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Padre é degolado enquanto rezava Missa na França

O martírio do padre Jacques Hamel, de 84 anos, aconteceu esta manhã, em uma igreja da região da Normandia, norte da França. O Estado Islâmico já assumiu a autoria do ataque.

Aconteceu esta manhã, em uma igreja da cidade de Saint-Etienne-du-Rouvray, no norte da França:

Dois homens armados com facas fizeram reféns um padre, duas freiras e dois fiéis em uma igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na região da Normandia, no norte da França, na manhã desta terça-feira (26). O padre de 84 anos foi morto. Outros três reféns ficaram feridos - um em estado grave.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, que terminou após a polícia matar os dois terroristas. "Eles responderam aos chamados para atacar os países da coalizão internacional [luta contra o EI no Iraque e na Síria]", segundo a Amaq.

Poucos minutos antes, o presidente francês, François Hollande, já tinha declarado que os criminosos disseram pertencer ao grupo terrorista. Hollande, que foi até o local do crime, qualificou o ato como "um ignóbil atentado".

De acordo com o jornal francês "Le Figaro", os dois homens armados entraram na igreja durante uma missa. Fontes policiais informaram que pelo menos um deles usava barba e espécie de gorro de lã utilizado por muçulmanos.

[...]

O primeiro-ministro, Manuel Valls, expressou seu horror por este "ataque bárbaro contra uma Igreja". "Toda a França e todos os católicos estão feridos. Permaneceremos juntos", escreveu no Twitter.

Pouco menos de duas semanas depois do atentado que vitimou mais de 80 pessoas em Nice, no sul da França, o continente europeu conhece um novo mártir: o padre Jacques Hamel. Ele estava celebrando a Santa Missa no momento em que dois homens armados, cooptados pelo Estado Islâmico, invadiram a igreja e derramaram o seu sangue com uma lâmina.

Mal sabia esse sacerdote que, na manhã de hoje, ao levantar-se para oferecer o sacrifício do corpo e sangue do Senhor, ele acabaria entregando a própria vida em sacrifício e se configurando perfeitamente ao Crucificado. Quantos santos não aspiraram a vida inteira por esse ato de heroísmo! Que alegria tremenda não deve ser morrer por causa de nosso Senhor! Rezemos para que Cristo receba este sacerdote na glória do Céu, dê a ele o descanso eterno e nos conceda a graça de sua intercessão.

Rezemos também, neste dia trágico, por todos os franceses, para que redescubram depressa a alegria de serem católicos, unindo-se à Igreja dos mártires que sofre em todo o Oriente Médio. Seja o sangue desse sacerdote mártir a semente de novos cristãos.

Aproveitemos esta oportunidade, de nossa parte, para fazermos uma verdadeira meditação.

Não deixem de ler e assistir ao belíssimo testemunho da irmã Maria de Guadalupe Rodrigo, missionária no Oriente Médio, que pinta um retrato impressionante da guerra na Síria e nos convida a levarmos a sério a nossa fé, porque, no fim das contas, ela é a única coisa que não nos pode ser tirada.

Hoje, mais do que em outros dias, que essa verdade se grave particularmente em nosso coração, devolvendo-nos aquilo que nunca deveríamos perder: a têmpera dos mártires.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O santo que soube o que fazer da vida

São Boaventura entendeu cedo que esta vida não serve para outra coisa senão para preparar nossa morada definitiva no Céu.

Após o tempestuoso "século obscuro", no qual tantas almas se perderam pela impiedade e mau exemplo de muitos sacerdotes, a reforma impulsionada pelos monges de Cluny deu novo fôlego à espiritualidade cristã, suscitando numerosas e santas vocações no seio da Igreja — vocações que mudaram não somente a história do cristianismo, mas também a própria história da humanidade.

O século XIII, filho inconteste desse movimento de renovação espiritual, viu nascer uma geração profundamente enraizada na fé cristã, como jamais se viu desde os primórdios da Igreja. É nesse período que surgem São Domingos de Gusmão e São Francisco de Assis, fundando duas das maiores e mais importantes famílias espirituais do mundo: a Ordem dos Pregadores e a Ordem dos Frades Menores. Com o apelo à missão apostólica e a fidelidade aos três conselhos evangélicos — obediência, pobreza e castidade —, dominicanos e franciscanos construíram a grande civilização cristã da Idade Média sobre o desejo e a busca da santidade.

Dentre os filhos de São Francisco, um nome que não pode passar despercebido é o de São Boaventura, que, com seu trabalho espiritual e teológico, ajudou Santo Tomás de Aquino, herdeiro de São Domingos, a defender e ensinar a verdade católica em sua época.

São Boaventura nasceu em Bagnoregio, na província italiana de Viterbo, no ano de 1217. Pouco se sabe sobre sua infância, a não ser o episódio marcante que teria influenciado a escolha de seu nome religioso. Tendo caído numa forte doença, sua mãe pediu a intercessão de São Francisco, há pouco canonizado, para que o salvasse. Foi haurindo do santo a "boa ventura" que começou a simpatia do até então João Fidanza pelo impressionante testemunho do Poverello, como conta o Papa Bento XVI:

"A figura do Pobrezinho de Assis tornou-se-lhe ainda mais familiar alguns anos mais tarde, quando se encontrava em Paris, aonde tinha ido para estudar. Obtivera o diploma de Mestre de Artes, que poderíamos comparar com o de um Liceu prestigioso dos nossos tempos. Nesta altura, como muitos jovens de ontem e também de hoje, João formulou uma pergunta crucial: 'O que devo fazer da minha vida?'" [1]

São Boaventura, por sua vez, entendeu cedo que a verdadeira vida não é aquela dedicada à obtenção de um diploma, à conquista de uma namorada "bonitinha" ou à persecução de um cargo importante. A vida não pode ser decidida por escolhas apenas temporais. Neste sentido, o filho de São Francisco decidiu-se pelo cumprimento fiel de sua vocação à santidade, abraçando a cruz que teria de carregar até o dia da redenção e tomando, em 1243, o hábito franciscano: "Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar mais a vida do Beato Francisco é que ela se assemelha aos inícios e ao crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e em seguida enriqueceu-se de doutores muito ilustres e sábios" [2]. Trata-se de um exemplo valioso para a geração atual, que, infelizmente, quase não entende mais o valor do sacrifício e das escolhas definitivas.

Terminados os estudos na Universidade de Paris, São Boaventura ganhou uma cátedra na mesma instituição para ensinar teologia, ofício que cumpriu com heroica dedicação, apesar das dificuldades. Havia, naquela época, uma antipatia dos padres seculares pelas ordens mendicantes, de modo que muito se contestou a presença de seus membros dentro do ambiente acadêmico. Questionava-se quase tudo: o seu estilo de vida, a fidelidade à doutrina e até a própria vocação deles. Para responder aos críticos e defender os seus, Boaventura redigiu um texto exemplar que, dada a sua profundidade, ainda hoje pode ser lido com proveito por todos os cristãos. No livro A perfeição evangélica, o santo mostra que a Igreja é mais bela e luminosa quando seus filhos e filhas são fieis à vocação para a qual Deus os chamou e, vivendo-a exemplarmente, tornam-se "testemunho de que o Evangelho é nascente de alegria e de perfeição" [3].

A missão de São Boaventura, porém, não se resumiu aos debates teológicos da academia. Logo teve de assumir também o governo dos franciscanos, o que o obrigou a afastar-se definitivamente da universidade para que pudesse entregar-se aos cuidados da fundação de seu pai espiritual. Tal foi a sua dedicação que alguns chegam a atribuir-lhe o título de segundo fundador dos Frades Menores.

Quando São Boaventura tornou-se ministro-geral da Ordem, os franciscanos viviam uma tensão por causa da influência de um frade cisterciense chamado Joaquim de Fiore. Morto em 1202, este frade defendia uma teologia da história que se dividia trinitariamente. Haveria, nesse sentido, uma época do Pai (o Antigo Testamento), uma época do Filho (o Novo Testamento) e uma época do Espírito, consolidada pelo fim das instituições e pelo surgimento de "uma comunidade carismática de homens livres guiados interiormente pelo Espírito" [4]. A corrente dos chamados "franciscanos espirituais" acreditava ser São Francisco o fundador dessa "comunidade carismática". Vendo o risco de que a mensagem do Poverello degenerasse em anarquia, São Boaventura apressou-se em estudar os escritos de Joaquim de Fiore e toda a documentação possível acerca de São Francisco de Assis.

Apesar de exaustivo e, muitas vezes, constrangedor, o trabalho de São Boaventura para purificar sua Ordem rendeu uma obra teológica inigualável, a começar pela sua biografia de São Francisco, em que demonstra toda a fidelidade dele à mensagem de Cristo e da Igreja. São Francisco não foi um hippie amante de Gaia, como sugerem algumas malfadadas interpretações, mas um "alter Christus, um homem que procurou Cristo apaixonadamente, que se conformou totalmente a Ele". Com isso, Boaventura provou que "a Ordem franciscana (...) pertence à Igreja de Jesus Cristo, à Igreja Apostólica, e não pode construir-se num espiritualismo utópico". Ao contrário, a sua missão é a de "estar presente em toda a parte para anunciar o Evangelho" — essa é a verdadeira novidade em relação ao monaquismo comum que, "a favor de uma nova flexibilidade, restituiu à Igreja o dinamismo missionário" [5].

Vale ainda um comentário breve sobre a visão espiritual de São Boaventura acerca do relacionamento de Deus com o homem. Com uma linguagem semelhante à que Santa Teresa d'Ávila usaria alguns séculos mais tarde, São Boaventura fala de um "itinerário", uma peregrinação que todos devem percorrer até chegarem ao fim definitivo que é Deus. Nesta peregrinação, haveria nove graus ou estágios de perfeição — assim como nove são as ordens angélicas —, que, com a graça de Deus, o homem iria galgando pouco a pouco. Para São Boaventura, os santos mais generosos, como São Francisco de Assis, pertenceriam à ordem seráfica, na qual o homem se converte em "puro fogo de amor".

Boaventura, porém, não deixa de lembrar que a santidade é dom de Deus e que, portanto, ninguém pode alcançá-la somente com forças humanas. Ela é sobretudo fruto da comunhão com o amor divino, comunhão que se desenvolve na oração. O que se pode tirar da teologia de São Boaventura é uma firme confiança no amor de Deus, no amor que se manifesta precisamente naquela noite escura da razão, "onde a razão já não vê", mas o amor: "Se agora desejas saber como isto acontece (ou seja, a escalada para Deus), interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; não a luz, mas o fogo, que tudo inflama e transporta em Deus" [6].

Antes de partir para a casa do Pai, onde teria o encontro definitivo com esse amor de que tanto falava, São Boaventura prestou um último serviço à Igreja aqui na terra, participando do II Concílio Ecumênico de Lião. Morreu em 1274 como bispo e cardeal. Os testemunhos de sua época diziam que Deus lhe havia concedido tal graça "que todos aqueles que o viam permaneciam imbuídos de um amor que o coração não podia ocultar" [7]. De fato, Boaventura entrou na pátria celeste para, como gostava de repetir, entrar na alegria de Deus. E assim encontrou a vida eterna que havia arduamente buscado e preparado já aqui nesta nossa pousada. Hoje somos favorecidos pela sua intercessão.

Oxalá todos os jovens sigam o exemplo de São Boaventura e façam de suas vidas um itinerário seguro para a casa do Pai, onde há muitas moradas (cf. Jo 14, 2).

São Boaventura de Bagnoregio,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e referências

  1. Papa Bento XVI, Audiência Geral (3 de março de 2010).
  2. São Boaventura, Epistula de tribus quaestionibus ad magistrum innominatum, in: Opere di San Bonaventura. Introduzione generale, Roma, 1990, p. 29.
  3. Papa Bento XVI, Audiência Geral (3 de março de 2010).
  4. Id., Audiência Geral (10 de março de 2010).
  5. Papa Bento XVI, Audiência Geral (3 de março de 2010). Cf., também, Papa Francisco condena "caricatura" de São Francisco de Assis.
  6. São Boaventura, Itinerário da mente a Deus, VII, 6.
  7. J. G. Bougerol, Bonaventura, in: A. Vauchez (org.), Storia dei Santi e della Santità Cristiana, vol. 6. "L'epoca del rinnovamento evangelico". Milão, 1991, p. 91.

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O dia em que uma mula se prostrou diante do Santíssimo Sacramento

Para converter o coração de um herege, Santo Antônio de Lisboa chegou a fazer uma mula se prostrar diante do Santíssimo Sacramento. Conheça essa história.

Na região de Toulouse, na França, Santo Antônio disputava com um herege que não acreditava no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Apesar de vencido, o infiel não se convertia à Fé.

Depois de muito discutir, então, ele propôs:

— Deixemo-nos de palavras e vamos a obras. Se tu fores capaz de mostrar com milagres, na presença de toda a gente, que no Sacramento está de fato o Corpo de Jesus Cristo, eu prometo deixar a heresia e submeter-me à Fé católica.

E Santo Antônio, cheio de confiança, respondeu que assim faria.

— Pois então vou fechar em casa um animal. Vou atormentá-lo com a fome durante três dias, e ao fim vou trazê-lo perante todos os que quiserem assistir, dando-lhe algo de comer. Neste intervalo, vens tu com o Sacramento que dizes ser o Corpo de Jesus Cristo. Se o animal esfomeado parar de comer e correr para o Deus que, segundo afirmas, toda a criatura tem obrigação de adorar, podes ficar certo que imediatamente abraçarei a Fé da Igreja.

O santo varão de Deus sem demora em tudo consentiu. E no dia combinado ajuntou-se o povo na praça grande, e veio o dito herege na má companhia de outros hereges, e trouxe a mula que tinha atormentado com a fome, e também, para ela, provisão saborosa de comida. Santo Antônio celebrou a missa na capela que havia no lugar, e ao fim, à vista do povo, trouxe o Santíssimo Corpo de Jesus Cristo. Mandando a todos que se calassem, disse para a mula:

— Ó animal, em virtude e em nome do teu Criador que eu, embora indigno, tenho aqui presente em minhas mãos, ordeno e mando que venhas já sem demora até Ele e humildemente lhe prestes reverência, para que desse modo veja a maldade dos hereges que toda a criatura é sujeita ao Criador a quem a dignidade do sacerdote trata cada dia nos altares.

Enquanto isso, o herege punha de comer à mula esfomeada.

Eis, então, que coisa maravilhosa aconteceu! O animal, mesmo atormentado de tanta fome, quando ouviu as palavras de Santo Antônio, logo parou de comer e abaixou a cabeça, caindo de joelhos diante do Sacramento.

Diante deste fato, muito se alegraram os fiéis católicos, e merecidamente saíram confundidos os hereges. E aquele dito herege se converteu ali mesmo, conforme havia prometido, e começou a obedecer aos mandamentos da Igreja.

Adaptado por Equipe Christo Nihil Praeponere

Fonte

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Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

Nesta pregação, conheça o caminho que produziu a primeira santa brasileira e que todos nós devemos trilhar para chegarmos à glória do Céu.

A Igreja celebra hoje, dia 9 de julho, a memória de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Mesmo tendo nascido na Europa, foi no Brasil que Amábile Lúcia Visintainer se santificou, entregando a sua vida em sacrifício de amor a Deus e ao próximo.

Em homilia feita esta manhã na Paróquia Cristo Rei, de Várzea Grande (MT), Padre Paulo Ricardo conta brevemente a história dessa religiosa e revela o segredo de sua santidade, implícito em seu próprio nome religioso. Afinal, o que a agonia de Cristo tem a ver com os nossos sofrimentos? Como podemos aproveitar as dores e as misérias deste mundo para crescer em Deus?

Escute esta pregação e conheça o caminho que santificou a primeira santa brasileira e que todos nós devemos trilhar para chegarmos à glória do Céu:

Para fazer download desta homilia, basta clicar aqui.

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Beata Albertina, a Maria Goretti do Brasil

Ela preferiu morrer a pecar contra a castidade. Seu nome é Albertina e ela nasceu no Brasil.

A bem-aventurada Albertina Berkenbrock nasceu a 11 de Abril de 1919, no distrito de São Luís, município de Imaruí, interior de Santa Catarina, numa família de origem alemã, simples e profundamente cristã.

Há uma singular concordância entre os testemunhos dados nos vários processos canônicos, por parte das testemunhas que a tinham conhecido e convivido com a Serva de Deus, ao descrevê-la como uma menina bondosa no mais amplo sentido do termo. A natural mansidão e bondade de Albertina conjugavam-se bem com uma vida cristã compreendida e vivida completamente. Da prática cristã derivava a sua inclinação à bondade, às práticas religiosas e às virtudes, na medida em que uma criança da sua idade podia entendê-las e vivê-las.

Sabia ajudar os pais no trabalho dos campos e especialmente em casa. Sempre dócil, obediente, incansável, com espírito de sacrifício, paciente, até quando os irmãos a mortificavam ou lhe batiam ela sofria em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus, que amava sinceramente.

A frequência aos sacramentos e a profunda compenetração que mostrava ter na participação da mesa eucarística é um índice de maturidade espiritual que a menina tinha alcançado; distinguia-se pela piedade, pela modéstia e pelo recolhimento.

O cenário no qual se consumou o seu martírio é terrivelmente simples, quanto atroz e violenta foi a morte da Serva de Deus.

No dia 15 de junho de 1931, Albertina estava apascentando os animais de propriedade da família quando o pai lhe disse para ir procurar um boi que se tinha distanciado. Ela obedeceu. Num campo vizinho encontrou Idanlício e perguntou-lhe se tinha visto o animal passar por ali.

Idanlício Cipriano Martins, conhecido com o nome de Manuel Martins da Silva, era chamado pelo apelido de Maneco. Tinha 33 anos, vivia com a mulher próximo da casa de Albertina e trabalhava para um tio dela. Embora já tivesse matado uma pessoa, era considerado por todos um homem reto e um trabalhador honesto. Albertina muitas vezes levava-lhe comida e brincava com os seus filhos; portanto, era uma pessoa do seu conhecimento.

Quando Albertina lhe perguntou se tinha visto o boi, Maneco responde que sim, acrescentando que o tinha visto ir para o bosque próximo dali e ofereceu-se para a acompanhar e ajudar na busca. Mas, ao chegarem perto do bosque, convidou-a para deitar com ele. Seguiu-a com intenção de lhe fazer mal. Albertina não consentiu e Maneco então a pegou pelos cabelos, jogou-a ao chão e, visto que não conseguia obter o que queria porque ela reagia, pegou um canivete e cortou o seu pescoço. A jovem morreu imediatamente.

Dos testemunhos dos companheiros de prisão de Maneco revelou-se que a menina declarou a sua indisponibilidade pois aquele ato era pecado. A intenção de Maneco era clara, a posição de Albertina também: não queria pecar.

Durante o velório, Maneco controlava a situação fingindo velar a vítima e ficando por perto da casa. Porém, antes que descobrissem quem era o assassino, algumas pessoas notaram um fenômeno particular: todas as vezes que ele se aproximava do cadáver da Serva de Deus, a grande ferida do pescoço começava a sangrar.

No funeral de Albertina participou um elevado número de pessoas e todos diziam já que era uma "pequena mártir", pois dado o seu temperamento, a sua piedade e delicadeza, eram convictos de que tinha preferido a morte ao pecado. A exemplo da italiana Santa Maria Goretti, Albertina sacrificou a vida somente pela virtude.

Beatificada em 2007 pelo Papa Bento XVI, hoje ela se encontra na companhia dos santos no Céu, cumprindo a palavra que diz: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" ( Mt 5, 8). Que do mesmo solo que recebeu o sangue desta santa jovem brotem almas puras e dispostas a antes morrer que ofender a Nosso Senhor — e que estas almas sejamos nós!

Beata Albertina Berkenbrock,
rogai por nós!

Fonte: Site da Santa Sé | Adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua

Quando exumaram o corpo de Santo Antônio, os habitantes de Pádua descobriram a sua língua incorrupta. Desde então, o órgão repousa em um relicário especial, de onde recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos até hoje.

Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.

Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de "Arca do Testamento", pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. "Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas" [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.

Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:

"Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura [...] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: 'Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!' E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente." [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.


Saiba o que a Igreja ensina a respeito da veneração de relíquias, assistindo a este episódio do programa "A Resposta Católica":


O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.

A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a da pregação. "Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem" [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar "à pregação quotidiana e ao confessionário" [4], "quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo" — uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, "depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio" [5].

Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto ele falava. "Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos" [6].

Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:

"Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.

Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal." [7]

É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo "discreto": foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.

Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.

Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo" ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.

Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. GREGÓRIO IX, Papa. Bula da canonização Cum dicat Dominus, de 11 de junho de 1232 (trad. de Frei Henrique Pinto Rema, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 25.
  2. PECKHAM, João. Legenda de Santo António intitulada Benignitas. Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 42.
  3. JULIANO DE ESPIRA, Frei. Vida de Santo António Confessor ou Vida Segunda (trad. de Frei José Afonso Lopes, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 128.
  4. Ibid., p. 131.
  5. Vida primeira de Santo António, também denominada Legenda Assidua, por um frade anónimo da ordem dos menores (trad. de Frei Manuel Luís Marques, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 46.
  6. Ibid., p. 47.
  7. Diálogo sobre as gestas de Santo António, por um Frade Menor anónimo (trad. de Frei José Maria da Fonseca Guimarães, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, pp. 190-191.

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Nada é árduo aos que trabalham por Deus e pelas almas

Trechos de uma carta escrita por São José de Anchieta revelam o que enfrentavam os primeiros evangelizadores do Brasil e com que espírito eles trabalhavam.

O texto a seguir foi retirado de uma carta escrita por São José de Anchieta ao superior dos jesuítas, Diego Láyñez, no dia 1.º de junho de 1560, e conta um pouco o que enfrentavam os primeiros evangelizadores de nossa terra e com que espírito eles trabalhavam. O trecho consta no Ofício das Leituras de hoje, 9 de junho, dia em que a Igreja faz memória de José de Anchieta, "apóstolo do Brasil".

Para quem não sabe, apesar de tanto tempo passado, José de Anchieta só veio a ser canonizado em 2015, pelo Papa Francisco. Nós temos em nosso site uma aula especial sobre a vida deste grande apóstolo, a que vale a pena assistir.

Clique aqui para conhecer melhor a história de São José de Anchieta.

Destacamos do breve excerto abaixo a seguinte frase: "Nada é árduo aos que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas". Possamos também nós trabalhar com esse mesmo objetivo em mente, pedindo a Deus que nos inflame do mesmo amor que animou São José de Anchieta e os primeiros jesuítas a darem a vida por Sua causa:

Nada é árduo aos que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas

De outros muitos poderia contar, máxime escravos, dos quais uns morrem batizados de pouco, outros já há dias que o foram; acabando sua confissão vão para o Senhor. Pelo que, quase sem cessar, andamos visitando várias povoações, assim de Índios como de Portugueses, sem fazer caso das calmas, chuvas ou grandes enchentes de rios, e muitas vezes de noite por bosques mui escuros a socorrermos aos enfermos, não sem grande trabalho, assim pela aspereza dos caminhos, como pela incomodidade do tempo, máxime sendo tantas estas povoações e tão longe umas das outras, que não somos bastantes a acudir tão várias necessidades, como ocorrem, nem mesmo que fôramos muito mais, não poderíamos bastar. Ajunta-se a isto, que nós outros que socorremos as necessidades dos outros, muitas vezes estamos mal dispostos e, fatigados de dores, desfalecemos no caminho, de maneira que apenas o podemos acabar; assim que não menos parecem ter necessidade de ajuda os médicos que os mesmos enfermos. Mas nada é árduo aos que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas, pelas quais não duvidarão dar a vida. Muitas vezes nos levantamos do sono, ora para os enfermos, ora para os que morrem.

Hei me detido em contar os que morrem, porque aquele se há de julgar verdadeiro fruto que permanece até o fim; porque dos vivos não ousarei contar nada, por ser tanta a inconstância em muitos, que não se pode nem se deve prometer deles coisa que haja muito de durar. Mas bem-aventurados aqueles que morrem no Senhor (Ap 14, 13), os quais livres das perigosas águas deste mudável mar, abraçada a fé e os mandamentos do Senhor, são transladados à vida, soltos das prisões da morte, e assim os bem-aventurados êxitos destes nos dão tanta consolação, que pode mitigar a dor que recebemos da malícia dos vivos. E contudo trabalhamos com muita diligência em a sua doutrina, os admoestamos em públicas predicações e particulares práticas, que perseverem no que têm aprendido. Confessam-se e comungam muitos cada domingo; vêm também de outros lugares onde estão dispersados a ouvir as Missas e confessar-se.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  • Serafim da Silva Leite. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil, vol. 3 (1558- 1563). São Paulo, 1954, p. 253-255.

| Categorias: Santos & Mártires, Testemunhos

Ex-luterana convertida à Igreja é declarada santa pelo Papa Francisco

Ela nasceu na Suécia protestante para morrer em odor de santidade na Roma católica. Conheça um pouco da história de Maria Isabel Hesselblad, canonizada este mês pelo Papa Francisco.

O Papa Francisco canonizou, neste dia 5 de junho, a religiosa sueca Maria Isabel Hesselblad. Trata-se de um destino pouco comum para quem nasce na região da Escandinávia, dominada pelo protestantismo desde o século XVI.

De fato, Isabel foi criada em um lar protestante. Nasceu no vilarejo de Faglavik, sudoeste da Suécia, no dia 4 de junho de 1870. Ela era a quinta de 13 irmãos e foi batizada na comunidade luterana da Suécia, que seus pais frequentavam todos os domingos.

Com 16 anos, para ajudar nas necessidades materiais de casa, Isabel começa a trabalhar como doméstica. Dois anos depois, em 1888, a jovem decide mudar-se para os Estados Unidos, onde passa a trabalhar como enfermeira em um hospital de Nova Iorque. Aí ela entra em contato com diferentes culturas e religiões, descobrindo um mundo cristão totalmente diverso daquele a que estava acostumada na Suécia: a Igreja Católica.

Enquanto atendia a um trabalhador irlandês que se havia ferido na construção da futura Catedral de São Patrício, Isabel ouviu-o clamando o auxílio de Nossa Senhora: "Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!". Assustada com a invocação, a jovem Isabel escreveria que "não era cristão" falar daquele modo. "Os católicos usam umas fórmulas curiosas", pensou ela na ocasião.

Outra noite, depois de enfrentar uma terrível tempestade buscando um sacerdote para um católico moribundo, ela receberia uma bênção profética. "Que Deus te abençoe, querida irmã, pelo teu cuidado e dedicação", disse-lhe o religioso. "Tu ainda não és capaz de entender o maravilhoso serviço que prestas a tanta gente, mas um dia o entenderás e encontrarás o caminho."

A jovem Isabel perambulava com suas amigas por várias igrejas cristãs de distintas denominações e se perguntava qual seria o único rebanho a que se referia o Evangelho de São João. Muito lhe agradava o silêncio das igrejas católicas, ainda que não conseguisse entender o porquê de tantos gestos físicos, como o sinal da cruz e as genuflexões.

Foi durante uma viagem a Bruxelas, enquanto acompanhava suas amigas católicas em um procissão do Santíssimo na Catedral de São Miguel e Santa Gudula, que Isabel teve um encontro pessoal com Jesus na Eucaristia:

"Ao ver as minhas duas amigas e muitos outros se ajoelhando, retirei-me atrás das portas para não ofender os que me rodeavam ficando de pé. Pensei comigo: 'Só me ajoelho diante de ti, Senhor, não aqui'. Naquele momento, o bispo chegou à porta carregando a custódia. Minha alma atormentada se encheu de repente de doçura e escutei uma voz, que parecia proceder ao mesmo tempo do exterior e do fundo do meu coração, que me dizia: 'Eu sou aquele que tu buscas'. Caí de joelhos, então, e ali, atrás da porta da igreja, realizei a minha primeira adoração a nosso divino Senhor presente no Santíssimo Sacramento."

Essa experiência mística abriu a alma de Isabel à fé católica. Depois, a oração, o estudo e os conselhos de um sábio padre jesuíta terminariam dissipando as suas dúvidas em relação a Nossa Senhora. Em 15 de agosto de 1902, já com 32 anos, Isabel finalmente recebe o Batismo "sob condição", no Convento da Visitação, em Washington. "Por um momento o amor de Deus foi derramado sobre mim", ela escreve, relembrando esse evento tão importante em sua caminhada de fé. "Entendi, então, que só poderia responder àquele amor por meio do sacrifício e de um amor disposto a sofrer por Sua glória e pela Igreja. Sem hesitar ofereci a Ele a minha vida e a minha vontade de segui-Lo no caminho da Cruz."

Durante uma peregrinação à Cidade Eterna, Isabel recebeu o sacramento da Confirmação e descobriu que devia dedicar toda a sua vida a rezar pela unidade dos cristãos. Ao visitar o templo e a casa de sua conterrânea, Santa Brígida, ela ficou profundamente impressionada e sentiu que Deus lhe chamava para a vida consagrada: "É neste lugar que desejo que Me sirvas".

Em 1906, ela recebe a permissão do Papa São Pio X para tomar o hábito da Ordem do Santíssimo Salvador, fundada por Santa Brígida. Cinco anos depois, passados inúmeros percalços, ela consegue estabelecer em Roma uma casa das brigidinas, dando início a um novo ramo da comunidade.

Desde o começo de sua fundação, Isabel se dedicou com muito cuidado à formação e direção de suas filhas espirituais. Ela implorava a elas que vivessem unidas a Deus, que tivessem um desejo fervoroso de se conformarem a nosso Divino Salvador, que possuíssem um grande amor pela Igreja e pelo Romano Pontífice e, por fim, que rezassem continuamente pela unidade de todos os cristãos. "Essa é a primeira meta da nossa vocação", ela repetia. "Nossas casas religiosas devem ser formadas pelo exemplo de Nazaré: oração, trabalho e sacrifício. O coração humano não pode aspirar a nada maior."

Contemplando o infinito amor do Filho de Deus, que Se sacrificou pela nossa salvação, ela alimentava a chama do amor em seu coração e lutava por transmitir a mesma caridade a suas filhas. "Nós devemos nutrir um grande amor por Deus e pelo próximo", ela dizia. "Um amor forte, um amor ardente, um amor que elimine as imperfeições, um amor que gentilmente suporte um ato de impaciência ou uma palavra amarga, um amor que se preste prontamente a um ato de caridade."

Durante a Segunda Guerra Mundial, o convento das brigidinas em Roma escondeu inúmeros refugiados, vindos de todos os lados, o que fez o Estado de Israel reconhecê-la com o título de "justa entre as nações".

A bem-aventurada Maria Isabel Hesselblad morreu em 24 de abril de 1957, em odor de santidade. Já em 2000 ela foi beatificada pelo Papa São João Paulo II.

Ao aproximar-se a sua morte, Isabel rezava continuamente o Rosário. "A Virgem está mais próxima de mim que o meu próprio corpo", ela escrevia. "Sinto que seria mais fácil cortar-me um braço, uma perna ou a cabeça que afastar de mim a Virgem. É como se a minha alma estivesse acorrentada a ela."

Com informações de ReL e Vaticano | Por Equipe CNP

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