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O espiritismo tem alguma coisa a ver com o Evangelho de Cristo?
Doutrina

O espiritismo tem alguma coisa
a ver com o Evangelho de Cristo?

O espiritismo tem alguma coisa a ver com o Evangelho de Cristo?

Da Santíssima Trindade à fé na Igreja, da divindade de Cristo ao juízo final, o espiritismo renuncia a praticamente todo o credo cristão. Em que consiste, pois, seu anunciado “cristianismo"?

Frei Boaventura Kloppenburg29 de Agosto de 2017
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No Brasil, o movimento criado por Allan Kardec (AK) é mantido e divulgado pela Federação Espírita Brasileira, fundada em 1884, que a propõe sistematicamente não apenas como "a religião", mas também como "espiritismo cristão" [...].

Embora o próprio AK jamais tenha usado esta expressão, tomada de J. B. Roustaing (1865), ofereceu-lhe, no entanto, um bom fundamento para isso quando proclamou que o espiritismo é a realização das promessas de Jesus Cristo acerca do Consolador e a apresentou como "a Terceira Revelação" [...]. Em O Evangelho segundo o espiritismo (cito agora a 90.ª ed., p. 59) escreve AK: "Assim como o Cristo disse: 'Não vim destruir a lei, porém cumpri-la', também o espiritismo diz: não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução. Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo".

Semelhantes afirmações são comuns entre os espíritas e pode ser que sejam sinceras, mas mostram um desconhecimento profundo da doutrina do Evangelho segundo Mateus, Marcos, Lucas e João e segundo o ensinamento apostólico contido em suas cartas. O Reformador, órgão oficial do nosso kardecismo, de março de 1981, num artigo sobre a missão do Consolador (que seria o Espírito Santo segundo o Evangelho de São João), conclui: "É missão, pois, do espiritismo devolver ao cristianismo a sua pureza original, libertando-o dos dogmas e das idéias humanas nele introduzidas" (p. 85).

Veremos agora como se fez esta fundamental operação libertadora:

1) A revelação divina. — Para a generalidade dos cristãos de todos os tempos, sejam eles católicos, ortodoxos ou protestantes, os livros da Sagrada Escritura são divinamente inspirados. É um princípio inconcusso ("dogma") dos cristãos. No credo espírita de AK não entra este ponto fundamental. Jamais o afirma em nenhuma de suas obras. Mas com freqüência se compraz em mostrar o que ele considera absurdos e contradições da Bíblia. No órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, Reformador, janeiro de 1953, p. 23, encontramos a posição bem definida dos nossos espíritas perante a Bíblia: "Do Velho Testamento já nos é recomendado somente o Decálogo e do Novo Testamento apenas a moral de Jesus; já consideramos de valor secundário, ou revogado e sem valor algum, mais de 90% do texto da Bíblia. Só vemos na Bíblia toda um livro respeitável pelo seu valor cultural, pela força que teve na formação cultural dos povos do Ocidente". [...]

Falando de escritos apostólicos do Novo Testamento, escreve AK: "Todos os escritos posteriores (aos Evangelhos), sem exclusão dos de S. Paulo, são apenas, e não podem deixar de ser, simples comentários ou apreciações, reflexos de opiniões pessoais, muitas vezes contraditórias que, em caso algum, podem ter a autoridade da narrativa dos que receberam diretamente do Mestre as instruções" ( Obras póstumas, 10.ª ed., p. 110). Esta posição negativa reaparece com freqüência na literatura espírita brasileira. Assim, por exemplo, Carlos Imbassahy, em À Margem do Espiritismo (2.ª ed.), esclarece que, "em matéria de escritura, os espíritas, no a que se referem, é tão unicamente aos Evangelhos. Não os apresentam, porém, como prova, senão como fonte de luz subsidiária, elemento de reforço" (p. 126). Pois "nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta os seus princípios nas escrituras. Não rodopia junto à Bíblia. A nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome — espiritismo" (p. 219).

2) A doutrina sobre Deus. — Os conceitos de AK sobre a existência de Deus e seus atributos coincidem de fato com a doutrina cristã. Duas vezes, em seus escritos, AK se refere expressamente ao panteísmo, para rejeitá-lo ( O livro dos espíritos, 22.ª ed., p. 53; Obras póstumas, 10.ª ed., p. 179). E contra os panteístas chega a afirmar positivamente uma nítida distinção entre Deus e o Universo, acusando o panteísmo de "confundir o Criador com a criatura"; e, por isso, declara inequivocamente: "As obras de Deus não são o próprio Deus" (O livro dos espíritos, p. 54). Não obstante, por vezes tem expressões com sabor panteísta. Assim quando diz que "ignoramos" se a inteligência é uma "emanação da Divindade" (O livro dos espíritos, p. 56); ou quando o "fluido universal" toma qualidades panteístas; ou quando esclarece que os espíritos "se acham mergulhados no fluido divino" (cf. A gênese).

Já Leão Denis, outro patriarca do espiritismo, então membro da equipe de codificação da doutrina espírita, resvalou para um evidente monismo panteísta. Segundo seu modo de falar, "Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui, em estado latente, forças emanadas do divino foco" (assim em Cristianismo e Espiritismo, 5.ª ed., p. 246). Fala com freqüência de Deus como "divino foco", "supremo foco do bem e do belo", "o grande foco divino" etc. Também em outra obra sua, Depois da Morte, 6.ª ed., voltam expressões panteístas: "Deus é infinito e não pode ser individualizado; isto é, separado do mundo, nem subsistir à parte" (p. 114); ou: "o Ser supremo não existe fora do mundo, porque este é a sua parte integrante e essencial" (p. 124). Em vez do "Deus fantástico da Bíblia", ele quer o "Deus imanente, sempre presente no seio das coisas" (p. 213): "O universo não é mais essa criação, essa obra tirada do nada de que falam as religiões. É um organismo imenso animado de vida eterna" (p. 123); e em seguida explica que Deus está para o universo como a alma para o corpo: "O eu do universo é Deus" (p. 349).

3) A Santíssima Trindade. — Todos os cristãos, católicos, ortodoxos e protestantes, professam sua fé na Santíssima Trindade. É o mistério central da fé e mensagem cristã, desde os primórdios do cristianismo. Mas o credo espírita proposto por AK desconhece totalmente a Santíssima Trindade. A posição de AK, no conjunto de suas obras, é de absoluto e sistemático silêncio com relação a esta doutrina cristã. Seu silêncio era apenas oportunista. Na realidade, em seu sistema de pensamento não cabia este mistério cristão, não só porque para ele "absolutamente não há mistérios" ( Obras póstumas, p. 201), mas porque não há lugar para uma intensa vida divina intratrinitária, dado que, segundo AK, o Deus que não cria incessantemente, desde toda a eternidade, seria um Deus solitário e ocioso (cf. O livro dos espíritos, p. 56).

Mas se AK julgou mais oportuno não negar abertamente o mistério trinitário, seus seguidores não compartilham este ponto de vista. Já Leão Denis, em Cristianismo e Espiritismo, p. 74, abre sua crítica dos nossos principais dogmas com estas palavras: "Começa com a estranha concepção do Ser divino, que se resolve no mistério da Trindade". Depois explica: "A noção da Trindade, colhida numa lenda hindu que era a expressão de um símbolo, veio obscurecer e desnaturar essa alta idéia de Deus [...]. Essa concepção trinitária, tão incompreensível, oferecia, entretanto, grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus" (p. 75).

No Brasil, o espiritismo em peso ou desconhece ou nega a Santíssima Trindade.

4) A doutrina sobre Jesus. — Professam os cristãos que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A afirmação da divindade de Jesus é fundamental para a fé cristã. Mas este Jesus não entra no credo espírita formulado por AK. Ele nos deixou entre suas Obras Póstumas um "Estudo sobre a natureza de Cristo", de 41 páginas, todo ele tendenciosamente orientado para provar que Jesus não era Deus. Com este objetivo nega, sucessivamente, o valor dos milagres, das palavras de Jesus, da opinião dos Apóstolos e das profecias messiânicas.

Mas nos dias de AK surgiu um advogado de Bordéus chamado João Batista Roustaing, que teve seu primeiro contato com o espiritismo em 1861 e em 1865 publicou sua obra: Espiritismo Cristão ou Revelação da Revelação, em três volumes. Sua tese central: o corpo de Jesus não era real, de carne e osso, mas aparente e meramente fluídico. Repetia o docetismo do primeiro século cristão. Sua tese não foi aceita por AK. Mas no Brasil a Federação Espírita, desde sua fundação, propaga a obra de Roustaing. Bittencourt Sampaio, Sayão, Bezerra de Menezes, Guillon Ribeiro e outros conhecidos dirigentes da Federação Espírita são rusteinistas professos. Guillon Ribeiro, que foi presidente da Federação em 1920-1921 e de 1930 a 1943 e tradutor das obras de AK, compendiou a cristologia espírita no título que deu ao livro: Jesus, nem Deus nem homem, reeditado e divulgado pela Federação Espírita.

5) A doutrina sobre a redenção. — "É pelo sangue de Jesus Cristo que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça que ele derramou profusamente sobre nós", explicava São Paulo ( Ef 1, 7). Nossa redenção pela paixão, morte e ressurreição de Jesus é outra verdade fundamental da fé cristã. Nisso consiste propriamente a "boa nova" ou o "evangelho". Mas nem esta verdade tão central entra no credo espírita de AK. Segundo ele cada um deve ser seu próprio redentor através do sistema das reencarnações.

Por isso no espiritismo a soteriologia (ou doutrina sobre a redenção ou salvação do homem) é deslocada da cristologia para a antropologia. Leão Denis ( foto acima) o enuncia cruamente quando escreve: "Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo" ( Cristianismo e Espiritismo, p. 88). E o Reformador, órgão máximo da propaganda reencarnacionista no Brasil, ensina em seu número de outubro de 1955 (p. 236): "A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus no madeiro", mas "a salvação é ponto de esforço individual que cada um emprega, na medida de suas forças".

Hippolyte Léon Denizard Rivail, o fundador do espiritismo.

Daí esta doutrina de AK: "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes" ( O céu e o inferno, 16.ª ed., p. 88). Ele reconhece a necessidade e o valor do arrependimento; mas este arrependimento não basta ao pecador para obter o perdão divino. Segundo ele, a contrição é apenas o início da expiação e tem como conseqüência o desejo de "uma nova encarnação para se purificar" (O livro dos espíritos, p. 446). "O arrependimento concorre para a melhoria do espírito, mas ele tem que expiar o seu passado" (ibid., p. 448); "o arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve" (ibid., p. 450); "o arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação" (O céu e o inferno, p. 90); e a graça é coisa que não existe porque "seria uma injustiça" (O evangelho segundo o espiritismo, 39.ª ed., p. 76).

No livro Roma e o Evangelho (5.ª ed.), o espírito de "Maria" dita estas palavras: "Jesus Cristo não podia, nem quis assumir todas as responsabilidades individuais, contraídas ou por contrair, emanadas dos pecados dos homens, e muito menos podia, pelo sacrifício da sua vida, remir a humanidade da pena de desterro a que fora condenada [...]. A redenção da humanidade não se firma, pois, nos méritos e sacrifícios de Jesus, e, sim, nas boas obras dos homens [...]. Que cegueira! Quanta aberração! Supor e afirmar que os sofrimentos e a morte do Justo foram ordenados do alto, em expiação dos pecados de todos, é a mais orgulhosa das blasfêmias contra a justiça do Eterno".

6) A doutrina sobre a Igreja. — "Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica." É a profissão cristã. Nem esta profissão entra no credo espírita. Com a negação da doutrina cristã sobre a redenção e santificação dos homens, contestam-se conseqüentemente também todos os meios instituídos por Jesus Cristo para a salvação e santificação.

  • A começar pelo Batismo. Jesus mandou aos Apóstolos ir pelo mundo inteiro, ensinar a todos tudo quanto ele lhes ordenara, batizando a todos "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19-20), esclarecendo: "Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado" (Mc 16, 16). No Brasil, os espíritas, fiéis à doutrina codificada por AK, já não batizam nem fazem batizar seus filhos. Nem teria sentido. Pois é pelas reencarnações que os homens devem alcançar a perfeição.
  • Na última ceia Jesus instituiu a Eucaristia e ordenou aos Apóstolos: "Fazei isto em minha memória" (Lc 22, 19). Mas os espíritas não o fazem. Nem teria sentido. Pois, segundo eles, o mistério pascal não tem valor de sacrifício pelos pecados dos homens.
  • Jesus disse aos apóstolos: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Jo 20, 23). Mas os espíritas não procuram receber o perdão divino que lhes é generosamente oferecido. Nem teria sentido. Pois somente mediante as reencarnações se alcança o perdão.
  • Jesus disse a Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16, 18-19). Mas os espíritas não dão nenhuma importância nem a Pedro e seus sucessores, nem à Igreja que Jesus dizia "sua", nem ao poder das chaves que o Senhor Jesus entregou ao chefe do colégio apostólico.
  • Jesus declarou aos Apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10, 16). Para os espíritas tudo isso já está superado. Pois eles vão receber as orientações dos espíritos que baixam em seus centros.

Proclamando a nulidade dos sacramentos, quer AK que o espiritismo não tenha "nem culto, nem rito, nem templos" ( Obras póstumas, p. 235). E o Conselho Federativo Nacional dos espíritas, em sua reunião de 5 de julho de 1952, declarou, "por unanimidade, que o espiritismo é religião sem ritos, sem liturgia e sem sacramentos". Proclama-se assim a total inutilidade da Igreja, que será substituída pelo espiritismo. No livro Depois da Morte (p. 80), profetiza Leão Denis: "Chegará a ocasião em que o catolicismo, seus dogmas e práticas não serão mais do que vagas reminiscências quase apagadas da memória dos homens, como o são para nós os paganismos romanos e escandinavos".

Não seria difícil continuar a lista de negações. Assim, para dar apenas mais alguns exemplos, o espiritismo:

  • nega a criação da alma humana;
  • recusa a união substancial entre corpo e alma;
  • afirma que não há anjos e demônios;
  • repudia os privilégios de Maria Santíssima;
  • não admite o pecado original;
  • contesta a graça divina;
  • abandona toda a doutrina do sobrenatural;
  • rejeita a unicidade da vida humana terrestre;
  • ignora o juízo particular depois da morte;
  • não concede a existência do purgatório; ridiculariza o inferno; reprova a ressurreição da carne;
  • e desdenha o juízo final.

Em uma palavra: renuncia a todo o credo cristão. Em que consiste, pois, seu anunciado "cristianismo"? Tudo é simplesmente reduzido à aceitação de alguns princípios morais do Evangelho, tal como AK aprendera em sua juventude, no Instituto de Pestalozzi, em Yverdun, na Suíça. Seu manual "cristão" é unicamente O Evangelho segundo o Espiritismo, "com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida", que AK publicou em 1864.


Transcrito e levemente adaptado de "Espiritismo, orientação para os católicos", 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 26-32.

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Muitas as comunhões, poucos os comungantes!
Doutrina

Muitas as comunhões,
poucos os comungantes!

Muitas as comunhões, poucos os comungantes!

Comungar pouco ou muito não é a questão. Comungar bem, eis o que verdadeiramente importa, seja para acabar com as comunhões sacrílegas, seja para crescer na intimidade com Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Setembro de 2018
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Nem sempre se viu, na história da Igreja, tantas pessoas entrando na fila da Comunhão como hoje. Fazendo uma retrospectiva histórica da recepção deste sacramento, Santo Tomás explica em sua Suma Teológica que:

As leis da Igreja variaram nesse ponto, segundo as diversas situações. Com efeito, na Igreja primitiva, quando vigorava uma maior devoção da fé cristã, o costume era a comunhão diária dos fiéis. Por isso, o Papa Anacleto diz: “Terminada a consagração, todos comunguem, se não quiserem pôr-se fora dos limites da Igreja, pois assim prescreveram os Apóstolos e a Santa Igreja romana mantém como uso”.

Em momento ulterior, o fervor da fé arrefeceu, e o Papa Fabiano concedeu que “se todos não comungam frequentemente, que o façam pelo menos três vezes no ano”, a saber, “na Páscoa, Pentecostes e Natal do Senhor”. O Papa Sotero disse que também se devia comungar na Quinta-feira Santa, como consta nos decretos.

Mais tarde, “devido à crescente iniquidade, tendo arrefecido o amor na maioria”, o Papa Inocêncio III decidiu que os fiéis comungassem “ao menos uma vez por ano”, a saber, “por ocasião da Páscoa”. [1]

A relação que se verifica no comentário do Aquinate é bem clara: quanto mais devotos forem os cristãos, mais frequentes serão as suas comunhões. Para medir, portanto, se é bom ou ruim que haja tantas pessoas comungando, o que importa analisar não é tanto o tamanho das procissões que se formam nas igrejas, mas sim o estado de alma em que se comunga.

Nessa matéria, nunca insistiremos o suficiente no grande mal que são as comunhões sacrílegas. Se é verdade que, nas palavras de Santo Ambrósio, a Hóstia consagrada é verdadeira “medicina espiritual” [2] e vigor para os fracos, igualmente verdadeiro é que “quem come e bebe indignamente o Corpo e o Sangue do Senhor, come e bebe a própria condenação” (1Cor 11, 29). Santo Tomás explica que “nem todas as medicinas são boas para todas as enfermidades” [3]. Assim como um paciente na UTI não tem condições de comer um prato de feijoada, não são todas as pessoas que devem tomar o remédio eucarístico.

Expliquemos melhor: não se trata de “impor barreiras” à ação da graça de Deus, ou de excluir arbitrariamente as pessoas do contato com Ele. A Comunhão foi instituída por Nosso Senhor para todos; em seu discurso sobre o pão da vida, não resta dúvida de que era à totalidade dos discípulos que se dirigiam os seus desejos de união.

Não pode participar do banquete de núpcias, no entanto, quem não está em trajes de festa (cf. Mt 22, 1-14). A união que acontece em toda Comunhão, entre Cristo e a nossa alma, pressupõe uma comunhão anterior, a que a Igreja sempre chamou “estado de graça”. Sem essa realidade — infundida em nós pelo sacramento do Batismo e devolvida a nós, quando pecamos mortalmente, pelo sacramento da Penitência —, não importa quantas vezes toquemos e comunguemos o Corpo do Senhor, nossa união com Deus jamais acontecerá efetivamente. Ao contrário, só tornaremos pior a nossa situação, assim como uma pessoa que come todo tipo de alimentos sem que esteja, no entanto, com o organismo preparado para isso.

Essas considerações, é claro, estão longe de abarcar a totalidade do mistério de nossa comunhão com Deus. Assim como não se ama alguém simplesmente evitando esta ou aquela conduta específica, o principal em nosso relacionamento com Deus é pensar no que devemos fazer para amá-lO, comungando cada vez melhor.

Para tanto, muito pode nos ajudar o famoso episódio da mulher hemorroíssa (cf. Mc 5, 25-34), a qual, no meio duma multidão que acotovelava Jesus e O movia de lá para cá, foi a única a receber do contato com Ele força divina para curar a sua enfermidade. O segredo daquela mulher simples era sobretudo a sua e, também hoje, para que nossas comunhões sejam verdadeira união com Deus, é essa fé que devemos pedir a Ele.

Do contrário, apesar das muitas comunhões em nossas igrejas, poucos serão os verdadeiros “comungantes”; apesar das muitas pessoas que se acotovelam para receber Jesus na Eucaristia, poucos serão os verdadeiramente beneficiados por esse sacramento. Mais do que comungar muito ou pouco, portanto, o que importa de fato é comungar bem: comungar estando na graça de Deus, comungar com fé, comungar consciente da grandeza do Criador e da baixeza da criatura, comungar temendo ofendê-lO e, ao mesmo tempo, querendo amá-lO.

Peçamos, pois, a Jesus sacramentado, antes de toda Comunhão, que o seu Corpo e o seu Sangue non proveniant in iudicium et condemnationem, “não se tornem causa de juízo e condenação”, sed prosint ad tutamentum mentis et corporis, et ad medelam percipiendam, mas “sejam sustento e remédio” para nossa vida.

Não nos esqueçamos, também, de uma última coisa: sempre seremos indignos de receber Deus presente no Santíssimo Sacramento. Por isso mesmo rezamos em todas as Missas: Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbo et sanabitur anima mea, “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e minh’alma será salva”. Sempre que nos aproximarmos dEle, não será por mérito nosso, mas por pura gratuidade e misericórdia da parte de Deus.

Esse pensamento, longe de nos afastar da Eucaristia, só deve fazer crescer ainda mais a nossa confiança, porque é através deste alimento que seremos elevados mais rapidamente à santidade que Deus tanto espera de nós. “Por isso, a Pedro que diz a Jesus: ‘Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador’, o Senhor responde: ‘Não temas’” [4].

Referências

  1. Suma Teológica, III, q. 80, a. 10, ad 5.
  2. “Devo recebê-lo sempre, para que sempre perdoe os meus pecados. Se peco continuamente, devo ter sempre um remédio” (Santo Ambrósio, De Sacramentis, IV, 6, 28: PL 16, 464). “Aquele que comeu o maná, morreu; aquele que come deste corpo, obterá o perdão dos seus pecados” (Ibid., IV, 5, 24: op. cit., 463).
  3. Suma Teológica, III, q. 80, a. 4, ad 2.
  4. Suma Teológica, III, q. 80, a. 10, ad 3.

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A santa que escreveu um tratado sobre o Purgatório
Espiritualidade

A santa que escreveu
um tratado sobre o Purgatório

A santa que escreveu um tratado sobre o Purgatório

Para narrar os tormentos do Purgatório, Santa Catarina de Gênova partiu não de uma revelação particular, mas de sua própria experiência de conversão. Conheça nesta catequese um pouco de sua vida e obra.

Papa Bento XVI25 de Setembro de 2018
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Prezados irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de vos falar de Catarina de Gênova, conhecida sobretudo pela sua visão sobre o Purgatório. O texto que descreve a sua vida e o seu pensamento foi publicado na região italiana da Ligúria, em 1551, e é dividido em três partes: a Vida propriamente dita, a Demonstração e declaração do Purgatório — mais conhecida como Tratado — e o Diálogo entre a alma e o corpo [1]. O redator final foi o confessor de Catarina, o sacerdote Cattaneo Marabotto.

Catarina nasceu em Gênova, em 1447; última de cinco filhos, ficou órfã do pai, Giacomo Fieschi, ainda em tenra idade. A mãe, Francesca di Negro, dispensou uma válida educação cristã, a tal ponto que a maior das duas filhas se tornou religiosa. Com 16 anos, Catarina foi concedida como esposa a Giuliano Adorno, um homem que, depois de várias experiências comerciais e militares no Oriente Médio, tinha regressado a Gênova para casar.

Primeira conversão

A vida matrimonial não foi fácil, também devido à índole do marido, apaixonado pelo jogo de azar. Inicialmente, a própria Catarina foi induzida a levar um tipo de vida mundana em que, contudo, não conseguia encontrar a serenidade. Depois de dez anos, no seu coração havia um profundo sentido de vazio e de amargura.

Gravura retratando Santa Catarina de Gênova.

A conversão teve início em 20 de março de 1473, graças a uma experiência singular. Tendo ido à igreja de São Bento e ao mosteiro de Nossa Senhora das Graças para se confessar, ajoelhou-se diante do sacerdote e “recebeu — como ela mesma escreve — uma chaga no coração, de um imenso amor de Deus”, com uma visão tão clarividente das suas misérias e dos seus defeitos e, ao mesmo tempo, da bondade de Deus, que quase desmaiou. Foi tocada no coração por este conhecimento de si mesma, da vida vazia que ela levava e da bondade de Deus. Desta experiência derivou a decisão que orientou toda a sua vida, expressa com estas palavras: “Basta com o mundo e com os pecados” [2].

Então Catarina fugiu, suspendendo a Confissão. Voltou para casa, entrou no quarto mais escondido e chorou prolongadamente. Naquele momento, foi instruída interiormente sobre a oração e adquiriu a consciência do imenso amor de Deus por ela, pecadora, uma experiência espiritual que não conseguia expressar com palavras [3]. Foi nessa ocasião que lhe apareceu Jesus sofredor que carregava a cruz, como é frequentemente representado na iconografia da santa. Poucos dias depois, foi ter com o sacerdote para finalmente realizar uma boa Confissão. Aqui teve início aquela “vida de purificação” que, durante muito tempo, lhe fez sentir uma dor constante pelos pecados cometidos e que a impeliu a impor-se penitências e sacrifícios para demonstrar o seu amor a Deus.

Neste caminho, Catarina foi-se aproximando cada vez mais do Senhor, até entrar naquela que é denominada “vida unitiva”, ou seja, uma relação de profunda união com Deus. Na Vida está escrito que a sua alma era orientada e ensinada interiormente só pelo dócil amor de Deus, que lhe concedia tudo aquilo que ela precisava. Catarina abandonou-se de modo tão total nas mãos do Senhor que chegou a viver, durante cerca de vinte e cinco anos — como ela escreve — “sem o intermédio de qualquer criatura, instruída e governada unicamente por Deus” [4], alimentada sobretudo pela oração constante e pela Sagrada Comunhão recebida todos os dias, o que não era comum na sua época. Só muitos anos mais tarde o Senhor lhe concedeu um sacerdote que cuidasse da sua alma.

Uma vida de apostolado

Catarina hesitava sempre em confiar e manifestar a sua experiência de comunhão mística com Deus, sobretudo pela profunda humildade que sentia diante das graças do Senhor. Foi só a perspectiva de dar glória a Ele e de poder favorecer o caminho espiritual de outros que a levou a narrar aquilo que se verificava nela, a partir do momento da sua conversão, que é a sua experiência originária e fundamental.

O lugar da sua ascensão aos vértices místicos foi o hospital de Pammatone, a maior estrutura hospitalar genovesa, da qual foi diretora e animadora. Portanto, não obstante esta profundidade da sua vida interior, Catarina vive uma existência totalmente ativa. Em Pammatone foi-se formando ao seu redor um grupo de seguidores, discípulos e colaboradores, fascinados pela sua vida de fé e pela sua caridade. O próprio marido, Giuliano Adorno, foi conquistado por ela, a ponto de abandonar a sua vida desregrada, de se tornar terciário franciscano e de se transferir para o hospital, para oferecer a sua ajuda à esposa. O compromisso de Catarina no cuidado dos doentes continuou até ao fim do seu caminho terreno, em 15 de setembro de 1510.

Desde a conversão até à morte, não houve acontecimentos extraordinários, mas dois elementos caracterizaram toda a sua existência: por um lado a experiência mística, ou seja, a profunda união com Deus, sentida como uma união esponsal e, por outro, a assistência aos enfermos, a organização do hospital e o serviço ao próximo, especialmente aos mais necessitados e abandonados. Estes dois pólos — Deus e o próximo — preencheram totalmente a sua vida, transcorrida praticamente entre as paredes do hospital.

Estimados amigos, nunca devemos esquecer que quanto mais amarmos a Deus e formos constantes na oração, tanto mais conseguiremos amar verdadeiramente quantos estão ao nosso redor, quem está perto de nós, porque seremos capazes de ver em cada pessoa o Rosto do Senhor, que ama sem limites nem distinções. A mística não cria distâncias em relação ao outro, não cria uma vida abstrata, mas sobretudo aproxima do outro, porque se começa a ver e a agir com os olhos, com o Coração de Deus.

Seu pensamento sobre o Purgatório

O pensamento de Catarina sobre o Purgatório, pelo qual ela é particularmente conhecida, está condensado nas últimas duas partes do livro citado no início: o Tratado sobre o Purgatório e o Diálogo entre a alma e o corpo.

É importante observar que, na sua experiência mística, Catarina jamais tem revelações específicas sobre o Purgatório ou sobre as almas que ali estão a purificar-se. Todavia, nos escritos inspirados pela nossa santa, é um elemento central, e o modo de o descrever tem características originais em relação à sua época.

O primeiro traço original diz respeito ao “lugar” da purificação das almas. No seu tempo, ele era representado principalmente com o recurso a imagens ligadas ao espaço: pensava-se num certo espaço, onde se encontraria o Purgatório. Em Catarina, ao contrário, o Purgatório não é apresentado como um elemento da paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Este é o Purgatório, um fogo interior.

A santa fala do caminho de purificação da alma, rumo à plena comunhão com Deus, a partir da própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em relação ao amor infinito de Deus [5]. Ouvimos sobre o momento da conversão, quando Catarina sente repentinamente a bondade de Deus, a distância infinita da própria vida desta bondade e um fogo ardente no interior de si mesma. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do Purgatório.

Também aqui há um traço original em relação ao pensamento do tempo. Com efeito, não se começa a partir do além para narrar os tormentos do Purgatório — como era habitual naquela época e talvez ainda hoje — e depois indicar o caminho para a purificação ou a conversão, mas a nossa santa começa a partir da própria experiência interior da sua vida a caminho da eternidade. A alma — diz Catarina — apresenta-se a Deus ainda vinculada aos desejos e à pena que derivam do pecado, e isto torna-lhe impossível regozijar com a visão beatífica de Deus.

Catarina afirma que Deus é tão puro e santo que a alma com as manchas do pecado não pode encontrar-se na presença da majestade divina [6]. E também nós sentimos como estamos distantes, como estamos repletos de tantas coisas, a ponto de não podermos ver Deus. A alma está consciente do imenso amor e da justiça perfeita de Deus e, por conseguinte, sofre por não ter correspondido de modo correto e perfeito a tal amor, e precisamente o amor a Deus torna-se chama, é o próprio amor que a purifica das suas escórias de pecado.

Em Catarina entrevê-se a presença de fontes teológicas e místicas das quais era normal haurir na sua época. Em particular, encontra-se uma imagem típica de Dionísio, o Areopagita, ou seja, aquela do fio de ouro que liga o coração humano ao próprio Deus. Quando Deus purifica o homem, liga-o com um fio de ouro extremamente fino, que é o seu amor, e atrai-o a si com um afeto tão forte, que o homem permanece como que “superado, vencido e totalmente fora de si”. Assim, o coração do homem é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência [7]. Esta situação de elevação a Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para manifestar a obra da luz divina nas almas do Purgatório, luz que as purifica e eleva aos esplendores dos raios fúlgidos de Deus [8].

Queridos amigos, na sua experiência de união com Deus os santos alcançam um “saber” tão profundo dos mistérios divinos, no qual o amor e o conhecimento se compenetram, a ponto de ajudarem os próprios teólogos no seu compromisso de estudo, de intelligentia fidei, de intelligentia dos mistérios da fé, de aprofundamento real dos mistérios, por exemplo daquilo que é o Purgatório.

Com a sua vida, Santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo acerca do Purgatório, a santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé, que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, a fim de que eles possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos [9].

Além disso, o serviço humilde, fiel e generoso, que a santa prestou durante toda a sua vida no hospital de Pammatone, é um exemplo luminoso de caridade para todos e um encorajamento especialmente para as mulheres que oferecem uma contribuição fundamental para a sociedade e a Igreja com a sua obra preciosa, enriquecida pela sua sensibilidade e pela atenção aos mais pobres e necessitados. Obrigado!

Notas

  • Audiência Geral do Papa Bento XVI, de 12 de janeiro de 2011, extraída e levemente adaptada do site da Santa Sé.

Recomendações

  1. Cf. Livro da Vida admirável e da doutrina santa, da beata Catarina de Gênova, que contém uma útil e católica demonstração e declaração do purgatório, Gênova, 1551.
  2. Cf. Vida admirável, 3rv.
  3. Cf. Vida admirável, 4r.
  4. Vida, 117r-118r.
  5. Cf. Vida admirável, 171v.
  6. Cf. Vida admirável, 177r.
  7. Cf. Vida admirável, 246rv.
  8. Cf. Vida admirável, 179r.
  9. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1032.

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Namorar assim não é “radical demais”?
Testemunhos

Namorar assim não é “radical demais”?

Namorar assim não é “radical demais”?

Este casal, hoje unido em santo Matrimônio, decidiu ser radical e cortar de vez os “beijos longos e exagerados” de seu relacionamento. O que eles descobriram, ao final de tudo, foi o verdadeiro amor.

Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Setembro de 2018
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E.C., aluno de nosso site, escreveu e enviou-nos a mensagem abaixo em 2015, quando ainda não estava casado. De qualquer modo, seu testemunho da época de namoro com certeza será um grande incentivo aos casais de namorados católicos, especialmente nestes tempos em que a doutrina moral da Igreja é muitas vezes vista como um mero “ideal”, distante e quase inatingível para as pessoas, ou “radical demais” para ser seguida fielmente, em todas as suas exigências.

Leiam todos os casais este brevíssimo testemunho e inspirem-se. Um namoro casto é sim possível, com a graça de Deus!


Olá! Eu e minha namorada escrevemos um texto para dar nosso testemunho de como o vídeo “Quais são as carícias permitidas no namoro?”, do programa A Resposta Católica, melhorou o nosso namoro. O narrador do texto sou eu, o rapaz da relação.

Quando comecei a namorar não entendia o que era castidade e pensava que era casto quem casava sem antes ter tido uma relação sexual. Comecei meu namoro com um pensamento mais ou menos assim: farei tudo, menos sexo.

Posso dizer que foi quase isso que aconteceu, porém, fui percebendo que algo não estava certo. Lembro-me de ter a consciência pesada depois dos encontros que tínhamos. Com o tempo percebi que as carícias que aconteciam durante esses encontros não eram certas e que estavam nos prejudicando. Mais: desagradavam a Deus. Resolvemos parar com elas e continuar apenas com os beijos, contudo os beijos que aconteciam eram longos e exagerados.

Durante esse tempo vi um vídeo do padre Paulo, não me lembro ao certo qual era, e nele entendi que um pecado sexual não está, necessariamente, no ato físico que acontece entre os parceiros, mas sim no que os dois estão realmente querendo, na intenção que move o ato; se a intenção tem como centro o prazer, há um problema, há um pecado, porque de uma forma ou de outra você acaba utilizando a outra pessoa como um objeto para conseguir o prazer desejado.

Surgiram, então, alguns questionamentos na minha cabeça, por exemplo: “Qual a intenção que há em mim quando beijo minha namorada? É por afeto? É para demonstrar carinho? É por prazer? Esses beijos nos fazem bem?” Eu não podia negar que, nos beijos longos que aconteciam, o afeto cedo ou tarde perdia significado e o que restava era a busca do prazer. Pensei várias vezes em parar com este tipo de beijo por entender que estavam errados, minha consciência me incomodava, não sabia o que fazer, porém eu pensava que seria radical demais parar com eles.

No meio disto eu vi o vídeo “Quais são as carícias permitidas no namoro?”. Relacionei o que o padre falou com as experiências que eu tive e percebi que eu estava utilizando minha namorada como um objeto de prazer. Eu não podia negar isso, essa era a verdade e ponto final. Assim, eu e ela conversamos sobre essa questão, decidimos parar com os beijos longos e fazer o que o padre disse.

O resultado da mudança foi esplêndido. O amor, a vontade de ver o outro crescer, a admiração entre nós, tudo isso aumentou muito, passamos a ficar muito mais felizes. O tempo, antes utilizado para algo impróprio ao namoro, agora é utilizado para conversas francas, filmes sadios e troca de conhecimentos. O carinho e afeto, demonstrados nos pequenos detalhes, são mais significativos e importantes.

Hoje, temos a certeza de que queremos o melhor um para o outro, que nosso relacionamento se traduz em companheirismo, em crescimento, em querer o melhor para o outro independentemente da satisfação pessoal. O sorriso em nosso rosto demonstra a felicidade e gratidão que sentimos. Podemos afirmar que, se pudéssemos, não hesitaríamos em voltar no tempo e namorar assim, regidos por um amor verdadeiro.

Muito obrigado, Padre Paulo Ricardo!

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E se fosse hoje o dia da sua morte?
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E se fosse hoje o dia da sua morte?

E se fosse hoje o dia da sua morte?

Um destino eterno aguarda todo homem que vem a este mundo: ou a glória do céu ou a amargura sem termo do inferno. Cabe a nós, no curso da vida presente, decidir para onde queremos ir.

Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Setembro de 2018
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Os católicos de hoje sofrem de um mal quase desconhecido das gerações passadas: uma total indisposição para pensar na morte e nas realidades que, queiramos ou não, nos aguardam a todos depois dela — os novíssimos.

Derivado do adjetivo latino novum, o termo é um aportuguesamento do superlativo novissimum, que significa o mesmo que “último” ou “final” em alguma ordem de coisas. No sentido em que aqui nos interessa, a expressão “novíssimos” refere-se às realidades últimas que, a partir da morte, estão à espera de todo ser humano: “Em tudo o que fizeres”, diz o Eclesiástico, “lembra-te dos teus novíssimos”, isto é, do teu fim, “e jamais pecarás” (Eclo 7, 40).

Neste derradeiro capítulo de nosso curso “Catequese para Adultos”, Padre Paulo Ricardo faz um estudo sobre a escatologia cristã e explica, de acordo com o que sempre ensinou a Igreja, o que é a morte e o juízo particular que a ela se segue, qual o destino eterno de toda alma e o que acontecerá no fim dos tempos com toda a humanidade.

O teaser acima contém trechos da aula 32, intitulada “Depois da morte vem o juízo”.

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