Memória de São Tomás More e São João Fisher
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 7, 6.12-14)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com o pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem.

Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram”!

Com grande alegria celebramos hoje a memória de dois mártires, São João Fisher e São Thomas More. Ambos morreram na controvérsia do rei Henrique VIII, no século XVI, que deu origem à chamada Igreja Anglicana. Foi uma época bem conturbada para a Igreja Católica, agitada pelas revoltas protestantes. São Thomas More é mais conhecido do que São João Fisher por ser leigo e ter vários filmes a seu respeito. Por isso, vale a pena conhecer São João Fisher mais de perto. Quem foi ele? João Fisher foi um cardeal inglês. Passou a maior parte da vida como bispo de Rochester, na Inglaterra. Como bispo, prestou muitos serviços à corte de Henrique VII e, mais tarde, do filho dele, Henrique VIII, de quem chegou a ser tutor. Desde o início de seu episcopado, Fisher mostrou uma grande humildade. A diocese de Rochester, com efeito, era a mais pobre da Inglaterra, e ele foi posto à frente dela como o primeiro passo em sua carreira eclesiástica, pois se supunha que ele logo seria transferido para sedes mais importantes. No entanto, ele decidiu permanecer ali, sendo pastor do mesmo rebanho por cerca de 31 anos. Fisher era um grande orador, sendo frequentemente convidado para pregar na corte, em Londres. Sua fortaleza ao pregar o Evangelho era tal, que ele não se detinha nem mesmo diante dos poderosos. Foi o que ele mostrou durante a grande controvérsia de Henrique VIII, chamada pelos ingleses the King’s great matter. Qual era a “grande questão” do rei? 

Pois bem, Henrique VIII queria um sucessor homem. A Inglaterra acabara de sair de uma guerra dinástica, e os Tudors, dinastia da qual Henrique VII era parte, subira ao trono havia pouco, o que gerava muita insegurança. Os Tudors não queriam uma sucessora porque, se fosse coroada uma mulher, as famílias rivais ousariam tomar o trono de volta. Por insegurança, e a fim de manter sua Casa e filhos no poder, Henrique VIII precisava de um sucessor homem. O problema é que Catarina de Aragão, sua esposa, lhe deu somente uma filha, Maria, enquanto todos os meninos concebidos pelo casal morriam antes de nascer ou pouco depois do parto. Para “sanar” a dificuldade, o rei decide divorciar-se de Catarina. Para isso, ele pede licença ao Papa, que lhe responde: “Se eu tivesse duas almas, faria este divórcio: perderia uma no inferno e a outra ainda poderia ir para o céu. Mas como só tenho uma alma, não vou arriscar perder a única”. Furioso, Henrique VIII rompeu relações com o Papa e se autoproclamou chefe da “igreja” da Inglaterra, obrigando todos os bispos e nobres a aceitar o seu divórcio. São Thomas More se recusou e, junto com ele, o grande bispo de Rochester. Fisher não teve dúvida. Subiu a um dos principais púlpitos de Londres, diante da Catedral de São Paulo, e dali pregou contra o divórcio do rei. Este mandou prendê-lo e quis obrigá-lo a assinar um juramento declarando aceitar o divórcio. Fisher, evidentemente, não cedeu e, por sua defesa do santo matrimônio, foi condenado à morte. Antes de Fisher ser executado, durante o tempo em que esteve preso na Torre de Londres, o Papa Paulo III pensou em ajudar fazendo-o cardeal. Certamente, pensava o Papa, o rei não ousaria fazer nada contra um cardeal da Santa Igreja Romana… Exatamente o contrário! Quando recebeu a notícia de que Fisher fora feito cardeal, Henrique VIII disse: “Não deixeis o chapéu chegar aqui”, e proibiu que o barrete cardinalício fosse trazido para a Inglaterra, acrescentando ironicamente: “Não é preciso mandar o chapéu para cá. Eu mesmo mandarei a cabeça dele para Roma”. São João Fisher foi decapitado no dia 22 de junho de 1535, com 65 anos de idade.

Hoje em dia, muitos pensam em soluções fáceis para o matrimônio, como se os nossos tempos fossem tão diferentes, que agora o divórcio estaria permitido, e os que faliram o primeiro casamento teriam “direito” a uma nova chance… Mas São João Fisher, como outrora São João Batista, pregou claramente o Evangelho: “Não é lícito divorciar-se. Não é lícito casar-se uma segunda vez”. Essa é a fé católica. Por ela muitos santos derramaram o próprio sangue. Ora, se os santos agiram assim, é porque afirmar o contrário é grave pecado. Ninguém derrama o próprio sangue por frivolidades. Só estamos dispostos a morrer se algo põe realmente em perigo a salvação eterna de nossas almas. Parafraseando Paulo III, como nós não temos duas almas, somente uma, permaneçamos sempre fiéis à doutrina católica, mesmo que o mundo nos ensine o contrário dela. — Que São João Fisher e São Thomas More intercedam por nós no céu, para que possamos abraçar a verdade católica sobre o santo matrimônio, mesmo que isso nos custe o sangue.

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