Ganância, doença da alma
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Homilia Dominical
29 Jul 2016 - 26:33

Ganância, doença da alma

No Evangelho, Jesus conta a história de um homem que, tendo planejado a construção de grandes celeiros para guardar sua colheita, acabou morrendo e deixando para trás tudo o que tinha acumulado. Com esta parábola, o Senhor acautela seus discípulos contra a ganância, o pecado de “quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.
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Homilia Dominical - 29 Jul 2016 - 26:33

Ganância, doença da alma

No Evangelho, Jesus conta a história de um homem que, tendo planejado a construção de grandes celeiros para guardar sua colheita, acabou morrendo e deixando para trás tudo o que tinha acumulado. Com esta parábola, o Senhor acautela seus discípulos contra a ganância, o pecado de “quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
12, 13-21)

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo".

Jesus respondeu: "Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?"

E disse-lhes: "Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens".

E contou-lhes uma parábola: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: 'O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita'.

Então resolveu: 'Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e fazer maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!' Mas Deus lhe disse: 'Louco! Ainda esta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?'

Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus".

O Evangelho deste domingo, da pena do evangelista São Lucas, traz-nos à meditação a Parábola do Rico Insensato, por meio da qual Nosso Senhor pinta um retrato da ganância (πλεονεξία, em grego). Estritamente falando, refere-se este pecado àquele desejo desordenado de acumular bens, ao qual a modernidade tem dado o nome de "consumismo".

Um olhar de relance a essa que é uma verdadeira "doença espiritual" permite-nos constatar o seu substrato propriamente humano. É claro que os animais não podem absolutamente pecar; está em sua natureza, todavia, o instinto de conservação, por meio do qual se alimentam e se reproduzem, e é justamente a desordem nesses apetites que gera a gula e a luxúria, respectivamente. A avareza de que aqui se fala, por outro lado, não possui nenhuma referência no mundo meramente animal: nenhuma espécie possui essa sede desenfreada de posse que têm os seres humanos. O que acontece ao materialista, portanto, é que ele está espiritualmente doente. A ganância é uma doença da alma.

Mas por que se ilude o homem com o acúmulo de bens? A resposta está em nossa incessante busca de felicidade, a qual Santo Agostinho bem diagnosticou em sua autobiografia: "Fizestes-nós para vós, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em vós" (Conf., I, 1). O coração ganancioso, como o de qualquer ser humano, é um coração permanentemente inquieto; ele só não entendeu ainda que o dinheiro e os bens deste mundo são incapazes de saciá-lo plenamente.

Primeiro, porque todas essas coisas passam. O rico insensato do Evangelho, por exemplo, depois de muito trabalhar e encher os próprios celeiros com a sua colheita, foi visitado pela morte e deixou tudo o que possuía a outrem. A mesma situação descreve o autor do Eclesiastes, para quem as coisas desta vida não passam de vaidade: "Um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça" (2, 21).

Depois, também, porque o próprio Criador tudo dispôs em sua sapientíssima providência para que fôssemos felizes não no tempo, mas na eternidade; não nesta vida, mas na outra; não nesta terra, mas no Céu. É também a razão por que o Apóstolo exorta os fiéis de Colosso a "alcançar as coisas do alto"; a aspirar "às coisas celestes e não às coisas terrestres". Pelo sacramento do Batismo, na verdade, nós morremos e nossa vida "está escondida com Cristo, em Deus" (Cl 3, 1-3). Nossa verdadeira vida, pois, não é esta, efêmera e perecível, mas do lado de Deus, na eterna bem-aventurança.

Importante é que entendamos tudo isso, sobretudo, para que queiramos as coisas certas, pois, no dizer de Santo Agostinho, "só é feliz aquele que tem tudo o que quer e nada quer do que é iníquo" (De Trinit., XIII, 5, 8). Só buscando nesta vida as coisas do alto seremos felizes na eternidade. No Céu, de fato, nós teremos tudo o que quisermos, e até mais do que isso, como está escrito: "Coisas que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu, eis o que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1 Cor 2, 9). Assim acontece a quem esquece de si mesmo para ser rico diante de Deus.

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