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O rei está nu
Sociedade

O rei está nu

O rei está nu

A agressividade com que o movimento gay reage às críticas de seus opositores não demonstra somente a intolerância do grupo, mas a farsa de suas reivindicações

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Maio de 2013
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A simples objeção à causa gayzista se tornou sinônimo de "ódio fascista". Tamanha é a pressão da militância LGBT que é praticamente impossível sair incólume depois de uma crítica às práticas dos sempre "coitadinhos". Basta se opor à sua agenda para que eles se levantem com uma fúria dantesca a fim de sepultar no ostracismo - e se possível, na cadeia - a criatura que ousou contestá-los.

Os exemplos dessa verdadeira caçada homossexual aos seus opositores são tantos, que fica até difícil elencá-los. Vai desde uma campanha virulenta contra um escritor crítico à adoção por pares homossexuais a uma passeata de jovens católicos atacada brutalmente - e com pedradas - por defender a vida dos nascituros e a dignidade da família. Supera o absurdo a arrogância desses grupos que tanto clamam pela "diversidade", ao mesmo tempo em que perseguem, intimidam e ameaçam aqueles que discordam de suas práticas.

Sob o mantra bem arrojado de "Estado Laico", tentam varrer para esfera privada a fé cristã há tantos séculos presente na cultura geral. Não se dão conta, porém, de que o modus operandi de sua ideologia - a famigerada ideologia de gênero - nada mais é que uma versão moderna do gnosticismo, um velho conhecido do cristianismo, que acreditava ser o homem uma alma presa em um corpo mau, por um castigo divino. Ora, se os cristãos não têm o direito de pautarem o debate público por serem cristãos, quanto menos os propugnadores de um misticismo pagão já há muito tempo desmascarado.

A ideia por detrás da ideologia de gênero - a menina dos olhos do movimento LGBT - funda-se na concepção dualista de ser humano, que o vê como uma junção de razão e vontade e relega o corpo à condição de mero instrumento de satisfação. É assim que os seus defensores fingem passar despercebida a diferença existente entre a relação sexual heterossexual e a relação homossexual. A discrepância entre a relação sexual de um homem e uma mulher e a relação de pessoas do mesmo sexo não é uma construção cultural, mas biológica, natural. Negar isso é uma vigarice tremenda.

Para fazer valer suas bizarrices, os ideólogos gays precisam, de qualquer maneira, obter a hegemonia da classe falante e rotular seus adversários de opressores e teóricos da conspiração. Funciona mais ou menos como a fábula da roupa do rei, que só podia ser vista pelos "inteligentes". A farsa caiu quando uma simples criança teve a coragem de dizer: "mamãe, o rei está nu". E é contra essa criança da história que o movimento LGBT se levanta, é ela que ele procura amordaçar, pois, caso contrário, corre o risco de ser desmascarado em público.

O que a causa gay procura esconder? Já foi dito inúmeras vezes que para conhecer uma pessoa não se deve olhar para o que ela defende, mas contra o que ela luta. A chamada cultura gay nada mais é que uma afronta à reta moral da família e da sexualidade, além de um desrespeito à dignidade da pessoa humana, pois a reduz a um objeto de prazer. Os frutos se veem na prática. Após trinta anos da descoberta do vírus do HIV, os grupos homossexuais continuam a ser os mais expostos a essa doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2012, na população geral, a cada 200 pessoas, uma é soropositivo, enquanto entre os gays a proporção aumenta para um a cada dez.[1]

Sim, o rei está nu. O rei está nu quando se sabe que a taxa de depressão entre garotos homossexuais é praticamente o dobro da referente aos que não têm essa tendência. De acordo com dados do estudo "Homossexuality and Hope" da Associação dos Médicos Católicos Norte Americanos, a porcentagem é de 71,4% para homossexuais e de 38,2% para heterossexuais, dentro de um grupo de mil jovens.[2] O rei está nu quando se vê em reportagens televisivas o comportamento imoral de centenas de ativistas homossexuais, que durante as ditas "Paradas do Orgulho Gay", mantêm relações sexuais em público e, literalmente, na lama.

O rei está nu quando a probabilidade de um homossexual adquirir DST é 20 vezes maior do que a de um heterossexual. Tudo isso é uma triste consequência do modo como eles mesmos encaram a sexualidade - tornando-a o centro de toda a sua existência - e não culpa da pseudo "homofobia" daqueles que não aprovam os seus atos. E aí fica a pergunta: será mesmo a Igreja a verdadeira inimiga dos homossexuais por pregar a castidade?

Nada é mais óbvio que a verdade moral ensinada pela doutrina católica. Porém, nestes tempos de ditadura do relativismo, faz-se ainda mais necessário o anúncio dos princípios inegociáveis da natureza humana, que são aqueles tão defendidos pelo Papa Emérito Bento XVI: o direito inalienável à vida, o matrimônio entre um homem e uma mulher e o direito dos pais à educação dos filhos. É exatamente por isso que os cristãos não podem cogitar a hipótese de aceitar a barganha proposta pelo movimento gay. Eles querem, sim, modificar a estrutura da família e farão de tudo para conseguir, até mesmo considerar a aprovação do "casamento" gay como um "progresso" inevitável, colocando os cristãos "do lado errado da história". Todavia, esse determinismo histórico é simplesmente uma falácia com a qual eles tentam desestimular a defesa da família. Não se enganem, essa não é uma luta contra os homossexuais, mas uma luta pela família, primeiro lar e abrigo de todo homem.

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A vida dos padres interfere nos sacramentos que eles celebram?
Doutrina

A vida dos padres interfere
nos sacramentos que eles celebram?

A vida dos padres interfere nos sacramentos que eles celebram?

Os católicos não devem abandonar jamais a Santa Missa, pois, às palavras de toda consagração, seja qual for o padre que as pronuncie, tornam-se presentes no altar o Corpo e o Sangue de Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Setembro de 2018
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Em tempos de escândalos no clero, vale a pena considerar que relação guardam a validade dos sacramentos e a dignidade dos ministros que os celebram.

Todos sabemos, ou pelo menos deveríamos saber, que, contra uma heresia da Igreja primitiva chamada donatismo, o Magistério e os Santos Padres desde o princípio afirmaram que, por mais pecador que seja um sacerdote, se ele celebra a Santa Missa, por exemplo, com a matéria e a forma devidas e tendo a intenção de fazer o que faz a Igreja, o sacramento da Eucaristia é celebrado validamente e, no altar, se fazem presentes de fato o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor.

A esse respeito, esclarecem os santos que:

Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tornem Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia essas palavras, mas sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o meu Corpo, diz ele. Estas palavras transformam as coisas oferecidas. [1]

Ai! em que temível armadilha caem aqueles que crêem que os divinos e ocultos mistérios podem ser mais santificados por uns que por outros, uma vez que é o mesmo único Espírito Santo que os santifica agindo de maneira oculta e invisível [2]!

Na Igreja Católica, o mistério do Corpo e do Sangue do Senhor não se realiza mais pelo bom sacerdote, nem menos pelo mau sacerdote, pois ele se realiza não pelo mérito do consagrante, mas pela palavra do Criador e pela virtude do Espírito Santo [3].

Quanto à validade do sacramento, portanto, não contam a santidade e a maldade do sacerdote. Na Santa Missa, porém, não existe a realidade do sacramento. Estamos falando também de uma oração pública, feita pelo sacerdote em favor de toda a Igreja; uma oração que, a depender da devoção e da santidade do padre celebrante, possui mérito e eficácia maiores ou menores diante de Deus.

Nesse preciso sentido, a Missa de um bom sacerdote — como um São João Maria Vianney e um Padre Pio de Pietrelcina — é, sim, melhor que a de um mau padre, ainda que no altar tanto deste quanto daquele se façam presentes verdadeiramente o Corpo e o Sangue do Senhor. O raciocínio usado aqui por Santo Tomás é o mesmo a respeito da oração dos pecadores, que o Padre Paulo Ricardo já teve a oportunidade de comentar em outra ocasião:

Aproveitemos o ensejo e citemos na íntegra a lição do Doutor Angélico:

Duas coisas podemos considerar na Missa: o sacramento em si mesmo, que é a principal: e as orações nela rezadas pelos vivos e pelos mortos. — Quanto, pois, ao sacra­mento, não vale menos a Missa de um sacerdote mau que a de um bom, pois ambos celebram o mesmo sacramento.

Também relativamente às orações rezadas na Missa, duas coisas podemos considerar. ­Primeiro, quanto à eficácia que tiram da devo­ção do sacerdote que as reza. E então não há dúvida que a Missa de um sacerdote melhor é mais frutuosa. — Depois, quanto ao fato de o sacerdote proferi-las em nome de toda a Igre­ja, da qual é ministro. Ora, esse ministério po­dem exercê-la mesmo os sacerdotes pecadores, como acima dissemos ao tratar do ministério de Cristo. E por aí é frutuosa não só a oração do sacerdote pecador na missa, mas também todas as orações que reza nos ofícios eclesiásticos, onde representa a pessoa da Igreja. Mas as suas orações privadas não são frutuosas, segundo a Escritura: “Quem desvia o ouvido para não ouvir a Lei, até sua oração é um horror” (Pr 28, 9) [4].

Ainda nesse capítulo, o Aquinate responde a muitas outras perguntas interessantes: ele explica, por exemplo, se sacerdotes excomungados e reduzidos ao estado laical podem consagrar o Corpo e o Sangue do Senhor (arts. 7-8), e se pecam as pessoas que assistem à Missa celebrada por um padre nessa circunstância (art. 9).

Mas isso são apêndices. O que nos interessa agora, respondida a pergunta inicial, é tirarmos conclusões para a nossa vida espiritual. O que essas questões, aparentemente tão “técnicas”, teriam a ver com nossa caminhada de fé?

Para os padres, fica principalmente o impulso a uma vida de oração e de piedade mais intensas. No dia de sua ordenação sacerdotal, os bispos pediram a Deus, impondo-lhes as mãos, que renovasse “em seus corações o Espírito de santidade” [5], porque, no dizer de Santa Teresa d’Ávila, “os sacerdotes estão mais obrigados a ser bons do que os outros” [6]. Basta que pensemos um pouco: se “a quem muito foi dado, muito será exigido” (Lc 12, 48), o que se exigirá dos ministros da Igreja Católica, responsáveis por aspergir as almas com nada menos que o Preciosíssimo Sangue de Cristo?

Para nós, leigos, além disso, é sempre importante ter em mente a grandeza do sacerdócio e da Eucaristia, pois a fé nessas duas realidades encontra-se em grave ameaça nos últimos tempos. A tentação é ainda maior ante a desolação litúrgica que encontramos em muitos lugares. Não são raros os católicos que chegam a viver uma espécie de religião privada, com alguns sugerindo inclusive que, diante da atual situação de caos em que vivemos, sequer haveria pecado grave em faltar a Missas dominicais!

Diante disso, só o que resta é lançar um apelo à consciência de todos os católicos, a fim de que não abandonem a Santa Missa jamais, mesmo que o ministério de música faça um barulho quase ensurdecedor; mesmo que o sacerdote faça a pior homilia do mundo; mesmo que enfrentar uma liturgia mal celebrada seja a única alternativa à disposição. O santo sacrifício da Missa tem um valor único, que não pode ser diminuído por nenhuma circunstância, não importa o quão terrível ela seja. Afinal, Jesus Cristo se faz presente todas as vezes que o padre pronuncia sobre o pão e o vinho as palavras da consagração.

Se você, como muitos, está desanimado com os membros humanos e falíveis da Igreja, lembre-se do que diz a fé católica sobre a Eucaristia. Vá à igreja por causa de Cristo, participe das Missas para estar com Ele e esqueça todo o resto. Se a música não o ajuda, se o padre não o ajuda, se quem está ao lado não o ajuda, lembre-se que Cristo, na Cruz, antes de morrer, também não tinha quase ninguém ao seu lado. Faça companhia a Ele e aproveite a oportunidade para rezar, de coração, aquilo que o Anjo de Portugal ensinou aos pastorinhos de Fátima: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.”

Assim nós seguiremos o exemplo dos santos. Santa Teresa conta, em seu Livro da Vida, uma visão que teve certa vez, de um padre que rezava a Santa Missa estando em pecado mortal. O sentido dessa revelação ela logo percebeu qual era:

O Senhor me disse que rogasse por ele e que permitira semelhante coisa para que eu entendesse que força tinham as palavras da consagração e visse que, por pior que seja o sacerdote que as pronuncia, Deus está sempre ali; disse também que o fizera para que eu conhecesse sua grande bondade, que se põe nas mãos do inimigo só para o meu bem e o de todos [7].

Por que nós somos católicos e por que vamos à igreja? Porque “Deus está sempre ali” e, muitas vezes, “se põe nas mãos do inimigo só para o meu bem e o de todos”. Como é bom e consolador ter Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento do altar!

Referências

  1. São João Crisóstomo, De Proditione Judae, 1, 6 (PG 49, 380C), citado em: Catecismo da Igreja Católica, § 1375.
  2. São Gregório, citado por Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 82, a. 6.
  3. São Pascásio Radberto, De Corpore et Sanguine Domini, c. 12, n. 1 (PL 120, 1310BC).
  4. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 82, a. 6.
  5. Pontifical Romano. São Paulo: Paulus, 2000, p. 115.
  6. Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida (c. 38, n. 23). In: Escritos de Teresa de Ávila, São Paulo: Loyola, 2001, p. 269.
  7. Idem.

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Por que exaltamos a Santa Cruz?
Espiritualidade

Por que exaltamos a Santa Cruz?

Por que exaltamos a Santa Cruz?

Por que os católicos celebram hoje um dos piores instrumentos de morte e tortura da história? Leia esta breve meditação e descubra por que nenhuma força terrena pode derrotar quem crê em Cristo crucificado.

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Setembro de 2018
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Alguns anos atrás, participei de um retiro durante o qual um sábio diretor espiritual compartilhou insights profundos a respeito do mistério da Cruz. Em honra à festa de hoje — o Triunfo (ou Exaltação) da Santa Cruz —, permitam-me compartilhá-los com vocês, na medida do que me for possível. Trata-se de uma meditação muito conveniente, já que, aparentemente, a Igreja nunca participou de modo tão intenso do mistério da crucifixão como nesse momento da história.

A Santíssima Trindade, o Deus uno e trino, infinito e eterno, que existe antes e além de todas as coisas, e governa o universo com poder, sabedoria e amor — essa Trindade habita a alma em estado de graça. Um portento maravilhoso demais para entender! A alma espiritual feita à imagem de Deus torna-se o seu sacrário, o seu templo, o seu lugar de repouso, o seu deleite. Seja saboreando essa presença de Deus na quietude de uma meditação, seja simplesmente tendo fé nela com base nas palavras de Nosso Senhor (cf. Jo 14, 23), trata-se de uma verdade que é fonte de alegria e de fortaleza, especialmente quando estamos passando pela morte — seja ela metafórica, institucional ou mesmo física.

A fé e a esperança são necessárias, acima de tudo, quando não vemos nada e não temos nada em nossas mãos, quando somos pobres. E isto, em si mesmo, é algo com que devemos nos alegrar: o fato de sermos pobres! “Bem-aventurados os pobres em espírito”, disse Jesus, “porque deles é o Reino dos céus”. É deles, já agora. Quando estamos na escuridão, “no vale da sombra da morte” (como põe sinistramente a Escritura), nós precisamos mais do que nunca de fé e esperança; Deus está pedindo para que nos entreguemos em suas mãos, dependamos dEle, confiemos nEle, olhemos para Ele, procuremos a sua face.

A alegria da Santíssima Trindade está presente no coração do Crucificado, no centro mesmo da Cruz. A Cruz é a fonte de nossa vida cristã; foi a Paixão de Cristo o que nos redimiu do pecado, abriu-nos os portões do céu, granjeou-nos a amizade divina.

Mas a Cruz nunca é o fim, seja para Cristo, seja para o cristão. A Paixão atinge o seu cumprimento na ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação e também a nossa fé” (1Cor 15, 14). Por que o Apóstolo diz isso? Porque, se Ele não houvesse ressuscitado, então o sofrimento e a morte seriam a última palavra na vida. Mas a morte não pode ser o sentido da vida; ao contrário, é a vida, a vida do Senhor ressuscitado, o que dá sentido à morte, o que dá razão ao ato de morrer, o que explica por que é bom morrer para o mundo e para si mesmo por amor. A despeito das durezas ao longo do caminho, nós jamais nos esquecemos da meta: “Nossa habitação está no céu” (2Cor 5, 1; cf. Fl 3, 20). Os momentos de alegria na terra são apenas sinais para nos lembrar de nosso destino: a felicidade eterna.

Jesus, que é a Verdade, não afasta a verdade de nós; ele não nos “poupa”, não nos esconde a verdade. Isso se tornou mais claro do que nunca com os escândalos eclesiais à nossa volta, nos quais homens que deveriam ser “outros Cristos” afastaram e esconderam a verdade de nós. Jesus não é como pessoas que falam (com soberba condescendência) da ignorância como uma bênção, ou que prometem uma vida sem sofrimento. Ele não nos oferece remédios que podem tirar toda a dor, porque tais remédios acabam tirando também algo de nossa humanidade, podendo tirar até mesmo nossa consciência e nossa vida. Jesus ensinou seus discípulos a respeito da Cruz e da Ressurreição ao mesmo tempo, porque elas sempre andam juntas. Ele não nos induz erroneamente a pensar que pode haver Páscoa sem a Sexta-feira Santa.

A Igreja saiu do lado aberto de Cristo crucificado. Se toda ela nasceu desta forma, então todo homem batizado nasce do mesmo modo: concebido no Coração de Jesus e saindo de seu lado aberto. Jesus derramou até sua última gota de sangue e água por você, gerando-o para uma vida nova. E por quê? Porque Ele o ama, porque Ele quer partilhar sua alegria, amor e glória eternas com você, e irá até o extremo para fazer com que você consiga.

É por isso que Ele nos dá o Paráclito, o Consolador, o Advogado. Como São João declara no Apocalipse: “Deus enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição” (Ap 21, 4) Mas já agora o Paráclito nos está confortando, a fim de não perdermos a coragem.

“Deus está me pedindo demais, eu sou muito fraco” — seja sincero, é isso o que nós frequentemente somos tentados a pensar. Mas isso é falso. Lembre-se de Elias no deserto: “Basta, Senhor, tirai-me a vida, porque não sou melhor do que meus pais”, ele disse. Deus envia-lhe então um anjo: “Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer” (1Rs 19, 7). Deus sabe o que precisamos e no-lo dá abundantemente; nós só temos de nos convencer disso, levantar e comer. Deixados a nós mesmos, o caminho é muito pesado; só com Deus ele é possível.

Nós estamos sempre tentando fazer as coisas por nós mesmos. Mas Deus irá nos ensinar, de uma forma fácil ou difícil, que “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5), mas “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13). “Nosso auxílio está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 123, 8): se Ele fez céus e terra, Ele pode certamente nos ajudar a sair de nossas piores provações. Nossa mais elevada dignidade é sermos ajudados por Deus, porque assim Ele se coloca, de certa forma, a nosso serviço (cf. Lc 12, 37).

Para o humilde, para o pobre que confia em Deus, o caminho se torna mais fácil. Ele não nos irá desapontar, Ele não deixará de cumprir as suas promessas. Ele é nosso Pai fiel e que nos ama. “Se você lhe pedir pão, Ele por acaso lhe dará uma pedra?” (cf. Mt 7, 9). “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, nós rezamos, e Ele no-lo dá, no Pão supersubstancial dos anjos, na Santíssima Eucaristia.

Ele só está nos esperando pedir, confiar, colocar-nos em suas mãos amorosas. É isso o que faz a fé; nisso consiste o ato de fé. Nós temos fé em Deus quando confiamos nEle, apesar da escuridão. Quando a Escritura diz que somos “salvos pela fé” (Ef 2, 8), eis o que isso significa: nós somos salvos sempre que humildemente rezamos a Deus: “Eu confio em vós, eu me entrego a vós, eu me coloco em vossas mãos. Fazei de mim como for de vosso agrado, fazei de mim o que quiserdes, porque eu sou vosso”. Essa é a atitude de uma criança de Deus, que sabe que o seu Pai é amoroso, é amor.

Isso é o que o sacrifício perfeitíssimo da Cruz nos mostra, nos ensina e nos dá o poder de fazer. Isso é o que o santo sacrifício da Missa torna repetidamente presente em nosso meio, a fim de que o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor seja sempre nosso, permeando nossa existência e remodelando-nos para a vida eterna. Por isso é que um cristão com fé é invencível e nenhuma força terrena pode derrotá-lo.

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Gestos e posições do povo na Santa Missa
Liturgia

Gestos e posições
do povo na Santa Missa

Gestos e posições do povo na Santa Missa

Quando se sentar, ficar de pé e se ajoelhar na celebração do santo sacrifício da Missa? O que prescreve a liturgia, o que recomenda a tradição e o que sugere a piedade nessa matéria?

​Adoremus, Salvem a Liturgia!14 de Setembro de 2018
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São muitos os que nos escrevem, já há algum tempo, perguntando quais são os gestos que deve fazer e as posições que deve assumir o povo durante a celebração da Santa Missa. Por isso, trazemos abaixo um bom guia, publicado pelo site norte-americano Adoremus, traduzido pelo site brasileiro Salvem a Liturgia! e adaptado aqui e ali por nossa equipe.

As orientações a seguir contêm, de modo indiscriminado, gestos a) prescritos pelos livros litúrgicos, outros b) recomendados pela tradição e outros ainda c) apenas sugeridos pelo simbolismo que carregam. Não se trata, portanto, de um “manual” a ser seguido estritamente e em todas as suas particularidades, mas, sim, de um auxílio à piedade dos fiéis, para que participem melhor e mais frutuosamente do santo sacrifício da Missa.

As instruções propriamente obrigatórias a esse respeito encontram-se disponíveis na Instrução Geral do Missal Romano, nn. 42-44, e no Cerimonial dos Bispos.


Ritos Iniciais

Fazer o sinal da Cruz com água benta (sinal do Batismo), se houver, ao entrar na igreja.

Fazer genuflexão em direção ao sacrário contendo o Santíssimo Sacramento e ao altar do sacrifício antes de se dirigir ao banco. (Se não houver sacrário no presbitério ou ele não for visível, inclinar-se profundamente ao altar, a partir da cintura, antes de se dirigir ao banco.)

Chegando ao banco, ajoelhar-se para oração privada antes de a Missa começar.

Ficar de pé para a procissão de entrada.

Inclinar-se quando o crucifixo, sinal visível do sacrifício de Cristo, passar por você na procissão. (Havendo um bispo, inclinar-se quando ele passar, reconhecendo-o assim como pastor do rebanho e representante da autoridade da Igreja e de Cristo.)

Permanecer de pé para os ritos iniciais. Fazer o sinal da Cruz junto com o sacerdote no começo da Missa.

Bater no peito ao “mea culpa” (“por minha culpa, minha tão grande culpa”) no Confiteor.

Fazer inclinação de cabeça e o sinal da Cruz quando o sacerdote disser “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós…”

Fazer inclinação de cabeça ao dizer o “Senhor, tende piedade de nós” no Kyrie.

Se houver o Rito da Aspersão (Asperges), fazer o sinal da Cruz quando o padre aspergir água em sua direção.

Durante a Missa, fazer inclinação de cabeça a cada menção do nome de Jesus e a cada vez que a Doxologia [“Glória ao Pai...”] for rezada ou cantada. Também quando pedir que o Senhor receba a nossa oração. (“Senhor, escutai a nossa prece” etc., e ao fim das orações presidenciais: “Por Cristo nosso Senhor” etc.)

Glória: fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus. (“Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito...”, “Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo...”)

Liturgia da Palavra

Sentar-se para as leituras da Sagrada Escritura.

Ficar de pé para o Evangelho ao verso do Alleluia.

Quando o ministro anunciar o Evangelho, traçar o sinal da Cruz com o polegar na cabeça, nos lábios e no peito. Esse gesto é uma forma de oração para pedir a presença da Palavra de Deus na mente, nos lábios e no coração.

Sentar-se para a homilia.

Credo: De pé; fazer inclinação de cabeça ao nome de Jesus; na maioria dos Domingos inclinar-se durante o Incarnatus (“e se encarnou pelo Espírito Santo... e se fez homem”); nas solenidades do Natal e da Anunciação todos se ajoelham a essas palavras.

Fazer o sinal da Cruz na conclusão do Credo, às palavras: “e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.”

Liturgia Eucarística

A Consagração, ápice da Santa Missa.

Sentar-se durante o ofertório.

Ficar de pé quando o sacerdote disser “Orai, irmãos e irmãs…” e permanecer de pé para responder “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício…”

Se for usado incenso, o povo levanta-se e faz inclinação de cabeça ao turiferário quando ele fizer o mesmo, tanto antes como depois da incensação do povo.

Permanecer de pé até o final do Sanctus (“Santo, Santo, Santo…”) e manter-se de joelhos durante toda a Oração Eucarística.

No momento da Consagração de cada espécie, inclinar a cabeça e pronunciar silenciosamente “Meu Senhor e meu Deus”, reconhecendo a presença de Cristo no altar. Estas são as palavras de São Tomé ao reconhecer verdadeiramente a Cristo quando este lhe apareceu no Cenáculo (cf. Jo 20, 28). Jesus disse: “Acreditaste porque me viste. Felizes os que acreditaram sem ter visto” (Jo 20, 29).

Ficar de pé ao convite do sacerdote para a Oração do Senhor.

Com reverência, unir as mãos e inclinar a cabeça durante a Oração do Senhor.

Manter-se de pé para o sinal da paz, após o convite. (O sinal da paz pode ser um aperto de mãos ou uma inclinação de cabeça à pessoa mais próxima, acompanhada das palavras “A paz esteja contigo”.)

Na recitação (ou canto) do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”), bater no peito às palavras “Tende piedade de nós”.

Ajoelhar-se ao fim do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus…”).

Fazer inclinação de cabeça e bater no peito ao dizer: “Domine, non sum dignus…”  (“Senhor, não sou digno…”).

Recepção da Comunhão

Deixar o banco (sem genuflexão) e caminhar com reverência até o altar, com as mãos unidas em oração.

Fazer um gesto de reverência ao se aproximar do ministro em procissão para receber a Comunhão. Se ela for recebida de joelhos, não se faz nenhum gesto adicional antes de recebê-la.

Pode-se receber a Hóstia tanto na língua como na mão.

Para o primeiro caso, abrir a boca e estender a língua, de modo que o ministro possa depositar a Hóstia de forma apropriada. Para o outro caso, posicionar uma mão sobre a outra (a esquerda sobre a direita, em forma de cruz), de palmas abertas, para receber a Hóstia. Com a mão de baixo (ou seja, a direita), tomar a Hóstia e com reverência depositá-la na sua boca. (Ver as diretrizes da Santa Sé de 1985).

Se estiver carregando uma criança no colo, é muito mais apropriado receber a Comunhão na língua.

Ao comungar também do Cálice, fazer o mesmo gesto de reverência ao se aproximar do ministro.

Fazer o sinal da Cruz após ter recebido a Comunhão.

Ajoelhar-se em oração ao retornar para o banco depois da Comunhão, até o sacerdote se sentar, ou até que ele diga “Oremos”.

Ritos Finais

Ficar de pé para os ritos finais.

Fazer o sinal da Cruz durante a bênção final, quando o sacerdote invocar a Trindade.

Permanecer de pé até que todos os ministros tenham saído em procissão. (Se houver procissão recessional, fazer inclinação ao crucifixo quando ele passar.)

Se houver um hino durante o recessional, permanecer de pé até o final da execução. Se não houver hino, permanecer de pé até que todos os ministros tenham se retirado da parte principal da igreja.

Depois da conclusão da Missa, pode-se ajoelhar para uma oração privada de ação de graças.

Fazer uma genuflexão ao Santíssimo Sacramento e ao Altar do Sacrifício ao sair do banco e deixar a (parte principal da) igreja em silêncio.

Fazer o sinal da Cruz com água benta ao sair da igreja, como recordação batismal de anunciar o Evangelho de Cristo a toda criatura.

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A farsa do “Estado laico”
Política

A farsa do “Estado laico”

A farsa do “Estado laico”

Os Papas do século XIX estavam certos: não é possível haver um espaço público religiosamente neutro. O ambiente social será ou religioso ou irreligioso, ou cristão ou anticristão. O laicismo sempre se autodestrói em ideologia intolerante.

Peter Kwasniewski,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Setembro de 2018
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Há muito tempo nós ouvimos falar que a solução para os problemas sociais, inclusive os problemas que vivem os católicos nas democracias ocidentais modernas, é que todo o mundo deveria “viver e deixar viver” — que todos deveríamos defender o Estado laico e ficar satisfeitos por viver em uma terra onde as pessoas são livres para levar a vida como quiser, desde que elas permitam às outras viverem do mesmo modo e contanto que ninguém machuque ninguém. Não há razão alguma para conflitos se nós simplesmente seguirmos esse senso comum de tolerância.

Isso soa bem na teoria, mas como funciona na prática?

A realidade é que a prática da religião (e, mutatis mutandis, a oposição violenta a ela, que é o ateísmo moderno) é necessariamente uma coisa pública e política.

Por exemplo, se todos os católicos devem adorar em um determinado dia, eles precisam se abster do trabalho por todo o dia ou durante uma parte dele; se deve haver uma procissão, uma avenida principal precisa ser interditada durante o ato. O primeiro exemplo tornará as empresas menos eficientes ou menos lucrativas, ou as duas coisas; o segundo afetará o tráfego, talvez o comércio, e certamente parecerá como uma imposição aos descrentes ou aos indiferentes.

O ateísmo moderno, por sua vez, não é menos público nem menos político: ele procura se livrar de todos os símbolos religiosos, como crucifixos e presépios de Natal, e, se pudesse, aboliria também os domingos e dias santos (coisa que, de fato, já está acontecendo em vários lugares). Se os descrentes pudessem fazer o que quisessem, não haveria lugar nem respeito algum para o cristianismo no espaço público.

Neste sentido, o laicista não é alguém que pensa que todas as visões de mundo devem poder florescer; ao contrário, ele acredita que a única visão passível de ser tolerada é aquela que diz que nenhuma visão é suficientemente conhecida como verdadeira para ter qualquer precedência ou prerrogativa sobre as outras. Por essa “lógica”, o ateísmo torna-se, de facto, o público padrão e o credo político.

É possível ilustrarmos o problema com um exemplo cristalino. Quando alguém escuta música no próprio carro (especialmente com alto-falantes e vidros abertos, dirigindo pela avenida principal) ou no volume máximo em seus fones de ouvido, ele obriga todo o mundo ao seu redor a escutar o que ele está escutando. A sua “livre escolha” de escutar impõe aos outros uma situação que estes não escolheram livremente. Essa pessoa está forçando as outras a se submeterem à sua liberdade. Assim, “dar liberdade a todo o mundo” é algo ilusório; o exercício da liberdade de um homem pode e muito provavelmente irá afetar os direitos dos outros.

Nós vemos isso acontecer de modo dramático com o agressivo lobby homossexual. Quando o “casamento gay” é legalizado em um país, o que acontece com a liberdade de confeiteiros, decoradores, comerciantes de tecidos, músicos e igrejas que, seguindo sua consciência cristã (e baseada na lei natural), escolhem trabalhar apenas com casamentos heterossexuais? “Sinto muito, amigo, você não tem mais liberdade; o ‘Estado laico’ a tomou de você. Você deve fazer agora apenas o que o Estado lhe disser para fazer — nada mais, nada menos.”

O exemplo mais sério, obviamente, é a negação do direito do nascituro ao cuidado de uma mãe e de um pai e à proteção da lei. Por causa do intolerante credo laicista, a liberdade da mulher significa tudo, enquanto a vida da criança, bem como seus direitos e sua eventual liberdade, não significam nada. Mas só uma paródia demoníaca da liberdade procura abolir e aniquilar a liberdade de outra pessoa a fim de assegurar a sua própria.

Se o ambiente social não é católico, ele será preenchido, ao longo do tempo, por elementos pagãos e anticatólicos. A sociedade, assim como a natureza, abomina o vácuo. Nós temos visto mais confirmações do que nunca desta verdade que os grandes Papas do século XIX ensinaram: não existe isso de um espaço público religiosamente neutro, uma sociedade que não privilegie um credo. O espaço público será ou religioso ou irreligioso, ou cristão ou anticristão. O laicismo sempre se autodestrói em ideologia intolerante.

Notas

  • Como a finalidade do texto era condenar o pensamento de que a religião não deve ter influência alguma sobre as instituições da sociedade civil, os termos liberal e liberalism, presentes no original, foram substituídos ao longo dessa tradução pelas expressões “Estado laico”, “laicismo” e equivalentes. Não fizemos uma tradução literal da palavra — liberalismo — para evitar a confusão com a doutrina econômica de mesmo nome.

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