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O Calvário e a Missa - Parte III
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O Calvário e a Missa - Parte III

O Calvário e a Missa - Parte III

Apresentamos a terceira parte da tradução do prólogo do livro "Calvary and the Mass" do Venerável Bispo Fulton J. Sheen

Fulton J. Sheen,  Calvary and the MassTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2013
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O que é importante, neste ponto, é que assumamos a adequada atitude mental diante da Missa, e nos lembremos deste importante fato, que o Sacrifício da Cruz não é algo que aconteceu há dezenove séculos. Ele ainda está acontecendo. Não é algo que aconteceu no passado como a assinatura da Declaração de Independência; é um drama permanente no qual a cortina ainda não foi abaixada. Não deixemos que se pense que tudo já aconteceu há muito tempo, e, dessa forma, não diz mais nada a nós a não ser como algo no passado. O Calvário pertence a todos os tempos e a todos os lugares. É por isso que, quando Nosso Senhor subiu às alturas do Calvário, foi oportunamente despojado de Suas vestes: Ele salvaria o mundo sem os ornamentos de um mundo passageiro. Suas vestes pertenciam ao tempo, porque elas O localizavam, e O fixavam como um habitante da Galileia. Agora que Ele foi despojado delas e completamente despojado de coisas terrestres, Ele não mais pertence à Galileia, nem a uma província romana, mas ao mundo. Ele se tornou o pobre universal do mundo inteiro, pertencendo não a um povo, mas a todos os homens.

Para expressar melhor a universalidade da Redenção, a cruz foi levantada na encruzilhada da civilização, num ponto central entre as três grandes culturas de Jerusalém, Roma e Atenas, em nome das quais Ele foi crucificado. A cruz foi, dessa forma, afixada como um sinal diante dos olhos dos homens, para arrebatar o indolente, cativar o insensato e seduzir o mundano. Foi o único fato ineludível, ao qual as culturas e as civilizações do Seu tempo não puderam resistir. É também o único fato ineludível do nosso tempo, ao qual não podemos resistir.

As personagens na Cruz são símbolos de todos os que crucificam. Nós estávamos lá em nossos representantes. O que nós fazemos agora para o Cristo Místico, eles fizeram em nossos nomes para o Cristo histórico. Se nós temos inveja dos bons, nós estávamos lá nos escribas e nos fariseus. Se temos medo de perder alguma vantagem temporal ao abraçarmos o Divino Amor e a Verdade, estivemos lá em Pilatos. Se confiamos nas forças materiais e buscamos conquistar por meio do mundo ao invés do espírito, estivemos lá em Herodes. E a história continua nos pecados comuns do mundo. Todos eles nos tornam cegos para o fato de que Ele é Deus. Existe, então, um tipo de certeza inevitável sobre a Crucifixão. Os homens que são livres para pecar são também livres para crucificar.

Enquanto houver pecado no mundo a Crucifixão é uma realidade. Como o poeta colocou:

"Eu vi o filho do homem passando, Coroado com uma coroa de espinhos. 'Não estava terminado Senhor', disse eu, 'E todo o sofrimento carregado?'
"Ele voltou para mim seu olhar tremendo: 'Ainda não entendeste? Toda alma é um Calvário e todo pecado é um madeiro".

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O Jesus do mundo
Sociedade

O Jesus do mundo

O Jesus do mundo

Jesus não é um hippie "paz e amor, bicho", nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2013
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Uma grande revista de circulação nacional estampava em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: "Deus é pop". A reportagem tratava da espiritualidade juvenil e da maneira particular com que cada um se relacionava com o divino. A revista ainda fazia questão de enfatizar as peculiaridades desses novos movimentos, sobretudo as novidades, como altar em forma de prancha, uso de rock n'roll durante os cultos, grandes baladas "cristãs", etc.

O que a matéria reflete não é uma novidade na história. Pelo contrário, ao longo dos séculos o que mais se viu foi a tentativa de desmontar Jesus Cristo, tomando apenas partes de seu Evangelho em detrimento de outras, somente para saciar ou atender às próprias veleidades. Esses que querem esquartejar Jesus (como se não bastasse a Crucifixão), dizem aceitar o Amor, mas se esquecem que esse Amor não compactua com nenhuma forma de mal nem com o pecado. Esquecem-se que o Amor também significa compromisso consigo mesmo e com o próximo. Que a misericórdia também significa justiça. Enfim, escolhem as partes de Jesus que mais lhes convém, como se Ele estivesse exposto numa prateleira de mercado.

Essa tendência de se tomar a parte pelo todo, segundo o Papa Emérito Bento XVI no livro Jesus de Nazaré, ficou mais evidente a partir da década de 1950. Ela se reflete nas adaptações de Cristo às várias modalidades de culto facilmente encontradas hoje em dia e que acabam por revelar um dramático empobrecimento da fé cristã, devido a uma recusa à personalidade "exigente" e "comprometedora" do Jesus original.

Qual o motivo dessa recusa? A resposta pode ser encontrada nas palavras de São Paulo à comunidade dos Romanos: "Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos" (Cf. Rm 1, 25). Colocaram-se acima do Criador e fizeram-se senhores do "bem" e do "mal". E é por isso que se faz necessário aos missionários do mundo corromper a verdadeira imagem do Salvador num garotão patético que aceita tudo pela "paz" e o "amor". A presença da Igreja no mundo é como a presença de uma mãe no quarto de um filho que aprontou. Ele sempre tentará convencê-la, seja por desculpas, seja por birras, a abonar suas traquinagens. Mas uma mãe que ama jamais o fará, quanto mais a Igreja!

Outra motivação para esta recusa pode ser encontrada nas teologias modernas que, na ânsia de "salvarem" Jesus das indagações científicas, concebem-No irreconhecível. Este mais representa um retrato ideológico que o próprio Verbo Encarnado. O patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, compara essa atitude a dos Discípulos de Emaús, pois são os teólogos que querem dizer para Cristo quem de fato Ele é:

"Vemos a imagem de uma certa teologia, mais desejosa do que iluminada, totalmente dedicada à árdua e improvável tentativa de salvar, através de suas próprias categorias, Jesus Cristo e a Sua Palavra. Mas, nesta imagem, somos representados nós mesmos, cada vez, com nossa programação pastoral, com nossos projetos e debates, à parte de uma verdadeira fé, pretendemos explicar a Jesus Cristo quem Ele é." (Dom Francesco Moraglia)

Ora, não é o ser humano que diz a Jesus quem Ele é, mas é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que diz quem é o ser humano. Adaptar Cristo a um estilo de vida não condizente à reta vivência cristã reflete um apego aos prazeres do mundo, no qual se faz mais importante o vício que o Cristo crucificado. Não, Jesus não é um hippie "paz e amor, bicho", nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

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O motivo da decadência do apostolado católico
Espiritualidade

O motivo da decadência
do apostolado católico

O motivo da decadência do apostolado católico

Se um apostolado vai mal, é possível dizer, quase com certeza divina, que se trata de um apostolado sem Deus ou que já O esqueceu e abandonou.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Abril de 2013
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A enxurrada de más notícias divulgadas pelos jornais e tantos outros meios de comunicação faz o católico, muitas vezes, se sentir impotente diante da maldade. É quase comum uma reação de desânimo, letargia e desespero. Ainda mais quando o ambiente em que se vive não está enraizado naquela fé viva, o fundamento da esperança e a certeza do que não se vê (Cf. Hb 11, 1), da qual falava São Paulo. Não obstante, outra atitude igualmente motivada pela falta de fé na graça divina é a do ativismo pessoal. São os autossuficientes, os que se acham bons demais para perderem algumas horas na Igreja rezando.

Provavelmente, muitos já escutaram de algum amigo, parente ou mesmo dentro da Igreja que a oração não passa de perda de tempo. Qual o propósito de rezar enquanto tantos sofrem, agonizam e passam fome? Não seria melhor alimentá-los, retirá-los da rua, ao invés de ficar diante um crucifixo repetindo palavras? Ora, não é preciso muito esforço para perceber a mediocridade desse tipo de pensamento. Uma pessoa que defenda tamanha estupidez tem uma visão muito míope sobre apostolado cristão e caridade. É evidente de que se trata de um indivíduo sem fé e materialista, mesmo que não perceba.

É óbvio que aqui não se defende o fideísmo de Lutero ou qualquer heresia do gênero. Não! A Igreja sabe muito bem da necessidade de se esforçar para entrar pela porta estreita. Sabe-se que o verdadeiro amor gera frutos e boas obras, mas essas boas obras só nascem de um diálogo profundo e amigável com Deus, um diálogo radicado na cruz. Com efeito, "toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo" (Cf. Mt 7, 19). Fica claro, assim, que tanto a fé sem obras quanto as obras sem fé são coisas abomináveis.

Um livro muito importante para a espiritualidade cristã, chamado "A alma de todo apostolado", fez questão de abordar esse tema em um de seus capítulos. A obra foi escrita por Dom Chautard, abade cisterciense, e foi o livro de cabeceira do Papa São Pio X.

"Se quereis que Deus abençoe e torne fecundo o vosso apostolado, empreendido para a sua glória, impregnai-vos bem do espírito de Jesus Cristo, procurando adquirir uma intensa vida interior. Para este fim, não vos posso indicar melhor guia do que "A alma de todo o apostolado" de Dom Chautard, abade cisterciense. Recomendo-vos, calorosamente, esta obra, que estimo particularmente, e da qual fiz o meu próprio livro de cabeceira." (Palavras de São Pio X, durante a visita ad limina dos bispos do Canadá, em 1914)

No capítulo II, o abade recorda um ensinamento de um cardeal da época sobre a "heresia das obras". "Com esta expressão", diz Dom Chautard, o cardeal estigmatizava "a aberração de um apóstolo que, esquecendo‑se do seu papel secundário e subordinado"- ou seja, que Cristo é o protagonista, não ele - "unicamente esperasse o bom êxito do seu apostolado, da sua atividade pessoal e dos seus talentos".

O abade lembra Cristo como o autor e princípio da vida. Desse modo, os apóstolos jamais podem perder de vista a seguinte verdade: "que, para participar dessa vida e comunicá‑la aos outros, hão mister de ser enxertados no Homem‑Deus". Os discípulos de Jesus devem se reconhecer como "modestos canais" da graça do Senhor, não como seus autores. Por conseguinte, aqueles que menosprezam Deus e a oração caem em terrível desgraça, nas palavras de Dom Chautard, numa "atividade febril". Ademais, todas as suas obras estão fadadas ao fracasso, pois não foram edificadas na rocha, mas na areia:

"Salvo em tudo o que opera sobre as almas ex opere operato, Deus deve ao Redentor o subtrair ao apóstolo, cheio de arrogância, as suas melhores bênçãos para reservá‑las ao ramo que humildemente reconhece que somente pode haurir a sua seiva no tronco divino. De outra sorte, se abençoasse com resultados profundos e duradouros uma atividade envenenada por esse vírus a que chamamos heresia das obras, Deus dava mostras de animar essa desordem e permitir seu contágio".

Palavras fortes e, ao mesmo tempo, tão atuais. Como não reconhecê-las em tantos católicos que enxergam a fé apenas como um pressuposto, como dizia Bento XVI na Carta Apostólica Porta Fidei, e se lançam às obras negociando princípios que sob hipótese alguma poderiam ser negociados? Como não enxergá-las em tantos discursos ideológicos que propõem reflexões totalmente absurdas e contrárias à sã doutrina a pretexto de um mundo melhor, de um mundo onde todos sejam "iguais"? Se um apostolado vai mal, pode-se dizer quase com certeza divina, que se trata de um apostolado sem Deus ou que já O esqueceu. Ou se muda isso, ou corre-se o risco de transformar a Igreja naquilo que o Santo Padre Francisco denunciou tão sabiamente na sua primeira homilia, "numa ONG piedosa".

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O Calvário e a Missa - Parte II
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O Calvário e a Missa - Parte II

O Calvário e a Missa - Parte II

Apresentamos a segunda parte da tradução do prólogo do livro "Calvary and the Mass" do Venerável Bispo Fulton J. Sheen

Fulton J. Sheen,  Calvary and the MassTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Abril de 2013
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No dia seguinte, Ele realizou em sua completude o que fora prefigurado e indicado no dia anterior, ao ser crucificado entre os dois ladrões e Seu Sangue se esvair de Seu Corpo para a redenção do mundo.

A Igreja que Cristo fundou não somente preservou a Palavra que Ele falou, e as maravilhas que Ele operou; ela também O levou a sério quando Ele disse: "Fazei isto em memória de mim". E a ação por meio da qual nós revivemos Sua Morte na Cruz é o sacrifício da Missa, no qual nós celebramos como que um memorial do que Ele fez na sua Última Ceia, para prefigurar a Sua Paixão.

Por essa razão, a Missa é para nós o ápice do culto Cristão. Um púlpito no qual as palavras de nosso Senhor são repetidas não nos une a Ele; um coro no qual doces emoções são cantadas nos mantém tão distantes de Sua Cruz quanto de Suas Vestes. Um templo sem altar de sacrifício não existe entre os povos primitivos, e é sem sentido entre os cristãos. E, dessa forma, na Igreja Católica o altar, e não o púlpito ou o coro ou o órgão, é o centro da liturgia, pois nele é revivido o memorial de Sua Paixão. Seu valor não depende de quem o diz, ou de quem o ouve; seu valor depende Dele que é o único Sumo Sacerdote e Vítima, Jesus Cristo nosso Senhor. Com Ele nós estamos unidos, apesar de nosso nada; em um certo sentido, por um momento, nós perdemos a nossa individualidade; nós unimos nosso intelecto e nossa vontade, nosso coração e nossa alma, nosso corpo e nosso sangue, tão intimamente com Cristo, que o Pai Celeste não vê mais a nós por meio de nossas imperfeições, mas O vê em nós, o Filho Amado no qual Ele pôs Seu bem querer. A Missa é, por essa razão, o maior evento na história da humanidade; o único ato que protege o mundo pecaminoso da ira de Deus, porque sustenta a Cruz entre o céu e a terra, renovando, assim, o decisivo momento em que nossa triste e trágica humanidade, de forma inesperada, tomou o rumo da plenitude de uma vida sobrenatural.

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