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Quando Ratzinger se uniu aos protestantes para defender a fé

A união de Ratzinger com dois teólogos protestantes, a fim de combater a Teologia da Libertação

Sobre a condenação de Roma à teologia liberal marxista, o vaticanista John Allen comenta que "foi uma má sorte histórica para os teólogos da libertação terem-se cruzado com Joseph Ratzinger, que ia ser um formidável opositor"01.

Ratzinger foi nomeado Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé em 1981. Antes, porém, havia exercido o cargo de professor de Teologia Dogmática em diferentes universidades alemãs, dentre elas, a de Tubinga, onde lecionava também outro teólogo conhecido: Hans Kung. O clima teológico de então - conta Bento XVI em sua autobiografia - estava sob o domínio da filosofia marxista de Ernst Bloch e da teologia política de Metz e Moltmann. Tinha-se a impressão de que tudo estava para ruir; o cristianismo era agora mitigado por uma esperança utópica, cuja finalidade não dizia mais respeito à salvação eterna e aos sacramentos, mas a uma práxis de libertação política, alinhada aos interesses do Partido. Com pesar, Ratzinger se lamentava da "maneira blasfema como então se zombava da cruz como sendo um sadomasoquismo, [d]a hipocrisia com que alguns - quando lhes era útil - continuavam se apresentando como fiéis à religião, a fim de não correrem o risco de perder os instrumentos para suas próprias finalidades"02.

A experiência com os teólogos da libertação, por conseguinte, fez com que o Cardeal - já à frente da Congregação para Doutrina da Fé - se lembrasse imediatamente dos anos em que teve de enfrentá-los na Universidade de Tubinga. Ora, era óbvio que, como exímio teólogo, ele não podia passar ao largo daquela discussão, como se se tratasse apenas de uma divergência de ideias. A Teologia da Libertação minava todo o fundamento da fé cristã, substituindo-o por um pietismo ateu, por uma ação política do ser humano em que permanecia a esperança, "mas no lugar de Deus entreva o partido, e com isso o totalitarismo de uma adoração ateísta, pronta para imolar a seu falso deus todo humanitarismo"03. Sendo assim, durante o tempo em que lecionou em Tubinga, Ratzinger lançou mão de todos os meios justos e possíveis - tal qual faria anos mais tarde - para frear os desejos da incipiente - mas não menos perigosa - Teologia da Libertação; inclusive aliando-se a dois teólogos protestantes. Ele explica:

[...] A situação na Faculdade Teológica Evangélica era essencialmente mais dramática do que a nossa. Mas, afinal, estávamos no mesmo barco. Com dois teólogos evangélicos, o patrólogo Ulrich Wickert e o especialista em missiologia Wolfgang Beyerhaus, elaborei um plano comum de ação. Achávamos que as controvérsias confessionais anteriores eram de somenos importância em comparação com o desafio diante do qual agora estávamos, e no qual tínhamos de representar, conjuntamente, a fé no Deus vivo e no Cristo, o Verbo encarnado.04

A atitude de Joseph Ratzinger, num primeiro momento, pode parecer desconcertante e incoerente, haja vista a sua má fama de "intolerante" e "cardeal panzer". Mas não o é. Tendo em mente os perigos que tal teologia traria tanto para o fundamento da fé católica quanto para o da fé protestante, ele soube enxergar que não era possível discutir as 95 teses de Lutero enquanto Roma pegava fogo. Era preciso primeiro apagar o incêndio ou nem mesmo os protestantes teriam mais algo contra o que protestar, uma vez que era o próprio Cristo agora que estava em xeque. Com efeito, não fossem os esforços conjuntos de Ratzinger e dos dois teólogos protestantes, as sequelas mais ou menos visíveis da Teologia da Libertação, "feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia"05, teriam tido um efeito muito mais feroz do que o que já se sente hoje.

O exemplo do então professor de Teologia Dogmática, Joseph Ratzinger, serve como parâmetro para os cristãos, sobretudo numa época em que o cristianismo se torna cada vez mais perseguido e odiado. Obviamente, dentro de seus respectivos templos, os padres continuarão ensinando que a Igreja Católica é "a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17)"06, ao passo que os protestantes continuarão condenando o culto à Virgem Maria como idolatria. Não se trata de relativismo. Bento XVI sempre defendeu que, na base de todo diálogo, deve-se existir antes uma profunda consciência de sua própria identidade. Mas isso não pode ser um empecilho para a defesa da vida desde a sua concepção até à morte natural, para a defesa da família entre um homem e uma mulher e para a defesa da educação dos filhos pelos pais. Esses são temas que afetam a todos e não podem, sob pretexto algum, ser negligenciados.

A divisão dos cristãos constitui um escândalo que clama aos céus; e este escândalo poderá ser ainda maior caso se deixe reinar no Brasil a cultura da morte.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  1. BLANCO, Pablo. Joseph Ratzinger, uma biografia. São Paulo: Quadrante, 2005
  2. RATZINGER, Joseph. Lembranças da minha vida. São Paulo: Paulinas, 2007.
  3. Ibidem, n.2
  4. Ibidem, n.2
  5. Discurso do Papa Bento XVI aos prelados da Conferência Episcopal dos bispos do Brasil do regional Sul 3 e 4 em visita «Ad Limina Apostolorum»
  6. Declaração Dominus Iesus, n. 16

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O filho da Igreja e os filhos do partido

O católico ama o Papa independente de quem for, pois sua fé está em Cristo, não num partido político

No início da pregação evangélica a Igreja de Corinto teve de enfrentar sérias polêmicas entre os membros da comunidade. A briga tinha por motivo a mentalidade sectarista de certos grupos que adotavam uma linguagem dúbia em relação à fé: "Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo. (Cf. 1 Cor 1, 12)". Preocupado com o iminente cisma da Igreja de Corinto, São Paulo a aconselhou a viver em "em pleno acordo", ordenada "no mesmo espírito e no mesmo sentimento".

Circula em vários ambientes católicos, sobretudo naqueles influenciados por uma teologia que há muito perdeu o bonde da história, um tal sentimento de cisma que faz recordar exatamente a situação dos coríntios. Mas agora, com novos personagens: Bento XVI e Francisco. Desde que assumiu a Cátedra de Pedro, Bergoglio vem sendo instrumentalizado, quer por gente de fora, quer por gente de dentro da Igreja, para contrapor seu estilo pastoral ao de seus predecessores, como se o Espírito Santo estivesse dormindo durante todo esse tempo e só agora acordado para prestar assistência à sua Divina Esposa.

Esse raciocínio não é somente absurdo, mas também nocivo. E é nocivo porque denota o espírito pagão de quem, erroneamente, se confessa católico. Não existe nada mais mundano que medir a Igreja pela régua da "luta de classes", da separação entre "direita e esquerda". O Corpo de Cristo é cristológico, não funciona como uma câmara de deputados. As colunatas de Bernini na Praça de São Pedro indicam justamente o abraço acolhedor da Igreja Mãe. Um abraço que acolhe a todos, sem distinção, porquanto já "não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Cf. Gl 3, 28). Quem separa os filhos de Deus em categorias terrenas serve a outro espírito, cujo nome faz jus aos seus seguidores: Satanás, o divisor!

O sujeito que assume a identidade cristã, assume não por "uma decisão ética" ou por "uma grande ideia", mas por causa do encontro "com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo"01. Das próprias ideias, gostos e opções ideológicas surgem os clubes, os partidos políticos, os círculos de debate, nunca a Igreja, pois em sua origem está outro princípio: o da obediência ao chamado do Senhor. Lembra o Cardeal Ratzinger, "a essência da conversão consiste em que eu já não procure meu partido, com meus interesses e meus gostos, mas me entregue às mãos do Cristo e me torne seu, me torne membro de seu corpo, que é a Igreja"02.

Francisco é "filho da Igreja", não líder de uma facção de militantes aloprados. Sabe que "a fé é uma só" e que se deve confessá-la "em toda a sua pureza e integridade". Professa o ensinamento de Pedro, aquele professado semper, ubique et ab omnibus (sempre, por todos e em todos os lugares), com cada um de seus artigos "unitariamente ligados". Exorta para que "se transmita todo o depósito da fé (cf. 1Tm 6, 20) e para que se insista oportunamente sobre todos os aspectos da confissão de fé." Certo de que a unidade do credo apostólico é a unidade da própria Igreja, alerta que "tirar algo à fé é fazê-lo à verdade da comunhão."03

Não é preciso muito esforço para perceber o quão distante de Francisco estão os títeres que o contrapõem a Bento XVI. Enquanto estes o ultrajam e o ridicularizam prazerosamente, aquele o reconhece como alguém de grande "humildade e sabedoria", sendo uma loucura recusar um conselho seu04. As vedetes da (falsa) libertação não amam Francisco, amam o espantalho que criaram dele, assim como fizeram os sectários da comunidade de Corinto com São Pedro e São Paulo. Qualquer elucubração que proceda dessa parte não vai passar disto: cizânia no meio do trigo. Os católicos verdadeiros, porém, estão com Francisco como estiveram com Bento XVI e com todos os outros papas da história, uma vez que a fé de Pedro é a fé da Igreja Católica Apostólica Romana, "coluna e sustentáculo da verdade" (Cf. 1Tm 3, 15) e sobre a qual "as portas do inferno não prevalecerão" (Cf. Mt 16, 18).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Encíclica Deus Caritas Est de Bento XVI
  2. RATZINGER, Joseph. Compreender a Igreja hoje, vocação para comunhão. Editora Vozes
  3. Encíclica Lumen Fidei de Francisco
  4. Papa Francisco sobre Bento XVI: "não imaginas a humildade e a sabedoria deste homem".

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Amparo, ex-revolucionária e funcionária da ONU: «Meu trabalho era destruir a fé dos católicos».

Após anos de trabalho para a ONU, ex-agente denuncia estratégia da organização para minar a fé católica e implantar o aborto em todos os países do mundo

Amparo Medina, ex-revolucionária e funcionária da ONU.

Amparo entendeu claramente. Era a Virgem Maria quem lhe falava. Tudo aconteceu quando ela recebeu um disparo da polícia em plena batalha. Quando despertou no hospital, decidiu que sua vida devia mudar radicalmente.

Sua vida "lamacenta" devia dar uma guinada de 180 graus e deixar de lado o seu servilismo político e sua vida de pecado, e dedicar-se às mulheres e às crianças, buscando seu autêntico bem.

Um avô católico

Ela havia nascido em uma família muito normal do Equador. Sua fé era tradicional, de Missa dominical e pouco mais. A exceção da regra foi seu avô, que vivia uma autêntica vida cristã.

Em certa ocasião, sendo Amparo adolescente e a caminho do ateísmo, seu avô lhe disse umas palavras que não haveria de esquecer nunca. Estavam entrando em uma igreja, e diante de uma imagem da Virgem lhe disse: "Olhe para os seus olhos. Ela é a única que vai te salvar e a que vai te levar à fé". A coisa parou por aí.

O resto foi uma queda livre: foi expulsa do colégio por brigar com uma freira, e um encontro com evangélicos acabou por arrematar seu caminho rebelde e ateu.

A revolução e as esquerdas

Eram os anos 70 e 80, e a oferta social que Amparo encontrou fora da Igreja era a dos movimentos revolucionários, a teologia da liberação marxista, Che Guevara, os movimentos feministas, abortistas, o indigenismo e esse grande etcétera. Ela se meteu de cabeça nisso tudo.

Se há algo que não se pode reprovar em Amparo é dizer que ela não foi uma pessoa coerente com os seus princípios. Ela tomou todas as bandeiras, as abraçou e se dedicou a elas. Ora a encontrávamos em uma confrontação armada ou em uma manifestação antigovernamental, ou ainda em uma campanha a favor dos direitos reprodutivos das mulheres, ou seja, promovendo os contraceptivos e o aborto.

Se radicaliza na Espanha

Como a situação política no Equador se complicou, seu pai a enviou à Espanha para estudar Pedagogia Social. Neste país ela obteve seu título universitário, porém, também sua radicalização política e o contato com outros movimentos revolucionários, ateus e anticlericais. Sua mentalidade feminista coincidia com a da ONU.

Já de volta ao Equador, sua visão feminista e de esquerda combinava perfeitamente bem com as políticas que a ONU levava a cabo na América Latina e, graças a ela e a sua formação, chegou a ser responsável no Equador do programa da UNFPA, isto é, do Fundo de População das Nações Unidas, de onde contava com todos os milhões de dólares que necessitasse para cumprir, ou melhor dizendo, impor os programas contrários à natalidade, a favor do aborto e da anticoncepção.

Meu trabalho: retirar a fé dos católicos

Amparo explicou na rede católica de televisão EWTN que "os grupos comunistas e socialistas sabem que a única instituição que pode romper as suas mentiras é a Igreja Católica. Então – confessou — a primeira coisa que buscam são argumentos que possam destruir a pouca fé que os católicos têm. Veja as notícias ou vá atrás desse sacerdote que não está vivendo a sua vida na graça com Deus… Publique-os e os lance na imprensa… E – concluiu — é preciso omitir que no Equador, 60% das obras de ajuda às pessoas pobres estão nas mãos da Igreja, pois isso se silencia".

Destruir a Igreja desde dentro

O grande problema dos sacerdotes é a sua solidão: "Nós íamos em busca dos sacerdotes abandonados nos povoados e nas montanhas para dizer-lhes que se Deus existia, então por que permitia a pobreza? 'A única maneira é a revolução. Una-se a nós, e nós vamos te ajudar'. Havia sacerdotes – lamenta agora — que cediam e que pensavam que teriam um grupo que lhe ajudaria, que lhe apoiaria, que estaria com ele… Em certas ocasionesoferecíamos dinheiro aos sacerdotes e às religiosas para que pudessem reconstruir, melhorar seus centros educativos com a única condição de que nos deixassem dar aulas de educação sexual e reprodutiva em seus colégios".

Afastando-se ainda mais de Deus…

Em Amparo se cumpre aquela citação de Chesterton que "quando se deixa de crer em Deus, logo se crê em qualquer coisa".

Imersa no ateísmo, não deixada de buscar algum resquício de espiritualidade na leitura de cartas, reiki, yoga…: "Como a vida na luta de esquerda era uma vida de pecado, você não podia se livrar das consequências do pecado. É a morte espiritual. São como pequenos pactos com o demônio. O demônio os cobra – adverte. Assim, comecei a sofrer por conta do dinheiro".

"Alguém me recomendou que eu fizesse uma limpeza de ambiente. Tinha meus próprios mantras… que agora, que pude traduzi-los, dizem 'eu pertenço a Satanás'. Fiz os mantras nos Estados Unidos e, inclusive, levei meus filhos ao xamã que era um mestre elevado da Religião Universal".

… embora Deus não estivesse distante

Em certa ocasião, estando em uma comunidade, Amparo desafiou a Deus. Havia uma mulher rezando, porém, ela começou a repreendê-la severamente e chamá-la de louca. Até o ponto em que acabou rasgando uma imagenzinha que a pobre senhora segurava.

À época, sua prepotência de revolucionária não lhe fornecia muitas outras soluções. Pouco depois veio o passo seguinte até a sua conversão.

Ferida por uma bala da polícia

Amparo havia participando de todo tipo de manifestações e lutas contra o governo. Em ocasiões mobilizando os indígenas e facilitando que estes acorressem armados com lanças. Porém, certo dia, estando em uma delas, foi atingida por uma bala. Quando sentiu o impacto, Amparo recorda de duas coisas: por um lado, seu marido e seus filhos e, por outro lado, uma paz inexplicável, total. Não tinha medo de partir. Tudo era alegria, gozo, paz…

Nisso, escutou uma voz que lhe cantava: " Vi uns olhos maravilhosos. Vi o amor. Eram os olhos da Virgem. Eram justamente os olhos da estampa que eu havia rasgado! A estampa da Virgem Milagrosa. Eu a vi como uma adolescente de 15 anos. Com roupas brancas…".

Enquanto ela sangrava, a única coisa que sentia era paz, alegria… Nesse momento a Virgem lhe disse: "Minha pequena, eu te amo". E lhe pediu que deixasse todas as causas que ela levava e que assumisse a causa de seu Filho. Também se deu conta de que por trás da Virgem havia um senhor mais idoso: era seu avô.

E seu marido pensou que ela estivesse louca

Quando acordou, narrou toda a experiência a seu marido, Javier. Ele pensou que ela estivesse louca, e não era para menos. Uma ateia convicta, militante anticatólica, e despertando daqueles sonhos…

Em seguida, levaram-na para que os altos mestres, psicólogos e peritos da Nova Era a examinassem e a convencessem de que aquelas experiências eram fruto de suas alucinações e dos ferimentos. Sem dúvida, "ninguém podia tirar da minha cabeça que era Deus".

Primeiramente, confessar-se

"A primeira coisa que precisava era um sacerdote. Precisava me confessar. A primeira coisa, em primeiro lugar, era a confissão. Eu pedia a Deus que não morresse no caminho, indo para casa, porque iria para o inferno. Na confissão estavam todos os pecados. Os mais horríveis".

Era uma nova etapa, e havia de começar desde o princípio, fazendo tudo bem feito. Assim, a primeira coisa que fiz foi aprender a amar Jesus, a amar os sacerdotes, a amar a Igreja, amar os sacramentos".

Amparo se sentia totalmente enlameada e também convidada a uma nova revolução: "O único que transforma o mundo é Deus. Eu não sou digna. É tão grande o amor de Deus…"

A conversão de seu marido

Amparo rezou e convidou seu marido Javier à conversão. Com o passar do tempo, Javier, revolucionário como ela, começou a dar provas de mudança por amor a Amparo.

Devia ser uma experiência dramática em si mesma pelo único fato de ter que romper com toda uma vida de convicções e luta comprometida. Amparo explica isso dessa maneira: "Meu marido aceitou crer em Deus e na Virgem, porém, não acreditava no sacramento. Todavia, Deus colocou um sacerdote santo em nosso caminho. Por fim, ele se confessou e sua confissão levou horas. Ao sair, sentiu que havia se livrado de toneladas de coisas".

Agora era hora de denunciar as mentiras da ONU

A conversão das pessoas, na maioria das vezes, é um processo longo e em etapas. Amparo estava a caminho, mas ainda não renunciara a toda sua vida de pecado. Necessitava de parte dela, pois seu salário das Nações Unidas era uma fonte necessária para a família e seu ritmo de despesas.

Tudo aconteceu quando uma amiga sua lhe pediu informações sobre a distribuição da pílula do dia seguinte por parte das Nações Unidas no Equador. Amparo era responsável pela sua importação e distribuição no país.

De fato, sua agência das Nações Unidas havia vendido ao Equador 400.000 (quatrocentas mil) doses da pílula do dia seguinte. A ONU em Nova York, a UNFPA no Equador: "Eles nos vendem a 25 centavos de dólar, e nós as vendemos entre 9 e 14 dólares. É um negocio e tanto".

No Equador houve um julgamento em que as Nações Unidas perderam a ação devido à distribuição da pílula e os pró-vidas ganharam, visto que tiveram que reconhecer que ela não é um método contraceptivo, mas sim anti-nidatório, ou seja, abortivo, e que se utiliza quando os métodos contraceptivos falham.

O ápice de sua decisão de converter-se e dar um passo definitivo até Deus aconteceu a caminho do tribunal nesse julgamento em que a ONU perdeu: "Quando estávamos levando a informação ao Tribunal, um jornalista me fez uma pergunta que pensei que era Deus quem me a fazia – estás com Deus ou estás com o demônio? –. A pergunta foi: O que eu pensava da pílula do dia seguinte? E, claro, eu continuava trabalhando para as Nações Unidas e apoiava todas as organizações pró-aborto. Nesse momento me dei conta de que era o momento de dizer a verdade e deixar de mentir a mim mesma. Era uma incoerência ser católica e ao mesmo tempo, por dinheiro, continuar apoiando uma organização que vai contra os meus valores. E, claro, disse a verdade e as Nações Unidas me despediram".

O que existe por trás das Nações Unidas?

Por trás dos projetos da ONU, atrás das palavras bonitas que usam quando falam de saúde reprodutiva, na realidade, há toda uma promoção do aborto e dos contraceptivos. É o único objetivo para toda América Latina.

Na entrevista de Amparo à cadeia de televisão norte-americana EWTN, denunciava que no livro "Cuerpos, tambores y huellas", editado pelas próprias Nações Unidas, se reconhece a promoção das relações sexuais com crianças desde os 10 anos. E que nele se explica claramente três coisas:

  1. que os pais não devem ser informados da educação sexual que seus filhos recebem;
  2. - que as escolas devem distribuir contraceptivos a seus alunos sem o conhecimento e consentimento dos pais;
  3. - e que se um professor ou médico chegasse a informar aos pais de que seus filhos estão usando contraceptivos, esse professor ou médico deve ser expulso de seu trabalho por romper o sigilo profissional.

Amparo, e não só ela, denuncia a existência de um todo um negócio em que não se desperdiça nada: promove-se as relações sexuais entre crianças e adolescentes, e se lhes vendem preservativos. Como estes falham, então se lhes oferece o aborto ou a pílula do dia seguinte. Como o aborto produz restos humanos, estes servem bem para a experimentação ou bem para extrair algumas sustâncias que depois se usam em cremes, xampus, etc. Negócio completo.

Assistam a uma conferência de Amparo Medina a seguir:

E agora na luta pela vida

A realidade foi mais dura do que o previsto em um primeiro momento. O casal perdeu tudo quando saiu da revolução. Eles tiveram que renunciar a muitas coisas, as primeiras foram os bens materiais. Porém, foi "bonito encontrar juntos o amor de Deus e eliminar os mitos relativos aos sacerdotes, à Virgem, à Igreja…"

Amparo Medina e seu marido Javier Salazar são pais de três filhos. Ela é Diretora executiva de Ação Pró-vida Equadore, além disso, colabora e assessora outros organismos.

Agora também luta pela família, mulheres e crianças, mas a partir da verdade integral das pessoas, e não a partir do negócio econômico.

Ameaças de morte

Um novo enfoque, sim, mas não isento de perigos. Assim, Amparo tem sofrido ameaças de morte como a que recebeu não faz muito tempo em uma caixa de sapatos, dentro da qual havia uma ratazana morta com a mensagem"morte aos pró-vidas" e "lembre-se que os acidentes existem, lembre-se que as mortes acidentais são o dia a dia deste país, NÃO PROSSIGA COM SUA CAMPANHA ANTI MULHER E HOMOFÓBICA…Morte aos traidores, morte aos anti Pátria, MORTE OU REVOLUÇÃO".

Amparo não se assusta. E continua com sua luta confiante que tem em mãos a possibilidade de defender milhares de vidas humanas.

Por: Religión en Libertad | Tradução: Fratres in Unum.com

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Irmão de Leonardo Boff defende Bento 16 e critica Teologia da Libertação

Alexandre Gonçalves | Colaboração para a Folha - Em maio de 1986, os irmãos Clodovis e Leonardo Boff publicaram uma carta aberta ao cardeal Joseph Ratzinger. O artigo analisava a instrução "Libertatis Conscientia", em que o futuro papa Bento 16 visava corrigir os supostos desvios da Teologia da Libertação na América Latina. Os religiosos brasileiros desaprovavam, com uma ponta de ironia e uma boa dose de audácia, a "linguagem com 30 anos de atraso" no texto.

Em 2007, o irmão mais novo de Leonardo Boff voltou à carga. Mas, dessa vez, o alvo foi a própria Teologia da Libertação --movimento do qual ele foi um dos principais teóricos e que defende a justiça social como compromisso cristão. Ele censurou a instrumentalização da fé pela política e enfureceu velhos colegas ao sugerir que teria sido melhor levar a sério a crítica de Ratzinger.

Em entrevista à Folha por telefone, frei Clodovis diz que Bento 16 defendeu o "projeto essencial" da Teologia da Libertação, mas o critica por superdimensionar a força do secularismo no mundo.

Folha - Bento 16 foi o grande inimigo da Teologia da Libertação?

Clodovis Boff - Isso é uma caricatura. Nos dois documentos que publicou, Ratzinger defendeu o projeto essencial da Teologia da Libertação: compromisso com os pobres como consequência da fé. Ao mesmo tempo, critica a influência marxista. Aliás, é uma das coisas que eu também critico.

No documento de 1986, ele aponta a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica. As correntes hegemônicas da Teologia da Libertação preferiram não entender essa distinção. Isso fez com que, muitas vezes, a teologia degenerasse em ideologia.

E os processos inquisitoriais contra alguns teólogos?

Ele exprimia a essência da igreja, que não pode entrar em negociações quando se trata do núcleo da fé. A igreja não é como a sociedade civil, onde as pessoas podem falar o que bem entendem. Nós estamos vinculados a uma fé. Se alguém professa algo diferente dessa fé, está se autoexcluindo da igreja.

Na prática, a igreja não expulsa ninguém. Só declara que alguém se excluiu do corpo dos fiéis porque começou a professar uma fé diferente.

Não há margem para a caridade cristã?

O amor é lúcido, corrige quando julga necessário. [O jesuíta espanhol] Jon Sobrino diz: "A teologia nasce do pobre". Roma simplesmente responde: "Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito". Assino embaixo.

Quando o sr. se tornou crítico à Teologia da Libertação?

Desde o início, sempre fui claro sobre a importância de colocar Cristo como o fundamento de toda a teologia. No discurso hegemônico da Teologia da Libertação, no entanto, eu notava que essa fé em Cristo só aparecia em segundo plano. Mas eu reagia de forma condescendente: "Com o tempo, isso vai se acertar". Não se acertou.

"Não é a fé que confere um sentido sobrenatural ou divino à luta. É o inverso que ocorre: esse sentido objetivo e intrínseco confere à fé sua força." Ainda acredita nisso?

Eu abjuro essa frase boba. Foi minha fase rahneriana. [O teólogo alemão] Karl Rahner estava fascinado pelos avanços e valores do mundo moderno e, ao mesmo tempo, via que a modernidade se secularizava cada vez mais.

Rahner não podia aceitar a condenação de um mundo que amava e concebeu a teoria do "cristianismo anônimo": qualquer pessoa que lute pela justiça já é um cristão, mesmo sem acreditar explicitamente em Cristo. Os teólogos da libertação costumam cultivar a mesma admiração ingênua pela modernidade.

O "cristianismo anônimo" constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais. Com o tempo, vi que ele é insustentável por não ter bases suficientes no Evangelho, na grande tradição e no magistério da igreja.

Quando o sr. rompeu com o pensamento de Rahner?

Nos anos 70, o cardeal d. Eugênio Sales retirou minha licença para lecionar teologia na PUC do Rio. O teólogo que assessorava o cardeal, d. Karl Joseph Romer, veio conversar comigo: "Clodovis, acho que nisso você está equivocado. Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial". Ele estava certo.

Assumi postura mais crítica e vi que, com o rahnerismo, a igreja se tornava absolutamente irrelevante. E não só ela: o próprio Cristo. Deus não precisaria se revelar em Jesus se quisesse simplesmente salvar o homem pela ética e pelo compromisso social.

Bento 16 sepultou os avanços do Concílio Vaticano 2º?

Quem afirma isso acredita que o Concílio Vaticano 2º criou uma nova igreja e rompeu com 2.000 anos de cristianismo. É um equívoco. O papa João 23 foi bem claro ao afirmar que o objetivo era, preservando a substância da fé, reapresentá-la sob roupagens mais oportunas para o homem contemporâneo.

Bento 16 garantiu a fidelidade ao concílio. Ao mesmo tempo, combateu tentativas de secularizar a igreja, porque uma igreja secularizada é irrelevante para a história e para os homens. Torna-se mais um partido, uma ONG.

Mas e a reabilitação da missa em latim? E a tentativa de reabilitação dos tradicionalistas que rejeitaram o Vaticano 2º?

Não podemos esquecer que a condição imposta aos tradicionalistas era exatamente que aceitassem o Vaticano 2º. O catolicismo é, por natureza, inclusivo. Há espaço para quem gosta de latim, para quem não gosta, para todas as tendências políticas e sociais, desde que não se contraponham à fé da igreja.

Quem se opõe a essa abertura manifesta um espírito anticatólico. Vários grupos considerados progressistas caíram nesse sectarismo.

Esses grupos não foram exceção. Bento 16 sofreu dura oposição em todo o pontificado.

A maioria das críticas internas a ele partiu de setores da igreja que se deixaram colonizar pelo espírito da modernidade hegemônica e que não admitem mais a centralidade de Deus na vida. Erigem a opinião pessoal como critério último de verdade e gostariam de decidir os artigos da fé na base do plebiscito.

Tais críticas só expressam a penetração do secularismo moderno nos espaços institucionais da igreja.

Como descreveria a relação de Bento 16 com a modernidade?

É possível identificar um certo pessimismo na sua reflexão. Ele não está só. Há um rio de literatura sobre a crise da modernidade, que remete até mesmo a autores como Nietzsche e Freud. O que ele tem de diferente? Propõe uma saída: a abertura ao transcendente.

Ainda assim, há pessimismo.

Há algo que ele precisaria corrigir: Bento 16 leva a sério demais o secularismo moderno. É uma tendência dos cristãos europeus. Eles esquecem que o secularismo é uma cultura de minorias. São poderosas, hegemônicas, mas ainda assim minorias.

A religião é a opção de 85% da humanidade. Os ateus não passam de 2,5%. Com os agnósticos, não chegam a 15%. Minoria culturalmente importante, sem dúvida: domina o microfone e a caneta, a mídia e a academia. Mas está perdendo o gás. Há um reavivamento do interesse pela espiritualidade entre os jovens.

Que outras críticas o sr. faria a Bento 16?

Ele preferiria resolver problemas teológicos a se debruçar sobre questões administrativas na Cúria. E isso gerou diversos constrangimentos no seu pontificado. Ele também não tem o carisma de um João Paulo 2º. De certa forma, era o esperado em um intelectual como ele.

Não está na hora de a igreja ficar mais próxima da realidade dos fiéis?

Bento 16 não resolveu um problema que se arrasta desde o Concílio Vaticano 2º: a necessidade de se criarem canais para a cúpula escutar e dialogar com as bases.

Os padres nas paróquias muitas vezes ficam prensados entre a letra fria que vem da cúpula e o cotidiano sofrido dos fiéis, que pode envolver dramas como aborto ou divórcio. Note que não sugiro mudanças no ensinamento da igreja. Mas acho que seria mais fácil para as pessoas viverem a doutrina católica se houvesse processos que facilitassem esse diálogo.

Como vê o futuro da igreja?

A modernidade não tem mais nada a dizer ao homem pós-moderno. Quais as ideologias que movem o mundo? Marxismo? Socialismo? Liberalismo? Neoliberalismo? Todas perderam credibilidade. Quem tem algo a dizer? As religiões e, sobretudo no Ocidente, a Igreja Católica.

Fonte: Folha de São Paulo

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O Testamento de Bento XVI

Em sua última audiência pública, o Papa Bento XVI se despediu dos fiéis e deu a todos uma grande lição de fé católica. Trata-se de uma fé muito específica e rara nos dias de hoje: uma fé que professa a presença e a ação de Deus na história da Igreja.

Todos deveríamos saber disto, mas nem sempre nos damos conta: a Igreja não é somente um sujeito da fé; a Igreja é também objeto de fé. Ou seja, a Igreja não somente crê, mas ela deve ser crida.

Bento XVI tem consciência de que a Igreja é portadora de um mistério divino. Como a lua, ela é reflexo de Cristo "luz dos povos". Por isto, nos convida a uma visão de fé:

"Deus guia a sua Igreja, ele sempre a sustenta, também e sobretudo, nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor".

Estas foram as suas últimas palavras. Poderíamos dizer: este foi o seu testamento. Nada poderia ser mais marcadamente católico, pois nós católicos, ao contrário dos protestantes, cremos que o organismo visível da Igreja não é uma "invenção" humana, mas o Corpo do Cristo ressuscitado que continua vivo na história.

A Igreja é uma forma de Jesus estender o mistério de sua Encarnação ao longo da história.

É a falta de fé neste mistério da Igreja que tem criado tantos equívocos, paranoias e explicações fantasiosas no espaço midiático dos últimos dias. Grande parte da mídia está longe da verdade, porque está longe da visão de fé que, nos recorda o Papa, "é a única visão verdadeira do caminho da Igreja".

Mas que os jornalistas não compartilhem esta visão e esta fé é algo que não deveria nos surpreender. Afinal, as estatísticas nos mostram de forma clara que o percentual de prática religiosa no meio jornalístico é mais baixo do que nos outros segmentos da sociedade.

O que causa espécie e até indignação é que teólogos, isto mesmo, teólogos (!) não sejam capazes desta fé.

Recentemente um grupo de estudiosos, capitaneados por ninguém menos do que nossos velhos conhecidos Leonardo Boff e Hans Küng, está recolhendo assinaturas na internet no esforço de "redesenhar" a forma como a autoridade é vivida dentro da Igreja católica (cf. http://churchauthority.org ).

Os autores do manifesto alegam que esta reengenharia da estrutura da Igreja é uma exigência do Vaticano II. Mas, a verdade é que a "nova Igreja" que brota dos sonhos de nossos teólogos liberais, pelo que se lê, seria mais facilmente encontrada nos escritos de Martinho Lutero do que na "Lumen gentium" ou em outros documentos do concílio.

Foi neste mesmo afã revolucionário que, tão logo recebida a notícia da renúncia de Bento XVI, os nossos "scholars" puseram mãos à obra e começaram a traçar o perfil do futuro Papa. A coisa toda é apresentada como arrojada e inovadora, mas se trata da velha e conhecida eclesiologia protestante: somos todos iguais, vamos então construir a Igreja que "nós queremos". Afinal, Igreja é isto, uma construção humana.

Para estes teólogos o papado é uma excrescência medieval e a cúria romana um tumor a ser extirpado. A Igreja romana centralizadora deveria morrer e dar lugar a uma Igreja da colegialidade em todos os níveis (inclusive dos leigos!).

É claro que se trata de pura retórica manipuladora. Os únicos leigos a quem esta turma já deu voz foram os seus títeres ideológicos, que, aliás, embora tenham chegado ao poder, estão envelhecendo e diminuindo em número.

Não é à toa que, com toda propaganda e esforço só conseguiram até agora pouco mais de duas mil assinaturas para o seu abaixo-assinado internacional.

Gostaria de vê-los consultar os milhões de jovens da geração Bento XVI que aguardam, ansiosos e confiantes, que o Senhor, com a próxima fumaça branca que sair da Sistina exorcize o que ainda resta da "fumaça de Satanás" que eles ajudaram a inocular dentro da Igreja.

Autor: Padre Paulo Ricardo