CNP
Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
A fé mariana dos Papas
Igreja Católica

A fé mariana dos Papas

A fé mariana dos Papas

A insistência da Igreja e dos Papas em indicar aos seus filhos o colo da Mãe brota da firme convicção de que, como ensina São Luís de Montfort, é por Nossa Senhora que Cristo deve reinar no mundo.

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Outubro de 2013
imprimir

Embora o culto à bem-aventurada Virgem Maria esteja presente na Igreja desde os seus primórdios – afinal, como não honrar singularmente aquela mulher que o próprio Senhor escolheu para ser a Mãe de Seu único Filho? –, nos últimos anos, especialmente com as aparições extraordinárias de Nossa Senhora aos jovens Maximin Giraud e Mélanie Calvat, a Santa Bernadete Subirous, a Santa Catarina de Labouré, aos pastorinhos de Fátima e a tantas outras personagens verdadeiramente agraciadas por Deus, cresceu com mais força o amor do povo cristão a Maria Santíssima.

Os Papas dos últimos tempos são particularmente responsáveis por colocar no coração dos fiéis um respeito e devoção cada vez maiores à Virgem. Foi por iniciativa do bem-aventurado Pio IX, em 1854, que se passou a venerar publicamente Nossa Senhora sob o título da "Imaculada Conceição" e foi pela boca do venerável Papa Pio XII que se proclamou, em 1950, o dogma da Assunção de Maria aos céus. E isto só para citar os momentos marianos mais solenes dos últimos pontificados.

De fato, em não poucas ocasiões foi do Pontífice Romano que se ouviu o convite para a récita do Santo Rosário. Só da pena de Leão XIII saíram numerosas encíclicas, recordando ao povo cristão a importância da oração do Santo Terço para o combate contra o mal, a glorificação da Igreja e a santificação dos homens.

As cartas do Papa Pecci eram normalmente escritas dias antes do mês de outubro. Nelas, o Santo Padre lembrava que "o Rosário constitui a mais excelente forma de oração, e o meio mais eficaz para alcançar a vida eterna, visto como, além da excelência das suas orações, ele nos oferece uma sólida defesa da nossa fé e um sublime modelo de virtude, nos mistérios propostos à nossa contemplação" [1]. Aquela que parecia apenas mais uma prática piedosa era fervorosamente recomendada pelo próprio sucessor de São Pedro. Lia-se, nos documentos do vigário de Cristo na Terra, que, "entre as múltiplas formas de piedade para com Maria, a mais estimada e praticada é a, tão excelente, do santo Rosário" [2].

Pedindo aos cristãos que rezassem o Terço também pela volta dos dissidentes à única Igreja de Cristo, Leão XIII negava que o amor a Maria Santíssima pudesse ser ponto de divisão entre aqueles que creem em Jesus. Ele estava convencido de que a unidade da Igreja dependia particularmente da convergência de todos os olhares no olhar da Mãe. "Maria será, escrevia o Pontífice, o feliz laço que, com a sua força, unirá todos aqueles que amam a Cristo, onde quer que estejam, formando deles um só povo de irmãos, prontos a obedecer, como a um pai comum, ao Vigário de Cristo na terra, o Pontífice Romano."

É inútil calar o nome de Nossa Senhora em nome de um mal-entendido ecumenismo, quando é justamente por Sua intercessão que todos poderão, como orava Jesus, ser um só redil, debaixo da autoridade de um só pastor. Foi ela quem, com o seu "sim" à vontade do Altíssimo, gerou a Igreja, Corpo místico de Cristo, e é também por ela que os verdadeiros cristãos serão gerados, até o fim dos tempos.

Foi também ela quem preparou para conduzir a Igreja universal um Pastor segundo o Seu Imaculado Coração – o bem-aventurado João Paulo II. Consagrado totalmente a Ela pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, Wöjtyla nunca escondeu sua grande devoção a Nossa Senhora, chegando a defendê-la inúmeras vezes, com carinho de filho, das acusações dos Seus inimigos, que menosprezam o Seu protagonismo na história da salvação. João Paulo II estava convencido de que "tudo (...) em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado" [3] e que "nunca se honra mais a Jesus Cristo do que quando se honra muito à Santíssima Virgem" [4].

Com o propósito de colocar todo o mundo debaixo de Seu manto virginal, o mesmo João Paulo II – seguindo os passos de seu predecessor, o Papa Pio XII – consagrou toda a humanidade ao Imaculado Coração de Maria, em 1984, durante o Ano Santo da Redenção. "A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações", disse o Papa na ocasião [5].

Ainda assim, o Papa Francisco, demonstrando sua ligação filial a Nossa Senhora, decidiu renovar-lhe a consagração de toda a humanidade. Ela acontecerá durante este fim de semana, em Roma, por ocasião de uma Jornada Mariana. No domingo, dia 13 de outubro, o Sumo Pontífice depositará, aos pés da imagem da Virgem de Fátima, "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" [6], a fim de serem purificadas pelo sangue de Cristo e pela mãos de Maria Santíssima.

A insistência da Igreja e dos Papas em indicar aos seus filhos o colo da Mãe brota da firme convicção de que, como ensina São Luís de Montfort, Deus "não mudará de procedimento em todos os séculos": "Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo" [7].

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

A assombrosa luta épica entre o Padre Pio e Satanás
Santos & Mártires

A assombrosa luta épica
entre o Padre Pio e Satanás

A assombrosa luta épica entre o Padre Pio e Satanás

O demônio tenta a todos os cristãos, mas “o caso do Padre Pio é especial porque sua luta não era apenas espiritual, mas tinha também momentos extremamente físicos”.

Pablo J. Ginés,  Religión en LibertadTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Julho de 2018
imprimir

A história do Padre Pio contra o demônio “é uma saga épica, um corpo a corpo entre um monge e seu adversário” — palavras do veterano vaticanista Marco Tosatti, autor de Padre Pio contro Satana: la battaglia finale (ainda sem tradução para o português).

A fonte principal do jornalista foram as cartas das pessoas que conheceram o santo de Pietrelcina e as que este escrevia, bem como todos os textos da Positio para a sua canonização.

Por ocasião do lançamento de uma versão espanhola do livro, o site Religión en Libertad pôde conversar um pouco com Tosatti a respeito da importância do santo e de sua luta peculiar, única, com o Maligno.

Marco Tosatti explica a importância “épica” da luta do Padre Pio para a nossa época.

— Por que é tão popular e relevante a figura do Padre Pio de Pietrelcina?

— Sem dúvida, na Itália ele é um dos santos mais amado pelo povo. É difícil entrar em uma loja, em um restaurante, em um lugar público e não encontrar imagens dele. Creio que isso se deve a que o Padre Pio é um dos santos da história que mais graças e intercessões realizou.

Li os oito volumes da Positio, a compilação de documentos sobre ele que serviram para o processo de canonização, e existem centenas de testemunhos de pessoas, da Itália e de outros países, que receberam favores extraordinários. Foi protagonista de fenômenos assombrosos: bilocação, curas, leitura de almas com um simples olhar e coisas do tipo… Isto o torna extraordinário, diferente dos outros santos, e muito popular. Ao redor de todo o mundo se criam hoje grupos de oração inspirados no Padre Pio.

— E o que tem de especial a relação do Padre Pio com o demônio? Afinal de contas, o demônio não tenta a todos os cristãos?

— O caso do Padre Pio é especial porque sua luta não era apenas espiritual, mas tinha também momentos extremamente físicos. Tanto é que os frades que com ele viviam escutavam os barulhos da luta vindos de sua cela e, na manhã seguinte, encontravam os ferros da cama retorcidos, como se uma força sobrenatural os tivesse dobrado. Viam ainda o Padre Pio com contusões e golpes, como se o tivessem espancado.

O superior chegou a pedir-lhe, quando ele ainda era um jovem frade, antes de ser enviado a San Giovanni Rotondo, que rezasse ao Senhor pedindo que não permitisse ao demônio fazer tantos ruídos, já que os outros irmãos ficavam apavorados. Era algo muito visível. Isso acontecia com o Padre Pio quando ele lutava para arrancar almas das mãos do demônio. De fato, houve muitos santos que lutaram com o demônio, mas o Padre Pio é especial porque sua luta foi contínua, física, evidente, a ponto de a verem inclusive outras pessoas…

Além disso, do meu ponto de vista enquanto jornalista e escritor, vejo como épica a batalha entre o Padre Pio e o demônio, a qual, encarada até mesmo sem a perspectiva da fé, se reveste de um valor literário muito grande. E isso desde que ele era criança, quando teve a visão de um homem muito grande, um homem perverso, que era o demônio e queria combatê-lo.

— O que significa para nós, para os nossos tempos, esta experiência do Padre Pio?

— Não sou um milenarista, mas acredito, sim, que é possível estarmos em uma época especial. A Virgem de Fátima dizia que nos encontramos em uma batalha decisiva entre as forças do bem e o demônio, forças que atacam a família e os valores naturais básicos. Parece que Deus quer, por meio do Padre Pio, dar um sinal de que esta batalha já começou e é também sobrenatural.

— Mas os pecados sexuais, pessoas com uma vida familiar ruim, maus pais, adultérios… Tudo isso sempre existiu. Qual é, então, a novidade?

— Sim, pecados sexuais e contra a família sempre existiram; mas, por exemplo, quando havia algum Papa ruim, pérfido, criminoso, como Alexandre Borgia, ele cometia essas coisas, mas não alterava a doutrina, não dizia que esses pecados eram normais. A novidade dos últimos séculos é o individualismo desenfreado, que busca não só pôr a fé em dúvida, mas ainda convencer o homem de que ele é seu próprio “legislador”, seu próprio “deus”, que não precisa descobrir o bem para cumpri-lo, pois pode criar para si mesmo sua própria “lei”.

— Seu livro contém uma segunda parte com exemplos de outros santos que tiveram também um contato muito próximo com o demônio, como Eustáquia de Pádua, Cristina de Stommeln e Mariam Baouardy. Por quê?

— São santos que selecionei porque creio ilustrarem que, embora tenha um amplo campo de ação, o demônio está limitado por Deus. Por exemplo, o que sabemos de Mariam Baouardy está atestado em documentação científica da época. Assim como muito do que sabemos sobre o Padre Pio. É como se o mundo quisesse fechar os olhos para o sobrenatural, mas o sobrenatural não se deixa esconder. Vemos que Deus se serve do demônio, de forma misteriosa, como um instrumento, um instrumento estranho, vá lá, mas que serve à santificação das pessoas.

Vemos gente de grande santidade pessoal, mas que sofre sob o poder do demônio, às vezes até mesmo possessos, durante um tempo, embora mantendo-se livres na alma e na vontade. Sempre me chamou a atenção a familiaridade com que o demônio, no Livro de Jó, se aproxima do trono de Deus, e Ele o recebe tranquilamente, e conversam… O demônio não passa de outro instrumento de Deus!

— Do mal Deus tira coisas boas. É um mistério…

— Sim, é um mistério. É como ver um bordado pela parte de trás: parece-nos um caos, um emaranhado de fios e cores. Mas o bordador, que o vê de cima, costurando o desenho, sabe bem o que faz.

— Nas últimas décadas, multiplicou-se o número de exorcistas na Igreja Católica, com cursos, formações, e eles se mantêm em contato pela internet.

— Sim, dado que o povo tem pedido exorcistas com insistência… Escrevi um livro de entrevistas com o padre Amorth (Memórias de um exorcista, 2010). Ele me explicou que há trinta anos, na França, Bélgica, Áustria e Alemanha, não havia um único exorcista. Os bispos não acreditavam no demônio. Mas viram tantos casos, tantos pedidos, que agora há quatro exorcistas em Turim, vários em Paris… Sem contar esses cursos para centenas de sacerdotes, que chegam até os Estados Unidos.

— E há algo que estejamos aprendendo, algo de novo sobre o diabo no século XXI?

O demônio está sempre à procura de almas, disse-me o padre Amorth. E essa é a sua grande batalha. Mas ele faz o seu principal trabalho sem chamar atenção, de forma ordinária. O diabo não quer se manifestar. Inclusive para os exorcistas é difícil discernir muitos casos, porque demônio tenta se ocultar. Isso é interessante. Já dizia Baudelaire: a melhor estratégia do demônio é fazer-nos crer que ele não existe.

— Mas tampouco é saudável enxergar o demônio em todo e qualquer lugar…

— De fato, é preciso manter um equilíbrio. O padre Amorth dizia: “De todos os que me procuram com problemas, apenas um por cento precisa mesmo de um exorcista”. Creio que essa é a medida. Sim, o demônio trabalha de forma ordinária e eficaz, sem fenômenos extraordinários, mediante as guerras, o ódio, destruindo as famílias, com o aborto… Também aí precisamos estar presentes.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Nossa Senhora do Carmo, padroeira e mestra da vida interior
Espiritualidade

Nossa Senhora do Carmo,
padroeira e mestra da vida interior

Nossa Senhora do Carmo, padroeira e mestra da vida interior

Os que desejam viver plenamente a devoção a Nossa Senhora do Carmo devem seguir Maria nas profundezas da sua vida interior.

Pe. Gabriel de S. M.ª Madalena16 de Julho de 2018
imprimir

Ó Maria, formosura do Carmelo, tornai-me digno da vossa proteção, revesti-me com a vossa veste, sede a mestra da minha vida interior.

A Santíssima Virgem é a Mãe que nos reveste de graça, que toma sob a sua proteção a nossa vida sobrenatural até garantir o seu pleno desabrochar na vida eterna. Ela, a toda pura, cheia de graça desde o primeiro instante da sua conceição, toma as nossas almas manchadas pelo pecado, e com um gesto maternal, lava-as no Sangue de Cristo, reveste-as da graça que, juntamente com Ele, nos mereceu. Bem podemos dizer que a veste da graça foi tecida pelas mãos benditas de Maria que, dia a dia, momento a momento, se deu inteiramente a si mesma, em união com o seu Filho, pela nossa redenção.

A lenda fala da túnica inconsútil que a Virgem teceu para Jesus; mas para nós fez realmente muito mais: cooperou para nos conseguir a veste da nossa salvação eterna, veste nupcial com que seremos introduzidos na sala do banquete celeste. Oh! como Ela quereria que esta veste fosse imperecível! Desde o momento em que a recebemos, Maria nunca deixou de nos seguir com o seu olhar maternal para proteger em nós a vida da graça. Cada vez que nos convertemos a Deus, nos levantamos de uma culpa — grande ou pequena — ou progredimos na graça, sempre o fazemos por intermédio de Maria.

O escapulário que a Senhora do Carmo nos oferece não é mais do que o símbolo exterior desta sua incessante solicitude maternal; símbolo, mas também sinal e penhor de salvação eterna. “Recebe, amado filho — disse a Virgem a S. Simão Stock — este escapulário… quem morrer com ele não padecerá o fogo eterno”. A Virgem assegura a graça suprema da perseverança final a todos os que usarem dignamente o seu escapulário.

“Quem usa o escapulário — disse Pio XII — faz profissão de pertencer a Nossa Senhora”; precisamente por lhe pertencermos, a Virgem tem um cuidado especialíssimo com as nossas almas: o que é seu não se pode perder, não pode ser tocado pelo fogo eterno. A sua poderosa intercessão maternal dá-lhe direito a repetir em nosso favor as palavras de Jesus: “Pai Santo... conservei os que me deste e nenhum deles se perdeu” (Jo 17, 12).

A devoção à Virgem do Carmo é também um premente apelo à vida interior, a essa vida que foi de modo especialíssimo a vida de Maria. A Virgem quer que sejamos muito mais semelhantes a Ela no coração e no espírito do que no hábito exterior. Se penetrássemos na alma de Maria, veríamos que a graça produziu nEla uma imensa riqueza de vida interior: vida de recolhimento, de oração, de ininterrupta doação a Deus, de contato contínuo, de união íntima com Ele. A alma de Maria é um santuário reservado só para Deus, onde nenhuma criatura humana jamais imprimiu a sua forma, onde reina o amor e o zelo pela glória de Deus e pela salvação dos homens.

“Nossa Senhora do Monte Carmelo”, por Pietro Novelli.

Os que desejam viver plenamente a devoção a Nossa Senhora do Carmo devem seguir Maria nas profundezas da sua vida interior. O Carmelo é o símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo foi a Virgem, Regina decor Carmeli. “No deserto habitará a equidade, e a justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”.

Estes versículos de Isaías (cf. 32, 16-18) reproduzidos no Ofício próprio de Nossa Senhora do Monte Carmelo esboçam muito bem o espírito contemplativo e são, ao mesmo tempo, um belo retrato da alma de Maria, verdadeiro “jardim” (Carmelo em hebreu significa jardim) de virtudes, oásis de silêncio e de paz, onde reina a justiça e a equidade, oásis de segurança, todo envolto na sombra de Deus, todo cheio de Deus.

Toda a alma de vida interior, embora vivendo no meio do ruído do mundo, há-de esforçar-se por alcançar esta paz, este silêncio interior que tornam possível o contato contínuo com Deus. São as paixões e os apegos que fazem barulho dentro de nós, perturbando a paz do nosso espírito e interrompendo o trato íntimo com o Senhor. Só a alma completamente desprendida e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria, ser um “jardim” solitário e silencioso, onde o Senhor encontre as Suas delícias. É esta a graça que hoje devemos pedir à Senhora, escolhendo-a para padroeira e mestra da nossa vida interior.

Colóquio — “Ó Maria, flor do Carmelo, vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular, Mãe bondosa e intacta, aos vossos filhos dai privilégios, Estrela do mar!” (S. Simão Stock).

“Ó Virgem bendita, quem vos invocou nas suas necessidades, sem que tenha recebido o vosso socorro? Nós, vossos pobres servos, regozijamo-nos convosco por todas as vossas virtudes, mas pela vossa misericórdia regozijamo-nos conosco. Louvamos a virgindade, admiramos a humildade, mas para quem é miserável, a misericórdia tem um sabor muito mais doce. Abraçamos a misericórdia com maior ternura, lembramo-la muitas vezes, invocamo-la com mais frequência.

Com efeito, foi a vossa misericórdia que obteve a redenção do mundo e que, juntamente com as vossas orações, conseguiu a salvação de todos os homens. Portanto, ó bendita, quem poderá medir o comprimento e a largura, a altura e a profundidade da vossa misericórdia? A sua extensão chega até ao fim dos tempos para socorrer todos os que vos invocam; a sua largura envolve o mundo inteiro, de modo que toda a terra fica cheia da vossa bondade. A altura da vossa misericórdia abriu as portas da cidade celeste e a sua profundidade obteve a redenção dos que habitam nas trevas e nas sombras da morte.

Por vós, ó Maria, enche-se o céu, o inferno esvazia-se, os que se extraviavam regressam ao bom caminho. Assim a vossa poderosíssima e piissima caridade derrama-se sobre nós com um amor compassivo e auxiliador” (S. Bernardo).

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de “Intimidade Divina: Meditações sobre a Vida Interior para Todos os Dias do Ano”, 2.ª ed., Porto: Edições Carmelitanas, 1967, pp. 1464-1467.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Você é torre forte ou cata-vento?
Espiritualidade

Você é torre forte ou cata-vento?

Você é torre forte ou cata-vento?

O que você prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Dom Tihamer Toth12 de Julho de 2018
imprimir

Nas pequenas cidades da Idade Média, encontram-se, não raro, vestígios de fortalezas e castelos; e, mesmo onde as construções estão reduzidas a algumas pedras, não é difícil achar quase intacta a alta torre do velho castelo.

Ora, essas torres que viram desaparecer tantos séculos e que a seus pés contemplam, com olhar impassível, o turbilhão da vida moderna, como dão bem uma ideia do caráter firme! Ao lado delas, tudo muda, tudo se transforma, tudo evolui: vende-se e compra-se; delas, porém, nada nem ninguém pode alterar o granito.

Antigas torres são o símbolo do caráter inabalável do homem que cumpre o seu dever virilmente. Outrora, a torre era o melhor refúgio dos habitantes do castelo; hoje, o homem de caráter firme é o melhor sustentáculo da sociedade. “Nunca abandone o lugar em que a vocação o colocou, e cumpra-lhe todos os deveres”, parecem nos dizer aquelas pedras mudas. “Considere o número de anos exigidos para a minha construção, quantas pedras foram necessárias, quanto trabalho, quanta boa vontade e quanto suor! Mas tudo isso não foi em vão. Sobrevivo a centenas e centenas de anos!”.

Por acaso, meu jovem, não se deixa desalentar facilmente na sua boa vontade? Quantas vezes não se arrojou pelo bom caminho, cheio de ardor juvenil? Quantas vezes não prometeu trabalhar seriamente no desenvolvimento do seu caráter? Mas, depois de algumas horas, de alguns dias, quando muito, a chama do entusiasmo apagava, o ardor desaparecia, e você tornava a ser o mesmo, não é verdade? Foram precisos anos, dezenas de anos talvez, para levantar a torre; e você, quereria se tornar homem de caráter num só dia!

Bem sabe, todavia, que se o caminho do pecado é agradável e semeado de flores deliciosas no começo, logo desilusão terrível nele aguarda o pecador; e que, se é difícil ser virtuoso no início, esse caminho em breve se torna cada vez menos duro, e sempre, no seu final, se acha a paz de uma consciência tranquila.

Mas, que é que eu vejo lá, no cume daquela velha torre? Aquela coisa que nunca fica no lugar, que vira para a direita e para a esquerda? Um cata-vento! Não tem direção fixa nem base estável. Vejo-me quase tentado a dizer que ela não tem princípios nem caráter, porque, se os tivesse, por mais que o vento soprasse, ela não lhe obedeceria.

Abandonar seus princípios, agir contra as próprias convicções, por ser mais cômodo, porque isso assegura uma carreira melhor, porque, em volta de si, o vento sopra de outro lado, é próprio de cata-vento. Mas me diga, amigo, merece o nome de homem aquele que nas suas ações, princípios e convicções se deixa guiar pelas circunstâncias exteriores e pelos conselhos de “companheiros”?

E, no entanto, quantos desses jovens não há! Você conhece dúzias deles, e eu também. São todos os que não sabem andar com os próprios pés, que espiritualmente são menores ainda, que olham sempre à direita e à esquerda para ver o que o vizinho faz.

Eis aqui um a quem a consciência avisa: “Não leia esse livro, ouvi dizer que ele é cheio de imundície moral. Por que deixaria a veste branca da sua alma se arrastar na água podre desse pantanal infecto?”. “Está bem, não o lerei”. Chega, porém, um colega: “Oh! Santinho do pau oco, criança!”, escarnece. “Eu, criança?”, e pega o livro, e o lê até a última linha e emporcalha a alma na lama que ele traz.

Agora outro, a quem a consciência diz ainda: “Não vá à exibição de tal peça, de tal filme! Deixe tal companhia perigosa!”. “Como fazer? Os outros vão lá; eles assim se divertem bastante. Serei o único contrário?”.

Ora, meu filho, é exatamente esse o modo de pensar e de agir dos cata-ventos.

Pois bem, escolha. O que prefere ser: uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do medo do “que dirão?”, ou escravo da sua consciência?

Escravo da própria consciência! Este título se lê como se fosse um romance de detetives”, você pensa. Mas se engana. Quando se pode dizer de um jovem que ele é senhor da sua vontade e escravo da própria consciência é a maior honra que se lhe pode fazer. Se é capaz de ser contínua e invencivelmente fiel a tudo o que a consciência manda, você é um jovem de nobre caráter.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Os pais são culpados dos pecados de seus filhos?
Educação

Os pais são culpados
dos pecados de seus filhos?

Os pais são culpados dos pecados de seus filhos?

Os maus pais, diz São João Crisóstomo, são “piores que os assassinos de seus próprios filhos”, pois, enquanto estes “separam a alma do corpo, aqueles lançam-lhes corpo e alma no fogo do Inferno”.

São João Crisóstomo12 de Julho de 2018
imprimir

Saibamos que Deus não suportará de boa mente a negligência com que são tratados aqueles por quem tanto se preocupa. Pois Ele mesmo não pode ter feito tanto para salvá-los e, ao mesmo tempo, pouco se importar que os negligenciem. Não, Deus não dará de ombros, mas se ofenderá e irritará veementemente.

Por isso, o bem-aventurado Paulo continuamente nos exorta, dizendo: “Pais, criai vossos filhos na disciplina e correção do Senhor” (Ef 6, 4). Porque, se estamos obrigados a zelar pelas almas deles como quem há de prestar contas por elas (cf. Hb 13, 17), com maior razão o está o pai que os gerou, que os criou, que convive com eles sob o mesmo teto.

Ora, assim como o pai não tem escapatória nem desculpa dos próprios delitos, tampouco o tem em relação aos dos filhos. E isto, é mais uma vez o bem-aventurado Paulo quem no-lo esclarece. Com efeito, ao determinar como devem ser os que hão de mandar nos outros, entre todas as qualidades que diz lhes serem necessárias, exige também o do cuidado dos filhos (cf. 1Tm 3, 4), insinuando que um pai já não pode ter esperança alguma de perdão se seus filhos se perderem.

E justamente. De fato, se os homens fossem viciosos por natureza, poderiam com razão desculpar-se de seus atos; mas como nos tornamos bons ou maus por livre escolha, que justificativa, afinal, poderá alegar o pai que permite que se extravie e corrompa aquele a quem ama mais do que tudo?

Dirá acaso que não quis fazê-lo bom? Mas quem, sendo pai, diria semelhante coisa, já que a própria natureza o desperta e move para cumprir esse dever?

Dirá talvez que não o pôde? Tampouco, porque, tendo-o no colo desde pequeno, posto sob seus cuidados e sua primeira e única autoridade, vivendo ainda na mesma casa, poderia facilmente e sem dificuldade tê-lo educado.

De sorte que não se pode achar outra origem para o extravio dos filhos que o louco afã dos pais pelos bens mundanos. O não olhar senão para eles, o não julgar nada preferível a eles, obriga-os a descuidarem tanto da própria alma como da dos filhos.

A estes pais — e ninguém pense que é a ira que me leva a dizê-lo —, eu não recearia qualificá-los como piores que os assassinos de seus próprios filhos. Estes, com efeito, separam a alma do corpo; aqueles, porém, lançam-lhes corpo e alma no fogo da Geena. Àquela morte todos, por lei natural, se devem submeter; mas esta última seria possível evitar, se não a acarretasse a negligência dos pais.

Acrescente-se a isso que a morte do corpo será rapidamente destruída com a chegada da ressurreição; mas a morte da alma, ao contrário, não terá consolo, porque não só não a espera mais salvação alguma, senão que terá ainda de sofrer forçosamente tormentos eternos. Daí que tenhamos dito, não sem razão, que tais pais são piores que os assassinos de seus filhos.

Não, não é crime tão horrível amolar a espada, pô-la em riste e umedecê-la na garganta do próprio filho quanto perder e corromper uma alma, pois nada, de fato, se compara a tamanho atentado.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.