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A beleza feminina salvará o mundo

A beleza feminina salvará o mundo, e muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte.

Por Carrie Gress — Há uma figura de linguagem muito conhecida de Dostoiévski que diz que "a beleza salvará o mundo". Esse famoso ditado russo é comumente utilizado para se referir à beleza encontrada nas artes materiais. Com isso, a música, a arquitetura e a estatuária são adequadamente medidas por suas habilidades salvíficas, particularmente em como elas conduzem uma alma de volta para Deus. Há, entretanto, uma peça do quebra-cabeça que ainda precisa ser revelada quando se considera o papel que tem a beleza na salvação do mundo: as mulheres.

O desejo de ser ou estar bela está profundamente enraizado na alma da mulher. A cada ano, nos Estados Unidos, as mulheres gastam cerca de $11 bilhões em cirurgias plásticas, $24 bilhões em tratamentos com a pele (estéticos), $18 bilhões em maquiagens, $38 bilhões em tratamento capilar, $15 bilhões em perfumaria e algo entre $20 e 45 bilhões em tratamentos para perda de peso. A mulher comum passa 17 anos de sua vida fazendo dietas. Ao mesmo tempo em que podemos zombar de tudo isso com o Eclesiastes e dizer: "Vaidade das vaidades!" (Ecle 1, 2), talvez haja algo mais profundo ligado a isso do que a simples vaidade. E se Deus colocou esse desejo em nossos corações por uma razão? Porque, de fato, até a menor das garotinhas dirá que deseja ser tão bonita quanto uma princesa. Isso não é apenas condicionamento cultural, mas algo universal que se encaixa perfeitamente no coração feminino.

Enquanto revisava meu livro, The Marian Option: God's Solution to a Civilization in Crisis ["A opção mariana: solução de Deus para uma civilização em crise"], a ser lançado em maio de 2017, em cada aparição de Maria que encontrei, a pessoa que afirmava ter visto Nossa Senhora sempre se referia a ela como a mulher mais bonita que ela já vira. Inicialmente, achei esse detalhe bastante mundano — é claro que Nossa Senhora é belíssima —, até que finalmente me toquei da maior importância escondida em sua beleza. Sim, a beleza de Maria é importante porque é a expressão exterior de sua perfeição integral, indicando a beleza para a qual foram criadas todas as mulheres. A Virgem Maria não foi a única mulher criada para ser bela.

Pode parecer banal esta ideia — que as mulheres são chamadas a ser como Maria —, mas o significado por trás dela é rico, amplo e relevante para a vida de cada mulher. Maria tem sido chamada pelos santos como a "ponte" ou a "escada" que liga o Céu e a Terra. E cada mulher é chamada a ser uma ponte entre sua família e o Céu. As mulheres são chamadas a incendiar a chama do divino nas almas dos homens e dos filhos que elas amam. São chamadas a revelar o melhor do amor de Deus e a oferecer, aos que estão à sua volta, os caminhos para encontrar esse amor. O Cristianismo está cheio de santas mulheres, tais como Santa Mônica, Santa Helena, Santa Cecília e inúmeras outras, que conduziram seus maridos, filhos e filhas a abraçarem a fé — até mesmo às últimas consequências do martírio.

Quem quer que folheie uma revista feminina hoje em dia ficará com a distinta impressão de que a beleza se destina exclusivamente ao superficial: fascinar os homens, impressionar os amigos ou esconder as marcas do tempo. A noção de que a beleza deve apontar para além da própria coisa, em direção à fonte de toda beleza — que é o Criador —, está muito, muito distante. Essa beleza vazia faz com que as mulheres se pareçam com "sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro cheios de ossos e de todo tipo de imundície" (Mt 23, 27). Podemos dedicar 17 anos de nossas vidas a dietas para o exterior, mas quanto tempo nós dedicamos ao interior, fortalecendo a alma? Será que estamos nos fazendo a pergunta: "Eu tenho uma alma bela?", ou até mesmo: "O que é uma alma bela?"

Para responder parcialmente a essa última questão, podemos nos voltar para o que os homens dizem a respeito das mulheres (quando não estão com medo de revelar o que eles realmente pensam). Temos milênios de poesia, música e literatura revelando o que há na alma feminina que move os homens: desde Salomão, passando por Dante e Petrarca, até as composições líricas atuais. Em muitas delas, não encontraremos nada que combine com as qualidades as quais nossa cultura ensina as mulheres a perseguir e valorizar. Trata-se, no entanto, do tipo de qualidades que podem salvar o mundo: paz, paciência, acolhimento, presença e perseverança no amor. E não são justamente essas as qualidades da bela e bondosa Beatriz, que inspirou e guiou Dante através de sua odisseia, A Divina Comédia?

Chegar à verdadeira beleza é uma daquelas qualidades irônicas que povoam os antigos contos de estórias — e ela surge quando menos se espera. A mulher verdadeiramente bela sabe que seu verdadeiro objetivo não é uma beleza superficial. E só os homens sábios reconhecem que essa mulher existe e vale a pena ser buscada. Infelizmente, tais mulheres não são fáceis de se encontrar. Como resultado, os homens são deixados com substitutas que podem até saciar brevemente o corpo, mas nunca satisfarão a alma.

Sim, a beleza feminina salvará o mundo muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte. Não se encontra ela, de fato, nem nas cirurgias plásticas, nem nas dietas, nem no creme facial; tampouco na sedução, no sarcasmo, no cinismo, no narcisismo, na ambição gananciosa ou no poder — como nossa cultura tenta nos fazer acreditar. Ela está simplesmente em nos doarmos amorosamente pelos outros — coisa que pode não ser sempre gloriosa, mas será sempre bela.

Fonte: National Catholic Register | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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A ideologia de gênero e a desconstrução do feminino

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres!

Por Padre José Eduardo de Oliveira e Silva — Uma das estratégias do marxismo para destruir a família e, com ela, a sociedade foi interceptar os coletivos feministas para criar conflitos em nome da libertação: em primeiro lugar, libertar a mulher do homem; depois, libertar a mulher da família; e, por último, libertar a mulher da mulher, que é o escopo da ideologia de gênero.

A ideologia de gênero, portanto, alegando descoisificar o feminino que, segundo diz, está machistamente definido, para torná-lo incoisificável, inidentificável, acaba por pulverizar a noção mesma da identidade, tornando-a tão vazia que, por fim, produzirá um silenciamento tão universal e invencível que todas as reivindicações em nome das quais milita serão liquidadas, impossibilitadas, não farão mais o mínimo sentido.

Não há modo mais eficaz de tornar a sociedade passiva e manipulável. De fato, sem identidade, eu me torno o quê? Nada mais senão uma… COISA! E, nessa posição, acontecerá exatamente o contrário do que afirma, por exemplo, Jules Falquet: a abordagem de gênero não libertará a sociedade do capitalismo, como ela espera, mas o fortalecerá e o tornará inexpugnável, pois todos serão coisificados a ponto de serem reduzidos apenas a mão-de-obra, sem família, sem filhos, sem ninguém, mas com muita escravidão tecnocrática.

É por isso que os maiores propagadores da ideologia de gênero são os marxistas e os capitalistas: aqueles financiados por estes.

Caso queiramos libertar as mulheres, a primeira coisa que precisamos fazer é mostrar que são mulheres, que podem ser amadas pelos homens, que podem ser felizes tendo filhos, que podem ser rainhas em casa ao invés de empregadas na empresa, e que podem ser santas, chegando à contemplação, pois o fim do homem não está nessa ideologia chamada dinheiro, mas na aquisição e prática da sabedoria, que se alcança pelo estudo e pela vida espiritual, únicos bens inalienáveis.

Em certo sentido Foucault tem razão, mas contra ele mesmo: o que precisamos fazer é parar de recitar essa dialética, como se ela existisse; parar de viver em função da técnica e da economia; sair desse recital! Precisamos desvestir a camisa-de-força confeccionada para nós por Foucault, Butler, Scott et caterva. É simples como isso. Basta começar a viver o Evangelho, a doutrina católica, e entregar-se à contemplação.

Como essas ideias desconstrucionistas se estruturaram num sistema educacional, o nosso desafio é construir um novo sistema educacional que penetre o existente, desconstruindo a desconstrução. Isso requer estudo, mais que militância. E é aqui que começa nossa tarefa, se quisermos realmente trazer à realidade a verdadeira e necessária libertação.

Quando Simone de Beauvoir disse que o feminino é um "não masculino", e que isso precisaria ser revolucionado, estava apenas invertendo uma ideia bíblica. Segundo as Escrituras, a mulher proveio do homem, que, quando a viu, disse "carne de minha carne e osso dos meus ossos; tu serás chamada de mulher porque foste tirada do homem" (cf. Gn 2, 23). A missão do homem é, sim, reforçar a identidade feminina, amá-la, festejar com a mulher, carregá-la nos braços, elevá-la mais alto que antes…, "assim como Cristo amou a Igreja, e entregou-se a si mesmo, por ela" (Ef 5, 25).

Criando uma dialética aí, Beauvoir não conseguiu elevar a mulher, mas apenas a indefiniu, abrindo espaço que que Butler depois a aniquilasse, vendendo sua "teoria" sob a impostura da afirmação.

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. O mundo, sem elas, seria um quartel. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres! — Abaixo a ideologia de gênero! Viva as mulheres!

Fonte: Facebook do Pe. José Eduardo

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O estranho fenômeno dos homens feministas

A chama do feminismo ainda está acesa, mas ela só se mantém acesa por causa de homens que fracassam em seu papel de homens.

Por Dale Ahlquist — Algumas das piores feministas são homens. A feminista clássica é, obviamente, uma mulher. Ela surgiu como um espetáculo público um século atrás e se tornou uma espécie de instituição em nossa época — tudo graças à propaganda financiada pelo Estado em nossas escolas públicas e à história por imagens aceita como "educação". Ela é retratada como uma criatura oprimida a libertar-se de uma prisão social mantida por homens. Trata-se de uma imagem relativamente bem estabelecida na mente americana. A demanda por igualdade dá um ar de nobreza à causa. Ela soa como um grito por justiça. Mas buscar a igualdade com os homens era, como apontava G. K. Chesterton, um rebaixamento para as mulheres. Foi provavelmente por isso que apenas uma minoria delas abraçou o feminismo. Elas tiveram culpa direta, como dizia Chesterton, pela "imitação entediante, elaborada e elefântica do sexo masculino" — uma descrição notavelmente desprovida de bons adjetivos.

Chesterton explicava que a principal fraqueza das feministas era acreditar em todas as alegações idiotas, feitas pelos homens, sobre a importância da política. A maior parte das mulheres era esperta o suficiente para deixar que seus maridos saíssem para discutir em bares e clubes, já que isso adiantava muito pouco e geralmente não interferia no verdadeiro negócio da vida, o drama do lar e da família. Os homens alegavam que a política era importante; as mulheres sabiam melhor. Elas sabiam o que era realmente importante: formar as mentes e as almas de seus filhos no cenário ideal e independente do lar. Mas havia algumas poucas mulheres — geralmente aquelas cujo "privilégio de classe" já as tinha separado de seus filhos — que caíram no falatório masculino e se tornaram políticas. Chesterton advertiu que, se as mulheres se envolvessem na política, isso geraria o temível resultado de fazer a política parecer mais legítima do que ela realmente era. Isso daria razão para o governo crescer em seu alcance e influência e eventualmente impor-se em todos os aspectos de nossas vidas. O resultado seria o enfraquecimento da autoridade da família e o fortalecimento da autoridade do Estado. A história mostra que os alertas de Chesterton foram justificados.

Alguns podem considerar as mulheres terem conseguido o direito de votar como o triunfo do feminismo. Mas, como as feministas constituíam uma minoria, o voto, na verdade, não lhes deu tanta voz assim. O verdadeiro triunfo do feminismo foi a legalização do aborto. O argumento de que as mulheres têm o direito de matar seus próprios bebês não é baseado em nenhuma precedente legal conhecido, em nenhum entendimento tradicional de direitos humanos, nem em nenhum ensinamento moral clássico ou civilizado. Esse argumento transformou violentamente a família desde dentro, tornando o próprio coração da família o seu inimigo letal. Mas a falácia feminista venceu… porque alguns homens caíram nela.

E ainda há homens a cair na mesma história. Apesar de toda a evidência de que o feminismo fracassou — os lares destruídos, a geração da creche, a melancolia das mães que trabalham fora, as consequências do sexo promíscuo e sem amor e, acima de tudo, os profundos sentimentos de culpa decorrentes do aborto —, a chama do feminismo ainda está acesa. Mas não são as mulheres que a têm mantido acesa. São os homens. São os homens fracassando em seu papel de homens. O homem feminista tem sido uma das piores influências na sociedade moderna. Ele representa a perda do cavalheirismo, a perda da masculinidade, a perda da paternidade, a perda da autoridade.

Ainda que o aborto seja um triunfo para o feminismo, não se trata de um triunfo para as mulheres. Ele tem tornado os homens menos responsáveis por seus atos e mais desrespeitosos para com as mulheres. São homens que arrastam, ou pressionam, ou abandonam mulheres a clínicas de aborto. São homens que financiam o aborto. São homens que se beneficiam do aborto. E, enquanto isso, são mulheres que continuam a ser degradadas e descartadas graças ao aborto. Talvez a mais contundente ironia de todas: normalmente são as mulheres que serão abortadas.

Chesterton chamava o feminismo de ódio por tudo o que é feminino. A coisa mais feminina de todas é a maternidade, e o ódio da maternidade é representado pelo aborto: o horrível assassinato do próprio bebê em um ato que é defendido como direito.

A perda dos papéis distintivos dos sexos — que Chesterton chama de "a distinção de dignidades entre homens e mulheres" — tem gerado graves consequências para a nossa sociedade. O problema com os sexos hoje, ele diz, "é que cada sexo está tentando ser ambos os sexos ao mesmo tempo". O feminismo, que surgiu com mulheres tentando ser mais como os homens, apenas conseguiu tornar os homens menos homens. E as mulheres estão deixando que eles se safem disso.

Fonte: The Distributist Review | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Se existe o Anticristo, haveria também uma Antimaria?

Se existe um Anticristo, como dizem as Escrituras, talvez exista também um complemento feminino para ele: uma espécie de “Antimaria”. Mas como ela seria?

Por Carrie Gress — Enquanto fazia pesquisas para o meu próximo livro, The Marian Option: God's Solution to a Civilization in Crisis ["A opção mariana: solução de Deus para uma civilização em crise"], a ser lançado em maio de 2017, veio-me à mente um novo conceito teológico. Eu estava a investigar a noção de Maria como "nova Eva" — uma ideia que remonta aos primeiros padres da Igreja. Maria como nova Eva é o complemento feminino para Cristo, o novo Adão. Na Escritura, São João fala do anticristo como um homem, mas também como um movimento presente ao longo de toda a história (cf. 1Jo 4, 3; 2Jo 1, 7). Isso me fez pensar: se há um anticristo, será que existe também um complemento feminino, uma "antimaria"?

Mas em que consistiria exatamente um movimento "antimaria"?

Seriam mulheres que não dariam valor aos filhos. Elas seriam obscenas, vulgares e iradas. Reagiriam com raiva à ideia de qualquer coisa que se parecesse ou com obediência humilde ou com autossacrifício pelos outros. Elas seriam petulantes, superficiais, maliciosas e exageradamente sensuais. Seriam também auto-absortas, manipuladoras, fofoqueiras, ansiosas e ambiciosas. Em suma, seriam tudo aquilo que a Virgem Maria não é.

Ainda que esse comportamento tenha sido posto como que sob a lente de um microscópio por conta da recente Marcha pelas Mulheres, em Washington [1], a tendência de mulheres mal comportadas não tem nada de nova. Há ampla evidência, no entanto, de que estamos a testemunhar algo, por causa de sua dispersão massiva, bem diferente do vício ordinário visto ao longo da história.

O tratamento que se dá à maternidade é um dos primeiros sinais de que estamos a lidar com um novo movimento. Mães (espirituais ou biológicas) são um ícone natural da Virgem Maria — elas ajudam outras pessoas a conhecerem quem é Maria através de sua generosidade, paciência, compaixão, paz, intuição e habilidade de nutrir almas. O amor de Maria (e o amor materno) oferece uma das melhores imagens de como é o amor de Deus: incondicional, salvador e profundamente pessoal.

As décadas mais recentes da história têm testemunhado o sutil apagamento do ícone mariano nas mulheres reais. Primeiro com a pílula anticoncepcional e depois com o advento do aborto, a maternidade ficou no cepo. Ela se tornou dispensável, a ponto de a cultura geral não dar a mínima quando uma criança é adotada por dois homens.

Toda cultura, inclusive a nossa, sabe quão importante é uma mãe (mesmo nas suas imperfeições) para assegurar uma fase adulta saudável e maturidade espiritual — e nenhuma cultura pode se renovar sem maturidade espiritual. Sim, há muitas pessoas que têm crescido sem mãe, e muitos estão de acordo que, de fato, poucas coisas há que sejam tão trágicas quanto essa. Essas tristes realidades, no entanto, ao invés de diminuírem a importância das mães, apenas fortalecem o argumento de que as crianças precisam delas. Não é por acaso que, com a maternidade tão desvalorizada como está, estejamos testemunhando traumas e transtornos emocionais e mentais sem precedentes em todos os segmentos da população.

Outro sinal impressionante de que estamos em uma era antimariana é que, depois de todo o chamado "progresso" conquistado pelas mulheres, há mui pouca evidência de que essas coisas tenham realmente tornado as mulheres mais felizes. As taxas de divórcio são ainda assombrosas, com 70% dos casos iniciados por mulheres; os índices de suicídio estão nas alturas; abusos de drogas e álcool também; depressão e ansiedade estão em todos os lugares. As mulheres não estão se tornando mais felizes, só estão ficando mais medicadas.

Fonte de dignidade

Poucos em nossa cultura sabem da dívida de gratidão que têm para com o catolicismo pela noção radical de que as mulheres são iguais aos homens. Essa ideia vem especificamente da Virgem Maria. Não veio dos gregos — Aristóteles e outros chamavam as mulheres de "machos imperfeitos" —, não veio do judaísmo — ainda que tivessem um certo status, um movimento maior para promover a dignidade das mulheres nunca chegou a acontecer — e muito menos do islamismo. O pensador William Lecky, acadêmico racionalista do século XIX, não católico, explica:

Não mais a escrava ou o brinquedo do homem, não mais associada apenas a ideias de degradação e de sensualidade, as mulheres ascenderam, na pessoa da Virgem Maria, a uma nova esfera, e tornaram-se objeto de homenagem reverencial, da qual a antiguidade não tem nenhuma notícia… Uma nova personagem foi chamada à existência; um novo tipo de admiração foi encorajado. Em uma idade rude, ignorante e obscurecida, esse tipo ideal infundiu uma concepção de gentileza e pureza, até então desconhecida para as mais orgulhosas civilizações do passado.

Hoje a igualdade entre homens e mulheres nos parece uma coisa óbvia, uma intuição simples que teria qualquer pessoa racional. Mas, se fosse realmente assim, por que então nenhum outro movimento religioso tinha se atentado para esse fato antes? Foi a Virgem Maria quem reverteu os pecados de Eva e propiciou que essa noção, agora tornada lugar-comum, tomasse raízes. O cristianismo, ainda que esteja agora amplamente abandonado pela cultura secular, continua sendo a fonte dessa profunda iluminação.

Nos lugares errados

Hoje as mulheres ainda desejam igualdade e respeito — talvez mais do que nunca —, mas paremos por um instante para observar como elas estão tentando alcançar isso. Elas estão seguindo não a graça de Maria, mas os vícios de Maquiavel: raiva, intimidação, histeria, assédio moral. É esse impulso agressivo que faz a mulher sentir orgulho em ser chamada de "nojenta" [2], sentir-se empoderada por vestir-se como uma prostituta, ou acreditar que uma criança é capaz de destruir a sua vida. Acontece que é precisamente esse tipo de coisas que jamais levará as mulheres à felicidade.

O antimarianismo detém um verdadeiro monopólio em nossa cultura; não há praticamente nenhuma alternativa no espaço público em que as mulheres mais jovens possam se espelhar. Ao invés disso, nós temos Madonna, que em um único discurso é capaz de ao mesmo tempo pedir uma revolução do amor e confessar o seu desejo de explodir a Casa Branca; temos políticas mulheres, que pensam que a única forma de serem eleitas é jurando lealdade a Planned Parenthood; ou Gloria Steinem, que tinha deixado claro, ainda na década de 1980, que sua meta era viver um estilo de vida livre "das amarras" do gênero. Manchetes e vedetes de Hollywood ditam como milhões de meninas e mulheres devem pensar.

Nenhuma mulher é uma ilha

Mas elas não são as únicas atingidas por esse movimento. Homens e rapazes também são profundamente afetados por isso. Eles se sentem à deriva, especialmente quando as virtudes que lhes são mais naturais são mal interpretadas como coisas ruins. Mais do que isso, os homens estão tendo roubada uma compreensão apropriada do eros, ou seja, o tipo de amor animado pela beleza e bondade. É esse tipo de amor que tem povoado a poesia, os sonetos e as canções românticas por séculos. (Não há uma música romântica sequer escrita sobre o amor de um homem por uma mulher arrogante e ranzinza em um terninho.) O eros agora tem sido apagado e substituído por uma forma sórdida de erotismo.

Infelizmente, as mulheres não têm ideia de como podem inspirar os homens através da bondade. Como escreveu sabiamente o arcebispo Fulton Sheen: "Quando um homem ama uma mulher, acontece que, quanto mais nobre a mulher, mais nobre é o amor; quanto maiores as exigências da mulher, mais valoroso deve ser o homem. É por isso que a mulher é a medida do nível de nossa civilização". Uma avaliação das mulheres — em seu estado de transtorno, forte medicação e irritação — revela maus presságios para a nossa civilização, independentemente de qual seja o partido político no poder.

O demônio sabe que todas essas marcas da "antimaria" — raiva, indignação, vulgaridade e orgulho — provocam um curto-circuito nos maiores dons que possuem as mulheres: sabedoria, prudência, paciência, paz imperturbável, intuição e a capacidade para um relacionamento profundo com Deus. Ao contrário disso, o tentador promete poder, fama, fortuna, respeito e prazeres fugazes e estéreis — e, como Eva, as mulheres do movimento antimariano continuam a cair em suas mentiras.

Enquanto muitos já demos vários nós em nossa cabeça tentando imaginar uma solução para esse problema, a verdadeira resposta está em voltar à fonte, voltar à mulher por meio da qual toda mulher ganha a sua dignidade. Não importa o quão forte seja o "espírito da Antimaria", a Virgem Maria continua a ser a mulher mais poderosa no mundo.

Fonte: National Catholic Register | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas

  1. Essa manifestação pode ser comparada, mutatis mutandis, aos conhecidos protestos do grupo Femen ao redor do mundo e, aqui no Brasil, às recentes e famigeradas "marchas das vadias".
  2. A autora do texto usa a expressão nasty, referindo-se a um episódio recente das eleições americanas, quando o atual presidente Donald Trump usou esse adjetivo para se referir à sua oponente, Hillary Clinton, durante um debate político. A reação nas redes sociais à frase foi instantânea: inúmeras mulheres manifestaram adesão à candidata democrata, assumindo o adjetivo para si como se fosse motivo de orgulho. A situação lembra o chilique das redes, aqui no Brasil, quando uma revista traçou o perfil de uma mulher como "bela, recatada e do lar".

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Quem marchou pelas mulheres nos Estados Unidos?

Mesmo a mídia e o financiamento das ONGs pró-aborto nos últimos 44 anos não puderam conter o apelo natural e espontâneo da mensagem da Marcha pela Vida.

Um dia após a cerimônia de posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, centenas de milhares de mulheres tomaram as ruas de Washington D.C. para protestar contra suas posições políticas com relação ao aborto e a outros temas que lhe custaram uma enorme dor de cabeça durante o período de campanha. A Marcha das Mulheres, como foi chamada pelos seus organizadores, contou com amplo apoio de organizações filantrópicas, de artistas e, sobretudo, da mídia, que, aliás, fez questão de repercutir a mensagem do protesto para o mundo inteiro. No Brasil, um jornal de grande circulação disse que a marcha representaria a "alma feminina".

"Não aceitem esta nova era de tirania em que não apenas as mulheres estão em perigo, mas todas as pessoas marginalizadas. A revolução começa aqui, este é o começo de uma mudança muito necessária", vociferou a cantora Madonna durante sua participação no evento. Madonna só se esqueceu de explicar, porém, como a Marcha das Mulheres pretende combater essa marginalização se seus próprios organizadores marginalizam quem discorda deles, como no caso do veto à participação de mulheres pró-vidano evento. Nesta nova revolução, é preciso perguntar, mulheres que não tratem seus bebês como apenas mais uma parte de seu corpo serão respeitadas?

A resposta é não. Desde que a ativista Adrienne Germain convenceu John Rockefeller III a investir em pesquisas sociológicas que mudassem o pensamento das mulheres a respeito da maternidade, os movimentos feministas tornaram-se apenas uma massa de manobra nas mãos dos grupos globalistas que querem o controle populacional. A defesa dos tais "direitos reprodutivos" não é uma questão de "alma feminina", mas de marketing para diminuir o número de gestações; não é a pessoa da mulher que interessa, mas o seu útero. É por isso que enquanto Scarlett Johansson discursava na Marcha das Mulheres a favor da Planned Parenthood, essa mesma instituição negava a uma gestante o serviço de pré-natal: "Nós fazemos controle de natalidade, sabe, essas coisas… aborto, nós não fazemos pré-natal". E isso, atenção, é muito mais misógino que qualquer conversa de Donald Trump.

Os jornais erram, mais uma vez, ao vincularem a "alma feminina" à defesa do aborto, como se a Marcha das Mulheres fosse o único grito de protesto ecoado nos Estados Unidos naquelas semanas. Outra marcha ocorreu poucos dias depois, também em Washington, reunindo dezenas de milhares de pessoas, principalmente jovens, para protestarem contra a "cultura da morte", que, desde a famosa decisão "Roe vs. Wade", em 1973, já ceifou a vida de mais de 58 milhões de bebês, mortos em clínicas de aborto. Embora os jornais insistissem em ignorá-la, como denunciou o presidente Donald Trump, a Marcha pela Vida, de fato, tem despertado uma nova geração de homens e mulheres americanos, cuja mentalidade não segue a corrente do hedonismo e do relativismo, mas dos valores perenes da dignidade humana. E esta é a "geração pró-vida" que promete pôr fim a "Roe vs. Wade" nos Estados Unidos.

A primeira Marcha pela Vida aconteceu em janeiro de 1974, graças aos esforços da ativista católica Nellie Gray. Convicta de que toda vida humana deve ser valorizada e protegida, Gray decidiu abandonar sua carreira para dedicar-se exclusivamente à causa pró-vida e à organização anual da marcha. O evento logo arrebanhou uma enorme quantidade de pró-vidas e inspirou outros movimentos ao redor do mundo. Em 2013, poucos dias após a posse de Barack Obama, a Marcha pela Vida reuniu mais de 600 mil pessoas na capital americana para reivindicar o fim do aborto e opor-se às medidas antinatalistas do então presidente democrata. Neste ano, o evento contou com a participação do atual vice-presidente, Mike Pence, e de outros membros do governo republicano. "A vida está vencendo outra vez nos Estados Unidos", comemorou Pence durante seu discurso, fazendo referência à medida assinada por Trump, que pôs fim ao financiamento de ONGs pró-aborto no exterior.

A influência da Marcha pela Vida sobre a cultura americana é reconhecida pelos próprios defensores do aborto. Em 2010, a feminista Nancy Keenan declarou seu espanto acerca da quantidade de jovens presentes na edição da marcha daquele ano, que reuniu 400 mil pessoas: "Eu apenas pensei, meu Deus, eles são tão jovens… há tantos deles e são tão jovens". A Revista Time, por sua vez, publicou uma longa reportagem no aniversário de 40 anos da lei "Roe vs Wade", analisando como os ativistas pró-aborto têm regredido desde 1973: "Conseguir um aborto na América é, em alguns lugares, mais difícil hoje do que em qualquer lugar desde que se tornou um direito constitucionalmente protegido 40 anos atrás".

É claro, portanto, que a Marcha das Mulheres está longe de representar a "alma feminina", como tentaram vender os jornais. Contra fatos não há fake news. Mesmo a enorme campanha midiática e o financiamento das ONGs pró-aborto nos últimos 44 anos não puderam conter o apelo natural e espontâneo da mensagem da Marcha pela Vida. Trata-se do que disse a atual presidente do movimento, Jeanne Mancini: "Ser pró-vida é ser pró-mulher". Essa é a verdadeira "alma feminina".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O que está por trás da palavra “gênero”?

Em audiência pública na Câmara, Padre Paulo explica o que está por trás da palavra “gênero” e como essa agenda ideológica “raptou” a verdadeira luta pelos legítimos direitos das mulheres.

Na tarde desta quarta-feira, dia 10 de agosto, Padre Paulo Ricardo foi convidado para participar de uma audiência pública sobre "O significado da palavra 'gênero'". O evento foi promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres, da Câmara dos Deputados.

Em sua exposição, o padre descreve o itinerário histórico e filosófico das ideias de gênero, trazendo à luz uma importante bibliografia, já familiar àqueles que visitam o nosso site, mas ainda desconhecida por grande parte da população. A partir disso, Padre Paulo se propõe a responder, nos seus 20 minutos de fala, o que está por trás da palavra "gênero" e o que ela tem a ver com a luta pelos legítimos direitos das mulheres.

Deixamos disponíveis abaixo os livros utilizados pelo padre durante a sua fala, a fim de que nossos alunos e visitantes também possam estudar e conhecer melhor o assunto em questão:

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O que o aborto tem a ver com o ocultismo?

É o que você vai descobrir neste testemunho impressionante de Abigail Seidman, a mulher que migrou milagrosamente do mundo sinistro do paganismo para o movimento pró-vida.

Quando a mãe de Abigail Seidman fez um aborto, mais de 25 anos atrás, a sua família entrou em um dos mundos mais obscuros e sinistros com que as pessoas podem ter a infelicidade de entrar em contato. Foi a própria Abigail quem migrou do ateísmo para o movimento pró-vida e, agora, conta com exclusividade ao LifeSiteNews.com os bastidores da indústria do aborto nos Estados Unidos.

Ela revela que a descensão de sua mãe para a "cultura da morte", trabalhando ativamente em uma clínica de aborto, não foi motivada por causas sociais ou econômicas — como sói acontecer com algumas pessoas —, mas por uma religião, literalmente.

Abigail descreve a clínica de aborto de sua mãe "repleta de imagens e práticas ocultas". Os funcionários do local consideravam "o aborto como uma forma de sacrifício", que deveria ser realizado como um ritual para adorar divindades pagãs que personificam a morte. Infelizmente, em sua juventude, Abigail e seu filho não nascido acabaram vítimas dessa mentalidade, através de um aborto que a sua mãe a encorajou a praticar.

Esse não é o tipo de coisa que as pessoas gostem de imaginar, e muitas talvez até neguem que seja verdade. Seidman, porém, insiste que os pró-vidas precisam saber a ligação que existe entre o aborto e o mundo das trevas — e que isso pode ser uma peça chave para destruir a indústria do aborto pelas raízes.

Confira abaixo, na íntegra, a entrevista que ela concedeu em 2010 ao LifeSiteNews.com.


Uma questão preliminar. A qual religião você pertence agora, se é que pertence a alguma?

Estou no processo de ser admitida à Igreja Católica Romana. Participo da Iniciação Cristã de Adultos e entro formalmente na Igreja na Vigília Pascal de 2011. Depois de um período de estudo e meditação começando em torno de outubro e novembro de 2009, aceitei Jesus como meu salvador em junho de 2010 e participei de uma comunidade evangélica por alguns meses antes de decidir que o meu lugar era, na verdade, a Igreja Católica.

Antes de minha volta à fé cristã, fui meio ateia e meio agnóstica desde que meus pais saíram da Igreja Episcopal, quando eu tinha 6 anos. Nunca fui uma praticante séria da wicca pagã e da "nova era", mas me envolvi nesse meio por conta do ambiente em que estava. Só estacionei de vez no ateísmo para me sentir segura — porque assim os rituais pagãos que eu tinha presenciado não passariam de superstições idiotas sem nenhum poder espiritual verdadeiro, o que era muito mais confortável do que acreditar na verdade sobre eles.

Também sentia que o Cristianismo não me aceitaria de novo se eu retornasse (uma crença inculcada por minha mãe, que me proibia de associar-me proximamente com cristãos, e repetidamente me dizia que Jesus não iria me aceitar de volta uma vez que eu tivesse duvidado d'Ele, pelo que minha única alternativa era continuar afastada d'Ele). Era uma tática comum de amedrontamento entre os pagãos: "Os cristãos não vão aceitar você depois do que você fez, melhor ficar conosco e trabalhar pelo triunfo da deusa contra o deus cristão".

Quais aspectos do interior de uma clínica de aborto você percebeu serem naturalmente ocultistas? De que forma e até que ponto o ocultismo participava do processo de aborto?

A clínica onde minha mãe trabalhava estava repleta de imagens e práticas ocultas. Havia artes e estátuas de divindades femininas pagãs no escritório, na sala de espera, na de aconselhamento e na de recuperação, além de uma música "nova era" (ocasionalmente incluindo canções de deusas) sendo tocada em toda parte. As conselheiras eram primeiramente escolhidas por suas qualificações "espirituais", e algumas sequer possuíam diploma em alguma área relevante (como psicologia, aconselhamento ou serviço social). Uma delas era cozinheira profissional e se tinha transformado em prostituta (ou "prostituta sagrada", como elas preferiam pensar).

Depois que a clínica fechava à noite, a equipe toda se juntava para fumar maconha e às vezes tomar alucinógenos, se houvesse disponíveis. Isso era visto como uma atividade espiritual, e não como uma prática recreacional. Na verdade, elas zombavam de quem usava drogas simplesmente para curtir, ao invés de usá-las para "abrir as suas mentes" a "realidades espirituais e planos superiores de existência".

Também havia cerimônias especiais envolvidas, em que membros da equipe clínica engravidavam intencionalmente para fazer abortos, os quais eram conduzidos depois de horas com um grupo maior. Eu não participava dessas cerimônias, já que, na ocasião, ainda não tinha tido um aborto eu mesma, então não posso dar detalhes; mas, certa vez, eu cuidei da filha de uma funcionária da clínica durante uma dessas sessões, no andar de cima da clínica, e lembro-me de ouvir algumas canções e algo como "o médico não estar presente" (ele era homem e a cerimônia era apenas para mulheres), então o aborto obviamente seria realizado por uma pessoa não qualificada. As mulheres na clínica eram treinadas com técnicas de aborto clandestino no caso de que Roe v. Wade fosse revertida [1].

Minha mãe hospedou uma "festa de extração menstrual" em nossa casa uma vez, em 1992, quando havia muito medo circulando sobre a possibilidade de Bush ser reeleito e nomear muitos juízes pró-vida ou conseguir um Congresso Republicano para governar e assim restringir o aborto legal. (Extração menstrual é um procedimento de baixa complexidade que consiste em sugar a matéria do útero imediatamente antes da vinda da menstruação, e pode ser usado como um método de aborto precoce.)

Como era mais ou menos o clima nesse ambiente?

Lembro-me que o clima era negro e aterrorizante — não manifestamente assustador, mas de um tipo de dar frio no estômago. Sempre tive uma "sensação" de haver algo "errado" ou "perigoso" lá — quase a sensação de uma presença, a qual agora eu reconheço como sendo exatamente o oposto da Presença que eu sinto dentro de uma igreja.

Agora também enxergo outras coisas que fazem sentido, como o fato de a bebê de que eu cuidava naquele dia, durante o ritual na clínica, nunca sorrir, nem brincar. Ela gritava a maior parte do tempo, exceto quando era cuidada pela mãe, depois disso ela caía em um sono espasmódico por um tempo. Por outro lado, os meus filhos autistas, que são difíceis de lidar, ficam bem calmos quando estão na igreja (qualquer igreja) e se comportam — alguém poderia dizer — "milagrosamente" bem! Acho que crianças são naturalmente mais sensíveis às coisas espirituais, não tendo aprendido ainda a filtrá-las ou a desligar a própria consciência. Eu me lembro de estar bem consciente e alegre com a presença de Deus na igreja quando eu era pequena, apesar de os meus pais sempre abaixarem os olhos e me dizerem para acalmar-me e parar de fingimento.


Vídeo de uma entrevista concedida por Abigail ao programa The Abortion Matrix. A sequência do material está no YouTube.


Quais divindades eram adoradas nesses rituais que você menciona?

A principal figura adorada era A Deusa. Figuras de divindades femininas de várias tradições (hindu, grega, romana, babilônica, egípcia etc.) eram vistas como 'arquétipos' ou 'rostos' dessa única deusa verdadeira, que estaria em oposição com (e, no fim, triunfaria sobre) o Deus judaico-cristão. Elas ensinavam que a deusa era mais antiga, que tinha criado o mundo e as pessoas para viverem pacificamente em uma "idade de ouro" pré-histórica de governo matriarcal, antes da ascensão do patriarcado e da civilização. Deus era pintado como uma figura diabólica, que invejava o poder da Deusa e que tinha inventado a ideia do estupro e ensinado os homens a praticá-lo, dando fim à convivência humana em um estado natural e livre de violência.

As mulheres eram encorajadas a escolherem figuras de deusas em particular como suas modelos ou padroeiras pessoais (quase como os católicos escolhem um santo de devoção). A cultura era lésbica e sexista (e, nesse sentido, diferente dos outros indivíduos ou grupos pagãos sobre os quais eu pesquisei e com que entrei em contato), onde deusas eram adoradas — nunca deuses —, e homens não eram chamados para participar das cerimônias e raramente eram admitidos como companheiros sexuais ou românticos das mulheres.

O único empregado masculino da clínica era o médico, e ele era estritamente profissional: aparecia, realizava os procedimentos e saía. Consegui conhecê-lo relativamente bem ao longo dos anos e ele só estava no negócio pelo dinheiro, ele via a espiritualidade como algo ridículo. Ele preferia trabalhar em um ambiente médico e profissional (as outras clínicas em que ele trabalhou, incluindo aquela em que meu primeiro aborto foi realizado, não eram em nada diferentes de qualquer consultório médico, nem na aparência, nem no procedimento), mas os vícios dele e da esposa em compras faziam-no trabalhar sempre e onde quer que ele pudesse, pelo que ele tolerava a conversa da "deusa". Ele também era um tanto quanto viciado em sexo. Por isso, o desejo da equipe da clínica em ter sexo livremente e abortar quando fosse possível definitivamente agiu em seu favor, e a maior parte das funcionárias tinha sexo com ele em um determinado momento, com exceção das lésbicas convictas.

Curiosamente, a tal Deusa também era conhecida como o Grande Dragão (que elas diziam ser a sua "forma real") —, o qual eu me surpreendi em descobrir que existia na Bíblia também, ainda que definitivamente não como uma pessoa a ser adorada! Falo sério, eu não tinha ideia. Minha exposição à Bíblia e à teologia cristã era mínima, para dizer muito, até cerca de um ano atrás. Tanto que eu cheguei a cair de costas quando li o livro do Apocalipse.

Eu sempre tive um pouco de medo de Maria devido ao meu passado e à vontade de repudiar qualquer coisa parecida a um culto de deusa. O Apocalipse e a sua descrição do grande dragão em guerra com a verdadeira Rainha do Céu, a mãe de Cristo (cf. Ap 12, 1ss), foi verdadeiramente uma revelação para mim, que derrubou a última objeção que eu tinha a tornar-me católica e deixar de ser uma protestante não denominacional. Eu tinha ouvido Maria ser fortemente denunciada por minha mãe e suas amigas, mas o argumento era o de que ela era a mulher cristã oprimida ideal e tinha sido inventada por homens patriarcais sádicos como um modelo impossível para as mulheres seguirem, sendo ela ao mesmo tempo virgem e mãe. (O ideal delas era serem promíscuas e sem filhos, como Ártemis ou Diana.) Desde então, eu encontrei na maternidade espiritual de Maria um grande conforto para mim, na minha atual condição de mãe sem filha e filha sem mãe. Minha mãe parou de falar comigo quando eu me fortaleci na fé cristã e no movimento pró-vida, mas eu aceitei bem isso quando descobri que até a sua presença no telefone parecia ser uma espécie de "toxina espiritual".

Você já notou algum efeito da oração pró-vida nos trabalhos dentro da clínica?

O melhor exemplo de como a oração pró-vida é efetiva eu o conto em uma história que postei no blog do meu grupo pró-vida local. Nos dias de abortos, a minha mãe me mandava acompanhar as pacientes no estacionamento da clínica. Havia muitas pessoas pró-vida que vinham à clínica nesses dias. Algumas eram conselheiras de rua [2], outras vinham para protestar, e outras ainda eram guerreiras na oração. Havia uma mulher em particular que nunca disse uma palavra, nunca sequer interagiu com outros pró-vidas. Ela era uma senhorinha fraca, de idade bem avançada, que toda sexta andava até a clínica, se ajoelhava na esquina da calçada (um pouco distante da entrada) e rezava o Rosário. Às vezes ela ficava ali por horas, não importando o clima, com os seus joelhos magros queimando, congelando ou suando sobre o pavimento. Eu a via toda sexta em que estava lá, e ela sempre sorria para mim quando eu chegava e de novo quando eu saía, mas nunca dizia uma palavra.

Em um dia de inverno, ela veio e rezou por pelo menos três horas, sob uma chuva congelante. A dona da clínica saiu do lado de fora, viu-a e pediu às acompanhantes que a convidassem para tomar um chá quando ela terminasse. Quando ela se levantou, eu fui lá e convidei-a para entrar. Ela aceitou, e eu a ajudei a entrar, enquanto a proprietária trazia uma garrafa de chá. Nós três nos sentamos juntas em um dos sofás na área de aconselhamento. A velha senhora (de quem eu nunca descobri o nome) bebia o seu chá e sorria tranquilamente, acenando solenemente com a cabeça enquanto a proprietária explicava que os seus esforços de oração eram em vão; que ela estava sendo inconveniente de modo desnecessário e até fazendo mal a si mesma se ajoelhando na calçada; que ela faria muito melhor ficando no conforto de sua casa, já que nada ( nada, ela enfatizou) jamais dissuadiria a proprietária, o médico ou a equipe de parar de realizar abortos; e que, simplesmente ajoelhando e rezando sem interagir com ninguém, ela dificilmente iria convencer alguma mulher a mudar de opinião. Quando ela finalmente terminou de falar, a senhora pôs a sua xícara sobre a mesa e disse: "Deus sabe o que eu estou fazendo aqui, e é para Ele que importa, mesmo se não importa a você ou a qualquer outra pessoa. Minhas orações têm valor diante de Deus. E se eu conseguir mudar um coração, apenas um que seja — e ela olhava bem nos meus olhos enquanto dizia isso —, então tudo isso aqui terá valido a pena. Eu sei que Deus me recompensará no final." A dona da clínica abaixou os olhos, suspirou e balançou a cabeça. A senhora ficou de pé, agradeceu-nos pelo chá e foi embora.

Também me lembro de uma funcionária da clínica que tentou formar uma espécie de parceria com algumas clínicas locais pró-vida [3], porque a incomodava que as mulheres que rejeitassem fazer um aborto fossem simplesmente enxotadas porta afora sem receberem nenhuma outra assistência. Ela começou algumas amizades com essas equipes e agendou visitas recíprocas às instalações de uma e de outra clínica, chegando eventualmente a um acordo de que, se uma mulher mudasse de ideia sobre o aborto durante o processo de aconselhamento, ela seria imediatamente enviada para uma clínica pró-vida e assessorada pela própria equipe da clínica de aborto sobre como chegar lá. (O centro pró-vida naturalmente recusou um acordo recíproco de fazer agendamentos de aborto para mulheres que não fossem movidas por seus argumentos a favor da vida.) Eu não sei em que deu isso tudo a longo prazo, já que ela não está mais empregada lá; só sei que o novo lugar da clínica — que foi obrigada a mudar devido à compra e à demolição do prédio antigo para uma nova construção — está hoje localizada fundo a fundo com a mesma clínica pró-vida. Coincidência?

Também tive algumas interações positivas com uma conselheira de rua em particular, que agora está velha e não sai mais para as clínicas, mas que aparentemente ainda está ativa no trabalho de angariar fundos para o movimento pró-vida local. Ela tinha um filho adotado da minha idade e realmente sentia muito que eu, como adolescente, fosse enganada e abusada por minha mãe e suas amigas. Era como se ela pudesse ver, através da frente fria que cobria o meu coração, que eu queria ser livre do mundo pervertido em que eu estava sendo criada.

Você tem alguma ideia do nível de envolvimento que têm as clínicas de aborto com as realidades que você presenciou?

Eu realmente não sou capaz de dizer. Acredito que as clínicas independentes e de orientação feminista tendam a ser mas similares ao que eu presenciei. A dona da clínica que eu descrevi era uma grande amiga do recém-falecido Dr. George Tiller [4] e as descrições que eu li de sua clínica parecem indicar que, também lá, algo a mais acontecia além do simples negócio. Muitas das clínicas, se não a maioria delas, são estritamente empresariais (incluindo, em geral, as afiliadas da Planned Parenthood), o que não impede indivíduos ou grupos que trabalham nessas clínicas, ou defensores do aborto em geral, de estarem envolvidos, em algum grau, com o ocultismo. Acredito que muitos deles estejam, ainda que outros tantos sejam também ateus ou cristãos liberais.

Acredito que os ocultistas constituam o "núcleo" do movimento pró-aborto, assim como os cristãos renascidos formam o "núcleo" do movimento pró-vida, e eu não vejo problema algum em chegarmos ao coração da coisa e em informar as pessoas "pró-escolha" (particularmente os cristãos bem intencionados, mas desorientados) com quem e com o quê elas estão verdadeiramente se associando.

Conte-nos, por favor, mais alguma coisa que você considere surpreendente em sua experiência vis-à-vis com o ocultismo, ou algo que você considera insuspeitável para o pró-vida comum.

Acho que a coisa com que os pró-vidas mais se surpreendem, em minhas discussões com eles até agora, é que o paganismo, a wicca e o culto a divindades femininas são levados a sério por muitos liberais, defensores do aborto, feministas etc. Não se trata meramente de "bicho-papão". Se uma pessoa acredita ou não que essas crenças e práticas espíritas têm algum poder, o fato é que há uma porção significante de pessoas que acredita, e o faz tão intensamente quanto nós acreditamos no Cristianismo ou em outros credos.

Tenho sido encarada com um pouco de descrença por parte de cristãos pró-vida que parecem não ser capazes de compreender que alguém honestamente acredite em outra religião e simplesmente não se rebele contra o Cristianismo. Trata-se geralmente daqueles que foram cristãos a vida inteira e mantidos numa espécie de "bolha", sem a consciência de que há algumas pessoas — mesmo no mundo de hoje — que não receberam a mesma educação, pessoas que talvez sequer tenham sido expostas ao Cristianismo, exceto em um vago sentido cultural (celebrando o Natal como um feriado secular etc). É preciso fazer mais trabalho educacional sobre isso, porque eu sei que o "núcleo" do movimento pró-vida está formado geralmente por pessoas que sempre foram cristãs (especialmente os mais jovens), mas muitos deles são um pouco ingênuos ou mimados.

Com o que eu escrevo e com o que eu falo, tenho chegado a muitos ateus, e a informação tem sido em grande parte bem recebida. Estou planejando trabalhar em um guia para alcançar praticantes do paganismo também, já que há inúmeros argumentos seculares para defender a vida, sem falar que uma abordagem científica pode funcionar com quase todo mundo (e a ciência definitivamente está do nosso lado!).

Pelo menos para mim, a conversão religiosa é secundária à conversão pró-vida. Fui pró-vida por muitos, muitos anos antes de aceitar o Cristianismo e, ainda que não fosse uma ativista engajada à época, já fazia doações para grupos seculares pró-vida, como o Feminists for Life ("Feministas pela Vida"), e votava em candidatos pró-vida sempre que possível, além de privadamente expor e explicar a minha posição para os meus amigos. Eu preferiria ver mil ateístas pró-vida no mundo do que um só cristão que defende o aborto.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe CNP

Notas

  1. Roe v. Wade foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, dada em 1973, que legalizou a prática do aborto no país.
  2. "Conselheira de rua" é uma tradução imprecisa da expressão sidewalk counselor. Trata-se de um trabalho desenvolvido por ativistas pró-vida, que param pessoas em frente a clínicas de aborto para convencê-las a não fazer um aborto, caso tenham um em mente, ou a desaprovarem a prática, caso sejam favoráveis a ela.
  3. Em inglês, essas clínicas são chamadas de crisis pregnancy centers ("centros para crise na gravidez", lit.) e realizam um importante trabalho de ajudar gestantes em dificuldades a fazerem uma escolha sensata pela vida de seus filhos.
  4. O Dr. George Tiller, assassinado em 2009, era um dos poucos médicos norte-americanos conhecidos por realizar abortos tardios, isto é, nas últimas semanas de gestação.

| Categoria: Sociedade

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”? (II)

“Bela, recatada e do lar”. Algumas pessoas protestaram contra o nosso texto. E nós fazemos questão de responder.

Voltemos ao assunto da semana passada, quando as redes sociais protestaram em massa contra o perfil feminino formado pelo trinômio "bela, recatada e do lar".

Aparentemente, algumas leitoras não entenderam a proposta da matéria que postamos aqui. Por esse motivo, vamos apresentar agora uma nova reflexão, reforçando alguns pontos que talvez tenham ficado obscuros e trazendo à luz outros que não foram mencionados anteriormente.

Antes de qualquer coisa, é importante que as pessoas leiam o texto antes de tecerem as suas críticas. Surgiram por aqui pessoas falando de tudo — do luxo do casal Temer, da diferença de idade entre os dois, da revista Veja e até mesmo das primeiras damas que o Brasil já teve —, menos do foco do texto: a escolha de algumas mulheres pela modéstia e pelo cuidado do lar. É isso o que estava em jogo no artigo, e nós o clarificamos muito bem quando pedimos que os leitores abstraíssem "da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo [de Veja] e de qualquer conotação política" que o assunto trouxesse consigo. Não nos interessa, sinceramente, o que a atual esposa de Michel Temer fez ou deixou de fazer. O nosso texto foi sobre a reação indignada de algumas mulheres (mormente as feministas) ao perfil feminino "bela, recatada e do lar", em uma tentativa de explicar o fenômeno que se observou nas redes sociais: mulheres aparecendo com gestos e trajes vulgares, ridicularizando a expressão e até fazendo paródias para inverter o seu significado.

Algumas coisas precisam ser explicadas, em primeiro lugar. Quando nos referimos, no outro texto, a "beleza", "recato", "pudor" e "família", estávamos falando de realidades objetivas, não de palavras "ao vento". Por que essa explicação é necessária? Porque desde o princípio nós partimos do pressuposto de que as pessoas sabem identificar o que é algo belo, o que é um comportamento recatado e o que é uma roupa modesta. Mas nós erramos. Infelizmente, as pessoas não sabem. Na verdade, a nossa época está convencida de que todas essas coisas não passam de "construções sociais": não existiria um padrão objetivo de beleza ou de moralidade, mas tão somente a vontade das pessoas humanas, as quais definiriam de modo arbitrário o que é bom, o que é belo e o que é justo. Esse pensamento não é de hoje: foi o que deu origem à arte moderna — a "arte" das formas geométricas abstratas e de significado insondável —, ao relativismo religioso — para o qual "todas as religiões são iguais", inclusive as que cultuam Satanás — e à crise da educação moderna — que, sem verdade objetiva em que se fundar, torna-se incapaz de transmitir valores sólidos às pessoas.

Essa mesma ideia é uma constante nos comentários de quem protestou contra o nosso artigo. Alguém comentou que o problema não é que as mulheres sejam "belas, recatadas e do lar", mas que isso seja estabelecido como "padrão de comportamento", porque, no fim das contas, "qualquer mulher pode ser o que ela quiser".

Primeiro, não é verdade que todas as pessoas aceitem bem o fato de uma mulher querer ser "recatada". Hoje, tão logo uma jovem comece a se vestir com roupas mais sóbrias e modestas, surge uma legião de todos os cantos para fazer zombaria, isso quando não são os de sua própria família a intervir com humilhações, acusações e até restrições vexatórias. Também não é verdade que todas as pessoas convivam tranquilamente com o fato de uma mulher querer ser "do lar". Quando uma mulher decide ficar em casa para ajudar o seu marido e cuidar dos próprios filhos, toda a sociedade se volta contra ela numa fúria infernal. Atualmente, é bem verdade, tudo está montado para que as mulheres sequer tenham a opção de ficar em casa. Parece consolidada em nossos tempos a "estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem os seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos".

Segundo, qual o problema em estabelecer a modéstia e a vida familiar como "padrões" para as pessoas? Não estamos a todo momento recebendo influências de todas as partes? Os revolucionários da mídia, por exemplo, trabalharam duro para transformar a mentalidade e o comportamento do povo brasileiro com suas novelas e minisséries repletas de adultério e vazias de crianças. Em pouco tempo, as famílias reduziram o número de filhos e o índice de divórcios aumentou vertiginosamente. Onde estão os protestos contra esse tipo de influências? Por que não reagir contra as "imposições da mídia" quando os meios de comunicação são usados para destruir a família? Dois pesos e duas medidas?

Terceiro, não é verdade que "as pessoas podem fazer o que quiserem". A liberdade humana tem as suas balizas, algumas de natureza física — os seres humanos não podem voar nem fazer que os seus filhos venham através de ovos, por mais que queiram —, e outras de natureza moral. Algumas feministas podem até ser a favor da prostituição e da pornografia, por exemplo (que las hay, las hay), mas nem por isso os dois mundos deixam de ser destruidores e degradantes para as mulheres. Elas podem até se enveredar por esse caminho, mas as consequências sempre vêm, mais cedo ou mais tarde.

No âmbito humano, portanto, não existe apenas o poder, mas também o dever, e isso precisaria nos levar a refletir sinceramente sobre a questão de Deus, sobre a existência ou não de um Criador. Será mesmo que todas as coisas que temos não passam de "convenções sociais"? É tudo fruto da "vontade" humana ou existe uma razão divina inscrita na própria natureza da realidade? Será que as pessoas realmente podem fazer o que lhes "der na telha" ou existem leis transcendentes para orientar a nossa conduta e, sobretudo, para nos ajudar a encontrar a felicidade? É possível, enfim, manipular a natureza como bem entendemos ou nós recebemos as coisas de um Criador?

Saibamos olhar para as consequências dos nossos atos e, tendo examinado os frutos, seremos capazes de avaliar a árvore (cf. Mt 7, 16). As nossas mulheres estão mais felizes, depois que conquistaram a "autonomia" e a "independência" que tanto desejaram? Estão mais felizes com seus filhos únicos ou com seus cachorros de estimação? Estão mais realizadas com seus relacionamentos vazios, instáveis e sem perspectiva de futuro? Ou o feminismo as enganou?

Por outro lado, existe também a necessidade de um profundo exame de consciência por parte dos homens: dos homens que só sabem usar as mulheres, como quem usa um preservativo e o joga fora; dos homens que se entregam aos jogos e às bebidas, quase "obrigando" as suas esposas a saírem de casa; dos homens, por fim, que se ausentaram da educação de seus filhos — filhos que, por sua vez, vivem imersos no "universo paralelo" da pornografia e dos video games, crescendo sem nenhuma noção do que seja sacrifício, família ou paternidade.

A culpa da decadência da nossa civilização, obviamente, não é exclusiva deste ou daquele sexo, mas uma obra conjunta, assim como foi a queda no jardim do Éden (cf. Gn 3). Cabe lembrar, porém, que a troca de dedos em riste entre Adão e Eva não levou a lugar algum. Não se começa nenhum processo de reconstrução com acusações mútuas, mas com "acusações próprias", ou seja, com confissões. Todos erramos, mas, até que a morte nos procure e nos transporte para a nossa morada definitiva, há sempre um lugar na casa do Pai esperando o nosso arrependimento e a nossa mudança de vida. Foi o que Jesus de Nazaré veio pregar e trazer efetivamente à humanidade, através de Sua obra de redenção.

Por isso, homens e mulheres: convertam-se! É esse o grande apelo que deve ser feito, para além de qualquer polêmica, necessária ou desnecessária. "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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