levar adiante a sua gestação. "Essa evidência, por si só, deveria fazer as pessoas pensarem e refletirem sobre o pressuposto de que o aborto é querido ou até mesmo melhor para vítimas de violação sexual", escreve David Reardon, PhD em Bioética [4].

Na verdade, o que faz o aborto – que a mídia e a "cultura da morte" supõem que elimine ou atenue a ferida do estupro – é apenas complicar ainda mais o drama que enfrentam essas mulheres. Muitas das que passaram pela experiência traumática de um aborto relatam-na como "uma degradante e brutal forma de estupro médico". Como entender essa expressão? Explica David Reardon:

"O aborto envolve um exame doloroso dos órgãos sexuais de uma mulher por um estranho mascarado que está invadindo o seu corpo. Uma vez na mesa de operação, ela perde o controle sobre seu corpo. Se protesta e pede ao aborteiro para parar, será possivelmente ignorada ou dirão a ela: 'É tarde demais para mudar de ideia. Isso é o que você quis. Temos que terminar agora.' E enquanto ela está deitada ali, tensa e desamparada, a vida oculta dentro de si é literalmente sugada de seu ventre. A diferença? Numa violação sexual, da mulher é roubada a sua pureza; nesse estupro médico, é roubada a sua maternidade." [5]

É verdade que, no Brasil, assim como em muitíssimos países do mundo, está espalhada a ideia de que o aborto provocado decorrente de estupro não só seria aceitável, como seria um "direito das mulheres". Isto, porém, não altera em nada a realidade das coisas. Como bem ensina Santo Tomás de Aquino, "toda lei constituída pelos homens tem força de lei só na medida em que deriva da lei natural. Se, ao contrário, em alguma coisa está em contraste com a lei natural, então não é lei mas sim corrupção da lei" [6]. Assim, uma norma que autorizasse às mães matarem os próprios filhos – sob quaisquer circunstâncias – não passaria de uma arbitrariedade.

Porque, afinal, "se nós aceitamos que uma mãe possa matar o seu próprio filho – dizia a bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá –, como podemos dizer às outras pessoas para não se matarem?" [7]. O testemunho de Lianna Rebolledo deve servir de lição para a sociedade moderna: ele mostra por que, mesmo nas situações mais dramáticas e impensáveis, o aborto é intolerável. Nenhum crime, por mais assombroso e terrível que tenha sido, pode justificar o assassinato de um ser humano frágil e inocente no ventre materno.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 2356.
  2. Carta Encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), 71.
  3. Pregnancy and Sexual Assault, The Psychological Aspects of Abortion, eds. Mall & Watts (Washington, D.C., University Publications of America, 1979), pp. 55-69.
  4. REARDON, David C.. Rape, Incest, and Abortion: Searching Beyond the Myths. The Post-Abortion Review 2 (1) Winter 1994.
  5. Idem.
  6. Summa Theologiae, I-II, q. 95, a. 2.
  7. Mother Teresa of Calcutta, Speech to the National Prayer Breakfast (Washington, February 3rd, 1994).

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Reféns do Estado Islâmico são vendidas, estupradas e forçadas a abortar no Iraque

Sobreviventes do ISIS revelam atrocidades cometidas contra as mulheres nos acampamentos terroristas. Uma das jovens chega a relatar que era estuprada cinco vezes por dia.

"Um guarda estava forçando uma menina de 9 anos a ir com ele para o banheiro. Eu não podia suportar aquilo e briguei com ele. Ele disse que iria me matar. Eu disse: 'Eu não me importo em morrer por ela, só não a leve'. – Eles também estupraram a menina de 9 anos? – Sim. Ele disse: 'Em nossa religião, é permitido tomar uma menina de 9 anos'."

Sequestros violentos, abortos forçados e estupros coletivos. É o roteiro maligno que os combatentes do Estado Islâmico vêm seguindo e praticando com jovens meninas iazidis, uma minoria étnico-religiosa curda, no Iraque. Essas atrocidades foram narradas pelas próprias vítimas do ISIS, sobreviventes que conseguiram escapar das mãos de seus agressores e que, agora, querem contar ao mundo inteiro o que está acontecendo com o seu povo e com as suas famílias.

Primeiro, elas viram seus maridos, pais e irmãos serem cruelmente assassinados, bem à sua frente. Depois, foram vendidas a membros do Estado Islâmico, como se fossem animais. As que estavam grávidas eram obrigadas a abortar os próprios filhos para, depois, servirem como escrava sexual para os combatentes do ISIS. Uma das jovens chega a relatar que foi estuprada cinco vezes por dia.

As suas histórias estão documentadas em vídeo-entrevistas gravadas recentemente pela AMAR International Charitable Foundation, de Londres.

Munira, de 16 anos, conta que seus sequestradores "estupravam garotas da idade dos 6 anos até a idade adulta". Depois de ser violentada por vários deles, ela se sentia "devastada", sem falar das consequências físicas. "Por causa dos constantes estupros, eu sangrava e meu corpo agonizava. Eu chorava todos os dias. Eles diziam que a religião deles os instruía a fazer aquilo, a estuprar meninas iazidis".

Depois de ser vendida e estuprada repetidas vezes, Bushra, de 21, viu uma amiga cometer suicídio e decidiu fazer o mesmo. Ela foi impedida por seu "proprietário", que a levou para o hospital e disse que ele a estupraria naquele mesmo dia, não importasse o quanto ela se fizesse de doente. Efetivamente, quando voltaram do hospital, ele amarrou as suas mãos e os seus pés e estuprou-a mais uma vez. Bushra era abusada de cinco a seis vezes por dia, até o dia em que conseguiu escapar.

Noor, de 22 anos, tendo falhado em sua primeira tentativa de fuga, foi trancada por seu "proprietário" em um quarto de hotel com seis homens do ISIS. O seu castigo? Um "estupro coletivo".

A violação sexual é algo tão comum entre os membros do ISIS, que eles chegam a trazer os seus próprios médicos para examinar as reféns e realizar abortos nas que estão grávidas, a fim de que também elas sejam violentadas.

"Uma das minhas amigas estava grávida", conta Bushra. "Seu bebê tinha cerca de três meses na barriga. Eles a levaram para outro quarto. Havia dois médicos e eles fizeram o aborto". Os carniceiros deixaram a moça sangrando e com uma dor tão intensa que "ela não podia sequer falar ou andar".

A AMAR Foundation encerrou cada vídeo produzido com uma citação do profeta Maomé, fundador do Islã, pedindo um tratamento de respeito para com os não-muçulmanos.

Apesar disso, o especialista Robert Spencer, autor de 14 livros sobre a religião islâmica e criador do site Jihad Watch, diz que estupro e aborto forçado não estão muito longe da prática islâmica ao longo dos séculos. "Tomar mulheres não-muçulmanas como escravas sexuais está em total acordo com o Islã", ele diz. Os muçulmanos não só se permitem à poligamia, como podem ainda manter "mulheres cativas" para a própria satisfação sexual. Spencer faz notar que o primeiro exemplo vem do próprio Maomé, quando ele tomou a mulher de um dos seus inimigos mortos depois da batalha de Khaybar "e teve sexo com ela no campo de batalha mesmo".

O grupo terrorista da Nigéria, Boko Haram, tem seguido a mesma estratégia do Estado Islâmico nessa matéria: a regra para lidar com as mulheres é capturar, estuprar e vender.

A AMAR Foundation estima que ainda haja cerca de 5 mil mulheres nas mãos do Estado Islâmico.

Chega a ser torturante apenas imaginar o que estão sofrendo essas mulheres neste exato momento, vendo as suas famílias, a sua dignidade e as suas próprias vidas serem destruídas pelas mãos desses homens cruéis e impiedosos. É essa a "paz" que substituirá a religião cristã no Ocidente? Onde está a voz da mídia para denunciar essas atrocidades?

"Eu espero que vocês ouçam a minha história", termina Noor, uma das jovens sobreviventes do ISIS. "Imaginem se isso acontecesse com as mulheres e as filhas de vocês... O que vocês fariam?"

Por Equipe CNP | Com informações de LifeSiteNews.com

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As vítimas de Boko Haram

Na Nigéria, chega a dois mil o número de mulheres sequestradas pelos fundamentalistas islâmicos.

O Oriente Médio não é a única região do mundo a lidar com o problema do terrorismo. Desde 2009, a Nigéria tem visto a ascensão, principalmente ao norte do seu território, do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram. A facção, que também é chamada de "Estado Islâmico da África Ocidental" (ISWAP, em inglês), milita principalmente pelo fim da educação ocidental no país.

"As ideias centrais da seita são a estrita adesão ao Corão e à Hadith (os ditos do Profeta Maomé)" [1]. "A sua meta é criar o reino de Deus na terra através da rígida aplicação da lei islâmica, ou sharia. Qualquer coisa que se ponha no caminho dessa meta deve ser destruído. Para Boko Haram, a violência não é uma perversão do Islã, mas um meio justificável tendo em vista o 'fim puro' que é almejado" [2].

Abu Qaqa, um porta-voz do grupo, explica: "O nosso objetivo é colocar a Nigéria em uma situação difícil e inclusive desestabilizá-la, para substituí-la pela sharia". Ele também afirma que a agenda do grupo é "levar a Nigéria de volta ao período pré-colonial, quando a lei da sharia era praticada".

De 2002, quando foi fundado, até 2009, o grupo era comandado por Mohammed Yusuf. Até então, nenhum incidente violento por parte da facção fora registrado, embora várias autoridades muçulmanas locais já acendessem um alerta para o perigo da seita. Depois de um conflito com o governo nigeriano, em julho de 2009, porém, Yusuf foi morto e os seus seguidores decidiram mudar de estratégia, unindo à militância política a prática de ataques suicidas, sequestros e assassinatos.

Os atentados no país, constantes nos últimos anos, atingem tanto muçulmanos quanto cristãos. O novo líder da facção, Abubakar Shekau, declara abertamente a sua pretensão de " encharcar a terra da Nigéria com o sangue dos cristãos e dos chamados 'muçulmanos' que contradizem o Islã" [3].

Em 2011, durante a Vigília de Natal, 40 católicos foram mortos enquanto saíam da Missa. Os fiéis foram atingidos por duas explosões com carros-bomba.

Os líderes da religião islâmica, por sua vez, são acusadas pelos fundamentalistas de conluio com o governo nigeriano. "De acordo com a retórica do grupo, uma nação secular promove a idolatria, é dizer, a adoração do Estado", explica o estudioso John Campbell. "O compromisso de fidelidade à bandeira e o canto do hino nacional são manifestações de tal idolatria e, por isso, são puníveis com a morte. O Estado é formado e sustentado pelos valores e pela educação ocidentais, e ambos são contrários à vontade de Alá".

Em 2012, após assassinar mais de 180 pessoas na cidade de Kano, a maior da região norte da Nigéria, Abubakar Shekau publicou um vídeo assumindo a autoria do atentado. "Eu gosto de matar qualquer um que Deus me mande matar – assim como eu gosto de matar galinhas e carneiros", declarou [4].

Em abril de 2014, Shekau também assumiu ser responsável pelo sequestro de 276 garotas em uma escola da cidade de Chibok. Ele reaparece em um vídeo postado na Internet, segurando um rifle e cercado por outros homens mascarados, ameaçando vender as jovens. "Eu sequestrei as suas filhas. Eu as venderei no mercado humano, por Alá. Alá disse que eu devo vendê-las. Eu vou vender mulheres", ele diz.

Desde o começo de 2014, o número de mulheres sequestradas pelos terroristas já passa a casa dos milhares. Testemunhos de jovens que foram libertas revelam as condições em que são mantidas as reféns. Elas são obrigadas a "se casarem" com os membros do grupo. Como, porém, não há monogamia no Islã, o termo mais exato para o que fazem é "estupro". As mulheres são forçadas a terem relações sexuais com vários homens.

"Transformaram-me em objeto sexual. Faziam turnos para se deitar comigo. Estou grávida e não sei quem é o pai", relata Asabe Aliyu, de 23 anos.

Grávida de quatro meses, Hamsatu, de 25 anos, conta que o pai de seu filho é membro do Boko Haram e que ela foi forçada a ter sexo com outros membros da milícia que tomaram o controle da sua cidade.

Outra garota, de nome Hauwa, sequestrada em setembro de 2013, dá o seu depoimento:

"Eu era forçada a participar com eles das operações. Geralmente me colocavam para carregar as balas. Faziam-me deitar no chão durante as operações, mas eu apenas segurava as balas. Quando eles me pediram para matar o primeiro homem, meu corpo começou a tremer e eu caí no chão. Eles me obrigaram a levantar e assistir enquanto eles matavam a segunda pessoa. Nesse ponto, como eles nos tinham ensinado a atirar, eu pensava que deveria pegar uma arma deles e me matar."

"Quando vi que seria forçada a casar, fingi sentir dores no estômago. Eles ficaram preocupados com que eu fosse HIV positivo, então me disseram para fazer o teste em um hospital. Foi assim que eu consegui escapar."

As experiências trágicas dessas jovens mobilizaram o mundo inteiro para a campanha Bring back our girls ["Tragam de volta as nossas garotas"], que pede o resgate de todas as mulheres sequestradas pelo Boko Haram. Segundo o movimento, das quase 300 reféns de Chibok, 230 ainda estão nas mãos do grupo terrorista.

Enquanto isso, Boko Haram continua a atormentar o norte da Nigéria. No começo deste ano, centenas de pessoas foram assassinadas na cidade de Baga, no que foi considerado um verdadeiro massacre, o pior ataque já perpretado pela facção criminosa. A Anistia Internacional estimou em 2 mil o número de mortos.

O governo nigeriano tem tido pouco sucesso para reprimir os fundamentalistas islâmicos. A derrota se deve, segundo os especialistas, à falta de investimentos e à corrupção no exército nacional.

O bispo Oliver Doeme, da diocese de Maiduguri, uma das mais atingidas pelo grupo terrorista, lamentou o fracasso do poder público em conter os militantes. "Tanto cristãos quanto muçulmanos estão sendo afetados, mortos e expulsos de suas casas, aldeias e cidades. Ambos foram dispersados e se tornaram refugiados em sua própria pátria", diz o prelado. "A vida se tornou tão banal que pode ser tirada a qualquer momento".

Subam aos céus, da Igreja no mundo inteiro, as orações dos fiéis cristãos por tantas famílias, mulheres e crianças que sofrem nas mãos dos terroristas de Boko Haram. Que, no seu sofrimento, unam a sua entrega à oferta amorosa de Cristo crucificado (cf. Cl 1, 24). E que o mundo islâmico possa abrir os olhos para reconhecer que, definitivamente, "não é razoável a difusão da fé mediante a violência" [5].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. International Crisis Group. Curbing Violence in Nigeria (II): The Boko Haram Insurgency. In: Africa Report, n. 216, 3 abr. 2014. p. 9.
  2. John Campbell. Boko Haram: origins, challenges and responses. Norwegian Peacebuilding Resource Centre, out. 2014. p. 2.
  3. The Washington Post. The man behind the Nigerian girls' kidnappings and his death-defying mystique. 6 mai. 2014.
  4. BBC News. Nigeria's Boko Haram leader Abubakar Shekau in profile. 9 mai. 2014.
  5. Papa Bento XVI, Aula Magna na Universidade de Ratisbona (12 de setembro de 2006).

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Ativistas exploram abuso de menor para legalizar aborto no Paraguai

Menina de 10 anos grávida por estupro é o novo “cavalo de batalha” da Anistia Internacional para legalizar o aborto na América Latina.

"Menina de 10 anos grávida por estupro no Paraguai": uma manchete assim, sem dúvidas, é de chocar e paralisar qualquer um. Como mãe de uma menina de 12 anos que vive no Paraguai, não posso sequer começar a imaginar o que sentiria em meu coração se algo desse tipo acontecesse a minha filha.

Há alguns dias atrás, a mídia no Paraguai reportou justamente essa manchete. Uma garota de 10 anos foi levada à unidade de emergência de um hospital em Assunção, reclamando de dores abdominais e de um inexplicável crescimento no tamanho de sua barriga. Depois de vários testes, os médicos chegaram a uma conclusão: a menina estava grávida.

Em 2014, a mãe da garota havia denunciado o homem com quem vivia para a polícia, acusando-o de molestar a sua filha, que, então, tinha nove anos de idade. A polícia começou a investigar o caso, mas a mãe logo retirou a acusação, assegurando à polícia que tudo não passava de um mal-entendido. A mãe continuou a viver com o homem, e agora, um ano depois, sua filha pequena está grávida de 23 semanas. Acredita-se que a menina era sujeita a abusos constantes e que sua mãe sabia, ou pelo menos suspeitava o que estava acontecendo.

Neste caso terrível, há duas vítimas e vários culpados. Obviamente, as vítimas são a jovem garota e o seu bebê. Tenho sentimentos divididos em relação à mãe da garota pequena. Como mulher, não colocaria toda a culpa sobre a mãe da menina, pois estou convencida de que a violência experimentada pela garota provavelmente também foi sofrida e temida por sua mãe. Contudo, como mãe que sou, também sei que lutaria com unhas e dentes contra qualquer um que tentasse ferir algum dos meus filhos. Daria alegremente a minha vida para defendê-los.

Não se pode desculpar as ações ou, neste caso, a omissão de uma mãe que fracassou em proteger a sua filha – e a mãe agora se encontra presa por sua cumplicidade no abuso. A polícia afirmou que por mais de um ano a mãe da garota sabia que sua filha era abusada por seu parceiro, mas deixou que isso continuasse.

Neste ínterim, o principal criminoso, o homem que estuprou e engravidou a menina de 10 anos, está foragido, tendo se escondido desde o momento em que o caso se tornou público.

Diante de tragédias desse gênero, no entanto, nossa sociedade é obrigada a lidar com uma situação mais comum do que se pode imaginar. De acordo com o Ministro da Saúde do Paraguai, em 2014, houve 684 casos de gravidez em garotas entre 10 e 14 anos. Essa estatística deixa entrever a magnitude do problema.

Agora, o que deve ser feito com a jovem menina grávida?

A Anistia Internacional está usando este caso para pedir a legalização do aborto. A organização montou um lobby intenso para pressionar o governo paraguaio a abortar a criança com 27 semanas de vida. Estão apelando para a chamada "interrupção legal da gravidez", com vistas a proteger a saúde da jovem menina.

Os advogados dessa campanha repetem o mantra de que o Estado deve agir "o mais rápido possível para proteger todos os direitos humanos das mulheres, começando com o direito à vida, à saúde e à integridade física e psicológica, a curto, médio e longo prazo". Eles dizem defender o "direito à escolha".

Eu me pergunto se os ativistas da Anistia Internacional estão realmente preocupados com a jovem garota. Porque, aparentemente, o que eles estão realmente fazendo é usar a menina, usar a sua trágica circunstância, para fazer avançar a sua própria agenda.

Será que eles não percebem que o que estão propondo como solução é simplesmente cometer uma outra injustiça? Que dois erros não fazem um acerto? Que aquela que estão punindo com a morte é a mais indefesa e inocente das partes envolvidas?

O art. 4º da Constituição da República do Paraguai é claro em afirmar que o Estado deve proteger a vida desde o momento da concepção ("El derecho a la vida es inherente a la persona humana. Se garantiza su protección, en general, desde la concepción."). Neste caso, seja a garota de 10 anos que foi abusada, seja o bebê que ela carrega em seu ventre, ambas têm o direito de demandar que o Estado aja para proteger as suas vidas. Ambas devem ter acesso a todos os esforços médicos necessários para atendê-las; ambas são vítimas e merecem todo o suporte da sociedade e do Estado.

O valor de uma vida não é definido pela sua idade, por seu estágio de desenvolvimento ou pelas circunstâncias sob as quais foi concebida. Toda vida é valiosa em si mesma. As autoridades têm a obrigação moral e o dever constitucional de proteger ambas as crianças e dar a elas o cuidado necessário para salvar as suas vidas.

Ainda que a Anistia Internacional afirme que o aborto seja necessário para salvar a vida e a saúde da jovem criança, no momento, felizmente, a sua vida não se encontra em risco. A médica que a está acompanhando, Dolores Castellanos, confirmou que a gravidez está se desenvolvendo sem afetar a saúde do bebê ou da pequena garota. No entanto, a propaganda midiática em torno do caso insiste que a jovem irá morrer se chegar ao final da gestação.

Para o seu maior crédito, o governo tem sido cauteloso e equilibrado. O Ministro da Saúde, Antonio Barrios, não sucumbiu à pressão do lobby internacional pró-aborto. Ele afirmou que o governo tomou medidas estritas para proteger a criança e o bebê.

Além disso, várias organizações sem fins lucrativos e outras instituições do Paraguai se apressaram em oferecer ajuda com assistência integral, como aconselhamento, suporte material e financeiro a curto e longo prazo, e apoio contínuo, levando em consideração – o que é o mais importante – a vida de ambas as crianças, a jovem mãe e o seu bebê. Já outros, como a Anistia Internacional, não oferecem assistência às vítimas, mas, ao contrário, apenas tiram proveito da situação, tentando estabelecer um precedente para a legalização do aborto, a fim de criar leis que violem o direito à vida.

Se, por um lado, é louvável o cuidado integral e generoso pela jovem garota e sua filha, por outro, trata-se apenas de apagar um fogo que infelizmente se acenderá de novo no futuro. Mais deve ser feito para atingir as raízes da tragédia com que essa garota e outras tantas crianças têm que lidar.

Ao invés do aborto, é hora do governo sancionar soluções efetivas para o abuso infantil. Que ele legisle para promover campanhas de combate a esse problema, em primeiro lugar, e que promova uma cultura de apreço e cuidado pelas crianças – ao invés de criar uma sociedade ainda mais insensível e que tolere o assassinato de crianças como solução. Há que se proteger todas as crianças, nascidas e não nascidas, porque são o rosto futuro da sociedade.

Mas, acima de tudo, urge compreender que a melhor resposta para o abuso infantil sempre esteve bem à frente dos nossos olhos. É uma solução tão óbvia que chega a ser inacreditável que tantos "especialistas" não a tenham enxergado: é preciso fortalecer a família encabeçada por um pai e uma mãe. A família é a mais básica organização sem fins lucrativos, e aquela que mais visa o bem comum. É focada na saúde do indivíduo e é a única verdadeira fundação da sociedade.

A pequena garota hoje grávida vem de uma família que é o retrato da disfunção familiar. A mãe, que tinha um emprego de baixa renda, tinha três filhos de três diferentes pais: um de 13 anos, a pequena menina de 10 que está grávida, e um menino de 8 anos. Importa, pois, atacar as raízes profundas do problema.

Não há melhor investimento para o governo do que fortalecer, proteger e promover o casamento e a família como coluna social insubstituível, especialmente quando há jovens crianças envolvidas nisso. A sociedade como um todo deve abraçar uma cultura que reconheça e valorize a família e todos os seus membros como um tesouro a ser cuidado e preservado.

Isso por que essa pequena garota e outras como ela passaram é algo impossível de apagar. Foi roubada delas a inocência da infância. O abuso ao qual ela foi sujeita deixará uma marca permanente em sua memória e em sua alma. Isso requer o nosso suporte e a nossa ajuda. Mas pensar que matar o bebê em seu ventre vai ajudá-la de alguma forma é um erro grave. Isso não vai amenizar, ao contrário, só vai aumentar o estrago causado por essa experiência. Violência não pode ser apagada com mais violência.

Como minha avó me dizia: "Não importa o quanto me enfureça um prato quebrado, nunca acharei que a solução seja destruir o resto da porcelana."

Por Andrea Radil | Tradução: Equipe CNP

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Cinquenta Tons de “surras” e “pauladas”

Descubra a verdade por trás de “Cinquenta Tons de Cinza”, a patética história que transforma um maníaco sadomasoquista em herói romântico

Em um tempo longínquo, a sociedade costumava enviar sádicos para um terapeuta ou para a prisão, não para o próprio quarto. Mas, com o advento de Fifty Shades of Grey ["Cinquenta Tons de Cinza", em português], os dias de sanidade mental da humanidade estão contados. O recorde de vendas do livro e o sucesso de bilheteria do filme denunciam o estado doentio da modernidade e convidam pais, mães e filhos a uma importante reflexão.

A obra, escrita por uma mulher e recentemente adaptada para o cinema, conta a história de "amor" nada saudável entre o magnata Christian Grey e a jovem estudante Anastásia Steele. O relacionamento dos dois é regido por um "contrato", no qual Christian é denominado o "dominante", e Anastásia, a "submissa". As cláusulas do documento são estarrecedoras: "a Submissa (...) deve oferecer ao Dominante, sem perguntar nem duvidar, todo o prazer que este lhe exija"; "o Dominante pode açoitar, surrar, dar chicotadas e castigar fisicamente à Submissa (...) por motivos de disciplina, por prazer ou por qualquer outra razão, que não está obrigado a expor"; "a Submissa aceitará açoites, surras, pauladas, chicotadas ou qualquer outra disciplina que o Dominante administrar, sem duvidar, perguntar nem queixar-se".

O mesmo contrato ainda fixa um prazo de validade de "três meses", durante os quais Anastásia se torna "propriedade" de Christian. A lista de aberrações é interminável. "Açoites", "açoites com pá", "chicotadas", "gelo", "cera quente" são talvez as únicas "fantasias" nomináveis do livro. É este arsenal de torturas o protagonista de "Cinquenta tons de cinza".

Um estudo conduzido pelo Journal of Women's Health ["Jornal de Saúde da Mulher"] traz uma importante relação entre os atos da trama sadomasoquista e os aspectos reais de violações sexuais. No desenrolar dos acontecimentos,

Christian lança mão de estratégias típicas de abusadores, incluindo perseguição (ele deliberadamente segue Anastásia Steele e usa um telefone e um computador para rastrear sua localização), intimidação (ele a ameaça com punições e violência, incluindo pressioná-la a atividades com as quais ela fica desconfortável), isolamento social (ele afasta Anastásia de amigos e família) e violência sexual (ele usa álcool para forçar o seu consentimento e a constrange a atividades sexuais desconfortáveis).

Como resposta, Anastásia experimenta reações típicas de mulheres violadas, incluindo ameaça constante (por exemplo, de que Christian está tentando rastreá-la, está nervoso com ela e vai puni-la ou machucá-la); identidade alterada (Anastásia descreve a si mesma como um "assombrado fantasma pálido"); estresse (Anastásia começa a ter comportamentos para manter a paz no relacionamento, como reter informação sobre a sua localização para evitar a ira de Christian); ânsia pela sanidade e normalidade no relacionamento; e enfraquecimento e aprisionamento, já que as suas condutas se mecanizam em resposta ao abuso de Christian.

Sabendo qual o verdadeiro teor dessa história assombrosa, urge identificar, afinal, qual a origem da sua repercussão. Na Inglaterra, a trilogia de E. L. James vendeu mais do que "Harry Potter" e "O Código da Vinci". Nos Estados Unidos, foram 10 milhões de cópias compradas em apenas seis semanas. No mundo inteiro, o filme bateu recorde de bilheteria, beirando a cifra de 240 milhões de dólares. Como uma narrativa sádica e violenta é capaz de alcançar tamanho sucesso?

A primeira resposta – e, certamente, a primeira que vem à mente do leitor – é o sexo. O êxito de "Cinquenta Tons de Cinza" se deveria principalmente às passagens eróticas inseridas pela autora no livro. O fato de 68% da audiência do filme ser composta por mulheres é um dado importante. Mostra como a pornografia – um problema eminentemente masculino – tem se adaptado também para o universo feminino. Do material explícito e visual usado para os homens, o demônio adapta livros e letras para destruir também as mulheres.

Mas, ainda que o aspecto sexual responda muito, não responde tudo. Para Kirsten Andersen, correspondente do LifeSiteNews.com, o sucesso de tramas como "Cinquenta Tons de Cinza" e Twilight ["Crepúsculo"] "tem sua origem na batalha que se trava em todos nós desde o dia em que aparecemos gritando, nus e indefesos, neste mundo", tem a ver com o fato de que "nós todos queremos ser profundamente amados", ainda que, muitas vezes, vejamos a nós mesmos como seres "pateticamente desprezíveis". Os romances exploram, portanto, a radical necessidade do ser humano por amor e redenção – na maioria das vezes, porém, do jeito errado.

Em "Cinquenta Tons de Cinza", por exemplo, o senhor Grey é pintado como o "redentor" de Anastásia. A menina virgem que nunca teve sorte no amor teria finalmente encontrado o seu par. O modo como ele a intimida e os serviços humilhantes a que ela se presta, porém, mostram o erro brutal que estão cometendo. Nem ele a redime, tampouco ela é amada; no relacionamento erótico e dominador dos dois – repleto de medo, ciúmes e ameaças –, ambos vão, pouco a pouco, se destruindo. (Só em uma ficção de muito mau gosto algo deste tipo poderia acabar bem.)

A razão disso é que o ser humano, além de seu corpo, possui uma alma. Enquanto seu corpo se entrega desordenadamente ao prazer, algo no mais íntimo do seu ser clama pelo infinito, pelo eterno, por Deus. Por isso, mil atos sexuais – por mais inventivos e pitorescos que possam parecer – não são capazes de fazer ninguém, absolutamente, feliz. "Coisas ruins acontecem quando tentamos ser Deus, ou quando deixamos que alguém preencha o papel de Deus para nós", escreve Kirsten Andersen. "O único amor salvífico que iremos encontrar neste mundo é divino em sua origem – não romântico".

Não é preciso, pois, ter "bola de cristal" para prenunciar o trágico fim em que acabará qualquer casal que queira imitar Christian e Anastásia. E não adianta vir com a conversa de que "o que eles fizeram no filme, fica no filme, não tem nada a ver com o mundo real". O chamado "mercado erótico" já está comemorando o sucesso de "Cinquenta Tons de Cinza", seja no exterior, seja em terras tupiniquins. A obra de E. L. James não é uma "história inofensiva" para mero entretenimento. É mais uma iniciativa – na linha das muitas começadas pela Revolução Sexual – para forçar limites morais, destruindo a família natural, o projeto de Deus para a sexualidade humana e a própria dignidade da mulher.

Sim, a pergunta a ser feita é: o que este livro e este filme têm a dizer sobre o valor da mulher? Você gostaria que sua filha entrasse em um relacionamento com Christian Grey? Ou que seu filho se tornasse um sádico e torturador sexual? Anastásia Steele é, felizmente, uma personagem fictícia, mas os efeitos malignos de "Cinquenta Tons de Cinza" – a patética história que transforma um maníaco em herói romântico – estão prontos para entrar em cena na vida real: nesta, e nas próximas gerações.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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