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Homilia Dominical
12 Ago 2016 - 25:36

A família querida por Deus

A família, para ser verdadeira e plenamente humana, não pode reduzir-se a meros laços de sangue e parentesco. Mais do que isso, é necessário aquele vínculo de caridade ardente que, unindo-nos na única família de Deus, nos leva a amar sobre todas as coisas o Pai de toda paternidade.
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Homilia Dominical - 12 Ago 2016 - 25:36

A família querida por Deus

A família, para ser verdadeira e plenamente humana, não pode reduzir-se a meros laços de sangue e parentesco. Mais do que isso, é necessário aquele vínculo de caridade ardente que, unindo-nos na única família de Deus, nos leva a amar sobre todas as coisas o Pai de toda paternidade.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 12, 49-53)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra".

Para entender a passagem de difícil interpretação que a liturgia da Igreja proclama neste domingo — falando de "divisões" que Cristo viria trazer no seio das famílias —, é necessário entendermos em que consiste a família natural tal como criada por Deus, o que aconteceu com ela após a Queda do homem e, por fim, como se deu, na pessoa do Verbo encarnado, a restauração desse jardim onde Deus quis que desabrochassem novas vidas para o Céu.

Comecemos pelo substrato biológico da família. Desde o princípio, o Criador fez homem e mulher para que, complementando-se, eles pudessem dar perpetuidade à geração humana. Essa realidade nós a compartilhamos com os outros animais: também eles, por meio da união entre macho e fêmea, se reproduzem e preservam a sua espécie. O ser humano, no entanto, possui algo mais importante, que é a sua alma. Para além dos laços de sangue, o vínculo mais forte a unir as famílias deve ser, portanto, de natureza espiritual.

O drama da Queda frustrou, porém, o projeto divino para a sexualidade humana, fazendo entrar no mundo o egoísmo e os vícios. A sociedade dos homens, destinada desde o princípio à convivência com o próprio Deus, viu-se obrigada a enfrentar o problema do mal. Sobre o homem e a mulher passaram a recair verdadeiras maldições (cf. Gn 3, 16-19), decorrentes de seu pecado, e até hoje podemos experimentar quão insossas ou amargas se tornam as famílias quando apartadas de seu fim último.

Foi necessário que o próprio Deus descesse dos céus, na pessoa de seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, para que essa comunidade de amor fosse resgatada e elevada à sua verdadeira vocação. É nesse contexto que se inserem as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: "Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!" (v. 49-50). De fato, que deseja o Senhor, ao encarnar-se, senão infundir em nossos corações o seu amor e batizá-los com o Espírito Santo e com fogo (cf. Mt 3, 11), como anteviu o profeta São João Batista? Que quer a família trinitária, ao enviar ao mundo Um dos seus, senão "que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 4)?

No entanto, ai de nós, homens, dos quais muitos haveremos de rejeitar o convite para participar do banquete nupcial do Cordeiro! O drama da recusa de Deus não terá apenas repercussões eternas, mas já se fará sentir nesta mesma vida terrena. "Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra?", pergunta o Senhor. "Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra" (v. 51-53).

À luz da história da salvação, é mais fácil entendermos essas palavras do Mestre. Embora seja o seu desejo ver todos os homens "participantes da natureza divina" (2Pd 1, 4), nem todos aceitarão integrar a família de Deus: alguns tragicamente preferirão, à sadia guerra que vive a Igreja militante nesta terra, a falsa paz do mundo; renunciarão à gloriosa missão de educar filhos para a eternidade só para manter os confortos passageiros desta vida terrena; submeter-se-ão de bom grado aos caprichos mundanos de seus parentes e amigos, ao invés de honrar ao Pai celeste, de onde provém tudo o que têm e são.

Felizes serão aqueles, porém, que acolherem o convite de Cristo e integrarem a família divina, que é a sua Igreja: terão o seu amor meramente humano elevado às alturas do Céu. Quando um homem e uma mulher se unem, de fato, para serem imagem do amor com que Cristo amou a sua Igreja, acontece então o verdadeiro sacramento do Matrimônio: os dois não só se fazem uma só carne, como também se tornam, um para o outro, caminho de santidade — caminho este que se vai alargando na pessoa dos filhos, o maior bem do casamento cristão (cf. Casti Connubii, 12-13).

Todos os dias, portanto, ao abrir a porta de nossas casas, lembremo-nos de amar as pessoas que estão ali como se estivéssemos a amar Cristo no Santíssimo Sacramento do altar — ainda que nossos familiares não sejam as melhores pessoas do mundo, afinal, quando Jesus morreu por nós, tampouco nós éramos alguma coisa. Só acreditando e agindo realmente dessa forma será possível vivermos a restauração que Deus veio trazer às famílias e experimentar o fogo ardente de caridade que Ele veio lançar à terra.

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