Padre Paulo Ricardo
CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
34 vezes que os muçulmanos nos deram mártires
Santos & Mártires

34 vezes que os
muçulmanos nos deram mártires

34 vezes que os muçulmanos nos deram mártires

Desde o seu surgimento, no século VII, o islamismo deixou um rastro de crueldade e destruição por onde passou. As mais recentes notícias vindas do Oriente não nos deixam mentir, mas também a história o demonstra com meridiana clareza.

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 9 minutos
imprimir

As notícias que o mundo inteiro tem recebido do Afeganistão, agora que os talibãs tomaram o controle do país, são absolutamente lamentáveis: além das inúmeras vidas ceifadas — e das exibições ostensivas de crueldade contra civis —, a informação de que transportes e armamentos potentíssimos estão nas mãos do grupo muçulmano só nos deixa ainda mais inquietos. A exemplo do bom samaritano, somos chamados a socorrer os nossos irmãos no Oriente ao menos com orações e sacrifícios. 

Por outro lado, todas essas notícias não deveriam ser uma “novidade”: o islamismo, desde o seu surgimento, no século VII, sempre deixou um rastro de crueldade e destruição por onde passou. A história e o presente o demonstram com meridiana clareza.

Três razões para não ser muçulmano

Antes de entrar na história, é sempre bom recordar as breves mas imortais palavras de Santo Tomás de Aquino, que dá três razões para mostrar ser em si mesmo leviano e insensato crer no islã: 

  1. ausência de confirmação sobrenatural (ou seja, por milagres) dos ditos de Maomé; 
  2. o fato de o islamismo ter-se espandido pela força das armas e contado entre seus primeiros adeptos homens rudes e mal instruídos; 
  3. ausência de profecias passadas que atestem a instituição divina da lei corânica.

A rápida expansão da nova seita, por sua vez, explica-se facilmente pela índole de suas promessas (prazeres sexuais no paraíso, por exemplo) e de seus preceitos (puramente externos, sem necessidade de mortificação interior), à qual o homem caído está naturalmente inclinado. Eis o que diz o Aquinate (CG I 6, n. 7): 

Os que introduziram seitas errôneas procederam pela via contrária, como é evidente no caso de Maomé, que, com promessas de prazeres carnais, a cujo desejo a concupisência carnal instiga, seduziu os povos. Ditou preceitos conformes a tais promessas, soltando as rédeas à volúpia carnal, aos quais estão naturalmente dispostos a obedecer os homens carnais. Não deu argumentos da verdade [de sua doutrina], a não ser os que podem ser facilmente compreendidos com a razão natural por qualquer um mediocremente instruído; antes, pelo contrário, as verdades que ensinou envolveu-as em muitas fábulas e doutrinas falsíssimas.

Tampouco apresentou [em seu favor] sinais de origem sobrenatural, os únicos com que se dá testemunho conveniente de inspiração divina, na medida em que uma operação visível que não pode ser senão divina mostra estar invisivelmente inspirado o que ensina uma verdade; disse, porém, ter sido enviado no poder das armas, sinal que não falta também a ladrões e tiranos. Tampouco creram nele desde o início sábios exercitados nas coisas divinas e humanas, mas homens bestiais e habitantes do deserto, carentes de toda e qualquer doutrina divina, por cuja multidão, com a violência das armas, subjugou outros à sua lei.

Nem dão testemunho dele oráculos divinos de profetas passados; antes, pelo contrário, depravou com narrações fabulosas quase todos os ensinamentos do Antigo e do Novo Testamento, como fica claro a quem examina sua lei. Daí que, com astúcia, não tenha permitido a seus sequazes a leitura dos livros do Antigo e do Novo Testamento, para que estes não lhe denunciassem a falsidade. E assim se patenteia que os que dão fé às suas palavras creem levianamente.

Uma lista de mártires do islã

“O Martírio de Santo Eulógio”, pintura presente na Catedral de Córdoba.

Como monumento a atestar essas verdades, temos o Martirológio Romano, com o testemunho de sangue de inúmeros cristãos que, em outros tempos, padeceram nas mãos dos mesmos seguidores de Maomé que hoje tomaram o poder no Afeganistão. Para se ter uma ideia de como são numerosos os mártires e confessores vítimas dos muçulmanos, em todos os meses do ano há registro de ao menos uma perseguição empreendida por eles. (Sem falar, evidentemente, da multidão anônima de santos cujas mortes não foram registradas ou cujos registros se perderam no tempo.)

A seguir, oferecemos uma lista com 34 exemplos, extraída de uma edição do Martirológio anterior às reformas pós-conciliares. A maioria deles consta na edição mais recente do livro (que pode ser consultada em português aqui), com algumas omissões, mas também com informações mais precisas sobre o tempo em que se deram os eventos mencionados (os grifos são nossos):

  • No monte Sinai, trinta e oito santos monges, mortos pelos sarracenos, em ódio da fé de Cristo (14 de janeiro).
  • Em Marrocos, na África, o martírio dos cinco santos protomártires da Ordem dos [Frades] Menores, a saber: Berardo, Pedro e Otão, sacerdotes, Acúrsio e Adjuto, leigos, os quais, por pregarem a fé cristã e reprovarem a lei de Mafoma, depois de vários tormentos e afrontas, foram decapitados por ordem do rei dos sarracenos (16 de janeiro).
  • Em Amatrice, no Abruzzo, o trânsito de São José de Leonissa, sacerdote da Ordem dos Menores Capuchinhos e confessor, ilustre pelos cruéis suplícios que, pela pregação da fé, sofreu dos maometanos, pelos seus trabalhos apostólicos e por seus milagres; a quem o Sumo Pontífice Bento XIV inscreveu no cânon dos santos (4 de fevereiro).
  • Na Palestina, a comemoração dos santos monges e outros mártires, que foram, em ódio da fé de Cristo, mortos com grande crueldade pelos sarracenos, às ordens do seu xeique Alamúndaro (19 de fevereiro).
  • Em Damasco, São Pedro Mavimeno, o qual, dizendo a certos árabes que numa sua doença o foram visitar: “Todo aquele que não abraça a fé cristã católica se condena, assim como vosso falso profeta Mafoma”, foi morto por eles (21 de fevereiro).
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Eulógio, sacerdote e mártir, o qual, na perseguição dos sarracenos, por sua bela e intrépida confissão de Cristo, ferido com açoites e bofetadas, e por fim passado ao fio da espada, mereceu juntar-se aos mártires daquela cidade, cujos combates pela fé descrevera e invejara (11 de março).
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Leocrícia, virgem e mártir, a qual foi pela fé de Cristo afligida com diversos suplícios, na perseguição dos árabes, e por fim degolada (15 de março).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Elias, sacerdote, Paulo e Isidoro, monges, que foram mortos pela confissão da fé de Cristo, durante a perseguição dos árabes (17 de abril).
  • Em Córdova, na Espanha, São Perfeito, sacerdote e mártir, morto à espada pelos mouros, porque atacava a seita de Mafoma, e professava com firmeza a fé de Cristo (18 de abril).
  • Na Palestina, o martírio dos santos monges, que os sarracenos mataram no mosteiro de São Sabas (16 de maio).
  • Em Córdova, na Espanha, São Sancho, mancebo o qual, posto que educado no palácio real, não hesitou contudo, na perseguição dos árabes, em sofrer o martírio pela fé de Cristo (5 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos monges e mártires Pedro, sacerdote, Valabonso, diácono, Sabiniano, Vistremundo, Habêncio e Jeremias, que foram degolados durante a perseguição dos árabes (7 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Fândilas, sacerdote e monge, o qual, degolado na perseguição dos árabes, sofreu o martírio, pela fé de Cristo (13 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, o natalício de São Pelaio menino, o qual despedaçado membro a membro com tenazes de ferro, por ordem de Abderamen, rei dos sarracenos, consumou gloriosamente seu martírio, pela confissão da fé (26 de junho).
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Argemiro, monge e mártir, o qual, na perseguição dos árabes, foi pela fé de Cristo atormentado no ecúleo e traspassado pela espada (28 de junho). 
  • Em Córdova, na Espanha, Santo Abúndio, sacerdote, o qual, na perseguição dos árabes, porque atacava fortemente a seita de Mafoma, foi coroado de martírio (11 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Sizenando, levita e mártir, que foi degolado pelos sarracenos, pela fé de Cristo (16 de julho). 
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Áurea, virgem, irmã dos santos mártires Adolfo e João, a qual foi por algum tempo induzida ao crime de apostasia pelo juiz maometano, mas, logo arrependida, voltou ao combate e, derramando o seu sangue, triunfou do inimigo (19 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, São Paulo, diácono e mártir, o qual, porque repreendia os príncipes infiéis da impiedade e crueldade da sua seita maometana, e pregava a Cristo com grande constância, morto por ordem deles, voou aos prêmios celestiais (20 de julho). 
  • Na ilha de Chipre, São Teófilo, pretor, o qual, preso pelos árabes e não podendo nem com presentes nem com ameaças ser levado a renegar a Cristo, foi morto à espada (22 de julho).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Jorge, diácono, Aurélio e Natália, sua mulher, Félix e Liliosa, sua mulher, durante a perseguição dos árabes (27 de julho).
  • No mosteiro de São Pedro de Cardena, da Ordem de São Bento, perto de Burgos, na Espanha, o martírio de duzentos monges com seu abade Estêvão, que foram mortos pelos sarracenos, em ódio da fé de Cristo, e sepultados ali mesmo no claustro pelos cristãos (6 de agosto).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Leovigildo e Cristóvão, monges, durante a perseguição dos árabes. Foram estes santos encarcerados pela defesa da fé cristã, e logo depois cortou-se-lhes a cabeça e lançaram-nos ao fogo, assegurando-lhes por esta morte a palma do martírio (20 de agosto).
  • Em Salônica, São Fantino, confessor, o qual teve muito que sofrer dos sarracenos, foi expulso do mosteiro em que vivera com admirável abstinência, levou a muitos pelo caminho da salvação, e finalmente descansou em boa velhice (30 de agosto).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Emilas, diácono, e Jeremias, os quais, depois de maltratados por muito tempo no cárcere, durante a perseguição dos árabes, finalmente, sendo-lhes, em ódio de Cristo, cortada a cabeça, consumaram seu martírio (15 de setembro).
  • No monte Cassino, o Beato Vítor III, Papa, que sucedeu a São Gregório VII, ilustrou a Igreja com novo esplendor, e conseguiu com o favor divino uma insigne vitória sobre os sarracenos. O Sumo Pontífice Leão XIII ratificou e confirmou o culto que de tempo imemorial lhe era prestado (16 de setembro).
  • Em Córdova, na Espanha, Santa Pomposa, virgem e mártir, a qual, degolada à espada, por causa da sua intrépida confissão de Cristo, durante a perseguição dos árabes, conseguiu a palma do martírio (19 de setembro).
  • Em Córdova, na Espanha, os santos mártires Adolfo e João, irmãos, que foram coroados de martírio pela fé de Cristo, na perseguição dos árabes, e Santa Áurea, sua irmã, a qual, reconduzida à fé pelo seu exemplo, sofreu também ela ao depois com grande coragem o martírio, aos 19 de julho (27 de setembro).
  • Em Ceuta, na Mauritânia Tingitana, o martírio dos santos Daniel, Samuel, Ângelo, Leão, Nicolau, Hugolino e Domno, da Ordem dos Menores, todos sacerdotes, menos Domno, os quais, por pregarem ali o Evangelho e confutarem a seita de Mafoma, depois de sofrerem dos sarracenos injúrias, cadeias e açoites, por fim decapitados, conseguiram a palma do martírio (10 de outubro).
  • Na Tebaida, São Sármatas, discípulo de Santo Antão, abade, que foi morto pelos sarracenos, em ódio de Cristo (11 de outubro).
  • Em Huesca, na Espanha, as santas virgens Nunilo e Alódia, irmãs, as quais, decapitadas pelos sarracenos, por confessarem a fé de Cristo, consumaram seu martírio (22 de outubro).
  • Em Teópolis, isto é, Antioquia, dez santos mártires, dos quais se lê que foram mortos pelos sarracenos (6 de novembro).
  • Em Córdova, na Espanha, as santas virgens e mártires Flora e Maria, as quais, presas por muito tempo, durante a perseguição dos árabes, foram mortas à espada (24 de novembro).
  • Em Eleuterópolis, na Palestina, os santos mártires Floriano, Calinico e cinquenta e oito companheiros seus, que foram mortos pelos sarracenos, por confessarem a fé de Cristo, em tempo do imperador Heráclio (17 de dezembro).

Como dito, essa lista não é nem de longe exaustiva. Ela continua a ser preenchida agora mesmo, neste exato momento em vários lugares do mundo. Que todos esses nomes nos sirvam para que recorramos à intercessão de tantos heróis da fé e acordemos de uma vez por todas da ingenuidade em que tantas vezes nos encontramos em relação a essa religião que de pacífica tem, definitivamente, muitíssimo pouco.

Notas

  • A edição da qual transcrevemos os registros acima é esta: Martirológio Romano. Niterói: Permanência, 2014. A lista em questão foi apresentada em: Peter Kwasniewski. Islam in the “Lex Orandi” of the Old Roman Martyrology, em: New Liturgical Movement, 11 mar. 2019.
  • A pintura principal, acima, retrata “O Martírio de São João Evangelista”, por Quentin Metsys, o Jovem. Não se trata de uma vítima do islã, mas os martírios levados a cabo por seus adeptos foram muito piores. São João, por sua vez, como se sabe, não morreu mártir, mas a tradição narra que “o imperador Domiciano [...] mandou trazerem-no e jogou-o numa cuba de óleo fervendo, na Porta Latina. Saiu dela são e salvo, porque vivera livre da corrupção da carne. Ao saber que João continuava a pregar, o imperador relegou-o ao exílio na ilha deserta de Patmos, onde o santo escreveu o Apocalipse” (Jacopo de Varazze, Legenda áurea: vidas de santos. Trad. de Hilário Franco Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 113s).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Os católicos acreditam mais na Igreja que na Bíblia?
Igreja Católica

Os católicos acreditam
mais na Igreja que na Bíblia?

Os católicos acreditam mais na Igreja que na Bíblia?

A Igreja não é apenas uma instituição humana estabelecida por seres humanos. Ela é o Corpo de Cristo. Quanto à Escritura, a Igreja é realmente mais velha do que ela, pelo menos no que diz respeito ao Novo Testamento.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Setembro de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
imprimir

Minha esposa, que é evangélica, diz que os católicos acreditam na Igreja e não na Bíblia. Ela acha que a única fonte de autoridade é a Bíblia e que é errado acreditar em uma instituição humana. Qual é a resposta adequada para isso? 

É totalmente apropriado dizer que a Igreja é um objeto de fé. Confessamos isso todos os domingos no Credo [niceno-constantinopolitano]: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Isso pressupõe, no entanto, que a Igreja não é apenas uma instituição humana estabelecida por seres humanos. A Igreja é o Corpo de Cristo, estabelecida por Ele próprio. Jesus é a Cabeça do Corpo (cf. Cl 1, 18), e nós somos seus membros (cf. 1Cor 12, 27). Como tal, a Igreja é a presença viva e ativa de Jesus Cristo no mundo de hoje. 

Muitos hoje pensam apenas na Igreja em termos institucionais e, culturalmente, as instituições são desfavorecidas e, muitas vezes, criticadas por serem grandes e impessoais. No entanto, a Igreja não é uma instituição; é Cristo, Cabeça e membros juntos. 

O Espírito Santo também habita na Igreja e nos seus membros (cf. 1Cor 6, 19). Jesus prometeu aos Apóstolos que o Espírito Santo os conduziria à plenitude da verdade (cf. Jo 16, 13) e os recordaria de tudo o que lhes ensinou (cf. Jo 14, 26). Por isso, somos chamados a ter confiança e fé em tudo o que a Igreja solenemente nos ensina ser revelado por Deus. 

Quanto à Escritura, a Igreja é realmente mais velha do que ela, pelo menos no que diz respeito ao Novo Testamento. Os primeiros anos da Igreja viram os evangelhos e epístolas serem escritos e compartilhados. No entanto, foi somente em meados do século IV que a lista exata dos livros do Novo Testamento foi formalmente aceita. Bispos da Igreja Católica se reuniram em Hipona, Cartago e Roma e, com a ratificação do Papa Inocêncio I, em 405 d.C., o cânon (ou lista) dos livros do Novo Testamento, como os conhecemos hoje, entrava em vigor. Desta forma, a autoridade das Escrituras depende da autoridade da Igreja, pois é somente pelo ensino autorizado da Igreja que sabemos quais livros são apropriadamente chamados de Sagradas Escrituras. Os protestantes e evangélicos podem até alegar que somente as Escrituras têm autoridade, mas eles ainda precisam aceitar que dependem da Igreja Católica e de sua autoridade para definir as Escrituras. Pois foi por meio do Magistério (ou autoridade docente) da Igreja Católica que Deus lhes deu essas Escrituras.

Simplesmente não há como contornar isso: Jesus fundou a Igreja sobre Pedro, os Apóstolos e seus sucessores, e os encarregou de transmitir fielmente o que Ele ensinou (cf. Mt 16, 18; Mt 28, 19-20; Mc 16, 15-16; Jo 13, 20). É devido à presença de Cristo, como Cabeça da Igreja, e do Espírito Santo, que devemos considerar a Igreja como objeto de fé e não duvidar do que ela formalmente nos propõe como divinamente revelado. 

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

“Machos grávidos”: ciência ruim a serviço de uma ideologia
Fé e Razão

“Machos grávidos”:
ciência ruim a serviço de uma ideologia

“Machos grávidos”: ciência ruim a serviço de uma ideologia

Conheça neste texto a bizarra experiência chinesa envolvendo “ratos machos grávidos”, saiba o que está por trás dela e descubra por que pesquisas deste gênero não só são abusivas, como estão aquém da dignidade humana.

Arina GrossuTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Agosto de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
imprimir

Cientistas chineses da Universidade Naval de Xangai publicaram recentemente uma pesquisa alarmante cujo objetivo é manipular ratos machos com úteros transplantados para que possam levar uma gestação a termo.

Essa pesquisa com características frankensteinianas foi realizada pelos cientistas Zhang Rongjia e Liu Yuhuan, que admitiram que o índice de sucesso foi “muito baixo”. Os cientistas afirmaram que este é o primeiro relato de uma “gravidez” bem-sucedida num mamífero macho.

O experimento foi feito da seguinte maneira: dois ratos, um macho e uma fêmea, foram costurados um no outro, depois de serem realizados cortes em seus respectivos troncos para que pudessem compartilhar sangue. Em seguida, o útero de outra fêmea foi transplantado para o macho, e embriões foram transferidos para os dois úteros. Em seguida, os hormônios da gravidez da fêmea foram inseridos na circulação sanguínea compartilhada pelos dois animais. Assim, os dois embriões permaneceriam vivos no macho e na fêmea costurados.    

Os cientistas afirmaram que o experimento pode ter um “impacto profundo na biologia reprodutiva”. Essa pesquisa tem implicações abrangentes na marcha científica que tenta apagar as diferenças biológicas sexuais

Na natureza, a gravidez masculina é um fenômeno extremamente raro que ocorre apenas nas Syngnathidae, uma família de peixes que inclui os cavalos-marinhos, os peixes-agulha e os dragões-do-mar. Nos mamíferos, apenas as fêmeas podem engravidar e gestar filhos. Como os ratos são mamíferos que compartilham com os humanos 90% dos genes (segundo o sequenciamento genético feito em 2004), são as cobaias mais adequadas para todos os tipos de experimentos científicos realizados com a esperança de compreender como os seres humanos podem responder em circunstâncias semelhantes.

Como os cientistas conduziram a pesquisa? Como a ciência ainda não consegue replicar artificialmente a complexa resposta hormonal de uma fêmea ao longo da gestação, foi necessário costurar os dois ratos. O resultado é a parabiose: a união de dois organismos vivos para que compartilhem um único sistema fisiológico. Foram usados para o estudo ratos de linhagem Lewis consanguíneos, a fim de aumentar a probabilidade de seus sistemas imunológicos não rejeitarem o sangue compartilhado.

Em seguida, o útero de outra fêmea foi transplantado para um macho e embriões foram transferidos para os dois úteros. Ao forçarem a fêmea a engravidar, os hormônios dela entraram em atividade, e como ela compartilhava um sistema fisiológico com o macho costurado a ela, seu sangue circulava nela e no corpo do macho, sendo capaz de suprir os hormônios da gravidez dos dois embriões nos úteros separados. O rato macho também foi castrado, para que seus níveis de testosterona não afetassem os hormônios da gravidez

Os embriões foram gestados até o término do período (que nos ratos é de 21 dias), e então se realizou uma cesariana para removê-los.

Os cientistas usaram 46 pares de machos e fêmeas costurados uns aos outros. Transferiram 562 embriões para as fêmeas, e 280 embriões para os machos com úteros transplantados. E quanto aos resultados? Nos úteros das fêmeas, 169 embriões se desenvolveram normalmente (30%), ao passo que, nos úteros transplantados para os machos, apenas 27 embriões se desenvolveram normalmente (9,6%). Dos 280 embriões originais implantados, apenas 10 filhotes sobreviveram nos machos — uma taxa de sobrevivência de 3,6%. Nos 3,6% que sobreviveram, os cientistas afirmaram que, segundo os exames, “o coração, os pulmões, o fígado, os rins, o cérebro, os testículos, os epidídimos, os ovários e o útero não tiveram nenhuma anormalidade evidente”. 

No entanto, entre aqueles que não sobreviveram, descobriu-se a presença de fetos anormais mortos apenas nos machos com úteros transplantados, com anormalidades que não ocorreram nos úteros das fêmeas originais. Estas foram algumas das anormalidades: morfologia e cores diferentes em comparação com os fetos normais, e placentas atrofiadas ou inchadas.

Essencialmente, para esse experimento, o que eles fizeram foi manter a “carapaça” de um rato macho, castrá-lo, transplantar um útero feminino e bombear em seu sangue hormônios gestacionais de uma fêmea. Além disso, quando tentaram transferir embriões apenas para o útero transplantado do macho, sem os transferir também para a fêmea, nenhum deles sobreviveu, por não haver o benefício dos hormônios gestacionais da fêmea. Posteriormente, quando se realizaram as cirurgias de separação nos ratos costurados, constatou-se que os hormônios femininos da gestação caíram nos machos. 

Os cientistas disseram: “Portanto, inferimos que os embriões transplantados só podem se desenvolver normalmente nos úteros implantados de machos parabiontes quando as fêmeas parabiontes concebem e permitem que os machos parabiontes sejam expostos ao sangue das fêmeas grávidas.” Isso deveria ser óbvio: se estiver separada do sangue da fêmea grávida, a produção hormonal de um macho não consegue manter uma gestação por conta própria, pois é o sangue da fêmea que carrega os hormônios necessários à sobrevivência do embrião.   

O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que “as experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas” (§ 2417). Diz, além disso, que “é contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas” (§ 2418).

O transplante de úteros para machos não contribui nem para o cuidado com a vida humana, nem para a salvação dela.

Seria, na verdade, gravemente imoral realizar um experimento parecido com esse em seres humanos, pois equivaleria a tratar homens e mulheres como partes sobressalentes do corpo humano, atacar a sacralidade dos sistemas reprodutivos como planejados por Deus, além de levar à criação antiética e à terrível destruição de embriões humanos. É uma prática que não contribui para o cuidado nem para a salvação de vidas humanas.

Esse tipo de experimento também é desnecessário e não está dentro de limites razoáveis. É um abuso dos animais e da ciência, e está aquém de nossa dignidade humana. Até a consultora para políticas científicas sênior do grupo People for Ethical Treatment of Animals (“Pessoas em Defesa do Tratamento Ético dos Animais” — PETA, na sigla em inglês), Emily McIvor, se referiu a esses experimentos como “vis” e chamou-os de Frankenscience [N.T.: em alusão à obra Frankenstein, de Mary Shelley]. Ela disse ao Mail Online: “Esses experimentos alarmantes são conduzidos apenas por curiosidade, e não contribuem em nada para aprofundar o nosso conhecimento sobre o sistema reprodutivo humano”.

O experimento foi financiado pela National Natural Science Foundation of China (“Fundação Nacional de Ciência Natural da China”), uma instituição estatal chinesa. Os cientistas alegam que ele foi realizado “de acordo com as diretrizes éticas locais”, mas isso não deveria impressionar ninguém, já que o Partido Comunista Chinês (PCC) trata os seres humanos de forma desumana. O PCC é responsável por abusos de direitos humanos tais como o terrível tratamento dado aos uigures e os abortos forçados para favorecer o cumprimento de suas políticas de natalidade opressoras. E estão ainda menos interessados no tratamento ético dado às suas cobaias animais.

Quando cientistas que não possuem nenhum tipo de limite manipulam animais machos para fazê-los reproduzir-se como se fossem fêmeas, eles tentam driblar a natureza para promover uma agenda. Machos e fêmeas são criados com diferenças biológicas — uma realidade que esses cientistas e outras pessoas estão tentando apagar. Nossos sistemas reprodutivos masculino e feminino são diferentes, mas complementares. O livro do Gênesis (5, 2) apresenta uma verdade perene: “Homem e mulher os criou”. Os tipos e níveis de hormônio bombeados em nossos organismos são feitos para corresponder ao sexo biológico de cada um.

Os corpos dos mamíferos machos não são biologicamente equipados para gerar e nutrir a prole, e, como mostra dolorosamente esse experimento, eles precisam da biologia das fêmeas (tanto do útero como dos hormônios da gravidez) para obter inclusive um baixo número de filhotes sobreviventes. Somente os embriões dos úteros transplantados de ratos machos se desenvolveram de modo anormal, e a taxa de mortalidade dos embriões nos úteros transplantados de ratos machos atinge impressionantes 96,4%. Esse experimento não passa de má ciência para servir a uma ideologia.

Notas

  • A imagem acima foi tirada de outro experimento reprodutivo envolvendo ratos. Para mais detalhes sobre esta pesquisa em específico, consulte-se o site National Geographic. (Créditos da fotografia: Leyun Wang.)

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

São José e suas aparições ao longo dos séculos
Santos & Mártires

São José e suas
aparições ao longo dos séculos

São José e suas aparições ao longo dos séculos

Nossa Senhora apareceu inúmeras vezes ao longo da história da Igreja, mas também seu castíssimo esposo se deu a conhecer a alguns santos e fiéis espalhados pelo mundo. Saiba onde aconteceram as principais aparições de São José e conheça suas histórias.

Joseph PronechenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Agosto de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
imprimir

Enquanto a Santíssima Virgem Maria apareceu inúmeras vezes ao longo dos séculos, as aparições de São José aprovadas pela Igreja foram menos frequentes, mas muito significativas e importantes. Santos como Santa Teresa de Ávila, Santa Gertrudes e Santa Faustina foram abençoados por suas aparições e intercessão, assim como os habitantes das localidades de Flandres, na Bélgica, Knock, na Irlanda, e Fátima, em Portugal.

Santos procuram o seu auxílio. — No século XVI, Santa Teresa d’Ávila disse que ele lhe apareceu quando ela estava com problemas para estabelecer um determinado convento. Ela escreveu em sua autobiografia: 

Numa ocasião, estando numa necessidade que não sabia resolver nem tendo com que pagar os operários, apareceu-me São José, meu verdadeiro pai e senhor, e deu-me a entender que recursos não me faltariam e que eu devia contratá-los. Eu o fiz sem dispor de um centavo, e o Senhor, por caminhos que espantavam aos que o viam, me forneceu os recursos (Livro da Vida XXXIII 12).

Essa grande devota de São José, que batizou suas fundações em homenagem ao amado santo, recebeu ainda outra visita dele. No ano de 1521, em Ávila, na festa de Nossa Senhora da Assunção, num mosteiro da Ordem do glorioso São Domingos, escreveu Santa Teresa:

De repente, veio-me um arroubo tão intenso, que quase perdi os sentidos… tive a impressão de que me cobriam com uma roupa de grande brancura e esplendor. No início, eu não via quem o fazia, tendo percebido depois Nossa Senhora do meu lado direito e meu pai São José do esquerdo, adornando-me com aquelas vestes. Eles me deram a entender que eu estava purificada dos meus pecados.

Depois que acabaram de me vestir, estando eu com enorme deleite e glória, tive a impressão de que Nossa Senhora tomava-me as mãos, dizendo-me que lhe dava muito contentamento ver-me servir ao glorioso São José e que eu estivesse certa de que o mosteiro se faria de acordo com o meu desejo, sendo o Senhor e eles dois muito bem servidos ali. Eu não devia temer que nisso viesse a haver quebra… (Livro da Vida XXXIII 14).

Mais de dois séculos antes, na solenidade da Anunciação, Santa Gertrudes, a Grande, teve uma visão em que Nossa Senhora lhe revelou a glória de São José. Gertrudes registrou: 

Eu vi o céu aberto e São José sentado num trono magnífico. Senti-me maravilhosamente tocada quando, cada vez que seu nome era mencionado, todos os santos se inclinavam profundamente a ele, mostrando, pela serenidade e doçura de seus olhares, que eles se alegravam com ele por sua elevada dignidade.

São José também deu uma direção particular quando apareceu a Santa Faustina em julho de 1937, enquanto ela estava na casa de sua congregação em Rabka, Polônia, durante uma convalescença. Em seu Diário, ela registrou:

São José pediu que eu tivesse uma incessante devoção a ele. Ele mesmo me disse que eu rezasse diariamente três orações [Pai-nosso, Ave-Maria e Glória] e uma vez o Lembrai-vos [Memorare]. Olhava com muita bondade e me fez conhecer o quanto é favorável a essa obra [da Misericórdia]. Prometeu-me a sua especial ajuda e proteção. Todos os dias rezo as orações recomendadas e sinto a sua especial proteção (n. 1203).

Aparições. — No início do século XVI, surgiu uma devoção, pedida pelo próprio São José, chamada “os sete pai-nossos de São José”, que no início do século XVIII seria ampliada e conhecida como “as sete dores e alegrias de São José”.

Ela surgiu depois de um navio que navegava ao longo da costa de Flandres naufragar durante uma terrível tempestade. Pe. Matthew Spencer, superior provincial dos Oblatos de São José, compartilhou os detalhes durante algumas palestras na Relevant Radio. A bordo estavam dois frades franciscanos, que permaneceram agarrados aos pedaços dos destroços do navio. Por três dias e três noites, eles conseguiram manter-se à tona. Eles sempre foram devotos de São José, por isso lhe imploravam continuamente, com grande fervor, que viesse em seu auxílio e os salvasse.

Pe. Spencer disse que, no terceiro dia, um homem muito radiante apareceu e disse-lhes que tivessem fé e confiança em São José. Eles obedeceram. O homem os resgatou, levando-os em segurança para a costa. Uma vez em terra, os dois frades perguntaram quem era ele e como lhe poderiam agradecer ou que honra lhe poderiam prestar.

Foi então que ele se identificou como São José. Disse-lhes que, se quisessem agradá-lo e honrá-lo, deveriam recitar diariamente o Pai-nosso e a Ave-Maria sete vezes, meditando em suas sete dores e sete alegrias, a partir de sua vida quotidiana com Jesus e Maria. Logo depois, São José desapareceu de vista. Um capuchinho do século XVI registrou toda a história em um livro sobre as sete dores e as sete alegrias de São José. 

Escultura de São José de Bessillon, em Cotignac.

São José também visitou a pequena aldeia de Cotignac na Provença, França, em 7 de junho de 1660, durante um verão excepcionalmente quente. Por volta das 13h, um jovem pastor chamado Gaspard Ricard descansou no monte Bessillon, em busca de alívio para o calor escaldante e sua sede excepcional. Olhando para cima, viu um homem alto.

Apontando para uma grande pedra, o homem disse: “Eu sou José. Levante-a e você beberá”. Ricard não perguntou como levantaria a enorme pedra: ele imediatamente foi em direção a ela e foi capaz de erguê-la, descobrindo, como José disse, uma nascente de água doce embaixo dela. Ao erguer os olhos para agradecer ao estranho, Ricard viu que o homem havia desaparecido. O pastor correu à aldeia para contar o sucedido aos habitantes da cidade, que correram para ver a fonte recém encontrada.

De acordo com O Santuário da Sagrada Família: Provença, França, um documentário produzido pela rede americana EWTN, “a fonte apontada por São José... tem abundantes qualidades medicinais e atrai pessoas de toda a região, que vêm para se lavar, saciar a sua sede e encontrar cura para suas enfermidades”.

Moradores construíram a primeira capela no local, e curas aconteceram no santuário e na nascente. Por exemplo, em 1662, Pe. Allard, do oratório construído no local, escreveu: “As águas de São José trazem milagres. Desde que voltei, um homem que conhecemos de Avinhão, coxo de nascença, foi à nascente e voltou curado, deixando lá suas muletas. Todo o mundo bebe e leva consigo um pouco d’água”. Uma história no site do Santuário de São José de Bessillon, conta que, naquela época, “de todos os lugares da província e dos países vizinhos, iam à fonte os enfermos de todos os tipos, e a maioria deles voltava curada ou confortada em suas enfermidades”. A fonte nunca secou.

Como resultado desses eventos milagrosos, o rei Luís XIII decretou que, a partir de 19 de março de 1661, a festa de São José seria celebrada como feriado em todo o reino. O rei já havia consagrado a si mesmo, seu trono e a França à Virgem Maria porque ele e a rainha sabiam de sua aparição com o Menino Jesus, também em Cotignac, um pouco antes, no local da nova capela de Nossa Senhora das Graças, a 2 milhas de distância.

Também em 1661, o bispo de Fréjus uniu os dois locais de aparição sob o título de “Santuário da Sagrada Família” e declarou: “Deus, pelas graças que desejou conceder em honra de São José, não quis separar, na devoção dos fiéis, as duas pessoas santas [Maria e José] que ele uniu na Terra para o mistério da nossa salvação”.

Na Igreja, remontando ao ensino do Concílio de Trento, o bispo é a principal autoridade para investigar as aparições que acontecem em sua diocese. Ainda hoje os fiéis vêm a este vilarejo francês em busca da ajuda de José. 

Gravura com a aparição de São José, Nossa Senhora e São João em Knock, na Irlanda.

Dois séculos depois, na noite de 21 de agosto de 1879, São José apareceu com Nossa Senhora e São João Evangelista em Knock, Irlanda, numa igreja paroquial. José ficou ao lado direito de Maria. O Cordeiro de Deus também apareceu num altar. Como registrado nos arquivos oficiais de Knock, Patrick Hill, entre os 15 moradores que viram a aparição, relatou que São José apareceu “à direita da Santíssima Virgem; sua cabeça estava curvada entre os ombros, para a frente; ele parecia estar prestando obséquio… suas mãos estavam unidas como as de uma pessoa em oração”.

Uma testemunha, Mary Byrne, descreveu como “a cabeça de José estava ligeiramente inclinada, e inclinada para a Santíssima Virgem, como se estivesse mostrando-lhe respeito”

O mariólogo Mons. Arthur Calkins, em seu artigo A aparição de São José em Knock, explicou que, “nestes últimos tempos, por meio de aparições e do aprofundamento da consciência da Igreja, Deus está chamando nossa atenção para a grandeza de São José por seu seu papel na história da salvação e pelo poder de sua intercessão”. 

Ele citou o sacerdote e mariólogo irlandês Pe. Michael O’Carroll, que percebera na aparição de São José uma forma de nos convencermos a “buscar ajuda na oração para compreender o papel dele na vida da Igreja e em nossa vida pessoal”.

Pe. O’Carroll explicou que a cena representa o mistério pascal, ligando José à Eucaristia, e “confirma que toda a graça e glória de São José vem de seu vínculo matrimonial com Maria. É também uma lição poderosa para que nós, cristãos, baseemos nossa vida e conduta num relacionamento o mais próximo possível com Maria, Rainha do universo”.

Em 13 de outubro de 1917, a aparição mais proeminente de São José no século XX aconteceu em Fátima, durante o milagre do Sol. A vidente de Fátima, Serva de Deus Irmã Lúcia dos Santos, em suas Memórias, descreveu como, durante a aparição, os videntes viram “ao lado do Sol, São José com o Menino [Jesus], e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino pareciam abençoar o mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz”. 

A aparição de São José foi um lembrete sobre a importância da paternidade e da família.

“A paternidade de São José, como em todos os pais humanos, é um reflexo da paternidade de Deus Pai numa criatura”, escreveu Mons. Joseph Cirrincione em seu livreto St. Joseph, Fatima and Fatherhood [“São José, Fátima e a Paternidade”]. “A visão de São José e do Menino Jesus a abençoar o mundo, com Maria ao lado do Sol, que não saiu do seu lugar, é a garantia de Deus de que, embora o homem possa rejeitá-lo, Ele nunca rejeitará o homem”.

São José é, enfim, uma fonte sempre presente de ajuda aos fiéis. Como disse o Venerável Pio XII, em 1955: “Se quereis estar perto de Jesus, também hoje vos repetimos: Ite ad Ioseph, ‘ide a José’ (Gn 41, 55)!”

Notas

  • A pintura usada no cabeçalho deste texto é de Guercino e se chama “São José com o cajado florescente”. Ele é retratado de barba branca, como um senhor de idade avançada, mas, como já falamos mais de uma vez no site, temos bons motivos para acreditar que, quando se casou com a Virgem Maria, São José era jovem e estava no auge de seu vigor físico. Só não acreditamos que seja o caso de descartar célebres e preciosas obras de arte por este detalhe. Além do que, “se parte da iconografia mais recente tende a representá-lo com os traços de um velho, devemos pensar que é menos para sublinhar o número dos seus anos do que para dar uma ideia das suas virtudes, em especial da sua prudência e da maturidade do seu caráter” (Michel Gasnier. José, o Silencioso. Quadrante: São Paulo, 1995, p. 46).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.