125. A caridade não passará - 4º Domingo do Tempo Comum
O Mistério Pascal de Cristo revela de forma perfeita e definitiva a natureza do verdadeiro amor cristão: a "cari-dade" é um amor que está disposto a pagar o alto preço daquele que lhe é "caro".
"A caridade acrescenta ao amor uma certa perfeição de amor, na medida em que aquilo que se ama é considerado como de preço elevado, como a própria palavra o indica" (Suma Teológica I-II, q. 26, a. 3).
Mas, assim como a Cruz se manifesta na Páscoa como fonte de Vida, assim também as renúncias da caridade se revelam como vivificantes. É dela que brota a vida verdadeiramente cristã.
O belíssimo hino da caridade de 1Cor 13 nos apresenta a caridade como sendo a alma desta nova Vida em Cristo. (Santo Tomás fala de forma, finalidade, motor, raiz, mãe; cf. Suma Teológica II-II, q. 24, a.8).
Esquematicamente poderíamos apresentar a estrutura do hino da seguinte maneira:
a) Na primeira estrofe (vv. 1-3), São Paulo apresenta uma pessoa cheia de dons e virtudes, mas vazia de caridade;
b) Na segunda (vv. 4-7), faz desfilar diante de nossos olhos as virtudes que nascem da caridade.
c) E conclui (vv. 8-13) revelando a caridade como única coluna permanente num mundo que irá passar.
O homem adulto é o homem caridoso. Mas esta verdade deixa claro que só seremos plenamente maduros quando virmos face-a-face o Deus-Amor para o qual existimos.
Sendo assim, a caridade é o dom escatológico por excelência. É o início, já nesta vida, de uma Vida que não passará.
"A caridade não significa somente amor a Deus, mas também certa amizade com ele. Essa amizade acrescenta ao amor a reciprocidade no amor, uma comunhão mútua [...] E que isto pertença à caridade consta claramente em 1Jo 4,16: ‘Quem permanece na caridade, permanece em Deus e Deus permanece nele’" (Suma Teológica I-II, q. 65, a. 5).