| Categoria: Espiritualidade

Não esqueçam a oração de São Miguel Arcanjo!

Ainda que não seja mais recitada ao final das Missas, como acontecia antigamente, a oração a São Miguel Arcanjo continua sendo um auxílio poderoso “na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo”.

Depois de receber em 1884 uma visão terrível de forças diabólicas prestes a serem soltas na Terra, o Papa Leão XIII escreveu de próprio punho a oração a São Miguel, ordenando que ela fosse recitada logo em seguida a todas as Missas rezadas no rito latino. A oração ao Arcanjo tornou-se parte das chamadas "orações leoninas", as quais foram deixadas de lado pela reforma litúrgica da década de 1960.

Em 1994, porém, o Papa São João Paulo II fez notar a ausência dessa oração e pediu que ela fosse novamente recitada pelos fiéis. Foi no dia 24 de abril, no Vaticano, depois da tradicional oração do Regina Caeli:

"Que a oração nos fortaleça para aquela batalha espiritual de que fala a Carta aos Efésios: 'Fortalecei-vos no Senhor e no poder da sua virtude' ( Ef 6, 10). É a essa mesma batalha que se refere o Livro do Apocalipse, colocando diante de nossos olhos a imagem de São Miguel Arcanjo (cf. Ap 12, 7). Tinha certamente bem presente diante de si essa cena o Papa Leão XIII, quando, no final do século passado, introduziu em toda a Igreja uma oração especial a São Miguel: 'São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra a maldade e as ciladas do demônio…'

Ainda que hoje essa oração não seja mais recitada ao término da celebração eucarística, convido todos a não esquecê-la, mas a recitá-la para obter a ajuda na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo."

Curiosamente, uma década apenas depois que essa oração deixou de ser recitada nas paróquias após as Missas, o bem-aventurado Papa Paulo VI reconhecia, com pesar, as vitórias que Satanás e suas forças estavam obtendo sobre a Igreja. Em uma homilia no dia 29 de junho de 1972, ele alertava:

" Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus. Subsiste a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se a confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrermos a ele e lhe pedirmos se tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, que já somos os donos e os mestres [dessa fórmula]. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam, em vez disso, serem abertas à luz.

[...]

Na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos sempre mais dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los. Como aconteceu isso? Confiamo-vos um nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo."

A oração a São Miguel foi composta pelo Papa Leão XIII no dia 13 de outubro de 1884, exatamente 33 anos antes do Milagre do Sol, em Fátima. Seguem a versão latina original da oração e a sua tradução portuguesa:

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

Fonte: Church Militant | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Como São José pode ajudar a salvar o nosso século

Oxalá abríssemos os nossos olhos e compreendêssemos, como São José entendeu, que sempre o mais urgente a fazer é orar!

Há algum tempo traduzimos uma matéria mostrando como São Bento de Núrsia podia ajudar a salvar o nosso século. Desta vez, aproveitando a proximidade da festa de São José, o maior de todos os santos depois da Virgem Maria [1], é hora de mostrar o que ele, pai nutrício de Jesus, tem a ensinar especialmente a tempos difíceis como os nossos.

Antes de qualquer coisa, é preciso admitir a gravidade das circunstâncias por que estamos passando, se fizermos uma análise objetiva das coisas sub specie aeternitatis, ou seja, com olhar sobrenatural. Os homens não querem saber de Deus, vivem tranquilamente na lama do pecado mortal e vão se afundando cada vez mais em vícios terríveis. Tudo com o silêncio trágico dos pastores, cuja conivência obriga até as pedras a gritarem, e com a chancela das autoridades civis, que dia após dia sancionam leis e mais leis contrárias ao direito natural.

E antes que alguém nos acuse de sermos "profetas da desgraça" ou aves de mau agouro, examinemos um pouco como começa um dos mais importantes documentos da Igreja sobre a figura de São José, a encíclica Quamquam Pluries, do Papa Leão XIII, escrita ainda em 1889 (ou seja, mais de 125 anos atrás):

"Ora, veneráveis irmãos, vós conheceis as adversidades do nosso tempo, que é bem mais prejudicial para a religião cristã do que aqueles que passaram. Vemos como num grandíssimo número de fiéis desaba a fé, fundamento de todas as virtudes cristãs; resfria-se a caridade; a juventude cresce na depravação dos costumes e das idéias; a Igreja de Cristo é assaltada por todo lado com a violência e a fraude; faz-se uma guerra feroz ao pontificado; com ousadia crescente correm-se os próprios fundamentos da religião. Não é preciso demonstrar, por ser demasiado conhecido, até que ponto se chegou a esta descida, nos ultimíssimos tempos, e o que se quer fazer de pior ainda."

"Numa situação tão triste e difícil só podemos pedir o remédio ao poder divino, pois os remédios humanos são inadequados aos males." [2]

Repitamos a data destas linhas, para que fique bem claro: Papa Leão XIII as escreveu em 15 de agosto de 1889. A sua denúncia é muitíssimo séria, une-se a um coro inumerável de manifestações magisteriais do mesmo gênero [3] e não pode passar em branco, principalmente agora, mais de um século depois, quando esse quadro pintado por Sua Santidade só parece ter piorado ainda mais.

Mas por que dar atenção a palavras como essas, aparentemente tão sombrias e "pessimistas"?

Bem, por uma razão bem simples: só enxergando com clareza a nossa situação péssima de miséria (que não é "exagero retórico", mas simplesmente a realidade) podemos entender a "boa notícia" — ou melhor, a excelente notícia — que é o Evangelho. A profecia de Isaías, que se proclama todos os anos no Natal, diz que "o povo que andava nas trevas viu uma grande luz" (Is 9, 2): essa luz que brilha é Cristo, mas ela brilha na escuridão. E isso para quê, senão "para iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados" (Lc 1, 79)? Não é verdade que Jesus veio para nós, os pecadores?

É justamente isso o que indica o Papa Leão XIII quando diz que "numa situação tão triste e difícil só podemos pedir o remédio ao poder divino". Entender a verdade de nossa condição é importante, portanto, para que desesperemos de uma vez de encontrar soluções humanas para os nossos problemas. É só Deus quem pode nos salvar: foi por isso mesmo que Ele "se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14), e é também por isso que, ao longo da história, Ele vem em nosso auxílio enviando-nos a sua graça, para continuarmos a Encarnação do Verbo em cada geração humana.

Mas onde entra a missão de São José nessa história toda?

Em primeiro lugar, no fato de que devemos contar, para isso, com a sua poderosa intercessão. O Papa Leão XIII menciona em sua encíclica, por exemplo, o importante título que São José possui de padroeiro da Igreja, assim como foi guardião da família de Nazaré [4]. É da pena de Santa Teresa d'Ávila, no entanto, que vem um dos mais preciosos motivos para recorrermos sempre às orações do pai adotivo de Jesus:

"Não me lembro de até hoje lhe ter pedido alguma coisa que não ma tenha concedido, nem posso pensar sem admiração nas graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e nos perigos de que me tem livrado, tanto para a alma como para o corpo. Parece-me que Deus concede aos outros santos a graça de nos auxiliar nesta ou naquela necessidade, mas sei por experiência que São José nos socorre em todas, como se Nosso Senhor quisesse fazer-nos compreender que, assim como Ele lhe era submisso na terra, porque estava no lugar de pai e como tal era chamado, também no céu não pode recusar-lhe nada." [5]

Em segundo lugar, a importância de São José está no fato de que devemos imitar as suas virtudes. Dentre as inúmeras de que poderíamos falar nesta matéria — desde a sua pureza, tão necessária para os nossos tempos, até a sua diligência no trabalho —, queremos destacar uma só, por agora: a virtude da religião.

São José era justo, como nos diz o Evangelho (cf. Mt 1, 19), não só no trato com os homens, mas principal e primeiramente no relacionamento com Deus, prestando-lhe o culto devido. Em meio à conturbação de seus contemporâneos, ante a expectativa de se cumprirem as profecias e finalmente vir a Israel o Messias esperado, a sua justiça brilhava com ainda mais força, como nos relata Michel Gasnier:

"Em José, sobretudo, essa expectativa era ardente e fazia o seu coração palpitar com imensa esperança. Enquanto muitos se agitavam e se entregavam a uma efervescência político-religiosa na expectativa dessa misteriosa revelação, ele considerava que o mais urgente era orar. Com a alma repleta de fervor, implorava ao Senhor e fazia subir aos céus a sua oração, pedindo a Deus que fizesse enfim soar a hora e enviasse Aquele que havia de trazer ao mundo a luz e a salvação." [6]

Também em nossa época, é grande a "efervescência político-religiosa" que inquieta os corações dos homens — e não só dos que estão no mundo, mas de muitos que fazem parte da Igreja. É grande a preocupação com qual será o destino de nossos políticos corruptos, com qual será o próximo chefe de Estado brasileiro, com o que o atual disse ou deixou de dizer, com quais são as últimas notícias do meio eclesiástico etc. Mas e quantas são as orações? Rezamos na mesma medida em que nos preocupamos? Somos Maria com a mesma intensidade com que somos Marta? Estamos dispostos a colocar-nos aos pés do Senhor com a mesma assiduidade com que visitamos os canais de notícias, as páginas de Facebook e as conversas intermináveis de WhatsApp?

Esse é um exame de consciência necessário a todos nós. Oxalá abríssemos os nossos olhos e compreendêssemos, como São José entendeu, que sempre o mais urgente a fazer é orar! Se as primeiras horas do nosso dia (ou as outras, que sejam) forem gastas na presença de Deus, então todo o nosso dia terá valido a pena.

Se aprendermos isso com o pai de Jesus, já teremos adquirido grande coisa. E com certeza estaremos contribuindo do melhor modo para remediar os males do nosso tempo — os quais só se consertarão, como dizia Leão XIII, se pedirmos a salvação ao poder divino. E é nisso que consiste a oração cristã.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas e Referências

  1. Cf. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 149.
  2. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Quamquam Pluries, 15 de agosto de 1889, n. 3-4. In: Documentos de Leão XIII, São Paulo, Paulus, 2005, pp. 373-374.
  3. Basta consultar os textos papais que perpassam praticamente todo o século XX. Nem os mais otimistas, como São João XXIII e o Beato Paulo VI, deixaram de manifestar a sua preocupação com o estado lastimável a que chegou a humanidade em nossos dias (cf., v.g., Papa João XXIII, Humanae Salutis, n. 3; Papa Paulo VI, Homilia de 29 de junho de 1972).
  4. Cf. Quamquam Pluries, n. 14.
  5. Livro da Vida, VI, 6.
  6. Michel Gasnier. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 34.

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A guerra dos Papas contra o diabo

Um suposto exorcismo feito pelo Papa Francisco serviu para reacender na memória das pessoas a existência do diabo.

Papa Leão XIII

A expressão de Leão XIII era incomum. Os que o conheciam sabiam que algo acontecera. O olhar de perplexidade e de espanto do Santo Padre, fixado acima da cabeça do celebrante da Missa a qual assistia, denunciava a visão. Tratava-se do Maligno. O episódio ocorreu numa manhã comum, quando o pontífice participava de uma Celebração Eucarística em ação de graças à celebrada por ele anteriormente, como fazia de costume.

Imediatamente após o susto, o Papa se levantou e se dirigiu com pressa ao seu escritório particular. Meia hora depois, pediu para que chamassem o Secretário da Congregação de Ritos. O que pretendia Leão XIII? Ordenar que se rezasse todos os dias ao término da Missa a popular oração de invocação a São Miguel Arcanjo e súplica à Virgem Maria para que Deus precipite Satanás ao inferno. Segundo testemunho do Cardeal Natalli Rocca, em 1946, foi o próprio Leão XIII quem a redigiu.

A batalha dos Papas contra o inimigo de Deus não é de agora. O assunto voltou à baila nas últimas semanas devido a uma oração feita pelo Papa Francisco a um homem na praça de São Pedro, alegadamente possesso. Para o renomado exorcista Padre Gabriele Amorth, não há dúvida de que fora um "exorcismo". Porém, para a Sala de Imprensa do Vaticano, tudo não passou de uma "oração". A declaração da Santa Sé é corroborada por outro exorcista, padre José Antonio Fortea, e também pelo mesmo sacerdote que acompanhava o senhor no dia da prece do Pontífice, padre Ruan Jivas, LC.

O homem, de 49 anos, que aparece nas imagens que correram o mundo chama-se Angelo V. Casado e pai de dois filhos, há 14 anos ele é vítima de possessões demoníacas. Conforme relato prestado ao jornal espanhol El Mundo, a experiência demoníaca começou em 1999, durante uma viagem de ônibus para casa, no estado mexicano de Michoacán. "Senti que uma energia estranha entrava no ônibus... tive a sensação de que estava abrindo minhas costelas. Pensei que fosse um ataque do coração", explicou. Possuído por quatro demônios, Angelo resolveu romper o silêncio devido ao ceticismo com que as pessoas reagem a esses casos: "há sacerdotes que não creem na possessão diabólica, que consideram um problema psiquiátrico. Há muitos possuídos que terminam em manicômios e morrem sem saber o que se passava".

Padre Gabriel Amorth

Para o padre Gabriele Amorth, exorcista da Diocese de Roma, a possessão de Angelo V. não é comum, mas uma possessão mensagem. Ele teria a obrigação de pedir aos bispos mexicanos que condenem a aprovação do aborto no México, em reparação às mortes e à ofensa à Virgem grávida de Guadalupe. Segundo o padre Juan Rivas, LC, que acompanha Angelo há algum tempo, 30 exorcismos já foram feitos, mas nenhum obteve sucesso. "Os demônios dizem que "a Senhora" não os deixará sair enquanto os bispos não cumprirem a condição, que é o ato de reparação e expiação e a consagração à Maria Imaculada", disse o sacerdote em entrevista ao portal Zenit.

Angelo V. explicou que decidiu se encontrar com o Papa Francisco após um sonho com o Pontífice, no qual ele aparecia com uma casula vermelha, segurando um turíbulo e rodeado por cardeais. A princípio não deu muita atenção ao sonho, até que assistiu a uma Missa do Santo Padre em que ele aparecia exatamente como na visão. "Passou-me pela cabeça: tenho que ir a Roma. Ademais, naquela época estava lendo um livro do Padre Gabriele Amorth no qual ele dizia que Bento XVI e João Paulo II haviam feito exorcismos em possuídos".

Os exorcismos feitos por Bento XVI e João Paulo II também repercutiram na mídia. No caso do Papa polonês, teriam sido três, sendo um deles poucos anos antes de sua morte, em 2005. Apesar do peso dos 80 anos e da doença de Mal de Parkinson, o embate entre o Santo Padre e o demônio teria ocorrido na tarde de 6 de setembro de 2002. A vítima seria uma italiana de 19 anos. Já Bento XVI teria confrontado o ódio do diabo numa das tradicionais Assembleias gerais de quarta-feira. Segundo o relato do Padre Gabriele Amorth, ao perceber a agitação dos endemoniados, o Papa alemão fitou-os e os abençoou. "Para os possessos isso funcionou como um soco em seus corpos por inteiro", conta o exorcista em seu livro "O último exorcista".

O flagelo do diabo imposto a Angelo já lhe causou grandes dramas. "Por sorte, meus filhos nunca me viram em transe, mas sabem que estou doente", lamentou ao El Mundo. Ele confessou que "há momentos em que os demônios parecem que vão sair, mas nunca se vão". Em um mundo cada vez mais dilacerado pelo materialismo, a história de Angelo é uma pedra de tropeço, que revela a existência do Mal e sua antiga batalha contra o Vigário de Cristo. E como ficou claro desde a sua primeira homilia, no que depender de Francisco, essa luta ainda perdurará por muitos anos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Oração a São Miguel Arcanjo

"São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate;
sede nosso auxílio contra as maldades
e ciladas do demônio,
instante e humildemente vos pedimos
que Deus sobre ele impere e vós,
Príncipe da milícia celeste,
com esse poder divino
precipitai no inferno a Satanás
e aos outros espíritos malignos
que vagueiam pelo mundo para perdição das almas.
Amém."