Este curso de História de Igreja tem um grande objetivo: despertar, no coração de cada fiel, um amor intenso pela Igreja Católica. Não se caracterizará por um estudo minucioso de todos os acontecimentos eclesiais em sua história bimilenar, mas será uma tentativa de levar os cristãos católicos a conhecerem mais a sua própria Igreja. Como nos diz Santo Agostinho: ninguém ama aquilo que não conhece
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No mundo contemporâneo, é possível acompanhar um movimento de negação da própria história, especialmente no que diz respeito às raízes culturais, num processo de constante autoafirmação, fruto de uma necessidade de lançar novos alicerces para si e para a sociedade, numa espécie de mentalidade de ruptura: tudo o que veio anteriormente precisa ser negado para que seja possível assumir uma nova forma de viver e ser. Infelizmente, esta mentalidade parece também ter entrado na Igreja Católica, inclusive no coração de muitos ministros que deveriam ser alicerces na defesa da Tradição, da Palavra e dos Sacramentos. Parece que uma mentalidade "adolescente" tomou conta do mundo e da Igreja também: muitos querem ser originais, tanto no mundo, quanto na Igreja.
Esta mentalidade tem sua origem no ano de 1968, mais especificamente no mês de maio. Uma revolução estudantil, de cunho marxista e que teve desdobramentos em vários países do Ocidente, aliada ao movimento hippie, trouxe ao mundo o desejo de romper as ligações com o passado, dando origem a uma geração revoltada, incapaz de aceitar o passado, de aceitar o tradicional como um caminho seguro a ser seguido.
A Igreja, porém, não teve a sua origem num evento dos tempos atuais, muito menos num acontecimento revolucionário do último século. Ela tem mais de dois mil anos de história. O Concílio Vaticano II, por exemplo, não foi o início das atividades da Igreja no mundo. Ele não tem valor de forma isolada, como se fosse a partir dele que a Igreja encontrasse o seu início. Ele é o 21º Concílio da História da Igreja e deve ser lido nesse contexto. Para estudar a História da Igreja é preciso conhecer as raízes que deram origem à Igreja para que se possa responder com certeza: o que é a Igreja?
O intuito desse curso, portanto, não é o de lançar um olhar romântico para o passado da Igreja, idealizando-o e isentando-o de seus limites. Também não é simplesmente o de propor à Igreja a retomada de suas atividades tais e quais eram realizadas antes do Concílio Vaticano II (solução proposta por muitos tradicionalistas para a crise atual). O olhar se voltará para o passado, para as origens da Igreja, há dois milênios, não para que seja idealizado, mas para que se conheça e se conserve a intenção inicial do Senhor Jesus Cristo ao deixar a Igreja para os homens. O objetivo não é defender uma visão ou outra da Igreja, mas a de ser fiel à Igreja que Cristo deixou. Olhar para os Padres da Igreja será, então, um parâmetro de exposição do que é a fé, do que é a Igreja. Neste curso, os Padres apresentarão novamente aos fieis a identidade da Igreja.
Outro pressuposto importante para o estudo da História da Igreja é a fé. Para que o estudo seja frutífero, é necessária a certeza de que a Igreja é um mistério, que extrapola a compreensão humana. Ela é Corpo de Cristo e tem uma realidade muito mais invisível do que visível. Neste sentido, por exemplo, uma multidão invisível de anjos e santos também faz parte da Unidade mística e misteriosa da Igreja. Abordar a História da Igreja sem fé é tratá-la como uma agremiação qualquer de pessoas.







