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O que os jornalistas não sabem sobre ideologia de gênero
Sociedade

O que os jornalistas não
sabem sobre ideologia de gênero

O que os jornalistas não
sabem sobre ideologia de gênero

Afinal, a ideologia de gênero existe mesmo ou não passa de “uma invenção da Igreja Católica”? Será que o mundo em que vivem nossos jornalistas é o mesmo em que nós vivemos?

Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Janeiro de 2019
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“O jornalismo é popular, mas é popular principalmente como ficção. A vida é um mundo, e a vida vista nos jornais é outro”. Dizem que foi Chesterton o autor dessa observação genial sobre a veracidade dos periódicos, tablóides, revistas e diários que compõem a chamada grande mídia. De fato, o abismo entre o universo jornalístico e a vida cotidiana é uma coisa que parece se agravar ano após ano, sobretudo para a imprensa tradicional. Acostumados aos velhos jargões e ao ritmo frenético da modernidade — o que dificulta o estudo e a meditação séria sobre temas delicados —, muitos jornalistas acabam reféns da própria indigência e, de quebra, não conseguem fazer a mínima avaliação da realidade sem o auxílio de algum intelectual chique ou de cacoetes obsoletos.

Outro dia um jornalista dizia para seus ouvintes na rádio que a “ideologia de gênero” era — atenção — “uma invenção da Igreja Católica”. Como se os padres e leigos que lotaram as câmaras municipais há alguns anos, exigindo a retirada das questões de gênero dos planos de educação, não tivessem mais nada que fazer do que inventar “moinhos de vento” para combater a ferro e fogo.

Declarações como essas, no entanto, aparecem aos montes nos jornais, e mesmo profissionais bem intencionados acabam cedendo à tentação neriana de colocar a culpa sempre nos cristãos. A regra é clara: se os casos de AIDS aumentam no país, a culpa é da Igreja e da sua doutrina medieval contra o sexo antes do casamento; se algum maluco abusa de uma moça no ônibus, a culpa é da Igreja machista que não aceita a ordenação de mulheres; se a economia está mal, é por causa do voto de pobreza dos santos católicos. Os exemplos variam e a história se repete: sim, senhores, “qualquer pedaço de pau serve para bater na Igreja Católica”.

Nada é mais ideológico do que isso. Trocando em miúdos, ideologia é uma forma de argumentação retórica para sustentação de uma tese obtida de antemão, ou seja, sem os devidos métodos filosóficos e empíricos de encontro da verdade. O ideólogo já está convencido da sua teoria, e vai usar qualquer estratagema para defendê-la, apesar da realidade e a natureza das coisas. Desse modo, ele não precisa ler, estudar ou ouvir os argumentos adversários. Para vencer o debate, basta-lhe acusar os oponentes de alguma coisa infamante, com base em algum preconceito generalizado, e pronto.

Esse tipo de atitude é prontamente repetida nas redações de quase todos os jornais da grande mídia. Afinal de contas, por que um jornalista perderia tempo com algum livro ou trabalho científico se pode simplesmente explicar uma situação pelo esquema ideológico do chefe? No caso da polêmica sobre o gênero, imaginem quantos desses profissionais leram, alguma vez, os textos da Conferência do Cairo, os livros de Judith Butler e Shulamith Firestone, ou estiveram em alguma sala de aula para observar in loco o tipo de “educação” sexual que as escolas oferecem aos seus alunos. Não se trata aqui de juízo temerário, mas de mera análise lógica dos fatos. Para um repórter negar a realidade gritante da “ideologia de gênero” na educação, ou ele nunca leu nem presenciou nada do tipo, ou sofre de grave dislexia e não consegue entender o que se passa debaixo do próprio nariz. E vejam que nem aventamos a hipótese de sordidez pura e simples, o que não é impossível.

A Igreja Católica considera ideológicas as discussões de “gênero e direitos reprodutivos” porque elas se baseiam justamente naquele tipo de proposição falsa que se sustenta por argumentos pseudocientíficos. Para negar a realidade biológica e a identidade sexual humana, os ideólogos do gênero afirmam que a expressão da identidade sexual humana é, antes de tudo, uma construção social. Nesse sentido, haveria a sexualidade física (pênis e vagina), a atração sexual (hetero, homo ou bissexual) e, finalmente, a identidade de gênero, que seria a forma como a pessoa se constrói socialmente e vive a sua sexualidade no cotidiano. Do ponto de vista do gênero, portanto, todo ser humano nasceria neutro e só descobriria a própria identidade mais tarde, após algumas experiências sexuais e sociais. De acordo com Judith Butler, a mais badalada ideóloga do gênero, “a família é também uma formação histórica: sua estrutura e seu significado mudam ao longo do tempo e do espaço”.

A teoria de gênero defende, grosso modo, a inexistência de uma substância humana que esteja presente em todos os homens e mulheres. Tudo estaria resumido às performances e às aparências. Para que um homem seja mulher, ele só precisa de algumas cirurgias remodeladoras e de diminuir o seu nível de testosterona. Não importa se a pessoa tem uma constituição feminina ou masculina, pois tudo depende apenas da vontade do indivíduo, que deve ser livre para se construir conforme o próprio gosto. De resto, os velhos papéis institucionais de pai, mãe e filho devem, aos poucos, sumir do horizonte social para dar espaço a uma nova forma de família plural e diversificada. Esse é o objetivo da teoria de gênero, segundo as palavras da própria Butler. Trata-se de “gerar mais liberdade e aceitação para a gama ampla de identificações de gênero e desejos que constitui nossa complexidade como seres humanos”.

Verba volant, scripta manent, diz um antigo provérbio latino. Popularizadas pela academia, as palavras de Butler e de outros teóricos de gênero “voaram” para bem longe de seus escritos e foram fazer estrago na realidade. O primeiro grande experimento de gênero de que se tem notícia é a trágica história da família Reimer, contada aqui no site inúmeras vezes. Para provar sua “teoria”, o doutor Money não pensou duas vezes antes de submeter o pequeno David Reimer a uma cirurgia, de modo que pudesse tratá-lo então de Brenda. O menino deveria ser educado como menina para se adaptar ao novo gênero. Resultado: o rapaz cresceu deprimido e acabou se suicidando. Mas esse, infelizmente, não seria o último destino fatal da ideologia de gênero. Os números de suicídio provocados, entre outras coisas, pela confusão mental decorrente das questões de gênero só aumentam, assim como o número de pessoas que se expõem a cirurgias arriscadas de mudança de sexo.

A confusão chegou até aos esportes também. Segundo as leis atuais do Comitê Olímpico Internacional, um homem pode concorrer contra mulheres desde que se declare do gênero feminino e, dentro de um ano, estabilize sua produção de testosterona a um nível aceitável. Ele nem precisa amputar o membro viril. Desse modo, marmanjos de 1,90m de altura estão jogando no vôlei feminino e dando porrada em mulheres do MMA.

Fotografia da exposição “You Are You”, tirada em um acampamento de verão para crianças “gender-nonconforming”. (Sim, é um menino.)

Para assegurar o bem-estar das crianças, a Associação Americana de Pediatras emitiu uma declaração gravíssima contra a presença desse tipo de teoria dentro das escolas. Segundo a organização, “condicionar crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável, é abuso infantil”. A declaração adverte contra os bloqueadores de hormônios da puberdade, que têm se tornado um fenômeno entre muitos jovens, depois do advento das propagandas de gênero. Causou escândalo recentemente uma campanha da cantora Celine Dion em que a artista aparece colocando roupas “neutras” em bebês de uma maternidade. É justamente contra esse tipo de abuso que a Associação Americana de Pediatras e outras organizações mundo afora se levantaram, sobretudo agora que os casos de crianças com “disforia de gênero” estão crescendo vertiginosamente.

No Brasil, o Ministério da Educação trabalhou insistentemente nos últimos anos para incluir esse tipo de abordagem dentro do ensino escolar. No livro do MEC Sociologia em movimento, por exemplo, os alunos aprendem que “o peso cultural da família patriarcal e da Igreja em nossa sociedade continua a ser uma forte influência para a marginalização dos grupos LGBT. Isso leva à violência homofóbica e transfóbica, assim como à violência doméstica contra mulheres”. Também o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) cobra dos universitários que se comprometam com a inclusão das temáticas de gênero nas escolas. Se os pais não tivessem se posicionado em tempo oportuno contra toda essa loucura, as escolas do Brasil hoje seriam como as da Suécia, onde meninos e meninas se vestem de cor laranja e não podem ser tratados por ele ou por ela.

Mas certamente essas coisas não existem, diria o jornalista chapa-branca, e a nota da Associação Americana de Pediatras deve ter sido escrita por algum monge albino do Opus Dei, infiltrado na instituição para promover o caos. Essa insistência dos jornais em fechar os olhos para a realidade, negando-se a retratar na íntegra os fatos como eles são, tem lhes custado um alto preço. Depois do advento da internet, as pessoas não estão mais reféns da “espiral do silêncio” imposta pela grande imprensa, e agora elas recorrem a outros canais alternativos de informação, que prestam um excelente trabalho. Enquanto isso, os jornais tradicionais agonizam e lutam para manter viva uma ideologia antiquada e pedante. E eles juram que a culpa é da Igreja Católica.

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Lutero, o homem que gerou o mundo moderno
Padre Paulo Ricardo

Lutero, o homem que
gerou o mundo moderno

Lutero, o homem que
gerou o mundo moderno

Por que, em certo sentido, Lutero é seguido mais pelas ideologias atuais do que pelos próprios protestantes? É o que Padre Paulo Ricardo vai responder em nosso novo curso de férias!

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Janeiro de 2019
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Está chegando mais um curso de férias em nosso site!

Este mês, Padre Paulo Ricardo apresenta a você uma personagem decisiva para a história tanto da Igreja quanto da humanidade: Martinho Lutero.

Neste curso, que dá início a nossos estudos de História da Igreja Moderna, você acompanhará o contexto histórico em que se deu a chamada “Reforma” Protestante, a biografia do homem que deu origem a essa revolta e, principalmente, a ligação dele com as ideologias e movimentos revolucionários de nossa época.

Você vai se surpreender ao descobrir que Lutero é mais seguido pelas ideologias atuais do que pelos próprios luteranos e protestantes!

Anote, pois, em sua agenda! No próximo dia 21 de janeiro, às 21h, você tem um encontro conosco para conhecer esta figura controversa, cheia de temores internos e que, mesmo sem se dar conta, tornou-se o primeiro homem na história a montar uma ideologia.

Para ter acesso a este conteúdo que estará disponível em breve, avisamos desde já que é necessário ser aluno de nosso site. Por isso, se você ainda não estuda conosco, faça agora sua inscrição e tenha acesso, ainda hoje, a todo o nosso catálogo de cursos.

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Homens, parem de agir como vítimas!
Sociedade

Homens, parem de agir como vítimas!

Homens, parem de agir como vítimas!

Nunca foi tão necessário revisitar os ideais do patriarcado cristão, dando aos homens razões para que tomem as rédeas de suas vidas, parem de agir como vítimas e sejam os líderes que foram chamados por Deus a ser.

Jared ZimmererTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Janeiro de 2019
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O patriarcado hoje costuma ser definido como um sistema social injusto que reforça papéis de gênero e oprime, evocando a típica dominação masculina sobre as mulheres.

Minha própria irmã descobriu recentemente essa versão do patriarcado em um curso de estudos sobre a mulher em uma instituição pública, durante o qual ela foi instada a dar exemplos em sua vida de quando a dominação masculina foi reforçada sobre ela, seja por seu pai ou qualquer outro homem com o qual ela tivesse algum contato. Infelizmente para o professor, que tentava tirar uma lição disso, minha irmã não conseguiu recordar uma única vez em que essa noção de misoginia tivesse sido imposta sobre ela. Ainda que meu coração sinceramente se compadeça de qualquer mulher que já tenha sido assediada por um homem, não me parece que devamos culpar o patriarcado por isso.

O fato é que muitos homens e mulheres nunca experimentaram o que é realmente o patriarcado. Em uma época na qual 1 em cada 3 lares sofre com a ausência do pai, será que podemos mesmo continuar a culpar o patriarcado pelas doenças sociais que estamos experimentando? Para que um patriarcado esteja em ordem, deve haver um homem desempenhando um papel de liderança. Mas os homens não estão em suas casas; ao contrário, eles estão abandonando seus postos e entrando em expedições egoístas. Se algum chega a abandonar a própria família, como muitos hoje estão fazendo, não se trata propriamente de opressão, mas de covardia. Acredito que a velha e desgastada mania de culpar os homens de ser “opressores” só funciona quando eles estão realmente presentes.

Ainda que o movimento de “liberação” das mulheres tivesse como finalidade libertar as mulheres da abstrata “opressão patriarcal”, o que o movimento provocou, na verdade, foi um retrocesso à servidão: nunca se viu os homens usarem tanto as mulheres como agora. Sem praticamente nenhum senso de compromisso, eles recebem hoje a gratificação imediata do ato sexual, fato que as mulheres exaltam como se se tratasse de verdadeira liberdade.

Mas será liberdade de fato ser jogada de lado como nada mais do que um objeto descartável? Isso não é amor, não é liberdade, não é verdade. É sim uma covardia dos homens, provocada pelo ciclo contínuo de meninos sendo criados para temer seja sua liderança como homens seja sua capacidade inata de fazer diferença no mundo. É também um resultado da noção, passada a homens e a mulheres, de que “libertar-se do patriarcado” é o mesmo que livrar-se dos “grilhões” da responsabilidade moral.

Essa ideologia tem se espalhado porque fomos ensinados a ver tudo pelas lentes da vitimização. Os grandes heróis de nossa época são os que mais foram oprimidos. Ao invés de olhar para as virtudes que deveríamos cultivar e, mais importante ainda, para os vícios que deveríamos erradicar, as últimas duas ou três gerações foram ensinadas a vislumbrar matéria de opressão em cada ação ou reação da sociedade. Graças a essa tolice, a ideologia marxista de consciência social não só aliena as pessoas, como torna-se um verdadeiro perigo. Debaixo do fiasco cultural de um feminismo equivocado e de uma masculinidade caracterizada por violência e indignação encontra-se uma população inteira de homens que não sabem sequer o que seja conduzir uma família. Os princípios mal formulados do feminismo, incluindo sua noção de patriarcado, são simplesmente tão errados quanto os dos homens que tratam suas mulheres como animais. Ambos confundem liderança com opressão e imprimem na cultura um medo entre os dois sexos.

Talvez o restabelecimento do patriarcado cristão seja a mudança necessária, o catalisador positivo, para resolver nossos problemas sociais. Algumas das principais características do patriarcado são sua clareza, o conflito que ele gera e o controle que ele detém. Se devem ser elogiadas ou censuradas essas características, tudo depende de como se percebem os objetos a que elas dizem respeito.

O patriarcado é claro no sentido de que as leis dentro de um sistema patriarcal geralmente significam punições mais severas. Assim como o pai dentro de uma casa impõe uma boa dose de medo em tempos de mau comportamento, no patriarcado é muito menor a leniência para com as transgressões feitas à lei. Também é claro o patriarcado no sentido de que um sistema assim chama as coisas por aquilo que elas são. Um inimigo é um inimigo. Na modernidade nós temos dificuldades em definir um inimigo. Não queremos ferir os sentimentos de ninguém e trocamos a misericórdia e a justiça cristãs pela noção hodierna de “ser legal”. Jesus nos disse para amarmos nossos inimigos, não para fingirmos que eles não existiam.

Se uma ameaça estivesse a caminho de uma tribo ou de uma nação, os homens se reuniam para discutir como afastá-la e como melhor proteger aqueles sob seu cuidado. Isso significava guerra, conflito, controle. Não o controle de um ditador, mas o controle adquirido por meio de autossacrifício e coragem. Os homens tinham de arriscar suas vidas na linha de combate a fim de manter a salvo suas tribos. Eles entendiam que, se alguns dos homens morressem, ao menos sua descendência perduraria. Se as mulheres morressem, no entanto, eles teriam menos oportunidades de “encher a terra” com sua prole. As mulheres eram tidas em alta consideração deste modo porque sua sobrevivência significava a sobrevivência de todo o povo.

Houve épocas obviamente de abuso do patriarcado, e a elas se deve parcialmente a culpa dos desentendimentos de hoje. Por isso faço menção específica do patriarcado cristão. O homem cristão tem consciência da necessidade de viver como o próprio Cristo. Ele de bom grado dá a própria vida por sua família e por seu povo. São Paulo exalta esse patriarcado em Ef 5: “Pois o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja”. O entendimento paulino de patriarcado pede dos homens que eles ajam exatamente como agiu Cristo crucificado; exorta-os a ganharem o direito de ser a cabeça da casa, não por meio da força bruta, mas através da caridade, fazendo sacrifícios e agindo com honra.

Eis um outro porquê de Jesus ser uma figura tão perigosa: Ele oferece a solução para nossos problemas, Ele oferece o patriarcado cristão. Quando os fariseus questionaram sua fidelidade à lei mosaica, que permitia o divórcio para não deixar os homens matarem suas esposas, Cristo respondeu: “Foi por causa da dureza de vossos corações que Moisés permitiu o divórcio, mas no princípio não era assim”. Jesus volta à origem do homem. Ao fazer isso, Ele não põe abaixo os ideais do patriarcado, mas desafia o status quo de um machismo corrosivo e traz de volta à mente o papel do próprio Adão. Este, encontrando-se sozinho e insatisfeito, procura sua amada. Ele procura aquela que será carne de sua carne e que satisfará suas necessidades mais profundas. Jesus repreende a mera noção de medo entre os sexos e, ao invés, institui uma masculinidade baseada no amor crucificado. Ele não pede aos homens que “sejam legais”, mas os desafia sim a interiorizar a lei eterna de Deus. Ele manda aos homens que reconheçam uma vez mais o incrível dom do feminino em suas vidas e que o tratem como a joia mais preciosa da Criação.

Acredito que nunca tenha sido tão necessário como agora revisitar os ideais do patriarcado cristão. Um sistema de expectativa dado aos homens para que tomem a frente e sejam os líderes que foram chamados a ser. Por muito tempo os homens deixaram de lado seus deveres como protetores, provedores e líderes de seus lares, tanto em matérias físicas quanto espirituais. O patriarcado, complementado pelas virtudes e princípios cristãos, permite que uma sociedade e sua moralidade prosperem porque, quando os homens conduzem suas casas no seguimento de Cristo, protegendo-as dos perigos físicos e espirituais e provendo-lhes os bens materiais e espirituais necessários, as famílias prosperam. Isso significa que os homens precisam dar um passo à frente e parar de agir como vítimas.

Construa suas virtudes, portanto, reze pedindo a graça de Deus e prepare-se para tomar o leme. Esse é o modo como Deus pensou o homem — e o modo como também nós deveríamos pensar.

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Natal: o homem resgatado “desde dentro”
Espiritualidade

Natal:
o homem resgatado “desde dentro”

Natal:
o homem resgatado “desde dentro”

Depois da Queda, o velho Adão sabia ser necessária alguma espécie de “resgate dramático” para devolver-lhe a saúde. Mal ele sabia, porém, que esse resgate aconteceria dentro de sua própria natureza, e não fora dela.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Dezembro de 2018
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Escreve São João da Cruz que:

Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra — e não tem outra — (Deus) disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada mais tem para dizer. [...] Porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho (citado em Catecismo da Igreja Católica, n. 65).

O Pai pronunciou a sua Palavra: eis o que recordamos todos os anos no Natal. Na Queda, o homem se distanciou da voz de Deus, deixando de dar-lhe ouvidos. O Senhor que “passeava” pelo jardim todos os dias com Adão e Eva aparentemente tinha escondido sua face — ainda que, na verdade, tenha sido a humanidade a esconder-se, com medo, da luminosa face de Deus.

Depois de séculos cambaleando, cego, na escuridão da ignorância, do erro e do pecado, o velho Adão — pelo menos sob o aspecto dos profetas de Israel e dos pagãos sábios, os mais autoconscientes dos homens e, por isso mesmo, os mais conscientes de Deus — sabia ser necessária alguma espécie de resgate dramático para devolver a saúde à humanidade.

O que esses homens não sabiam é que esse resgate “desde fora” seria, ainda mais profundamente, um resgate desde dentro. Quando a Palavra se fez carne no ventre da Virgem Maria, o Filho único do Pai eterno se fez homem, a fim de inserir na natureza humana a graça e a glória da sua divindade. Era para acontecer uma reparação e restauração a partir de nossa natureza, e não fora dela, como seria a repintura de um prédio antigo.

A Palavra se fez carne. O Verbo assumiu uma habitação corpórea. O Deus escondido tem um rosto humano. Seus santíssimos lábios pregam as palavras de vida eterna. Agora o que nos cabe é sentar-nos a seus pés, como Maria de Betânia, e escutá-lO continuamente, bebendo de suas palavras e atando-nos bem forte a seu Coração.

Quando o Beato John Henry Newman escolheu como lema cardinalício a expressão Cor ad cor loquitur, “O coração fala ao coração”, ele estava a captar em uma frase a realidade e o instrumento mais essencial da verdadeira religião: trata-se, antes de tudo, de um relacionamento pessoal no qual tudo está em jogo. É um presente total de si Àquele que amou a humanidade. É uma questão de amizade, mais do que de proposições doutrinais, normas morais, costumes litúrgicos etc.

Quem ama aceita tudo o mais: todas as proposições, normas e costumes. E faz isso não com reclamações, mas sim com uma alegria contagiante, por serem estas expressões, símbolos e lembretes dAquele a quem se ama. Não podemos agir com desprezo ou desdém para com essas coisas sem ofender Aquele a quem amamos.

A crise da teologia hoje e, mais amplamente, a crise na Igreja, deve-se, no fundo, à ausência prevalente do espírito dos “santos loucos”, da “loucura por Cristo”, daqueles santos que se dispunham a deixar tudo para abraçar o Senhor. A santa loucura de apaixonar-se por nosso Salvador crucificado é exatamente o oposto da mundanidade que infectou a Igreja. O que precisamos hoje é de loucos por Cristo, não de burocratas astutos, apologetas especialistas em comunicação ou autômatos inquestionáveis. O Filho de Deus deitado como bebê em um estábulo: eis a “loucura” por meio da qual Deus se apresenta a nós quando se põe em nosso meio, com uma sabedoria muito superior à dos filósofos de nossa época.

É possível contemplar esse espírito de santa loucura — ora impetuoso como uma cachoeira, ora silencioso e tranquilo como a neve — nas novas comunidades religiosas que florescem, bem como nas famílias católicas fiéis que procuram viver ao máximo as bem-aventuranças do Evangelho, tão exigentes quanto compensatórias. Em tais comunidades ou famílias, a atmosfera tóxica de racionalismo egoísta foi afastada e substituída pelo ar puro e fresco de uma vida entregue ao Deus que nos amou e se entregou por nós.

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