| Categoria: Cursos

O que foi a paixão de São José?

São José sabia que Maria, aquela mulher que ele mais amava, estava imersa num mistério, do qual ele não tinha sido chamado por Deus a participar.

Esta brevíssima explicação do Padre Paulo Ricardo sobre o que foi, por assim dizer, a paixão de São José, faz parte de aula recém-lançada de nosso curso "Aprenda a Ler a Bíblia".

Trata-se do vídeo de n.º 12, publicado semana passada. Ao comentar o nascimento de Jesus segundo o Evangelho de São Mateus, Padre Paulo enfrenta questões delicadas acerca da origem de Cristo. Diante da notícia de que Maria estava grávida, o que pensou José? Por que, antes da revelação do anjo, o santo Patriarca teve medo de recebê-la definitivamente como esposa?

Aproveite esta solenidade de São José para entender o pouco que as Escrituras falam sobre este silencioso varão que é, depois da Virgem Santíssima, o maior de todos os santos da Igreja.

| Categoria: Espiritualidade

Por que o Filho de Deus quis ter um pai humano?

Longe de representar uma simples “adoção”, a paternidade de São José foi para o menino Jesus uma verdadeira “escola de virilidade”.

São José foi verdadeiramente pai de Jesus: não pai biológico, porque não lhe deu a vida natural; mas também não simplesmente "pai adotivo" ou "pai nutrício", como se simplesmente lhe outorgasse um nome, um abrigo, alimentos e só. Muito mais do que isso, convinha que Cristo, humano que era, fosse realmente educado por um homem [1], inspirando-se em seu exemplo de masculinidade e paternidade para amadurecer totalmente e, chegando à idade adulta, entregar-se pela redenção da humanidade inteira.

Dada portanto a nobre e difícil missão que tinha diante de si, é razoável imaginar o patriarca da Sagrada Família como um homem jovem, na plenitude de suas forças físicas, de modo que, "se parte da iconografia mais recente tende a representá-lo com os traços de um velho, devemos pensar que é menos para sublinhar o número dos seus anos do que para dar uma idéia das suas virtudes, em especial da sua prudência e da maturidade do seu caráter" [2].

Tampouco se deve pensar em São José como um homem de aspecto efeminado, como se a virgindade e a pureza de alma fossem incompatíveis com a virilidade masculina. Ao contrário — ensina-nos a experiência —, só um homem verdadeiramente forte, capaz de submeter as suas paixões ao império da razão, pode enfrentar com igual vigor os grandes desafios e as lidas do dia-a-dia.

Olhando para a personalidade de Jesus Cristo, essas verdades tornam-se-nos ainda mais claras. De fato, só um homem de coragem é capaz de tecer um chicote com suas próprias mãos e servir-se dele para expulsar os vendilhões da casa de Deus (cf. Jo 2, 13-17); só um homem varonil pode suportar, como Cristo suportou, a traição dos próprios amigos, a flagelação na carne, os espinhos na cabeça e os cravos nos membros. Com quem o Filho de Deus encarnado aprendeu a ser homem assim, de modo perfeito, senão com o seu pai virginal, São José?

Nestes tempos em que a masculinidade experimenta uma grande crise, peçamos urgentemente a intercessão do carpinteiro de Nazaré, para que, imitando o seu exemplo, os homens possam enfrentar sem temor o desafio da paternidade, assumir o compromisso de formar os seus filhos e ver, enfim, coroados os seus esforços, nos frutos da boa educação que ministraram.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e Referências

  1. A natureza humana exige que as pessoas sejam criadas por um pai e por uma mãe, desenvolvendo-se a partir da complementaridade dos dois sexos. O fato de as famílias ditas "monoparentais" se terem tornado uma realidade comum não as torna normais. Tampouco a chancela do Estado às chamadas "uniões homossexuais" faz com que elas estejam aptas a educar uma criança. "Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adoção significa, na realidade", explica o Cardeal Joseph Ratzinger, "praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano" (Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, n. 7). E não é apenas a Igreja Católica que o reconhece. Em 2015, os estilistas criadores da marca Dolce & Gabanna, assumidamente homossexuais, deram declarações públicas contra a adoção de crianças por pares gays.
  2. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 46.

| Categorias: Sociedade, Pró-Vida, Política

O STF não tem competência para descriminar o aborto no Brasil!

Relembre o dia em que dois juízes da Suprema Corte reconheceram, com honestidade, que é impossível legalizar o aborto por via judicial sem que se cometa um grave atentado à Constituição.

Mais de 75% dos brasileiros não querem que o aborto seja descriminado.

O Congresso Nacional, igualmente, como mandatário do povo, não está minimamente a fim de avançar um projeto desse gênero.

Mas os militantes da causa contrária não se consolam. Eles querem ver o aborto legalizado no Brasil, custe o que custar. Por isso, trabalham dia e noite, dentro e fora das instituições, para encontrar alguma forma alternativa de vencer, já que nem a população nem o Poder Legislativo estão do seu lado.

Aparentemente, eles encontraram uma saída. Tendo como respaldo o voto do ministro Barroso ( proferido durante o julgamento de um habeas corpus, dezembro passado) que questionou a criminalização do aborto no primeiro trimestre de gravidez, o PSOL — que leva no nome a curiosa antítese "Socialismo e Liberdade" — acaba de ingressar no Supremo Tribunal Federal com uma ação solicitando "a legalização ampla do aborto para qualquer gestação com até 12 semanas". O instrumento processual em questão é a ADPF, sigla para "Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental". Trata-se de mais uma ação do complexo controle de constitucionalidade brasileiro, de competência do STF e com efeitos erga omnes, isto é, válidos para todos.

Para quem conhece um pouco a história das últimas tentativas institucionais para facilitar o acesso ao aborto no Brasil, a sigla ADPF não é nova. Foi com uma ação assim — a ADPF de n.º 54 — que o STF despenalizou, em 2012, o abortamento de bebês com anencefalia. Na ocasião, o argumento dos ministros favoráveis à causa era muito parecido com o de hoje: criminalizando o aborto de fetos anencefálicos por meio de seu Código Penal, o Estado estaria a violar "preceitos fundamentais", tais como a "dignidade da pessoa humana", os princípios da "legalidade, liberdade e autonomia da vontade" e o "direito à saúde".

Em meio à pane geral de que foi alvo o Supremo naquela oportunidade (uma constante hoje, para dizer a verdade), duas vozes corajosas se levantaram contra o que estava acontecendo: foram os ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso (hoje aposentado). Os magistrados foram os únicos a afirmar, honesta e abertamente, o óbvio que se depreende do princípio da separação dos Poderes: o STF simplesmente não tem competência para descriminar o aborto no Brasil.

O voto do ministro Ricardo Lewandowski

Foi nessa afirmação que se sustentou de modo particular o voto do ministro Lewandowski, com alguns trechos que merecem menção integral:

"Caso o desejasse, o Congresso Nacional, intérprete último da vontade soberana do povo, considerando o instrumental científico que se acha há anos sob o domínio dos obstetras, poderia ter alterado a legislação criminal vigente para incluir o aborto de fetos anencéfalos, dentre as hipóteses de interrupção da gravidez isenta de punição. Mas até o presente momento, os parlamentares, legítimos representantes da soberania popular, houveram por bem manter intacta a lei penal no tocante ao aborto, em particular quanto às duas únicas hipóteses nas quais se admite a interferência externa no curso regular da gestação, sem que a mãe ou um terceiro sejam apenados."

[...]

" Não é lícito ao mais alto órgão judicante do País, a pretexto de empreender interpretação conforme a Constituição, envergar as vestes de legislador positivo, criando normas legais, ex novo, mediante decisão pretoriana. Em outros termos, não é dado aos integrantes do Poder Judiciário, que carecem da unção legitimadora do voto popular, promover inovações no ordenamento normativo como se parlamentares eleitos fossem."

Com uma fina ironia, o ministro Lewandowski ainda cita, para fundamentar seu entendimento, uma citação de ninguém menos que… Luís Roberto Barroso, o atual ministro do STF que, à época, era apenas o advogado da causa julgada. "Deveras, foi ao Poder Legislativo, que tem o batismo da representação popular e não o Judiciário, que a Constituição conferiu a função de criar o direito positivo e reger as relações sociais" — lição do livro "Interpretação e aplicação da Constituição", de Barroso, o qual parece não pensar o mesmo que ensina nos momentos em que julga.

O voto contundente do ministro Cezar Peluso

Ficou para o fim do julgamento, no entanto, o voto magistral do ministro Cezar Peluso — então presidente da casa —, o qual fulminou, de uma só vez, não só os partidários do "ativismo judicial", mas também os promotores da causa do aborto. Todos aqueles que estudam o Direito têm, na verdade, a obrigação de ler esta que é uma verdadeira aula de bioética (ressalvadas algumas considerações iniciais do ministro, relativas às células-tronco embrionárias, todo o resto se aproveita muitíssimo bem).

Vejamos, primeiro, o que diz Peluso ao adentrar no mérito da questão:

"Mui diversamente do que se aduz na inicial, o aborto provocado de feto anencefálico é conduta vedada, e vedada de modo frontal, pela ordem jurídica. E, a despeito dos esforços retóricos da autora, aparece, por conseguinte, de todo inócuo o apelo para a liberdade e a autonomia pessoais, fundado na pressuposição errônea de inexistência de proibição jurídico-normativa da conduta. Não há como nem por onde cogitar, sem contraste ostensivo com o ordenamento jurídico, de resguardo à autonomia da vontade, quando esta se preordena ao indisfarçável cometimento de um crime. Não se concebe nem entende, em termos técnico-jurídicos, únicos apropriados ao caso, direito subjetivo de escolha, contra legem, de comportamento funestamente danoso à vida ou à incolumidade física alheia e, como tal, tido por criminoso. É coisa abstrusa!"

" A conduta censurada transpõe a esfera da autonomia e da liberdade individuais, enquanto implica, sem nenhum substrato de licitude, imposição de pena capital ao feto anencefálico. E, nisso, atenta ainda contra a própria idéia de 'um mundo diverso e plural', que os partidários da arguente, como Débora Diniz e seu próprio patrono [Barroso], alegam defender."

"É que, nessa postura dogmática, ao feto, reduzido, no fim das contas, à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada, de nenhum ângulo, a menor consideração ética ou jurídica, nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica e ética que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humanas. Essa forma odiosa de discriminação, que a tanto equivale, nas suas consequências, a formulação criticada, em nada difere do racismo, do sexismo e do chamado especismo. Todos esses casos retratam a absurda defesa e absolvição do uso injusto da superioridade de alguns (em regra, brancos de estirpe ariana, homens e seres humanos) sobre outros (negros, judeus, mulheres e animais, respectivamente). No caso do extermínio do anencéfalo, encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda a força, inflige a pena de morte ao incapaz de pressentir a agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa. Mas o simples e decisivo fato de o anencéfalo ter vida e pertencer à imprevisível espécie humana garante-lhe, em nossa ordem jurídica, apesar da deficiência ou mutilação - apresentada, para induzir horror e atrair adesão irrefletida à proposta de extermínio, sob as vestes de monstruosidade -, que lhe não rouba a inata dignidade humana, nem o transforma em coisa ou objeto material desvalioso ao juízo do Direito e da Constituição da República."

[...]

"A vida intrauterina, ainda quando concebível como projeto de vida, é objeto da tutela jurídico-normativa por várias formas. É-o por normas infraconstitucionais, mas também, e sobretudo, por força da própria lei penal, cujo sentido primário de proibição do comportamento tipificado é expressão da tutela dessa vida intrauterina, a qual guarda, por conseguinte, o significado indiscutível de bem jurídico, que como tal merece a proteção da ordem jurídica. A história da criminalização do aborto mostra que essa tutela se fundamenta na necessidade de preservar a dignidade dessa vida intrauterina, independentemente das eventuais deformidades que o feto possa apresentar, como tem apresentado no curso de história. As deformidades das vidas intrauterinas não são novidade fenomênica. Novidade são hoje os métodos científicos de seu diagnóstico. A consciência jurídica jamais desconheceu a possibilidade de que de uma gravidez possa não resultar sempre nascimento viável. No instante em que o transformássemos [o feto anencéfalo] em objeto do poder de disposição alheia, essa vida se tornaria coisa ( res), porque só coisa, em Direito, é objeto de disponibilidade jurídica das pessoas. Ser humano é sujeito de direito."

[...]

" A vida humana, imantada de dignidade intrínseca, anterior ao próprio ordenamento jurídico, não pode ser relativizada fora das específicas hipóteses legais, nem podem classificados seus portadores segundo uma escala cruel que defina, com base em critérios subjetivos e sempre arbitrários, quem tem, ou não, direito a ela. Havendo vida, e vida humana – atributo de que é dotado o feto ou o bebê anencéfalo –, está-se diante de valor jurídico fundante e inegociável, que não comporta, nessa estima, margem alguma para transigência. Cuida-se, como já afirmei, 'do valor mais importante do ordenamento jurídico'."

"A curta potencialidade ou perspectiva de vida em plenitude, com desenvolvimento perfeito segundo os padrões da experiência ordinária, não figura, sob nenhum aspecto, razão válida para obstar-lhe à continuidade. A ausência dessa perfeição ou potência, embora tenda a acarretar a morte nas primeiras semanas, meses ou anos de vida, não é empecilho ético nem jurídico ao curso natural da gestação, pois a dignidade imanente à condição de ser humano não se degrada nem decompõe só porque seu cérebro apresenta formação incompleta. Faz muito, a civilização sepultou a prática ominosa de sacrificar, segregar ou abandonar crianças recém-nascidas deficientes ou de aspecto repulsivo, como as disformes, aleijadas, surdas, albinas ou leprosas, só porque eram consideradas ineptas para a vida e improdutivas do ponto de vista econômico e social!"

[...]

"A dignidade fundamental da vida humana, como suposto e condição transcendental de todos os valores, não tolera, em suma, barateamento de sua respeitabilidade e tutela jurídico-constitucional, sobretudo debaixo do pretexto de que deformidade orgânica severa, irremissibilidade de moléstia letal ou grave disfunção psíquica possam causar sofrimento ou embaraço a outro ser humano. Independentemente das características que assuma na concreta e singular organização de sua unidade psicossomática, a vida vale por si mesma, mais do que bem humano supremo, como suporte e pressuposição de todos os demais bens materiais e imateriais, e nisto está toda a racionalidade de sua universal proteção jurídica. Tem dignidade, e dignidade plena, qualquer ser humano que esteja vivo (ainda que sofrendo, como o doente terminal, ou potencialmente causando sofrimento a outrem, como o anencéfalo). O feto anencéfalo tem vida, e, posto que breve, sua vida é constitucionalmente protegida."

Mencione-se, por fim, o " non possumus" do magistrado, dado já ao final de seu voto, quando ele declara expressamente a "competência exclusiva do Congresso Nacional para normatizar" o tema em debate e a "impropriedade da atuação do STF como 'legislador positivo'":

"Essa tarefa é própria de outra instância, não desta Corte, que já as tem outras e gravíssimas, porque o foro adequado da questão é do Legislativo, que deve ser o intérprete dos valores culturais da sociedade e decidir quais possam ser as diretrizes determinantes da edição de normas jurídicas. É no Congresso Nacional que se deve debater se a chamada 'antecipação do parto', neste caso, deve ser, ou não, considerada excludente de ilicitude."

[...]

" A ADPF não pode ser transformada em remédio absoluto que franqueie ao STF a prerrogativa de resolver todas as questões cruciais da vida nacional, responsabilizando-se por inovação normativa que a arguente e os adeptos de sua tese sabem muito bem que, na via própria da produção de lei, talvez não fosse adotada pelo Congresso Nacional, como intérprete autorizado dos interesses e das aspirações da maioria silenciosa do povo, que representa!"

Essas últimas palavras, em particular, nunca foram tão apropriadas como agora, quando grupos progressistas querem, mais uma vez, impor judicialmente a sua agenda de morte a uma nação inteira, desconsiderando, para tanto, instituições caríssimas de nossa democracia, tais como o princípio da separação dos Poderes e o direito fundamental à vida desde a concepção — este consagrado por pactos internacionais ( Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 4), pela Constituição brasileira (art. 5.º, caput) e pelo próprio Código Civil (art. 2.º).

Nas condições normais de uma democracia, os juízes respeitam as leis e são responsabilizados se falham nesse mister. Mas, no Brasil, como já disse um ministro do STF!, eles não devem satisfação "depois da investidura a absolutamente mais ninguém".

A impressão é que vivemos em uma terra sem lei, governada tão-somente pelo arbítrio dos homens de toga. Irrefreáveis. Onipotentes. E, segundo eles mesmos, irresponsáveis. É como se a "morada dos deuses" tivesse mudado: do Monte Olimpo… para o Planalto Central.

Que Deus tenha misericórdia de nossa nação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

P.S.: Nós já tínhamos esses dois votos, de Peluso e Lewandowski, preparados há muito tempo para uma matéria, mas só decidimos produzi-la de vez depois de lermos um excelente artigo do Felipe Moura Brasil sobre o assunto, do qual recomendamos vivamente a leitura.

| Categorias: Igreja Católica, Política

O fim do mito sobre o “Papa de Hitler”

Por 60 anos, a verdade sobre a batalha do Papa Pio XII contra o nazismo tem sido suprimida. Mas novas evidências tornam inegável o seu heroísmo.

Passou despercebido pela imprensa mundial, mas uma notável reviravolta ocorreu recentemente nos estudos sobre o Holocausto. Quase dois anos atrás, a Fundação Internacional Wallenberg, um instituto de pesquisa histórica, iniciou um "projeto modesto": marcar as "Casas da Vida" — lugares onde judeus eram protegidos durante a guerra — com uma placa memorial. Foram encontradas mais de 500 casas como essas na Itália, França, Hungria, Bélgica e Polônia. Eduardo Eurnekian, presidente da fundação, escreveu que, "para nossa surpresa, descobrimos que a esmagadora maioria das Casas da Vida eram instituições relacionadas à Igreja Católica, incluindo conventos, mosteiros, internatos, hospitais etc".

Em Roma apenas, quase 4.500 pessoas encontraram refúgio em igrejas, conventos, mosteiros e internatos. Em Varsóvia, a Igreja de Todos os Santos protegeu judeus. Isso é notável porque a pena para poloneses que abrigassem judeus era o campo de extermínio ou, mais provavelmente, a execução sumária.

Que uma fundação nomeada após Raoul Wallenberg encontre uma colaboração católica tão ampla para salvar a vida de judeus, é coisa muitíssimo apropriada. Wallenberg foi um diplomata sueco em Budapeste durante a guerra. Ele e Angelo Rotta, o núncio papal, salvaram 120 mil dos 150 mil judeus da cidade. Wallenberg foi preso pela Guarda Vermelha e nunca mais visto.

As notícias sobre as Casas da Vida só são surpreendentes porque a verdade sobre a Igreja e o povo judeu na II Guerra Mundial tem sido escondida. Vários ajudantes do Papa da época da guerra, Pio XII, reconhecem que trabalharam para resgatar judeus sob instruções diretas do pontífice. Eles ainda incluíram dois futuros papas — Mons. Angelo Roncalli (João XXIII) e Mons. Giovanni Battista Montini (Paulo VI). Pio XII mesmo protegeu judeus tanto no próprio Vaticano como em Castel Gandolfo.

Este é um bom momento para marcar o testemunho da Igreja contra o nazismo. Oitenta anos atrás, a 14 de março de 1937, Pio XI publicou Mit Brennender Sorge ("Com grande preocupação), uma encíclica, propositalmente escrita em alemão, condenando o nazismo. "Quem quer que exalte a raça, ou o povo, ou o Estado, e divinize-os a um nível idolátrico, perverte a ordem do mundo criado por Deus", escreveu o Papa.

O secretário de Estado de Pio XI era o Cardeal Pacelli, futuro Pio XII. Ele distribuiu secretamente o texto, que ajudara a redigir, dentro da Alemanha. Quatro anos antes, ele havia negociado uma concordata entre a Santa Sé e a Alemanha, não para apaziguar o nazismo, mas para ter algum meio de conter os nazistas através de um tratado internacional. O regime referia-se a ele como um "amante de judeus". Pacelli fez mais de 50 protestos contra a política nazista, nos dias que antecederam a aprovação da Lei de Concessão, que garantiu a Hitler o poder para decretar leis sem a aprovação do Reichstag. Pacelli foi considerado tão anti-nazista que o III Reich tentou impedir a sua eleição como papa em 1939.

A história pessoal de Pacelli é importante. Ele era um amante da cultura germânica — e, igualmente, da cultura judaica — desde sua juventude. Como núncio na Bavária durante a breve república comunista de 1919, demonstrou sua coragem pessoal, permanecendo em seu posto. Sua simpatia e amizade com judeus, incluindo o grande maestro Bruno Walter, era bem conhecida, e ele concedeu auxílios discretos a muitos. A pedido de Walter, conseguiu a liberdade de um músico, Ossip Babrilowitsch, preso em um massacre (pogrom) enquanto a Bavária estava sob o domínio comunista. Em segurança na América, Gabrilowitsch tornou-se o diretor e fundador musical da Orquestra Sinfônica de Detroit. Walter, por sua vez, tornou-se católico.

Antes da guerra, Pacelli assumiu riscos extraordinários para ajudar a oposição alemã. Ele sabia que os generais estavam planejando um ataque contra Hitler, e fez com que notícias de suas intenções chegassem ao governo britânico.

Em uma situação de grande dificuldade, Pio XII fez o que ninguém mais fez para salvar a vida de judeus durante a guerra. Ele bem sabia o que realmente estava acontecendo ao povo judeu. Naquela época, muitos estavam na defensiva, incluindo um diplomata britânico que escreveu sobre "estes judeus queixosos". Nem o Reino Unido, nem a América facilitaram a fuga de judeus para o exílio — o Kindertransport foi uma abençoada exceção.

Nos anos da guerra, Pio XII atuou diretamente na Itália e por meio de diplomatas papais na Romênia, Hungria, Eslováquia e outros lugares. Não surpreendentemente, dadas as circunstâncias, não há nenhum número exato daqueles que foram salvos pelo Papa ou pela Igreja de um jeito ou de outro. Talvez tenha sido algo entre 500 e 860 mil.

As declarações de Pio XII tanto antes como durante a guerra eram inequivocamente hostis ao nazismo. Os Aliados podiam querer mais, mas o preço seria o fim de todo o bem que o Papa podia fazer. Os nazistas entendiam os pronunciamentos dele muito bem. Um plano para sequestrá-lo em 1944 foi apenas evitado pela improvável intervenção do general da SS Karl Wolff.

O Papa foi também completamente claro sobre os males do comunismo e da viciosa perseguição religiosa dos stalinistas. Mas não disse nada sobre isso durante a guerra. Os diplomatas aliados no Vaticano entenderem isso, pois só preservando a neutralidade da Santa Sé o Papa podia conceder refúgio a milhares de judeus em casas religiosas na Itália e mesmo no Vaticano. Isso também lhe permitiu manter contatos a fim de que informações sobre os prisioneiros de guerra e do Holocausto pudessem chegar aos Aliados.

Tudo isso era conhecido durante e após a guerra, inclusive por judeus. Albert Einstein, que escapou do regime nazista, disse em 1940: "Somente a Igreja permaneceu firmemente do outro lado da campanha de Hitler para suprimir a verdade… Eu sou obrigado, portanto, a confessar que agora louvo sem reservas o que uma vez eu desprezei".

Chaim Weizmann, primeiro presidente de Israel, e Isaac Herzog, líder dos rabinos de Israel, prestaram igualmente generosos tributos a Pacelli. Israel Zolli, chefe dos rabinos de Roma, tornou-se católico e, em homenagem ao Papa, tomou o nome cristão de "Eugênio". Depois da morte de Pio XII em 1958, Golda Meir, então ministra israelita das relações exteriores, escreveu: "Nós choramos um grande servo da paz".

Os nazistas odiavam a Igreja. Milhares de padres católicos foram aprisionados, especialmente em Dachau, o "campo dos padres". É verdade que alguns bispos seguiram uma política de apaziguamento: o Cardeal Adolf Bertram de Breslau supostamente teria ordenado um missa de Requiem para Hitler, em 1945. Alguns católicos traíram judeus e chegaram a massacrá-los, como em Jedwabne, em 1941. Mas outros, notavelmente o bispo Clemens August von Galen, de Münster, e o bispo Konrad von Preysing, de Berlim, fizeram tudo que podiam para resistir ao nazismo. O agente de Preysing e cura da Catedral de Berlim, Bernhard Lichtenberg, foi judicialmente morto e agora é reconhecido como um mártir.

Passados quase 60 anos, no entanto, desde a morte de Pio XII, sua reputação tem sido manchada. Exemplo recente foi uma reportagem da BBC que relacionou a oração silenciosa do Papa Francisco em Auschwitz a um ato de reparação pelo silêncio da Igreja Católica. A corporação estava simplesmente repetindo aquilo que se tornou a visão comum sobre Pio XII e a Igreja durante a guerra. (Como se chegou a esse equívoco é uma longa história, que já foi contada aqui no site outras vezes.)

Deixemos, entretanto, a última palavra para o próprio Papa Pio XII. Em 1943, ele escreveu: "Chegará o momento em que documentos não publicados sobre esta terrível guerra serão tornados públicos. Então, a tolice de todas as acusações se tornarão tão claras como a luz do dia. Sua origem não é a ignorância, mas o desprezo pela Igreja". Naquela época, o Papa estava se referindo à propaganda nazista. Mas suas palavras se aplicam igualmente bem às calúnias maliciosas contra ele lançadas nos últimos 60 anos.

Fonte: Catholic Herald | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Avisos

Comunicado da Equipe

Nosso site já está no ar, graças a Deus, e voltamos normalmente às nossas atividades. Nesta mensagem, entenda o que aconteceu e por que saímos do ar.

Caríssimos amigos do site Padre Paulo Ricardo,

Nosso site já está no ar, graças a Deus, e voltamos normalmente às nossas atividades.

Queremos manifestar a vocês, em primeiríssimo lugar, o nosso agradecimento. Mais do que nunca, ficou claro que somos verdadeiramente uma família espiritual. Obrigado a todos que se preocuparam, que tentaram ajudar de alguma forma e, principalmente, a todos que rezaram por nós. Deus os abençoe e recompense generosamente!

Em segundo lugar, queremos fazer alguns esclarecimentos relativos ao ataque de que fomos alvo:

  1. Não houve nenhuma "invasão", no sentido próprio do termo. Tratou-se de um ataque de outra natureza: uma espécie de "robô" criou milhares de cadastros falsos em nosso sistema, de forma muito bem elaborada, e começou a gerar pagamentos falsos, certamente com cartões de crédito roubados. Felizmente, conseguimos identificar o problema a tempo e reverter todas as operações falsas que foram feitas.
  2. Alguns alunos nos escreveram perguntando se seus dados estavam em segurança. A resposta é "sim, absolutamente", pois, como já dito, não fomos invadidos e, portanto, nenhum dado interno de nosso sistema foi comprometido.
  3. Nosso conteúdo também não foi afetado e, mesmo se fosse, temos backups, em vários servidores, de todo o nosso material.

No mais, importantes medidas foram tomadas para fortalecer ainda mais a segurança de nosso site.

Obrigado, mais uma vez, pela amizade e pelas orações!
Deus os abençoe sempre!

Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Santos & Mártires

Como São José pode ajudar a salvar o nosso século

Oxalá abríssemos os nossos olhos e compreendêssemos, como São José entendeu, que sempre o mais urgente a fazer é orar!

Há algum tempo traduzimos uma matéria mostrando como São Bento de Núrsia podia ajudar a salvar o nosso século. Desta vez, aproveitando a proximidade da festa de São José, o maior de todos os santos depois da Virgem Maria [1], é hora de mostrar o que ele, pai nutrício de Jesus, tem a ensinar especialmente a tempos difíceis como os nossos.

Antes de qualquer coisa, é preciso admitir a gravidade das circunstâncias por que estamos passando, se fizermos uma análise objetiva das coisas sub specie aeternitatis, ou seja, com olhar sobrenatural. Os homens não querem saber de Deus, vivem tranquilamente na lama do pecado mortal e vão se afundando cada vez mais em vícios terríveis. Tudo com o silêncio trágico dos pastores, cuja conivência obriga até as pedras a gritarem, e com a chancela das autoridades civis, que dia após dia sancionam leis e mais leis contrárias ao direito natural.

E antes que alguém nos acuse de sermos "profetas da desgraça" ou aves de mau agouro, examinemos um pouco como começa um dos mais importantes documentos da Igreja sobre a figura de São José, a encíclica Quamquam Pluries, do Papa Leão XIII, escrita ainda em 1889 (ou seja, mais de 125 anos atrás):

"Ora, veneráveis irmãos, vós conheceis as adversidades do nosso tempo, que é bem mais prejudicial para a religião cristã do que aqueles que passaram. Vemos como num grandíssimo número de fiéis desaba a fé, fundamento de todas as virtudes cristãs; resfria-se a caridade; a juventude cresce na depravação dos costumes e das idéias; a Igreja de Cristo é assaltada por todo lado com a violência e a fraude; faz-se uma guerra feroz ao pontificado; com ousadia crescente correm-se os próprios fundamentos da religião. Não é preciso demonstrar, por ser demasiado conhecido, até que ponto se chegou a esta descida, nos ultimíssimos tempos, e o que se quer fazer de pior ainda."

"Numa situação tão triste e difícil só podemos pedir o remédio ao poder divino, pois os remédios humanos são inadequados aos males." [2]

Repitamos a data destas linhas, para que fique bem claro: Papa Leão XIII as escreveu em 15 de agosto de 1889. A sua denúncia é muitíssimo séria, une-se a um coro inumerável de manifestações magisteriais do mesmo gênero [3] e não pode passar em branco, principalmente agora, mais de um século depois, quando esse quadro pintado por Sua Santidade só parece ter piorado ainda mais.

Mas por que dar atenção a palavras como essas, aparentemente tão sombrias e "pessimistas"?

Bem, por uma razão bem simples: só enxergando com clareza a nossa situação péssima de miséria (que não é "exagero retórico", mas simplesmente a realidade) podemos entender a "boa notícia" — ou melhor, a excelente notícia — que é o Evangelho. A profecia de Isaías, que se proclama todos os anos no Natal, diz que "o povo que andava nas trevas viu uma grande luz" (Is 9, 2): essa luz que brilha é Cristo, mas ela brilha na escuridão. E isso para quê, senão "para iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados" (Lc 1, 79)? Não é verdade que Jesus veio para nós, os pecadores?

É justamente isso o que indica o Papa Leão XIII quando diz que "numa situação tão triste e difícil só podemos pedir o remédio ao poder divino". Entender a verdade de nossa condição é importante, portanto, para que desesperemos de uma vez de encontrar soluções humanas para os nossos problemas. É só Deus quem pode nos salvar: foi por isso mesmo que Ele "se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14), e é também por isso que, ao longo da história, Ele vem em nosso auxílio enviando-nos a sua graça, para continuarmos a Encarnação do Verbo em cada geração humana.

Mas onde entra a missão de São José nessa história toda?

Em primeiro lugar, no fato de que devemos contar, para isso, com a sua poderosa intercessão. O Papa Leão XIII menciona em sua encíclica, por exemplo, o importante título que São José possui de padroeiro da Igreja, assim como foi guardião da família de Nazaré [4]. É da pena de Santa Teresa d'Ávila, no entanto, que vem um dos mais preciosos motivos para recorrermos sempre às orações do pai adotivo de Jesus:

"Não me lembro de até hoje lhe ter pedido alguma coisa que não ma tenha concedido, nem posso pensar sem admiração nas graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e nos perigos de que me tem livrado, tanto para a alma como para o corpo. Parece-me que Deus concede aos outros santos a graça de nos auxiliar nesta ou naquela necessidade, mas sei por experiência que São José nos socorre em todas, como se Nosso Senhor quisesse fazer-nos compreender que, assim como Ele lhe era submisso na terra, porque estava no lugar de pai e como tal era chamado, também no céu não pode recusar-lhe nada." [5]

Em segundo lugar, a importância de São José está no fato de que devemos imitar as suas virtudes. Dentre as inúmeras de que poderíamos falar nesta matéria — desde a sua pureza, tão necessária para os nossos tempos, até a sua diligência no trabalho —, queremos destacar uma só, por agora: a virtude da religião.

São José era justo, como nos diz o Evangelho (cf. Mt 1, 19), não só no trato com os homens, mas principal e primeiramente no relacionamento com Deus, prestando-lhe o culto devido. Em meio à conturbação de seus contemporâneos, ante a expectativa de se cumprirem as profecias e finalmente vir a Israel o Messias esperado, a sua justiça brilhava com ainda mais força, como nos relata Michel Gasnier:

"Em José, sobretudo, essa expectativa era ardente e fazia o seu coração palpitar com imensa esperança. Enquanto muitos se agitavam e se entregavam a uma efervescência político-religiosa na expectativa dessa misteriosa revelação, ele considerava que o mais urgente era orar. Com a alma repleta de fervor, implorava ao Senhor e fazia subir aos céus a sua oração, pedindo a Deus que fizesse enfim soar a hora e enviasse Aquele que havia de trazer ao mundo a luz e a salvação." [6]

Também em nossa época, é grande a "efervescência político-religiosa" que inquieta os corações dos homens — e não só dos que estão no mundo, mas de muitos que fazem parte da Igreja. É grande a preocupação com qual será o destino de nossos políticos corruptos, com qual será o próximo chefe de Estado brasileiro, com o que o atual disse ou deixou de dizer, com quais são as últimas notícias do meio eclesiástico etc. Mas e quantas são as orações? Rezamos na mesma medida em que nos preocupamos? Somos Maria com a mesma intensidade com que somos Marta? Estamos dispostos a colocar-nos aos pés do Senhor com a mesma assiduidade com que visitamos os canais de notícias, as páginas de Facebook e as conversas intermináveis de WhatsApp?

Esse é um exame de consciência necessário a todos nós. Oxalá abríssemos os nossos olhos e compreendêssemos, como São José entendeu, que sempre o mais urgente a fazer é orar! Se as primeiras horas do nosso dia (ou as outras, que sejam) forem gastas na presença de Deus, então todo o nosso dia terá valido a pena.

Se aprendermos isso com o pai de Jesus, já teremos adquirido grande coisa. E com certeza estaremos contribuindo do melhor modo para remediar os males do nosso tempo — os quais só se consertarão, como dizia Leão XIII, se pedirmos a salvação ao poder divino. E é nisso que consiste a oração cristã.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e Referências

  1. Cf. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 149.
  2. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Quamquam Pluries, 15 de agosto de 1889, n. 3-4. In: Documentos de Leão XIII, São Paulo, Paulus, 2005, pp. 373-374.
  3. Basta consultar os textos papais que perpassam praticamente todo o século XX. Nem os mais otimistas, como São João XXIII e o Beato Paulo VI, deixaram de manifestar a sua preocupação com o estado lastimável a que chegou a humanidade em nossos dias (cf., v.g., Papa João XXIII, Humanae Salutis, n. 3; Papa Paulo VI, Homilia de 29 de junho de 1972).
  4. Cf. Quamquam Pluries, n. 14.
  5. Livro da Vida, VI, 6.
  6. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 34.

| Categoria: Sociedade

A ideologia de gênero e a desconstrução do feminino

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres!

Por Padre José Eduardo de Oliveira e Silva — Uma das estratégias do marxismo para destruir a família e, com ela, a sociedade foi interceptar os coletivos feministas para criar conflitos em nome da libertação: em primeiro lugar, libertar a mulher do homem; depois, libertar a mulher da família; e, por último, libertar a mulher da mulher, que é o escopo da ideologia de gênero.

A ideologia de gênero, portanto, alegando descoisificar o feminino que, segundo diz, está machistamente definido, para torná-lo incoisificável, inidentificável, acaba por pulverizar a noção mesma da identidade, tornando-a tão vazia que, por fim, produzirá um silenciamento tão universal e invencível que todas as reivindicações em nome das quais milita serão liquidadas, impossibilitadas, não farão mais o mínimo sentido.

Não há modo mais eficaz de tornar a sociedade passiva e manipulável. De fato, sem identidade, eu me torno o quê? Nada mais senão uma… COISA! E, nessa posição, acontecerá exatamente o contrário do que afirma, por exemplo, Jules Falquet: a abordagem de gênero não libertará a sociedade do capitalismo, como ela espera, mas o fortalecerá e o tornará inexpugnável, pois todos serão coisificados a ponto de serem reduzidos apenas a mão-de-obra, sem família, sem filhos, sem ninguém, mas com muita escravidão tecnocrática.

É por isso que os maiores propagadores da ideologia de gênero são os marxistas e os capitalistas: aqueles financiados por estes.

Caso queiramos libertar as mulheres, a primeira coisa que precisamos fazer é mostrar que são mulheres, que podem ser amadas pelos homens, que podem ser felizes tendo filhos, que podem ser rainhas em casa ao invés de empregadas na empresa, e que podem ser santas, chegando à contemplação, pois o fim do homem não está nessa ideologia chamada dinheiro, mas na aquisição e prática da sabedoria, que se alcança pelo estudo e pela vida espiritual, únicos bens inalienáveis.

Em certo sentido Foucault tem razão, mas contra ele mesmo: o que precisamos fazer é parar de recitar essa dialética, como se ela existisse; parar de viver em função da técnica e da economia; sair desse recital! Precisamos desvestir a camisa-de-força confeccionada para nós por Foucault, Butler, Scott et caterva. É simples como isso. Basta começar a viver o Evangelho, a doutrina católica, e entregar-se à contemplação.

Como essas ideias desconstrucionistas se estruturaram num sistema educacional, o nosso desafio é construir um novo sistema educacional que penetre o existente, desconstruindo a desconstrução. Isso requer estudo, mais que militância. E é aqui que começa nossa tarefa, se quisermos realmente trazer à realidade a verdadeira e necessária libertação.

Quando Simone de Beauvoir disse que o feminino é um "não masculino", e que isso precisaria ser revolucionado, estava apenas invertendo uma ideia bíblica. Segundo as Escrituras, a mulher proveio do homem, que, quando a viu, disse "carne de minha carne e osso dos meus ossos; tu serás chamada de mulher porque foste tirada do homem" (cf. Gn 2, 23). A missão do homem é, sim, reforçar a identidade feminina, amá-la, festejar com a mulher, carregá-la nos braços, elevá-la mais alto que antes…, "assim como Cristo amou a Igreja, e entregou-se a si mesmo, por ela" (Ef 5, 25).

Criando uma dialética aí, Beauvoir não conseguiu elevar a mulher, mas apenas a indefiniu, abrindo espaço que que Butler depois a aniquilasse, vendendo sua "teoria" sob a impostura da afirmação.

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. O mundo, sem elas, seria um quartel. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres! — Abaixo a ideologia de gênero! Viva as mulheres!

Fonte: Facebook do Pe. José Eduardo

| Categorias: Pró-Vida, Política

Abortoduto: tudo que você precisa saber (e fazer)

Saiba o que você pode fazer, ainda hoje, para barrar a lei do “abortoduto” no Brasil.

O que está acontecendo?

Para entender do que se trata o projeto em questão, recomendamos vivamente a todos que assistam ao seguinte material:

O que você pode fazer hoje para barrar a lei do "abortoduto"?

Apesar de serem contrários ao aborto, assim como maioria da população brasileira, nossos deputados têm dificuldade em entender por que o Projeto 7371, que fala apenas em fundos para comprar equipamentos e custear treinamento de "combate à violência contra as mulheres", está se referindo à implantação de um programa semelhante ao das "Iniciativas Sanitárias" uruguaio, que levou à legalização do aborto naquele país.

Você pode ajudar, e muitíssimo, para impedir a aprovação do PL 7371/2014 através do seguinte:

  1. Divulgue como puder as referências acima, para que as pessoas entendam o que está acontecendo.
  2. Ligue para os gabinetes dos principais deputados líderes de bancada (telefones listados abaixo), explique o que está acontecendo e peça que não pautem o PL 7371/2014 para votação.
  3. Escreva para os e-mails dos deputados federais (também a seguir), explique o que está acontecendo e peça que votem pela rejeição do PL 7371/2014.

Devido à urgência da situação, é imprescindível que cada um escreva alguma mensagem com suas próprias palavras, ao invés de mandar uma mensagem previamente padronizada. Aqueles que participam de alguma igreja ou religião, não se manifestem como religiosos, mas como cidadãos ou profissionais.

Lista de lideranças com as quais entrar em contato

1. ANDRE MOURA
http://bit.ly/2mMkGiL
http://bit.ly/2mMrw7S
(61) 3215-9001
lid.govcamara@camara.leg.br

2. BALEIA ROSSI
http://bit.ly/2mMiIiy
http://bit.ly/2mMftHQ
(61) 3215-9181/80
lid.pmdb@camara.leg.br

3. RICARDO TRIPOLI
http://bit.ly/2mWWbMT
http://bit.ly/2mWQTRs
(61) 3215-9345/9346
lid.psdb@camara.leg.br

4. ARTHUR LIRA
http://bit.ly/2mWW9Vh
http://bit.ly/2mMsmll
(61) 3215-9426
lid.pp@camara.leg.br

5. AELTON FREITAS
http://bit.ly/2mWWbwn
http://bit.ly/2mX9vRi
(61) 3215-9550
lid.pr@camara.leg.br

6. MARCOS MONTES
http://bit.ly/2mMx2Yj
http://bit.ly/2mWX5bW
(61) 3215-9060/9070
lid.psd@camara.leg.br

7. EFRAIM FILHO
http://bit.ly/2mWRx1n
http://bit.ly/2mMu0n2
(61) 3215-9265/9281
lid.dem@camara.leg.br

8. EROS BIONDINI
http://bit.ly/2mX5GvB
http://bit.ly/2mMu06w
(61) 3215-9990
lid.pros@camara.leg.br

9. CLEBER VERDE
http://bit.ly/2mX5Gf5
http://bit.ly/2mMiKXI
(61) 3215-9880/9882/9884
lid.prb@camara.leg.br

10. WEVERTON ROCHA
http://bit.ly/2mMyZ7f
http://bit.ly/2mWTjQ4
(61) 3215-9700/9701/9703
lid.pdt@camara.leg.br

11. JOVAIR ARANTES
http://bit.ly/2mWVkvH
http://bit.ly/2mXgzNF
(61) 3215-9502/9503
lid.ptb@camara.leg.br

12. AUREO
http://bit.ly/2mMyWIB
http://bit.ly/2mX2fVE
(61) 3215-3212
lid.solidariedade@camara.leg.br

13. ALEXANDRE BALDY
http://bit.ly/2mMuw4d
http://bit.ly/2mWOnup
(61) 3215-8900
lid.ptn@camara.leg.br

14. PROFESSOR VICTÓRIO GALLI
http://bit.ly/2mMvOMu
(61) 3215-9762/9771/9761
lid.psc@camara.leg.br

15. DIEGO GARCIA
http://bit.ly/2mMqnxc
http://bit.ly/2mMnX1D
(61) 3215-8875
lid.phs@camara.leg.br

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