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Por que não somos idólatras

O que diz o primeiro mandamento do Decálogo e por que as acusações de idolatria imputadas aos católicos não passam de ignorância e distorção das Escrituras

"Vocês são idólatras! Pois Deus proíbe que sejam feitas imagens. Está escrito...". E por aí vai. Raros são os católicos que nunca ouviram, ou leram, algo parecido vindo de protestantes; e, lamentavelmente, não são raros aqueles que se deixam incomodar por esse tipo de palavrório. O ódio às imagens, todavia, não é recente. Se olhamos para a História da Igreja, vemos que já nos séculos VII-VIII se ergueram os quebradores das imagens, os iconoclastas, que sucumbiram sob a verdadeira fé. Nos tempos modernos, levantando a mesma bandeira de guerra contra as imagens, os protestantes intentam apenas reviver das cinzas a iconoclastia, recorrendo, para tanto, às Escrituras, ainda que de modo superficial.

E o que dizem, quando querem acusar a Igreja Católica de idolatria? Antes de tudo, o refrão: "Está escrito...". E o que está escrito?

"Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima dos céus ou debaixo da terra. Não te prostrarás diante dos ídolos, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento" (Ex 20, 3-5a).

Pois bem, a Igreja Católica é fidelíssima ao primeiro mandamento, fidelíssima a esse trecho do livro do Êxodo que só pode ser entendido plenamente dentro de toda a Sagrada Escritura. Pois "também está escrito":

"Farás dois querubins de ouro polido nas duas extremidades do propiciatório: um de cada lado, de modo que os querubins estejam nos dois extremos do propiciatório" (Ex 25, 18-19. 37, 7).

"'Faze uma serpente venenosa e coloca-a sobre uma haste. Aquele que for mordido, mas olhar para ela ficará com vida'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a sobre um poste" (Nm 21, 8-9).

"O altar do incenso devia conter certo peso de ouro refinado. O projeto também descrevia o carro dos querubins de ouro, que com as asas estendidas cobrem a arca da aliança do Senhor. Davi declarou: 'tudo isso me chegou num escrito da mão do Senhor'" (1 Cr 28, 18-19).

"No santíssimo, Salomão mandou instalar dois querubins de madeira de oliveira de dez côvados de altura [...]. Salomão revestiu os querubins de ouro. Mandou também esculpir, nas paredes em redor do templo, figuras variadas: querubins, palmas, cálices de flores [...]" (1 Rs 6, 23-38).

"Dentro e fora do Templo, em volta de todas as paredes internas e externas, tudo estava coberto de figuras, querubins e palmeiras" (Ez 21, 17-18).

"Estavam aí o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão que tinha florescido, e as tábuas da aliança. Sobre a arca estavam os querubins da Glória, que com sua sombra cobriam a bandeja para o sangue da expiação" (Hb 9, 4-5).

E agora? Primeiro, Deus ordena não fazer imagens e, depois, ordena fazê-las. O que acontece? O problema é que Deus se contradiz ou que nós não O entendemos? Não podemos furtar-nos dessa questão.

Indubitavelmente, Deus não se contradiz – senão seria apenas mais um 'deusinho', "feito por mãos humanas" (Sl 113, 4), e não o verdadeiro Deus. O problema tem seu início quando a Bíblia é lida por meio de versículos isolados, sem a necessária unidade de toda a Escritura [1], e quando sua interpretação é submetida inteiramente ao leitor, posto como 'autoridade máxima' do exame bíblico. Tal problema é tão infesto que a própria Sagrada Escritura o denuncia. O episódio da tentação de Jesus no deserto, por exemplo, torna claro como é possível adulterar a palavra de Deus, dando-lhe uma interpretação completamente equivocada: o demônio abriu a Escritura e citou-a para tentar Jesus (cf. Mt 4, 6; Lc 4, 9-10). "Está escrito...", disse [2].

De fato, o uso da Sagrada Escritura para justificar as próprias ideias e interesses, mutilando-a e adulterando-a, gera sérias consequências e tem sido cada vez mais frequente. Lembremo-nos de Lutero – outrora monge católico – e seus seguidores. Esses mutilaram o cânon bíblico, retirando diversos livros de 'suas bíblias', e disseram o sola scriptura. Ora, foi da Escritura que retiraram tal lema e a lista dos livros que lá não deveriam permanecer? Desde a tentação de Jesus no deserto, passando por todas as heresias da História da Igreja até aos nossos dias, más intenções, mutilações e ignorância bíblicas têm nos acompanhado, fazendo a palavra de Deus 'padecer' uma verdadeira paixão em seu 'corpo' dilacerado pelas más interpretações.

Quanto à perícope do livro do Êxodo (20, 3-5a) e outras sobre as imagens, a proibição refere-se aos ídolos e, portanto, às imagens dos ídolos. Um ídolo é uma figura representativa de um deus falso, comum entre os povos pagãos. Diz o salmista: "Os ídolos das nações são prata e ouro, feitos por mãos humanas; têm boca e não falam, têm olhos e não veem, têm ouvidos e não ouvem, têm nariz e não cheiram. Têm mãos e não palpam, têm pés e não andam; da garganta não emitem sons" (Sl 113, 4-8).

Quando Deus diz: "Não farás para ti imagem esculpida", a palavra utilizada para "imagem" é temunah (תְּמוּנָה), empregada justamente para falar dos ídolos, dos deuses pagãos, tanto que, na famosa versão dos Setenta – tradução do hebraico para a língua grega, feita nos séc. III-II a.C. –, a palavra é traduzida por eidolon (εἴδωλον), ídolo, com acepção muito diversa da palavra eikon (εἰκών), ícone.

Ou seja, "o primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além da única" [3]. Ensina, ademais, o Catecismo: "A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus" [4]. A idolatria, por isso, pode ser de diversas formas. São Tomás de Aquino, ao comentar o primeiro mandamento, admoesta:

"'Não terás outros deuses diante de mim'. Para compreendê-lo é preciso dizer que os antigos de muitos modos transgrediam este Mandamento. Alguns, com efeito, prestavam culto aos demônios: 'Todos os deuses dos povos são demônios' (Sl 95,5). Este é o maior de todos os pecados, é horrível. Ainda hoje muitos transgridem esse Mandamento ao dar ouvidos aos adivinhos e sortilégios. Santo Agostinho ensinava que tais coisas não se fazem sem que se contraia algum pacto com o demônio: 'Não quero que vós tenhais sociedade com os demônios' (1Cor 10, 20) [...]. Outros cultuavam os corpos celestes, julgando serem deuses os astros [...]. Outros cultuavam os elementos inferiores: 'Tomaram o fogo, ou o vento (...) por deuses' (Sab 13, 2). Os homens que usam mal as coisas inferiores, amando-as excessivamente, caem no mesmo erro. Diz o Apóstolo: 'O avaro, o qual é um idólatra' (Ef 5, 5). Outros erravam cultuando homens, aves ou outros animais, ou a si mesmos [...]" [5].

Se queremos, portanto, entender o sentido real do primeiro mandamento, escutemos o Senhor – Aquele que é maior do que Moisés (Hb 3, 3) –, quando testado por um doutor da Lei: "O primeiro mandamento é este: 'Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força'" (Mc 12, 29-30; Mt 22, 37-38). Como se vê, com o dever de amarmos a Deus acima de tudo e com totalidade, sendo Deus um só, proíbem-se os ídolos, e as imagens enquanto ídolos. Não se trata, desse modo, de proibição sobre qualquer espécie de escultura, de pintura, de desenho etc., caso contrário a arte como um todo estaria proibida, além de fotografias e objetos de decoração.

Por conseguinte, para a Igreja Católica, as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Santíssima Mãe, dos Santos Anjos e dos Santos, não são ídolos e "o culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, 'a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original' e 'quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada'. A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeitosa', e não uma adoração, que só a Deus se deve" [6]. Uma carta escrita entre os anos de 726 e 730 d.C. ao ímpio Leão III, imperador iconoclasta, é resposta acertadíssima também aos iconoclastas modernos:

"E dizes que nós adoramos pedras, paredes e painéis de madeira. Não é assim como dizes, ó Imperador, mas para nossa memória e nosso estímulo, e para que nossa mente lerda e fraca seja dirigida para o alto por meio daqueles aos quais se referem esses nomes, invocações e imagens; e não como se fossem deuses, como tu dizes – longe de nós! De fato, não pomos nossa esperança nesses 'objetos'. E se é uma imagem do Senhor, dizemos: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, socorre-nos e salva-nos. Se é da sua santa Mãe, dizemos: Santa mãe de Deus, mãe do Senhor, intercede junto ao teu Filho, nosso verdadeiro Deus, para a salvação das nossas almas! Se é do mártir, dizemos: Ó santo Estêvão, protomártir, tu que derramaste o sangue pelo Cristo, com tua liberdade de falar, intercede por nós! E para qualquer mártir que venceu o martírio, assim dizemos, elevamos semelhantes orações por meio deles. E não é verdade que chamamos os mártires de deuses, como dizes, ó Imperador" [7].

Infelizmente, muitos continuarão com uma impiedade desenfreada e tagarelando incompreensões. Deveras, muito mais seria necessário dizer sobre os abusos na interpretação da Sagrada Escritura e as acusações injustificadas feitas à Igreja Católica, provenientes em primeiro lugar da ignorância e, quem sabe, da má intenção; porém, é certo que quem não quer ouvir, não ouve. Que o Senhor tenha piedade de todos nós.

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Referências

  1. Cf. BENTO XVI. Verbum Domini, n. 39: "única é a Palavra de Deus que interpela a nossa vida, chamando-a constantemente à conversão. Continuam a ser para nós uma guia segura as expressões de Hugo de São Víctor: 'Toda a Escritura divina constitui um único livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo a sua realização'"; Catecismo da Igreja Católica, n. 112: "Com efeito, por muito diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una, em razão da unidade do desígnio de Deus, de que Jesus Cristo é o centro e o coração, aberto desde a sua Páscoa".
  2. A respeito desse fato, comenta Bento XVI: "O demônio mostra-se um conhecedor da Escritura, que sabe citar o salmo com rigor; todo o diálogo da segunda tentação aparece formalmente como uma discussão entre especialistas da Escritura: o demônio aparece como teólogo [...]. O debate teológico entre Jesus e o demônio é uma disputa de todos os tempos acerca da correta explicação da Escritura [...]" (Jesus de Nazaré. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2009, p. 46-47).
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 2112.
  4. Catecismo da Igreja Católica, n. 2113.
  5. De decem praeceptis, a. 3; S. TOMÁS DE AQUINO. Os dez mandamentos. Niterói: Editora Permanência, 2014, p. 35-36.
  6. Catecismo da Igreja Católica, n. 2132.
  7. Denzinger-Hünermann, 581.

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Enxugar as chagas da Igreja (I)

Nossas almas devem ser como o véu de Verônica que enxugou o rosto de Cristo, durante a Paixão

No caminho do Calvário, há um grupo de mulheres que choram os horrores da Paixão de Cristo. Veem o Senhor ali jogado, "sem graça nem beleza para atrair nossos olhares" (Is 53, 2), e se compadecem. Cristo fala com elas: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos… Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?" (Lc 23, 28-31). Palavras duras. Mas por quê? Não seriam, de fato, mulheres piedosas, demonstrando verdadeira compaixão pelas dores do Mestre? Não estariam elas, com suas lágrimas e lamentações, compartilhando um pouco dos sofrimentos do Senhor? Por que, então, Jesus parece tão severo e distante, repreendendo a manifestação eloquente de carinho e delicadeza feminina daquelas pobres mulheres?

O ser humano é naturalmente capaz de compadecer-se diante do sofrimento alheio. Jesus, que possui uma natureza "dotada igualmente das potências afetivas, sensitivas e das suas correspondentes paixões", chorou sobre o túmulo de Lázaro (cf. Jo 11, 35) e sentiu tristeza pela miséria de Jerusalém (cf. Lc 21, 20-24) [1]. O Catecismo ensina: "Os sentimentos ou paixões são as emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau" [2]. A princípio, não há nada de errado no choro ou na tristeza em face de um acontecimento perturbador. Por outro lado, é de se preocupar com quem fica inerme ao ver as dores e as chagas do outro. A total passividade com os sofrimentos do próximo é contrária ao próprio ser do homem. De que maneira se pode, portanto, compreender a censura de Jesus àquele grupo de mulheres?

Ora, Jesus adverte contra uma piedade puramente sentimental, cuja raiz não progride para uma autêntica mudança de vida. O amor verdadeiro impele-nos à ação, a buscar o bem para o outro, pois "de nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual". Jesus não rejeita a piedade daquelas mulheres. Mas também não deixa de alertá-las para o risco do desespero e do desalento. Não foi, por acaso, o desânimo que vendou os olhos daqueles dois discípulos de Emaús, impedindo-os de perceber a presença do Salvador (cf. Lc 24, 16)? As lágrimas e a tristeza também não turvaram a visão de Maria Madalena (cf. Jo 20, 11-13)? Jesus censura justamente isto: o desespero que paralisa os cristãos e os retira do caminho para o céu.

Os sofrimentos da Igreja, ou seja, as chagas do Corpo de Cristo que se fazem presente ainda hoje na história da humanidade, são, sem dúvida, motivo de grande preocupação. Nos anos pós Concílio, quando já se desenhava um quadro de "tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria: seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada", muitas almas santas manifestaram perplexidade. Numa ocasião, percebendo o semblante pálido de São Josemaria Escrivá, o Padre Javier lhe perguntou: "Acontece-lhe alguma coisa, Padre?" — "Acontece-me… que me dói a Igreja", respondeu o santo [3]. O Bem-aventurado Paulo VI condenou, em inúmeras oportunidades, o espírito de "ruptura com a Tradição, mesmo doutrinal, que chegava a repudiar a Igreja pré-conciliar e a conceber uma Igreja nova, quase reinventada de dentro na sua constituição, no dogma, nos seus costumes e no direito" [4]. Contudo, nem São Josemaria nem Paulo VI se deixaram paralisar por esses problemas. Em vez de seguir a via das mulheres que choravam pelo caminho do calvário, seguiram o exemplo de Verônica, reparando as ofensas que se cometiam contra o Evangelho. É o exemplo que todos deveríamos seguir: "Verônica correspondeu ao amor de Cristo com a sua reparação; uma reparação admirável, porque veio de uma débil mulher que não temeu as iras dos inimigos de Cristo" [5]. Eis o exame de consciência que deveríamos fazer: "Imprime-se na minha alma [...] o rosto de Jesus, como no véu de Verônica?" [6].

Infelizmente, diante da crise da Igreja, muitos são arrebatados pela amargura, pelas profecias do desespero, "que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo". A tudo criticam, a tudo condenam, por tudo se encolerizam, sem, no entanto, mudarem de vida. Não percebem as palavras do apóstolo: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações" (Tg 1, 2). Ao contrário, caem no sentimentalismo das pobres mulheres e na cegueira dos discípulos de Emaús. E é justamente isso o que o diabo deseja, porque sabe que um povo sem esperança é um povo sem perspectiva, que sai do fronte de batalha mesmo antes de ela começar, por já se considerar um perdedor.

Certa vez, um sacerdote que murmurava pela tibieza de sua paróquia foi se aconselhar com São João Maria Vianney. O Cura d'Ars lhe perguntou: "Pregou? Rezou? Jejuou? Utilizou as disciplinas? Dormiu no chão? Se ainda não fez isso, não tem o direito de se queixar". Ora, Vianney aconselhava o sacerdote amigo a partir de sua própria experiência no vilarejo de Ars. Contam os biógrafos do santo que, antes de sua chegada, Ars era um local de verdadeira ignorância religiosa. Trabalhava-se aos domingos, frequentava-se bailes e tabernas, blasfemava-se sem qualquer temor e decência. E quais foram as armas de São João Maria Vianney para vencer a tudo isso? As armas do Evangelho: "Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum" (Mt 17, 20). Em menos de seis anos, Ars já não era mais a mesma.

A Igreja tem de viver a Paixão, sabemos, como Cristo viveu a sua. Somos chamados a enxugar o seu rosto e as suas chagas, do mesmo modo que fizeram Santa Verônica, São Josemaria, São João Maria Vianney e tantos outros santos ao longo desses dois mil anos de história. Pois a "prova da vossa fé produz a paciência [...] a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma" (Tg 1, 3).

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Referências

  1. Pio XII, Carta Encíclica Haurietis aquas, 15 de maio de 1956, n. 21
  2. Catecismo da Igreja Católica, 1763
  3. Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, Vol. III. São Paulo: Quadrante, 2004, pp. 541
  4. Idem
  5. Francisco Fernández Carvajal, Falar com Deus: Meditações para cada dia do ano. Vol. II. São Paulo: Quadrante, 2011, pp. 217
  6. Idem

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Aquela Via-Sacra no Coliseu

Há 10 anos, no Coliseu, Joseph Ratzinger convidava todos os fiéis católicos a um sério exame de consciência diante da Paixão de Cristo, na Via Sacra

O Coliseu é um dos cartões postais mais famosos da Cidade de Roma. Construído por volta do ano 70 d.C., a mando do imperador romano Vespasiano, o local é frequentemente associado aos mártires cristãos. Em 1741, o papa Bento XIV declarou-o sagrado e consagrou-o à Paixão de Cristo. E desde 1964, graças a um costume iniciado por Paulo VI, o Coliseu é o lugar onde os papas se reúnem com os fiéis de Roma para meditar as 14 estações da Via Crucis.

Embora não exista nenhuma evidência histórica que confirme os relatos de martírios dentro do Coliseu, o simbolismo é inequívoco. O cristianismo nasceu debaixo da bota do Império Romano e foi regado a sangue durante um longo período. Portanto, não se pode considerar inadequada a relação entre o maior ícone dos romanos e os mártires do cristianismo. Deveras, o Coliseu é o palco adequado para reviver os momentos finais da paixão do Senhor, sobretudo as suas três quedas, que nada mais são do que as quedas do seu Corpo Místico: a Igreja.

A Tradição ensina que assim como Cristo viveu a sua páscoa, também a Igreja deverá entrar na glória do Reino por meio de uma paixão, morte e ressurreição [1]. Diz o Catecismo: "O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal". Como será isso? Mais uma vez o Catecismo responde: "A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o 'mistério da iniquidade', sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade."

O Catecismo fala abertamente em apostasia. Ao longo da história da Igreja, grandes foram as perseguições seculares, ora de governos iníquos, ora de ideologias anticristãs. Mas o real inimigo da fé está, e sempre esteve, dentro da própria Igreja: "A maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja" [2]. As heresias, os cismas, a rebeldia contra o Magistério e contra o papa foram, na sua maior parte, iniciadas por padres e bispos. Ário, Nestório, Pelágio, Lutero et caterva. Todos sacerdotes e heresiarcas. Todos semeadores de joio no meio do trigal.

É dentro deste contexto que se compreendem aquelas severas advertências do Cardeal Joseph Ratzinger, durante a Via Sacra de 2005. No Coliseu, diante dos holofotes do mundo todo, falou-se de uma "uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados." Falou-se da Igreja e do horror que nos causava a sujeira do seu vestido e do seu rosto. "Somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos", lamentava-se.

Em sua meditação, escrita a pedido do então pontífice São João Paulo II, Ratzinger apontou três pontos graves na crise da Igreja. O primeiro diz respeito à Eucaristia: "Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento, da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra". Desde a Reforma Litúrgica de 1969, é perceptível uma abusiva e errônea aplicação dos decretos conciliares que, sob os augúrios de uma criatividade sem freios, tende a minimizar o quanto pode os gestos de reverência e adoração. O jargão mais ouvido é este: "A Eucaristia deve ser comida, não adorada". A Hóstia Santa revela todo o despojamento de Jesus, entregando-se ao homem não mais como homem, mas como alimento salvífico. Trata-se do próprio Jesus na aparência do pão e do vinho. Dominus est (Jo 21, 7). Como, destarte, não adorá-la? Como não se ajoelhar, não honrá-la com incensos e perfumes? Ora, responde Santo Agostinho, "não só não pecamos adorando-a, mas pecaríamos se não a adorássemos" [3]. É justamente porque não nos preparamos devidamente, adorando-a "em espírito e verdade" (Jo 4, 23), que a recebemos como se se tratasse de mero pedaço de pão.

Segundo ponto: "Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele!" Virou moda entre os teólogos modernos "repensar" a teologia. Repensar a ressurreição. Repensar o pecado. Repensar a encarnação. E nem é preciso dizer que esse "repensar" significa esvaziar todo o conteúdo espiritual de Cristo, tornando-o um personagem do passado, que nada mais tem a dizer-nos, senão "exemplos" morais e ideológicos. Um Cristo assim não só não faz sentido, como se torna desprezível.

Por fim: "Quanta soberba, quanta autossuficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas!" Em quantos lugares os confessionários foram substituídos por salinhas e escritórios para atendimento psicológico. O sacramento com que Cristo nos perdoa e nos insere de novo em sua amizade é reduzido a conselhos mundanos, não raras vezes, pautados em filosofias liberais e pecaminosas. "Tudo isto está presente na sua paixão", ponderou na época o futuro Bento XVI, "a traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração."

Não obstante, esses pecados dentro da Igreja, longe de tolher a esperança cristã, desvendam a face do Cristo que sofre continuamente por nós. Ele, como no caminho do Calvário, não fica eternamente no chão. Levanta-se mais uma vez para nos levantar definitivamente. É sempre d'Ele a última palavra. "Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós", rezava Ratzinger na nona estação. Vale recordar que o símbolo maior do Império Romano é hoje a tradicional casa dos cristãos, na celebração da Paixão de Cristo. Deus venceu o imperador!

Que esta Sexta-Feira Santa leve-nos a meditar todos esses pontos elencados pelo Papa Emérito — a nossa recepção da Sagrada Eucaristia, os pecados do clero e os abusos contra a confissão —, para que recebamos de Cristo a necessária purificação do nosso coração.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Catecismo da Igreja Católica, 675-677
  2. Encontro do Papa Bento XVI com os jornalistas durante o voo para Portugal.
  3. In Ps., 98,9; PL 37,1264.

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Católico e protestante debatem em avião

Em voo rumo ao Rio, um jovem católico se assenta ao lado de um senhor protestante. Não demora muito para que os dois, respeitosamente, entrem em choque.

Em um voo para o Rio de Janeiro, um jovem católico se assenta ao lado de um senhor protestante. Ambos estão vestidos simples e modestamente: camisa por dentro da calça social e sapatos pretos. Trocam breves cumprimentos, afivelam seus cintos, enquanto os demais passageiros se aconchegam em suas poltronas. O piloto inicia os procedimentos para decolagem, e as aeromoças dão as instruções para a segurança dos tripulantes. "Desliguem todos os seus equipamentos eletrônicos; coloquem suas poltronas na posição vertical", pede uma delas, falando ao microfone. Sentindo que a aeronave já estava no ar, o rapaz católico traça o sinal da cruz, sob o olhar surpreso do senhor protestante.

— Você é católico? — pergunta o senhor, dando início a um colóquio sobre imagens, santos, Maria, celibato etc.

— Sim, sou — responde o jovem.

— Como vocês, católicos, podem adorar imagens, se no livro de Êxodo, capítulo 20, Deus o proíbe?

— Deus não proíbe as imagens, mas a idolatria. Em Êxodo, 25, duas páginas à frente do capítulo que o senhor mencionou, Deus pede a Moisés que faça duas imagens de Querubins para a Arca da Aliança. — E o católico prossegue: — Ora, Deus não é esclerosado. Nós, católicos, temos imagens como um ícone, um sinal que nos remete para os céus. Num tempo de tanto ateísmo, as imagens são muito importantes para nos lembrar da existência de Deus.

— Não concordo com isso — rebate o protestante —, assim como não concordo com o celibato dos padres. Pedro se casou, você sabia?

— Sim, mas Pedro, como vocês, protestantes, costumam dizer, não é o caminho, a verdade e a vida. Esse caminho é Jesus. E Ele não se casou. Os padres seguem o exemplo de Cristo.

— Mas, quanto a Maria — insiste o senhor —, Jesus disse que todo aquele que faz a vontade do Pai é seu irmão e sua mãe.

Todos os anos, na festa da Apresentação de Nossa Senhora, a Igreja proclama justamente esse Evangelho, pois se trata de um elogio de Jesus a sua Mãe. Mais do que todos, Ela é a "bem-aventurada porque acreditou", a que realmente soube cumprir a vontade do Pai (cf. Lc 1, 45). Antes de ser Mãe de Jesus na carne, ela foi Mãe na fé. O Espírito Santo diz pela boca de Santa Isabel: "A que devo a honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor?" (Lc 1, 43). Jesus não contradiz o Espírito Santo.

Ainda não satisfeito com as explicações do jovem, embora extremamente surpreendido com o conhecimento bíblico que ele demonstrara, o protestante acusa:

— Essa é a interpretação da sua Igreja. Infelizmente, a Bíblia pode ser interpretada de várias formas.

— Concordo com o senhor — torna a responder o católico, pronto para finalizar a disputatio —, mas a livre interpretação da Bíblia foi algo inventado por Martinho Lutero, o fundador da sua religião. Nós, católicos, seguimos a Tradição Apostólica. Cremos naquilo que os cristãos sempre acreditaram, não em fábulas de homens quaisquer.

A conversa estende-se por mais alguns minutos. Vendo a eloquência dos argumentos católicos, o protestante "baixa a guarda", por assim dizer, a fim de prestar atenção às palavras daquele jovem que demonstrava tanta convicção em sua fé, que falava com tanto amor da Virgem Maria, dos santos e, sobretudo, de Jesus Cristo. De repente, a Igreja Católica já não parecia o monstro pintado pelos pastores evangélicos. O debate agora era uma conversa entre aluno e catequista. O protestante queria conhecer aquela beleza escondida, o patrimônio cristão de séculos, amputado pela ruptura luterana.

De fato, no imaginário protestante comum, a Igreja Católica é, na melhor das hipóteses, uma Igreja como as demais, não a unica Christi Ecclesia, como reafirmou o Concílio Vaticano II [1]. Desde cedo, por causa de um proselitismo demasiado agressivo, muitos evangélicos são ensinados a considerar a religião católica uma seita, uma espécie de sincretismo pagão. Ademais, é-se criado um estereótipo. Por isso, certa feita, disse mui acertadamente o venerável Fulton Sheen: "Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica; mas há milhões de pessoas que odeiam aquilo que erroneamente supõem ser a Igreja Católica." O senhor protestante odiava uma falsa Igreja Católica; odiava o espantalho, porque desconhecia o corpo verdadeiro. Posto, no entanto, diante da verdadeira fé cristã, não pôde senão exprimir sua perplexidade. O castelo de cartas havia ruído. Embaraçado com a descoberta, o senhor protestante questiona o jovem católico:

— Vejo que você é um rapaz que ama a Jesus Cristo, que dedica sua vida à Igreja. Você é diferente da maioria dos católicos que conheci. Gostaria de entender, então, por que grande parte dos católicos são relaxados. Digo, por que vão à missa mal vestidos, as mulheres com decotes e minissaias, os rapazes com bermudas ou as calças caídas, se lá está presente Jesus, como você me explicou? Nós, protestantes, sempre vamos ao culto com boas roupas, bem vestidos, pois queremos entregar nosso melhor para Deus. Por que essa diferença?

Silêncio na aeronave. Agora era a vez do jovem católico abaixar a cabeça em sinal de lamentação. Que poderia responder ele? Que poderia dizer em favor de seus irmãos católicos? Acaso não era verdade — para nossa vergonha — o que o senhor protestante observara?

— Os doze apóstolos — respondeu o jovem, depois de pensar um pouco — testemunharam por três anos a pregação, os milagres e, principalmente, o amor de Cristo pelo homem. Na cruz, no entanto, restaram umas poucas mulheres e apenas um apóstolo. Um discípulo o traiu, outro ainda o negou, e os nove demais se esconderam por medo… A Igreja de ontem se parece muito com a Igreja de hoje. É forçoso reconhecer, mas, mesmo nos maus exemplos, ela é apostólica.

O diálogo entre esses dois personagens elucida muito bem a situação em que muitos cristãos, sejam católicos, sejam protestantes, se encontram hoje. Já falamos, ao menos um pouco, das razões que levam os evangélicos a se afastarem do catolicismo. A propaganda hostil contra a Igreja, com base na famosa falácia do espantalho — isto é, a criação de uma caricatura para substituir o que é original —, é uma delas. Mas seria bastante desonesto culpar somente o proselitismo pela evasão de fiéis. Na história do cristianismo, o contra-testemunho sempre foi uma pedra de tropeço. É preciso, por isso, um mea culpa.

Existe uma tendência dentro da Igreja, hoje em dia, de se reduzir a espiritualidade a alguns chavões bonitos, mas vazios. Certa filosofia da calça jeans, por exemplo, tem feito muitos confundirem a Celebração da Santa Missa com a barraca de peixe da feira. Vai-se à Eucaristia como se se tratasse de algo qualquer, sem o devido decoro ou a mínima reverência. Jovens que rezam e zelam pela casa de Deus são achincalhados e segregados em suas comunidades. Performances de dança e peças de teatro encenadas na frente do Santíssimo, ao contrário, são consideradas expressões da universalidade. Um jovem de roupa social é "careta", outro, mostrando a roupa de baixo, é "descolado". A lista de contradições é comprida e cansativa. Sem mais delongas, recordemos o que São Paulo insistentemente ensinava: "Os que exercem bem o ministério, recebem uma posição de estima e muita liberdade para falar da fé em Cristo Jesus" (1 Tm 3, 13). Nada mais que o óbvio. Se os ateus, os agnósticos, os protestantes etc. não enxergarem a piedade e o zelo dos católicos pelo bem mais sublime da fé, como poderão crer?

Falta formação. Apascentar as ovelhas de Cristo com a ciência e a doutrina (cf. Jr 3, 15). Lembrar-se de que além de mãe, a Igreja é mestra. Mater et Magistra, como dizia São João XXIII. Os maus exemplos visíveis em tantas comunidades são, na sua maioria, decorrentes da falta de conhecimento. Seria simples farisaísmo responsabilizar o laicato por tais abusos, quando muitos deles são feitos com a reta intenção de agradar a Deus. Não, a responsabilidade é de outro departamento. É serviço do clero ensinar a fé e a moral, segundo a Tradição. É serviço dos padres abrir os tesouros da Igreja para todos. Quem tem acesso a esse conteúdo, por conseguinte, não só muda de vida, como também contribui para o crescimento espiritual dos demais. Cria-se um círculo virtuoso. E ainda que custe o descanso e o tempo, só assim se formam "pastores com o 'cheiro das ovelhas', pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens" [2]. Vale recordar o que diz o Concílio Vaticano II, acerca da missão dos bispos:

"No exercício do seu múnus de ensinar, anunciem o Evangelho de Cristo aos homens, que é um dos principais deveres dos Bispos, chamando-os à fé com a fortaleza do Espírito ou confirmando-os na fé viva. Proponham-lhes na sua integridade o mistério de Cristo, isto é, aquelas verdades que não se podem ignorar sem ignorar o mesmo Cristo. E ensinem-lhes o caminho que Deus revelou para ser glorificado pelos homens e estes conseguirem a bem-aventurança eterna." [3]

Não se está exigindo — atentem-se — nem o uso de véus, nem de saias, nem a comunhão de joelhos, tampouco missas em latim. Essa não é a questão. Apenas se faz um chamado ao bom senso. Salta aos olhos a indiferença que dia sim, dia também, se faz presente em tantas paróquias. Em alguns casos, torna-se mesmo difícil distinguir entre uma matinée e uma Missa, dada a quantidade de pirotecnia, firulas e vestimentas, no mínimo, indecorosas presentes na celebração.

A Igreja Católica é a mais sublime de todas as instituições porque é a perpetuação da encarnação de Cristo na Terra. Mas, para um protestante acostumado a imaginar o espantalho construído por seu pregador, o mau exemplo de tantos católicos torna quase impossível o encontro dessa verdade. Para cada espantalho filosófico, há uma porção de espantalhos ambulantes.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 8
  2. Papa Francisco, Homilia da Quinta-Feira Santa, 28 de março de 2013
  3. Concílio Vaticano II, Decreto Christus Dominus, 28 de outubro de 1965, n. 12

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Os seis eixos pastorais de João Paulo I

Em apenas 33 dias de pontificado, João Paulo I foi capaz de levar a mensagem pacificadora de Cristo, sobretudo através de seu sorriso - o sorriso de Deus.

São João Paulo II reinou gloriosamente no Trono de São Pedro por quase 27 anos. Foi o terceiro maior pontificado da história da Igreja. Perde apenas para São Pedro e Pio IX. Considerado conservador demais para uns, inovador demais para outros, o Pontífice polonês soube, como nenhum outro até então, deixar a sua marca: O Papa das multidões, o Papa da Teologia do Corpo, o Papa da família, o Papa do segredo de Fátima, o Papa que derrubou o comunismo, o Papa das Jornadas Mundiais da Juventude… O Papa do Terceiro Milênio. João Paulo II teve a missão de levar o catolicismo adiante, em uma época de ideologias que pareciam já não deixar espaço para a fé cristã. Após sua morte, em abril de 2005, é possível dizer que seus esforços não foram em vão.

Todos os Papas são chamados a uma missão especial: Confirmar seus irmãos na fé. É um dos deveres do Sucessor de Pedro vigiar e zelar para que o rebanho de Cristo não seja assaltado pelos lobos. João Paulo II fez de seu programa de governo uma autêntica cruzada. Na raiz disso, encontra-se outro programa de governo que, dadas as circunstâncias em que foi ceifado, não teve tempo de prosseguir. Ao menos não pelo seu idealizador. Falamos de João Paulo I. O imediato predecessor de Karol Wojtyla, por um desígnio divino, foi Papa por apenas 33 dias. "Ele que despertou na Igreja tão grande alegria e inspirou nos corações dos homens tanta esperança, em tão breve tempo consumou e levou a termo a sua missão", enfatizou João Paulo II, durante sua primeira Audiência Geral, na Sala Paulo VI. Recordando o Papa falecido, o Papa reinante esclareceu que era seu desejo "continuar os temas já iniciados por João Paulo I". Wojtyla falava das catequeses sobre as virtudes. Mas em seu coração, como havíamos de provar, vislumbrava-se o grande projeto de João Paulo I: Trazer a humanidade de volta para o seio da Igreja.

Albino Luciani, o Papa João Paulo I, possuía uma consciência muito clara do "caráter insubstituível da Igreja Católica". "Só nela se encontra a salvação: sem ela perece-se!", ensinava. Assim, logo na sua primeira mensagem apostólica, o Papa que se chamava "humilde e último 'servo dos Servos de Deus'" não hesitou em convocar uma nova evangelização. Para um mundo acostumado ao relativismo, tentado a substituir a Deus pela própria vontade, pensar em uma "nova evangelização" é flertar com o imperialismo. Não era assim que pensava João Paulo I. Sua humildade estava no devido lugar. Não sofria do mal do século, conforme explica G.K. Chesterton: "O mal de que sofremos hoje em dia é a humildade no lugar errado… O homem foi concebido para duvidar de si mesmo, mas não da verdade… O novo cético é tão humilde que duvida até de sua capacidade de aprender" [1]. Na contramão, enquanto o mundo todo duvidava da necessidade da Igreja, da necessidade de voltar-se uma vez mais para Cristo e seus ensinamentos, João Paulo I levantava-se sob esta mesma certeza: A Igreja Católica é garantia de paz e ordem. E essa certeza provinha não de teorias abstratas e sem fundamentos, mas do "encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo." [2]

Afamado já desde o tempo de Cardeal Patriarca de Veneza por sua simplicidade e pobreza, o único e urgente desejo de Albino Luciani era o de levar o patrimônio espiritual da fé a toda a humanidade. Por isso, recomendava ao Orbe Católico [3]:

"Superando as tensões internas, que aqui e além se puderam criar, vencendo as tentações de identificação com os gostos e costumes do mundo, e bem assim as atrações de um fácil aplauso, unidos no único vínculo do amor que deve informar a vida íntima da Igreja como também as formas externas da sua disciplina, os fiéis devem estar prontos a dar testemunho da própria fé diante do mundo: Sempre prontos a responder, para vossa defesa, a todo aquele que vos pergunte a razão da vossa esperança (1 Pd 3, 15)."

João Paulo I deteve-se sobre seis eixos principais na elaboração de seu projeto pastoral. O primeiro deles: "Queremos prosseguir, sem paragens, a herança do Concílio Vaticano II". Pode-se dizer que Luciani foi pioneiro na chamada hermenêutica da continuidade, muito antes que Ratzinger a comentasse naquele famoso discurso aos Cardeais, no natal de 2005. João Paulo I tinha olhos atentos para que certo ímpeto, "generoso talvez mas incauto", não deformasse o conteúdo do Concílio, como também para que "forças exageradamente moderadoras e tímidas" não atrasassem seu "magnífico impulso de renovação e de vida". Sobre a reforma litúrgica, exigia: "Desejaria também que Roma desse bom exemplo em matéria de Liturgia celebrada piedosamente e sem 'criatividades' destoantes… desejaria poder dar a certeza de que todas as irregularidades litúrgicas serão diligentemente evitadas." [4]

Dois outros desejos do Papa: "Queremos conservar intacta a grande disciplina da Igreja, na vida dos sacerdotes e dos fiéis" e "queremos recordar a toda a Igreja que o seu primeiro dever continua sendo o da evangelização". A relação entre esses dois "quereres" é evidente. Uma Igreja apostólica nasce precisamente de uma Igreja disciplinada, consciente de seu chamado à santidade. Quando se perde a dimensão espiritual, perde-se, ipso facto, o significado da missionariedade. A Igreja torna-se tão somente uma ONG piedosa, pois deixa de anunciar a Cristo. [5]

Quarta vontade de João Paulo I: "Queremos continuar o esforço ecumênico, que vemos como a última indicação dos nossos imediatos Predecessores, velando com fé intacta, com esperança invencível e com amor indeclinável pela realização do grande mandamento de Cristo: 'Que todos sejam um ( Jo 17, 21)'". Mas "sem cedências doutrinais", deixa claro. O esforço do Santo Padre vai na direção daquilo que Pio XI esclareceu na Mortalium Animos: "Não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela." [6] Também no mesmo sentido segue o desejo de "prosseguir com paciência e firmeza naquele diálogo sereno e construtivo, que o nunca suficientemente chorado Paulo VI pôs como fundamento e programa de sua ação pastoral".

And last, but not least, a intenção de "favorecer todas as iniciativas louváveis e valiosas, que possam defender e incrementar a paz no mundo conturbado". O Papa, como vigário de Cristo, é também um baluarte da paz. Mesmo com apenas 33 dias de pontificado, João Paulo I foi capaz de levar essa mensagem pacificadora, ora por seus escritos e radiomensagens, ora por seu imenso carisma. Sobretudo, pelo seu sorriso. O sorriso de Deus, como ficou conhecido. Quis a providência divina que seu ímpeto evangélico fosse breve no Trono de São Pedro. Ainda se pode ouvir sua frágil porém decidida voz defender o direito dos mais pobres naquele fatídico 28 de setembro de 1978. Em seu lugar, veio um polonês: João Paulo II. Essa história já conhecemos. Ela nos revela como a firmeza de um Papa por 33 dias é capaz de fortalecer a fé de um Papa por 27 anos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. CHESTERTON, Gilbert Keith. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, págs. 53-54
  2. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Deus Caritas Est, 25 de dezembro de 2005, n. 1
  3. Primeira Radiomensagem de João Paulo I, 27 de agosto de 1978
  4. Papa João Paulo I, Homilia da Missa de tomada de posse da Diocese de Roma, 23 de setembro de 1978, n. 3
  5. Papa Francisco, Homilia da Missa com os Cardeais, 14 de março de 2013
  6. Papa Pio XI, Carta Encíclica Mortalium Animos, 6 de janeiro de 1928, n. 16

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Mensagem de Natal: A alegria do Céu que vem nos visitar

Deus, em Sua felicidade infinita, vem chorar o choro do homem, para que ele, em seus gemidos, possa viver a alegria celeste.

No Natal, é comum que as pessoas se saúdem, desejando às outras um "Feliz Natal". Mas, qual o sentido dessa expressão?

Na verdade, tais votos fazem referência à felicidade do Céu que vem visitar a humanidade. São João da Cruz, em um poema sobre o mistério do Natal, escreve:

"Deus, porém, no presépio
Ali chorava e gemia;
(...)
E a Mãe se assombrava
Da troca que ali se via:
O pranto do homem em Deus,
E no homem a alegria"

Eis, nas palavras do Doutor Místico, o "admirabile commercium" de que falam os latinos: Deus, em Sua felicidade infinita, vem chorar o choro do homem, para que ele, em seus gemidos, possa viver a alegria celeste. Por isso, os anjos, desde o primeiro Natal, não cessam de anunciar aos homens "gaudium magnum – uma grande alegria": "Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é Cristo Senhor!" (Lc 2, 11). Nesta grande festa da Igreja, Deus Se inclina dos céus, como uma mãe que se inclina sobre um berço para resgatar o seu filho que, abandonado a si mesmo, estaria perdido. Inclina-Se para, como uma mãe, colocar o ser humano sob o seu regaço e dar-lhe a salvação.

Ao contemplar o presépio nesta noite, ao ver a Santíssima Virgem diante do indefeso e inerme menino Jesus, possamos enxergar aquilo que Deus fez por todos nós, quando, em Sua infinita misericórdia, veio arrancar-nos da condenação à morte e trazer-nos a alegria do Céu.

Neste tempo do Natal, não temos o direito de falar de solidão. Emanuel, Deus está conosco, Aquele que nos amou de forma perfeita está conosco. "Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!" (Sl 22, 4). Por isso, somente por isso, o Natal pode ser feliz. Se esquecermos de Jesus, esta festa não será nada mais que um evento social. Mas, se estivermos com Ele, podemos dizer, de coração e de verdade: Um Feliz e Santo Natal!

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Jesus Cristo e o Seu vigário

Jesus governa a Sua Igreja de modo visível e ordinário por meio do Papa, o seu vigário na Terra

Quando Cristo instituiu a Sua Igreja, Ele edificou-a sobre um fundamento visível. É claro que, ao falar desta realidade que toca o Céu e a Terra, a doutrina católica se refere à Igreja como uma comunidade muito maior que o simples conjunto de fiéis presentes neste mundo. Esta paisagem que se contempla aqui é apenas uma pequena porção da comunhão dos santos. A Igreja está presente, sobretudo, no Céu, onde já estão glorificados nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima, juntamente com uma multidão incontável de santos e anjos.

No entanto, Jesus, conhecendo a fraqueza e a instabilidade humanas, viu a necessidade de deixar à Igreja um pastor que "fizesse as suas vezes" na Terra. Ele construiu uma estrutura sólida, a fim de que os fiéis cristãos mantivessem a unidade da fé e não se perdessem. Nas palavras de Pio XII, "o divino Redentor governa o seu corpo místico de modo visível e ordinário por meio de seu vigário na terra" [1]. Este vigário é sucessor do apóstolo Pedro, a quem foram confiadas as chaves do Reino dos céus [2].

Neste ponto, surge uma indagação: como explicar que, de acordo com São Paulo, Cristo seja a cabeça do Corpo, que é a Igreja [3], e, ao mesmo tempo, haja nela um chefe reconhecidamente venerado e respeitado, a ponto de ser chamado de Papa?

Esta parece ser uma questão espinhosa. Os protestantes vêm à baila com novas acusações infundadas de "idolatria", como se ao sucessor de São Pedro fosse prestada uma honra devida somente a Jesus. Ora, basta conhecer um pouco de Catecismo para saber que o culto aos santos difere essencialmente do culto prestado a Deus. Note-se que a diferença está radicada na "essência" dos cultos, e não em uma mera gradação. Ou seja, o culto que se presta a Deus não é simplesmente maior que o culto aos santos, mas substancialmente diverso, já que a adoração ( latria) se dirige somente a Deus, e a mais ninguém [4].

Mas, para fazer cessar o falatório antipapista, basta mostrar aos protestantes uma passagem dos Atos dos Apóstolos que relatava que "o povo lhes tributava grandes louvores" [5]. Será que também aos cristãos daquela época cairá a acusação de "idolatria"? Muitos deles – continuam os Atos – "traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles" [6].

A pergunta, no entanto, persiste: se Cristo é a cabeça do povo de Deus e Pedro é seu chefe visível, haveria na Igreja "duas cabeças"? O venerável Papa Pio XII responde, com propriedade:

"Nem se objete que com o primado de jurisdição instituído na Igreja ficava o corpo místico com duas cabeças. Porque Pedro, em força do primado, não é senão vigário de Cristo, e por isso a cabeça principal deste corpo é uma só: Cristo; o qual, sem deixar de governar a Igreja misteriosamente por si mesmo, rege-a também de modo visível por meio daquele que faz as suas vezes na terra; e assim a Igreja, depois da gloriosa ascensão de Cristo ao céu não está educada só sobre ele, senão também sobre Pedro, como fundamento visível." [7]

Ainda de acordo com o imortal ensinamento do Papa Bonifácio VIII, Cristo e Pedro formam uma só cabeça: "A una e única Igreja, portanto, tem um só corpo, uma só cabeça – não duas, como um monstro –, a saber: Cristo e o vigário de Cristo, que é Pedro e o sucessor de Pedro" [8]. E explica o Catecismo de São Pio X que o Romano Pontífice "dirige visivelmente [a Igreja] com a mesma autoridade de Jesus Cristo, que é a cabeça invisível da Igreja" [9].

Não há dúvida de que a fé no primado de Pedro, tal como posta por Jesus e reafirmada pelo Magistério da Igreja, é uma verdadeira pedra de escândalo. Ela mostra a este século orgulhoso que Deus, santo e incorruptível, age no mundo através de homens de carne e osso, com pecados e defeitos; que, nesta vida, desfrutamos o tesouro da graça "em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós" [10].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  1. Mystici Corporis, 39
  2. Cf. Mt 16, 19
  3. Cf. Cl 1, 18
  4. Cf. Dt 6, 13
  5. At 5, 13
  6. At 5, 15
  7. Mystici Corporis, 39
  8. Bula Unam Sanctam, 18 nov. 1302: DS 872
  9. Catecismo de São Pio X, 194
  10. 2 Cor 4, 7

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A rebeldia de um monge

Se a rebelião de Lutero conseguiu dividir a cristandade, a providência de Deus foi muito mais eficaz em Seus santos.

Tratado o doloroso tema da separação entre Cristo e a Igreja ( ver aqui), que não poucas pessoas realizam em nossos tempos, é hora de voltarmos o olhar ao século XVI, quando um monge agostiniano se tornou pioneiro em talhar um “cristianismo" à sua própria medida, desvinculado da autoridade do Papa e da mediação sacerdotal, querida pelo próprio Senhor.

Martinho Lutero, nascido em 1483, na Saxônia, era um rapaz de inteligência aguçada, característica que seus pais e professores identificaram muito cedo, quando ele recebeu o trivium, em Mansfeld. Foi com 21 anos, mal acabara de começar os seus estudos de direito, que o rapaz decidiu fazer-se religioso. Em viagem a Erfurt, onde frequentava a universidade, Lutero foi surpreendido por uma tempestade bastante violenta. Em meio aos raios e trovões que o assustavam, ele invocou o auxílio de Santa Ana e fez uma promessa irrefletida: “Se me ajudares, far-me-ei monge".

De fato, apenas duas semanas depois do incidente, ele batia à porta do convento dos eremitas de Santo Agostinho. Levava uma vida de disciplina e oração, mas, aflito por escrúpulos e por uma ideia muito severa de Deus, não conseguia obter a paz da alma. Escreve Daniel-Rops que “Lutero era um ser intensamente dominado pelo sentimento trágico do pecado" [1]. A sua luta, mais que contra a sensualidade da carne, era contra a soberba da vida. “Os pensamentos hediondos, o ódio a Deus, a blasfêmia, o desespero, eis as grandes tentações", escrevia [2].

Um versículo bíblico em particular inquietava o monge da Saxônia: “Nele [no evangelho] se revela a justiça de Deus, que vem pela fé e conduz à fé, como está escrito: 'O justo viverá pela fé'" [3]. Por muito tempo, Lutero não conseguia ver na “justiça de Deus" senão a justitia puniens, a ira divina pelas faltas do homem. Até que ele descobre que Deus não apenas julga o homem, como também o justifica. Essa visão – que, até aqui, nada tem de errada – levou-o a formular, no entanto, uma nova doutrina. Para responder ao que o atormentava dia e noite, Lutero firma a salvação somente pela fé, eliminando a necessidade da penitência e do combate contra o pecado e deturpando toda a doutrina da graça: se o são ensinamento católico lembrava que a amizade de Deus não pode conviver com o pecado, a sua heresia concebia uma graça pela qual “todas as manchas da alma são como que cobertas por um manto de luz" [4]. O cristianismo deixava de ser a religião da santidade para se transformar num disfarce sutil, uma máscara para cobrir as faltas do homem.

Com o passar do tempo – e o advento da famosa e difícil questão das indulgências –, Lutero uniu à sua sola fide a rejeição do poder pontifício e, em 1520, no auge de sua rebeldia, o livre exame, o pedido de extinção do celibato eclesiástico e a crítica aos próprios Sacramentos, dos quais ele só reconhecia a validade de três. Em 1521, estava assinada a sua excomunhão, mas a cristandade já estava dividida.

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar a gravidade do ato de Lutero, um ato de desobediência que não pode ser desculpado por nenhuma contingência histórica. Ainda que muitas vezes os erros dos membros da Igreja gritem – como gritavam no século XVI e gritam também hoje –, a sua santidade, forjada com o sangue do Cordeiro, fala muito mais alto. Por isso, não se pode olhar para a rebelião dos chamados “reformadores" senão com desconfiança e desaprovação.

Só que, ao mesmo tempo, “como Deus é o criador soberanamente bom das naturezas boas, também é o ordenador soberanamente justo das vontades más, de tal forma que, quando usam mal das naturezas boas, Ele faz bom uso até mesmo das vontades más" [5]. Da vontade má de Lutero, que cedeu às “grandes tentações", caindo no pecado da soberba, o Senhor suscitou a Companhia de Jesus, na qual floresceram homens da estirpe de Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São José de Anchieta, apóstolo do Brasil; suscitou almas como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, que levaram a cabo a reforma do Carmelo; suscitou São João de Ávila, São Filipe Néri, São Carlos Borromeu e outros numerosos homens de fibra, que podem com razão ser chamados de “reformadores".

É nas grandes provações que agitam a barca da Igreja que se revelam os fiéis. Se a rebelião de Lutero conseguiu dividir a cristandade, a providência de Deus foi muito mais eficaz em Seus santos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 273
  2. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 274
  3. Rm 1, 17
  4. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 277
  5. Santo Agostinho, De Civitate Dei, XI, 17
  6. 1 Cor 11, 19