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O que Chesterton diria sobre o “casamento gay”?

Embora a expressão “casamento gay” seja nova, as raízes dessa ideia são muito mais antigas — e Chesterton já havia alertado para o seu perigo

Por Dale Ahlquist | Tradução: Equipe CNP — Um dos temas prementes na época de Chesterton era o "controle de natalidade". Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o "casamento gay". Não só a ideia, como também o nome está errado: o "casamento gay" não é gay, no sentido original do termo [1], nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista ( Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, "esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam" [2].

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido "ou com ataques ou com o silêncio" — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [3]. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a "simples mitologia" produziram uma perversão entre os gregos. "Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem". Qualquer jovem, ele diz, "que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples" sente um repúdio natural pela homossexualidade porque "ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum". Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É "a ilusão da familiaridade" quando "uma perversão se torna uma convenção" [4].

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra "gay". Ele escreve sobre a "poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde", "a religião do carpe diem". Carpe diem significa "aproveite o dia", faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. "No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes" [5]. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis, "no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano" [6]. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando "perverter o futuro e desfazer o passado". Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de "o chefe dos decadentes" [7], Chesterton diz que ele cometeu um "erro monstruoso", mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. "A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição" [8].

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: "Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível".

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: "Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo" [9].

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal [10]. Legalizar o "casamento" homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e referências

  1. Antes de significar "homossexual", a palavra inglesa gay remetia simplesmente à ideia de alegria e despreocupação.
  2. CHESTERTON, G. K. The Superstition of Divorce. London: Chatto & Windus, 1920, p. 63.
  3. ______. The Next Heresy. In: The Chesterton Review 26 (3), p. 295-298 (2000).
  4. ______. O Homem Eterno (trad. de Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 164-165.
  5. ______. Hereges (trad. de Antônio Emílio Angueth de Araújo). 3. ed. Campinas: Ecclesiae, 2012, p. 119.
  6. ______. Saint Francis of Assisi. London: Hodder and Stoughton, 1923, p. 30.
  7. ______. The Victorian Age in Literature. London: Williams and Norgate, 1913, p. 226.
  8. ______. Oscar Wilde. In: On Lying in Bed and Other Essays. Calgary: Bayeux Arts, 2000, p. 248.
  9. ______. The Flying Stars. In: A Inocência do Padre Brown. Porto Alegre: L&PM, 2011.
  10. Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a famosa decisão Roe vs. Wade, de 1973.

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Família, torna-te aquilo que és!

Na família, nenhum papel é descartável. Não existe ex-marido, não existe ex-esposa, não existe ex-filho. O vínculo é eterno.

A família está no centro das grandes discussões mundiais. Não é por acaso que o Papa Francisco resolveu dedicar as tradicionais audiências de quarta-feira, ao longo de todo este ano, justamente a esse tema. A Igreja, como perita em humanidade, não só pode como deve intervir neste debate tão caro à sociedade. A instituição familiar passa por uma crise sem precedentes na história. Recentemente, assistimos perplexos à aprovação do so called "casamento" gay em duas nações de antiga tradição cristã: Irlanda e Estados Unidos. Que estaria na origem de tudo isso? Como os cristãos podem reagir a essa mudança de valores que, a princípio, parece incontrolável?

A primeira coisa a reconhecer, para nossa tristeza, é o fracasso das famílias no que se refere ao testemunho das virtudes evangélicas e humanas. O "casamento" gay é apenas a ponta do iceberg. O problema vai muito além das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Quando os heterossexuais, desgraçadamente, aceitaram a proposta do divórcio como uma via legítima de solução para os conflitos entre marido e mulher, eles simplesmente abriram caminho para que outros parceiros sexuais reivindicassem seus "direitos" civis. Explicamos: ao tornar-se um contrato, o matrimônio deixou de ser um vínculo indissolúvel para converter-se em uma espécie de prestação de serviços com prazo de validade. Tem mais. Com o advento dos métodos contraceptivos, os relacionamentos ficaram reduzidos ao prazer — não se casa mais para ter filhos e formar família; casa-se por puro desejo sexual. Assim, quando terminam as paixões, terminam também os casamentos. Essa é a grande tragédia familiar da atualidade. A lógica do "casamento" gay foi criada pelos heterossexuais.

No capítulo 11 do segundo volume de sua famosa obra A sociedade humana, o sociólogo Kingsley Davis faz uma importante distinção entre o que ele chama de grupos primários e grupos secundários. Grupos primários, segundo Davis, seriam aqueles cujas funções são permanentes. Um pai, por exemplo, sempre exercerá sua paternidade, ainda que esteja morto. O filho lembrar-se-á dele e de suas lições por toda a vida. Trata-se de algo insubstituível. O grupo secundário, por outro lado, já não possuiria a mesma dinâmica. Para Davis, nos grupos secundários estariam as relações empresariais, políticas e administrativas — funções evidentemente descartáveis. Um empresário pode ser substituído por outro mais competente e assim por diante. O primeiro grupo estaria marcado por relações virtuosas; o segundo, pelas disputas de poder.

Bingo. O divórcio e a mentalidade contraceptiva transformaram a família em um grupo secundário. Essa mudança, ardilosamente programada por militantes como Kingsley Davis, está na raiz da crise familiar à qual assistimos hoje [1]. Não existem mais ambientes virtuosos. Tudo resume-se ao conflito, às disputas de poder, ao bem-estar pessoal. Notem: as famílias estão resolvendo seus conflitos na delegacia. Esposos brigam por propriedades. Filhos ameaçam os pais com a anuência de estatutos, conselhos e ideólogos. Marido, mulher e filhos tornaram-se descartáveis, graças à obsessão materialista.

Há poucos dias, a imprensa comemorava uma suposta aprovação do Papa Francisco ao divórcio. Diziam: "Finalmente a Igreja abre os olhos para o mundo moderno". É preciso esclarecer duas coisas. Primeiro, o Santo Padre falava de situações de risco à família, quando, por exemplo, um dos cônjuges age de forma violenta. Ora, em tais situações — explica o Catecismo —, "a Igreja admite a separação física dos esposos e o fim da coabitação" [2]. Como se pode ver, Francisco não disse nada de novo ou revolucionário. Isso já era ensinado pela Igreja há muito tempo. Somente pessoas ignorantes ou de má fé podem interpretar as palavras do Papa de outro modo. Segundo, o fim da coabitação — como evidencia o Santo Padre logo depois da "polêmica" declaração — não significa o término do vínculo matrimonial. Ao contrário, diz Francisco, "graças a Deus não faltam aqueles que, apoiados pela fé e pelo amor aos filhos, testemunham a sua fidelidade em um vínculo no qual acreditaram, embora pareça impossível fazê-lo reviver" [3].

Porém, é claro que a mídia soltaria fogos com uma aprovação da Igreja ao divórcio. Infelizmente, a maior parte dos jornalistas é partidária dessa mentalidade materialista. Vejam o que é exaltado nas capas de revistas e de jornais. Percebam o interesse vil com que se noticiam traições e términos de casamentos. Avaliem a maneira como a rotatividade nos relacionamentos é celebrada por esses meios de comunicação. E é mais do que óbvio que, em uma sociedade baseada apenas nos interesses financeiros e sentimentais, surgiriam outros modelos de vivência sexual. Como lhes negar o reconhecimento civil? Como dizer que não se trata de família?

A salvação da família passa, evidentemente, pela retomada dos valores essenciais do sacramento do matrimônio. Digamos com clareza: a família deve voltar a ser um grupo primário, na qual estejam presentes as virtudes da humildade, da magnanimidade e, sobretudo, da caridade. Uma família necessita do dom do perdão, do saber compreender as fraquezas do outro, no intuito de ajudá-lo a crescer. Isso supõe um comprometimento indissolúvel. "Só a atração recíproca", como explica São João Paulo II, "não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se" [4]. O amor conjugal é, ao contrário, "essencialmente um empenho para com a outra pessoa, empenho que se assume com um preciso ato de vontade" [5]. Resumindo: uma família deve caminhar junta para o céu.

Na família, nenhum papel é descartável. Não existe ex-marido, não existe ex-esposa, não existe ex-filho. O vínculo é eterno. Uma só carne. Compreender isso faz-se essencial para a cura das famílias. Família, torna-te aquilo que tu és!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. AV. 89. Herodes e Pilatos ficaram amigos.
  2. Catecismo da Igreja Católica, n. 1649.
  3. Francisco, Audiência Geral, 24 de junho de 2015.
  4. João Paulo II, Discurso ao Tribunal da Rota Romana, 21 de janeiro de 1999, n. 3.
  5. Idem.

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O projeto anti-cristão da agenda gay

A inversão de valores propagada pela mídia revela um projeto incisivo de destruição da moral cristã

Os noticiários não falam de outra coisa. O liberalismo sexual, no qual se inclui a causa gay, ganhou de vez as manchetes dos principais jornais do país, numa avalanche que parece não ter mais freio. A unanimidade da imprensa em decretar o novo padrão de moralidade é tão eloquente que os mais desavisados sentem-se quase que impelidos a concordar com ele, mesmo que a contragosto. Mas enganam-se aqueles que, ingenuamente, atribuem essas movimentações ao curso natural da história. Trata-se, pelo contrário, de uma agenda compacta, determinada e amplamente financiada, cuja única meta é: minar os fundamentos da sociedade ocidental - o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã - e, em última análise, a natureza humana.

Não é mais segredo para ninguém a hostilidade com que inúmeras nações se referem ao cristianismo. Praticamente todos os programas de governos atuais têm por política o combate aos últimos resquícios de fé católica que ainda restam na sociedade. E essa agenda ideológica encontra eco sobretudo nas Organizações das Nações Unidas, logicamente, a mais interessada na chamada "Nova Ordem Mundial". Essa perseguição sistemática à religião cristã e, mais especificamente à Igreja Católica, se explica pelo fato de ela ser única a levantar a bandeira da lei natural, que é a pedra no sapato dos interesses globalistas.

Em linhas gerais, o direito natural refere-se ao que está inscrito no próprio ser da pessoa. Isso supõe uma ponte de acesso a uma moral humana já pré-estabelecida, com direitos e deveres naturais, conforme a ordem da criação. Não corresponde a um direito revelado, mas a uma verdade originária do ser humano, que através da razão indica aquilo que é justo ou não. Essa defesa do direito natural foi o grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões no início do primeiro milênio, como assinala o Papa Emérito Bento XVI ao Parlamento Alemão, em um dos discursos mais importantes de seu pontificado:

"Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus", (Cf. Bento XVI ao Parlamento Federal da Alemanha em 2011).

A partir do último meio século, ressalta o Santo Padre, o direito natural passou a ser menosprezado, em grande parte, devido à razão positivista. Passou-se a considerá-lo como "uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo". Com efeito, para o teórico positivista Hans Kelsen, a ética deveria ser posta no âmbito do subjetivismo e, por conseguinte, o conceito de justiça.

Criou-se, portanto, uma situação perigosa da qual o próprio Kelsen foi vítima posteriormente, quando perseguido pelo regime nazista por ser judeu. A justiça e a ética caíram no relativismo. Cada um julga-se a si mesmo, julga-se o conhecedor do bem e do mal. E "quando a lei natural e as responsabilidades que implica são negadas, - alerta outra vez Bento XVI em uma catequese sobre Santo Tomás de Aquino - abre-se dramaticamente o caminho para o relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo de Estado no plano político". Como condenar os regimes nazistas, fascistas e comunistas por suas atrocidades se a justiça é um conceito relativo a cada um?

A Igreja condena a perversidade do relativismo justamente por essa falsa sensação de liberdade propagandeada por ele. É a mesma liberdade oferecida pela serpente do Éden à Eva, a falsa beleza que, na verdade, é escravidão. Quando exposta em termos claros e diretos, a lei natural se torna evidente e com ela, todo o arcabouço que a sustenta: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã. A lei natural encontra apelo no ser humano justamente por ser verdade e estar de acordo com a razão criadora, o Creator Spiritus. O Magistério Católico é, neste sentido, um dos únicos baluartes da justiça e da dignidade da pessoa humana, por falar quase que solitário em defesa da lei natural.

O trabalho da elite globalista - diga-se ONU, imprensa, ONGs esquerdistas e etc - consiste, neste sentido, única e exclusivamente na destruição desses pilares da lei natural. Assim, sepultam-na numa espiral do silêncio, enquanto reproduzem na mídia uma moral totalmente avessa e contrária à família. Desse modo, abrem espaço para a educação das crianças pelo Estado conforme a cartilha ideológica que defendem. É um programa totalmente voltado para a subversão e o controle comportamental que está sendo colocado em prática, descaradamente, por países como Estados Unidos, França, Suécia, Holanda e até mesmo o Brasil.

Neste momento, em que a Igreja vê-se atacada por todos os lados e se joga com a vida humana como se fosse algo qualquer e sem valor, urge o despertar de pessoas santas, imbuídas por uma verdadeira paixão à Verdade. Todas as grandes crises pelas quais a Igreja passou nos últimos séculos foram enfrentadas por santos de grande valor: São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney, Santa Catarina de Sena, São Pio X... E essa crise atual requer a mesma fibra, o mesmo destemor e parresia com os quais aqueles santos estavam dispostos a entregar suas vidas, suas fortunas e até mesmo os seus nomes, sem medo da humilhação, firmes na Providência Divina e na certeza de que no alvorecer do novo dia será de Deus a última e definitiva palavra.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

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  1. Visita ao Parlamento Federal - Discurso do Papa Bento XVI

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O casamento é uma causa perdida?

A aprovação do "casamento" gay é o último passo da agenda antifamília e da eliminação dos direitos das crianças.

A promulgação da lei que permite o casamento gay e a adoção por pares homossexuais, no último mês de abril, na França, não encerrou o debate sobre a questão. Apesar da intransigência do governo socialista de François Hollande, a população voltou a encher as ruas de Paris neste domingo, 26/05, para dizer um rotundo não à equiparação do matrimônio às uniões de pessoas do mesmo sexo. Segundo os organizadores da "Manif pour tous" (Manifestação para todos), mais de um milhão de pessoas participaram do ato. O movimento contou com a presença não só de católicos, mas também de grupos de outras religiões e até mesmo de homossexuais. Um protesto semelhante ocorreu na Polônia também neste domingo e agregou milhares na terra do Beato João Paulo II.

A manifestação é uma resposta à falácia esquerdista de que a consolidação do "casamento" gay é um fato inevitável e irreversível. O professor de jurisprudência da Universidade Princeton, Robert P. George, considera um grave erro dos conservadores a aceitação da hipótese - obviamente incentivada pelos liberais - de que a defesa da família é uma "causa perdida". O professor recorda que o mesmo foi dito a respeito do direito ao aborto nos Estados Unidos, durante a década de 70, e hoje é mais comum encontrar pessoas pró-vida do que pró-escolha (como se definem os defensores do aborto). Ele alerta que a aceitação da união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo não é uma simples questão de "justiça social", como afirmam seus defensores, mas uma mudança substancial no conceito de família e paternidade, que trará consequências perigosas para a educação das crianças e para a liberdade religiosa.

Ora, se se concebe o casamento não como uma união em uma só carne, argumenta George, mas como uma "parceria doméstica romântico-sexual", todo o arcabouço familiar desmorona, pois já não fazem sentido a monogamia, a fidelidade conjugal e os direitos paternais biológicos. O casamento passa a existir apenas como um contrato social com prazo de validade no qual ambas as partes prestam serviços sexuais. Isso é a completa perversão do conceito de família, além de uma afronta direta ao direito matrimonial histórico, que jamais cogitou tamanho disparate. A denúncia de Robert P. George se torna ainda mais grave quando se observam os precedentes abertos por essa compreensão errônea do ser humano e, por conseguinte, do casamento. Ele se questiona: "se dois homens ou duas mulheres podem se casar, por que não poderiam se casar também três ou mais pessoas, indistintamente de sexo, em poliamorosas "tríades", "quadríades", etc?"

Milhares de franceses deram a mensagem: "Casamento é entre um homem e uma mulher"

Para além das ressalvas, na prática, esse entendimento tortuoso do casamento já consolidou em muitos tribunais o retorno à poligamia. Um retrocesso que demonstra de forma contundente o caráter retrógrado e paradoxal do dito "progressismo". Ao considerar o ser humano como apenas razão e vontade, relegando o corpo a uma função meramente instrumental, o Estado redefine o matrimônio, transformando-o num simples arranjo de emoções e desejos eróticos. Sendo assim, se já não existe uma razão que sustente a distinção de sexo e a monogamia do matrimônio, aqueles que insistem na sua defesa, agem imbuídos por mero "preconceito". E é aí que mora o perigo, pois por que o Estado deveria tolerar as instituições religiosas promotoras da "homofobia"? É com base nessas questões que o professor Robert P. George alerta para a ameaça à liberdade religiosa erigida a partir da aprovação do "casamento" gay, última etapa no processo de desconstrução da família, iniciado há muito tempo com a permissão do divórcio.

Outro fator importante elencado pela fundadora do Instituto Ruth - uma organização dedicada à promoção da família - Jennifer Roback Morse, é o aumento da interferência do Estado nas questões familiares, por causa da nova definição do matrimônio. O casamento é uma instituição pública, cuja finalidade natural é defender os direitos das crianças. Cabe ao Estado garantir esses direitos através da justiça. Toda criança tem o direito natural de conhecer sua origem, sua identidade e de relacionar-se com o pai e a mãe. Todavia, quando o casamento deixa de ter seu fundamento biológico para se tornar um contrato, inúmeros problemas aparecem: divórcios unilaterais, filhos fora do casamento, produção independente, prejuízo à educação das crianças e sexualização precoce. Criada a desordem, quem aparece para arrumar a bagunça, pergunta Jennifer Morse? O Estado. Ela afirma que "o governo hoje em dia interfere muito mais na vida privada das pessoas do que jamais o fez nos terríveis anos da década de 1950".

Em linhas gerais, a intenção dos esquerdistas e dos promotores do "casamento" gay nunca foi garantir "direitos iguais" aos homossexuais, mas tão somente aumentar o poder do Estado sobre a família e o comportamento dos seus filhos. Trata-se de uma engenharia social que caminha a passos largos e imita os rumos de países como a Suécia, um triste exemplo de nação na qual os pais não têm mais contato com seus filhos. A educação fica sob total responsabilidade do Governo, que os educa conforme a sua cartilha materialista e socialista. E se resta alguma dúvida de que essa política está sendo empregada no Brasil, basta lembrar da recente lei promulgada pela presidente Dilma Rousseff que obriga os pais a matricularem seus filhos na escola a partir dos quatro anos de idade.

Por outro lado, infelizmente, pouquíssimas pessoas têm se dado conta da gravidade da situação. Não percebem que o que se está em jogo é a autonomia familiar, os direitos da criança e a liberdade religiosa. Alguns argumentam que isso é uma questão de foro íntimo e de liberdade de consciência. Não, não é! Nenhuma nação é livre quando os direitos fundamentais do indivíduo são tolhidos logo na base, ou seja, quando crianças. Recorda Jennifer Roback Morse, "não é possível criar uma sociedade duradoura que sistematicamente mine o fundamento biológico da identidade humana". Provavelmente, todos têm contato com filhos de pais separados, com crianças órfãs ou frutos de uma "produção independente". Todos sabem do sofrimento e da angústia delas. Não obstante, imaginem então o caso daquelas crianças geradas em barrigas de aluguel, geradas a partir de doações de sêmen, seja para pares homossexuais, seja para casais.

As manifestações realizadas na França e na Polônia não são apenas atos políticos de partidos de "extrema direita". São, antes de tudo, um ato heroico de um povo que percebeu a artimanha sorrateira dos liberais contra a família. Reproduzem a reta razão e o direito natural inscrito no coração do ser humano de que o matrimônio é uma realidade existente somente entre um homem e uma mulher, não só para a geração, mas também para a proteção e garantia da vida dos filhos. E isso, nenhuma ideologia, por mais engenhosa que seja, será capaz de cancelar. Que elas possam inspirar mais e mais católicos e pessoas de boa vontade a se posicionarem de maneira clara contra a mentira e os projetos totalitários que procuram solapar a família.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

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  1. Casamento, Liberdade Religiosa e a "Grande Barganha"
  2. Artigos Diários - Jennifer Roback Morse

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O rei está nu

A agressividade com que o movimento gay reage às críticas de seus opositores não demonstra somente a intolerância do grupo, mas a farsa de suas reivindicações

À esquerda, ilustração da fábula da roupa do rei, à direita, a imagem de uma criança durante a marcha em defesa da família, realizada na França.

A simples objeção à causa gayzista se tornou sinônimo de "ódio fascista". Tamanha é a pressão da militância LGBT que é praticamente impossível sair incólume depois de uma crítica às práticas dos sempre "coitadinhos". Basta se opor à sua agenda para que eles se levantem com uma fúria dantesca a fim de sepultar no ostracismo - e se possível, na cadeia - a criatura que ousou contestá-los.

Os exemplos dessa verdadeira caçada homossexual aos seus opositores são tantos, que fica até difícil elencá-los. Vai desde uma campanha virulenta contra um escritor crítico à adoção por pares homossexuais a uma passeata de jovens católicos atacada brutalmente - e com pedradas - por defender a vida dos nascituros e a dignidade da família. Supera o absurdo a arrogância desses grupos que tanto clamam pela "diversidade", ao mesmo tempo em que perseguem, intimidam e ameaçam aqueles que discordam de suas práticas.

Sob o mantra bem arrojado de "Estado Laico", tentam varrer para esfera privada a fé cristã há tantos séculos presente na cultura geral. Não se dão conta, porém, de que o modus operandi de sua ideologia - a famigerada ideologia de gênero - nada mais é que uma versão moderna do gnosticismo, um velho conhecido do cristianismo, que acreditava ser o homem uma alma presa em um corpo mau, por um castigo divino. Ora, se os cristãos não têm o direito de pautarem o debate público por serem cristãos, quanto menos os propugnadores de um misticismo pagão já há muito tempo desmascarado.

A ideia por detrás da ideologia de gênero - a menina dos olhos do movimento LGBT - funda-se na concepção dualista de ser humano, que o vê como uma junção de razão e vontade e relega o corpo à condição de mero instrumento de satisfação. É assim que os seus defensores fingem passar despercebida a diferença existente entre a relação sexual heterossexual e a relação homossexual. A discrepância entre a relação sexual de um homem e uma mulher e a relação de pessoas do mesmo sexo não é uma construção cultural, mas biológica, natural. Negar isso é uma vigarice tremenda.

Para fazer valer suas bizarrices, os ideólogos gays precisam, de qualquer maneira, obter a hegemonia da classe falante e rotular seus adversários de opressores e teóricos da conspiração. Funciona mais ou menos como a fábula da roupa do rei, que só podia ser vista pelos "inteligentes". A farsa caiu quando uma simples criança teve a coragem de dizer: "mamãe, o rei está nu". E é contra essa criança da história que o movimento LGBT se levanta, é ela que ele procura amordaçar, pois, caso contrário, corre o risco de ser desmascarado em público.

O que a causa gay procura esconder? Já foi dito inúmeras vezes que para conhecer uma pessoa não se deve olhar para o que ela defende, mas contra o que ela luta. A chamada cultura gay nada mais é que uma afronta à reta moral da família e da sexualidade, além de um desrespeito à dignidade da pessoa humana, pois a reduz a um objeto de prazer. Os frutos se veem na prática. Após trinta anos da descoberta do vírus do HIV, os grupos homossexuais continuam a ser os mais expostos a essa doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2012, na população geral, a cada 200 pessoas, uma é soropositivo, enquanto entre os gays a proporção aumenta para um a cada dez.[01]

Sim, o rei está nu. O rei está nu quando se sabe que a taxa de depressão entre garotos homossexuais é praticamente o dobro da referente aos que não têm essa tendência. De acordo com dados do estudo "Homossexuality and Hope" da Associação dos Médicos Católicos Norte Americanos, a porcentagem é de 71,4% para homossexuais e de 38,2% para heterossexuais, dentro de um grupo de mil jovens.[02] O rei está nu quando se vê em reportagens televisivas o comportamento imoral de centenas de ativistas homossexuais, que durante as ditas "Paradas do Orgulho Gay", mantêm relações sexuais em público e, literalmente, na lama.

O rei está nu quando a probabilidade de um homossexual adquirir DST é 20 vezes maior do que a de um heterossexual. Tudo isso é uma triste consequência do modo como eles mesmos encaram a sexualidade - tornando-a o centro de toda a sua existência - e não culpa da pseudo "homofobia" daqueles que não aprovam os seus atos. E aí fica a pergunta: será mesmo a Igreja a verdadeira inimiga dos homossexuais por pregar a castidade?

Nada é mais óbvio que a verdade moral ensinada pela doutrina católica. Porém, nestes tempos de ditadura do relativismo, faz-se ainda mais necessário o anúncio dos princípios inegociáveis da natureza humana, que são aqueles tão defendidos pelo Papa Emérito Bento XVI: o direito inalienável à vida, o matrimônio entre um homem e uma mulher e o direito dos pais à educação dos filhos. É exatamente por isso que os cristãos não podem cogitar a hipótese de aceitar a barganha proposta pelo movimento gay. Eles querem, sim, modificar a estrutura da família e farão de tudo para conseguir, até mesmo considerar a aprovação do "casamento" gay como um "progresso" inevitável, colocando os cristãos "do lado errado da história". Todavia, esse determinismo histórico é simplesmente uma falácia com a qual eles tentam desestimular a defesa da família. Não se enganem, essa não é uma luta contra os homossexuais, mas uma luta pela família, primeiro lar e abrigo de todo homem.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. HIV ainda desafia saúde pública
  2. Uma ameaça aos direitos das crianças

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Carta do Padre Lodi à Presidência da CNBB: Nota sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo

Em relação aos recentes intentos legislativos de equiparar família e uniões de fato, inclusive homossexuais convém levar em conta que seu reconhecimento jurídico é o primeiro passo rumo à equiparação, é preciso recordar aos parlamentares a sua grave respo

À Presidência da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil
Assunto: Nota sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo.

Excelentíssimos e Eminentíssimos Senhores

Dom José Belisário da Silva
Presidente da CNBB em exercício

Dom Sergio Arthur Braschi
Vice-Presidente da CNBB em exercício

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Secretário Geral da CNBB

1. Diante da "Nota sobre uniões estáveis de pessoasdo mesmo sexo"[1], publicada em 16 de maio de 2013, uno-me a Vossas Excelências Reverendíssimas no repúdio à Resolução n.º 175/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a "habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo". Sem dúvida, como bem recordou a Nota, "a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural". A resolução do CNJ é mais um dos frutos da perniciosa ideologia de gênero, que tende a destruir a família natural.

2. No entanto, segundo meu parecer, a Nota poderia ter sido mais precisa do ponto de vista terminológico, a fim de evitar ambiguidades e perplexidades nos leitores. Permitam-me Vossas Excelências Reverendíssimas que lhes exponha humildemente minhas observações ao texto.

3. Logo no primeiro parágrafo, diz a Nota: "Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual...". A Santa Sé tem evitado sistematicamente usar o termo "orientação sexual", tão caro à ideologia de gênero. Com efeito, o homossexualismo – dado o seu caráter antinatural – não é uma "orientação", mas uma desorientação sexual. Quanto à discriminação contra as pessoas homossexuais, o Catecismo da Igreja Católica condena-a, mas acrescenta um importante adjetivo, que não foi reproduzido na Nota: "Evitar-se-á para com eles [os homossexuais] todo sinal de discriminação injusta" (Catecismo, n. 2358). Ao usar ao adjetivo "injusta", o Catecismo dá a entender que existem discriminações justas para com os homossexuais. E de fato há. Uma delas é a proibição de se aproximarem da Sagrada Comunhão (o que vale para qualquer pessoa em pecado grave). Outra delas é o impedimento de ingressarem em Seminários ou Institutos Religiosos. Um terceiro exemplo seria o de uma mãe de família que demite a babá que cuida de seus filhos, ao constatar que ela é lésbica... Considerar que toda discriminação aos homossexuais é injusta seria dar direitos ao vício contra a natureza.

4. A Nota, com razão, condena a equiparação das uniões de pessoas do mesmo sexo ao casamento ou à família. No entanto, parece admitir que tais uniões pudessem gozar de algum direito civil, excluída tal equiparação: "Certos direitos são garantidos às pessoas comprometidas por tais uniões, como já é previsto no caso da união civil". Ora, o Magistério da Igreja tem condenado não só a equiparação de tais uniões ao matrimônio, mas qualquer reconhecimento jurídico de tais uniões:

Em relação aos recentes intentos legislativos de equiparar família e uniões de fato, inclusive homossexuais (convém levar em conta que seu reconhecimento jurídico é o primeiro passo rumo à equiparação), é preciso recordar aos parlamentares a sua grave responsabilidade de opor-se a isto...[2]

Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo.[3]

Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria.[4]

5. No caso em tela, teria sido oportuno ressaltar – como aliás já fez a CNBB em outra ocasião – que a Igreja se opõe não só ao matrimônio, mas também ao simples reconhecimento da "união estável" de pessoas do mesmo sexo, especialmente quando isso se fez não por lei, mas por uma decisão arbitrária do Supremo Tribunal Federal (ADI 4277; ADPF 132) que atribuiu a si o papel de legislador, invadindo competência do Congresso Nacional.

6. Por fim – isto é apenas uma sugestão – seria conveniente sugerir ao Congresso Nacional que, por meio de um decreto legislativo, sustasse as arbitrárias decisões do STJ e do CNJ que extrapolaram sua competência e impuseram ao povo um novo "modelo" de família e matrimônio.

7. Com a reverência devida aos Sucessores dos Apóstolos, peço que Vossas Excelências Reverendíssimas redijam e publiquem uma nova Nota que esclareça os pontos acima apontados.

Desde já agradeço e despeço-me pedindo suas bênçãos.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis.

Fonte: Não matarás

Referências

  1. CNBB: Nota sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo
  2. Conselho Pontifício para a Família - Família, matrimônio e "uniões de fato", 21 nov. 2000, n. 16.
  3. Congregação para Doutrina da Fé, Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3 jun. 2003, n. 5.
  4. Congregação para Doutrina da Fé, Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3 jun. 2003, n. 10.

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Uma ameaça aos direitos das crianças

Entenda porque a adoção por pares homossexuais é um risco ao desenvolvimento das crianças

O acalorado debate a respeito da adoção de crianças por pares homossexuais é, muitas vezes, conduzido para a área da argumentação emocional. Tal atitude é altamente prejudicial ao discernimento da questão, pois corre-se o perigo de não analisar o problema sob uma ótica objetiva, mas ideológica. Neste sentido, nada melhor que introduzir nessa polêmica uma interlocutora de peso e que fala com conhecimento de causa: Dawn Stefanowicz, a canadense que foi criada durante vários anos por pais homossexuais e hoje faz palestras a favor do matrimônio entre um homem e uma mulher.

Dawn Stefanowicz é autora de "Out from under: The Impact of Homosexual Parenting", livro em que conta sua experiência do tempo em que foi criada pelo pai, um homem com hábitos dissolutos. Segundo ela, o pai mantinha relacionamentos sexuais com outros homens mesmo antes da morte da mãe. Ao se tornar viúvo, entregou-se de vez à vida lasciva, trocando rotineiramente de parceiros, expondo a então criança à situações traumáticas. Após ter contraído o vírus da AIDS, faleceu em decorrência da doença no ano de 1991.

Contra as propostas de legitimação da adoção por homossexuais, Dawn Stefanowicz argumenta que o lar homossexual não é adequado para a educação de uma criança, pois nele, ela não aprendeu "a respeitar a moralidade, a autoridade, o matrimônio e o amor paternal". Referenciais que são imprescindíveis para a formação humana de todo indivíduo. Ela ainda acrescenta que "as crianças necessitam de limites e expressões de carinho consistentes e apropriadas em casa e na comunidade, e que não sejam sexualizadas". Prossegue dizendo que "os direitos humanos servem para proteger o indivíduo, não grupos, e neste debate crucial, os direitos das crianças estão se tornando secundários, ignorados e negados".

A quais direitos ela se refere? O que é muitas vezes apresentado como mote da campanha pela adoção por homossexuais é a possível felicidade que esses pares poderiam oferecer a essas crianças. Não se nega aqui essa possibilidade e a capacidade de afeto das pessoas com tendências homossexuais. Todavia, quando se fala em adoção fala-se no direito da criança em primeiro lugar, e esse direito inalienável fundamenta-se na necessidade de um pai e de uma mãe. Quando se negligencia essa questão equipara-se a adoção de crianças à adoção de um mascote qualquer.

Ora, se o direito da criança não se baseia no de ter uma família, mas "criadores", qualquer um que quiser e desejar adotar terá como fazê-lo, seja um homem, uma mulher, um grupo, uma dupla, etc. Isso constitui uma verdadeira violência à criança, pois vale-se da sua fragilidade psicológica para introduzi-la num ambiente que, de per si, não é adequado e saudável ao seu desenvolvimento enquanto pessoa humana. Essa sentença foi recordada também pelo Cardeal Joseph Ratzinger num documento de 2003 da Congregação para Doutrina da Fé, a respeito das propostas de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais.

Todos aqueles que são órfãos de pai ou de mãe são testemunhas da falta que um desses entes faz no círculo familiar. Isso ocorre por um questão natural, já que o ser humano provém de uma relação sexual entre um homem e uma mulher. Negar isso é negar o óbvio. Ademais, os ambientes relativos às pessoas homossexuais geralmente estão impregnados de elementos com forte apelo sexual e com uma moral extremamente permissiva. É de conhecimento público que a chamada cultura gay defende uma postura sexual liberal. Não significa que todas as pessoas criadas por homossexuais serão homossexuais, mas que estarão submetidas inegavelmente a uma cultura que as influenciará, assim como alguém exposto constantemente a situações de violência tenderá a reproduzi-las.

Neste sentido, vale a pena ler o vasto estudo da Associação dos Médicos Católicos Norte Americanos, intitulado "Homossexuality and Hope". No Brasil foi publicado pela Editora Quadrante com o título "Perspectivas sobre o homossexualismo". O trabalho revela, entre outras coisas, que "um estudo realizado com mais de 1000 crianças nascidas em Christchurch (Nova Zelândia), a partir de dados coletados ao longo de 25 anos, levou à conclusão de que aos 21 anos a taxa de depressão entre pessoas com tendência homossexual foi quase o dobro da taxa entre pessoas sem essa tendência (71,4% para 38,2%)". Afastando a tese de que isso se deveria ao preconceito ou a opressão social, os dados ainda indicam que esses números se repetem em países onde há mais tolerância e aceitação do homossexualismo.

O Papa Bento XVI, num discurso de Natal à Cúria Romana, denunciou a falsidade da ideologia de gênero baseada naquela famosa sentença de Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher; fazem-na mulher". Com essa teoria, os propugnadores da ideologia de gênero querem propor o absurdo de que a pessoa humana não é constituída pelo seu corpo e natureza, mas pelas suas vontades e paixões. Sendo assim, nada é mais urgente que desmascarar essa ideologia mentirosa, promovendo uma cultura digna para o pleno desenvolvimento das crianças. Elas não são objetos manipuláveis, são seres humanos com dignidade e as primeiras no Reino dos Céus!

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Escolhe, pois, a família

A importância da luta pela família diante das ideologias anti-cristãs

A questão sobre o "casamento" gay só é polêmica porque a identidade da família está em crise. Isso deve-se, em parte, à militância agressiva dos movimentos LGBTs que, apoiados na grande imprensa, monopolizam o debate público e o transformam num verdadeiro monólogo. Com efeito, as opiniões conflitantes são varridas dos canais de informação, sob os pejorativos de "preconceituosas" ou "homofóbicas". Assim, cria-se a impressão de que falar em defesa da família seja uma atitude fora dos padrões de normalidade. Trata-se de um golpe demagogo pelo qual os movimentos gays conseguiram a hegemonia da classe falante e a introdução de sua agenda nos mais variados campos da sociedade, desde a cultura à educação.

O que a maioria não consegue perceber, no entanto, é a clara intenção de se reconstruir os padrões de vivência através de um controle do comportamento. Ora, para dominar um povo, é preciso obter a hegemonia dos meios de comunicação, propagar uma ideologia apelativa e direcionada à emancipação de um grupo e conseguir a direção do ensino, principalmente das crianças. Boa parte dessas metas já foram atingidas pela elite interessada no controle do comportamento e que usa a causa LGBT como navio quebra-gelo sob muitos aspectos. Uma rápida leitura dos jornais é o suficiente para se ter ideia da gravidade do assunto, sobretudo quando se fala abertamente em educação sexual e distribuição de preservativos nas escolas.

Ativista homossexual e jornalista Masha Gessen

Alguns podem objetar os fatos acusando quem os denuncia de louco ou teórico da conspiração. Bom, neste caso, a solução mais eficaz é dar voz ao próprio movimento gay. Uma ativista homossexual famosa nos Estados Unidos, a jornalista Masha Gessen, revelou recentemente em um programa de rádio que a meta dos defensores do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo é, sim, modificar a instituição familiar, pois ela seria algo que não deveria existir. Para Masha Gessen, "é óbvio que (os homossexuais) devem ter o direito a contrair matrimônio, mas também é óbvio que a instituição do matrimônio não deveria existir… Lutar pelo matrimônio gay, em geral, implica mentir acerca do que vamos fazer com o matrimônio quando chegarmos lá, porque mentimos quando dizemos que a instituição do matrimônio não vai mudar, e isso é uma mentira. A instituição do matrimônio vai mudar, e deve mudar. E de novo, não creio que deveria existir."

Por conseguinte, não é moralmente aceitável a um católico relativizar o problema, ainda mais depois dessa afirmação escandalosa da jornalista Masha Gessen. Afinal de contas, o que se está em jogo não é um direito ou uma lei qualquer na constituição, mas o fundamento da sociedade e a perpetuação do cristianismo nas próximas gerações. A prova cabal de que essa política pró-homossexualismo é uma ameaça à família, à educação das crianças e à fé cristã se tem na Suécia, onde o Estado, através de medidas semelhantes às que se tem proposto no Brasil, praticamente eliminou a religião da cultura e retirou os filhos do convívio familiar.

O escritor G.K. Chesterton já denunciava os efeitos da usurpação do lugar da família pelo Estado no seu livro "Hereges". Segundo Chesterton:

"A grande sociedade é uma sociedade para promoção da limitação. É um mecanismo que visa proteger o indivíduo solitário e sensível da experiência dolorosa e fortalecedora de assumir compromissos humanos. É, no sentido mais literal das palavras, uma sociedade para prevenção da cultura cristã" (Cf. Hereges, p. 172).

Apesar da gravidade do assunto, tamanho é o lobby do movimento gay que, não raras vezes, muitos católicos sentem-se intimidados a contestá-los, ao passo que outros, até mesmo, passam a apoiá-los. O problema é jogado para escanteio, enquanto milhões e milhões de almas são ceifadas, vítimas dessa ideologia voraz que não poupa nem mesmo as crianças. Sob a égide da propaganda midiática e dos milhões dos cofres públicos que caem em suas contas, pisam na moral, ridicularizam a religião, destroem o ensino e serpenteiam as autoridades de maneira aterradora, em busca de leis que legitimem suas perversões e calem aqueles que se opuserem.

Faz-se necessário, portanto, romper essa espiral do silêncio que envergonha a Igreja e joga lama sobre o sacramento santo do matrimônio. Faz-se necessário derrubar a hegemonia da mentira dos meios de comunicação que tentam domesticar a Igreja e impedi-la de anunciar a Verdade do Evangelho. Recobrar a audácia cristã e o destemor dos mártires é tarefa imprescindível nesta luta pela fé e pela família. A altíssima vocação da Igreja de ser uma instância profética dentro da sociedade não pode ser solapada e depende dos cristãos manter vivo esse apostolado.

Neste sentido, os inimigos da família precisam saber que a Igreja não se calará e não permitirá a destruição do fundamento da humanidade. Na batalha pela dignidade do casamento, cabe à Igreja a missão de lembrar que o caminho da felicidade e da salvação só pode ser encontrado nos mandamentos de Deus, não nos do mundo. E isso vale para os jovens, isso vale para os idosos, isso vale para os casais e isso vale também para os homossexuais. Todo aquele que quiser alcançar a salvação deve seguir a regra do sim, sim, não, não. Deve renunciar à pompa do mal!

Portanto, apesar da violência da ideologia gay, o único temor da Igreja é o de não fazer a vontade de seu Senhor. Ideologias, revoluções e movimentos passam, assim como passaram todos os outros que tentaram destruir a fé católica. A Igreja continuará a romper os grilhões da falsidade, anunciando o Evangelho a toda criatura. A Igreja continuará firme na missão de proclamar a Palavra de Deus sem concessões e sem descontos, até os confins do mundo. A Igreja continuará de pé em defesa da família e da dignidade humana, pois somente em um lar devidamente estruturado pode-se encontrar as ferramentas cristãs que conduzem ao céu. Assim, defender a família é defender a vida, mas não qualquer tipo de vida. A luta do cristão é pela vida eterna. Escolhe, pois, a família.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Homosexual Activist Admits True Purpose of Battle is to Destroy Marriage