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Portugal e a esterilização compulsória
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Portugal e a esterilização compulsória

Portugal e a esterilização compulsória

“Não é de se espantar que países, antes católicos, hoje estejam sofrendo os reflexos da adesão a essas ideologias inconsequentes, pondo em xeque suas famílias e o próprio futuro da nação”.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Fevereiro de 2013
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Os jornais portugueses deram destaque no último mês de janeiro para sentença do Tribunal de Sintra que determina a retirada da guarda de sete dos dez filhos de Liliana Melo.

A decisão, segundo o portal de notícias SOL, baseia-se na recusa por parte de Liliana a se submeter a uma esterilização compulsória. Inscrita numa espécie de programa social de atendimento à família, entre as muitas exigências do projeto estaria a ligadura das trompas para que não pudesse ter mais filhos.

De acordo com informações do portal SOL, no processo aparecem como razões para perda da guarda dos filhos "dificuldades econômicas" e "proteção às crianças" pelo fato da mãe não ter aceitado fazer a laqueadura. Não obstante, a sentença não apresenta nenhum dado referente a maus tratos físicos ou psicológicos. Além disso, é mencionado que o convívio familiar é marcado por fortes laços afetivos e que as filhas mais velhas têm um excelente desempenho escolar.

Liliana Melo perde a guarda de 7 dos seus 10 filhos.

Dado cumprimento à sentença, foram retiradas da família a menor de seis meses, os gêmeos de dois anos e os irmãos de três, cinco, seis e sete anos. As filhas mais velhas - 16 e 11 anos - ficaram com os pais. Segundo depoimento da mãe, Liliana Melo, o projeto no qual ela e a família estavam inscritos exigia que eles tivessem um bom emprego, que zelassem pela higiene e vestuário das crianças, assegurassem a pontualidade e a assiduidade na escola, tivessem em dia os planos de vacinação e que ela fizesse uma laqueação das trompas. Apesar disso, Liliana havia deixado claro ao juiz que não poderia se submeter à cirurgia, devido a sua religião. Liliana e sua família são muçulmanos. Em reposta, o juiz teria dito que ela e a família deveriam deixar seus hábitos e tradições na África, e que em Portugal, teriam de se adaptar.

Portugal é o país com a segunda menor taxa de fecundidade do mundo. Os dados encontram-se no Relatório sobre a Situação da População Mundial em 2011, feito pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). Segundo o relatório, cada mulher portuguesa tem em média apenas 1,3 filhos, número muito aquém do necessário para renovar a população. Os números causam preocupação, principalmente pelo fato de que sem população jovem, a economia corre o risco de ficar estagnada devido à falta de mão de obra. Para a Organização das Nações Unidas (ONU) a falta de jovens «significa incerteza sobre quem vai cuidar dos idosos e sobre quem pagará os benefícios dos mais velhos».

No Brasil, um caso semelhante ao de Liliana despertou a atenção da opinião pública no mês passado. Como divulgado pela imprensa, uma jovem de 19 anos e com uma deficiência mental moderada fora obrigada pela justiça a passar por uma cirurgia forçada de laqueadura. No entanto, antes que o procedimento fosse levado a cabo, a Justiça de Amparo (SP) revogou a decisão judicial, atendendo ao desejo da moça que manifestara a intenção de ser mãe. A determinação saíra em 2004, mas não foi cumprida devido à Justiça não ter conseguido notificar a jovem.

Nos mesmo passos de Portugal, o Brasil tende a se tornar um país de idosos nos próximos anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012. De acordo com o relatório, a taxa de fecundidade no país caiu para 1,9 filho por mulher. As principais causas são as práticas contraceptivas, sobretudo as esterilizações femininas como a laqueadura. Nos últimos 10 anos, estima-se que a taxa de fecundidade brasileira tenha caído 20,1%.

Os casos são emblemáticos e nos dão um quadro da situação para qual caminham os países que têm se submetido à cultura do chamado "planejamento familiar". Não é de se espantar que países, antes de reconhecida tradição católica, hoje estejam sofrendo os reflexos da adesão a essas ideologias inconsequentes, pondo em xeque suas famílias e o próprio futuro da nação. Ao contrário do que dizem os defensores dos métodos contraceptivos, o que se procura com essas ações não é, de nenhum modo, o bem estar da mulher e das famílias. O que se procura, muito pelo contrário, é desestabilizar a instituição do matrimônio por meio de políticas contrárias à vida e à dignidade do ser humano. Os fatos falam por si. O Estado, que deveria favorecer as famílias e fortalecer os seus laços, passa a se colocar como "O Grande Irmão" [1] usurpando dos pais a função de educar e zelar pelas crianças.

Papa Paulo VI.

A Igreja Católica já havia denunciado as desastrosas consequências dos métodos contraceptivos na Encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI. Indagava o Santo Padre na época quem impediria o homem de transformar a mulher em um mero objeto de prazer, dada a falsa sensação de liberdade e gozo favorecida por esses meios ilícitos. O pontífice recordava que "não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens - os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto - precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância" (§17). Como não pensar no crescente número de divórcios no Brasil e nos dados que mostram que o jovem brasileiro é o que inicia a vida sexual mais cedo no mundo?

Todavia, mais perigoso que os dramas elencados anteriormente é o uso demagogo dessas situações feito pelo Estado - principal promotor desses meios ilícitos - para aprovar leis ainda mais imorais. Aldous Huxley, em seu famoso livro "Admirável Mundo Novo", falava de um governo que controlava todos as ações de seus cidadãos através do estímulo ao uso de drogas e a alienação. Uma das armas usadas por esse governo para controlar a população era justamente o sexo, que se repartia em duas partes, uma para prazer e outra para procriação, sendo esta última apenas com autorização do Estado.

Denunciava a Encíclica Humanae Vitae:

"Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal" (§17).

Os Estados de índole socialista, por conseguinte, acabam por sobrepujar a autonomia das famílias através de suas políticas esdrúxulas de "educação sexual" e "planejamento familiar". Usam programas sociais como iscas para depois imporem aos incautos suas práticas abissais. As populações que se submetem a esses ditames acabam por criar as suas próprias condições de falência. É por isso que a Igreja jamais aprovou o intervencionismo acentuado do Estado na sua doutrina sobre a "subsidiariedade".

Ensina o Catecismo da Igreja Católica:

"O princípio da subsidiariedade opõe-se a todas as formas de coletivismo; traça os limites da intervenção do Estado; tem em vista harmonizar as relações entre os indivíduos e as sociedades; tende a instaurar uma verdadeira ordem internacional" (CIC 1885).

Mesmo em casos como os da jovem brasileira que sofre de um leve retardo mental e que fora quase que obrigada a aceitar a esterilização, não se pode invocar o princípio do mal menor para isso, pois "se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior, nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais" (§14).

A consciência frágil de que os métodos contraceptivos sejam uma forma de emancipação feminina ou liberdade para o casal, como pode-se ver, é tola e perigosa. Ao contrário do que a classe falante gosta de alardear, o intuito desses métodos é simplesmente promover um comportamento sexual irresponsável que crie condições propícias para a proliferação de leis e ideologias antagônicas à reta moral e à família. Como explicava o filósofo Montesquieu: "Tal é o efeito das más leis, que é preciso fazer leis ainda piores para conter o mal das primeiras".

Referências

  1. Alusão ao romance "1984", de George Orwell

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A maior "Marcha pela Vida" da história dos EUA
NotíciasPró-Vida

A maior "Marcha pela Vida"
da história dos EUA

A maior "Marcha pela Vida" da história dos EUA

Sob baixa temperatura e neve, os pró-vida percorreram várias ruas até finalmente chegarem à Corte Suprema dos EUA. Foi a maior marcha pró-vida realizada em solo americano.

Equipe Christo Nihil Praeponere28 de Janeiro de 2013
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Milhares de pessoas, na sua maioria jovens, marcharam contra o aborto na capital americana, Washington D.C., na última sexta-feira, 25/01. A Marcha pela vida, que marcou os 40 anos da aprovação da lei Roe x Wade - julgamento que legalizou o aborto nos EUA - aconteceu cinco dias após a posse do presidente Barack Husseim Obama, notório defensor do aborto. Estima-se que mais de 600 mil manifestantes tenham participado da Marcha, que contou com o apoio de inúmeras instituições, inclusive com o do Santo Padre Bento XVI.

“Uno-me à distância a todos os que se manifestam pela vida, e rezo para que os políticos protejam ao não-nascido e promovam a cultura da vida", declarou o Papa através de sua conta no Twitter.

Sob baixa temperatura e neve, os pró-vida percorreram várias ruas até finalmente chegarem à Corte Suprema dos Estados Unidos. Portando cartazes e proferindo preces espontâneas, as centenas de milhares de pessoas expuseram claramente o seu sim à vida. Durante todo o percurso, marcado por hinos e muita música, era possível ver dezenas de faixas com as seguintes palavras: “40 Anos = 55 milhões de bebês mortos como produto do aborto". Foi a maior marcha pró-vida realizada em solo americano desde o seu surgimento em 1973.

Além dos manifestantes, importantes figuras públicas do país estiveram na Marcha, como o ex-presidenciável do Partido Republicano, Rick Santorum. Junto a sua mulher e quatro dos seus oito filhos, o político pediu o fim do aborto no país. “Um dia nós estaremos aqui e triunfaremos, porque o amor e a verdade sempre triunfam", afirmou Santorum. O teólogo Scott Hahn, autor do livro “O Banquete do Cordeiro" e professor da Universidade Franciscana de Steubenville, também esteve presente na manifestação. Durante seu depoimento, o teólogo afirmou que “a Marcha pela Vida é a maior expressão de solidariedade cristã e em especial para os católicos americanos, que vem aqui e expressam a nossa convicção sobre a santidade da vida".

O aborto tornou-se legal nos Estados Unidos depois do julgamento do caso Roe x Wade, no qual a personagem principal, Norma McCorvey - a “Jane Roe" - exigia o direito a abortar seu filho, após supostamente ter sido estuprada. Anos mais tarde, a notória ativista viria a desmentir o alegado e revelar que tudo não passava de uma farsa montada por pressão de seus advogados para conseguirem legalizar o aborto nos EUA. Hoje, McCorvey milita a favor da vida e teve destaque nas eleições passadas, quando gravou vários vídeos contra a candidatura do presidente Obama. Desde a aprovação, calcula-se que os EUA tenham permitido o abortamento de mais de 50 milhões de bebês.Apesar dos números, a causa abortista vem perdendo força a cada ano. A Revista Time, na sua edição de 04/01, publicou uma enorme matéria sobre a derrocada da agenda abortista nos EUA. Conforme a reportagem, “em muitas partes do país, atualmente, recorrer a um aborto é mais difícil que em muitos lugares desde a década de 1970". Além disso, segundo um artigo do professor de Ciência Política da Universidade Michigan, Michael J. New, a respeito da cobertura da imprensa americana sobre os 40 anos da aprovação do aborto - publicado na revista National Revew - a mídia americana não teve como esconder o pessimismo sobre a causa do aborto, especialmente devido à falta de engajamento dos jovens. De acordo com jornais como The New York Times e Washington Post, a juventude americana está cada vez mais pró-vida. A própria Nancy Keenan, importante feminista já aposentada, admitiu a preocupação quanto ao futuro do chamado movimento “pró-escolha" devido ao desinteresse dos jovens pela causa.

Embora a mídia de outros países, como a brasileira, tenha dado pouca atenção à Marcha pela Vida realizada nos EUA, o Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Ignacio Carrasco de Paula, acredita que essa manifestação estadunidense tenha uma importância fundamental para luta contra o aborto nas demais nações. De acordo com o prelado, eventos como estes que “estão a favor da vida humana desde a concepção até a morte natural, converteram-se em uma importante referência histórica para outros católicos ao redor do mundo". De fato, o movimento pró-vida tem crescido em inúmeros outros países. Prova disso foram as majestosas marchas contra o casamento gay realizadas na França no começo do mês e as marchas contra o aborto na Irlanda, tidas como as maiores manifestações populares dos últimos 20 anos.

Ao final da Marcha, o presidente do Movimento Pró-vida americano, Chris Smith, fez um forte discurso dirigido ao presidente Barack Obama. “Saiba disso", disse Smith a Obama, “o movimento pró-vida é composto de pessoas nobres, zelosas, inteligentes e altruístas. É extremamente poderoso, não violento, cheio de fé, luta pelos direitos humanos e está crescendo em apoio popular, intensidade, compromisso e esperança. Somos a geração que vai abolir a lei do aborto", encerrou o ativista pró-vida.

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Cristãos devem percorrer juntos o "caminho estreito" da fidelidade a Deus, afirma o Papa
Bento XVI

Cristãos devem percorrer juntos o
"caminho estreito" da fidelidade a Deus, afirma o Papa

Cristãos devem percorrer juntos o "caminho estreito" da fidelidade a Deus, afirma o Papa

"Nesta jornada de discipulado, somos chamados a continuar juntos na estrada estreita de fidelidade à vontade soberana de Deus para lidar com quaisquer dificuldades ou obstáculos que possamos encontrar".

ACI Digital25 de Janeiro de 2013
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O Papa Bento XVI assinalou que todos os cristãos devem caminhar juntos pelo "caminho estreito" de fidelidade à vontade soberana de Deus, que quer que todos cheguem à santidade.

Assim o indicou o Santo Padre a uma delegação luterana da Finlândia, em ocasião da festa de Santo Enrique de Uppsala, padroeiro desse país. O encontro também aconteceu na véspera da Semana pela Oração da Unidade dos Cristãos cujo tema este ano vem do livro do profeta Miqueias: "Aquilo que o Senhor exige de nós?".

Bento XVI assinalou que "o profeta deixa claro o que o Senhor exige de nós: trata-se de 'fazer justiça, amar a misericórdia, e caminhar humildemente com nosso Deus'".

"O tempo do Natal que acabamos de celebrar nos recorda que Deus é aquele que desde o início caminhou conosco, e aquele que, na plenitude dos tempos, encarnou-se para nos salvar de nossos pecados e para guiar nossos passos no caminho da santidade, da justiça e da paz".

O Santo Padre ressaltou logo que "caminhar humildemente na presença do Senhor, em obediência à sua palavra de salvação e com a confiança em seu plano de graça, fornece uma imagem vívida não só da vida de fé, mas também de nosso caminho ecumênico para a plena e visível unidade de todos os cristãos".

"Nesta jornada de discipulado, somos chamados a continuar juntos na estrada estreita de fidelidade à vontade soberana de Deus para lidar com quaisquer dificuldades ou obstáculos que possamos encontrar".

Portanto, disse o Papa, "para avançar no caminho da comunhão ecumênica – destacou o pontífice - precisamos estar cada vez mais unidos em oração, cada vez mais comprometidos com a busca da santidade, e cada vez mais empenhados nos âmbitos da pesquisa teológica e cooperação a serviço de uma sociedade justa e fraterna".

"Seguindo este caminho de ecumenismo espiritual, caminhamos verdadeiramente com Deus e uns com outros na justiça e no amor porque, como afirma a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação: 'Somos aceitos Por Deus e recebemos o Espírito Santo que renova nossos corações, enquanto nos capacita e chama às boas obras'".

O Papa Bento XVI expressou sua esperança de que a visita a Roma da delegação finlandesa "contribua para fortalecer as relações ecumênicas entre todos os cristãos" neste país.

"Vamos agradecer a Deus por tudo que tem sido feito até agora e rezemos para que o Espírito da verdade guie os seguidores de Cristo em vosso país em um amor e uma unidade cada vez mais forte, enquanto se esforçam por viver na luz do Evangelho e iluminar com ela as grandes questões morais que enfrentam nossas sociedades".

"Se percorrermos juntos com humildade o caminho da justiça e da misericórdia que o Senhor nos indicou, os cristãos, não apenas viverão na verdade, como também serão faróis de alegria e de esperança para todos os que buscam um ponto seguro de referência em nosso mundo em constante mudança", concluiu.

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A dura realidade dos cristãos perseguidos
Santos & MártiresIgreja Católica

A dura realidade dos cristãos perseguidos

A dura realidade dos cristãos perseguidos

O Patriarca Latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal, fez um grave apelo à comunidade internacional para que tome providências contra as perseguições aos cristãos no Oriente Médio.

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Janeiro de 2013
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O Patriarca Latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal, fez um grave apelo à comunidade internacional para que tome providências contra as perseguições aos cristãos no Oriente Médio. "Atualmente, o Oriente Médio em sua totalidade se converteu em Igreja do calvário", lamentou o prelado. O discurso foi feito durante uma entrevista a Radio Vaticano, no último dia 7 de janeiro.

Na mesma entrevista, o Bispo recordou a difícil situação dos cristãos sírios em meio à guerra civil que acontece no país. Dom Twal disse temer pelo futuro da região após o fim do conflito. "Há um plano internacional para mudar a situação, mas sobre o que realmente ocorrerá depois há um silêncio total", afirmou. A preocupação do patriarca se coaduna ao recente discurso do Papa Bento XVI aos diplomatas de várias nações, no qual o Santo Padre classificou a guerra na Síria como "interminável carnificina".

A Síria vive um duro conflito desde janeiro de 2011, quando manifestantes decidiram protestar contra a ditadura do presidente Bashar Al-Assad, influenciados pelo clima da Primavera Árabe. Ao todo, a guerra já vitimou mais de 60 mil pessoas, na maioria civis, segundo estimativas da ONU. O confronto também tem despertado atos de intolerância religiosa contra inúmeros cristãos. O país, que é considerado um dos berços do Cristianismo, é de maioria muçulmana - 90% da população.

Primavera Árabe é o nome dado a uma série de revoltas iniciadas há dois anos em países do Oriente Médio, como Egito e Síria, contra regimes ditatoriais e problemas econômicos. Desde que começou, quatro ditadores já foram depostos ou mortos: Ben Ali, da Tunísia; Hosni Mubarak, do Egito; Muamar Kadafi, da Líbia; e Ali Abdullah Saleh, do Iêmen. Embora os manifestantes lutem - aparentemente - por maior liberdade, há o risco de que essa revolução seja a abertura para ditaduras ainda mais opressoras. Grupos radicais islâmicos e a própria Fraternidade Muçulmana têm se aproveitado da situação para fecharem o cerco contra minorias cristãs e de outras religiões.

Vários católicos sírios se reuniram durante o Natal para pedirem a paz no país. Ao menos mil pessoas foram à Missa do dia 24, celebrada na igreja católica de Notre Dame, no bairro Qoussour de Damasco. Apesar dos apelos pelo fim da guerra, o presidente Assad recusou entrar em acordo com os inimigos, em um discurso feito no dia 06 de janeiro.

A onda de ataques a cristãos tem se intensificado nos últimos anos nos países do oriente, ainda mais com a chamada "Lei da Blasfêmia". Dentre os países onde mais cristãos são mortos, sobressai-se a Nigéria. De acordo com estimativas divulgadas pelo Associated Press, cerca de 1800 cristãos foram mortos nesse país em ataques terroristas planejados por radicais islâmicos desde 2007. O caso mais famoso de um cristão vítima da "Lei da Blasfêmia" é o da paquistanesa Asia Bibi que foi condenada à forca em 2009 por supostamente ter ofendido o profeta Maomé.

A história de Asia Bibi ganhou repercussão internacional em novembro de 2009, após ela ter sido condenada à morte por se recusar a converter-se à religião islâmica. Em junho do mesmo ano, a jovem paquistanesa havia se envolvido em uma briga com colegas de trabalho que protestavam contra a ida dela a uma fonte para pegar água, enquanto trabalhava em um campo. As mulheres muçulmanas alegavam que ela contaminaria a água por ser cristã. Em sua defesa, Asia Bibi respondeu: "Cristo morreu numa cruz por mim, e Maomé, o que fez por vocês?" Após essas palavras, as mesmas mulheres a denunciaram às autoridades locais, que a prenderam pelo delito de blasfêmia. Para que fosse liberta, as autoridades pediram para que a moça se tornasse muçulmana, mas Bibi se recusou. Apesar dos inúmeros apelos para que fosse perdoada, Asia Bibi continua presa até hoje.

A "Lei da blasfêmia" enquadra-se na chamada "Charia", o código penal dos muçulmanos que é pautado pelo Corão, livro sagrado do Islamismo. Essa lei prevê uma série de punições - incluindo a pena de morte - para aqueles que insultarem a figura do profeta Maomé ou os princípios islâmicos. Apesar de não ser seguida em todas as regiões de predomínio muçulmano, alguns grupos radicais exigem que a Charia seja aplicada integralmente em seus respectivos países. Por exemplo, o grupo terrorista Boko Haram, que significa "educação ocidental é sacrilégio", luta para que a Charia seja estabelecida em toda a Nigéria. No último Natal, esse mesmo grupo foi responsável pela destruição de duas igrejas e pela morte de 12 pessoas no país. Durante todo o ano de 2012, 770 assassinatos foram atribuídos ao Boko Haram, segundo a agência Associated Press.

Os cristãos do Egito também sofrem duras reprimendas, principalmente após a queda do ditador Hosni Mubarak e a ascensão do governo muçulmano. O fato mais grave ocorreu em 9 de outubro de 2010, quando o governo ordenou que suas tropas avançassem contra manifestantes cristãos coptas que protestavam contra ataques muçulmanos - incêndios em igrejas, assassinatos e estupros. A ação resultou na morte de 24 pessoas e 300 feridos. A instabilidade da região provocou o êxodo de mais de 200 mil coptas por medo de novos ataques. Dos 83 milhões de habitantes no Egito, apenas 10% são cristãos.

Os ataques contra pessoas cristãs geralmente partem de grupos extremistas, embora muitas vezes contem com a conivência das autoridades. Apesar das escandalosas atrocidades realizadas por esses grupos, pouco se fala na mídia a respeito. Foi o que denunciou a pesquisadora do American Enterprise Institute, Ayaan Hirsi Ali, em uma reportagem para a Revista Newsweek. De acordo com Ali, "nos últimos anos, a opressão violenta das minorias cristãs tornou-se a norma em países de maioria islâmica, da África Ocidental ao Oriente Médio e do sul da Ásia à Oceania". Para a pesquisadora, "em vez de acreditar em histórias exageradas de islamofobia ocidental, é hora de tomar uma posição real contra a cristofobia que contamina o mundo muçulmano".

A pesquisadora Ayaan Hirsi Ali alega que existe uma "conspiração do silêncio" por parte da mídia ocidental em relação ao massacre de cristãos. Segundo a pesquisadora, esse silêncio se daria por dois motivos: pelo medo da mídia em gerar mais massacres, caso faça ampla divulgação dos já ocorridos, ou, mais provável, pelo lobby de instituições muçulmanas, como a Organização da Cooperação Islâmica – uma espécie de Nações Unidas do islamismo, com sede na Arábia Saudita – e o Conselho para Relações Americano-Islâmicas, que fazem pressão na imprensa de vários países para que acobertem os crimes dos terroristas islâmicos, a fim de impedir o crescimento do pretenso complexo de "islamofobia".

De fato, após os atentados de 11 de setembro de 2001, tornou-se politicamente incorreto criticar os terroristas muçulmanos por seus crimes hediondos. O exemplo mais claro disso é o que ocorreu em setembro de 2006, quando o Papa Bento XVI citou em seu discurso, em uma universidade da Alemanha, uma fala do imperador bizantino Manuel II: "Mostre-me o que Maomé trouxe de novo e encontraremos apenas coisas más e desumanas, como a ordem para espalhar pela espada a fé que ele pregava". A frase foi o bastante para desencadear uma avalanche de protestos violentos no mundo árabe, além de severas críticas por parte da imprensa ocidental.

Durante todo o ano de 2012, cerca de 105 mil cristãos foram mortos por motivo de religião, segundo estimativas do Observatório de Liberdade Religiosa da Itália. A Coréia do Norte é a campeã há 11 anos na lista da fundação Open Doors como o país que mais persegue cristãos. O Cristianismo, afirma a organização católica "Ajuda à Igreja que Sofre" (AIS), é a religião mais discriminada no mundo. Embora seja algo trágico, a situação reacende a virtude da fortaleza e a coragem do martírio na consciência cristã, características marcantes dos cristãos primitivos, que junto com Santo Inácio de Antioquia diziam: "o sangue dos mártires é semente para novos cristãos". Nestes tempos de letargia e pusilanimidade, o testemunho desses nobres mártires deve ser um bastião para defesa de nossa fé.

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