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Vivamos a Oitava de Pentecostes!
Liturgia

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Em 1970, ao ver abolida a Oitava de Pentecostes, o próprio Papa Paulo VI teria chorado… Verídica ou não a história, este pode ser um bom ano para intensificarmos essa Oitava como prática devocional, apesar de sua supressão litúrgica.

Pe. Raymond J. de SouzaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Há cinquenta anos, o Papa São Paulo VI chorou. Assim diz a tão difundida — mas não confirmada — história sobre o dia em que o Papa Paulo VI foi até a sua capela privada para celebrar a Santa Missa na segunda-feira depois do Pentecostes. Ele ficou surpreso ao ver que estavam separados para ele os paramentos verdes para o Tempo Comum, em vez dos vermelhos usados na Oitava de Pentecostes.

O Papa ficou assustado, e o cerimoniário de plantão relatou que a Oitava havia sido abolida. Desconcertado, o Pontífice quis saber quem havia feito aquilo.

“O senhor, Santidade”, respondeu o cerimoniário. E o Santo Padre chorou.

Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI, governou a Igreja de 1963 a 1978.

Independentemente da veracidade dessa história, a perda da Oitava de Pentecostes é motivo de tristeza. Depois de cinquenta anos, as lágrimas têm pouca serventia. É melhor compreender por que ela é importante e o que pode ser feito a esse respeito.

A oração pública da Igreja tem aspectos litúrgicos e devocionais. Algumas partes da Tradição são uma combinação de ambos — como a “primeira novena” entre a Quinta-feira da Ascensão e o Domingo de Pentecostes ou, mais recentemente, a novena da Divina Misericórdia, que começa na Sexta-feira da Paixão e continua ao longo da Oitava de Páscoa.

Este pode ser um bom ano para intensificarmos a prática devocional da Oitava de Pentecostes, apesar de sua supressão litúrgica em 1970. Nos últimos anos, tem crescido o interesse por ela, uma consequência positiva do “enriquecimento mútuo” desejado por Bento XVI entre as formas ordinária e extraordinária do Rito Romano. Neste ano em que a vida devocional substituiu em grande medida a vida litúrgica, seria muito conveniente observar a Oitava de Pentecostes com orações diárias e devoções ao Espírito Santo

As Oitavas são muito respeitadas na Tradição da Igreja. Elas ampliam uma festa importante para uma semana inteira (oito dias, pois a própria festa conta como o primeiro dia) e muitas a coroam com outra festa no oitavo dia, também chamada de “oitava”.

O Natal possui uma Oitava, que começa no dia 25 de dezembro e termina em 1.º de janeiro. O oitavo dia é marcado por outra festa, outrora a do Santo Nome de Jesus e hoje a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A maternidade divina de Maria é uma oitava apropriada para o Natal. 

A Oitava de Páscoa é tão importante que não são permitidas outras festas dentro dela, e seu oitavo dia é outro domingo, atualmente o Domingo da Divina Misericórdia.

Com o passar dos anos, outras festas foram elevadas à condição de oitava. Por exemplo, os católicos ingleses podem se perguntar por que São Thomas More, escrevendo para a sua filha Meg na véspera de sua execução, refere-se àquele dia como a “vigília de Pedro”. Ele foi executado em 6 de julho de 1535, oitavo dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que então era considerada uma extensão daquela solene festa apostólica. 

Por volta da década de 1950, o calendário litúrgico tinha dezoito (!) Oitavas, e era urgente fazer uma poda. Porém, a árvore mal sobreviveu, já que o Venerável Papa Pio XII suprimiu todas elas, exceto a do Natal, a da Páscoa e a de Pentecostes, que sobreviveu por mais quinze anos.   

Ainda há sinais de Oitavas no calendário revisado. O oitavo dia da Solenidade da Assunção (15 de agosto) é a festa de Maria Rainha (22 de agosto): o quarto e o quinto mistérios gloriosos do Rosário claramente fazem parte de uma mesma realidade. É possível até identificar Oitavas ocultas, como a que existe entre Santa Maria Madalena (22 de julho) e Santa Marta (29 de julho), que provavelmente surgiu da tradição (não inconteste) de que Maria Madalena era irmã de Marta.  

Há resquícios da Oitava de Pentecostes, cujas orações no Ofício Divino São John Henry Newman considerava as mais “grandiosas” de todo o ano. O ponto culminante da Oitava suprimida ainda é o Domingo da Santíssima Trindade. O Espírito Santo nos dá a capacidade de professar que Jesus é o Senhor (cf. 1Cor 12, 3) e de clamar “Aba! Pai!” (Rm 8, 15; Gl 4, 6). Portanto, é apropriado que a Solenidade da Santíssima Trindade suceda a descida do Espírito Santo.

Resta ainda uma curiosa anotação no Missal Romano que diz o seguinte: nos lugares em que “é costume ou obrigação dos fiéis” assistir à Missa na “segunda ou mesmo na terça” depois de Pentecostes, os textos da Missa do Domingo de Pentecostes podem ser repetidos. Trata-se de uma referência à Baviera e à Áustria, onde esses dias já foram feriados civis. Na Inglaterra, era a Segunda-feira de Pentecostes, um eco da Oitava de Páscoa, particularmente da Segunda-feira de Páscoa.

Em 2018, o Papa Francisco determinou a obrigatoriedade de uma nova festa na segunda-feira depois de Pentecostes: Maria, Mãe da Igreja. Alguns alegaram que isso tornou impraticável qualquer vestígio da Oitava de Pentecostes, pois foi removida a opção de repetir a Missa de Pentecostes naquele dia ou até a de celebrar uma Missa votiva do Espírito Santo. Trata-se de uma objeção fraca, pois “Mãe da Igreja” é um título mariano inextricavelmente ligado à vinda do Espírito Santo. É Ele quem cobre Maria na Anunciação em Nazaré, e ela está mais uma vez presente em Pentecostes, quando o Espírito desce sobre a Igreja nascente. 

Em vez disso, pode-se dizer que, com o próprio Pentecostes, a nova festa mariana, o Domingo da Trindade e a sua vigília, quatro dos oito dias da Oitava já estão cobertos. Missas votivas do Espírito Santo poderão preencher o restante, se não forem impedidas por uma festa obrigatória.

Mas isso só se aplica às orações que o sacerdote usa na Santa Missa. Há plena liberdade para orações devocionais feitas em privado ou com familiares e amigos. Ladainhas do Espírito Santo, atos de consagração ao Espírito Santo, imagens do Espírito Santo para adornar o lar, o canto do Veni, Creator Spiritus e do Veni, Sancte Spiritus — podemos fazer tudo isso para vivenciar a Oitava de Pentecostes.

Esta época de pandemia, em que a oração nos lares se tornou mais regular e mais criativa, é um período ideal para fazermos exatamente isto — a novidade pode ser usada para se recuperar uma tradição antiga. — Vinde, Espírito Santo!

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Um sermão sobre os Esponsais de Maria e São José
Santos & Mártires

Um sermão sobre os
Esponsais de Maria e São José

Um sermão sobre os Esponsais de Maria e São José

Neste sermão para a festa dos Esponsais de Maria e São José, o Cardeal Burke desfaz um mal-entendido e esclarece que não, a Virgem Santíssima não foi “mãe solteira”, porque “Jesus foi concebido e nasceu dentro do casamento”.

Gregory DipippoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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23 de janeiro é o dia tradicional da festa dos Esponsais da Virgem Maria com São José. Embora nunca tenha feito parte do calendário geral, esta era mantida por muitas Ordens religiosas, especialmente aquelas com uma devoção particular à Virgem Maria, e em muitos calendários locais. (Os padres que a quiserem celebrar podem clicar neste link, onde terão acesso ao formulário litúrgico desta memória devocional.)

Em 10 de janeiro de 2015, Sua Eminência, o Cardeal Raymond Burke, celebrou uma Missa votiva dos Esponsais da Virgem na Basílica de São Nicolau no Cárcere (San Nicola in Carcere), em Roma, como parte de uma conferência da Confraternity of Catholic Clergy; esta Missa foi escolhida porque o matrimônio e a família, e questões relacionadas a eles, foram o tema da conferência. Sua Eminência gentilmente permitiu que o site New Liturgical Movement compartilhasse o texto completo de seu sermão — e nós o traduzimos a seguir. (As leituras bíblicas desta Missa foram Provérbios 8, 22-35 e Mateus 1, 18-21.)


Cardeal Burke, durante Missa votiva dos Esponsais da Virgem, 2015.

Celebrando a Missa votiva do matrimônio da Bem-aventurada Virgem Maria com São José, contemplamos de novo o grande mistério do amor incomensurável e incessante de Deus por nós. No breve relato do Evangelho de São Mateus, vemos como Deus providenciou que seu Filho unigênito se encarnasse no seio imaculado da Virgem Maria e, ao mesmo tempo, por sua Encarnação, passasse a fazer parte da família de José e Maria. Em outras palavras, embora São José e a Bem-aventurada Virgem tivessem se casado antes da concepção virginal de Deus Filho no ventre dela, eles o fizeram com todo o respeito à consagração da virgindade de Maria a Deus desde a sua juventude, [com todo o respeito] à oferta de sua virgindade, consagrada a Deus. Ou seja, São José casou-se com Maria com o intuito de honrar, ao longo do casamento, a virgindade consagrada dela.

Pelo texto do Evangelho segundo São Mateus fica claro que Maria já era casada com São José na época da Anunciação, mas que São José ainda não a tinha acolhido em sua casa. Por isso, ao saber de sua gravidez, São José, por uma questão de decência, pensou em se divorciar dela da maneira mais discreta possível. Para ficar claro, a palavra “prometida” não pode ser entendida como “noiva”, mas sim como “desposada” ou “casada”, como o restante das palavras do texto deixa claro.

Aqui é importante recordar o rito do casamento judaico, que a Virgem Maria e São José, como judeus devotos, observaram atentamente. O rito consistia em duas fases: uma primeira fase, pela qual o contrato de casamento era selado, tornando as partes verdadeiramente marido e mulher; e uma segunda fase, pela qual o casamento era consumado com a chegada da esposa à casa de seu marido. Em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos, o Papa São João Paulo II descreveu a observância da prática do casamento judaico pela Virgem Maria e São José com as seguintes palavras:

Segundo o costume do povo hebraico, o matrimônio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimônio legal (verdadeiro matrimônio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa. Antes de viver junto com Maria, portanto, José já era o seu “esposo” (n. 18).

Maria é, de fato, a esposa de São José e, portanto, o divino Menino, concebido em seu ventre pela sombra do Espírito Santo, é membro da família de José e Maria, e goza da maternidade divina da Virgem Maria e da paternidade adotiva, ou da guarda, de São José.

O Padre René Laurentin, referindo-se à decisão de Maria desde a juventude de “não pertencer a nenhum homem, mas somente a Deus”, descreve assim o seu estado civil à época da Anunciação:

As Bíblias erroneamente traduzem como “noiva”, mas Maria está realmente casada com José, de acordo com as duas fases do casamento hebraico: o consentimento (qidushin) antes da Anunciação, e a segunda fase, a introdução da esposa na casa do marido (nissuin), conforme o acordo com José de um casamento virginal (não consumado) (Marie, source directe de l'Évangile de l'Enfance).

O Padre Laurentin passa a explicar como Maria, em razão de sua condição de esposa em um casamento virginal, acreditava ter renunciado à possibilidade da maternidade do Messias. Assim, na Anunciação, ela perguntou ao Arcanjo Gabriel: “Como se fará isso, se eu não conheço homem?” (Lc 1, 34). O Arcanjo deixou claro que foi precisamente a sua virgindade que a preparou para ser a Mãe de Deus. O Padre Laurentin, referindo-se ao seu voto de virgindade, escreve: “Mas este voto trouxe, pelo contrário, o único meio de alcançar este privilégio único. Tais são os paradoxos do Altíssimo. Ela recebe, então, a resposta que tudo torna novo e esclarece” (ibid.).

A Igreja, de fato, sempre viu no texto sobre a sabedoria eterna de Deus, do livro dos Provérbios, uma imagem da Virgem Maria, que Deus escolheu, desde o início, para ser a Mãe do Redentor: “O Senhor me criou, como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra” (Pr 8, 22). O texto inspirado nos leva a uma reflexão mais profunda sobre o matrimônio de Maria com José e sua maternidade divina no grande mistério da fé, o mistério da nossa salvação eterna. Pesquisando seu significado mais profundo, entendemos a verdade dos versículos finais: “Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor. Mas quem me ofende, prejudica-se a si mesmo; quem me odeia, ama a morte” (Pr 8, 35-36).

Contemplando o matrimônio da Bem-aventurada Virgem Maria com São José, nós vemos como, logo no início da obra da salvação, Deus Pai cuidou para que a concepção de seu Filho unigênito em nossa carne humana fosse virginal, como de fato devia ser, mas, ao mesmo tempo, completamente legítima, a fim de manifestar plenamente a verdade, a beleza e a bondade de Deus. Deus Filho é concebido virginalmente no ventre de Maria, esposa de São José. O Evangelho segundo São Mateus é marcado, em particular, pela atenção à natureza jurídica da nossa fé e da sua prática, apresentando Cristo como o novo Moisés, o novo Legislador, mais eminentemente no Sermão da Montanha. É inconcebível que Deus Filho, em sua Encarnação, não respeitasse totalmente e, na verdade, não levasse à perfeição, tanto a virgindade da Virgem Maria quanto a santidade de seu casamento com São José.

A compreensão exata do estado civil de São José e da Bem-aventurada Virgem Maria é importante para que, de nossa parte, haja um conhecimento e um amor mais completos do mistério da fé, mas também é importante para evitar uma confusão e um erro que são comuns hoje. A grave situação é referida na edição revisada do livro The Father John A. Hardon S.J. Basic Catholic Catechism Course. Será útil citar uma parte de seu desenvolvimento sobre o assunto:

O fato de que Jesus foi concebido virginalmente e nasceu depois do casamento de Maria e José significa que Jesus foi concebido e nasceu dentro do casamento. É o contrário do que muitos, mesmo sacerdotes, dizem na atualidade, a saber, que Jesus nasceu fora do casamento, como os filhos de tantas mulheres solteiras hoje, e que esta não é uma situação “anormal”. Uma mãe grávida e solteira estaria, segundo essas pessoas, nas mesmas condições de Maria, que, elas alegam, também estava solteira na época em que concebeu Jesus. Isto é falso; é, de fato, uma falsidade muito séria, pois mina a santidade do casamento e a razão dessa santidade. Os defensores dessa posição dizem que Jesus foi concebido depois de Maria e José ficarem noivos, não estando eles ainda casados (The Father John A. Hardon S.J. Basic Catholic Catechism Course, Manual, Revised Edition, ed. Raymond Leo Cardinal Burke).

A posição errônea descrita acima é sustentada não apenas por quem deliberadamente discorda do ensino perene da Igreja, mas também por muitas pessoas simplesmente mal catequizadas e, por isso, vítimas de tais ensinamentos falsos.

A clareza em relação ao casamento da Bem-aventurada Virgem Maria com São José torna-se ainda mais importante para as discussões sobre o casamento empreendidas atualmente pelo Sínodo dos Bispos [1]. Ao mesmo tempo que o Sínodo dos Bispos é chamado a exaltar a beleza do matrimônio, como Deus o estabeleceu desde o princípio, há uma forte tentativa de introduzir discussões sobre os chamados “elementos positivos” na coabitação de um homem e de uma mulher, como marido e mulher, sem respeito pelo santo sacramento do Matrimônio. Vemos no casamento de Maria e José, de maneira notável, a beleza do casamento, estabelecido por Deus na Criação e restaurado à sua perfeição original por Deus Filho encarnado na Redenção. Contemplando o casamento de Maria e José, entendemos de forma mais completa e sincera as palavras do próprio Cristo, quando os fariseus o testaram sobre a verdade da indissolubilidade do casamento: “Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne’? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 4-6).

O ensino de Cristo sobre o santo Matrimônio brilha com particular esplendor no casamento de sua Mãe, Maria, e seu pai adotivo, José.

Estamos prestes a testemunhar a grande vitória da Cruz, a grande obra de Deus Filho que assumiu a nossa natureza humana no seio imaculado da Virgem Maria. Cristo agora oferece sacramentalmente o sacrifício do Calvário. Ele nos dá o fruto incomparável do seu sacrifício: seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Ele nos dá o remédio e alimento celestiais pelos quais vencemos o pecado em nossas vidas e vivemos em verdadeira liberdade, por amor a Deus e ao próximo. Que a nossa contemplação do mistério da fé no casamento da Bem-aventurada Virgem Maria com São José nos inspire a ensinar, a celebrar e a viver a verdade sobre o santo Matrimônio, como Deus o estabeleceu desde o início e o redimiu por sua Paixão, Morte e Ressurreição redentoras. Busquemos sempre no mistério eucarístico a graça de ensinar, de celebrar e de viver [a verdade do Matrimônio].


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Por que os mártires saíram de moda?
Santos & Mártires

Por que os mártires saíram de moda?

Por que os mártires saíram de moda?

Com sua vida e, sobretudo, com sua morte, os mártires escancaram a falsidade do indiferentismo religioso reinante. Por isso, o que pode explicar a atual impopularidade deles, mesmo entre os católicos, senão a apostasia da fé?

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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“É mártir que não acaba mais”: nestes últimos dias, em seu rito antigo, a Igreja celebra, em sequência, Santa Prisca (18), os santos Mário, Marta, Audíface e Ábaco (19), São Fabiano e São Sebastião (20), Santa Inês (21), São Vicente e Santo Anastácio (22). Atualmente, conservou-se como obrigatória na liturgia apenas a memória de Santa Inês, cujo nome consta na mais antiga oração eucarística da Igreja, o Cânon Romano

Mas, ainda que a liturgia atual tenha reduzido bastante o número de santos do calendário, todo católico pode ter contato diário com os mártires de sua fé através de um livro chamado Martirológio Romano. Em dois mil anos de história, foram tantas as pessoas que testemunharam Cristo a ponto de derramar o próprio sangue que, para cada dia do ano, há pelo menos alguma delas para celebrar, recordar e invocar [1].

O fato, porém, é que não só perdemos contato com os mártires como a própria “teologia do martírio”, por assim dizer, saiu um pouco de moda. Como vivemos em um tempo de apostasia generalizada, a verdade é que muitos já não creem que realmente valha a pena ter os mártires como inspiração, admiração ou modelo a ser imitado. Diante de um Deus “avô”, que não castiga mais o pecado nem condena ninguém ao inferno, o peso dos atos humanos foi totalmente relativizado. Assim, não faz diferença, na prática, obedecer ou não a Deus, seguir ou não os seus Mandamentos, cometer aqui e ali um “deslize” ou outro. Desde que haja uma disposição geral e abstrata para “seguir Jesus”, “ser bom”, “viver o amor” — ainda que ninguém saiba, na prática, o que isso significa —, o que o ser humano faz ou deixa de fazer não importa. 

Essa moral laxa casa muitíssimo bem com o indiferentismo religioso reinante: tanto faz ser católico, protestante, espírita, umbandista, budista ou o escambau. O importante é seguir algum deus — ou, às vezes, nem isso, pois dá para ser ateu também e seguir simplesmente uma “filosofia de vida”. 

É principalmente por isso que os mártires não estão na moda. Porque eles, com sua vida e, sobretudo, com sua morte, denunciam e escancaram a falsidade desse pensamento. Os mártires apenas acreditavam no que a Igreja lhes tinha transmitido (ou seja, eles não criam em qualquer coisa), e por isso, simplesmente por isso, morriam. As mentes modernas, ao se depararem com qualquer relato do Martirológio, dizem: “São loucos”. E que seja assim não nos deve impressionar, pois a sabedoria de Cristo é, de fato, loucura para o mundo (cf. 1Cor 1, 18-25). Estranho mesmo é que os próprios seguidores de Cristo pensem assim e desprezem sua própria história e antepassados. 

Não deveria ser dessa forma, mas de fato é.

O martírio e a caridade

Como remédio para essa mentalidade mundana que infelizmente contaminou muitos membros da Igreja, é preciso que repassemos rapidamente algumas noções sobre o martírio. Guiar-nos-á neste breve artigo Santo Tomás de Aquino (cf. STh II-II 124). 

Antes, porém, de passar ao que diz o Aquinate, importa considerar que esta valiosa lição de sua pena vem, na verdade, do próprio Evangelho e parte de um pressuposto muito simples: o de que existe uma “escala” de bens, sendo que, pelos superiores, vale a pena sacrificar os inferiores. Melior est misericordia tua super vitas, diz a Deus o salmista: “A tua misericórdia é melhor que todas as vidas” (Sl 62, 4). Numa análise simples de quem tem fé, morrer para ganhar a vida eterna não é (ou não deveria ser) nenhuma loucura. Trata-se simplesmente de escolher o bem maior. 

Os carrascos dos mártires geralmente lhes apresentavam uma saída aparentemente bem “simples”: realizar um determinado ato, pecaminoso, e livrar-se da morte. Bastava lançar um punhado de incenso diante da imagem do imperador. Bastava pisar uma imagem da Virgem Maria ou de Jesus. O mártir, porém, diz Santo Tomás, “nos propõe desprezar o mundo visível pelas realidades invisíveis” (4c.), a terra pelo Céu, o prazer momentâneo pela glória eterna, a vida deste mundo pela vida com Deus. Convenhamos: uma troca justa e, à luz da fé, perfeitamente racional.

É por isso que todo cristão deve estar disposto a sofrer o martírio, caso se lhe apresente a ocasião (1c.), como se repetisse com o salmista: Paratum cor meum, Deus, paratum cor meum — “Meu coração está pronto, meu Deus, está pronto o meu coração!” (Sl 107, 2). E por que isso? Porque o martírio é um ato de virtude, ao qual faz referência o próprio Jesus, nas suas bem-aventuranças: “Felizes aqueles que sofrem perseguição pelo amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5, 10).

Sofrer perseguição, no entanto, é diferente de buscá-la. É preciso ter o coração sempre pronto, mas isso não significa oferecer-se presunçosamente ao martírio. Cristo, por exemplo, por várias vezes saiu do meio de seus perseguidores, quando eles pegaram em pedras para matá-lo (cf. Mt 12, 14-15; Jo 8, 59). “Um homem nunca deve oferecer a outro uma ocasião de agir injustamente”, diz o Doutor Angélico. “Mas se o outro agir injustamente, o primeiro deve suportá-lo na medida do que sente” (1 ad 3).

Além disso, o martírio é um ato impossível sem a graça de Deus e sem a virtude da caridade, que o anima. Sem amor, recorda o Apóstolo, de nada valeria entregar o próprio corpo às chamas (cf. 1Cor 13, 3). Mas é tal a ligação entre o martírio e a caridade que Santo Tomás chega a ensinar o seguinte:

O martírio, entre todos os atos virtuosos, é aquele que manifesta no mais alto grau a perfeição da caridade. Porque tanto mais se manifesta que alguém ama alguma coisa quanto por ela despreza uma coisa amada e abraça um sofrimento. É evidente que entre todos os bens da vida presente aquele que o homem mais preza é a vida e, ao contrário, aquilo que ele mais odeia é a morte, principalmente quando vem acompanhada de torturas e suplícios por medo dos quais “até os próprios animais ferozes se afastam dos prazeres mais desejáveis”, como diz Agostinho. Deste ponto de vista, é evidente que o martírio é, por natureza, o mais perfeito dos atos humanos, enquanto sinal do mais alto grau de amor, segundo o que está em Jo 15, 13: “Não existe maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos” (3c.).

Um mártir incomum

Para exemplificar a supremacia desse testemunho dos mártires, contemos a história de um mártir tanto quanto incomum: um que, diferentemente de uma Santa Prisca ou de uma Santa Inês, levou uma vida pouco íntegra; um que morreu como santo, mas viveu mal — um “filho” de São Dimas, em suma.

E por que contar uma vida assim? Para animar-nos! Pois, ao celebrarmos na liturgia santos de estatura elevada, de vida íntegra e reputação ilibada, talvez nos sintamos um pouco intimidados e até desanimados. Prisca e Inês, por exemplo, além de mártires, foram virgens — termo que nos assusta porque, infelizmente, nós somos aquela sociedade profetizada por Nossa Senhora do Bom Sucesso, na qual quase já não existem mais “almas virgens”. (Isto é, com a atmosfera de impureza que respiramos, até as pessoas que, “tecnicamente”, são virgens, infelizmente estão com o coração contaminado.) Cristo, porém, como lemos no Evangelho, veio não para os justos, mas para os pecadores. Foi justamente 

[…] o caso de Santo André Wouters, um padre diocesano em Gorcum, na Holanda. Ele era conhecido por sua embriaguez pública, pelos múltiplos casos amorosos que mantinha e por ser pai de inúmeros filhos, apesar de seu voto de celibato. Corsários calvinistas tomaram a cidade e começaram a matar padres e religiosos. De acordo com alguns relatos, ele escolheu juntar-se a eles no cativeiro, onde foi ridicularizado por sua vida de devassidão, infidelidade e escândalo nas mãos dos carrascos calvinistas. Em 9 de julho de 1572, Pe. André Wouters foi executado, ao lado de outros 18 padres e religiosos, por ser católico. Quando o laço foi colocado em volta de seu pescoço, ele foi questionado por seus algozes se renunciaria à sua fé na Eucaristia e no papado a fim de salvar a própria vida. As últimas palavras do Pe. Wouters a seus carrascos foram: “Fornicador eu fui, herege nunca”. Ele seria canonizado pelo Beato Papa Pio IX, juntamente com os outros mártires de Gorcum, em 1865. Sua fé e seu amor a Cristo, exemplificados em seu ato de martírio, expiaram os pecados de sua vida terrena para trazê-lo, pela graça de Deus, à glória celeste [2].

“Fornicador eu fui, herege nunca”: ao reconhecer humildemente a própria culpa e indignidade, numa espécie de ato final de contrição, este sacerdote demonstrava que ninguém foi feito para o pecado, nem mesmo os pecadores. Não é porque um homem cai que deve permanecer deitado, não é porque está sujo que deve ficar imundo para sempre. Em suas palavras se vê também um senso correto da gravidade dos pecados: a é maior do que a temperança; Deus é maior do que o corpo; por isso, a heresia é pior do que a fornicação.

Os mártires de Gorcum, retratados por Cesare Fracassini.

Além disso, Pe. André Wouters não “aprovava” o seu pecado. O relato dá a entender que ele suportou com paciência o escárnio de seus perseguidores, começando já aí a reparar sua má conduta passada. E o verbo empregado no passado, “fui”, também mostra como ele já não se identificava com a sua miséria. Nas mãos dos hereges calvinistas, ele certamente se viu bem próximo da morte e abraçou aquela situação como uma oportunidade única de se emendar e redimir.

E foi justamente o que aconteceu. É tal a grandeza do martírio, que extinguiu todos os pecados passados deste padre devasso no fogo abrasado de caridade que o animou a entregar a própria vida! Há, pois, esperança para os pecadores. A misericórdia de Deus se derrama realmente com abundância sobre aqueles que se arrependem sinceramente de seus pecados e procuram consertar sua vida. 

Ao celebrarmos os mártires, portanto, lembremo-nos do grande amor que os impulsionou a entregar a própria vida por Cristo, e celebremos esta grande graça que eles receberam das mãos de Deus. Pois digno mesmo ninguém é de receber tamanha honra — nem Santa Prisca, nem Inês, nem Sebastião, nem Santo André. Isso, porém, não relativiza o sacrifício que eles realmente ofereceram para permanecer fiéis a Jesus e incorporados na única Igreja fundada por Ele — Igreja fora da qual eles acreditavam piamente não haver salvação

Se não acreditassem nisso, não teriam morrido. 

E se isso não for verdade, então eles morreram todos em vão.

Notas

  1. Os fiéis que rezam as Horas canônicas na sua forma antiga podem ter contato com o Martirológio diariamente ao recitar a hora Prima (que foi abolida da atual Liturgia das Horas).
  2. Fr. Matthew MacDonald, On the Limits and Failures of Saints. In: Catholic World Report, 2 jan. 2021.

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Três Ps que os homens precisam imitar em São José
Espiritualidade

Três Ps que os homens
precisam imitar em São José

Três Ps que os homens precisam imitar em São José

São José foi dado a todos como modelo de pai e de esposo. Sua principal virtude é a fidelidade, e dela provêm todas as outras virtudes que ele possui. Destas, porém, três são especialmente necessárias para os homens que desejam seguir os seus passos.

Pe. Dwight LongeneckerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Interessado em São José e desejoso de aumentar a sua devoção a este grande santo? Então não deixe de se inscrever para o curso do Pe. Paulo Ricardo justamente sobre o excelso Patrono da Santa Igreja Católica!


“Não é por acaso”, eu disse a Miguel, “que toda igreja católica tem uma imagem de São José na frente” [1].

Miguel tinha vindo se confessar e buscar aconselhamento para superar seus fracassos como marido e pai. Ele foi pego na armadilha da pornografia e da ambição. Ele tomou algumas decisões fáceis, mas ruins. O estresse se acumulou e o apego ao trabalho começou a piorar. Miguel começou a negligenciar a relação com sua esposa e filhos — considerando-os um fardo e um incômodo. Por causa disso, sua esposa estava ameaçando pedir o divórcio. Miguel, então, veio me procurar porque a realidade o havia atingido como um banho de água fria.

“São José”, continuei, “nos é dado como modelo de pai e de esposo. Sua principal virtude é a fidelidade, e dessa fidelidade provêm todas as outras virtudes que ele possui”.

No Evangelho de São Mateus, São José é descrito como “um homem justo”. Outras versões traduzem o texto dizendo que ele era “fiel à Lei”. Em outras palavras, José se submeteu à lei de Deus, e foi essa obediência essencial e fidelidade à vontade de Deus que formou o alicerce de sua vida. São José viveu de fato aquele versículo do Evangelho que diz: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6, 33).

A fidelidade de São José, como pai adotivo de Jesus, deu origem a uma série de outras virtudes, mas há três, que vemos nas narrativas do Natal, especialmente necessárias para os homens que desejam seguir os seus passos.

1. Pureza. — A primeira virtude que nasce da fidelidade de São José é a pureza. Numa época em que a pornografia e a imoralidade desenfreada propagam-se ao nosso redor, a pureza pode parecer passiva e covarde. Mas a pureza passiva e fraca não é uma virtude masculina. Em vez disso, a verdadeira pureza é forte. A verdadeira pureza está enraizada não apenas no ato de evitar o pecado sexual, mas numa fidelidade positiva e operante.

O homem fiel à esposa e ao chamado cristão à castidade percorre um caminho de liberdade e força. Uma pureza enraizada na fidelidade à vontade de Deus e ao caminho divino revela uma sexualidade totalmente madura e integrada. O homem viril e puro num sentido positivo compreende o impulso fecundo da sexualidade e o trata como uma força poderosa em sua vida — não simplesmente como um brinquedo, ou algo a ser temido e reprimido. Essa pureza positiva, em São José, estava presente na aceitação da Virgem Maria como sua esposa, na sua capacidade de se abster de relações sexuais com ela e na poderosa canalização de sua sexualidade para o serviço de um amor maior.

“O Sonho de São José”, por Antonio Palomino.

2. Paciência. — A segunda virtude que se desenvolve com a fidelidade de São José é a paciência. São José é um protótipo do homem forte e silencioso. Ele olha e espera. Observa a situação com atenção. Ele é capaz de parar, olhar e ouvir. Ele não reage impulsivamente, mas se contém, para poder agir com cuidado, no momento certo, após considerar todos os fatos.

A paciência de José cresce com a fidelidade, porque toda a sua vida esteve enraizada na lei de Deus. Por meio de uma vida de estudo e oração, um homem judeu da geração de José aprendia a ouvir a Deus, confiar nele e, depois, obedecer-lhe. Para desenvolver uma vida espiritual tão profunda são necessários trabalho árduo, perseverança e paciência — uma virtude que vemos em seu cuidadoso zelo com Maria e o Menino Jesus, e que precisamos desenvolver em nosso mundo altamente sobrecarregado, impulsivo e acelerado.

3. Prudência. — A terceira virtude erigida sobre o alicerce da fidelidade de São José é a prudência, que consiste no discernimento sábio e cuidadoso que nos permite escolher o caminho certo. Constata-se a prudência de São José quando ele encontra abrigo para Maria, que estava prestes a dar à luz. Também a sua escolha de fugir para o Egito e retornar apenas quando fosse seguro revela um guardião de Cristo prudente, maduro e sábio. Mais uma vez, a virtude da prudência de São José está enraizada em sua fidelidade, porque sua profunda confiança na providência de Deus o capacita a correr riscos e fazer as escolhas certas, sabendo que Deus cuida de tudo.

A narrativa do Natal é maravilhosa não apenas porque está carregada de elementos sobrenaturais, como um nascimento milagroso, anjos e uma estrela-guia, mas também porque está repleta da força extraordinária de pessoas ordinárias como São José. A pureza, a paciência e a prudência que ele demonstra são um lembrete para pessoas como Miguel, que estão lutando com as responsabilidades do casamento e da paternidade. O casamento dele estava uma bagunça porque ele carecia de pureza, paciência e prudência; e ele não tinha essas virtudes porque lhe faltava primeiro aquela profunda fidelidade a Deus, da qual essas virtudes se originam. Quando fui capaz de orientá-lo a redefinir as prioridades de sua vida e a desenvolver uma devoção genuína a São José, começamos a ver essas mesmas virtudes florescerem na vida dele e sua vida familiar começou a tomar a direção certa.

As festividades de Natal, que acabamos de viver, são uma oportunidade não apenas para encher a barriga e reunir a família e os amigos [2]. Precisamos também redefinir nossas prioridades, determinar mais uma vez que edificaremos nossa casa sobre o alicerce de Cristo e, a exemplo de São José, assegurar que toda a nossa vida gire em torno do Menino que está sobre a manjedoura.

Notas

  1. Embora seja frequente a presença de imagens de São José nas igrejas, infelizmente não são todas que a possuem. Em todo o caso, entende-se a colocação do autor no sentido de que “deveriam ter”, visto ser ele o Patrono da Igreja Católica. Além disso, o padre fala a partir do contexto dos Estados Unidos, onde ele mora.
  2. Sobre a importância de estender as comemorações do tempo do Natal, cf. Peter Kwasniewski, Até quando devemos festejar o Natal?.

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Novena a São João Bosco
Oração

Novena a São João Bosco

Novena a São João Bosco

Esta novena a São João Bosco pode ser feita a qualquer tempo, mas é especialmente recomendada de 22 a 30 de janeiro, dias que precedem a sua memória litúrgica.

Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Janeiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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Esta novena a São João Bosco, “pai e mestre da juventude”, pode ser feita a qualquer tempo, mas é especialmente recomendada de 22 a 30 de janeiro, dias que precedem a sua memória litúrgica. 

O texto abaixo encontra-se relativamente difundido na internet. Nossa equipe ficou responsável apenas por revisá-lo e organizá-lo melhor. A novena, em si, divide-se em três partes: 1.º, uma inicial, a ser feita todos os dias; 2.º, uma própria do dia; e, 3.º, uma última, também comum a todos os dias. Quem preferir, também pode acessar a novena neste arquivo .pdf.


Oração Inicial
(todos os dias)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Vinde Espírito Santo,
enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do vosso amor. 

℣. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado,
℟. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis
com a luz do Espírito Santo,
fazei que apreciemos retamente todas as coisas,
segundo o mesmo Espírito,
e gozemos sempre da sua consolação.
Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

Oração a Dom Bosco

Ó Glorioso São João Bosco,
quando estáveis nesta terra,
não havia ninguém que, acudindo a vós,
não fosse por vós mesmo
benignamente recebido, consolado e ajudado.
Agora no céu, onde a caridade atinge a perfeição,
quanto deve arder vosso grande coração
em amor aos necessitados!
Vede, pois, as minhas presentes necessidades
e ajudai-me, obtendo-me do Senhor a graça...
(pede-se a graça).
Também vós haveis experimentado durante a vida
as privações, as enfermidades, as contradições,
a incerteza do porvir, as ingratidões, as afrontas,
as calúnias, as perseguições e sabeis que coisa é sofrer.
Por isso, ó Dom Bosco santo,
volvei até mim vosso bondoso olhar
e obtende do Senhor quanto vos peço,
se for vantajoso para minha alma;
e se assim não o for, obtende alguma outra graça
que me seja ainda mais útil
e uma conformidade filial à divina vontade
em todas as coisas,
ao mesmo tempo que uma vida virtuosa
e uma santa morte. Amém.


Primeiro Dia

“Quereis que o Senhor vos conceda muitas graças? Visitai-o frequentemente. Quereis que Ele vos conceda poucas? Visitai-o raramente.”

Glorioso São João Bosco, pelo amor ardente que tivestes a Jesus Sacramentado e pelo zelo com que propagastes seu culto, sobretudo com a assistência da Santa Missa, com a Comunhão frequente e com a visita cotidiana ao Santíssimo Sacramento; alcançai-nos a graça de crescer cada vez mais no amor e na prática de tão santas devoções, e de terminar nossos dias fortalecidos e confortados pelo celestial alimento da Divina Eucaristia.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Segundo Dia

“Quem confia em Maria nunca ficará desiludido”

Glorioso São João Bosco, pelo amor que tivestes à Virgem Auxiliadora, vossa mãe e mestra; alcançai-nos uma verdadeira e constante devoção a tão dulcíssima mãe, a fim de que, como filhos seus devotíssimos, possamos merecer seu valioso patrocínio nesta vida e de um modo especial na hora de nossa morte.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Terceiro Dia

“A oração é o primeiro alimento, como o pão é o alimento do corpo. Há que rezar com uma ilimitada esperança de ser ouvidos”

Glorioso São João Bosco, pelo amor filial que tivestes à Santa Igreja e ao Sumo Pontífice, a quem defendestes constantemente; alcançai-nos a graça de ser sempre dignos filhos da Igreja Católica, e de amar o Papa e venerar nele a infalibilidade de Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Quarto Dia

“Em cada manhã entregai a Deus as ocupações do dia; e fazei cada coisa como se fosse a última da vossa vida”

Glorioso São João Bosco, pelo grande amor com que amastes a juventude, fazendo-se pai e mestre dela, e pelos heroicos sacrifícios que fizestes por sua salvação; fazei que também nós amemos com um amor santo e generoso a esta porção eleita do Sagrado Coração de Jesus, e que em todo jovem contemplemos a pessoa adorável de nosso divino Salvador.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Quinto Dia

“A oração faz violência ao coração de Deus”

Glorioso São João Bosco, vós que, a fim de continuar a estender sempre mais vosso santo apostolado, fundastes a Sociedade Salesiana e o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora; fazei que os membros destas duas famílias religiosas estejam sempre cheios de vosso espírito e sejam fiéis imitadores de vossas heroicas virtudes.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Sexto Dia

“Dom Bosco, em sua vida, jamais será capaz de afastar quem lhe peça para ficar com ele”

Glorioso São João Bosco, vós que a fim de obter no mundo mais abundantes frutos de exercício da fé e de terníssima caridade, instituístes a União dos Cooperadores Salesianos; fazei que estes sejam sempre modelos das virtudes cristãs e providenciais ajudantes de vossas obras.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Sétimo Dia

“Ajude sempre os seus colegas. Mesmo que lhe custe sacrifício. A santidade está toda aqui”

Glorioso São João Bosco, vós que amastes com amor inefável a todas as almas, e que para salvá-las enviastes vossos filhos até os últimos confins da terra; fazei que também nós pensemos continuamente na salvação de nossas almas e cooperemos com todos os meios possíveis para salvar tantos pobres irmãos nossos.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Oitavo Dia

“Amem muito a castidade. Lembrem-se, para conservá-la é precioso trabalhar e rezar.”

Glorioso São João Bosco, vós que amastes com um amor de predileção a bela virtude da pureza, e a tomastes como exemplo, com a palavra e com os escritos; fazei que também nós, enamorados de tão indispensável virtude, a pratiquemos constantemente e a difundamos com todas nossas forças.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Nono Dia

“Quem perseverar até o fim, será salvo”

Glorioso São João Bosco, vós que fostes sempre tão compassivo com as humanas desventuras, dirigi um olhar a nós, tão necessitados de vosso auxílio. Fazei descer sobre nós e sobre nossas famílias as maternais bênçãos de Maria Auxiliadora; alcançai-nos todas aquelas graças espirituais e temporais de que necessitamos: intercedei por nós na vida e na morte, a fim de que possamos cantar eternamente as divinas misericórdias no Paraíso Celestial.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.


Oração Final
(todos os dias)

Deus, qui sanctum Joánnem Confessórem tuum
adolescéntium patrem et magístrum excitásti,
ac per eum, auxiliatríce Vírgine María,
novas in Ecclésia tua famílias floréscere voluísti:
concéde, quǽsumus;
ut, eódem caritátis igne succénsi,
ánimas quǽrere, tibíque soli servíre valeámus.
Per Dóminum nostrum Iesum Christum, Filium tuum:
Qui tecum vivit et regnat
in unitáte Spíritus Sancti, Deus:
per omnia sǽcula sǽculorum. ℟. Amen.

Ó Deus, que suscitaste São João, vosso Confessor,
como pai e mestre dos jovens
e por ele, auxiliado pela Virgem Maria,
quisestes florescessem novas famílias em vossa Igreja,
concedei, vos rogamos,
que, inflamados pelo mesmo fogo da caridade,
busquemos as almas
e a vós somente sirvamos.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que convosco vive e reina
na unidade do Espírito Santo. ℟. Amém.

Oração a Nossa Senhora Auxiliadora
(composta por São João Bosco)

O Maria, Vergine potente,
Tu grande illustre presidio della Chiesa;
Tu aiuto meraviglioso dei Cristiani;
Tu terribile come esercito schierato a battaglia;
Tu sola hai distrutto ogni eresia in tutto il mondo;
Tu nelle angustie, nelle lotte, nelle strettezze
difendici dal nemico e nell'ora della morte
accogli l'anima nostra in Paradiso!
Amen.

Ó Maria, Virgem poderosa,
vós, grande e ilustre defensora da Igreja;
vós, Auxílio maravilhoso dos cristãos,
vós, terrível como um exército em ordem de batalha;
vós, que, sozinha, destruístes toda heresia no mundo inteiro;
nas angústias, nas lutas, nas aflições,
defendei-nos do inimigo;
e, na hora da morte,
acolhei a nossa alma no Paraíso!
Amém.

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