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Uma lição de masculinidade para o nosso tempo

Os Founding Fathers amaram o próximo quando, primeiramente, amaram o “Juiz Supremo”, amaram suas famílias, a natureza humana e seus direitos inalienáveis, e por tudo isso empenharam as próprias vidas.

4 de julho de 1776 é a data em que 13 colônias da América, chefiadas por homens dispostos a perder suas vidas, suas fortunas e sua sagrada honra, puseram fim à tirania de uma coroa corrupta e puderam dar um grito de liberdade e autonomia. A Independência dos Estados Unidos foi conquistada graças a esforços corajosos e viris, o que torna esse feriado americano algo emblemático não somente para os filhos do Tio Sam, mas também para todo o Ocidente — este cada vez mais calejado por causa da febre de pusilanimidade que invadiu a sua cultura.

É questionável se, nos dias de hoje, aqueles homens que assinaram a Declaração de Independência Americana — empenhando, para isso, seus bens mais preciosos — teriam a mesma coragem de lutar e sacrificar-se por um mesmo ideal. A completa ausência de personalidades viris na sociedade contemporânea é um fenômeno espantoso. A ojeriza contra virtudes como força e coragem impregnou-se tanto nos espíritos, que se tornou quase um pecado portar-se de maneira mais masculina. A própria opinião pública faz pressão sobre os jovens para que vivam mais o seu "lado feminino". E o resultado disso se reflete não somente no seu vestuário — cada vez mais fresco —, mas também — e mais gravemente — na sua maneira de lidar com conflitos e decisões sérias.

Vejam, por exemplo, o comportamento dos líderes políticos. Com raríssimas exceções, é praticamente impossível encontrar um que inspire segurança e paternidade. Ao contrário, a esmagadora maioria deles parece mais preocupada com a estética diante das câmeras, com o discurso ambíguo e a imagem de bom mocinho, do que com tomadas de decisões objetivas, ainda que estas venham a desagradar a algum grupo.

É claro que todo esse afrouxamento de caráter não se desenvolveu espontaneamente. Tratou-se de um grave equívoco filosófico e teológico, de cujos resultados muitos grupos sedentos por poder têm se aproveitado.

Em sua Análise sobre o homem, o psicólogo Erich Fromm explica que, no século XVIII, a filosofia de Immanuel Kant desenvolveu uma espécie de "consciência culpada". Esse filósofo alemão, piedoso e escrupuloso que era, retirou a moralidade da ordem do amor para colocá-la na ordem da justiça. E, nessa visão, toda ação humana deve ser absolutamente desinteressada; a moral torna-se um "imperativo categórico", ou seja, um dever social que está acima de qualquer direito: mesmo sob uma ditadura, nenhuma pessoa pode reivindicar algo para si. O que Kant conseguiu produzir, por conseguinte, foi "a mais glacial atmosfera ética jamais proposta ao homem" [2].

Notem: o que rege a coragem de um homem para defender sua vida e a de sua família é o amor e a ordem com que ele ama essas mesmas coisas. Mas Kant condenou o amor, chamando-o de interesseiro. Para ele, os homens devem defender suas famílias não porque as amam, mas porque é seu dever. O homem que defende sua família por amor é entendido pela filosofia kantiana como alguém egoísta. Enfim, Kant separou as virtudes da caridade e da fortaleza. E, como dizia Chesterton, as virtudes separadas umas das outras ficam loucas. Sem o motor do amor, na verdade, todas as demais virtudes, como a fortaleza e a justiça, perdem o seu elã e a covardia toma conta do espaço.

Em sua análise, Fromm adverte que essa condenação do amor em nome do puro dever foi assumida pela cultura ocidental, de modo que as pessoas facilmente deixaram de lutar para se submeterem a uma falsa autoridade superior:

"Não seja egoísta" é uma frase que foi usada para impressionar milhões de crianças, em gerações sucessivas. Seu significado é um tanto impreciso; a maioria das pessoas diria que não se deve ser egoísta, sem consideração ou preocupação com os outros. Na verdade, geralmente quer dizer mais do que isso. Não ser egoísta implica não se fazer o que se quer, desistir de suas próprias vontades em benefício dos que detêm autoridade. "Não seja egoísta", em última análise, tem a mesma ambiguidade que tem no calvinismo. Além de seu sentido óbvio, quer dizer "não ame a si mesmo", mas submeta-se a algo mais importante do que você, a um poder exterior ou à sua interiorização, o "dever". "Não seja egoísta" transforma-se em uma das mais poderosas ferramentas para suprimir a espontaneidade e o livre desenvolvimento da personalidade. Sob a pressão desse slogan, pede-se à gente todo sacrifício e submissão completa. [3]

Não há como ler essas linhas terríveis do psicólogo judeu sem pensar nos efeitos trágicos que essa propaganda demagoga teria causado àquelas 13 colônias americanas, caso seus homens tivessem sido contaminados por tal servilismo. Ao contrário, é porque eles nutriam um sadio amor de si mesmo que puderam defender seus compatriotas da opressão estrangeira. A cultura contemporânea, por outro lado, criou homens passivos e incapazes de qualquer reação viril, porque suas personalidades foram tomadas pelo "amolecimento", pela "docilidade sem virtude", pela "mansidão sem brio", pela "resignação sem mérito" [4]. Em poucas palavras: eles deixaram de ser homens.

A Independência dos Estados Unidos é, sem dúvida, uma lição de virilidade para o nosso tempo. Os Founding Fathers, sim, amaram verdadeiramente ao próximo quando, primeiramente, amaram o "Juiz Supremo" e a "Divina Providência", amaram suas famílias, a natureza humana e seus direitos inalienáveis, e por tudo isso empenharam suas vidas. A medida do amor ao próximo é, afinal, o amor de si mesmo: "Amarás o próximo como a ti mesmo" (Mc 12, 31). Os "pais fundadores" deste tolerante Ocidente, por sua vez, não amam nem o Juiz Supremo, nem suas famílias, nem a natureza humana e seus direitos inalienáveis. Exatamente por essa razão ele se encontra prostrado diante da ameaça terrorista e de tantos outros projetos megalomaníacos de poder global.

"Sê enérgico. — Sê viril. — Sê homem. — E depois... sê anjo" [5]. Talvez nunca esse conselho de São Josemaria Escrivá tenha valido tanto como nos dias de hoje.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Erich Fromm, Análise do homem, 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983, p. 107-115.
  2. Gustavo Corção, Dois amores e duas cidades, Rio de Janeiro: Agir, 1967, v. 2, p. 86.
  3. Erich Fromm, op. cit., p. 113-114.
  4. Gustavo Corção, op. cit., p. 87.
  5. Caminho, n. 22.

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Juiz, católico e pai de nove filhos

“Um católico, um esposo e um pai, e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele”. São as revelações de um sacerdote sobre o seu pai, o ministro norte-americano Antonin Scalia, no aniversário de um ano de seu falecimento.

O ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia — um homem de tremenda influência no país, especialmente no Poder Judiciário —, inesperadamente partiu desta vida para a eternidade no dia 13 de fevereiro de 2016, há pouco mais de um ano.

Na ocasião, foi o seu filho, padre Paul Scalia, da diocese de Arlington (Virginia), quem celebrou a sua Missa de Exéquias. Na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, diante de familiares e amigos, e de uma audiência televisiva na nação e no mundo inteiro, o padre Scalia provou ser realmente filho de seu pai. Ele não escolheu focar o seu sermão nas impressionantes conquistas de seu pai. Ao invés, ele preferiu, como também o seu pai teria feito, focar em Cristo.

O padre Scalia conversou com Catholic Digest sobre "o que Deus fez por seu pai", em comemoração do aniversário de um ano do seu falecimento.

Padre, em nome de minha própria família — e tenho certeza que de muitas famílias católicas —, quero dizer-lhe que, quando ficamos sabendo da morte de seu pai, a primeira coisa que fizemos foi parar tudo para rezar pela alma dele.

Muito obrigado, eu lhe agradeço por isso. Nem sempre foi fácil ter um pai que era uma figura pública, mas a maior consolação na hora de sua morte foi ter todos esses católicos no país e no mundo rezando espontânea e imediatamente por ele. Isso foi uma grande bênção.

Você mencionou os 55 felizes anos de matrimônio que tiveram os seus pais. Como está a sua mãe?

Ela está bem, na medida do possível. Trata-se de um processo, uma jornada longa, mas há também muito apoio. Ela tem nove filhos e muitos amigos.

O que fica para você do casamento de seus pais?

Eu acho que a simplicidade e a generosidade — a simplicidade do compromisso. Eles vieram de uma época em que, quando dois católicos se casavam, eles sabiam do que se tratava, sabiam que aquilo era por toda a vida. A importância dos ensinamentos da Igreja em todas essas coisas — não acho que esteja presente em muitos casamentos agora. Há a ideia de que você pode cair fora, de alguma forma. Mas havia a simplicidade dessa devoção pela própria vocação e a generosidade — eles tiveram nove filhos.

Como essa generosidade acontecia na vida do dia a dia?

Em uma família grande, essa generosidade é exigida de todos, porque você tem que compartilhar as coisas. Como comentaram alguns de meus irmãos durante o memorial um mês depois, nem sempre nós tivemos muito dinheiro. Minha mãe brincava que meu pai estava sempre à procura de um emprego que pagasse menos do que o que ele tinha. Lembro-me de que, quando vivíamos em Chicago, éramos sete ou oito crianças vivendo com o salário de um professor. Aquilo nos custava muito. E tinha uma generosidade ali. Havia também uma questão de fé em fazer essas coisas, em não limitar a vida, em não procurar um emprego de salário maior. Havia uma confiança. Eles vieram de uma época mais simples e era isso o que faziam. Como disse, a fé era muito central para o relacionamento conjugal deles.

Quando você discursou no funeral de seu pai, disse que seus pais deram vocês um ao outro. Fale-nos melhor sobre esse apoio mútuo.

Acredito que o que fica em nossas mentes, acima de tudo, é ver quão bonito foi podermos ter um ao outro na hora da morte dele e durante toda essa situação. Teria sido muito mais difícil passar por isso sem os meus irmãos. Todos nós nos reunimos e compartilhamos juntos as coisas. Pareceu tão natural e nós pudemos enfrentar unidos tudo o que aconteceu. Foi uma grande bênção. Depois do funeral, uma jovem mulher se virou para o seu marido e disse: "Eu quero nove filhos".

O bispo Alexander Salazar disse certa vez que o primeiro seminário do padre é o seu lar. O que a formação que você recebeu de seu pai significou para o seu sacerdócio?

Que eu recebi não apenas dele, é claro, mas de meu pai e de minha mãe, juntos. É o que as crianças precisam. É assim que é estruturada a família. Meu pai tinha uma convicção muito forte da verdade da doutrina católica. Foi isso o que ele me deu. E isso também ajudou a nos confirmar em uma identidade. Que crianças não querem uma identidade — saber quem elas são, de onde vieram e para onde estão indo? Só a convicção da fé católica, que meu pai tinha, estabeleceu em nós esta identidade: nós somos católicos, não somos como todo o mundo, e não devemos esperar fazer as coisas que todo o mundo faz. Nos tempos obscuros das décadas de 1970 e 1980, meu pai fazia viagens relativamente longas a fim de encontrar para nós uma igreja que fosse sólida em sua doutrina e em sua liturgia, porque naqueles dias havia muitas loucuras acontecendo. Nós brincávamos que, quando vivíamos em Chicago, nosso pai gastava meia-hora para levar-nos a uma igreja que estava a 45 minutos de distância. Isso era um compromisso. Em 2008, fui designado para assumir a paróquia de nossa casa, e nós tínhamos a Missa tradicional em latim, na Forma Extraordinária, e meu pai começou a participar. Foi uma grande bênção porque, juntos, nós pudemos apreciar a beleza da tradição e da liturgia da Igreja.

Conte-me mais sobre a personalidade de seu pai. O ex-presidente Bill Clinton dizia que, mesmo quando discordava de seu pai, ele gostava dele porque Scalia nunca pretendia ser alguém que ele não era.

Isso é verdade — e é provavelmente a primeira coisa que eu ouço de Bill Clinton com a qual eu concordo. Acho que é por isso que meu pai se dava bem com tantas pessoas. Elas sabiam quem ele era. Ele não era uma coisa hoje e outra amanhã, como são muitas pessoas, especialmente na capital federal. Muito disso tinha a ver com sua fé, e outra parte também era o seu temperamento — quem ele era.

O senhor fez uma referência a São Thomas More em sua homilia: the king's good servant but God's first, "o fiel servidor do rei, mas de Deus primeiro".

Porque ele era de Deus primeiro.

São Thomas More foi advogado e homem de alta posição abaixo do rei. Seu pai o teve como especial santo padroeiro?

Ele tinha uma grande devoção por São Thomas More. Absolutamente. Ele brincava que, quando o Vaticano nomeou São Thomas More, que já há muitos anos era padroeiro dos advogados, como santo padroeiro dos políticos, aquela não era uma promoção. Acredito que meus pais assistiram ao filme A Man for All Seasons ("O homem que não vendeu sua alma") quando estavam viajando para a Europa depois de seu casamento. Paul Scofield estava certamente atuando. Ele certamente tinha uma grande admiração e devoção por São Thomas More — a integridade do homem, a astúcia, a sua piedade.

Seu pai também usava um cilício?

Não vou revelar as mortificações de meu pai. Ele tinha nove filhos; isso já era mortificação suficiente.

Conte-nos sobre uma das citações favoritas de seu pai: "Tenha a coragem de ter a sua sabedoria considerada como estupidez."

Meu pai obviamente tirou isso do Apóstolo, São Paulo: "Nós somos considerados tolos por causa de Cristo" ( 1 Cor 4, 10). Um católico que atua na esfera pública deve estar disposto a enfrentar o ridículo. É uma das coisas que meu pai gostava de destacar a respeito de São Thomas More: não é possível admirá-lo realmente, a menos que apreciemos o fato de ele parecer ridículo. Todos os demais, todos os seus companheiros, seguiram o rei. Todos os bispos da Inglaterra, com a exceção de um, seguiram o rei. Então ele parecia absurdo. Parecia um idiota. Esse é um tema da vida dos santos em geral.

Nosso Senhor mesmo foi ridicularizado. Então por que deveríamos imaginar-nos melhores que ele? Era um dos discursos favoritos que meu pai costumava fazer. Ele contrastava isso com Thomas Jefferson — um conto de dois Thomas. Thomas Jefferson, que ficou famoso por recortar a Bíblia, compôs a sua própria retirando todos os milagres dela porque, evidentemente, aqueles milagres, de acordo com o homem de sabedoria mundana, não são possíveis, então você não os pode ter. Por isso, você se livra deles. Ele considerava a Bíblia algo pouco sofisticado.

Os contemporâneos de Jesus pensavam o mesmo dEle. Para que ele cuspiu no chão e aplicou o barro nos olhos daquele homem (cf. Jo 9, 6)?

Pode vir algo bom da Galileia? A Galileia era um lugar desvalorizado. Devo dizer que meu pai se divertia com a ironia aqui. Ele era um homem muito sofisticado, e realmente representava o melhor do que tinham os jesuítas antigamente. Com todo o respeito, ele tinha mais cultura que muitos de seus pares em termos de literatura, música, arte e turismo. Não é minha intenção vangloriar-me, mas ele era mais sofisticado e creio que se divertia em estar no meio daquelas pessoas e dizer: "Devemos estar dispostos a parecer idiotas".

Há um vídeo no YouTube, do comediante Stephen Colbert tirando sarro dele durante o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 2006. Seu pai achou a brincadeira hilária. Ele gostava de rir de si mesmo?

Absolutamente. Quem o conhecia sabia que provocá-lo era a melhor forma de conseguir o melhor dele.

Era esse o segredo de sua amizade com a ministra Ruth Bader Ginsburg, de quem ele tanto discordava?

Deve ter sido, em parte. Mas acho que isso se devia ao que ele e ela eram. Não havia nenhuma pretensão. Ele podia respeitá-la. Ele podia discordar dela, mas ela era consistente. Ainda que houvesse desacordo, havia respeito pela integridade do seu pensamento, da sua palavra, e por quem ela era. Penso que muito disso se deve à sua criação em Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, era aquele lugar em que tudo acontecia. Você tinha todo tipo de pessoas. Era impossível viver em uma bolha. Você tem que aprender a lidar com todo o mundo. A menos que você queira uma vida miserável, é preciso haver um apreço pelas diferenças entre as pessoas.

Em sua homilia durante o funeral de seu pai, você falou, entre outras coisas, sobre rezar pelos mortos, não roubando deles as nossas orações pressupondo que eles já estivessem no céu. Isso parece muito o seu pai.

Meu pai odiava a palavra "homilia". Ele a achava carregada de modernismo. Ele preferia "sermão". Um ponto que eu sempre recordo quando faço um funeral é: esse é o modo como podemos continuar a fazer o bem pela pessoa que amamos. É necessário um sentido sobrenatural para nos mantermos firmes e aceitarmos. Todos querem pensar que está tudo bem. Todos querem chegar ao final feliz sem grande esforço.

Você também falou de quão tênue é o véu a separar o tempo e a eternidade, e do chamado ao arrependimento. Qual foi a resposta das pessoas a isso?

Graças a Deus e a Nossa Senhora que Ele usou esse discurso para o bem. Talvez isso seja tão simples quanto o fato de que sua morte fez as pessoas focarem na eternidade, coisa à qual elas tipicamente não dão importância alguma. Muitas pessoas se perguntavam: porque o ministro Scalia morreu neste momento da história dos Estados Unidos, quando parece que nós realmente precisamos tanto dele?

"O cemitério está cheio de homens indispensáveis."

Meu pai amava essa frase. Ele a amava. Foi dele que a ouvi pela primeira vez. Ele atribuía essa citação a Charles de Gaulle, por isso a repetia com um sotaque francês.

Seu pai era um artista?

Ah, com certeza ele era. Ele atuava quando era mais novo. Sim, ele era um ator. Ele era bom de piadas, de histórias.

Olhando para este ano que se passou, o que você espera que as pessoas se lembrem a respeito dele?

Seu catolicismo era o que ele era. Ele viveu a vida ao máximo. Tinha uma variedade de interesses e de amigos, mas o núcleo era composto de basicamente três componentes: ele era um católico; um esposo e um pai; e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele.

Fonte: Catholic Digest | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Quem marchou pelas mulheres nos Estados Unidos?

Mesmo a mídia e o financiamento das ONGs pró-aborto nos últimos 44 anos não puderam conter o apelo natural e espontâneo da mensagem da Marcha pela Vida.

Um dia após a cerimônia de posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, centenas de milhares de mulheres tomaram as ruas de Washington D.C. para protestar contra suas posições políticas com relação ao aborto e a outros temas que lhe custaram uma enorme dor de cabeça durante o período de campanha. A Marcha das Mulheres, como foi chamada pelos seus organizadores, contou com amplo apoio de organizações filantrópicas, de artistas e, sobretudo, da mídia, que, aliás, fez questão de repercutir a mensagem do protesto para o mundo inteiro. No Brasil, um jornal de grande circulação disse que a marcha representaria a "alma feminina".

"Não aceitem esta nova era de tirania em que não apenas as mulheres estão em perigo, mas todas as pessoas marginalizadas. A revolução começa aqui, este é o começo de uma mudança muito necessária", vociferou a cantora Madonna durante sua participação no evento. Madonna só se esqueceu de explicar, porém, como a Marcha das Mulheres pretende combater essa marginalização se seus próprios organizadores marginalizam quem discorda deles, como no caso do veto à participação de mulheres pró-vidano evento. Nesta nova revolução, é preciso perguntar, mulheres que não tratem seus bebês como apenas mais uma parte de seu corpo serão respeitadas?

A resposta é não. Desde que a ativista Adrienne Germain convenceu John Rockefeller III a investir em pesquisas sociológicas que mudassem o pensamento das mulheres a respeito da maternidade, os movimentos feministas tornaram-se apenas uma massa de manobra nas mãos dos grupos globalistas que querem o controle populacional. A defesa dos tais "direitos reprodutivos" não é uma questão de "alma feminina", mas de marketing para diminuir o número de gestações; não é a pessoa da mulher que interessa, mas o seu útero. É por isso que enquanto Scarlett Johansson discursava na Marcha das Mulheres a favor da Planned Parenthood, essa mesma instituição negava a uma gestante o serviço de pré-natal: "Nós fazemos controle de natalidade, sabe, essas coisas… aborto, nós não fazemos pré-natal". E isso, atenção, é muito mais misógino que qualquer conversa de Donald Trump.

Os jornais erram, mais uma vez, ao vincularem a "alma feminina" à defesa do aborto, como se a Marcha das Mulheres fosse o único grito de protesto ecoado nos Estados Unidos naquelas semanas. Outra marcha ocorreu poucos dias depois, também em Washington, reunindo dezenas de milhares de pessoas, principalmente jovens, para protestarem contra a "cultura da morte", que, desde a famosa decisão "Roe vs. Wade", em 1973, já ceifou a vida de mais de 58 milhões de bebês, mortos em clínicas de aborto. Embora os jornais insistissem em ignorá-la, como denunciou o presidente Donald Trump, a Marcha pela Vida, de fato, tem despertado uma nova geração de homens e mulheres americanos, cuja mentalidade não segue a corrente do hedonismo e do relativismo, mas dos valores perenes da dignidade humana. E esta é a "geração pró-vida" que promete pôr fim a "Roe vs. Wade" nos Estados Unidos.

A primeira Marcha pela Vida aconteceu em janeiro de 1974, graças aos esforços da ativista católica Nellie Gray. Convicta de que toda vida humana deve ser valorizada e protegida, Gray decidiu abandonar sua carreira para dedicar-se exclusivamente à causa pró-vida e à organização anual da marcha. O evento logo arrebanhou uma enorme quantidade de pró-vidas e inspirou outros movimentos ao redor do mundo. Em 2013, poucos dias após a posse de Barack Obama, a Marcha pela Vida reuniu mais de 600 mil pessoas na capital americana para reivindicar o fim do aborto e opor-se às medidas antinatalistas do então presidente democrata. Neste ano, o evento contou com a participação do atual vice-presidente, Mike Pence, e de outros membros do governo republicano. "A vida está vencendo outra vez nos Estados Unidos", comemorou Pence durante seu discurso, fazendo referência à medida assinada por Trump, que pôs fim ao financiamento de ONGs pró-aborto no exterior.

A influência da Marcha pela Vida sobre a cultura americana é reconhecida pelos próprios defensores do aborto. Em 2010, a feminista Nancy Keenan declarou seu espanto acerca da quantidade de jovens presentes na edição da marcha daquele ano, que reuniu 400 mil pessoas: "Eu apenas pensei, meu Deus, eles são tão jovens… há tantos deles e são tão jovens". A Revista Time, por sua vez, publicou uma longa reportagem no aniversário de 40 anos da lei "Roe vs Wade", analisando como os ativistas pró-aborto têm regredido desde 1973: "Conseguir um aborto na América é, em alguns lugares, mais difícil hoje do que em qualquer lugar desde que se tornou um direito constitucionalmente protegido 40 anos atrás".

É claro, portanto, que a Marcha das Mulheres está longe de representar a "alma feminina", como tentaram vender os jornais. Contra fatos não há fake news. Mesmo a enorme campanha midiática e o financiamento das ONGs pró-aborto nos últimos 44 anos não puderam conter o apelo natural e espontâneo da mensagem da Marcha pela Vida. Trata-se do que disse a atual presidente do movimento, Jeanne Mancini: "Ser pró-vida é ser pró-mulher". Essa é a verdadeira "alma feminina".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Nos EUA, nova medida de governo salva dois milhões de crianças da morte

Obama, infelizmente, defendeu o imperialismo da morte em seu governo. Esperemos que Trump continue pelo caminho da vida.

Todo o mundo está sabendo que o recém empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma medida que proíbe o financiamento público de ONGs que promovem o aborto no exterior. Para o movimento pró-vida, trata-se, evidentemente, de uma enorme vitória sobre a "cultura da morte" que tanto prevaleceu durante os oito anos de Obama no poder. Sim, Barack Obama foi o presidente mais pró-aborto da história dos Estados Unidos. Só esse motivo basta para que o término de seu mandato seja comemorado.

Há quem chore, no entanto. A Planned Parenthood e as demais entidades aborteiras que se beneficiavam com o dinheiro dos americanos não estão nada felizes. A saudade de Obama é grande e a razão é óbvia: com o corte de verbas, o seu lobby pró-aborto não terá mais tanto poder para difundir a "cultura da morte" em outros países.

Para quem não se lembra, Planned Parenthood é a mesma fundação que, em 2015, envolveu-se em um escândalo internacional depois que vários de seus funcionários foram flagrados negociando a venda de órgãos de bebês abortados. Apesar de todas as tentativas da mídia para abafar o caso, os vídeos dessas negociações chocaram o mundo pela crueldade e frieza com que esses funcionários tratavam o assunto. Era esse o tipo de fundação que a administração democrata financiava.

Esta semana mesmo, uma nova série de vídeos sobre as barbáries da Planned Parenthood foi divulgada. Nessas gravações, a instituição que se gaba por fornecer cuidados à saúde da mulher aparece negando o serviço de pré-natal às gestantes que a procuram. "Nós fazemos controle de natalidade, sabe, essas coisas… nós não fazemos pré-natal", diz um de seus funcionários.

Nada mais justo, portanto, que Donald Trump interrompesse a ajuda governamental a essas ONGs. A imprensa, por outro lado, fez questão de dar seus chiliques e esbravejar contra a decisão do novo presidente americano, repetindo a ladainha sobre os tais "direitos reprodutivos". Uma reportagem da revista Veja saiu com a seguinte pérola:

Segundo a organização Marie Stopes International, que oferece abortos e prevenção de gravidez em países subdesenvolvidos, a perda do dinheiro americano deve impedir que a ONG realize 2,2 milhões de abortos entre 2017 e 2020, mas também significa que falhará em prevenir 6,5 milhões de gestações indesejadas e 21.700 mortes de mulheres grávidas por abortos em condições precárias.

Santo Deus! Será realmente a perda do dinheiro americano a causar 6,5 milhões de gestações indesejadas ou, vá lá, 21.700 mortes por aborto em condições precárias? Sério, Veja? Não seria outra a causa para esses números? Ora, é evidente que a única responsabilidade de Trump nessa história é que, graças à sua decisão, 2,2 milhões de bebês serão salvos dos médicos aborteiros. Os demais números nada tem que ver com o dinheiro dos Estados Unidos.

O fato é que, para esse pessoal, a realidade não importa. O que importa é o cumprimento de sua agenda. Notem a ironia: aqueles que sempre acusaram os Estados Unidos de imperialismo agora condenam a medida de Trump justamente porque ela não permite a subvenção americana para outros países. Obama, por outro lado, sempre agiu para mudar as legislações de países onde o aborto não é legalizado. Isso, sim, é neocolonialismo!

Durante uma audiência das Nações Unidas, realizada em março de 2016, a conferencista nigeriana Obianuju Ekeocha denunciou abertamente essa intromissão do Ocidente na cultura pró-vida dos países africanos. Em resposta a uma integrante do Parlamento Dinarmaquês, Ekeocha ressaltou que tentar modificar a linguagem das tribos africanas para transformar o aborto em algo bom é um exemplo claro de neocolonialismo. Vale a pena ver o vídeo:

Matar bebês não é uma questão de "livre escolha da mulher", mas, como explicou Ekeocha, de "ataque direto à vida humana". Nada que promova isso pode ser considerado merecedor de verbas para ajuda humanitária. Obama, infelizmente, defendeu o imperialismo da morte em seu governo. Esperemos que Trump continue pelo caminho da vida. O primeiro passo já foi dado.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere