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O filme religioso mais inesperado de 2018
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O filme religioso
mais inesperado de 2018

O filme religioso mais inesperado de 2018

Quem assistir ao suspense “Um lugar silencioso” irá se surpreender com um filme religioso, que apresenta o silêncio, a simplicidade, a oração e o cuidado recíproco como meios para afugentar os “monstros” de nossa época.

Dom Robert Barron,  Catholic World ReportTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Abril de 2018
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Fui assistir a “Um lugar silencioso” (A Quiet Place), o novo suspense do diretor John Krasinski, sem absolutamente nenhuma expectativa de encontrar temas teológicos ou espirituais. Tudo o que eu queria era uma noite de lazer no cinema.

Mas que maravilha quando um filme nos surpreende! Eu não sei se serei capaz de encontrar o fio de ouro que liga todos esses temas e os transforma em uma mensagem coerente, mas só uma pessoa muito cega para não perceber as inúmeras ideias religiosas desse filme cativante. (As linhas a seguir contêm revelações sobre o enredo do filme.)

O bispo norte-americano Robert Barron, autor desta crítica.

A estrutura básica da narrativa é apresentada em traços simples e rápidos. Uma praga terrível de criaturas ferozes e famintas desceu sobre a terra. De onde são os monstros? Do espaço sideral, talvez? Isso não se sabe — o que torna a história ainda mais interessante. As poucas pessoas que sobreviveram ao holocausto aprenderam que as criaturas em questão, mesmo sendo cegas, possuem uma audição extraordinariamente aguçada. Por isso, a chave para a sobrevivência está no silêncio.

Nossa atenção se volta para a família Abbot, dois jovens pais e três crianças pequenas, percorrendo silenciosamente seu caminho em meio a um território aberto, cheio de beleza, mas ao mesmo tempo muito perigoso. Quando o filho caçula acende um foguete de brinquedo, fazendo com que um barulho rompa o silêncio, uma das criaturas o devora pouco antes de que seu pai aterrorizado possa salvá-lo.

O filme avança vários meses mais tarde, com os Abbots (inglês para “abade”: coincidência?) conduzindo suas vidas de um modo que só se pode qualificar de monástico: nenhuma conversa além de sussurros, linguagem elaborada de sinais, trabalho silencioso com livros e nos campos, oração em silêncio mas notavelmente fervorosa antes do jantar etc. (Devo confessar que esse último gesto, tão ausente dos filmes e da televisão hoje em dia, pegou-me de surpresa.) Dadas as terríveis exigências do momento, qualquer entretenimento eletrônico, com aparelhos e máquinas, ou ferramentas que façam barulho, estão fora de questão. A agricultura deles é manual, a pescaria se faz com aparatos nada modernos, e até o caminhar é feito a pés descalços.

Mas, coisa admirável de se contemplar, nessa atmosfera orante, silenciosa e cheia de dificuldades, mesmo com a ameaça de morte sempre à espreita, o que floresce é uma família generosa e sacrificada. Os pais dão cuidado e proteção a seus filhos, e o irmão e a irmã sobreviventes são solícitos tanto um para com o outro quanto em relação a seus pais. A jovem garota chega regularmente a arriscar a própria vida para prestar tributo silencioso a seu irmão falecido no lugar em que ele foi morto.

Monstros e criaturas animalescas nos filmes de terror mais reflexivos evocam aquelas coisas que mais nos amedrontam: doença, fracasso, nossa própria maldade e também a morte. É admirável ver um filme de Hollywood sugerindo a necessidade, para afugentar a escuridão em nosso tempo, do silêncio, da simplicidade, do retorno à terra, da oração e do cuidado recíproco.

O drama central de “Um lugar silencioso” é o fato de a senhora Abbott estar esperando um filho. A família inteira se dá conta, é claro, que naquelas circunstâncias uma criança chorando significaria morte certa para todos eles. Mesmo assim, eles decidem não matar o filho quando ele nasce, mas sim escondê-lo e emudecer seus choros de várias formas.

Quando tantos em nossa cultura desejam matar os próprios filhos por razões as mais banais, quando a lei em muitos lugares concede ampla proteção até aos abortos com nascimento parcial, quando pessoas dizem tranquilamente que jamais colocariam um filho em um mundo tão terrível, a família monástica desse filme acolhe a vida, mesmo vivendo no pior dos mundos, mesmo quando tal atitude representa para eles um perigo supremo.

Quando o bebê se encontra prestes a nascer, a mãe se vê sozinha (assista ao filme para saber os detalhes) e na mais vulnerável das situações, pois uma das criaturas acaba de invadir a casa da família. Assim que ela entra em trabalho de parto, o monstro faminto fica à espreita. Imediatamente me veio à mente a cena no livro do Apocalipse, quando a Virgem Maria sofre dores do parto, enquanto o dragão espera pacientemente para devorar-lhe o filho (cf. Ap 12, 2ss).

Enquanto a “abadessa” se esforça para dar à luz, o “abade” sai à procura de seus filhos em perigo e, no fim, se depara com os dois presos em um carro abandonado, com um dos monstros arranhando a cobertura para pegá-los, como o Tiranossaurus Rex em “Jurassic Park”. Depois de dizer através de sinais: “Eu amo você, eu sempre amei você” a sua filha, emocionada através da janela do carro, o pai dá um grito, trazendo o monstro para si mesmo.

Esse ato de amor que se esvazia de si próprio, e que serve para livrar seus filhos do perigo, é uma bela alusão às especulações dos Padres da Igreja a respeito da morte de Jesus, o qual, em seu ato de auto-sacrifício na cruz, atraiu os poderes das trevas para o campo aberto, afastando-os da humanidade, que permanecia sob seu domínio. Em linhas semelhantes, em um trabalho ímpar de enredo (ou Providência) comparável à eficácia do sacrifício de Cristo, fica claro, após a morte do pai, que ele havia deixado para sua família os meios através dos quais os monstros podiam ser derrotados.

Eu realmente não faço ideia se todas ou algumas dessas ideias estavam na mente do diretor, mas sei, pela página de John Krasinski no Wikipédia, que ele é filho de pais católicos, um polonês e uma irlandesa, e que foi criado como praticante devoto de sua fé. Por isso, até que se demonstre definitivamente o contrário, eu mantenho que “Um lugar silencioso” é o filme religioso mais inesperado de 2018.

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Bispos anglicanos querem ideologia de gênero em suas liturgias
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Bispos anglicanos querem
ideologia de gênero em suas liturgias

Bispos anglicanos querem ideologia de gênero em suas liturgias

Diretriz pastoral recém-publicada pela Igreja da Inglaterra orienta sacerdotes a oferecer cerimônias parecidas com o batismo para pessoas transgêneras e suas “novas identidades”.

Doug Mainwaring,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Dezembro de 2018
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A Igreja Anglicana, a maior denominação cristã no Reino Unido, está evitando chamar sua recém-instituída bênção para “transgêneros” de um “segundo batismo”, mas a orientação é para que seus sacerdotes ofereçam cerimônias parecidas com o sacramento para aqueles que anunciarem sua nova identidade sexual.

Em uma diretriz pastoral publicada nesta semana, o clero anglicano é orientado a chamar os homens por seus novos nomes femininos, e as mulheres por seus novos nomes masculinos. O documento declara: “O rito do ministro de se dirigir à pessoa trans usando pela primeira vez o nome que ela escolheu, pode ser um momento poderoso na liturgia”.

“Deve-se notar que o ato de dar ou adotar um novo nome tem uma longa história na tradição judaico-cristã, atestada pela Escritura”, diz o documento. “Em alguns círculos cristãos, por exemplo, existe o costume de os fiéis adotarem um nome adicional ou o nome de um santo no momento de sua confirmação.”

O clero também é aconselhado a respeitar os pronomes do gênero escolhido pela pessoa, ainda que eles não correspondam à realidade.

Denominado Afirmação da Fé Batismal, o rito convida as pessoas já batizadas e confusas com o próprio gênero a “renovarem publicamente os compromissos firmados no batismo e dá a possibilidade, aos que passaram por uma grande transição, de dedicarem novamente suas vidas a Jesus Cristo”.

Para as pessoas “transgêneras” ainda não batizadas e que procuram ingressar na Igreja da Inglaterra, a nova orientação descreve o batismo como o “contexto litúrgico natural para reconhecer e celebrar-lhes a identidade”.

Ao invés de criar um novo sacramento, os bispos anglicanos estão recomendando que o já existente sacramento do batismo e a afirmação dos votos batismais sejam deformados não apenas para acomodar mas também para celebrar a disforia de gênero dentro de suas igrejas.

A diretriz emitida pela Casa Episcopal da Igreja Anglicana na terça-feira (11) adverte os pastores a imporem as mãos sobre o fiel e a rezar usando o novo nome de transgênero por ele escolhido. Os pastores também são orientados a incorporar a esse rito a aspersão de água benta e a unção com óleo consagrado.

Andrea Minichiello Williams, chefe-executiva da organização evangélica Christian Concern e leiga membro do Sínodo Geral da Igreja Anglicana, criticou a nova orientação, dizendo que se trata de uma continuação da “trajetória devastadora [da instituição] rumo a uma franca negação de Deus e de sua Palavra”.

“A finalidade do batismo é configurar uma pessoa a Jesus, quando ela começa uma vida no seguimento dEle”, defende Andrea. “Usar uma afirmação do batismo para celebrar uma transição de gênero vira isso de ponta cabeça e encoraja as pessoas a seguirem seus próprios sentimentos e a viverem com identidades contrárias ao modo como Deus as criou.”

Não é sinal de amor desviar as pessoas — e, mais amplamente, a sociedade — para os mitos e as falsidades da ideologia de gênero”, ela concluiu.

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O impressionante martírio de Santa Luzia
Santos & Mártires

O impressionante
martírio de Santa Luzia

O impressionante martírio de Santa Luzia

Popularmente conhecida como protetora dos olhos, Santa Luzia deu um belo testemunho de pureza antes de ser martirizada e “só rendeu o espírito depois que alguns sacerdotes lhe deram o Corpo do Senhor”.

Beato Tiago de Varazze12 de Dezembro de 2018
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O nome Luzia (ou Lúcia) vem de lux, “luz”. A luz é bonita de se ver porque, segundo Ambrósio, ela está por natureza destinada a ser graciosa para a visão. Ela se difunde sem se sujar, por mais sujos que sejam os lugares em que se projeta. Seus raios seguem linha reta, sem a menor curva, e sem demora ela atravessa imensas extensões.

Daí ser apropriado o nome de Luzia para aquela virgem bem-aventurada que resplandece com o brilho da virgindade sem a mais ínfima mácula, que difunde calor sem nenhuma mescla de amor impuro, que vai direto a Deus sem o menor desvio, que sem hesitação e sem negligência segue em toda sua extensão o caminho do serviço divino. Lúcia também pode vir de lucis via, “caminho da luz”.

Lúcia, virgem de Siracusa, de origem nobre, ouvindo falar por toda a Sicília da fama de Santa Ágata, foi até o túmulo dela com a mãe, Eutícia, que havia quatro anos sofria de hemorragias sem esperança de cura. Naquele dia, lia-se na Missa a passagem do Evangelho na qual se conta que o Senhor curou uma mulher que padecia a mesma doença (cf. Mt 9, 20-22; Mc 5, 25-29; Lc 8, 43-48).

“Martírio de Santa Luzia”, atribuído a Elisabetta Sirani.

Lúcia disse então à mãe: “Se acreditas no que foi lido, deves crer que Ágata está na presença dAquele por quem ela sofreu. Portanto, tocando o túmulo dela com fé, logo estarás completamente curada.”

Quando todo o povo partiu, mãe e filha ficaram orando perto do túmulo. O sono apossou-se de Lúcia, que viu diante dela, de pé, Ágata rodeada de anjos e ornada de pedras preciosas dizendo-lhe: “Minha irmã Lúcia, virgem toda devotada a Deus, por que pedes a mim o que tu mesma podes conseguir, neste instante, para tua mãe? Fica sabendo que ela acaba de ser curada pela fé.”

Lúcia despertou e disse: “Mãe, tu estás curada. Em nome daquela por quem acabas de obter a cura, peço-te que não me procures um esposo, e que meu dote seja distribuído aos pobres.” Respondeu a mãe: “Depois que eu fechar os olhos, tu podes dispor de teus bens como quiseres”. Lúcia replicou: “Se me dás alguma coisa ao morrer, é porque não podes levá-la contigo; dá-me enquanto estás viva e serás recompensada.”

Voltando para casa, passaram todo o dia a vender uma parte dos bens, distribuindo o dinheiro aos pobres. A notícia da partilha do patrimônio chegou aos ouvidos do noivo, e ele perguntou a razão daquilo à mãe de Lúcia. Esta respondeu que sua filha havia encontrado um investimento mais rentável e mais seguro, daí estar vendendo seus bens.

O insensato, crendo tratar-se de um comércio plenamente humano, passou a colaborar na venda daqueles bens, buscando os melhores negócios. Quando soube que tudo o que fora vendido tinha sido dado aos pobres, o noivo levou-a à justiça, diante do cônsul Pascásio, acusando-a de ser cristã e de violar as leis imperiais.

Pascásio convidou-a a sacrificar aos ídolos, mas ela respondeu: “O sacrifício que agrada a Deus é visitar os pobres e prover às suas necessidades, mas como não tenho mais nada a dar, ofereço a Ele a mim mesma.”

Pascásio retorquiu: “Poderias dizer essas coisas a um cristão insensato como tu, mas a mim, que executo os decretos dos príncipes, é inútil argumentar assim.”

Lúcia rebateu: “Tu executas as leis de teus príncipes; eu executo a lei do meu Deus. Tu temes os príncipes, eu temo a Deus. Tu não gostarias de ofendê-los; eu evito ofender a Deus. Tu desejas agradá-los; eu anseio ardentemente agradar a Cristo. Faz então o que julgares útil para ti, e eu farei o que sei que me será bené­fico.”

Pascásio replicou: “Tu dilapidaste teu patrimônio com uns depravados e agora falas como uma meretriz.” Lúcia retrucou: “Pus meu patrimônio num lugar seguro e nunca conheci os que depravam espírito e corpo.”

Pascásio perguntou-lhe: “Quem são esses corruptores?” Lúcia respondeu: “Os que corrompem o espírito são vós, que aconselhais as almas a abandonarem o Criador. Os que corrompem o corpo são os que preferem os gozos corporais às delí­cias eternas.” Pascásio ameaçou-a: “Vais parar de falar quando começares a ser fustigada”, zo que Lúcia respondeu prontamente: “As palavras de Deus nunca terão fim.”

“Então tu és Deus?”, perguntou-lhe Pascásio. “Eu sou escrava do Deus que disse: quando estiverdes em presença de reis e de juízes, não vos preocupeis com o que dizer. Não sereis vós a falar, pois o Espírito Santo falará por vós” (Mc 13, 11), respondeu Lúcia. “Então o Espírito Santo está em ti?”, tornou Pascásio. “Os que vivem em castidade são templos do Espírito Santo”, respondeu-lhe.

Pascásio afirmou: “Então vou mandar que te levem a um lupanar, para que sejas violada e percas o Espírito Santo.” Lúcia: “O corpo só se corrompe se o coração consentir. Se fizeres com que eu seja violentada, será contra minha vontade e ganharei a coroa da pureza. Jamais terás meu consentimento. Eis meu corpo, ele está disposto a toda sorte de suplícios. Por que hesitas? Começa a me atormentar, filho do diabo.”

Então Pascásio mandou vir uns depravados, aos quais disse: “Convidai o povo todo e torturai-a até a morte.” Mas quando quiseram levá-la, o Espírito Santo a fez ficar imóvel e tão pesada que não conseguiram forçá-la a se mover. Pascásio mandou chamar mil homens e amarrar seus pés e suas mãos, mas eles não foram capazes de movê-la de modo algum. Aos mil homens ele acrescentou mil parelhas de bois, mas a virgem do Senhor permaneceu imóvel. Então convocou feiticeiros para movê-la com seus sortilégios, mas eles nada conseguiram.

Pascásio então perguntou: “Que malefícios são esses? Por que uma moça não é movida por mil homens?” Lúcia respondeu: “Não são malefícios, e sim benefícios de Cristo. E ainda que acrescentasses dez mil homens, tu não me verias menos imóvel.” Acreditando Pascásio na opinião segundo a qual se poderia livrar uma pessoa de malefícios jogando urina sobre ela, mandou que se fizesse isso com Lúcia, mas ela continuou sem se mover.

Furioso, Pascásio mandou acender em torno dela uma grande fogueira e jogar em seu corpo óleo fervente, misturado com pez e resina. Depois desse suplício, Lúcia exclamou: “Obtive uma trégua no meu martírio para que os crentes não tenham medo de sofrer e os incré­dulos tenham mais tempo para me insultar.”

Vendo Pascásio irritadíssimo, seus amigos enfiaram uma espada na garganta de Lúcia, que apesar disso não perdeu a palavra: “Eu vos anuncio que a paz foi restituída à Igreja, porque hoje Maximiano acaba de morrer e Diocleciano, de ser expulso do seu reino. Da mesma forma que minha irmã Ágata foi eleita protetora da cidade de Catânia, assim também fui eleita guardiã de Siracusa.”

Enquanto a virgem assim falava, chegaram uns funcionários romanos que prenderam Pascásio, agrilhoaram-no e levaram-no ao César, pois este ficara sabendo que ele tinha saqueado toda a província. Chegando a Roma, Pascácio compareceu diante do Senado, foi declarado culpado, condenado à pena capital e executado.

Quanto à virgem Lúcia, não foi tirada do lugar em que sofrera e só rendeu o espírito depois que alguns sacerdotes lhe deram o Corpo do Senhor. Então todos os presentes disseram: Amém. Ela foi sepultada naquele mesmo lugar, onde foi construída uma igreja. Seu martírio ocorreu no tempo de Constantino e de Maxêncio, por volta do ano 310 do Senhor.

Referências

  • Jacopo de Varazze, Legenda áurea: vidas de santos. Trad. de Hilário Franco Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, pp. 77-80.

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Rezar pelo telefone ou pelo breviário?
Liturgia

Rezar pelo telefone ou pelo breviário?

Rezar pelo telefone ou pelo breviário?

Que problema pode haver em usar um breviário eletrônico? Entenda nesta reflexão por que, embora “seja muito prático rezar com um breviário no próprio telefone ou no tablet”, os livros litúrgicos têm a sua razão (teológica) de ser.

Mons. Charles Pope,  Community in MissionTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Dezembro de 2018
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É difícil superestimar a conveniência de rezar a Liturgia das Horas com um breviário digital. Ele não é só conveniente: é também de grande ajuda para descomplicar as dificuldades que temos frequentemente na hora de rezar com o livro tradicional. Por exemplo:

  • Os salmos a rezar são os do dia ou do Comum?
  • Usamos o Comum dos Pastores ou o dos Doutores da Igreja?
  • As orações e antífonas das férias do Advento têm preferência sobre as do Santoral?
  • Hoje é Memória ou Festa?

Usar corretamente as fitinhas marca páginas pode ser um desafio, e as complexas “regras” durante a Oitava de Natal são quase um pesadelo.

A disponibilidade desses breviários on-line diminuiu a chance de não conseguirmos rezar a Liturgia das Horas só por não termos à disposição o nosso livro de orações. Hoje em dia não há quase ninguém que não esteja com o celular em mãos.

Logo, que problema pode haver em usar um breviário eletrônico? O problema é a perda de “sacralidade”.

Dizer que algo é “sagrado” indica não somente que se trata de algo santo, mas de algo que foi “separado” para servir a um propósito específico. Por exemplo, os cálices usados na Missa não são copos como quaisquer outros. Eles são separados para um uso especial: conter o Preciosíssimo Sangue de Cristo. Seria um erro utilizá-los em casa para um jantar ou uma festa. Também seria errado usar como cálices para conter o Preciosíssimo Sangue copos comuns trazidos de casa. As coisas sagradas têm normalmente um único uso ou são utilizadas para fins que dizem respeito a Deus e ao culto divino.

Isso também se aplica aos livros e textos sagrados. Via de regra, espera-se que, na liturgia, os sacerdotes leiam as orações e as leituras diretamente dos livros sagrados como o Lecionário, o Evangeliário e o Missal. Especialistas em liturgia e Conferências episcopais costumam torcer o nariz para o uso de livros digitais. Por exemplo, os bispos da Nova Zelândia baniram o uso de iPads como substitutos do Missal durante a liturgia. A explicação é que “os iPads e outros dispositivos eletrônicos admitem uma variedade de usos como, por exemplos, jogar, conectar-se à internet, assistir a vídeos e checar e-mails. “Isso por si só”, decidiram os bispos, “torna inapropriado o uso desses aparelhos na liturgia”.

O Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, é de igual aparecer: “Talvez seja muito prático rezar com um breviário no meu próprio telefone ou tablet; mas não é digno: é dessacralizar a oração”. Não se trata de uma instrução formal do Cardeal, enquanto autoridade oficial na matéria, mas a opinião devia fazer-nos parar para pensar, mesmo se se trata da recitação privada da Liturgia das Horas.

Alguns talvez pensem que objeções como essas são coisa de gente “rigorosa” ou “puritana”. A mim me parece que elas têm algum sentido. Um texto sagrado, como norma geral, merece um livro sagrado onde ele esteja preservado e do qual seja lido.

É claro, normas gerais não são normas absolutas, de modo que pode haver exceções, e algumas até bem generosas, dado o ritmo e a mobilidade da vida moderna, além da suposta necessidade de ter muitas coisas ao alcance de um dedo. Pode ser que você esteja viajando ou queira ter acesso rápido a algumas orações para poder rezar ao longo de um dia atarefado. Talvez a complexidade do Ofício Divino, que pode ser um obstáculo para os leigos com pouca formação litúrgica, possa ser superado com o uso de um aplicativo de celular para rezar sem muitos rodeios.

Mas esforçar-se por proteger a norma geral sobre o uso dos livros sagrados pode ter, certamente, resultados muito valiosos. Quero mencionar apenas dois.

Antes de tudo, reforçamos a ideia de sacralidade, tão desprezada hoje em dia.

Em alguma medida, nossas ações sagradas deviam parecer, ser sentidas e soar como algo sagrado e “posto à parte” das coisas ordinárias. Por exemplo, as igrejas deveriam ser diferentes, soar diferentes e até mesmo ter um cheiro diferente do mundo que as rodeia. A função principal das igrejas é ser um lugar de adoração; por isso, elas não deveriam ter apenas o aspecto de um saguão de eventos.

A liturgia deveria ter em si mesma um caráter sagrado. No passado, isso se enfatizava pelo uso do latim, de estilos próprios de música e por gestos e tons de voz específicos. Muito disso se perdeu hoje em dia, e é muito difícil ou até controvertido tentar recuperá-lo. Mesmo que as línguas vernáculas e um uso mais variado de estilos musicais possam ter o seu lugar, a qualidade de ser “diferente” e “separado”, própria das coisas sagradas da Igreja e da liturgia, reduziu-se gravemente.

Rezar o breviário diretamente dos livros sagrados é um pequeno passo na direção certa. E isso é ainda mais importante na recitação pública do breviário; mas, mesmo na recitação privada, é importante fazer desse tempo sagrado uma experiência que está, ao menos em alguma medida, “separada” das coisas comuns.

Em segundo lugar, ajuda-nos a lembrar que a nossa oração deve ser também sacrifício.

Vivemos numa época em que as pessoas insistem indevidamente em que tudo tem de ser conveniente, fácil e rápido — e, com frequência, ficam indignadas quando as coisas não são assim.

Haverá circunstâncias em que será útil ter acesso imediato aos textos do breviário, mas não nos deveríamos esquecer de que, na mentalidade bíblica, oração e sacrifício andam juntos. A ideia de uma oração sem sacrifício é algo típico do Ocidente moderno. A oração bíblica implicava oferecer um “sacrifício de louvor”. A ação de graças se fazia pelo sacrifício de coisas como frutos e pela libação de vinho e óleo.

Exigir que a adoração seja conveniente, rápida e de “baixo custo” não costuma ser sinal de um coração que transborda de amor (cf. Lc 7, 44-47).

É claro, não queremos com isso que toda oração e adoração se torne tão onerosa e difícil a ponto de desmotivar as pessoas. No entanto, alguns pequenos sacrifícios, como o uso do livro sagrado, mesmo na recitação privada do breviário, podem ser um ato de amor e um modo de contornar esse apego excessivo ao “conveniente”.

Como eu tenho o breviário em mãos todos os dias, sinto como se carregasse comigo todo o Povo de Deus enquanto rezo por ele e pela Igreja Católica. Eu simplesmente não consigo ter essa sensação ao rezar com o meu iPhone.

Muitos mais poderia ser dito, mas isso basta por ora. Por favor, encare essas orientações como normas gerais ou observações; elas não são absolutas. Há exceções, e não devemos presumir que, quem não segue esse modo pensar, é por isso um “ímpio”. Contudo, faríamos muito bem a partir de agora em levar em conta o sentido de nossas mais pequenas ações; isso é parte de uma vida reflexiva.

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“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero
Sociedade

“Definitivamente satânica”: um
exorcista fala da ideologia de gênero

“Definitivamente satânica”: um exorcista fala da ideologia de gênero

Este exorcista está convencido de que “a forma como essa coisa de gênero tem se espalhado é demoníaca”, por mais que as pessoas não enxerguem, ou se recusem a fazê-lo.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Novembro de 2018
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Crianças “treinadas” desde cedo para “descobrir” a própria sexualidade ou questionar o próprio “gênero”, pais punidos pelo Estado por não aceitar que seus filhos recebam a “educação sexual” tendenciosa da escola, programas de TV cada vez mais abertamente ideológicos e pervertidos, inclusive para o público infantil… A lista de investidas que os ideólogos de gênero têm promovido nos últimos anos, em todas as áreas, parece não ter mais fim. Talvez seja necessário, em um futuro próximo, isolar-se numa caverna para escapar à sua influência.

Um episódio recente de promoção dessa agenda — protagonizado pela famosa cantora Celine Dion, cuja posição favorável à família e contra o divórcio já foi elogiada em outros tempos por sítios católicos — acendeu o alerta de muitos para o poder de sedução e de manipulação dessa ideologia. A artista fez campanha para a linha internacional de roupas infantis “NuNuNu”, inaugurando uma marca com a finalidade de “liberar as crianças dos papéis tradicionais de menino e menina”.

Não fosse isso o suficiente, a empresa em questão tem em seu histórico um mural de fotos para lá de controverso, com máscaras sem rosto, espelhos refletindo caveiras, bodes segurando livros infantis, crianças com tatuagens de piratas e anéis sombrios.

Para o monsenhor John Esseff, padre há 65 anos e exorcista experiente, que conversou com a escritora católica Patti Armstrong, colunista de National Catholic Register, “a forma como essa coisa de gênero tem-se espalhado é demoníaca”. O sacerdote exerce seu ministério na diocese de Scranton, no estado norte-americano da Pensilvânia, já foi diretor espiritual de Santa Teresa de Calcutá e ajudou a fundar e dirigir um instituto de formação para exorcistas.

“Quando uma criança nasce”, ele se pergunta, “quais as primeiras coisas que se dizem dela? Que é um menino ou que é uma menina. É a coisa mais natural do mundo de se dizer. Dizer que não há nenhuma diferença, ao contrário, é algo satânico. Eu não sei nem mesmo quantos gêneros deve haver agora, mas há apenas dois criados por Deus.”

Ainda que o demônio esteja em guerra com a humanidade desde o princípio, o padre John destaca que os ataques satânicos neste período da história têm-se tornado mais intensos. “O maligno sente que, de alguma forma, ele pode fazer essas coisas sem ser reconhecido. Ele é um mentiroso, e há grandes mentiras sendo contadas.”

Diante das fortes declarações do exorcista, houve quem sugerisse na internet que religiosos contrários à ideologia de gênero estariam acusando de “satanismo” a cantora Celine Dion. De fato, tanto o comercial quanto a marca apoiada por ela encontram-se repletos de elementos sombrios e perturbadores. Mas, ainda que não fosse o caso, nem por isso a proposta veiculada se tornaria menos perigosa. Muito pelo contrário, quanto mais disfarces usa o demônio, maior o seu poder de infiltração e conquista.

Trata-se, a propósito, de um grande erro da nossa época em relação ao mal: achar que a ação do demônio limita-se a rituais ocultistas, a possessões ou a manifestações malignas evidentes e indisfarçáveis. Não, o que o sacerdote acima está alertando é que Satanás age de modo sutil, muitas vezes “sem ser reconhecido”.

Como consequência de as pessoas não mais acreditarem na Verdade, não mais terem fé na Revelação divina, não mais levarem a sério o Credo e os preceitos da religião cristã, não mais escutarem a Palavra de Deus, elas acabam dando ouvidos às mentiras e ilusões do inimigo de Deus — entre as quais se inclui justamente a ideologia de gênero.

O Papa Bento XVI notou certa vez, com perspicácia, que por trás dessa ideia de que, à parte sua sexualidade como dado natural, o ser humano poderia moldar como bem entendesse o seu “gênero”, está uma “revolução antropológica”, uma noção não só herética de humanidade, mas avessa à própria razão natural. Não estivessem já confundidos pelas ideologias e obstinados em sua malícia, os homens de nossa época seriam facilmente curados com uma simples aula de catequese. Se desde crianças tivessem aprendido que o ser humano é corpore et anima unus — “uno de corpo e alma”, na expressão do Catecismo (n. 362) —, não se deixariam enganar por uma ideia tão maluca e distante tanto do bom senso quanto da realidade das coisas.

Ideias como essa, no entanto, não são apenas “mentirinhas” de mau gosto, contos sem nenhuma influência no dia-a-dia das pessoas… Quantas vidas não foram e não estão sendo “transtornadas”, no sentido mais literal da palavra, por uma teoria supostamente “científica” e com ares de modernidade!

Ponhamos de vez em nossa cabeça: a falta de fé e, com ela, as heresias e apostasias de nosso tempo não são inofensivas, ao contrário do que nossa época liberal tem sido levada a acreditar. Não é preciso invocar espíritos maus ou praticar rituais satânicos para estar a serviço do Anticristo. Na verdade, nunca foi tão fácil pertencer a esse corpo maligno que, “macaqueando” o Corpo místico de Cristo, a Igreja, constrói um verdadeiro império, e de proporções mundiais.

Se Santo Tomás de Aquino já falava, no século XIII, do Anticristo como cabeça dos maus (cf. Suma Teológica, III, q. 8, a. 8), nunca como agora esse organismo teve contornos tão nítidos, tão visíveis e tão… humanos. Na educação, nos governos civis, nos meios de comunicação, o satânico está por toda parte — e a ideologia de gênero é apenas um instrumento, muito poderoso e destruidor, desse sistema perverso.

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