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Homens, confessem-se agora mesmo!

Diocese nos Estados Unidos reage a “crise da masculinidade” e lança campanha para chamar os homens de volta aos lares e à vida da Igreja.

"Homens, confessem-se agora mesmo!" É o apelo de um bispo dos Estados Unidos, que iniciou em setembro de 2015 um movimento para trazer os homens de volta à vida da Igreja e encorajá-los a responderem ao seu chamado de pais, esposos, filhos e irmãos.

A iniciativa de Thomas Olmsted, bispo da cidade de Phoenix, no Arizona, deu origem a uma exortação apostólica intitulada Into the Breach ("Na Brecha", lit.), que convoca os homens à batalha espiritual que acontece todos os dias à sua volta, desde as suas casas e paróquias até os seus ambientes de trabalho e de estudo.

"Para mim, trata-se simplesmente de um chamado para a ação", comenta Steven Pettit, de uma organização de homens leigos de Phoenix. "Os homens raramente escutam essa mensagem nas homilias e, muitas vezes, eles não acreditam que a Missa seja para eles. Esse é, portanto, um chamado para eles acordarem. O bispo de Phoenix está falando com cada homem: 'Você tem que se envolver, e aqui estão as razões, aqui estão as coisas que você é chamado a fazer como homem'."

O alcance do documento ultrapassa as fronteiras do Arizona. Várias dioceses nos Estados Unidos já estão criando grupos de oração masculinos para se ajudarem na vivência da fé cristã, a partir das linhas da exortação. Além disso, a mensagem já foi traduzida para várias línguas, como o alemão, o francês, o espanhol e também o português.

Também foi realizado um pequeno vídeo de promoção do documento, intitulado A Call to Battle ("Um Chamado para o Combate", lit.), que pode ser assistido abaixo, com legendas em português:

Uma das "brechas" que essa verdadeira campanha de evangelização tenta conter é a perda da fé católica entre as famílias e a falta de participação dos homens nos sacramentos. "O mundo está sob o ataque de Satanás", adverte Thomas Olmsted. "Muitos homens católicos não estão dispostos a 'permanecer firmes na brecha'. Um terço deixou a fé e muitos dos que ainda são 'católicos' praticam a fé com timidez e sem o mínimo compromisso de transmitir a fé aos seus filhos".

Para reverter esse quadro, a diocese de Phoenix aposta na doutrina católica de sempre, em contraposição às seduções do mundo moderno, bem como no valor da paternidade, considerado essencial para todo homem. "Para viver plenamente, todo homem deve ser um pai!", diz a exortação.

O documento propõe ainda alguns hábitos para o homem católico, como o de rezar todos os dias, fazer um exame de consciência diário, ler as Sagradas Escrituras, participar mais frequentemente da Santa Missa e confessar-se regularmente. Constatando que "grandes quantidades de homens católicos estão em grave perigo mortal como consequência dos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação", o bispo Olmsted faz um apelo: " Meus irmãos, confessem-se agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessam os seus pecados, mas não perdoará aqueles que se recusam. Abram suas almas ao dom de sua misericórdia!"

Para ler a exortação Into the Breach na íntegra em inglês, é só clicar neste link.

Com informações de National Catholic Register | Por Equipe CNP

Sugestão

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Para além de Spotlight

Com o Oscar de melhor filme para Spotlight, o tema da pedofilia voltou a assombrar os fiéis católicos do mundo todo

Foi durante a nona estação da Via Crucis que o então Cardeal Joseph Ratzinger proferiu aquele desabafo constrangedor. Ainda soam frescas em nossas memórias as suas lamentações: "Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele". Era a Semana Santa do ano de 2005, e o Papa João Paulo II havia pedido justamente ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé — o homem que, por vários anos, teve de lidar diretamente com os sacerdotes transgressores — a preparação dos textos meditativos da Paixão de Cristo. Na época, não havia como não relacionar as palavras do cardeal aos escândalos de pedofilia outrora descobertos.

Recentemente, a pedofilia voltou a aterrorizar os fiéis católicos do mundo todo, após a Academia de Cinema ter condecorado Spotlight com o Oscar de melhor filme do ano. Para quem não sabe, o filme trata da cobertura que o jornal americano Boston Globe fez acerca dos crimes sexuais do padre John Geoghan, e de como, ao longo de 36 anos, esse mesmo sacerdote pôde circular tranquilamente por suas paróquias, graças à proteção do bispo. Quando o caso veio à tona, em 2002, uma série de outras denúncias surgiram, pelo que se descobriu a grande máfia que havia por de trás daqueles monstruosos abusos. Tratava-se, evidentemente, de um esquema diabólico de acordos e ameaças, que envolvia clérigos, advogados e familiares — um show de horrores.

É claro que escândalos como esses, que trazem a marca de um sacerdote, de um "homem de Deus", por assim dizer, chocam e minam a credibilidade da Igreja. Como continuar a professar o Creio depois de tantas demonstrações de fraqueza e malícia por parte do clero? Essa pergunta se impõe e exige uma tomada de posição. Embora se possa criticar um ponto ou outro de Spotlight, a verdade é que o filme não é nada anticatólico — no sentido de um panfleto contra a Igreja —, mas uma imagem assustadora de crimes reais praticados por padres e acobertados por quem estava mais preocupado com a estética do que com a dignidade das vítimas. Não se pode negar, fatos são fatos.

Outro fato, porém, é que a Igreja Católica, enquanto instituição divinamente fundada por Jesus, não pode ser confundida com os pecados de seus membros — ainda que estes façam parte da hierarquia e ocupem os cargos mais altos do clero — "nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças", como recorda o Papa Pio XII [1]. Uma coisa é o Corpo Místico de Cristo, ao qual se deve toda veneração, outra bem diferente são as estruturas humanas que, por sua própria natureza, estão sujeitas ao erro. São Pedro apascentou as ovelhas de Cristo durante longos anos, mas isso não o impediu de negar Jesus por três vezes. Judas era um dos doze apóstolos — era uma das colunas —, e mesmo assim a sua traição levou o Filho de Deus para o sacrifício na cruz. Vemos, portanto, que os escândalos clericais existem desde o início do cristianismo, desde o momento em que Jesus decretou que Simão seria a rocha da Igreja, para depois repreendê-lo e chamá-lo de "pedra de tropeço" por deixar-se levar por insinuações diabólicas.

Aliás, longe de manifestarem qualquer deficiência da Igreja, esses escândalos reforçam o caráter infalível e perpétuo dela, como continuação da Encarnação de Cristo na história, necessária à salvação, uma vez que nenhuma outra instituição no mundo sobreviveria por tantos anos, tendo à sua testa homens tão débeis, a não ser que fosse pela graça divina. É por isso que, na contramão daqueles bispos e sacerdotes que, temendo prejudicarem a própria imagem, optaram por acobertar esses crimes ao invés de denunciá-los, os grandes santos e pastores da Igreja nunca silenciaram acerca da má conduta de padres e religiosos; antes, fizeram ecoar aos quatro cantos da terra o horror que era para Deus e para o mundo a podridão dentro do ministério sagrado, quando exercido por homens vaidosos e dissimulados.

No século XI, período em que a Igreja sofria terrivelmente com a má disciplina dos sacerdotes, São Pedro Damião fez-se ouvir pelo papa Leão IX com o que poderíamos considerar o Spotlight da época. No Liber Gomorrhianus (Livro de Gomorra), o doutor da Igreja escreveu abertamente sobre as imoralidades dos clérigos da época, inclusive sobre abusos contra menores, exortando o Santo Padre a tomar providências urgentes contra aqueles crimes. Como projeto de reforma, o santo não propunha apenas mudanças estruturais e burocráticas — apesar de serem necessárias, é verdade —, mas, principalmente, a busca pela santidade através da fidelidade às virtudes cristãs, como castidade, oração, penitência etc. Em suma, o caminho de reforma proposto por São Pedro Damião era nada mais que o velho mas sempre eficaz caminho da mística e da ascese, infelizmente abandonado nos dias de hoje, pelo que podemos compreender os motivos da nova crise.

Talvez seja possível dizer que o erro de Spotlight, bem como de toda a crítica secular, é que ela não abraça a totalidade da situação e acaba por omitir o mais importante remédio para o problema. É fora de dúvida que a Igreja deve oferecer uma resposta concreta a cada caso de abuso sexual, punindo exemplarmente tanto pedófilos quanto acobertadores, e procurando reparar, na medida do possível, as chagas que foram abertas por seus crimes. Toda essa sujeira, no entanto, encarada com olhar sobrenatural, indica uma "crise de santos" [2]. Quando se perde a dimensão da busca pela santidade, seja entre progressistas, seja entre conservadores, o resultado só pode ser o escândalo e a corrupção a níveis desastrosos, sobretudo no meio clerical. Bem disse Bento XVI que, entre os fatores que contribuíram para a crise, estava "a tendência, até da parte de sacerdotes e religiosos, para adotar modos de pensamento e de juízo das realidades seculares sem referência suficiente ao Evangelho" [3]. Sem o desejo sincero de conformar-se a Jesus, nada pode assegurar uma vocação.

A Igreja, por sua vez, brilha e segue sua caminhada por esta terra, sabendo que "não são as maiorias ocasionais que se formam (...) que decidem o seu e o nosso caminho". Pelo contrário, os santos "são a verdadeira maioria determinante segundo a qual nos orientamos", pois "eles são os nossos mestres de humanidade, que não nos abandonam nem na dor e na solidão e na hora da morte caminham ao nosso lado" [4]. Por isso, ainda podemos crer com a Igreja e sentirmo-nos seguros dentro desta barca, que apesar de agitada pela tempestade, navega firmemente até o seu destino final.

Como rezou o Cardeal Ratzinger durante a Via Crucis de 2005, rezemos também nós: "Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Mas Vós Vos erguereis. Vós Vos levantastes, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós."

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Carta Encíclica Mystici Corporis (29 de junho de 1943), n. 65.
  2. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 301.
  3. Carta aos católicos irlandeses, n. 4.
  4. RATZINGER, Joseph. Ser cristão na era neopagã, vol. 1: Discursos e Homilias. 1. ed. Campinas: Ecclesiae, 2014, p. 68.

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Qual a sua desculpa para não ir à Missa?

Quando uma pessoa falta à Missa para ir ao shopping, para adiantar um trabalho, para dormir algumas horas extras ou para participar de um evento social, não é preciso muito para perceber o lugar que Deus ocupa na sua vida.

P.: Visitei os meus parentes na última Páscoa e, infelizmente, eles não foram à Missa. Quando saí para participar, lembrei a eles que faltar à Missa era pecado mortal, ao que eles responderam:

"Isso foi muito tempo atrás... Faltar à Missa não é mais pecado mortal."

O que devo dizer para eles? Preciso de munição.

R.: Mais do que abordar essa questão sob o ângulo do pecado, é preciso trazer à mente qual a importância da Missa. A cada domingo, nós nos reunimos como Igreja, com os corações repletos de alegria, para prestar a Deus o nosso culto de adoração. Mais uma vez, recordamos e professamos a nossa fé no mistério da salvação: Jesus Cristo, o Filho de Deus, sofreu, morreu e ressuscitou para a nossa redenção. As ações salvíficas da Quinta-feira, Sexta-feira e Sábado Santos estão todas reunidas no Santo Sacrifício da Missa. A Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium afirma que "a Liturgia, pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, se opera o fruto da nossa Redenção, contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja" (n. 2).

Mais do que isso, na Missa, cada fiel católico é alimentado com abundantes graças: primeiro, somos nutridos com a Palavra de Deus – a verdade eterna de Deus que nos foi revelada e escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Depois, damos a nossa resposta a Ele, professando a nossa santa fé católica, tal como apresentada no Credo, dizendo não simplesmente "Eu acredito", como uma pessoa só, mas "Nós acreditamos", como parte da Igreja.

Então, se estamos em estado de graça, temos a oportunidade de receber Nosso Senhor na Eucaristia. Nós firmemente acreditamos que Ele está verdadeiramente presente nesse sacramento, e que nós recebemos Seu corpo, sangue, alma e divindade na Sagrada Comunhão. A Eucaristia não só nos une intimamente ao Senhor, mas nos une em comunhão aos nossos irmãos e irmãs de toda a Igreja universal. A Santa Eucaristia é um dom muito precioso! Em sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II sublinha que "esta eficácia peculiar que tem a Eucaristia para promover a comunhão é um dos motivos da importância da Missa dominical". Ali "é o lugar privilegiado, onde a comunhão é constantemente anunciada e fomentada. Precisamente através da participação eucarística, o dia do Senhor torna-se também o dia da Igreja, a qual poderá assim desempenhar de modo eficaz a sua missão de sacramento de unidade" (n. 41).

Com isso em mente, ninguém deveria simplesmente pensar em assistir à Santa Missa para satisfazer uma obrigação. Participar na celebração eucarística é um privilégio e todo fiel católico deveria desejar ardentemente fazê-lo. Nossa atitude não deve ser, "Eu tenho que ir à Missa", mas sim, "Eu quero fazer isso".

Justamente porque nos oferece dons tão preciosos, nos alimenta com tão grandes graças e nos une como Igreja, nós também temos o dever sagrado de participar na Santa Missa. O terceiro mandamento do Decálogo manda "santificar o dia do sábado" (Ex 20, 8). Para o povo judeu, no Antigo Testamento, o sábado marcava o "dia de descanso" após a Criação. Nós, cristãos, sempre guardamos o domingo, dia da Ressurreição do Senhor. Assim como a Criação se inicia no primeiro dia da semana, com Deus dizendo, "Faça-se a luz" (Gn 1, 3), Nosso Senhor, a Luz que veio para destruir a escuridão do pecado e da morte, ressuscitou dos mortos naquele primeiro dia inaugurando a Nova Criação.

Considerando a grandeza da Missa, bem como o Antigo Testamento, que foi devidamente aperfeiçoado pela Igreja, o Código de Direito Canônico prescreve: "O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se como dia festivo de preceito em toda a Igreja" (n. 1246). Mais do que isso, "no domingo e nos outros dias festivos de preceito os fiéis têm obrigação de participar na Missa" (n. 1247). Também o Catecismo ensina que "os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave" (n. 2181) — e pecado grave é, de fato, pecado mortal. O Papa João Paulo II repetiu esse preceito em sua carta apostólica Dies Domini, n. 47, e de novo em sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 41: "Participar na Missa é uma obrigação dos fiéis, a não ser que tenham um impedimento grave".

Podem surgir certas circunstâncias, é claro, que escusem de assistir à Missa, como quando uma pessoa está doente, tem que lidar com uma emergência, ou não consegue encontrar uma Missa sem grande sobrecarga. Um pastor também pode dispensar uma pessoa da obrigação de assistir à Missa por uma razão grave. Ninguém, por exemplo, muito menos Nosso Senhor, espera que uma pessoa vá à Missa estando tão enferma a ponto de não poder participar fisicamente nela ou de pôr em risco a saúde dos outros; não há virtude alguma em arriscar a própria saúde e ainda por cima infectar a todos na igreja. Ou, no caso de uma tempestade muito forte, uma pessoa deve julgar com prudência se consegue viajar em segurança para assistir à Missa sem que arrisque seriamente a própria vida e a das outras pessoas. Quando surgem circunstâncias graves que impedem uma pessoa de assistir à Missa, ela deve reservar um tempo para rezar, fazer as orações, leituras da liturgia e, pelo menos, participar em espírito — mantendo em mente que, quando circunstâncias graves surgem, uma pessoa não comete pecado mortal por faltar à Missa.

Ao examinar essa questão, contudo, uma pessoa deve refletir realmente no valor e na grandeza da Missa e do sacramento da Eucaristia. Todos os dias, fiéis católicos na República Popular da China arriscam não só oportunidades educacionais e econômicas, mas também as suas próprias vidas, só para assistir à Santa Missa. Em territórios de missão, pessoas viajam vários quilômetros só para participar da Eucaristia. Um missionário africano contou-me que alguns dos seus fiéis caminham 16 quilômetros para vir à Missa aos domingos, e então têm que andar mais 10 milhas de volta. Eles se arriscam e se sacrificam porque realmente acreditam na Missa e na presença do Senhor na Eucaristia.

Quando uma pessoa negligentemente "falta à Missa" só para ir ao shopping, para adiantar um trabalho, para dormir algumas horas extra, para participar de um evento social, ou para não interromper as suas férias, ela está permitindo que alguma coisa tome o lugar de Deus, que algo se torne mais importante que a Santa Eucaristia. Infelizmente, conheci famílias que poderiam ir tranquilamente à igreja, mas que escolhiam deliberadamente não participar da Missa. Ironicamente, eles mandavam os seus filhos para uma escola católica. Sim, um comportamento desse tipo indica que uma pessoa voltou as costas ao Senhor e que está cometendo um pecado grave.

Deus deve vir em primeiro lugar nas nossas vidas. No domingo, nosso primeiro dever como católicos é adorar a Deus na Missa e ser alimentado com a Sua graça. A Didascalia Apostolorum, um escrito do terceiro século, exorta: "Deixai tudo no Dia do Senhor e correi diligentemente à assembleia, porque é o vosso louvor a Deus. Caso contrário, que desculpa darão ao Senhor esses que não se reúnem no Seu dia para ouvir a palavra da vida e receber o divino alimento que dura para sempre?" De verdade, que desculpa eles darão?

Por Pe. William Sanders | Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere

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Mensagem de Natal: Quanto Te custou haver-me amado!

Meditando a letra do belo cântico “Tu scendi dalle stelle”, determinemo-nos a pagar o preço do amor. Se tanto custou a Deus amar-nos, como queremos que isso não nos custe nada?

O mistério do Natal só pode ser entendido se se compreende o mistério da misericórdia divina. A Segunda Pessoa divina da Santíssima Trindade, o próprio Verbo de Deus tomou uma carne. Para elevar a humanidade miserável e pecadora à participação na Sua própria vida, na Sua bem-aventurança eterna, Ele Se fez homem.

Diante de um amor tão grande, que faz o Criador de tudo o que existe transpor o abismo infinito e tomar as vestes de Sua criatura, a única resposta adequada do homem é a gratidão. A quem foi alvo de tão grande misericórdia, só lhe resta transformar a sua vida e corresponder generosamente ao amor com que foi amado.

"Ó Deus bem-aventurado, quanto Te custou haver-me amado!" É o que canta a Igreja neste Natal do Senhor, pegando emprestadas as palavras de Santo Afonso de Ligório, em seu famoso poema Tu scendi dalle stelle ("Tu desces das estrelas"). Meditando a letra desta bela cantiga natalina, determinemo-nos também nós a pagar o preço do amor. Se tanto custou a Deus amar-nos, como queremos que isso não nos custe nada?

Tu scendi dalle stelle
(Tu desces das estrelas"),
de Santo Afonso Maria de Ligório

Tu scendi dalle stelle, o Re del cielo,
e vieni in una grotta al freddo e al gelo.
O Bambino mio divino, io ti vedo qui a tremar;
o Dio beato! Ah, quanto ti costò l'avermi amato!

A te, che sei del mondo il Creatore,
mancano panni e fuoco, o mio Signore.
Caro eletto pargoletto, quanto questa povertà
più m'innamora, giacché ti fece amor povero ancora.

Tu lasci il bel gioir del divin seno,
per giunger a penar su questo fieno.
Dolce amore del mio core, dove amore ti trasportò?
O Gesù mio, perché tanto patir? Per amor mio!

Ma se fu tuo voler il tuo patire,
perché vuoi pianger poi, perché vagire?
Mio Gesù, t'intendo sì! Ah, mio Signore!
Tu piangi non per duol, ma per amore.

Tu piangi per vederti da me ingrato
dopo sì grande amor, sì poco amato!
O diletto - del mio petto,
se già un tempo fu così, or te sol bramo
Caro non pianger più, ch'io t'amo e t'amo

Tu dormi, Ninno mio, ma intanto il core
non dorme, no ma veglia a tutte l'ore
Deh, mio bello e puro Agnello
a che pensi? dimmi tu. O amore immenso,
un dì morir per te, rispondi, io penso.

Dunque a morire per me, tu pensi, o Dio
ed altro, fuor di te, amar poss'io?
O Maria, speranza mia,
se poc'amo il tuo Gesù, non ti sdegnare
amalo tu per me, s'io non so amare!

Tu desces das estrelas, ó Rei do céu
E vens a uma gruta no frio e no gelo.
Ó Menino meu divino, eu Te vejo aqui a tremer;
Ó Deus beato, quanto Te custou haver-me amado!

A Ti, que és do mundo o Criador,
Faltam agasalhos e fogo, ó meu Senhor.
Querida e eleita criança, esta Tua pobreza me apaixona
Pois foi o amor que Te fez pobre novamente.

Tu deixas as delícias da intimidade divina
Para vir a sofrer sobre essa palha.
Doce amor do meu coração, aonde Te levou o amor?
Ó meu Jesus, por que tanto sofrer? Por meu amor!

Mas se sofres por Tua própria vontade,
por que então este choro, por que estes gemidos?
Meu Jesus, eu Te entendo sim! Ah, meu Senhor!
Tu choras não de dor, mas de amor!

Tu choras ao ver a minha ingratidão,
Um amor tão grande e tão pouco amado!
Ó amado do meu coração,
se fui assim outrora, hoje somente por Ti eu anseio
Querido, não chores mais, pois eu Te amo, Te amo.

Enquanto dormes, meu Menino, o coração
não dorme, não, mas vigia a todo momento
Vai, meu querido e puro Cordeiro,
Em que pensas? Dize-me Tu. Ó amor imenso,
um dia em morrer por ti, respondes, é o que eu penso.

Então, pensas em morrer por mim, ó Deus
Que mais posso eu amar fora de Ti?
Ó Maria, esperança minha,
se pouco eu amo o teu Jesus, não te indignes
de amá-Lo tu por mim, se eu não O sei amar!

Um feliz e santo Natal!

Por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

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“Castidade para todos”, pedem homossexuais ao Sínodo dos Bispos

Encontro promovido em Roma reuniu cardeais, palestrantes e pessoas com atração pelo mesmo sexo, todos com um único pedido: que a doutrina da Igreja sobre a castidade seja confirmada no Sínodo para as Famílias.

Na última sexta-feira (2), às vésperas do Sínodo para as Famílias, um grupo de católicos que abandonaram o estilo de vida homossexual pediu aos bispos da Igreja que defendam a doutrina da Igreja sobre a castidade para todos os seus membros.

O apelo aconteceu durante um encontro na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (também conhecida como Angelicum), em Roma. Intitulado Living the Truth in Love ("Vivendo a verdade no amor"), o evento foi organizado pelo grupo Courage, um importante apostolado católico que oferece ajuda a homens e mulheres que sofrem com a atração por pessoas do mesmo sexo (AMS).

"Temo que a castidade poderia não ter uma voz suficientemente forte no Sínodo", afirmou Rilene Simpson, uma das palestrantes do encontro. Em declaração à ACI, ela pediu o apoio da Igreja para o combate que eles travam contra o pecado.

"Estamos falando de castidade para todos. Estamos falando de castidade para as pessoas com atração pelo mesmo sexo. Estamos falando da castidade dentro do matrimônio e da castidade para quem se divorciou e voltou a casar-se", disse. "Essa é uma bonita virtude, uma graça de Deus e uma forma de nos aproximarmos d'Ele."

Rilene se converteu à Igreja em 2009, depois de viver um longo período de sua vida adulta em um relacionamento homossexual. Seu testemunho – bem como o de outros dois membros do apostolado Courage – está documentado no ótimo filme Desire of the Everlasting Hills ("Desejo das Colinas Eternas"), que foi exibido durante o evento em Roma.

Outro interlocutor do evento foi o terapeuta católico David Prosen, da Universidade Franciscana de Steubenville. Tendo vivido no estilo de vida homossexual antes de aceitar os ensinamentos da Igreja sobre a castidade, ele contou à ACI que, certa vez, um sacerdote lhe disse que "estava tudo bem ter relações sexuais como um homem, desde que ele o amasse".

"Isso é muito prejudicial. Então, o que espero do Sínodo é que os padres sinodais realmente vejam a verdade do que somos, todos nós, homens e mulheres, com dons que Deus nos deu, porque somos criados à sua imagem e semelhança e porque somos seus filhos e filhas, e não por causa daqueles por quem nos sentímos atraídos".

A apresentação de Prosen, com o título "Não sou gay, sou David", mostrou as diversas lutas por que ele passou, até conhecer o Courage e entrar em um círculo virtuoso de amizades na Igreja. "Há profunda paz e alegria em uma vida casta", ele assegurou.

David é um dos vários protagonistas de outro documentário católico sobre o mesmo tema. The Third Way: Homosexuality and the Catholic Church ("A Terceira Via: Homossexualidade e a Igreja Católica") é uma produção da Blackstone Films e também pode ser assistido na íntegra pela Internet:

Pelo menos dois padres sinodais participaram do evento: o africano Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, e o australiano George Pell, Prefeito da Secretaria de Economia. Falando aos jornalistas ao fim do encontro, o Cardeal Pell disse que a Igreja ajuda as pessoas com atração do mesmo sexo há muito tempo. "Nenhuma ONG oferece mais ajuda e acompanhamento para, por exemplo, pessoas com HIV, que as paróquias, as comunidades, como o Courage, e as famílias cristãs. Estamos obrigados a isso, porque somos cristãos", ele ressaltou.

A conferência também surgiu em resposta ao Sínodo da Família de 2014, no qual as pessoas que sofrem de atração pelo mesmo sexo não tiveram uma participação adequada, conforme indicaram os organizadores. "O que espero dos padres sinodais é que possam ver a verdade e não se deixem enganar por mentiras", concluiu David Prosen.

Os testemunhos e declarações dos membros do apostolado Courage estão em plena comunhão com a doutrina e a prática pastoral da Igreja sobre a homossexualidade, expostas tanto no Catecismo (§ 2357-2359), quanto nos vários documentos católicos que já foram emitidos sobre o assunto.

Em um desses textos, assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger e endereçado aos bispos, afirma-se que "a pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual". De fato, a verdade que a Igreja ensina aos seus filhos – tenham eles ou não atração pelo mesmo sexo – é, sobretudo, uma doutrina de amor:

"Toda e qualquer pessoa que vive sobre a face da terra conhece problemas e dificuldades pessoais, mas possui também oportunidades de crescimento, recursos, talentos e dons próprios. A Igreja oferece ao atendimento da pessoa humana aquele contexto de que hoje se sente a exigência extrema, e o faz exatamente quando se recusa a considerar a pessoa meramente como um 'heterossexual' ou um 'homossexual', sublinhando que todos têm uma mesma identidade fundamental: ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna."

Eis a verdade que todos – independentemente de onde estejam e do que tenham enfrentado em suas vidas – são chamados a encontrar. Eis a luz de Cristo, que ilumina as trevas mais profundas da angústia e solidão humanas. Se você está lendo este texto e sofre com o drama da atração por pessoas do mesmo sexo, deixe-se tocar pela graça divina e descubra, no coração da Igreja, a sua vocação ao amor e verdadeira identidade de filho de Deus! Entre já na desafiadora aventura de amar e descubra a "profunda paz e alegria" que existem em levar uma vida casta e conforme a vontade do Pai!

Com informações de ACI Prensa | Por Equipe CNP

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O amor do Coração de Jesus

No dia solene do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja convida todos os seus filhos a rezarem pela santificação dos sacerdotes

"É o sacerdote quem continua a obra da redenção na terra", afirmava São João Maria Vianney. Quão grande deve ser nosso maravilhamento diante de tão profundo mistério! De fato, acrescentava o Santo Cura d'Ars: "[...] Se bem se compreendesse o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor. [...] O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus".

No dia solene do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja convida todos os seus filhos a contemplar n'Aquele que traspassaram (Jo 19, 37) o Amor de Deus, de forma particular no dom do sacerdócio, e a rezar pela santificação destes homens que, com seu sim, dão as mãos, a voz e os lábios a Cristo, Sumo Sacerdote, fazendo-nos contemplar o Coração que tanto amou os homens.

Por isso, com os olhos fitos no Sagrado Coração de Jesus, elevemos a Deus nossas orações pela santificação do clero, renovando nossa fé no Amor de Deus e no sacerdócio de Cristo em seus eleitos.

Oração pelos sacerdotes (Indulgenciada por S. Pio X em 03/03/1905)

Ó Jesus, Pontífice Eterno, Divino Sacrificador, Vós que, no Vosso incomparável amor, deixastes sair do Vosso Sagrado Coração o sacerdócio cristão, dignai-Vos derramar, nos Vossos sacerdotes, as ondas vivificantes do Amor infinito.

Vivei neles, transformai-os em Vós, tornai-os, pela Vossa graça, instrumentos de Vossas Misericórdias.

Atuai neles e por eles, e fazei que, revestidos inteiramente de Vós pela fiel imitação de Vossas adoráveis virtudes, operem, em Vosso nome e pela força de Vosso espírito, as obras que Vós mesmo realizastes para a salvação do mundo.

Divino Redentor das almas, vede como é grande a multidão dos que dormem ainda nas trevas do erro; contai o número dessas ovelhas infiéis que ladeiam os precipícios; considerai a multidão dos pobres, dos famintos, dos ignorantes e dos fracos que gemem ao abandono.

Voltai para nós por intermédio dos Vossos sacerdotes. Revivei neles; atuai por eles, e passai de novo através do mundo, ensinando, perdoando, consolando, sacrificando, e reatando os laços sagrados do amor entre o Coração de Deus e o coração humano.

Amém. [1]

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  1. Do livro «O Sagrado Coração e o Sacerdócio», de Madre Luísa Margarida Claret de La Touche. Fonte: presbiteros.com.br

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Por que não somos idólatras

O que diz o primeiro mandamento do Decálogo e por que as acusações de idolatria imputadas aos católicos não passam de ignorância e distorção das Escrituras

"Vocês são idólatras! Pois Deus proíbe que sejam feitas imagens. Está escrito...". E por aí vai. Raros são os católicos que nunca ouviram, ou leram, algo parecido vindo de protestantes; e, lamentavelmente, não são raros aqueles que se deixam incomodar por esse tipo de palavrório. O ódio às imagens, todavia, não é recente. Se olhamos para a História da Igreja, vemos que já nos séculos VII-VIII se ergueram os quebradores das imagens, os iconoclastas, que sucumbiram sob a verdadeira fé. Nos tempos modernos, levantando a mesma bandeira de guerra contra as imagens, os protestantes intentam apenas reviver das cinzas a iconoclastia, recorrendo, para tanto, às Escrituras, ainda que de modo superficial.

E o que dizem, quando querem acusar a Igreja Católica de idolatria? Antes de tudo, o refrão: "Está escrito...". E o que está escrito?

"Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima dos céus ou debaixo da terra. Não te prostrarás diante dos ídolos, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento" (Ex 20, 3-5a).

Pois bem, a Igreja Católica é fidelíssima ao primeiro mandamento, fidelíssima a esse trecho do livro do Êxodo que só pode ser entendido plenamente dentro de toda a Sagrada Escritura. Pois "também está escrito":

"Farás dois querubins de ouro polido nas duas extremidades do propiciatório: um de cada lado, de modo que os querubins estejam nos dois extremos do propiciatório" (Ex 25, 18-19. 37, 7).

"'Faze uma serpente venenosa e coloca-a sobre uma haste. Aquele que for mordido, mas olhar para ela ficará com vida'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a sobre um poste" (Nm 21, 8-9).

"O altar do incenso devia conter certo peso de ouro refinado. O projeto também descrevia o carro dos querubins de ouro, que com as asas estendidas cobrem a arca da aliança do Senhor. Davi declarou: 'tudo isso me chegou num escrito da mão do Senhor'" (1 Cr 28, 18-19).

"No santíssimo, Salomão mandou instalar dois querubins de madeira de oliveira de dez côvados de altura [...]. Salomão revestiu os querubins de ouro. Mandou também esculpir, nas paredes em redor do templo, figuras variadas: querubins, palmas, cálices de flores [...]" (1 Rs 6, 23-38).

"Dentro e fora do Templo, em volta de todas as paredes internas e externas, tudo estava coberto de figuras, querubins e palmeiras" (Ez 41, 17-18).

"Estavam aí o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão que tinha florescido, e as tábuas da aliança. Sobre a arca estavam os querubins da Glória, que com sua sombra cobriam a bandeja para o sangue da expiação" (Hb 9, 4-5).

E agora? Primeiro, Deus ordena não fazer imagens e, depois, ordena fazê-las. O que acontece? O problema é que Deus se contradiz ou que nós não O entendemos? Não podemos furtar-nos dessa questão.

Indubitavelmente, Deus não se contradiz – senão seria apenas mais um 'deusinho', "feito por mãos humanas" (Sl 113, 4), e não o verdadeiro Deus. O problema tem seu início quando a Bíblia é lida por meio de versículos isolados, sem a necessária unidade de toda a Escritura [1], e quando sua interpretação é submetida inteiramente ao leitor, posto como 'autoridade máxima' do exame bíblico. Tal problema é tão infesto que a própria Sagrada Escritura o denuncia. O episódio da tentação de Jesus no deserto, por exemplo, torna claro como é possível adulterar a palavra de Deus, dando-lhe uma interpretação completamente equivocada: o demônio abriu a Escritura e citou-a para tentar Jesus (cf. Mt 4, 6; Lc 4, 9-10). "Está escrito...", disse [2].

De fato, o uso da Sagrada Escritura para justificar as próprias ideias e interesses, mutilando-a e adulterando-a, gera sérias consequências e tem sido cada vez mais frequente. Lembremo-nos de Lutero – outrora monge católico – e seus seguidores. Esses mutilaram o cânon bíblico, retirando diversos livros de 'suas bíblias', e disseram o sola scriptura. Ora, foi da Escritura que retiraram tal lema e a lista dos livros que lá não deveriam permanecer? Desde a tentação de Jesus no deserto, passando por todas as heresias da História da Igreja até aos nossos dias, más intenções, mutilações e ignorância bíblicas têm nos acompanhado, fazendo a palavra de Deus 'padecer' uma verdadeira paixão em seu 'corpo' dilacerado pelas más interpretações.

Quanto à perícope do livro do Êxodo (20, 3-5a) e outras sobre as imagens, a proibição refere-se aos ídolos e, portanto, às imagens dos ídolos. Um ídolo é uma figura representativa de um deus falso, comum entre os povos pagãos. Diz o salmista: "Os ídolos das nações são prata e ouro, feitos por mãos humanas; têm boca e não falam, têm olhos e não veem, têm ouvidos e não ouvem, têm nariz e não cheiram. Têm mãos e não palpam, têm pés e não andam; da garganta não emitem sons" (Sl 113, 4-8).

Quando Deus diz: "Não farás para ti imagem esculpida", a palavra utilizada para "imagem" é temunah (תְּמוּנָה), empregada justamente para falar dos ídolos, dos deuses pagãos, tanto que, na famosa versão dos Setenta – tradução do hebraico para a língua grega, feita nos séc. III-II a.C. –, a palavra é traduzida por eidolon (εἴδωλον), ídolo, com acepção muito diversa da palavra eikon (εἰκών), ícone.

Ou seja, "o primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além da única" [3]. Ensina, ademais, o Catecismo: "A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus" [4]. A idolatria, por isso, pode ser de diversas formas. São Tomás de Aquino, ao comentar o primeiro mandamento, admoesta:

"'Não terás outros deuses diante de mim'. Para compreendê-lo é preciso dizer que os antigos de muitos modos transgrediam este Mandamento. Alguns, com efeito, prestavam culto aos demônios: 'Todos os deuses dos povos são demônios' (Sl 95,5). Este é o maior de todos os pecados, é horrível. Ainda hoje muitos transgridem esse Mandamento ao dar ouvidos aos adivinhos e sortilégios. Santo Agostinho ensinava que tais coisas não se fazem sem que se contraia algum pacto com o demônio: 'Não quero que vós tenhais sociedade com os demônios' (1Cor 10, 20) [...]. Outros cultuavam os corpos celestes, julgando serem deuses os astros [...]. Outros cultuavam os elementos inferiores: 'Tomaram o fogo, ou o vento (...) por deuses' (Sab 13, 2). Os homens que usam mal as coisas inferiores, amando-as excessivamente, caem no mesmo erro. Diz o Apóstolo: 'O avaro, o qual é um idólatra' (Ef 5, 5). Outros erravam cultuando homens, aves ou outros animais, ou a si mesmos [...]" [5].

Se queremos, portanto, entender o sentido real do primeiro mandamento, escutemos o Senhor – Aquele que é maior do que Moisés (Hb 3, 3) –, quando testado por um doutor da Lei: "O primeiro mandamento é este: 'Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força'" (Mc 12, 29-30; Mt 22, 37-38). Como se vê, com o dever de amarmos a Deus acima de tudo e com totalidade, sendo Deus um só, proíbem-se os ídolos, e as imagens enquanto ídolos. Não se trata, desse modo, de proibição sobre qualquer espécie de escultura, de pintura, de desenho etc., caso contrário a arte como um todo estaria proibida, além de fotografias e objetos de decoração.

Por conseguinte, para a Igreja Católica, as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Santíssima Mãe, dos Santos Anjos e dos Santos, não são ídolos e "o culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, 'a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original' e 'quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada'. A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeitosa', e não uma adoração, que só a Deus se deve" [6]. Uma carta escrita entre os anos de 726 e 730 d.C. ao ímpio Leão III, imperador iconoclasta, é resposta acertadíssima também aos iconoclastas modernos:

"E dizes que nós adoramos pedras, paredes e painéis de madeira. Não é assim como dizes, ó Imperador, mas para nossa memória e nosso estímulo, e para que nossa mente lerda e fraca seja dirigida para o alto por meio daqueles aos quais se referem esses nomes, invocações e imagens; e não como se fossem deuses, como tu dizes – longe de nós! De fato, não pomos nossa esperança nesses 'objetos'. E se é uma imagem do Senhor, dizemos: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, socorre-nos e salva-nos. Se é da sua santa Mãe, dizemos: Santa mãe de Deus, mãe do Senhor, intercede junto ao teu Filho, nosso verdadeiro Deus, para a salvação das nossas almas! Se é do mártir, dizemos: Ó santo Estêvão, protomártir, tu que derramaste o sangue pelo Cristo, com tua liberdade de falar, intercede por nós! E para qualquer mártir que venceu o martírio, assim dizemos, elevamos semelhantes orações por meio deles. E não é verdade que chamamos os mártires de deuses, como dizes, ó Imperador" [7].

Infelizmente, muitos continuarão com uma impiedade desenfreada e tagarelando incompreensões. Deveras, muito mais seria necessário dizer sobre os abusos na interpretação da Sagrada Escritura e as acusações injustificadas feitas à Igreja Católica, provenientes em primeiro lugar da ignorância e, quem sabe, da má intenção; porém, é certo que quem não quer ouvir, não ouve. Que o Senhor tenha piedade de todos nós.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. BENTO XVI. Verbum Domini, n. 39: "única é a Palavra de Deus que interpela a nossa vida, chamando-a constantemente à conversão. Continuam a ser para nós uma guia segura as expressões de Hugo de São Víctor: 'Toda a Escritura divina constitui um único livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo a sua realização'"; Catecismo da Igreja Católica, n. 112: "Com efeito, por muito diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una, em razão da unidade do desígnio de Deus, de que Jesus Cristo é o centro e o coração, aberto desde a sua Páscoa".
  2. A respeito desse fato, comenta Bento XVI: "O demônio mostra-se um conhecedor da Escritura, que sabe citar o salmo com rigor; todo o diálogo da segunda tentação aparece formalmente como uma discussão entre especialistas da Escritura: o demônio aparece como teólogo [...]. O debate teológico entre Jesus e o demônio é uma disputa de todos os tempos acerca da correta explicação da Escritura [...]" (Jesus de Nazaré. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2009, p. 46-47).
  3. Catecismo da Igreja Católica, n. 2112.
  4. Catecismo da Igreja Católica, n. 2113.
  5. De decem praeceptis, a. 3; S. TOMÁS DE AQUINO. Os dez mandamentos. Niterói: Editora Permanência, 2014, p. 35-36.
  6. Catecismo da Igreja Católica, n. 2132.
  7. Denzinger-Hünermann, 581.

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Enxugar as chagas da Igreja (I)

Nossas almas devem ser como o véu de Verônica que enxugou o rosto de Cristo, durante a Paixão

No caminho do Calvário, há um grupo de mulheres que choram os horrores da Paixão de Cristo. Veem o Senhor ali jogado, "sem graça nem beleza para atrair nossos olhares" (Is 53, 2), e se compadecem. Cristo fala com elas: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos… Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?" (Lc 23, 28-31). Palavras duras. Mas por quê? Não seriam, de fato, mulheres piedosas, demonstrando verdadeira compaixão pelas dores do Mestre? Não estariam elas, com suas lágrimas e lamentações, compartilhando um pouco dos sofrimentos do Senhor? Por que, então, Jesus parece tão severo e distante, repreendendo a manifestação eloquente de carinho e delicadeza feminina daquelas pobres mulheres?

O ser humano é naturalmente capaz de compadecer-se diante do sofrimento alheio. Jesus, que possui uma natureza "dotada igualmente das potências afetivas, sensitivas e das suas correspondentes paixões", chorou sobre o túmulo de Lázaro (cf. Jo 11, 35) e sentiu tristeza pela miséria de Jerusalém (cf. Lc 21, 20-24) [1]. O Catecismo ensina: "Os sentimentos ou paixões são as emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau" [2]. A princípio, não há nada de errado no choro ou na tristeza em face de um acontecimento perturbador. Por outro lado, é de se preocupar com quem fica inerme ao ver as dores e as chagas do outro. A total passividade com os sofrimentos do próximo é contrária ao próprio ser do homem. De que maneira se pode, portanto, compreender a censura de Jesus àquele grupo de mulheres?

Ora, Jesus adverte contra uma piedade puramente sentimental, cuja raiz não progride para uma autêntica mudança de vida. O amor verdadeiro impele-nos à ação, a buscar o bem para o outro, pois "de nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual". Jesus não rejeita a piedade daquelas mulheres. Mas também não deixa de alertá-las para o risco do desespero e do desalento. Não foi, por acaso, o desânimo que vendou os olhos daqueles dois discípulos de Emaús, impedindo-os de perceber a presença do Salvador (cf. Lc 24, 16)? As lágrimas e a tristeza também não turvaram a visão de Maria Madalena (cf. Jo 20, 11-13)? Jesus censura justamente isto: o desespero que paralisa os cristãos e os retira do caminho para o céu.

Os sofrimentos da Igreja, ou seja, as chagas do Corpo de Cristo que se fazem presente ainda hoje na história da humanidade, são, sem dúvida, motivo de grande preocupação. Nos anos pós Concílio, quando já se desenhava um quadro de "tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria: seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada", muitas almas santas manifestaram perplexidade. Numa ocasião, percebendo o semblante pálido de São Josemaria Escrivá, o Padre Javier lhe perguntou: "Acontece-lhe alguma coisa, Padre?" — "Acontece-me… que me dói a Igreja", respondeu o santo [3]. O Bem-aventurado Paulo VI condenou, em inúmeras oportunidades, o espírito de "ruptura com a Tradição, mesmo doutrinal, que chegava a repudiar a Igreja pré-conciliar e a conceber uma Igreja nova, quase reinventada de dentro na sua constituição, no dogma, nos seus costumes e no direito" [4]. Contudo, nem São Josemaria nem Paulo VI se deixaram paralisar por esses problemas. Em vez de seguir a via das mulheres que choravam pelo caminho do calvário, seguiram o exemplo de Verônica, reparando as ofensas que se cometiam contra o Evangelho. É o exemplo que todos deveríamos seguir: "Verônica correspondeu ao amor de Cristo com a sua reparação; uma reparação admirável, porque veio de uma débil mulher que não temeu as iras dos inimigos de Cristo" [5]. Eis o exame de consciência que deveríamos fazer: "Imprime-se na minha alma [...] o rosto de Jesus, como no véu de Verônica?" [6].

Infelizmente, diante da crise da Igreja, muitos são arrebatados pela amargura, pelas profecias do desespero, "que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo". A tudo criticam, a tudo condenam, por tudo se encolerizam, sem, no entanto, mudarem de vida. Não percebem as palavras do apóstolo: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações" (Tg 1, 2). Ao contrário, caem no sentimentalismo das pobres mulheres e na cegueira dos discípulos de Emaús. E é justamente isso o que o diabo deseja, porque sabe que um povo sem esperança é um povo sem perspectiva, que sai do fronte de batalha mesmo antes de ela começar, por já se considerar um perdedor.

Certa vez, um sacerdote que murmurava pela tibieza de sua paróquia foi se aconselhar com São João Maria Vianney. O Cura d'Ars lhe perguntou: "Pregou? Rezou? Jejuou? Utilizou as disciplinas? Dormiu no chão? Se ainda não fez isso, não tem o direito de se queixar". Ora, Vianney aconselhava o sacerdote amigo a partir de sua própria experiência no vilarejo de Ars. Contam os biógrafos do santo que, antes de sua chegada, Ars era um local de verdadeira ignorância religiosa. Trabalhava-se aos domingos, frequentava-se bailes e tabernas, blasfemava-se sem qualquer temor e decência. E quais foram as armas de São João Maria Vianney para vencer a tudo isso? As armas do Evangelho: "Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum" (Mt 17, 20). Em menos de seis anos, Ars já não era mais a mesma.

A Igreja tem de viver a Paixão, sabemos, como Cristo viveu a sua. Somos chamados a enxugar o seu rosto e as suas chagas, do mesmo modo que fizeram Santa Verônica, São Josemaria, São João Maria Vianney e tantos outros santos ao longo desses dois mil anos de história. Pois a "prova da vossa fé produz a paciência [...] a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma" (Tg 1, 3).

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Referências

  1. Pio XII, Carta Encíclica Haurietis aquas, 15 de maio de 1956, n. 21
  2. Catecismo da Igreja Católica, 1763
  3. Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, Vol. III. São Paulo: Quadrante, 2004, pp. 541
  4. Idem
  5. Francisco Fernández Carvajal, Falar com Deus: Meditações para cada dia do ano. Vol. II. São Paulo: Quadrante, 2011, pp. 217
  6. Idem