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Habemus Papam! Sua Santidade Papa Francisco


Habemus Papam!

Queridos irmãos e amigos,
É com grande fé que acolhemos o novo Romano Pontífice, o Santo Padre o Papa Francisco.

Embora ainda o conheçamos pouco, desde já exercitamos a fé e nele reconhecemos Pedro. Que ele receba a graça de realizar a missão que o Senhor lhe confiou de confirmar a nossa fé, na fé dos Apóstolos.

Por isto, rezemos.

Jesus, Nosso Senhor, cobri com a proteção do vosso divino Coração o nosso Santíssimo Padre Papa Francisco e sede sua luz, sua força e seu consolo.

V. Oremos pelo nosso Sumo Pontífice Francisco.
R. O Senhor o conserve, vivifique e beatifique na terra, e não o entregue nas mãos de seus inimigos. Amém.

Padre Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

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Habemus Papam!


A fumaça branca finalmente saiu. Já não temos mais dúvida. Habemus Papam. Na hora da Misericórdia, os sinos da Basílica de São Pedro nos avisam da chegada do novo Vigário de Cristo, aquele que, por amar Jesus, tem a missão de apascentar suas ovelhas. Venha, Doce Cristo na Terra. Os fiéis católicos o aguardam.

Tags: Papa, Conclave

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As três lições de Deus para este Conclave


Cardeais durante a missa Pro Eligendo Summo Pontifice

A Basílica de São Pedro deu espaço mais uma vez à procissão vermelha dos príncipes da Igreja. A cor recorda o sangue dos mártires, sobretudo de Pedro, de quem se escolherá o sucessor, neste momento grave para história dos cristãos. A fumaça branca, que anuncia a escolha do novo papa, pode sair a qualquer momento. A hora, no entanto, ainda é um mistério. E é assim que deve ser, como tudo aquilo que pertence aos desígnios de Deus. Apesar das quedas de seus membros e dos muitos escândalos que são repetidos a todo instante, é Cristo, o Supremo Pastor, quem governa a sua Igreja, e não a vontade daqueles que a compõem.

Os meios de comunicação, entretanto, insistem no contrário. Por isso, não é surpreendente ler matérias que tragam especulações maledicentes sobre o Conclave. Para uma imprensa sem visão espiritual, a escolha de um Papa não passa de uma disputa de poder. Eles medem a Igreja pela própria régua. E é assim que os jornais não têm o mínimo pudor de se comportarem quase como uma Capela Sistina paralela, a todo momento emitindo suas fumaças sobre o próximo sucessor de São Pedro. Engana-se, portanto, quem presta ouvidos aos seus sinais. Não é a Cristo que pertence a fumaça da imprensa, mas a um outro. Mas o que esperar de uma mídia que não perde sequer uma oportunidade para humilhar e cuspir no rosto da Igreja as imoralidades das quais ela - a imprensa - é a primeira defensora?

A renúncia de Bento XVI deu aos católicos três lições. A primeira pôde ser extraída na última Missa pública que celebrou, na Basílica de São Pedro. Na primeira leitura, o profeta Joel alertava para a necessidade da oração em conjunto, diante do iminente perigo (Joel 2, 12). Uma leitura providencial, dada às circunstâncias hodiernas. Se a Igreja Católica quiser ser fiel a Deus, se os cristãos quiserem realmente servir o Senhor, devem prostar-se juntos para clamar a misericórdia, ou terão de escutar da boca dos gentios: "Onde está o seu Deus?" O escarnecimento público da fé católica feito pela mídia nesses dias mostra o quanto os membros da Igreja ainda precisam se unir e rezar. Não é diante de uma TV que um católico precisa estar, mas prostrado perante um Sacrário!

A segunda lição foi dada na última aparição pública de Bento XVI, data da sua renúncia. A liturgia de 28 de fevereiro meditava a leitura do livro do Profeta Jeremias: "Maldito o homem que confia no homem"(Jr 17, 5). O cristão sabe em quem depositou sua fé. Ela não está sujeita a pessoas, opiniões ou intrigas, mas tem um único fundamento do qual decorre todo o resto: Jesus Cristo. Portanto, crer na santidade da Igreja significa crer na presença permanente de Deus no mundo, por meio da encarnação de seu Filho e de sua continuidade no Corpo místico, que é a própria Igreja. Por isso, apesar dos ataques midiáticos, apesar das ofensas, apesar dos escândalos, a indefectibilidade da Igreja se mantém intacta, pois não provém de mãos humanas, provém de Deus.

Penitente reza pelo Conclave

Por fim, mas não menos importante, a terceira lição foi ensinada nesta manhã, na Missa "Pro Eligendo Summo Pontifice". As leituras falavam sobre a missão do Messias e, por conseguinte, da missão do seu servo, que é o Papa. "Este é o meu mandamento: que vós ameis uns aos outros, como eu vos amei" (Jo 15,12). O amor deve estar no cerne de toda a ação cristã. É pelo amor que surge a verdadeira evangelização e é só por ele que os cristãos poderão viver no perdão, mesmo acuados pelas perseguições e pelo ódio dos inimigos da cruz. Assim, recordou o Cardeal Angelo Sodano, "a atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas" (cfr Jo 10,15). E só dá a vida pelo irmão quem vive um amor enraizado na verdade.

E o que é um amor enraizado na verdade? Uma solidariedade, uma filantropia somente? Não! É aquele amor que leva o ser humano a se pôr no lugar do outro e a amá-lo mesmo antes de conhecê-lo. A cidade de Roma, neste sentido, é o melhor lugar para representar essa família feita de estranhos que, ao mesmo tempo, são tão conhecidos, pois fazem parte de uma única família, filhos de um mesmo Pai. Todos unidos à espera da grande alegria, do "Habemus Papam". Por isso todos rezam, todos se prostram, todos se dobram diante do Senhor.

São essas lições que formam o tripé da esperança dos católicos para o Conclave que se inicia. A Igreja não está abandonada, não está sujeita a mãos e opiniões humanas, mas está sustentada pela ação Divina que age através das orações dos milhões de fiéis que se unem para rezar. A imprensa não reza, não escuta! E é por isso que ela só consegue enxergar "crise" onde os católicos vêm Deus. A cruz também pareceu uma crise para os que escarneciam de Cristo, mas logo ela se revelou o caminho da salvação. Que os católicos vejam a cruz desse Conclave pelos olhos da fé, não do ceticismo.

Balcão central da Basílica de São Pedro pronto com as cortinas vermelhas para a primeira bênção do novo Papa

Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere

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À espera da fumaça branca


A partir de amanhnã o mundo estará com os olhos atentos para o telhado da Capela Sistina

Terminou nesta manhã, na Sala nova do Sínodo, a última Congregação Geral dos cardeais antes do início do Conclave. Ao todo foram realizadas 10 congregações. Estiveram presentes no encontro 152 cardeais. Dentre as atividades da reunião, foram feitos os sorteios que definiram os membros da Congregação particular, grupo formado pelo Cardeal Camerlengo Tarcisio Bertone e mais três prelados. A Congregação particular é responsável por assessorar o Colégio Cardinalício. Foram escolhidos para a equipe o Cardeal Antonios Naguib, pela Ordem dos Bispos; Cardeal Marc Ouellet, pela Ordem dos Presbíteros, e o Cardeal Francesco Monterisi, pela Ordem dos Diáconos. Caso o Conclave não tenha um desfecho dentro de três dias, novos sorteios deverão ser feitos para escolha de outros cardeais.

A "Missa Pro Eligendo Romano Pontifice" será celebrada na Basílica de São Pedro, nesta terça-feira, às 10h locais. Estima-se que a Missa dure quase duas horas. A entrada será livre para todos os fiéis que conseguirem entrar na Basílica. De acordo com o portal de notícias do Vaticano, a Missa será presidida pelo Cardeal Decano Angelo Sodano e concelebrada por todos os cardeais. A homilia será em italiano.

A partir das 16h30, terá início a procissão dos cardeais da Capela Paulina até a Capela Sistina. Logo após, os purpurados farão o juramento e será proclamado o "extra omnes", hora em que todas as pessoas que não participarão do Conclave sairão e a Capela Sistina será fechada. Os cardeais darão início às meditações, que será dirigida pelo Cardeal Prosper Grech, e depois seguiram para a eventual primeira votação. Segundo o porta voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, as cédulas das votações serão queimadas após o término dos escrutínios da manhã e da tarde. Sendo assim, os horários das fumaças nas chaminés possivelmente serão entre 10hs30min e 11hs na parte da manhã e entre 17hs30min e 18hs (horário de Roma) na parte da tarde.

Caso o novo papa seja eleito na primeira votação da manhã ou na primeira da tarde, a fumaça branca sairá da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina, no meio da manhã ou no meio da tarde. Na eleição do Papa Bento XVI, Ratzinger foi eleito na primeira votação da tarde e a fumaça apareceu somente após as 17 horas locais.

Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere

Tag: Conclave

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As urnas do Conclave


Com a aproximação da data de início do Conclave, cresce a curiosidade acerca de como ele será posto em prática. Pensando nisso, um conjunto de objetos chama a atenção: as urnas em que serão depositados os votos dos Cardeais.

Durante muito tempo, o costume era de que as cédulas fossem recolhidas num cálice ou num vaso fechado (píxide), em seguida, eram depositados num outro recipiente e queimados. Esse modo, porém, não contemplava os votos daqueles Cardeais que, por motivo de doença, não estavam presentes na Capela Sistina.

Em 1996, com a publicação da Constituição Apostólica “Universi Dominici Gregis” pelo Bem-aventurado João Paulo II, também os Cardeais enfermos e impossibilitados de se deslocarem até a Sistina se tornaram obrigados a votar. Eles podem permanecer na Casa Santa Marta (alojamento oficial dos Cardeais durante o Conclave), pois seus votos serão recolhidos numa urna especial por uma espécie de comissão de Cardeais especialmente designados para este fim. Por isso houve a necessidade da confecção de uma urna que atendesse às exigências de segurança.

Assim, no ano 2000, o Papa João Paulo II solicitou ao artista italiano Ceco Bonanotte que criasse não só uma urna para o recolhimento dos votos dos Cardeais enfermos, mas um conjunto que pudesse ser utilizado também dentro da Capela Sistina. Em 2005, o conjunto de três urnas foi usado pela primeira vez, na eleição de Bento XVI.

As peças criadas por Cecco Bonanotte, que foi o responsável também por forjar as portas do Museu do Vaticano no ano 2000, foram feitas em prata e bronze dourado. Elas têm a forma oval e, respectivamente, 67, 50 e 40 cm de diâmetro.

Cada uma tem sua própria função: uma serve para recolher os votos dos Cardeais enfermos, outra para receber os votos dos Cardeais presentes na Sistina e outra para transportar os votos dos Cardeais para o local onde serão queimados, denominado salamandra, após terem sido recontados. Esta última possui cinco anéis sobrepostos na base e, na parte superior, uma pequena imagem de Jesus Cristo, o Bom Pastor. Em todas se vêem desenhos representando a simbologia católica.

As urnas permanecerão sobre altar específico, posicionado defronte ao afresco de Michelangelo que representa Jesus como o Juiz Universal. O Cardeal eleitor, escolhido pela ordem de precedência, escreve o nome do seu escolhido, dobra a cédula duas vezes e, empunhando-a de forma visível aos demais dirige-se até o altar, onde já se encontram três escrutinadores.

Ali, com o voto em mão, pronunciará o seguinte juramento: “Invoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me há de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito” e, em seguida, deposita o voto na urna apropriada.

Conforme já foi dito, para que os Cardeais recolhidos à Casa Santa Marta possam votar, são sorteados três representantes para irem até lá recolher os votos. Antes de saírem da Capela Sistina, esses Cardeais abrem a pequena urna para confirmar que está mesmo vazia. Ela é trancada à vista de todos e a chave fica sobre o altar.

Após os enfermos colocarem seus votos na urna pequena, os três Cardeais retornam para a Sistina, onde os votos são transferidos dessa para a urna na qual foram colocados as cédulas dos demais Cardeais. O primeiro escrutinador agita a urna diversas vezes.

Depois da contagem e recontagem dos votos, as cédulas são transportadas, conforme já foi dito até a salamandra a fim de serem queimados. Caso não tenha sido alcançado os dois terços dos votos necessários a fumaça produzida será de cor preta. Mas, caso o novo Pontífice tenha sido eleito, sairá da chaminé instalada na Capela Sistina a fumaça branca.

Como se vê, as urnas são importantes posto que receberão os votos do Colégio Cardinalício, o qual, sob os auspícios do Juiz Universal elegerá, diante de Deus, o novo Sucessor de Pedro.

Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências e informações:

  1. Universi Dominici Gregis
  2. Conclave: Recolher e queimar os votos

Tag: Conclave

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Cardeais definem data para início do Conclave


Capela Sistina pronta para o Conclave

O início do Conclave que elegerá o novo Sumo Pontífice da Igreja Católica já tem data marcada: 12 de março. A informação foi dada nesta tarde, 08/03, pela Sala de Imprensa do Vaticano. Segundo o Padre Federico Lombardi, a tradicional missa Pro Eligendo Pontifice será celebrada pela manhã e à tarde, os cardeais ingressarão na Capela Sistina. A data foi definida pelo Colégio Cardinalício, durante a oitava congregação geral realizada na tarde de hoje, às 17h (13 hs horário do Brasil).

Um forte esquema de segurança deverá ser preparado para impedir que informações vazem durante as votações na Capela Sistina. A medida visa, principalmente, evitar o que ocorreu em 2005, quando um cardeal alemão avisou a imprensa sobre a decisão dos cardeais por Joseph Ratzinger. Uma televisão alemã acabou noticiando a escolha do novo papa, antes do famoso "Habemus Papam" do cardeal protodiácono.

Durante as reuniões pré-conclave, o uso de celulares será proibido e a rede sem fio desativada. O movimento dos cardeais eleitores entre a Casa de Santa Marta e da Capela Sistina também serão monitorados. O risco é de um vazamento de notícias via meios tecnológicos.

115 cardeais farão a escolha do novo papa, a maioria nomeada por Bento XVI. A idade dos prelados está na média de 72 anos, sendo o Cardeal alemão Walter Kasper o mais velho do grupo, com 80 anos completos em 5 de março. A Itália é o país com o maior número de cardeais eleitores, 28. Logo após tem-se Estados Unidos, com 11 cardeais eleitores e Alemanha com 6. Já Espanha e Brasil terão 5 cardeais representantes na Capela Sistina.

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Oração é a necessidade mais urgente ante Conclave, diz Arcebispo de Boston


O Arcebispo de Boston (Estados Unidos), Cardeal Sean Patrick O’Malley, assinalou que a oração é a necessidade mais urgente da Igreja e de todos os católicos ante o início do Conclave no qual se escolherá o novo Papa.

Em entrevista concedida ontem ao grupo ACI o Cardeal, que será um dos 115 que escolherá o sucessor de Bento XVI, afirmou que "a necessidade mais urgente neste momento é a oração para que o Espírito Santo nos ilumine".

"Isto tem que ser como a novena antes de Pentecostes para que o Espírito Santo se derrame entre nós para que possamos encontrar nosso novo Pedro que poderá confirmar nossa fé e ajudar-nos a encontrar o caminho que chega ao Pai".

Para o Cardeal norte-americano, o mais importante que devem fazer os fiéis católicos em todo o mundo é "rezar com muita fé e buscar cumprir com nosso dever de ser porta-vozes do Evangelho, buscar viver a Nova Evangelização convidando outros a seguir a Cristo".

Depois de comentar que sua reação ao saber da renúncia de Bento XVI foi de incredulidade como o Apóstolo Tomé, mas que logo se transformou em confiança na decisão do agora Papa Emérito, o Cardeal O’Malley disse que estes dias prévios ao Conclave são "muito importantes porque nos dão uma oportunidade de conhecer-nos melhor e compartilhar informação sobre a situação da Igreja em distintas partes do mundo".

"Também nos permitem falar do governo da Igreja e das características que deveríamos procurar em um possível candidato para o papado. Além disso, estão presentes os que têm mais experiência e uma sabedoria que compartilham conosco que estamos entrando pela primeira vez em um conclave".

O Arcebispo de Boston disse ao grupo ACI que o ambiente espiritual destes dias das congregações gerais "é como um retiro espiritual. Nesta mesma tarde recebemos uma conferência espiritual do Padre Raniero Cantalamessa (pregador da Casa Pontifícia) porque a atmosfera tem que ser de oração, de reflexão profunda e de uma busca da vontade de Deus".

Sobre os desafios da Igreja, o Cardeal referiu-se às relações com o mundo muçulmano, à perseguição que sofrem os católicos, ao governo do Vaticano em relação à Igreja universal, entre outros.

"São muitos os desafios que o novo Papa terá que enfrentar. Inclusive a crise do abuso sexual que é algo que nos tem muito preocupados e o Santo Padre terá que enfrentar o assunto", explicou.

O Cardeal disse também que o enche de esperança a realização da próxima Jornada Mundial da Juventude no Rio do Janeiro (Brasil) onde se espera que quatro milhões de pessoas se encontrem com o novo Papa.

"Cristo sempre está com a Igreja e sempre vamos adiante com a graça de Deus".

"Nossa fé é causa de alegria e deveríamos estar sempre agradecidos pelas bênçãos que estamos recebendo", assegurou.

Fonte: ACI/EWTN Noticias

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Os desafios do novo Papa


Cardeais reunidos na primeira Congregação Geral

O pontificado do Papa Bento XVI ficará marcado, sobretudo, pela luta contra o que chamou de "ditadura do relativismo". O grande fio condutor de seu magistério foi a busca pela unidade entre a fé e a razão. Duas palavras quase que antagônicas em um mundo cada vez mais hostil à religião. Numa época dominada pelo ceticismo e pelo secularismo, falar de Deus e de sua vontade não é uma tarefa fácil, mesmo para um teólogo da envergadura de Joseph Ratzinger. O que torna o legado do papa alemão ainda mais vigoroso, dada à qualidade e originalidade dos seus pronunciamentos. Se por um lado, os percalços encontrados durante esses oito anos tenham retardado, em certo sentido, o projeto de Bento XVI, por outro, o novo pontífice contará com um imenso patrimônio deixado por seu predecessor. Uma arma valiosa na luta contra a mundanização do cristianismo.

O início do novo pontificado já promete algumas tribulações. Mesmo antes do Conclave começar, a cúria romana precisou lidar com as pressões vindas da mídia, principalmente para que se eleja um cardeal alinhado aos seus "padrões". A situação rendeu uma intervenção do Cardeal Camerlengo Tarcísio Bertone, que acusou os meios de comunicação de tentar manipular a opinião pública, "muitas vezes com base em avaliações que não colhem o aspecto tipicamente espiritual do momento que a Igreja está vivendo". Por outro lado, dentro do colégio cardinalício também há questões pendentes. O relatório do caso Vatileaks, um dos episódios mais conturbados da era Ratzinger, pode pesar na decisão dos cardeais, embora o Papa Emérito tenha decidido manter os documentos em sigilo até a posse do novo pontífice.

As Congregações Gerais que precedem o Conclave começaram hoje, 04/03. Neste período, os cardeais poderão, além de meditar e rezar pelo futuro da Igreja e pelo próximo papa, conversar entre si a respeito das diversas situações delicadas vividas nos últimos anos: A reforma litúrgica, a relação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, os escândalos de pedofilia, a desobediência do clero e o diálogo com as demais religiões. Questões que não tiveram um desfecho durante o pontificado de Bento XVI, apesar dos inúmeros avanços. Pesa sobre o novo pontífice o dever de enfrentá-las.

Todavia, os casos citados acima não são os únicos problemas que o Santo Padre terá de resolver. O obscurecimento da razão humana é, provavelmente, a maior chaga da sociedade moderna. A perda do sentido da vida, a relativização do matrimônio entre um homem e uma mulher, o avanço das seitas sobre a religiosidade do povo, a perseguição aos cristãos nos países orientais e as leis contrárias à moral católica das nações ocidentais devem causar grandes preocupações. Certamente, a situação não é das melhores. Diante dos ouvidos moucos dos governantes e de uma sociedade pós-cristã, a Igreja parece ser a única a apelar para o juízo e para a natureza do ser humano.

Por fim, não se pode perder de vista também que a Igreja é a Igreja do martírio. Neste sentido, vale lembrar uma pequena reflexão do cardeal americano, Dom Francis Eugene George - Arcebispo de Chicago - feita para os padres de sua Arquidiocese sobre o futuro da Igreja: "Eu espero morrer na cama, meu sucessor morrerá na prisão e o seu, num martírio em praça pública. E o seu sucessor juntará os cacos de uma sociedade arruinada e lentamente ajudará a reconstruí-la, como inúmeras vezes fez a Igreja na história humana". Esse será o trabalho dos próximos papas: reconstruir a civilização!

Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere