Dom Celso Marchiori
A Diocese de Apucarana, Paraná, esteve envolvida em uma polêmica no início do mês de janeiro devido à publicação de algumas normas referentes às celebrações de Matrimônio. Dentre as regras estabelecidas pelo bispo, Dom Celso Marchiori, chamaram a atenção as que proíbem músicas seculares durante as cerimônias e o "tradicional" desfile dos padrinhos. Apesar de toda a controvérsia criada pela mídia, a decisão de Dom Celso foi maciçamente apoiada pelos fiéis da diocese.
O bispo de Apucarana destacou em entrevista ao jornal local Tribuna do Norte, que há uma incorreta "espetacularização" do casamento hoje em dia e que essas normas são apenas uma forma de valorizar o sacramento do matrimônio. "Não são proibições ou imposições. Não criamos nada de novo, apenas queremos destacar o mais importante na celebração, que são os noivos. Por isso, listamos essas orientações para que o casamento seja realizado como determina a liturgia", esclareceu Dom Celso.
Apesar dos esclarecimentos precisos de Dom Celso Marchiori, não faltaram aqueles que se sentiram "lesados" de alguma maneira pelas novas orientações. Para alguns comentaristas, a decisão do bispo foi autoritária e invasiva, pois o casamento seria um momento único na vida dos noivos e por isso, eles deveriam ter o direito de fazer da maneira que eles desejassem. "A noiva tem que fazer aquilo que ela tem em mente, como ela quer que os convidados vejam aquele momento dela", reclamou uma jovem durante entrevista a um telejornal da região.
Primeiramente, é preciso dizer que a ação de Dom Celso Marchiori foi legítima e motivida por um verdadeiro zelo pastoral. Sendo o Matrimônio um sacramento, a Igreja deve zelar pela a sua correta vivência dentro da liturgia. É através do matrimônio que se inicia a vida conjugal, por isso, "a celebração não pode ser reduzida a uma cerimônia, fruto da cultura e dos condicionamentos sociológicos" (1). Pelo contrário, deve-se cuidar para que "os particulares da celebração matrimonial sejam caracterizados por um estilo de sobriedade, de simplicidade, de autenticidade" (2).
O Conselho Pontifício para a Família manifestou-se sobre este assunto numa carta de 1996 chamada "Preparação para o Sacramento do Matrimônio"(3). A carta é assinada pelo então presidente do Conselho, Cardeal Alfonso López Trujillo. Neste documento pode-se ler as seguintes orientações acerca da responsabilidade dos bispos:
61. Compete aos Bispos, através das Comissões litúrgicas diocesanas, dar disposições precisas e vigiar sobre a actuação prática, para que na celebração do matrimónio se cumpra a indicação dada no artigo 32 da Constituição sobre a Liturgia, de modo que apareça, mesmo externamente, a igualdade dos fiéis e também seja evitada toda a aparência de luxo. Favoreça-se em tudo os modos de participação activa das pessoas presentes na celebração nupcial. Dêem-se subsídios idóneos para captar e saborear a riqueza do rito.
Além disso, diz o Catecismo da Igreja Católica acerca do Matrimônio:
1621. No rito latino, a celebração do Matrimónio entre dois fiéis católicos tem lugar normalmente no decorrer da santa Missa, em virtude da ligação de todos os sacramentos com o mistério pascal de Cristo (134). Na Eucaristia realiza-se o memorial da Nova Aliança, pela qual Cristo se uniu para sempre à Igreja, sua esposa bem-amada, por quem se entregou (135). Por isso, é conveniente que os esposos selem o seu consentimento à doação recíproca pela oferenda das próprias vidas, unindo-a à oblação de Cristo pela sua Igreja, tornada presente no sacrifício eucarístico, e recebendo a Eucaristia, para que, comungando o mesmo corpo e o mesmo sangue de Cristo, «formem um só corpo» em Cristo (136).
Posto isso, vemos que a realidade do Sacramento do Matrimônio transcende a expectativa de uma mera festividade ou convenção social. Muito pelo contrário, é, antes de tudo, um ato de união dos noivos com o mistério pascal de Cristo. Desse modo, a Igreja, como guardiã do depósito da fé, deve tutelar para que esses mistérios sejam vividos na autêntica piedade cristã e impedir qualquer tipo de abuso ou manipulação. Somente através de uma vivência sincera dos ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, ou seja, somente através da vivência correta da fé católica é que poderemos compreender de maneira clara a realidade matrimonial.
Referências
- Parágrafo 60 da Carta Preparação para o Sacramento do Matrimônio.
- Parágrafo 71 da Carta Preparação para o Sacramento do Matrimônio.
- Preparação para o sacramento do Matrimônio
A cada Natal do Senhor, nós cristãos professamos a fé neste encontro que é a Encarnação do Verbo. O encontro da eternidade de Deus e da história humana.
No tradicional Anúncio de Natal (Kalendas), a Mãe Igreja recorda o nascimento de Jesus no quadro da grande história da humanidade. Ao marcar neste evento o ano zero de nosso calendário, os cristãos recordam que ali se encontra o centro e o sentido de toda a história humana.
Celebrar o Natal é abrir as portas de nossa história (pequena ou grande) para que o Rei da Glória realize efetivamente a profecia de ser Deus Conosco, Emanuel.
A todos os irmãos, amigos e colaboradores, que fizeram parte de nossa história em 2012, desejamos este admirável encontro com o Eterno. Só assim teremos um feliz e santo Natal!
Padre Paulo Ricardo e Equipe
Precônio Natalino (Kalendas de Natal)
*O calendário lunar varia a cada ano. Esta ano de 2012 o Natal se celebra na décima primeira lua.
Octavo Kalendas ianuarii. Luna undecima*.
Vinte e cinco de Dezembro. Décima primeira Lua*.
Innumeris transactis sæculis a creatione mundi, quando in principio Deus creavit cælum et terram et hominem formavit ad imaginem suam;
Tendo transcorrido inúmeros séculos desde a criação do mundo, quando no princípio criara Deus o céu e a terra, e formara o homem à sua imagem;
permultis etiam sæculis, ex quo post diluvium Altissimus in nubibus arcum posuerat, signum fœderis et pacis;
Também muitíssimos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo assentara sobre as nuvens o arco-íris, sinal da aliança e da paz;
a migratione Abrahæ, patris nostri in fide, de Ur Chaldæorum sæculo vigesimo primo;
Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;
ab egressu populi Isræl de Ægypto, Moyse duce, sæculo decimo tertio;
Treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés;
Ab unctione David in regem, anno circiter milesimo;
Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;
Hebdomada sexagesima quinta, juxta Danielis prophetiam;
Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;
Olympiade centesima nonagesima quarta;
Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada
Ab Urbe condita anno septingentesimo quinquagesimo secundo;
No ano setecentos e cinquenta e dois da fundação da cidade de Roma;
Anno imperii Cæsaris Octaviani Augusti quadragesimo secundo;
Do Império de César Otaviano Augusto, ano quadragésimo segundo;
Toto Orbe in pace composito, Iesus Christus, æternus Deus æternique Patris Filius, mundum volens adventu suo piissimo consecrare, de Spiritu Sancto conceptus, novemque post conceptionem decursis mensibus in Bethlehem Iudæ nascitur ex Maria Virgine factus homo:
Quando em todo o orbe reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua piedosíssima vinda, concebido do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses depois da concepção, nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:
Nativitas Domini Nostri Iesu Christi secundum carnem.
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo carne.
Oração e exame de consciência propostos pelo Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, para a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus de 2012, dia dedicado também à oração pela santificação do clero.
Ó meu Jesus, Vos peço por toda a Igreja,
concedei-lhe o amor e a luz do Vosso Espírito,
dai vigor às palavras dos sacerdotes,
de tal modo que os corações endurecidos
se enterneçam e retornem a Vós, Senhor.
Ó, Senhor, dai-nos santos sacerdotes;
Vós mesmo, conservai-lhes na santidade.
Ó Divino e Sumo Sacerdote,
que a potência da vossa misericórdia
lhes acompanhe em todos os lugares
e lhes defenda das insídias e dos laços do diabo,
pois ele tenta continuamente as almas dos sacerdotes.
Ó Senhor, que a potência da Vossa misericórdia
quebre e aniquile tudo aquilo
que possa obscurecer a santidade dos sacerdotes,
porque Vós podeis todas as coisas.
Meu Jesus amantíssimo,
Vos peço pelo trinfo da Vossa Igreja,
para que abençoes o Santo Padre e todo o clero;
para obter a graça da conversão
dos pecadores obstinados no pecado;
por uma especial bênção e luz,
Vos peço, Jesus, pelos sacerdotes
com os quais me confessarei durante toda a minha vida.
(Santa Faustina Kowalska)
Exame de consciência para os sacerdotes
1. "Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade" (Jo. 17,19) Proponho-me seriamente à santidade em meu ministério? Estou convencido de que a fecundidade do meu ministério sacerdotal vem de Deus e que, com a graça do Espírito Santo, devo identificar-me com Cristo e dar a minha vida pela salvação do mundo?
2. "Isto é o meu Corpo" (Mt. 26,26) O Santo Sacrifício da Missa é o centro da minha vida interior? Preparo-me bem, celebro devotamente e, depois, me recolho em ação de graças? A Missa constitui o ponto de referência habitual em minha jornada para louvar a Deus, agradecê-lo pelos seus benefícios, recorrer à sua benevolência e reparar pelos meus pecados e pelos de todos os homens?
3. "O zelo pela tua casa me devora" (Jo. 2,17) Celebro a Missa segundo os ritos e as normas estabelecidas, com autêntica motivação, com os livros litúrgicos aprovados? Estou atento às sagradas espécies conservadas no Sacrário, renovando-as periodicamente? Conservo os vasos sagrados com atenção? Uso dignamente todas as vestes sagradas previstas pela Igreja, tendo presente que atuo in persona Christi Capitis?
4. "Permanecei em meu amor" (Jo. 15,9) Causa-me alegria permanecer diante de Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento, em minha meditação e silenciosa adoração? Sou fiel à visita diária ao Santíssimo Sacramento? O meu tesouro é o Sacrário?
5. "Explica-nos a parábola" (Mt. 13,36) Faço diariamente a minha meditação, com atenção e procurando superar qualquer tipo de distração que me separe de Deus, buscando a luz do Senhor, a quem sirvo? Medito assiduamente a Sagrada Escritura? Recito atentamente as minhas orações habituais?
6. É necessário "orar sempre, sem desfalecer" (Lc. 18,1) Celebro quotidianamente a Liturgia das Horas integralmente, dignamente, atentamente e devotamente? Sou fiel ao meu compromisso com Cristo nesta dimensão importante do meu ministério, orando em nome de
toda a Igreja?
7. "Vem e segue-me" (Mt. 19,21) Nosso Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro amor da minha vida? Observo com alegria meu compromisso de amor a Deus na continência celibatária? Detive-me conscientemente em pensamentos, desejos ou atos impuros; tive conversas inconvenientes? Coloquei-me em ocasião próxima de pecado contra a castidade? Procuro guardar a vista? Fui imprudente ao tratar as diversas categorias de pessoas? A minha vida representa, para os fiéis, um testemunho do fato de que a pureza é possível, fecunda e alegre?
8. "Quem tu és?" (Jo. 1,20) Encontro elementos de fraqueza, preguiça e fragilidade em minha conduta habitual? As minhas conversas estão de acordo com o sentido humano e sobrenatural que um sacerdote deve ter? Estou atento para que não se introduzam em minha vida elementos superficiais ou frívolos? Sou coerente, em todas as minhas ações, com a minha condição de sacerdote?
9. "O Filho do homem não há onde repousar a cabeça" (Mt. 8,20) Amo a pobreza cristã? Coloco meu coração em Deus e sou desapegado interiormente de todo o resto? Estou disposto a renunciar, para melhor servir a Deus, às minhas comodidades atuais, aos meus projetos pessoais, aos meus afetos legítimos? Possuo coisas supérfluas, fiz gastos desnecessários ou me deixo levar pela ânsia do comodismo? Faço o possível para viver os momentos de repouso e de férias na presença de Deus, recordando que sou sacerdote sempre e em todo lugar, também nestes momentos?
10. "Escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revel aste aos pequenos" (Mt. 11,25) Existem em minha vida pecados de soberba: dificuldades interiores, suscetibilidade, irritação, resistência a perdoar, tendência ao desencorajamento, etc.? Peço a Deus a virtude da humildade?
11. "Imediatamente, saiu sangue e água" (Jo. 19, 34) Tenho a convicção de que, ao agir « na pessoa de Cristo », sou diretamente envolvido no próprio Corpo de Cristo, a Igreja? Posso dizer sinceramente que amo a Igreja e que sirvo com alegria ao seu crescimento, as suas causas, cada um de seus membros e toda a humanidade?
12. "Tu és Pedro" (Mt. 16,18) Nihil sine episcopo – nada sem o bispo – dizia Santo Inácio de Antioquia: estas palavras são a base do meu
ministério sacerdotal? Recebi docilmente as indicações, conselhos ou correções do meu Ordinário? Rezo especialmente pelo Santo Padre, em plena união com os seus ensinamentos e intenções?
13. "Amai-vos uns aos outros" (Jo. 13,34) Tenho vivido com diligência a caridade ao tratar com os meus irmãos sacerdotes ou, ao contrário, desinteresso-me deles por egoísmo, apatia ou frieza? Tenho criticado os meus irmãos no sacerdócio? Tenho estado junto daqueles que sofrem pela enfermidade física ou pelas dores morais? Vivo a fraternidade afim de que ninguém esteja só? Trato todos os meus irmãos sacerdotes e também aos fiéis leigos com a mesma caridade e paciência de Cristo?
14. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo. 14,6) Conheço profundamente os ensinamentos da Igreja? Os assimilo e transmito fielmente? Sou consciente de que ensinar o que não corresponde ao Magistério, solene ou ordinário, é um grave abuso, que causa dano às almas?
15. "Vai e não tornes a pecar" (Jo. 8,11) O anúncio da Palavra de Deus leva os fiéis aos sacramentos. Confesso -me com regularidade e com
freqüência, de acordo com o meu estado e com as coisas santas que trato? Celebro generosamente o sacramento da reconciliação? Sou amplamente disponível à direção espiritual dos fiéis, dedicando a isto um tempo específico? Preparo com desvelo a minha pregação e a minha catequese? Prego com zelo e com amor de Deus?
16. "Chamou os que ele quis. E foram a ele" (Mc. 3,13) Estou atento a descobrir os sinais das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada? Preocupo -me em difundir entre todos os fiéis uma maior consciência da chamada universal à santidade? Peço aos fiéis para que rezem pelas vocações e pela santificação do clero?
17. "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir" (Mt. 20,28) Tenho procurado doar-me aos outros na vida de cada dia, servindo evangelicamente? Manifesto a caridade do Senhor através de minhas obras? Na Cruz, vejo a presença de Jesus Cristo e o triunfo do amor? Dou ao meu dia-a-dia a marca do espírito de serviço? Considero o exercício da autoridade ligada ao ofício uma forma imprescindível de serviço?
18. "Tenho sede" (Jo. 19,28) Tenho efetivamente rezado e me sacrificado com generosidade pelas almas que Deus me confiou? Cumpro os meus deveres pastorais? Tenho solicitude pelas almas dos fiéis defuntos?
19. "Eis o teu filho. Eis a tua mãe" (Jo. 19,26-27) Acudo cheio de esperança à Santíssima Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes, para amar e fazer com que amem mais ao seu Filho Jesus? Cultivo a piedade mariana? Reservo um espaço a cada dia para o Santo Rosário? Recorro à sua materna intercessão na luta contra o demônio, a concupiscência e o mundanismo?
20. "Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito" (Lc. 23,44) Sou solícito em assistir e administrar os sacramentos aos moribundos? Considero a doutrina da Igreja sobre os Novíssimos em minha meditação pessoal, na catequese e na pregação ordinária? Peço a graça da perseverança final e convido os fiéis a fazerem o mesmo? Sufrago freqüente e devotamente as almas dos fiéis defuntos?
Mas Bento XVI claramente deseja ver esta questão resolvida. Sem imposições, mas instando os bispos a preparar o clero e os fiéis, com uma catequese apropriada, para uma mudança que deve ocorrer inevitavelmente.
As Igrejas de várias nações do mundo estão restaurando na Missa, uma após a outra, as palavras da consagração do cálice tiradas literalmente dos Evangelhos e usadas por séculos mas, nas últimas décadas, substituídas por uma tradução diferente.
Enquanto o texto tradicional na versão latina original ainda diz: "Hic est enim calix sanguinis mei […] qui pro vobis et pro multis effundetur," as novas fórmulas pós-conciliares leram no "pro multis" um imaginário "pro omnibus". E, ao invés de "por muitos", traduziram por "por todos".
Ainda no último período do pontificado de João Paulo II, algumas autoridades vaticanas, incluindo Joseph Ratzinger, tentaram renovar a fidelidade nas traduções ao "pro multis". Mas sem sucesso. Bento XVI resolveu cuidar disso pessoalmente. Prova disso está na carta que ele escreveu no último dia 14 de abril aos bispos da Alemanha.
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