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Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?
Espiritualidade

Com o que teria
sonhado a esposa de Pilatos?

Com o que teria sonhado a esposa de Pilatos?

Um pequeno detalhe do Evangelho chamou a atenção dos teólogos e literatos ao longo dos séculos: um sonho da esposa de Pôncio Pilatos, a partir do qual ela tentou salvar Jesus da condenação à morte. Mas, afinal, com o que ela teria sonhado?

Stephanie MannTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Março de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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O Evangelho de São Mateus contém um pequeno detalhe ausente dos outros relatos da Paixão. A esposa de Pôncio Pilatos manda uma mensagem a ele pedindo que não faça nada com Jesus, porque ela tivera um sonho terrível e sofrera muito por causa dele [1]. Ela diz que Jesus é inocente (cf. Mt 27, 19).

A partir deste versículo, a tradição e a literatura desenvolveram uma grande história de conversão. Nas Igrejas orientais e etíopes, a esposa de Pilatos — chamada Cláudia ou Prócula — é venerada como santa. O Evangelho de Nicodemos (influente, apesar de apócrifo) menciona o sonho dela e a reação de Pilatos ao sonho: neste relato, ele se mostra mais preocupado do que indica o Evangelho de S. Mateus. Anás e Caifás convencem-no de que o sonho e a perturbação de sua esposa são sinais de que Jesus é um feiticeiro, e Pilatos dá sequência ao julgamento.

Segundo o ensinamento de Orígenes, um dos Padres gregos da Igreja [2], Cláudia Prócula tornou-se cristã após a Ressurreição, por causa desse sonho. As York Mystery Plays incluem como personagem a esposa de Pilatos e falam de seu sonho, mas com uma interpretação oposta: Satanás aparece para tentar a esposa de Pilatos e fazê-la impedir seu marido de condenar Jesus à morte, a fim de frustrar o propósito de Jesus de redimir e salvar-nos através de sua Cruz e Ressurreição. As York Mystery Plays eram encenadas na solenidade de Corpus Christi para contar a história da Salvação desde a criação até o Juízo final. Cada peça era organizada e dramatizada por uma guilda diferente. Elas foram suprimidas durante o reino de Elizabeth I, em 1569, mas têm sido revividas em produções modernas.

A escritora inglesa Dorothy L. Sayers.

A romancista de mistérios inglesa Dorothy L. Sayers escreveu The Man Born to Be King (“O homem nascido para ser rei”), uma série de radioteatros para a BBC durante a II Guerra Mundial. As peças, transmitidas mensalmente, contavam a história de Jesus, do Natal à Ressurreição. Foi controverso, à época, o uso pela autora do inglês coloquial, pois as pessoas estavam acostumadas com o estilo arcaico da tradução bíblica (sendo a King James a mais famosa em inglês).

Cláudia, a esposa de Pilatos, tem um papel recorrente de coadjuvante em várias das peças. Primeiro ela faz contato com uma mulher cuja filha fora curada por Jesus; depois ela testemunha Jesus proclamar: “Antes que Abraão fosse, eu sou” (em The Feast of the Tabernacles, “A Festa dos Tabernáculos”); por fim, ela e Pilatos vêem-no entrar em Jerusalém, no Domingo de Ramos (em Royal Progress, “Procissão Real”). Pilatos diz à esposa que terá de condenar Jesus à morte. Ele precisa cooperar com as autoridades judaicas a fim de manter a paz e continuar ganhando o favor de César — e ela assente, porque o marido “não deve ofender César!” (em The King’s Supper, “A Ceia do Rei”). Depois de receber a advertência dela sobre o sonho em The Princes of this World (“Os Príncipes deste Mundo”), Pilatos desiste de condenar Jesus de imediato e passa a investigar as acusações contra Ele — mas, obviamente, ele termina condenando-o à morte no fim.

Enquanto Jesus está pendente na Cruz, por volta da hora nona (às 3h da tarde), Dorothy Sayers inclui uma cena na qual Pilatos pede a Cláudia que descreva o sonho que tanto a perturbou. Ela conta que estava a bordo de um barco e que ouviu um clamor; os céus ficaram escuros e o mar Egeu, agitado. O capitão do barco diz a ela que “o grande Pã está morto” [3]. Ela pergunta ao capitão como Deus pode morrer, ao que ele responde: “Você não se lembra? Eles o crucificaram. Ele padeceu sob Pôncio Pilatos.” Então, Cláudia escuta um coro de vozes repetindo as palavras do Credo dos Apóstolos: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, com o nome de seu esposo repetido em diferentes idiomas. Parece um mau presságio para ambos que o nome de Pilatos esteja tão ligado a esse julgamento, lembrado através dos séculos (em King of Sorrows, “Rei das Dores”).

Na última peça, The King Comes to His Own (“O Rei vem para os que são seus”), Cláudia ouve dizer que Jesus ressuscitou dos mortos. Um pouco atordoada, tanto ela quanto seu marido ficam felizes por estarem deixando Jerusalém. Como a primeira reação de Cláudia à notícia da Ressurreição é invocar o deus romano Apolo, não fica claro como, depois, ela se tornaria cristã.

Pôncio Pilatos e sua esposa, em “A Paixão de Cristo”.

Assim como Dorothy L. Sayers em The Man Born to Be King, Gertrud von le Fort, autora de The Song at the Scaffold (“A Última ao Cadafalso”, em tradução portuguesa), retrata o sonho de Cláudia em The Wife of Pilate (“O Sonho de Pilatos”) como ela escutando as palavras do Credo: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”, Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est.

Mas onde a versão de Dorothy Sayers vê a esposa de Pilatos ouvindo essas palavras em diferentes vozes e idiomas, a versão de Von le Fort retrata Cláudia viajando no tempo desde as catacumbas, passando por uma basílica romana, passando pelas catedrais góticas, nas quais os coros entoavam as palavras, até edifícios ainda mais irreconhecíveis (para ela), com “cortinas estranhas”. Ela ouve a polifonia da Renascença com as palavras tecidas em diferentes fios de som. Sua visão é a da Igreja ao longo dos séculos proclamando o Credo niceno na Missa

A breve história ou novela toma a forma de uma carta, escrita por uma escrava grega alforriada de Cláudia, contando os efeitos da condenação de Jesus por Pilatos na Sexta-feira Santa sobre Cláudia e o seu relacionamento com seu esposo. Cláudia procura pelos “nazarenos”, seguidores do Cristo ressuscitado, em Roma, e os ouve proclamar o Credo durante o seu culto. Ela participa de vários dos seus encontros, mas hesita em ser batizada, por causa da ação de seu esposo. Cláudia não recebe misericórdia e perdão da comunidade cristã e para de frequentá-la. Mas a perseguição de Nero aos cristãos depois do incêndio de Roma faz com que ela os procure de novo, e ela então recebe o seu batismo de sangue no Coliseu — ou seja, é martirizada. Não contarei como é o final, mas trata-se de algo assombroso, com as palavras ecoando no fundo: Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est

Na Vigília Pascal não se recita o Credo niceno, mas todos renovamos nossas promessas batismais, enquanto os catecúmenos fazem seus votos. Os recém-batizados fazem, então, com toda a assembleia, antes de ser confirmados e receber a Sagrada Comunhão, uma profissão de fé em tudo o que a Igreja crê e ensina como divinamente revelado. Ao longo do Triduum, porém, ao participarmos dos três maiores dias e noites do ano litúrgico da Igreja, nós estamos professando nossa fé no Credo, juntando-nos ao coro de vozes que a Cláudia de Dorothy Sayers e de Le Fort escutou num sonho de Sexta-feira Santa em Jerusalém. 

Para nós não é um sonho. Ele realmente é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).

Notas

  1. Inúmeros Padres e escritores eclesiásticos (entre eles, Orígenes, S. Hilário, S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Ambrósio, S. João Crisóstomo, Eutímio etc.), além de intérpretes como Teofilacto e Maldonado, opinam que este sonho foi enviado por Deus à esposa de Pilatos por mediação de um anjo: primeiro, para que Cristo desse testemunho da própria inocência pela voz de ambos os sexos, isto é, tanto por Pilatos (cf. Lc 23, 14: “Não o achei culpado”) quanto por sua esposa (cf. Mt 27, 19: “Nada faças a esse justo”), assim como os demais elementos haveriam de testemunhá-la mais tarde, quando tremesse a Terra com a morte de Cristo; segundo, porque se o sonho fosse enviado apenas a Pilatos, ele provavelmente o teria calado, mas, enviado a mulher, poderia ser revelado ao marido perante os sacerdotes e judeus reunidos no tribunal; terceiro, para manifestar que Cláudia era honesta, compassiva e piedosa, da maneira que o sonho seria um sinal de que ela acreditava em Jesus como Messias e Salvador do mundo. Além disso, como escreve S. Agostinho, “na origem do mundo, uma esposa levou o homem à morte”, isto é, Eva a Adão; “na paixão de Cristo, uma esposa provocou-o à salvação”, isto é, Cláudia a Pilatos (Serm. CXXI, de Temp.). Autores como Rábano Mauro, contudo, interpretam o sonho como uma tentação do diabo, para que Cristo fosse liberto e, assim, não resgatasse o homem do pecado: “Sabendo o diabo que, por Cristo, perderia seus despojos, pretendeu libertá-lo por uma mulher”, assim como, no princípio, levara por outra mulher o homem a tornar-se escravo (cf. Pe. Cornélio a Lapide, SJ, Commentarii, vol. 8, p. 521B. Nota da Equipe CNP).
  2. De acordo com Étienne Gilson, o título Padre da Igreja, em sentido amplo, “designa todos os escritores eclesiásticos antigos, mortos na fé cristã e na comunhão da Igreja; em sentido estrito, um Padre (ou Pai) da Igreja deve apresentar quatro características: ortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprovação da Igreja, relativa antiguidade (até fins do século III, aproximadamente)”. Segundo essa acepção, Orígenes não poderia ser chamado Padre da Igreja nem em sentido amplo (defendeu, com efeito, doutrinas condenadas pelo Magistério) nem em sentido estrito (não brilhou pela santidade de vida nem conta com a aprovação da Igreja), mas apenas escritor eclesiástico, isto é, alguém “cuja autoridade doutrinal é muito menor e cuja ortodoxia pode, inclusive, não ser irretocável”, embora seja uma testemunha antiga e importante da tradição (A Filosofia na Idade Média. Trad. port. de Eduardo Brandão. 3.ª ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. XXI) (Nota da Equipe CNP).
  3. É através da pena do historiador grego Plutarco (46-120 d.C.), em De defectu oraculorum, que temos notícia do fim de Pã, o único deus grego a morrer. Durante o reinado do imperador Tibério César (14-37 d.C.), um navio teria passado pela ilha de Paxos e de lá se ouviu uma voz que gritava, da margem, a um marinheiro de nome Tâmus: “Quando chegares a Palodes, anuncia que o grande Pã está morto!” Transmitida a notícia, tudo em torno ressoou como um lamento de dor dos animais, árvores e rochas. Esse relato foi interpretado por G. K. Chesterton como um marco do fim da mitologia e do início da teologia (Nota da Equipe CNP).

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Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?
Virgem Maria

Por que é importante
a virgindade perpétua de Maria?

Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?

Atualmente, a virgindade perpétua de Nossa Senhora é negada pela maioria dos protestantes, embora a maior parte dos reformadores defendesse essa doutrina. Mas a mãe de Jesus foi realmente virgem ao longo de toda a sua vida? E por que isso importa?

Paul SenzTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Um dos principais pontos de discórdia entre católicos e protestantes é a fé na Bem-aventurada Virgem Maria. A tradição católica de venerar a Mãe de Jesus e dogmas como a Imaculada Conceição e a Assunção são frequentemente contestados pelos protestantes. Atualmente, a virgindade perpétua de Maria é negada pela maioria dos protestantes, embora a maioria dos reformadores, alinhados à fé cristã universal de um milênio e meio antes, defendesse essa doutrina.

Mas Maria foi virgem por toda a vida? E por que isso importa?

Este não é um fórum para resumir as evidências que demonstram a virgindade perpétua de Maria. Esses argumentos já foram defendidos muitas vezes em respostas de apologistas católicos. Aqui, preocupamo-nos principalmente em saber por que é importante a resposta a essa questão.

A primeira razão pela qual a virgindade perpétua de Maria é importante é que se trata de uma verdade, não de opinião, e o fato é que a Igreja tem defendido infalivelmente essa doutrina desde os seus primeiros dias. Certamente, os Padres da Igreja, por exemplo, não defenderiam uma inverdade; afinal, veritas vos liberabit, “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A virgindade perpétua de Maria raramente foi desafiada na história cristã. Até mesmo os principais reformadores protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada nas Escrituras, e todos os Padres da Igreja a sustentaram como verdadeira.

Nomes de peso como Tertuliano, S. Atanásio, S. João Crisóstomo, S. Ambrósio e S. Agostinho argumentaram, com base nas Escrituras, que Maria permaneceu virgem por toda a vida. Isso era verdade para os cristãos em todo o mundo conhecido, latino e grego, do Oriente e do Ocidente. Orígenes de Alexandria, por exemplo, escreveu: “Não há filho de Maria, exceto Jesus, segundo a opinião dos que pensam corretamente sobre ela” (Comentário a João I 4). S. Jerônimo, o magnífico tradutor e erudito bíblico, afirmou claramente: acreditamos que Maria permaneceu virgem por toda a vida, porque lemos isso nas Escrituras (cf. Contra Helvídio 21).

O proto-evangelho de Tiago, embora não seja escritura canônica, é um importante documento histórico que nos diz muito sobre o que a Igreja primitiva acreditava. Escrito no século II d.C., não muito depois do fim da vida terrena de Maria, este documento faz um grande esforço para defender a virgindade perpétua de Maria. Na verdade, alguns estudiosos — incluindo Johannes Quasten, o grande estudioso da patrística do século XX — pensaram que esse era o objetivo principal do texto. Entre outras coisas, é do protoevangelium que colhemos a tradição segundo a qual Maria foi consagrada para o serviço no Templo quando jovem, o que significaria uma vida de virgindade perpétua. De fato, o texto indica que Maria foi confiada a José para que ele lhe protegesse a virgindade.

No II Concílio de Constantinopla, de 553 d.C., Maria recebeu oficialmente o título de “sempre Virgem”. Um século depois, o Papa Martinho I esclareceu que, com isso, a Igreja quer dizer que Maria foi virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo (ante partum, in partu, et post partum). Este é um ponto crucial — o parto virginal é essencialmente incontestável entre os cristãos. É na questão de saber se Maria permaneceu virgem que muitos protestantes discordam da Igreja Católica.

Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino (pelo menos no início da carreira) e outras primeiras figuras protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada na Bíblia. Infelizmente, ao longo dos séculos desde a Reforma, seus descendentes teológicos se perderam nesse aspecto. Hoje, poucos protestantes reconhecem a verdade, muito menos a base bíblica, da virgindade perpétua de Maria.

Novamente, não estou tentando provar o caso aqui com um apelo a uma ampla variedade de autoridades. Ofereço esta breve pesquisa de história da Igreja sobre a questão para mostrar que a Igreja frequente e inequivocamente defendeu a doutrina como verdadeira, porque sua verdade é importante, ao passo que sua negação é um desenvolvimento relativamente recente na história da Igreja.

Em segundo lugar, a virgindade perpétua de Maria é importante porque sua verdade tem implicações importantes para todos nós, a saber: aponta para além de sua vida, para o mundo que está por vir, um mundo em que não haverá mais casamento e todos seremos como Maria foi. “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22, 30), disse Jesus aos saduceus. A virgindade de Maria é uma prefiguração do céu, a recompensa para aqueles que dizem a Deus, com Maria: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Em terceiro, a virgindade perpétua de Maria é um dos muitos atributos que a tornam um belo símbolo da Igreja, como a Noiva virgem de Cristo e a Mãe fecunda dos cristãos. S. Ambrósio escreveu: “Apropriadamente, [Maria] é desposada mas Virgem, porque ela prefigura a Igreja imaculada mas casada. Uma Virgem concebeu do Espírito, uma Virgem dá à luz sem dores” (Sobre Lucas 2, 6-7).

Em quarto lugar, a virgindade perpétua de Maria diz muito sobre seu relacionamento com todos nós. Quando Cristo estava morrendo na cruz, disse a João: “Eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27). A Igreja sempre reconheceu nessa passagem não somente um filho preocupado com o cuidado da mãe depois de sua morte, mas também Cristo a entregar sua Mãe a cada um de nós. Ela também é nossa Mãe. Isso não faria sentido se Maria tivesse outros filhos, já que eles teriam sido encarregados de cuidar dela após a morte de Jesus. E isso deve importar para todos os cristãos.

Citando a Lumen Gentium, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o nascimento de Cristo ‘não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal’ da sua Mãe” (§ 499). E este ponto merece destaque especial: o nascimento virginal não foi apenas um “truque”, um milagre usado para “empolgar” as pessoas, sinalizando que algo especial aconteceu. Foi um claro indício de que Maria foi consagrada (reservada, por seu fiat) para o serviço a Deus, conformando sua vontade com a de Deus. Ela foi separada por sua virgindade, e sua virgindade foi santificada por Nosso Senhor em seu nascimento.

O parto virginal e a virgindade perpétua de Maria são sinais da sua consagração total a Deus, de serviço sincero a Ele e de um abandono total à sua vontade. Ao longo dos séculos, cristãos de todos os matizes têm defendido essa doutrina, às vezes com veemência em face de oposições. O fato da sua virgindade perpétua é importante, porque Maria foi dada a todos nós como Mãe espiritual, símbolo da Igreja. Todos os cristãos fariam bem em se voltar para Nossa Senhora e ver, em sua virgindade perpétua, um sinal da Providência de Deus.

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Por que entrarei para um mosteiro em 2021?
Testemunhos

Por que entrarei
para um mosteiro em 2021?

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?

Vivemos numa “época sem precedentes”. É por isso que, seguindo o precedente de São Bento, Santa Catarina e Santa Teresinha, entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Gretchen ErlichmanTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Vivemos numa “época sem precedentes”. Esta frase, repetida com tanta frequência, não apenas tomou as manchetes dos jornais e adornou os lábios de muitos apresentadores, mas também se tornou um mantra sempre presente em nossos encontros cotidianos. “Época sem precedentes” descreve o desconcertante conglomerado de caos político, tensões religiosas e uma sociedade conduzida por uma pandemia.

Porém, são precisamente épocas como esta que estabelecem um precedente para vocações à vida contemplativa: o Império Romano desmoronava, enquanto S. Bento compunha sua regra monástica. O Grande Cisma do Ocidente atormentava o papado, enquanto S. Catarina de Siena fazia penitência pela regeneração da Igreja. As religiosas do Carmelo de Lisieux morriam de gripe asiática, enquanto S. Teresinha rezava pela saúde e regeneração da Europa.

Em poucos meses, seguirei esse precedente, deixando para trás a vida que conheço a fim de entrar como postulante entre as irmãs dominicanas contemplativas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em North Guilford, Connecticut. Para mim, essa parece ser a melhor resposta que posso dar ao nosso atual contexto social e à vida, em sentido mais amplo.

Mas talvez essa ideia não seja tão bem compreendida quanto eu esperava. Ao compartilhar essa intenção com outras pessoas, tenho recebido de amigos, familiares, conhecidos e estranhos um número cada vez maior de perguntas em tom de perplexidade, todas elas questionando minha decisão de entrar para um mosteiro. — Por que eu faria isso justamente agora? Por que eu gostaria que minha última experiência do “mundo” fosse a de uma sociedade conduzida por uma pandemia? Por que, em meio ao caos do ambiente político e religioso desta época, eu me trancaria num claustro? — Alguns sugerem que uma pessoa só faria tal escolha com o objetivo de fugir dos problemas do mundo. Outros veem nisso uma negação heróica das coisas “mundanas”. Essas respostas erram o alvo.

É justamente o desejo de me dedicar a esta “época sem precedentes” que fortalece minha determinação de buscar uma vida como religiosa dominicana contemplativa. Não entrarei num mosteiro para fugir do mundo nem para mostrar uma falsa piedade. Entrarei na vida religiosa a fim de seguir a minha vocação particular, através da qual poderei realizar mais perfeitamente minha missão como membro cristã da sociedade humana. Ao renunciar às coisas do mundo, uma religiosa afirma de modo radical a realidade do bem e do mal no mundo. Ao entrar para o claustro, ela se torna livre para penetrar com mais profundidade o sofrimento de um mundo que sofre. E, ao fechar os olhos na oração, ela é capaz de abrir seu coração para um mundo desesperadamente carente.

Um dos lemas da Ordem dos Pregadores é contemplare et contemplata aliis tradere (“contemplar e transmitir aos outros as coisas contempladas”). Depois de discernir pela primeira vez a respeito da vida contemplativa, não sabia ao certo como esse lema se manifestaria na vida de uma irmã de clausura. Hoje, compreendo que é por meio de uma vida contemplativa que me comprometerei de modo pleno e frutífero com um mundo sofredor. Por meio de uma vida de oração e penitência e afastada do mundo, uma irmã contemplativa está intimamente unida em solidariedade àqueles que sofrem no mundo. Esta solidariedade é definida pela oferta plena de si em prol de um bem muito maior do que ela mesma; é um derramamento de sua vida de oração e penitência pelo bem comum do mundo ao redor dela. É por meio desta solidariedade que ela cumpre sua vocação: contemplare et contemplata aliis tradere.    

O Papa S. João Paulo II afirma exatamente isso em sua carta apostólica Salvifici doloris:

É necessário, portanto, cultivar em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa solidariedade com o homem que sofre (...) Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio “eu”, ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”. Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo (n. 28).

Toda pessoa é chamada a viver uma manifestação específica desse “sincero dom de si” por meio de sua vocação pessoal: os pais sacrificam o próprio conforto em prol dos filhos; os profissionais da saúde põem as próprias vidas na linha de frente em prol da saúde e do bem-estar dos outros; os membros do clero são obrigados a viver à altura do desafio de viver e pregar a verdade, não importa a que custo. Eu, junto com minhas futuras irmãs, sou chamada a participar de todos esses sofrimentos de modo sobrenatural, por meio do dom da vida contemplativa.

Religiosas contemplativas são chamadas a oferecer orações pela mãe exausta que não consegue rezar após uma noite em claro com seu filho; a fazer penitência pelo homem que está morrendo sozinho e precisa da graça da conversão; a ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento e implorar pela paz em nossa nação e pela fertilidade da Igreja. Como religiosa, usarei minha vida para unir todos esses sofrimentos ao sofrimento de Cristo na cruz. Cristo fez-se homem e sacrificou sua vida humana pela salvação da humanidade. Dentro das muralhas do mosteiro, religiosas sacrificam suas próprias vidas humanas e as unem à de Cristo, levando assim toda a humanidade para Ele, e Ele para toda a humanidade.  

Assim que eu entrar no mosteiro, minha “janela” para o mundo consistirá numa pequena abertura na grade da capela onde está o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Literalmente, verei o mundo exterior através de Cristo. Que expressão perfeita da vida religiosa que eu desejo buscar! G. K. Chesterton escreveu o seguinte: “O voto é para o homem o que o canto é para o pássaro ou o latido para o cão; é a voz pela qual ele é conhecido” (The Barbarism of Berlin). É na busca por uma vida com os votos de pobreza, castidade e obediência no interior das silenciosas muralhas do claustro que desejo ser escutada.

Por isso, estou seguindo o precedente de S. Bento, S. Catarina e S. Teresinha nesta “época sem precedentes” e entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Notas

  • A fotografia acima, é da profissão da Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração, religiosa dominicana no Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, em Summit, Nova Jersey. Créditos: Toni Greaves.

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Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima
Oração

Novena em honra a
Nossa Senhora de Fátima

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, deixando a todos os homens uma mensagem de salvação. Prepare-se para celebrar este acontecimento, rezando conosco esta novena.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta novena em honra a Nossa Senhora de Fátima pode ser rezada a qualquer tempo, mas é particularmente recomendada nos nove dias que precedem a sua festa, isto é, de 4 a 12 de maio. 

O texto abaixo encontra-se em inúmeros lugares da internet, com pequenas variações de forma e conteúdo. Inclui uma oração litúrgica e outras que os próprios pastorinhos de Fátima aprenderam das aparições que receberam do céu. As demais são, também, muito belas e apropriadas, mas sua fonte é desconhecida. O trabalho de nossa equipe foi apenas no sentido de revisar e organizar o que encontramos.

Cada um é livre para adaptar a novena às próprias necessidades, acrescentando-lhe outras leituras e orações que aumentem a devoção. Pois as fórmulas a seguir não são “palavras mágicas”, que basta pronunciar para ver atendida a sua prece. Se a mente e o coração não acompanham nossas palavras, elas de nada servem; são como um “corpo sem alma”. 

Além disso, ao apresentarmos a Deus nossos pedidos, devemos sempre submetê-los à sua vontade. Pois, muitas vezes, o que imaginamos como uma graça para nós, pode não o ser de fato. Deus sabe mais e melhor o que convém a nós e à nossa eterna salvação.


Orações iniciais. — Ó meu Deus! Eu creio, adoro, espero e vos amo. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar em Fátima a ternura do vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo Coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor e as que vos pedimos nesta novena (pedir as graças), se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

1.º dia — Penitência e reparação

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, a quem, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência: dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas contra o vosso divino Filho e o vosso Coração Imaculado. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

2.º dia — Santidade de vida

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da divina graça, que, vestida de nívea brancura, aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-lhes assim o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita: concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

3.º dia — Amor à oração

Ó Santíssima Virgem Maria, Vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o santo Rosário e que insistentemente repetias: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam: concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos Mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo nesta vida e à união feliz com Ele na outra. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

4.º dia — Amor à Igreja

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como Vigário de vosso Filho e seu representante na Terra, infundi também em nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável aos seus ensinamentos e, nele e com ele, um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja, por meio dos quais participamos da vida da graça nos sacramentos. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

5.º dia — Maria, Saúde dos enfermos

Ó Santíssima Virgem Maria, Saúde dos enfermos e Amparo dos aflitos, que, movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima e haveis convertido este lugar, santificado por vossa presença, em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos, ao vosso Coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças todas de nossa vida: lançai sobre elas um olhar de compaixão e remediai-as com a ternura de vossas mãos, para que assim vos possamos servir e amar com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

6.º dia — Maria, Refúgio dos pecadores

Ó Santíssima Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor, para que os desgraçados não caiam nas penas eternas do inferno, e que manifestastes a um dos três que os pecados da carne são os que mais almas arrastam àquelas terríveis chamas: colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai em nós compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar, com nossas orações, exemplos e palavras, por sua conversão. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

7.º dia — Maria, Alívio das almas do purgatório

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do purgatório, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar a Deus pelas almas do purgatório, especialmente pelas mais abandonadas, encomendamos à inesgotável ternura de vosso maternal Coração todas as almas que padecem naquele lugar de purificação, em particular as de todos os nossos conhecidos e familiares e as mais abandonadas e necessitadas. Aliviai suas penas e levai-as prontas à região da luz e da paz, para ali cantarem perpetuamente vossas misericórdias.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

8.º dia — Maria, Rainha do Rosário

Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como Rainha do santíssimo Rosário e em todas as aparições recomendastes a récita dessa devoção como remédio mais seguro e eficaz para todos os males e calamidades que nos afligem, tanto de alma quanto de corpo, tanto públicas quanto privadas: colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios de nossa Redenção, que se comemoram na récita do Rosário, para assim vivermos sempre de seus frutos. Concedei-nos a graça de sermos sempre fiéis à prática de rezá-lo diariamente, para vos honrarmos a vós, acompanhando vossas alegrias, dores e glórias, e assim merecermos vossa maternal proteção e assistência em todos os momentos da vida, mais especialmente na hora da morte.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

9.º dia — Imaculado Coração de Maria

Ó Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe dulcíssima, que escolhestes os pastorinhos de Fátima para mostrar ao mundo as ternuras de vosso Coração misericordioso e lhes propusestes a devoção a ele como o meio pelo qual Deus quer dar a paz ao mundo, como o caminho para levar as almas a Ele e como penhor supremo de salvação: fazei, ó Coração da mais terna das mães, que possamos compreender vossa mensagem de amor e misericórdia, que a abracemos com filial adesão e que a pratiquemos sempre com fervor. Assim seja vosso Coração nosso refúgio, nossa esperança e o caminho que nos conduz ao amor e à união com vosso filho Jesus. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

Oração final. — Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos mereceu as recompensas da salvação eterna: concedei-nos, nós vos pedimos, que, recordando pelo santíssimo Rosário estes mistérios da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos o que encerram e obtenhamos o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

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PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!
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PL contra ativismo judicial
pode ser aprovado amanhã!

PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!

O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade, passível de impeachment, a usurpação de competência do Poder Legislativo ou Executivo pelos ministros do STF, está pautado para votação nesta terça-feira, 4 de maio.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade passível de impeachment a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal, está pautado para ser votado nesta terça-feira na Comissão de Constitucionalidade e Justiça da Câmara dos Deputados.

A previsão é que, contrariamente a situações anteriores e diante do novo ambiente político, o projeto tenha grande probabilidade de ser aprovado. A manifestação dos cidadãos pode ser o fator decisivo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm abusado de suas competências para legislar e modificar a Constituição. Os abusos são tão constantes e notórios que não é necessário enumerá-los. A menos que não se crie a legislação adequada para que os poderes Executivo e Legislativo possam defender-se destes abusos, o STF poderá proximamente impor o ensino obrigatório da ideologia de gênero para todo o sistema escolar e aprovar o aborto totalmente livre no país. 

O PL 4754/2016 não irá remediar o problema, mas é o pressuposto jurídico para que os verdadeiros remédios possam ser elaborados. O ativismo judicial é crime gravíssimo, mas antes que se possam elaborar medidas legislativas contra qualquer crime, o próprio crime tem de ser tipificado e reconhecido como tal pela lei. É isto o que faz o PL 4754/2016. 

A justificativa deste Projeto de Lei é simples e curta, consistindo apenas de um único parágrafo: 

A Constituição atribui competências específicas a cada um dos três poderes, exigindo que estes zelem pela preservação das mesmas. A Lei 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade, é pródiga ao listar os crimes de responsabilidade do Presidente da República e dos Ministros de Estado, mas lacônica ao fazer o mesmo com os membros do judiciário. Sem dúvida este fato se deve ao modo exemplar como os juízes têm desempenhado suas funções em nosso país. Sabe-se, entretanto, que a doutrina jurídica recente tem realizado diversas tentativas para justificar o ativismo judiciário, algo praticamente inexistente em nosso país nos anos 50, época em que foi promulgada a lei que define os crimes de responsabilidade. Este ativismo, se aceito como doutrina pela comunidade jurídica, fará com que o Poder Judiciário possa usurpar a competência legislativa do Congresso. Não existem atualmente, por outro lado, normas jurídicas que estabeleçam como, diante desta eventualidade, esta casa poderia zelar pela preservação de suas competências. De onde decorre a importância da aprovação deste projeto.

O PL 4754 é, portanto, bastante simples. Ele só explicita o que é pressuposto da própria Constituição: que os três poderes são independentes e um não pode se imiscuir nas competências do outro.

Pedimos, pois, a todos os que receberem esta mensagem, que telefonem, enviem e-mails e se comuniquem com os deputados da Comissão de Justiça e Constitucionalidade da Câmara através de suas redes sociais, para que votem favoravelmente à matéria pautada. Abaixo se encontram: 

No momento de se comunicar com os deputados, sejam eles quais forem, seja educado ao extremo, mas firme e claro na expressão de suas posições. Mais importante do que o e-mail é telefonar de viva voz e manifestar-se nas redes sociais.

Ligue primeiro para os deputados de seu estado e identifique-se como cidadão desta unidade da federação. Você é eleitor deles, eles representam você, e lhe darão mais atenção se for do mesmo estado. Em seguida, ligue também para os deputados dos demais estados. É muito importante explicar claramente aos assessores dos deputados a importância do PL 4754/2016. 

Estamos em uma democracia, e não numa monarquia ou aristocracia. Insistam em comunicar-se e fazer com que mais pessoas entrem em contato. Não deixem a tarefa apenas para autoridades e especialistas. Isso vai fazer toda a diferença. 

Ao deixar sua mensagem, não copie e cole. Não faça nada padronizado. Use suas próprias palavras. Seja você mesmo. Mostre que o que você diz é a expressão de sua própria cidadania, e não da dos outros. Não delegue suas obrigações políticas aos outros.

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