Na data de seu onomástico, Papa Francisco recorda São Jorge e condena atitudes de fiéis que fazem a separação entre Cristo e a Igreja.
O Papa Francisco voltou a condenar a tendência de se separar a fé em Jesus Cristo da pertença à Igreja. Numa época marcada pela indiferença religiosa, as palavras do Santo Padre soaram como um duro golpe no slogan moderno "Jesus sim, Igreja não". Para Francisco, isso "é uma dicotomia absurda". As palavras do Papa foram proferidas nesta manhã, durante a homilia da Missa que celebrou na Capela Paulina, por ocasião de seu onomástico, São Jorge.
Apesar do alerta de Francisco, é comum encontrar pessoas que pensam dessa maneira. Já o Papa Pio XII denunciava essa recusa à Igreja como algo diabólico. O Santo Padre elencava os três "nãos" do diabo: o primeiro era à Igreja, o segundo a Cristo e o terceiro ao próprio Deus. Uma verdade que salta aos olhos, sobretudo quando se analisa as tantas e tantas teologias que se afastaram do Magistério dos Santos Padres: acabaram inventando um Jesus muito distante daquele do Evangelho.
A Igreja é, por excelência, o lugar comum e legítimo para profissão da fé. Tanto é verdade que o Papa Paulo VI se expressou desta forma na Encíclica Evangelii Nuntiandi: "é ela (a Igreja) que tem a tarefa de evangelizar. E essa tarefa não se realiza sem ela e, menos ainda, contra ela". Ora, se a Igreja é o Corpo de Cristo, de que maneira se pode amar a Cristo e não o seu Corpo? Por conseguinte, Paulo VI se recordava das Palavras do próprio Senhor para lamentar por aqueles que renunciam a Igreja, a pretexto de uma fé "independente": "Quem vos rejeita é a mim que rejeita".
E de fato, aqueles que renunciaram aos ensinamentos da Igreja acabaram por renunciar ao próprio Deus. Pensa-se em um Cristo histórico de várias faces: o hippie, o comunista, o revolucionário, o reformador, o moralista. Mas em nenhum se encontra a face real do Bom Pastor. Não são o Cristo do Evangelho, mas o Cristo feito à imagem e semelhança de seus ideólogos. Um Cristo sem fé, sem cruz e, portanto, sem redenção. Não é por menos que o Papa Francisco abominou as interpretações ideológicas do Evangelho, tachando-as de "falsificações":
"Toda interpretação ideológica, de qualquer parte vier, é uma falsificação do Evangelho. E esses ideólogos – como vimos na história da Igreja – acabam por se tornar intelectuais sem talento, moralistas sem bondade. Nem falemos de beleza, porque disso eles não entendem nada".
Assim como ensinou o Papa Francisco, não pode existir fé em Cristo se não existir fé na Igreja. Não se trata de imperialismo religioso ou dogmatismo, mas simples fidelidade e coerência com a vontade de Deus. Aqueles que não reconhecem isso, não são capazes de reconhecer mais nada. E não é de se impressionar. Para isso, bastam as palavras de G.K. Chesterton: "Não me intimido com um jovem cavalheiro dizer que ele não pode submeter seu intelecto ao dogma, pois duvido que ele alguma vez tenha usado seu intelecto o suficiente para definir o que seja um dogma."
Neste sentido, a missão do católico é resgatar "o dom da força cristã, o mesmo que teve São Jorge quando deixou o uniforme militar para vestir o uniforme da fé", disse o Santo Padre recordando seu onomástico. Assim, o site padrepauloricardo.org, além de celebrar com toda Igreja essa data especial para o Papa Francisco, gostaria de reforçar esse convite do Pontífice para que o fiel católico tenha a coragem de vivenciar a sua fé em total comunhão com a Igreja, ou seja, com o Sucessor de São Pedro.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
Há oito anos subia ao Trono de Pedro um dos maiores papas da história da Igreja
O dia de hoje, 19 de abril de 2013, recorda uma data especial. Há oito anos se iniciava o pontificado de Bento XVI, como ele mesmo iria se definir, o "pobre e humilde servo da vinha do Senhor". Palavras estranhas para um mundo cada vez mais mergulhado na autossuficiência e no orgulho. Mas, passado todo esse tempo, o que ninguém pode negar é que Joseph Ratzinger realmente foi pobre e humilde, mesmo sendo quem era: o Arcebispo de uma Arquidiocese, o Prefeito de uma Congregação importante, o Papa. Na verdade, o que ele era, de fato, se resume nestas poucas palavras: um servo que fez o que deveria fazer (Lc 17, 10).
Joseph Ratzinger nunca foi do agrado da mídia. Não era alguém ávido por aplausos. Aliás, sempre criticou aqueles que o buscavam por pura "hipocrisia religiosa". O estimado teólogo se preocupava mais com Deus e com a melhor maneira de servi-lo. E por isso, não hesitava em agir contra sua vontade para fazer a de Seu Senhor. Não é de se espantar, por conseguinte, que diria aos seus colegas da Congregação para Doutrina da Fé a respeito da sua eleição como Bispo de Roma, que lhe acontecera o mesmo que Jesus dissera a Pedro: "Virás o dia em que serás conduzido a um lugar que não queres ir"(Jo 21, 18).
É claro que um homem assim causaria espanto no mundo, sobretudo naqueles seduzidos pelo prurido de escutar novidades (II Tm 4, 3). Quem se opõe ao erro está sujeito ao escarnecimento público, ao martírio da ridicularização. E isso foi o que menos faltou na vida de Ratzinger. Nazista, cardeal panzer, homofóbico, reacionário. A lista de calúnias é imensa. Todas vindas de um grupo que quer a Igreja prostrada diante do mundo, quando, na verdade, é o mundo que precisa se prostrar, pois é ele que está sujo pela miséria do pecado, da imundice, da podridão, da crise da queda do Éden. É o mundo que necessita da Igreja e dos seus Sacramentos.
Durante esses gloriosos oito anos de pontificado, poucos puderam perceber a grandeza e, ao mesmo tempo, a pequenez por detrás daquela batina branca. Bento XVI representa claramente o paradoxo do Cristianismo, comentado por Chesterton em sua "Ortodoxia". Todas aquelas vestes sacerdotais que enchiam os olhos dos que acompanhavam suas Missas, escondiam um homem de hábitos simples e humildes. Bento XVI sabia que tudo aquilo não era para ele, mas para um Outro:
"Se a Igreja deve continuar a converter, a humanizar o mundo, como pode, na sua liturgia, renunciar à beleza, que é unida de modo inseparável ao amor e, ao mesmo tempo, ao esplendor da Ressurreição? Não, os cristãos não devem se contentar facilmente, devem continuar fazendo de sua Igreja o lar do belo, portanto do verdadeiro, sem o que o mundo se torna o primeiro círculo do inferno". [1]
Bento XVI em visita a Inglaterra em setembro de 2010
Durante suas viagens, sempre antecedidas de grandes barulhos da mídia anticlerical, Bento XVI tinha o dom de desarmar a qualquer um e fazê-los escutar. David Cameron, primeiro-ministro inglês, diria acerca da visita do Santo Padre ao Reino Unido em 2010 que "o Papa falou para um país de seis milhões de católicos, mas foi ouvido por 60 milhões de cidadãos". Vargas Llosa, Nobel de Literatura e agnóstico confesso, iria mais longe. Sobre a Jornada Mundial da Juventude em Madrid, Espanha, teria a humildade de reconhecer que foram dias "em que Deus parecia existir".
Bento XVI na Jornada Mundial da Juventude 2011 em Madri
Bento XVI na Fazenda da Esperança
Mas foi no Brasil, na sua visita à Fazenda da Esperança, um centro de recuperação de dependentes químicos, localizado na cidade de Guaratinguetá-SP, que Bento XVI surpreenderia a todos. Sem avisar a equipe de segurança, o Santo Padre decidiu abrir caminho entre um público de 2 mil pessoas, dentre os quais, ex-traficantes, drogados, prostitutas e criminosos, para abraçá-los e abençoá-los. O gesto fez com que o ex-dependente químico Antônio Eleutério Neto dissesse que Bento XVI era "um homem de uma humildade muito grande, muito próximo de Deus, que desarmou a todos com o seu sorriso."
Esse é o Papa Bento XVI. O homem da Palavra de Deus que evangelizou a todos através de seus gestos e discursos. Certamente, seu Ministério Petrino ficará marcado na história da Igreja recente como um dos mais importantes e fecundos para a espiritualidade cristã. Desde a sua contribuição teológica às suas ações pastorais. Que as próximas gerações possam encontrar neste tesouro deixado pelo Papa Emérito uma bússola segura para suas dúvidas e conflitos. Obrigado, Papa Emérito Bento XVI.
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
Referência
- (1) MESSORI, Vittorio. "A Fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga." Ed. Epul, São Paulo, 1985. p. 95-97.
Uma megacobertura. Não há outra palavra para definir o volume de informação a respeito da Igreja Católica. A surpreendente renúncia de Bento XVI, os bastidores do conclave, o impacto da eleição do primeiro pontífice da América Latina e a próxima Jornada Mundial da Juventude, encontro do papa Francisco com os jovens, em julho no Rio de Janeiro, puseram a Igreja no foco de todas as pautas.
A cobertura do Vaticano é um case jornalístico que merece uma análise técnica. Algumas patologias, evidentes para quem tem olhos de ver, estiveram presentes em certas matérias da imprensa mundial: engajamento ideológico, escassa especialização e pouco preparo técnico, falta de apuração, reprodução acrítica de declarações não contrastadas com fontes independentes e, sobretudo, a fácil concessão ao jornalismo declaratório.
Poucos, por exemplo, se aprofundaram no verdadeiro sentido da renúncia de Bento XVI e na qualidade de seu legado. O papa emérito, intelectual de grande estatura e homem de uma humildade que desarma, sempre foi julgado com o falso molde de um conservadorismo exacerbado. Mas, de fato, foi o grande promotor da realização do Concílio Vaticano II, o papa que mais avançou no diálogo com o mundo islâmico, o pontífice que empunhou o bisturi e tratou de rasgar o tumor das disputas internas de poder e o câncer dos desvios sexuais.
Sua renúncia, um gesto profético e transgressor, foi um ato moderno e revolucionário. Bento XVI não teve nenhum receio de mostrar ao mundo um papa exausto e sem condições de governar a Igreja num período complicado e difícil. Foi sincero. Até o fim. Ao mesmo tempo, sua renúncia produziu um vendaval na consciência dos cardeais. A decisão, inusual nas plataformas de poder, foi a chave para o início da urgente e necessária reforma da Igreja. O papa emérito, conscientemente afastado das bajulações e vaidades humanas e mergulhado na sua oração, está sendo uma alavanca de renovação da Igreja.
Nada disso, no entanto, apareceu na cobertura da mídia. Faltaram profundidade, análise séria, documentação. Ficamos, todos, focados nos boatos, nas intrigas, na ausência de notícia. Falou-se, diariamente, do relatório dos cardeais ao papa emérito denunciando supostos escândalos no Vaticano. Mas ninguém na mídia, rigorosamente ninguém, teve acesso ao documento. Os jornais, no entanto, entraram de cabeça no mundo conspiratório. Suposições, mesmo prováveis, não podem ganhar o status de certeza informativa.
Escrevia-me, recentemente, um excelente jornalista. "Acordei hoje cedo, li os jornais e me perguntei: sou só eu a me indignar muito com a proliferação de 'informações' inverificáveis, oriundas de fontes off the record ou de documentos 'sigilosos' sobre os quais não há nenhum outro dado que permita verificar sua realidade e consistência? Ninguém se questiona sobre tantos 'furos', 'obtidos' por jornalistas que escrevem a distância 'reportagens' tão nebulosas, redigidas em uma lógica claramente sensacionalista? Ninguém mais se preocupa com a checagem de informações, com a credibilidade das fontes?" Assino embaixo do seu desabafo.
A enxurrada de matérias sobre abuso sexual na Igreja é outro bom exemplo desses desvios. Setores da mídia definiram os abusos com uma expressão claramente equivocada: "pedofilia epidêmica". Poucos jornais fizeram o que deveriam ter feito: a análise objetiva dos fatos. O exame sereno, tecnicamente responsável, mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos ocorridos é muitíssimo menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade. O conhecido sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num período de várias décadas, apenas cem sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto 6 mil professores de Educação Física sofriam condenação pelo mesmo delito. Na Alemanha, desde 1995, existiram 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas ao clero, menos de 0,2%. Por que só nos ocupamos das 300 denúncias contra a Igreja? Mas e as outras 209 mil? Trata-se, como já afirmei, de um escândalo seletivo.
Claro que alguns representantes da Igreja - padres, bispos e cardeais - têm importante parcela de culpa. Na tentativa de evitar escândalos públicos, esconderam um problema que é inaceitável. Acresce a tudo isso o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. O novo pontífice precisa enfrentar a batalha da comunicação. E o papa Francisco dá toda a impressão de que está decidido a estabelecer um diálogo direto e produtivo com a imprensa. O desejo de se reunir com os jornalistas na grande sala de audiência Paulo VI foi muito sugestivo.
A Igreja, com sua história bimilenar e precedentes de crises muito piores, é um fenômeno impressionante. E, obviamente, não é um assunto para ser tocado com amadorismo, engajamento ou preconceito. A má qualidade da cobertura da Igreja é, a meu ver, a ponta do iceberg de algo mais grave. Reproduzimos, frequentemente, o politicamente correto. Não apuramos. Não confrontamos informações de impacto com fontes independentes. Ficamos reféns de grupos que pretendem controlar a agenda pública. Mas o jornalismo de qualidade não pode ficar refém de ninguém: nem da Igreja, nem dos políticos, nem do movimento gay, nem dos fundamentalistas, nem dos ambientalistas, nem dos governos. Devemos, sim, ficar reféns da verdade e dos fatos.
Há espaço, e muito, para o bom jornalismo. Basta cuidar do conteúdo e estabelecer metodologias e processos eficientes de controle de qualidade da informação.
Fonte: Estadão | Autor: Carlos Alberto de Franco - doutor em Comunicação pela Unversidade de Navarra e diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais
Após um breve tempo de Sé Vacante, a Cátedra de Pedro está novamente ocupada. A Santa Igreja de Deus tem mais um Papa, um novo sucessor de São Pedro, chefe do colégio dos Apóstolos.
"Qui sibi nomen impusuit Franciscum - Que escolheu para si o nome de Francisco!". O anúncio do Cardeal Protodiácono pegou a todos de surpresa. O novo Pontífice tomaria o nome do "Poverello" de Assis! Eis aí uma notícia que certamente faz ressoar as cordas do coração dos fieis católicos e neles faz brotar uma grande esperança. O grande Francisco de Assis! O santo que recebeu do Senhor Crucificado a missão de restaurar a Igreja, numa época em que ela se encontrava em grandes crises, tanto morais quanto espirituais.
Não há duvida que também nós nos encontramos num época de grandes crises. O filósofo Eugen Rosenstock-Huessy define tanto a crise quanto a guerra como doenças da linguagem. Faz guerra a sociedade que é incapaz de ouvir o inimigo. Vive em crise a sociedade que tornou-se incapaz de falar ao amigo.
Nossa sociedade está em crise porque milhares de jovens acorrem à geração anterior e esperam um conselho, uma palavra amiga. "Mestre, o que devo fazer para alcançar a Vida?" Mas quem envelheceu adorando ídolos mortos, já não é capaz de falar aos amigos mais jovens, pois transformou-se naquilo que sempre adorou: um ídolo morto. Acorrentada pela "ditadura do relativismo" a geração que deveria fazer o papel de mãe e mestra, já não sabe ensinar. Já não sabe exercer aquela suprema caridade que é dizer a Verdade.
Nosso Papa porém não parece sofrer desta mesma crise, desta mudez opressora. Em sua primeira homilia, Papa Francisco, como bom timoneiro da barca de Pedro, desvia da "onda" do pluralismo religioso e faz soar a voz da Igreja mãe e mestra.
"Se não confessarmos Jesus Cristo, vai dar errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. [...] Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do diabo, o mundanismo do demônio".
É isto mesmo, o novo Papa não tem medo de fazer referências ao Pai da mentira. E, num tempo em que mais e mais pregadores vão se transformando em "inimigos da Cruz de Cristo" (Fil 3, 15) o Santo Padre recorda que o caminho da Igreja não se trilha sem a cruz. Comentando o evangelho da confissão de São Pedro, ele recorda que falar de Cristo sem a cruz é uma tentação diabólica. "Quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos com Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor". O Santo Padre encorajou a todos os membros da Igreja para que caminhem e edifiquem "a Igreja com o Sangue do Senhor que derramou sobre a Cruz".
Nestes meses que nos separam da visita do Santo Padre à Terra da Santa Cruz, fazemos votos que esta sua palavra seja recebida por esta nova geração e por toda a Igreja.
Teria esta sua homilia assumido um caráter programático para todo o seu pontificado? Ainda não o sabemos. Mas num mundo onde a mudez, a omissão da Verdade e o politicamente correto é a ordem do dia, não deixa de ser uma grande consolação ouvir ecoar mais uma vez, na voz do Supremo Pastor, a voz da Igreja mãe e mestra: "nós anunciamos Cristo crucificado!" (1Cor 1,23).
Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere
Habemus Papam!
Queridos irmãos e amigos,
É com grande fé que acolhemos o novo Romano Pontífice, o Santo Padre o Papa Francisco.
Embora ainda o conheçamos pouco, desde já exercitamos a fé e nele reconhecemos Pedro. Que ele receba a graça de realizar a missão que o Senhor lhe confiou de confirmar a nossa fé, na fé dos Apóstolos.
Por isto, rezemos.
Jesus, Nosso Senhor, cobri com a proteção do vosso divino Coração o nosso Santíssimo Padre Papa Francisco e sede sua luz, sua força e seu consolo.
V. Oremos pelo nosso Sumo Pontífice Francisco.
R. O Senhor o conserve, vivifique e beatifique na terra, e não o entregue nas mãos de seus inimigos. Amém.
Padre Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.
Capela Sistina pronta para o Conclave
O início do Conclave que elegerá o novo Sumo Pontífice da Igreja Católica já tem data marcada: 12 de março. A informação foi dada nesta tarde, 08/03, pela Sala de Imprensa do Vaticano. Segundo o Padre Federico Lombardi, a tradicional missa Pro Eligendo Pontifice será celebrada pela manhã e à tarde, os cardeais ingressarão na Capela Sistina. A data foi definida pelo Colégio Cardinalício, durante a oitava congregação geral realizada na tarde de hoje, às 17h (13 hs horário do Brasil).
Um forte esquema de segurança deverá ser preparado para impedir que informações vazem durante as votações na Capela Sistina. A medida visa, principalmente, evitar o que ocorreu em 2005, quando um cardeal alemão avisou a imprensa sobre a decisão dos cardeais por Joseph Ratzinger. Uma televisão alemã acabou noticiando a escolha do novo papa, antes do famoso "Habemus Papam" do cardeal protodiácono.
Durante as reuniões pré-conclave, o uso de celulares será proibido e a rede sem fio desativada. O movimento dos cardeais eleitores entre a Casa de Santa Marta e da Capela Sistina também serão monitorados. O risco é de um vazamento de notícias via meios tecnológicos.
115 cardeais farão a escolha do novo papa, a maioria nomeada por Bento XVI. A idade dos prelados está na média de 72 anos, sendo o Cardeal alemão Walter Kasper o mais velho do grupo, com 80 anos completos em 5 de março. A Itália é o país com o maior número de cardeais eleitores, 28. Logo após tem-se Estados Unidos, com 11 cardeais eleitores e Alemanha com 6. Já Espanha e Brasil terão 5 cardeais representantes na Capela Sistina.
Cardeais reunidos na primeira Congregação Geral
O pontificado do Papa Bento XVI ficará marcado, sobretudo, pela luta contra o que chamou de "ditadura do relativismo". O grande fio condutor de seu magistério foi a busca pela unidade entre a fé e a razão. Duas palavras quase que antagônicas em um mundo cada vez mais hostil à religião. Numa época dominada pelo ceticismo e pelo secularismo, falar de Deus e de sua vontade não é uma tarefa fácil, mesmo para um teólogo da envergadura de Joseph Ratzinger. O que torna o legado do papa alemão ainda mais vigoroso, dada à qualidade e originalidade dos seus pronunciamentos. Se por um lado, os percalços encontrados durante esses oito anos tenham retardado, em certo sentido, o projeto de Bento XVI, por outro, o novo pontífice contará com um imenso patrimônio deixado por seu predecessor. Uma arma valiosa na luta contra a mundanização do cristianismo.
O início do novo pontificado já promete algumas tribulações. Mesmo antes do Conclave começar, a cúria romana precisou lidar com as pressões vindas da mídia, principalmente para que se eleja um cardeal alinhado aos seus "padrões". A situação rendeu uma intervenção do Cardeal Camerlengo Tarcísio Bertone, que acusou os meios de comunicação de tentar manipular a opinião pública, "muitas vezes com base em avaliações que não colhem o aspecto tipicamente espiritual do momento que a Igreja está vivendo". Por outro lado, dentro do colégio cardinalício também há questões pendentes. O relatório do caso Vatileaks, um dos episódios mais conturbados da era Ratzinger, pode pesar na decisão dos cardeais, embora o Papa Emérito tenha decidido manter os documentos em sigilo até a posse do novo pontífice.
As Congregações Gerais que precedem o Conclave começaram hoje, 04/03. Neste período, os cardeais poderão, além de meditar e rezar pelo futuro da Igreja e pelo próximo papa, conversar entre si a respeito das diversas situações delicadas vividas nos últimos anos: A reforma litúrgica, a relação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, os escândalos de pedofilia, a desobediência do clero e o diálogo com as demais religiões. Questões que não tiveram um desfecho durante o pontificado de Bento XVI, apesar dos inúmeros avanços. Pesa sobre o novo pontífice o dever de enfrentá-las.
Todavia, os casos citados acima não são os únicos problemas que o Santo Padre terá de resolver. O obscurecimento da razão humana é, provavelmente, a maior chaga da sociedade moderna. A perda do sentido da vida, a relativização do matrimônio entre um homem e uma mulher, o avanço das seitas sobre a religiosidade do povo, a perseguição aos cristãos nos países orientais e as leis contrárias à moral católica das nações ocidentais devem causar grandes preocupações. Certamente, a situação não é das melhores. Diante dos ouvidos moucos dos governantes e de uma sociedade pós-cristã, a Igreja parece ser a única a apelar para o juízo e para a natureza do ser humano.
Por fim, não se pode perder de vista também que a Igreja é a Igreja do martírio. Neste sentido, vale lembrar uma pequena reflexão do cardeal americano, Dom Francis Eugene George - Arcebispo de Chicago - feita para os padres de sua Arquidiocese sobre o futuro da Igreja: "Eu espero morrer na cama, meu sucessor morrerá na prisão e o seu, num martírio em praça pública. E o seu sucessor juntará os cacos de uma sociedade arruinada e lentamente ajudará a reconstruí-la, como inúmeras vezes fez a Igreja na história humana". Esse será o trabalho dos próximos papas: reconstruir a civilização!
Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere
O encerramento do pontificado de Bento XVI foi marcado por um ato que pôs em evidência um dos muitos personagens do Vaticano: a Guarda Suíça Pontifícia. Coube a ela cerrar as portas do Palácio Apostólico de verão, em Castel Gandolfo, onde o agora Papa Emérito passará os próximos dois meses. Após esse gesto, depôs as armas e foi substituída pela Gendarmaria (Corpo de Polícia do Estado do Vaticano). Mas, uma pergunta ficou no ar: quem são esses homens cuja função é cuidar da segurança do Papa?
Por volta de 1505, o então Papa Julio II pediu ao monarca da Suíça que lhe mandasse um grupo de homens para fazer a sua segurança pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 homens suíços, comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, escolhidos entre os mais fortes, robustos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, adentraram ao Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde foram abençoados por aquele Pontífice.
Encarregados de garantir a segurança do Papa, enfrentaram em 06 de maio de 1527 a mais sangrenta batalha, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil homens pertencentes ao exército de Carlos V, o qual guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um grupo de mil homens do exército inimigo batalhou contra a Guarda do Papa, em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços lutaram bravamente e 108 deles morreram no combate, mas, para comprovar sua coragem e dedicação, das fileiras contrárias tombaram 800 dos mil invasores. Além disso, fizeram uma espécie de cordão de isolamento em torno do Papa Clemente VII, levando-o em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.
Recruta levanta os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento.
Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice. Assim, é evidente que para ser admitido ao corpo da Guarda é necessário que o candidato passe por um rigoroso processo de seleção. Os principais requisitos são:
- Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
- Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
- Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
- Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
- Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
- Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
- Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
- Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.
A Guarda Suíça tem diversas atribuições, dentre elas, prestar segurança às inúmeras autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, assistir o Papa durante as suas viagens apostólicas e também em suas aparições públicas na Praça de São Pedro. Por isso, nem sempre estão trajados com o uniforme pelo qual são reconhecidos. Muitas vezes estão à paisana, como guarda-costas e misturam-se à multidão, utilizando equipamentos de segurança de última geração. Tudo para garantir a segurança do Pontífice. Hoje ela é composta por 109 membros, sendo cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.
O uniforme é outro aspecto interessante da Guarda Suíça e pelo qual são reconhecidos. Imputa-se o seu desenho original a Michelangelo, mas o modelo atual foi redesenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. Elaborado em malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, é composto de meias que aderem às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada e a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas.
Trata-se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora, de maneira inegável, seja curioso para os tempos atuais. Por causa disso, chama a atenção dos peregrinos católicos que visitam o Vaticano. No site oficial da Guarda Suíça Pontifícia existe um campo para que os peregrinos enviem suas fotos tiradas com os guardas na Praça de São Pedro.
No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:
"Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços."
A cena da qual a Guarda Suíça fez parte no dia da renúncia de Bento XVI (28/02/2013) retrata perfeitamente o espírito que a move e que deveria servir de exemplo para todos os católicos: servir à Igreja e ao Sumo Pontífice até o fim. Até o último segundo.
Guarda Suiça se prepara para o final do pontificado de Bento XVI acompanhada pelos jornalistas do mundo inteiro
Autor: Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
- Site oficial da Guarda Suíca
- Homilia do Papa Bento XVI na solene concelebração eucarística por ocasião do V Centenário da Guarda Suíça Pontifícia