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Lutero contra “uma Roma corrupta”?
Padre Paulo Ricardo

Lutero contra “uma Roma corrupta”?

Lutero contra “uma Roma corrupta”?

31 de outubro de 1517: Lutero contra “uma Roma corrupta”? “Reforma” Protestante ou revolução? Conheça, no dia 21 de janeiro próximo, a verdade por trás da propaganda!

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Janeiro de 2019
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Por muito tempo nossa cultura ficou refém de uma narrativa tendenciosa e panfletária sobre a “Reforma” Protestante.

Levados pela propaganda midiática e por uma história de tom notadamente anticlerical, até mesmo nossos católicos passaram a acreditar em um Lutero piedoso e justiceiro lutando contra uma Igreja Romana corrupta e distante do Evangelho de Cristo… A Martinho Lutero, conta-nos esta versão, caberia restaurar a verdadeira essência do cristianismo.

Diante desta versão dos fatos, aos católicos hoje o que caberia? Talvez simplesmente conformar-se e, quem sabe, até reconhecer as supostas “virtudes” do movimento protestante… Acontece que, sem uma busca sincera da verdade histórica, até nossos esforços de “aproximação ecumênica” tendem ao mais absoluto fracasso.

Por isso, no próximo dia 21 de janeiro de 2019, Padre Paulo Ricardo convida você a voltar no passado (mais exatamente ao dia 31 de outubro de 1517) e revisitar um dos acontecimentos mais importantes da era moderna: a chamada “Reforma” Protestante.

Qual o problema com a história oficial desse evento? Que intenções e que motivações realmente levaram Lutero a divulgar suas teses revolucionárias e a lançar as bases de uma nova religião? Por que esse acontecimento tem influências decisivas sobre as terríveis revoluções de nossa época?

É o que iremos estudar com Padre Paulo Ricardo, em mais este curso exclusivo de férias! Assista acima ao novo e definitivo trailer deste material e ajude-nos a chamar as pessoas para o lançamento que faremos! No próximo dia 21 de janeiro, às 21h, você vai conhecer o homem que, mesmo sem se dar conta, tornou-se o primeiro na história a montar uma ideologia.

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Os quatro temperamentos e nossa vida interior
Espiritualidade

Os quatro temperamentos
e nossa vida interior

Os quatro temperamentos
e nossa vida interior

Como a descoberta e o trabalho do nosso temperamento pode ajudar no caminho de nossa santificação? É o que explica neste texto o grande tomista espanhol Pe. Antonio Royo Marín.

Pe. Antonio Royo MarínTradução: S.O.S. Família/Equipe CNP15 de Janeiro de 2019
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Além dos grandes recursos psicológicos de caráter natural e sobrenatural, podemos aproveitar-nos também, no caminho da nossa santificação, de um auxílio de caráter puramente fisiológico — o nosso próprio temperamento —, melhorando suas boas disposições e corrigindo, dentro do possível, os seus defeitos. Naturalmente, trata-se de algo que contribui em pouca medida para a nossa santificação, num plano puramente dispositivo e meramente natural, mas não deixa de ter sua importância, ao menos negativa, removendo obstáculos (ut removens prohibens).

Vamos, pois, estudar a natureza, a classificação e os meios de aperfeiçoar o próprio temperamento.

1. Natureza. — Há uma grande diversidade de opiniões entre os autores sobre a natureza e a classificação dos temperamentos. Vamos expor aqui a doutrina mais comumente admitida, dando-lhe uma orientação eminentemente prática.

Noção. — O temperamento é o conjunto de inclinações íntimas que brotam da constituição fisiológica de um homem. É a característica dinâmica de cada indivíduo, que resulta do predomínio fisiológico de um sistema orgânico (sistema nervoso, sistema sanguíneo) ou de um humor (bílis, linfa).

Como se vê por essas noções, o temperamento é algo inato no indivíduo. É a índole natural, ou seja, algo que a natureza nos impõe. Por isso mesmo, ele nunca desaparece inteiramente: genio y figura hasta la sepultura — “gênio e figura permanecem até a sepultura”. Mas uma educação oportuna e, sobretudo, a força sobrenatural da graça podem, se não transformá-lo totalmente, ao menos reduzir ao mínimo suas estridências, e ainda suprir de todo suas manifestações exteriores. É testemunha disso — entre outros mil — São Francisco de Sales, que passou para a posteridade com o nome de “Santo da doçura”, apesar de seu temperamento fortemente colérico.

2. Classificação. — Depois de mil tentativas e ensaios, os tratadistas modernos voltam à classificação dos antigos clássicos, que parece remontar em sua origem ao próprio Hipócrates, maior médico da Antiguidade (460-377 a.C.). Segundo ele, os temperamentos fundamentais são quatro: sanguíneo, melancólico (nervoso), colérico (belicoso) e fleumático, conforme predomine neles a constituição fisiológica que seu nome mesmo indica.

Vejamos as características principais de cada um deles. Antes, porém, é preciso advertir que nenhum dos temperamentos que vamos descrever existe “quimicamente puro” na realidade. Geralmente, apresentam-se mesclados e, além disso, apresentam graus muito diversos. Assim, os fleumáticos nunca o são de todo, pois se encontram neles muitos traços de sensibilidade. Os sanguíneos têm, às vezes, qualidades próprias dos melancólicos, etc. Trata-se unicamente de algo predominante na constituição fisiológica de um indivíduo. É preciso levar muito em conta esta observação, ao descobrir alguns traços próprios de um determinado temperamento, para evitar um juízo prematuro, que poderia estar muito longe da realidade objetiva.

Passemos agora à descrição detalhada de cada um deles. Seguimos principalmente Conrado Hock e Guibert. É deles que citamos, vez por outra, suas próprias palavras.

a) Temperamento sanguíneo. — Características essenciais com relação à excitabilidade: O sanguíneo se excita fácil e fortemente por qualquer impressão. A reação pode ser também imediata e forte, mas a impressão ou duração pode ser curta. A lembrança de coisas passadas não provoca tão facilmente novas emoções.

“O Êxtase de Santa Teresa”, uma sanguínea. Quadro do séc. XVIII.

Boas qualidades. — O sanguíneo é afável e alegre, simpático e prestativo, dócil e submisso para com seus superiores, sincero e espontâneo (às vezes até à inconveniência). É verdade que, ante a injúria, raciocina às vezes com violência e prorrompe em expressões ofensivas; mas esquece rapidamente tudo, sem guardar rancor de ninguém. Desconhece a teimosia e a obstinação. Sacrifica-se com desinteresse. Seu entusiasmo é contagioso e arrebatador. Seu bom coração cativa e apaixona, exercendo uma espécie de sedução em torno de si.

Por ter uma concepção serena da vida, é fundamentalmente otimista, não o arredam as dificuldades, confia sempre no bom êxito. Surpreende-se muito de que os outros se incomodem com uma brincadeira pouco agradável, que lhe parece a coisa mais natural e simpática do mundo. Tem grande sentido prático da vida e é mais inclinado a idealizar do que a criticar.

Dotado de uma exuberante riqueza afetiva, é fácil e ágil para a amizade e se entrega a ela com ardor, às vezes apaixonadamente.

Sua inteligência é viva, rápida, assimila facilmente, mas sem muita profundidade. Dotado de uma memória feliz e uma imaginação ardente, triunfa facilmente na arte, na poesia e na oratória, mas não poderá alcançar a eminência do sábio. Os sanguíneos seriam muito freqüentemente espíritos superiores se tivessem tanta profundidade como sutileza, tanta tenacidade no trabalho como facilidade nas concepções.

Más qualidades. — Ao lado dessas boas qualidades, o temperamento sanguíneo apresenta sérios inconvenientes.

Seus principais defeitos são a superficialidade, a inconstância e a sensualidade. A primeira se deve principalmente à rapidez de suas concepções. Julga haver compreendido logo qualquer problema que se lhe proponha, quando na realidade o percebeu tão-somente de maneira superficial e incompleta. Daí procedem seus juízos apressados, ligeiros, freqüentemente inexatos, quando não inteiramente falsos. É mais amigo da amplitude fácil e brilhante do que da profundidade.

A inconstância do sanguíneo é fruto da pouca duração de suas impressões. Em um instante passa do riso ao pranto, do gozo delirante a uma negra tristeza. Arrepende-se pronta e verdadeiramente de seus pecados, mas volta a eles na primeira ocasião que se lhe apresenta. Os sanguíneos são vítimas de impressões de momento, sucumbem facilmente à tentação. São inimigos dos sacrifícios, da abnegação e do esforço duro e contínuo. São preguiçosos no estudo. Torna-se-lhes quase impossível refrear a vista, os ouvidos e a língua. Distraem-se facilmente na oração. A épocas de grande fervor sucedem-se outras de languidez e desalento.

A sensualidade encontra terreno abonado na natureza ardente do sanguíneo. Deixa-se arrastar facilmente pelos prazeres sensuais da gula e da luxúria. Raciocina prontamente contra suas quedas e as deplora com sinceridade. Mas faltam-lhe energia e coragem para dominar a paixão quando torna a levantar a cabeça.

Santo Agostinho, outro sanguíneo, retratado por Philippe de Champaigne.

Educação do sanguíneo. — A educação e canalização de qualquer temperamento deve consistir em fomentar suas boas qualidades e em reprimir os defeitos. Por isso, o sanguíneo deverá procurar canalizar a sua exuberante vida afetiva por um meio nobre e elevado. Se conseguir amar fortemente a Deus, chegará a ser um santo de primeira categoria. Sanguíneos cem por cento foram o Apóstolo São Pedro, Santo Agostinho, Santa Teresa e São Francisco Xavier.

Mas é preciso que lute tenazmente contra seus defeitos, até tê-los vencido totalmente. Há de combater sua superficialidade, adquirindo o hábito da reflexão e ponderação em tudo o que fizer. Deve aprender a lidar com os problemas examinando-os por todos os lados, prevendo as dificuldades que poderão surgir, dominando o otimismo demasiado confiante e irreflexivo.

Contra a inconstância, tomará sérias medidas. Não bastarão os propósitos e resoluções, que violará na primeira ocasião que se lhe apresente, apesar de sua sinceridade e boa fé. É preciso pôr sua vontade num plano de vida, convenientemente revisado, aprovado por seu diretor espiritual e no qual esteja tudo previsto e anotado, e que nada se deixe ao arbítrio da sua vontade fraca e caprichosa. Há de praticar seriamente o exame de consciência, aplicando-se fortes penitências pelas transgressões que sejam fruto de sua inconstância e volubilidade. Há de pôr-se em mãos de um experiente diretor espiritual e obedecer-lhe em tudo. Na oração, há de lutar contra sua tendência aos consolos sensíveis, perseverando nela apesar da aridez e secura.

À sensualidade deverá opor-se com uma vigilância constante e uma luta tenaz. Deve fugir como da peste a todas as ocasiões perigosas, nas quais sucumbirá facilmente, ao se aliar sua sensualidade com sua inconstância. Deve ter particular cuidado na guarda da vista, recordando-se das suas dolorosas experiências. Nele, mais do que em ninguém, cumpre-se aquilo de que “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Deve guardar o recolhimento e praticar a mortificação dos sentidos externos e internos. Deve, enfim, pedir humilde e constantemente a Deus o dom da perfeita pureza de alma e corpo, que só do Céu nos pode vir (Sb 8, 21).

b) Temperamento melancólico. — Características essenciais com relação à excitabilidade: a do melancólico é débil e difícil ao princípio, mas forte e profunda por repetidas impressões. Sua reação apresenta estes mesmos caracteres. Quanto à duração, pode ser larga. O melancólico não esquece facilmente.

Boas qualidades. — Os melancólicos têm uma sensibilidade menos viva do que a dos sanguíneos, mas mais profunda. São naturalmente inclinados à reflexão, à solidão, ao silêncio, à piedade e vida interior. Compadecem-se facilmente das misérias do próximo, são benfeitores da humanidade, sabem levar a abnegação até o heroísmo, sobretudo ao lado dos enfermos.

Sua inteligência pode ser aguda e profunda, maturando suas idéias com a reflexão e a calma. É pensador e gosta do silêncio e da solidão. Pode ser um intelectual seco e egoísta, encerrando-se na sua torre de marfim, ou um contemplativo que se ocupe das coisas de Deus e do espírito. Sente atração pela arte e tem aptidão para as ciências.

Seu coração é de uma grande riqueza sentimental. Quando ama, dificilmente se desprende de suas afeições, porque nele as impressões se arraigam com muita profundidade. Sofre com a frieza ou a ingratidão. A vontade segue a vicissitude de suas forças físicas: débil e quase nula quando o trabalho o tenha esgotado; forte e generosa quando desfruta de saúde ou quando um raio de alegria ilumina seu espírito. É sóbrio e não sente a desordem passional, que tanto atormenta os sanguíneos. É o temperamento oposto ao sanguíneo, como o colérico é oposto ao fleumático.

Foram de temperamento melancólico o Apóstolo São João, São Bernardo, São Luís Gonzaga, Santa Teresinha do Menino Jesus, Pascal.

Santa Teresinha do Menino Jesus tinha um temperamento melancólico.

Más qualidades. — O lado desfavorável deste temperamento é a tendência exageradamente inclinada à tristeza e à melancolia. Quando recebem alguma forte impressão, ela penetra-lhes profundamente a alma e lhes produz uma ferida sangrante. Não possuem o coração na mão como o sanguíneo, mas, sim, muito no fundo, e aí saboreiam a sós sua amargura. Sentem-se inclinados ao pessimismo, ao ver sempre o lado difícil das coisas, ao exagerar as dificuldades. Isto os torna retraídos e tímidos, propensos à desconfiança em suas próprias forças, ao desalento, à indecisão, aos escrúpulos e a certa espécie de misantropia.

São irresolutos por medo de fracassar em suas empresas. O melancólico “nunca sabe acabar”, como dizia Santa Teresa. É o homem das oportunidades perdidas. Enquanto os demais estão do outro lado do rio, ele está pensando e refletindo, sem se atrever a atravessá-lo. Sofrem muito e fazem sofrer aos demais sem querê-lo, porque, no fundo, são bons. Santa Teresa não os julgava aptos à vida religiosa, sobretudo quando a melancolia está arraigada (cf. Fundações, c. 7. Tenha-se em conta que a “melancolia”, sobre a qual havia se pronunciado, refere-se somente ao temperamento melancólico, e não aos extravios de um caráter voluntariamente neurastênico).

Educação do melancólico. — O educador deverá ter muito em conta a forte inclinação do melancólico à concentração sobre si mesmo. Do contrário, expõe-se a não compreendê-lo e a tratá-lo com grande injustiça e falta de tato. O sanguíneo é franco e aberto na confissão; o melancólico, pelo contrário, quer desafogar-se por meio de um colóquio espiritual, mas não pode; o colérico pode expressar-se, mas não quer; o fleumático não pode nem quer fazê-lo. Deve-se ter muito em conta tudo isto, para não intentar procedimentos educativos contraproducentes.

É preciso infundir no melancólico uma grande confiança em Deus e um sereno otimismo da vida. Deve-se inspirar-lhe uma suma confiança em si mesmo, ou seja, na amplitude de sua alma para as grandes empresas. É preciso aproveitar a sua inclinação à reflexão para fazê-lo compreender que não há motivo algum para ser suscetível, desconfiado e retraído. Se for preciso, deve-se submetê-lo a um regime de repouso e sobrealimentação (Santa Teresa curava muitas monjas melancólicas proibindo a longa oração, as vigílias e jejuns e “fazendo-as divertir-se” — cf. Quartas moradas, 3, 12 e 13; Fundações, 6, 14). Acima de tudo, deve-se combater a sua indecisão e covardia, fazendo-o tomar resoluções firmes e lançar-se a grandes empresas com ânimo e otimismo.

c) Temperamento colérico. — Características essenciais com relação à excitabilidade: o colérico se excita pronta e violentamente. Raciocina num instante. Mas a impressão lhe fica na alma por muito tempo.

Boas qualidades. — Atividade, entendimento agudo, vontade forte, concentração, constância, magnanimidade, liberalidade. Eis aí as excelentes prendas deste temperamento riquíssimo.

Os coléricos (ou belicosos) são apaixonados e voluntariosos. Práticos, desembaraçados, são mais inclinados a obrar do que a pensar. O repouso e a inação repugnam à sua natureza. Sempre estão acariciando o seu espírito com um grande projeto. Apenas acabam de conceber um fim, põem mãos à obra, sem desistir por causa das dificuldades. Entre eles abundam os chefes, os conquistadores, os grandes apóstolos. São homens de governo. Não são daqueles que deixam para amanhã o que deveriam fazer hoje; antes, preferem fazer hoje o que deveriam deixar para amanhã. Se surgem obstáculos e inconvenientes, esforçam-se para os superar e vencer. Apesar do seu ímpeto irascível, quando conseguem reprimi-lo pela virtude, alcançam uma suavidade e doçura da melhor cepa. Tais foram São Jerônimo, Santo Inácio de Loyola e São Francisco de Sales.

São Jerônimo, um colérico, pintado por Luca Giordano.

Más qualidades. — A tenacidade do seu caráter os faz propensos à dureza, obstinação, insensibilidade, ira e orgulho. Se lhes opomos resistência ou os contradizemos, tornam-se violentos e cruéis, a menos que a virtude cristã modere as suas inclinações. Vencidos, guardam o ódio no coração até que soe a hora da vingança. Geralmente são ambiciosos e tendem ao mando e à glória. São mais pacientes do que o sanguíneo, mas não conhecem tanto a delicadeza de sentimento, compreendem menos a dor das outras pessoas, têm em suas relações um trato menos fino.

Suas paixões fortes e impetuosas sufocam essas afeições doces e esses sacrifícios desinteressados que brotam espontaneamente de um coração sensível. Sua febre de atividade e seu ardente desejo de conseguir o que se propõem os faz pisotearem violentamente tudo o que os impede, e aparecem ante os demais como uns egoístas sem coração. Tratam os outros com uma altaneria que pode chegar à crueldade. Tudo deve curvar-se diante deles. O único direito que reconhecem é a satisfação dos seus apetites e a realização de seus desígnios.

Educação do colérico. — Tais homens seriam de um preço inestimável se soubessem dominar-se e governar suas energias. Com relativa facilidade chegariam aos mais altos cumes da perfeição cristã. Muitíssimos santos canonizados pela Igreja possuíam este temperamento. Em suas mãos, as obras mais difíceis chegam a feliz termo. Por isso, quando conseguem processar suas energias, são tenazes e perseverantes nos caminhos do bem e não cessam em seus empenhos até alcançar os píncaros mais elevados.

Deve-se aconselhá-los a que sejam donos de si mesmos, que não atuem precipitadamente, que desconfiem de seus primeiros movimentos. Deve-se levá-los à verdadeira humildade de coração, a se compadecerem dos fracos, a não humilhar nem atropelar a ninguém, a não deixarem sentir sua violência, sua própria superioridade, a tratarem a todos com suavidade e doçura.

d) Temperamento fleumático. — Características essenciais com relação à excitabilidade: o fleumático não se excita nunca, ou o faz tão só debilmente. A reação é também débil, quando não chega a faltar por completo. As impressões recebidas desaparecem logo e não deixam vestígios em sua alma.

Boas qualidades. — O fleumático trabalha devagar, mas assiduamente, contanto que não se exija dele um esforço intelectual demasiadamente grande. Não se irrita facilmente por insultos, fracassos ou enfermidades. Permanece tranqüilo, sossegado, discreto e criterioso. É sóbrio e tem um bom sentido prático da vida. Não conhece as paixões vivas do sanguíneo, nem as profundas do nervoso, nem as ardentes do colérico. Dir-se-ia que carece por completo de paixões. Sua linguagem é clara, ordenada, justa, positiva; mais do que brilho, tem energia e atrativo.

O trabalho científico, fruto de uma larga paciência e de investigações conscienciosas, lhe convém melhor do que grandes produções originais. O coração é bom, mas parece frio. Falta-lhe entusiasmo e espontaneidade, porque sua natureza é indolente e reservada. É prudente, sensato, reflexivo, obra com segurança, chega aos fins sem violência, porque afasta os obstáculos em lugar de os romper. Às vezes a sua inteligência é muito clara. Fisicamente, o fleumático é de rosto amável, de corpo robusto, de andar lento e vagaroso. Santo Tomás de Aquino possuiu os melhores elementos deste temperamento, levando a cabo um trabalho colossal com serenidade e calma imperturbáveis.

O grande Doutor Angélico possuía os melhores elementos de um fleumático.

Más qualidades. — Sua calma e lentidão lhe fazem perder boas ocasiões, porque tarda muitíssimo em pôr-se em ação. Não se interessa nada pelo que se passa fora de si. Vive para si mesmo, em uma espécie de concentração egoísta. Não vale para o mando e o governo. Não é afeiçoado a penitências e mortificações; se é religioso, não abusará dos cilícios. É deles que Santa Teresa descreve com tanta graça: “As penitências que fazem estas almas são coerentes com sua própria vida. Não tenhais medo de que se matem, porque sua razão está muito em si” (Santa Teresa, Terceiras moradas, 2, 7). Em casos mais agudos, convertem-se em homens átonos, mortiços e vagos, completamente insensíveis às vozes de ordem que poderiam tirá-los da sua inércia.

Educação do fleumático. — Pode-se tirar muito partido do fleumático, se lhe forem incutidas convicções profundas e lhe forem exigidos esforços metódicos e constantes em ordem à perfeição. Lentamente chegará muito longe. Deve-se sacudi-lo de sua inércia e indolência, empurrando-o às alturas, acender em seu coração apático a labareda de um grande ideal. Deve-se estimulá-lo ao pleno domínio de si mesmo, excitando-o e pondo em uso suas forças adormecidas; não como ao colérico, que deve obtê-lo contendo-se e moderando-se.

Conclusão geral sobre os temperamentos. — Repetimos o que dissemos mais acima: nenhum destes temperamentos existe em estado “quimicamente puro”. O leitor que tenha percorrido estas páginas poderá não ter encontrado em nenhuma delas os traços completos de sua particular fisionomia. A realidade é mais complexa do que todas as categorias especulativas. Com freqüência encontramos na prática, reunidos em um só indivíduo, elementos pertencentes aos temperamentos mais díspares. Isso explica, em boa parte, a diversidade de teorias e classificações entre os autores que se preocupam com estas coisas.

Contudo, é indubitável que em cada indivíduo predominam certos traços temperamentais que permitem catalogá-lo, com as devidas reservas e precauções, em algum dos quadros tradicionais. Por outro lado, sem negar a grande influência do temperamento fisiológico sobre o conjunto da psicologia humana, dadas as íntimas relações e interdependências entre a alma e o corpo, não devemos conceder-lhe uma importância exageradasobretudo no que diz respeito à moralidade de nossos atos —, à maneira de certos racionalistas, que atribuem ao temperamento nativo a responsabilidade única de nossas desordens.

O temperamento ideal. — Se quisermos estabelecer, em sintética visão de conjunto, as características do temperamento ideal, tomaríamos algo de cada um dos que acabamos de descrever. Ao sanguíneo pediríamos sua simpatia, seu grande coração e sua vivacidade; ao melancólico, a profundidade e a delicadeza de sentimentos; ao colérico, sua atividade inesgotável e sua tenacidade; ao fleumático, o domínio de si mesmo, a prudência e a perseverança.

Conseguir pelo esforço sistemático e inteligente este ideal humano, que a natureza não pode conceder a quase ninguém, conduz à difícil empresa do aperfeiçoamento e melhora do próprio temperamento, juntamente com o rude trabalho da formação do caráter.

Referências

  • Pe. Antonio Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana. 2.ª ed., Madrid: BAC, 2015, pp. 784-790. A tradução portuguesa foi retirada do site S.O.S. Família e levemente adaptada para esta publicação.

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Este dízimo todos os cristãos deveriam doar…
Espiritualidade

Este dízimo todos os
cristãos deveriam doar…

Este dízimo todos os
cristãos deveriam doar…

E se, além de deixar o dízimo em nossas paróquias, nós entregássemos a Deus o dízimo daquilo que é mais precioso para nós, muito mais do que ouro ou prata?

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Janeiro de 2019
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Você já se perguntou como seria se, além do dízimo em dinheiro que nós, cristãos, já estamos acostumados a entregar para o Senhor (e que nós, católicos, entregamos como forma de ajudar a Igreja em suas necessidades), nós déssemos a Ele também o dízimo daquilo que é mais precioso para nós, muito mais do que ouro ou prata — ou seja, o dízimo do nosso tempo?

Ainda que alguns digam sem hesitar que “tempo é dinheiro”, na verdade, tempo é muito mais importante do que dinheiro. Tempo é vida: eis a verdadeira equação. Aquilo com que gastamos nosso tempo é aquilo com que gastamos nossa vida. Cada momento dado por Deus a nós tem de ser gasto com alguma coisa e, uma vez gasto, ele não pode ser tomado de volta.

Mesmo que a maior parte do nosso tempo venha a ser gasta em atividades terrenas como dormir, trabalhar, comer, tomar banho, dirigir e cuidar dos que dependem de nós, também sabemos, por meio das Sagradas Escrituras e da Tradição, que todos os dias nós temos uma dívida de tempo para com Deus — mais do que isso, na verdade, o melhor tempo de que dispomos deve ser entregue a Ele. Ao dizer isso, eu me refiro especialmente ao começo do nosso dia, bem como aos últimos momentos que temos antes de dormir.

Pois bem, se Deus é a fonte de nossa própria vida, se Ele é a nossa alegria, o próprio fim a que aspiramos ao longo de nossa peregrinação terrestre, e ainda se Ele é o Juiz que nos pedirá contas por cada “palavra ociosa” que houvermos pronunciado (cf. Mt 12, 36), disso se segue que quanto mais tempo gastarmos com Ele, melhor.

Por gastar tempo com Deus entenda-se simplesmente oração. A oração inclui os quatro atos típicos de adoração, contrição, ação de graças e impetração, bem como a meditação da Escritura, uma leitura espiritual ou qualquer outra atividade que tenha Deus como sua razão de ser. (Dizendo de outra forma, qualquer atividade que não fizesse sentido algum se Deus não existisse é uma atividade que a Ele diz respeito; qualquer atividade que você realizaria, Ele existindo ou não, é uma atividade terrena.)

Se nós nos decidíssemos a dar este grande passo, de dar o dízimo de nosso tempo — ou, para ser mais justo com a natureza humana, o dízimo do tempo que passamos acordados —, como isso seria? Bem, se um dia tem 24 horas, supondo que você durma 8 horas por dia, um décimo das 16 horas restantes equivaleria a 1,6 hora, ou 96 minutos. Isso soa como uma quantidade muito maior de tempo do que a maioria das pessoas, inclusive cristãos que se gabam de ser “praticantes”, costuma gastar diariamente com oração.

No entanto, se olharmos para os séculos passados, quando a prática cristã era muito mais forte, nós veremos algo exatamente como esse dízimo ser esperado tanto de católicos quanto de protestantes. Como o lado católico é muito mais familiar para mim, darei preferência a ele.

Um católico, por exemplo, que assista a uma Missa diária de 30 minutos, com 10 minutos de ação de graças depois; que reze o Rosário em cerca de 20 minutos; e que gaste cerca de meia-hora em um ou dois momentos do dia com a lectio divina, com uma leitura espiritual, com oração mental ou com alguma parte do Ofício Divino, um católico assim terá dado ao Senhor 90 minutos de seu dia (o que é quase um décimo mesmo das horas que ele passa acordado). Isso não só pode ser feito, como deve ser feito. Os frutos serão perceptíveis a todos os que tentarem se submeter a esse plano de oração.

É claro que, a menos que alguém receba uma graça especialmente poderosa, que a disponha de uma só vez a abraçar esse plano completo, o mais prudente é ir crescendo até esse nível, adquirindo um bom hábito por vez, ao invés de tentar fazer muito no começo e terminar desistindo de tudo... É possível começar com a Missa diária, ou com o Rosário diário, ou com o Ofício Divino diário e, estando este hábito solidamente estabelecido, ir acrescentando outros compromissos, até que todo o nosso dia esteja fermentado com oração.

À clássica objeção de que “Ah, mas eu sou muito ocupado para dedicar tanto tempo à oração, eu tenho trabalho para fazer, e tenho minhas obrigações familiares etc.”, a resposta é dupla.

Primeiro, nós precisamos da graça de Deus mais do que Ele precisa de nossas obras, e nossas próprias obras não terão frutos se não nos voltarmos com frequência a Deus. Conta-se que, sempre que uma irmã das Missionárias da Caridade dizia a Madre Teresa estar “muito ocupada” para fazer uma Hora Santa diária, a santa lhe mandava fazer uma segunda Hora Santa diária e ainda advertia: “Quanto mais responsabilidades se tem, mais necessidade há de rezar, não menos”.

Em segundo lugar, se você trabalha tanto a ponto de não ter tempo para a oração e a meditação, então não há outra alternativa: você tem de diminuir seu trabalho. Às mães é particularmente importante que não negligenciem as próprias necessidades espirituais: seus maridos devem se oferecer para cuidar das crianças ou seus filhos mais velhos devem ficar no comando dos menores de tempos em tempos, a fim de que as mães possam dar, ao Senhor aquilo que lhe é devido, e às suas almas o devido descanso em Deus.

Os religiosos, por sua vez, são homens e mulheres consagrados à oração litúrgica pública ao longo do dia e a uma vida de meditação e mortificação. Assim como eles fazem voto de pobreza renunciando a todas as suas posses (e não apenas a 10% delas), igualmente, por seu estado de vida, eles devem dar a Deus muito mais do que um décimo das horas que passam acordados. A meta da vida religiosa é rezar sem cessar, como São Paulo nos urge a todos a procurar fazer ao máximo de nossa capacidade (cf. 1Ts 5, 17). Por isso, a fim de levar uma vida que seja entregue totalmente a essa atividade, os monges e monjas cortam tudo o que os poderia distrair ou impedir de perseguir essa meta.

Nesta vida, nós não podemos sacrificar completamente a nossa rotina diária, mas podemos, sim, simplificá-la cada vez mais, a fim de abrir espaço e tempo em nosso dia para Deus. E é por essa razão que na vida religiosa está o próprio coração da Igreja: ela é a garantia de que, em algum lugar e em algumas pessoas, o primado absoluto de Deus e do seu Reino está se cumprindo aqui e agora; é o sinal de que alguns cristãos estão confiando completamente nas promessas divinas e satisfazendo assim o mandamento do Senhor que diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 33).

O que acontece se nós dermos a Deus o dízimo do nosso tempo, assim como damos do nosso dinheiro? Fazendo isso, nós estamos dizendo ao Senhor que, por ser Ele o princípio e o fim da nossa vida, nós fazemos questão de lhe entregar uma parcela significativa do nosso tempo (assim como lhe entregamos da nossa renda), retribuindo assim um pouco, apenas um pouco, do tudo que Ele nos dá.

Sim, porque a meta de todo dízimo, no fim das contas, é habituar-nos a um espírito de generosidade, de modo a nos preparar para a vida consagrada do Céu, onde Deus será “tudo em todos” (1Cor 15, 28). Na hora da minha morte, em meu juízo particular, ou eu estarei preparado e disposto a me entregar completamente a Deus na alegria do Céu, ou me apartarei dEle rumo ao poço frio e escuro de egoísmo em que consiste o inferno. Se não nos treinarmos nesta vida para dar, e dar muito, para dar até que nos doa, para dar até que amemos fazê-lo, não devemos esperar uma transição fácil para o lugar onde, sem posses, nós tudo possuiremos (cf. 2Cor 6, 10).

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O problema de Lutero, qual era?
Padre Paulo Ricardo

O problema de Lutero, qual era?

O problema de Lutero, qual era?

Talvez a história que você ouviu até hoje sobre Lutero e a “Reforma” Protestante, a narrativa que lhe contaram na escola… não seja a história verdadeira.

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Janeiro de 2019
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Sabe Lutero e a “Reforma” Protestante? Talvez a história que você ouviu até hoje, a narrativa que lhe contaram na escola… não seja a história verdadeira.

Mas nosso curso de férias não se propõe somente a apresentar uma biografia de Martinho Lutero e a contar como ele deu início ao movimento protestante. Assim como com outros de nossos cursos, também este terá uma abordagem bem diferente da que normalmente as pessoas usam para tratar deste assunto.

Nosso curso tem história, tem apologética e tem teologia, mas tudo apresentado de uma maneira completamente nova, que você dificilmente vai encontrar em outro lugar.

A grande novidade deste conteúdo encontra-se já em seu título: por que “Lutero e o Mundo Moderno”, e não simplesmente “Quem foi Lutero” ou “O que foi a ‘Reforma’ Protestante”?

Porque o assunto deste curso envolve muito mais do que uma personagem e um evento históricos. Ao longo de nossas aulas, você entrará em contato com todos os inúmeros desdobramentos da “Reforma” Protestante até os nossos dias, e entenderá como Lutero e a revolta a que ele deu origem são uma peça-chave para entendermos a modernidade.

Assista ao teaser de nosso curso acima e ajude-nos a chamar as pessoas para este lançamento! No próximo dia 21 de janeiro, às 21h, você conhecerá o homem que, mesmo sem se dar conta, tornou-se o primeiro na história a montar uma ideologia.

Para ter acesso a este conteúdo que estará disponível em breve, avisamos desde já que é necessário ser aluno de nosso site. Por isso, se você ainda não estuda conosco, faça sua inscrição e tenha acesso, ainda hoje, a todos os nossos cursos! (Isso mesmo, com uma única assinatura, você tem acesso a todo o nosso conteúdo exclusivo, sem restrições.)

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