Memória de S. Paulina do Coração Agonizante de Jesus
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 16-23)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.

Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós.

O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. Vós sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.

Com grande alegria celebramos hoje a memória de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, uma santa brasileira. Ela nasceu na Itália, mas passou a maior parte da vida no Brasil e aqui se santificou. Por isso queremos contar com a intercessão dessa grande santa no céu para que possamos viver o Evangelho como Cristo no-lo ensinou. E o Evangelho de hoje nos fala exatamente do que Santa Paulina viveu: a perseguição. Nosso Senhor, em seu discurso aos Apóstolos, depois de tê-los escolhido e a ponto de enviá-los em missão, diz: Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos, então começa a lhes dar conselhos e a prever o que acontecerá com eles. Fundamentalmente, o que Jesus está dizendo é o mesmo que diz no evangelho de São João: Odiaram a mim, odiarão também a vós. O discípulo não é maior do que o mestre. Aqui vemos o drama, uma constante na vida dos verdadeiros cristãos. Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, por exemplo, também sofreu perseguições e, aqui está o dramático, dentro da própria Igreja. Os inimigos que se levantaram contra ela não a levaram aos governadores e reis, como diz Jesus no Evangelho, mas aos tribunais da Igreja, diante do arcebispo de São Paulo, que acolheu as denúncias contra a santa. Querendo, como arcebispo zeloso, fazer alguma coisa, o prelado deixou Santa Paulina de castigo durante muitos anos, sem que ela fosse reconhecida como fundadora da congregação. Tirou-lhe o cargo de superiora e a reduziu ao silêncio durante anos. Foi somente pouco tempo antes de sua morte que as acusações falsas contra ela foram esclarecidas e Santa Paulina finalmente “redimida”.

Ora, a pergunta que devemos fazer é: por que Nosso Senhor permite tais coisas? Em primeiro lugar, lembremos que estamos diante de uma vontade permissiva. Deus não quer o mal. Ele não quer, por exemplo, que os pagãos persigam a Igreja nem que os membros da Igreja, fiéis ou infiéis, causem sofrimento interno uns aos outros. O que Jesus quer diretamente é apenas o bem. Acontece que existe uma realidade inegável: Deus permite o mal, isto é, o fato mesmo de o mal existir é a prova cabal de que Deus o permite, embora não o queira em si e diretamente. Afinal, sendo Deus onipotente, Ele poderia fazer alguma coisa para evitá-lo. Que fazer diante desse mistério, da perseguição da Igreja, dos bons e dos justos? Santo Agostinho responde que Deus não permitiria o mal se dele não pudesse tirar um bem maior. A Igreja, que é a Esposa de Cristo, a Amada e Eleita de Cristo, com todos os seus membros, é protegida por Jesus. Ele cuida de nós como da pupila dos olhos. Mas acontece que, porque Ele quer o nosso bem, por isso permite, nos seus desígnios de amor, que o mal aconteça, que a Igreja seja perseguida, que haja tempos tremendos de crises como os que vivemos atualmente. Por que Ele permite tudo isso? Para, no seu projeto de amor, tirar daí um bem maior. 

Não iremos nem podemos detalhar por ora como Deus está tirando o bem de tudo o que vem acontecendo com a Igreja, porque nós, afinal de contas, ainda não o sabemos. Só sabemos com fé e confiança que não é Deus quem está fazendo o mal nem o pecado dos pecadores. Deus não quer nunca o pecado. Se há pessoas dentro da Igreja que pecam como Judas, que traem a Santa Igreja como Judas traiu Jesus; se há perseguições internas à Igreja; se existem inimigos da Igreja dentro dela, ou pelo menos aparentemente dentro dela, é porque Nosso Senhor nos ama muitíssimo e, por isso, quer duas coisas, porque há duas coisas bem evidentes. Primeiro: Ele quer a purificação da Igreja. Eis aí, Deus permite o pecado porque sabe que, com provações, perseguições e dificuldades, a Igreja vai-se purificando. Quem de nós negaria, por exemplo, que nesses tempos de epidemia a Igreja, de alguma forma, foi purificada? É como se Deus tivesse passado a peneira. Gente que ia à igreja por inércia, por hábito, sem ter fé suficiente, agora, quando as igrejas vão sendo reabertas, não volta mais… Em todas as paróquias está todo o mundo notando que houve uma queda no número das pessoas. É uma coisa ruim por um lado, mas boa, por outro. Deus purificou a Igreja. Diminuiu o inchaço, e os que ficaram têm buscado a Missa com mais reta intenção. É assim, pelo menos de forma geral. — Segundo: quando Deus permite o mal, Ele também nos dá a ocasião de amá-lo de volta. Sim, porque Jesus sofreu e se entregou por nós, e podemos participar da alegria de sofrer e nos entregar por Ele, de pagar amor com amor. Se Jesus carregou a cruz, carreguemos a nossa por Ele.

É isso o que nos atestam os grandes santos. Uma das características dos santos de Quinta Morada é olhar para os sofrimentos dos mártires e dizer: “Nossa, mas foi tão pouco! Quero sofrer mais por Jesus”. Não somos masoquistas nem gostamos do sofrimento. Gostamos do amor, e num mundo em que o mal existe e se opõe frontalmente ao bem, amar significa ser fiel em meio ao sofrimento, isto é, sob o peso da cruz. Por isso os verdadeiros cristãos sabem que, no meio desses males permitidos por Deus, se esconde um bem maior. Com isso, o Senhor está purificando a santa Igreja e dando-nos a ocasião de amá-lo e crescer em glória no céu. Nós, quando chegarmos ao céu — e chegaremos, se Deus quiser! —, olharemos para trás, veremos os sofrimentos por que passamos e diremos: “Oh, bendito sofrimento! Oh, alegre sofrimento aquele que nos fez lucrar uma tão grande glória”.

* * *

Perseguições futuras (cf. Mc 13, 9-13; Lc 10, 3; 12, 11; 21, 12-19). — Da magnitude das perseguições que Cristo prenuncia fica evidente que este sermão não se refere à missão dos Apóstolos na Galileia (cf. Mc 12-13), onde lemos não ter acontecido nada do que aqui é descrito, mas à sorte futura dos discípulos após a ascensão do Mestre.

V. 16. Eis que eu vos mando como ovelhas no meio (ἐν μέσῳ) de lobos, isto é, de perigos que experimentariam ovelhas no meio de lobos. É enfático aquele Eis que eu vos mando: “Não é, portanto, alheio à minha intenção nem contra a minha vontade nem acima de meu poder que hajais de padecer tantos males” [1]. — Sede pois prudentes como serpentes. A prudência é o olho da mente para prever e precaver perigos e insídias, e para transmitir mais eficazmente uma doutrina. A serpente é símbolo da prudência porque é o mais traiçoeiro de todos os animais (cf. Gn 3, 1), isto é, cautíssimo para atacar, veloz para fugir. — Ora, considerada em si mesma, a prudência da serpente deveria chamar-se antes perfídia que prudência, por isso os Apóstolos devem também ser simples como pombas, isto é, sinceros, humildes, inofensivos a todos, companheiros. A pomba não faz mal a ninguém, com nada se zanga nem ataca os que lhe comem as crias etc. “Há que notar que o Senhor não propôs a seus discípulos a pomba sem a serpente nem a serpente sem a pomba, para que tanto a astúcia da serpente acendesse a simplicidade da pomba quanto a simplicidade da pomba temperasse a astúcia da serpente” (São Gregório, Hom. 30).

V. 17. Acautelai-vos dos homens, isto é, sede cautelosos, a fim de que sucumbais, amedrontados pelas sugestões, ameaças e perseguições dos homens, ou também: preparai-vos para lutardes contra eles, porque vos farão comparecer nos seus tribunais (εἰς συνέδρια = aos tribunais locais), e vos açoutarão nas sinagogas (cf. At 4, 7; 5, 27; 2Cor 11, 24 etc.).

V. 18. Sereis levados por minha causa à presença dos governadores (ἡγεμόνας) e dos reis, como testemunho diante deles (dos judeus, cf. v. 17) e diante dos gentios, isto é, para que tanto os judeus como os gentios ouçam minha doutrina, e tenham por que ser julgados, se se recuarem a obedecer, ou: diante deles, isto é, dos mesmos magistrados e reis, e dos gentios, isto é, dos povos.

V. 19-20. Quando vos entregarem, não cuideis (μὴ μεριμνήσητε = não vos inquieteis pensando) como ou o que haveis de falar; usa a forma imperativa para indicar o que há de acontecer, ou seja, que naquelas circunstâncias não será preciso que busqueis ansiosamente as respostas, pois o Espírito Santo falará em vós, isto é, vos há de sugerir tudo o que tiverdes de responder, seja à violênica, seja às falsas acusações.

V. 21-22. Não só os de fora, mas vossos próprios consanguíneos vos perseguirão e vos conduzirão até à morte, como escreve São Jerônimo: “Vemos frequentemente suceder isso nas perseguições, nem há qualquer afeto de fidelidade entre aqueles cuja fé é diversa” (In Matt. 10, 21: PL 26, 65); por isso se pode dizer justamente que sois odiados por todos. No entanto, não é suficiente ter começado, mas o que perseverar (ὁ ὑπομείνας = o que suportar pacientemente) até o fim, este será salvo. Assim refere Lucas a mesma sentença: Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas (21, 19).

V. 23. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Este preceito refere-se aos Apóstolos, que eram necessários à propagação do Evangelho (cf. Fp 1, 24) e a todos aqueles pastores de alma que, sem escândalo e perigo para o rebanho, podem evitar o perigo. — Em verdade vos digo que não acabareis (lt. consummabitis, gr. τελέσητε) de percorrer as cidades de Israel, isto é, habitadas por israelitas, sem que venha o Filho de Homem. Essas últimas palavras são expostas de três modos: a) por referência à segunda vinda do Senhor, isto é, ao juízo, nesse sentido: Uma parte de Israel caiu na cegueira até que tenha entrado na Igreja a plenitude dos gentios (Rm 11, 25). Fala Cristo aos Apóstolos como se fossem viver até o fim do mundo, como costuma fazer no sermão escatológico e em muitos outros lugares. [2] — b) Outras a interpretam como algum advento moral, alguma grave e solene manifestação da justiça divina, sobretudo na destruição de Jerusalém, e assim são verdadeiras em sentido literal as palavras não acabareis etc. — c) Muitos pensam que Jesus fala aqui de ambos os adventos indistintamente, isto é, da destruição de Jerusalém como figura e imagem do juízo universal. Segundo essa interpretação, o verbo acabar significa a plena e total conversão do povo israelita. Mas vale notar: se a ruína de Jerusalém é tipo e figura do juízo universal, por que não vemos a conversão de todos os homens figurada na conversão de Israel? Assim, o sentido daquelas palavras seria: não acabareis a obra de vossa missão (a saber, a conversão dos judeus e dos gentios) até o fim do mundo.

Referências

  1. Tomás de Vio Cateano, In Matt. X, 16 (ed. Lyon, 1639, vol. 4, p. 51).
  2. Cf. J. Knabenbauer, Commentarius in Evangelium secundum Matthæum. 3.ª ed., Paris: P. Lethielleux (ed.), 1922, p. 455s: “Assim como Cristo dirige aos Apóstolos os sermões escatológicos falando-lhes como se fossem viver até a sua vinda para julgar, assim também, como é manifesto, lhes fala neste lugar. Anuncia, portanto, o mesmo que São Paulo, ao ensinar que haverá cegueira sobre parte de Israel, até ter entrado a plenitude dos gentios (cf. Rm 11, 25). E sobre a segunda vinda de Cristo explica Santo Hilário: ‘Para mostrar que os gentios, de fato, creriam na pregação dos Apóstolos, mas que estava reservado à sua vinda que o resto de Israel acreditasse, diz: não acabareis… após a plenitude dos gentios, que será o resto de Israel, a ser posto na Igreja quando da vinda futura de sua claridade, a fim de completar o número dos santos’. Assim também Orígenes. Beda e Pascácio ilustram esse modo de falar a partir de Mt 28, 20: Eis que estou convosco todos os dia até a consumação do século, ‘o que, no entanto, foi sem dúvida prometido à Igreja universal’; assim, pois, também aquilo [o foi] só aos Apóstolos, onde diz: Sabei que está perto, está às portas (Mt 24, 33), porquanto isso compete somente aos que serão eleitos na carne’; do mesmo modo, Silvano, também Maldonado diz que essa explicação é a que mais lhe agrada, “porque nela nada vejo de forçado, e porque em nenhuma lugar, que eu saiba, se fala de um advento do Filho de Homem que não seja aquele último, no qual virá para julgar’”.

Notas

  • A segunda parte do texto (a partir dos três asteriscos) é uma tradução levemente adaptada, com alguns acréscimos e omissões de nossa equipe, de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, p. 370ss, n. 257.
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