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Fomos criados para o amor

Que desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma e que lhe faz dizer do fundo do coração: “Estou ferida de amor”?

Neste texto recolhido do Ofício das Leituras de hoje, terça-feira da 1.ª semana do Tempo Comum, São Basílio Magno lembra-nos que a vocação cristã é ao amor. Fomos criados por Deus para amá-lO, é o que está escrito desde o princípio na natureza do nosso ser e, não obstante todos os artifícios do homem moderno para apagar dos corações e das consciências o nome santíssimo de Jesus, só O amando seremos verdadeiramente realizados.

Sendo assim, a missão dos pastores da Igreja não é outra senão "suscitar a centelha do amor divino" escondida no coração de cada ser humano. O que deve fazer cada sacerdote, cada bispo — e até cada pai de família, que "apascenta" o pequeno rebanho de seus filhos — é ignem mittere in terram, "lançar fogo sobre a terra", como queria o próprio Filho de Deus humanado (Lc 12, 49).

Peçamos a este santo bispo da Igreja antiga, São Basílio, aclamado no mundo inteiro como "magno", que nos ajude a viver o chamado de Cristo em toda a sua grandeza. Certos de que "o amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições", simplesmente procuremos amá-lO, não nos limitando ao cumprimento de regras. Nossa fé não é um "manual de boas maneiras", mas um relacionamento de amor com Deus.

Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo
(Resp. 2,1: PG 31, 908-910)

Possuímos inata capacidade de amar

O amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições. Não aprendemos de outrem a alegrar-nos com a luz, ou a desejar a vida, ou a amar os pais ou educadores. Assim — ou melhor, com muito mais razão —, não se encontra o amor de Deus na disciplina exterior. Mas, quando é criado, o ser vivo, isto é, o homem, a força da razão foi, como semente, inserida nele, uma força que contém em si a capacidade e a inclinação de amar. Logo que entra na escola dos divinos preceitos, o homem toma conhecimento desta força, apressando-se em cultivá-la com ardor, nutri-la com sabedoria e levá-la à perfeição, com o auxílio de Deus.

Sendo assim, queremos provar vosso empenho em atingir este objetivo. Pela graça de Deus e contando com as vossas preces, nós nos esforçaremos, segundo a capacidade dada pelo Espírito Santo, por suscitar a centelha do amor divino escondida em vós.

Antes de mais nada, nós dele recebemos antecipadamente a força e a capacidade de pôr em prática todos os mandamentos que Deus nos deu. Por isso não nos aflijamos como se nos fosse exigido algo de incomum, nem nos tornemos vaidosos pensando que damos mais do que havíamos recebido. Se usarmos bem destas forças, levaremos uma vida virtuosa; no entanto, mal empregadas, caíremos no pecado.

Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.

O mesmo diremos da caridade. Ao recebermos o mandamento de amar a Deus, já possuímos capacidade de amar, plantada em nós desde a primeira criação. Não há necessidade de provas externas: cada qual por si e em si mesmo pode descobri-la. De fato, nós desejamos, naturalmente, as coisas boas e belas, embora, à primeira vista, algumas pareçam boas e belas a uns e não a outros. Amamos também, sem ser necessário que nos ensinem nossos parentes e amigos e temos espontaneamente grande amizade por nossos benfeitores.

O que haverá, pergunto então, de mais admirável do que a beleza divina? Que coisa pode haver mais suave e deliciosa do que a meditação da magnificência de Deus? Que desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma liberta de toda impureza e que lhe faz dizer do fundo do coração: Estou ferida de amor? É na verdade totalmente indescritível o fulgor da beleza de Deus.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Amar ao próximo primeiro

O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos, mas o amor do próximo é o primeiro na ordem da execução.

"O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos", evidentemente, "mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução": é o que ensina Santo Agostinho, no Ofício das Leituras deste dia 3 de janeiro. A razão disso é bem simples e consta das próprias Escrituras: "Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4, 20).

Atentos à preciosa lição deste santo padre da Igreja, disponhamos o nosso coração ao serviço do próximo, na certeza de que, servindo à carne que o próprio Deus assumiu para a nossa salvação, seremos elevados à plena participação da natureza divina (cf. 2Pd 1, 4) e alcançaremos vitória sobre as paixões de nossa própria carne.

Do Tratado sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo
(Tract 17, 7-9: CCL 36, 174-175)

O duplo preceito da caridade

Veio o Senhor, mestre da caridade, cheio de caridade, cumprir prontamente a palavra sobre a terra (cf. Rm 9, 28 Vulg.), como dele foi anunciado, e sintetizou a lei e os profetas nos dois preceitos da caridade.

Recordai comigo, irmãos, quais são esses dois preceitos. É preciso que os conheçais profundamente, de tal modo que não vos venham à mente só quando vo-los lembramos, mas os conserveis sempre bem gravados em vossos corações. Recordai-vos em todo momento de que devemos amar a Deus e ao próximo: a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento; e ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22, 37-39).

Esses dois preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo.

Entretanto, tu que ainda não vês a Deus, merecerás vê-lo se amas o próximo; amando-o purificas teu olhar para veres a Deus, como afirma expressamente São João: "Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê" ( 1Jo 4, 20).

Ouviste o mandamento: Ama a Deus. Se me disseres: "Mostra-me a quem devo amar", que responderei senão o que disse o mesmo São João: "A Deus, ninguém jamais viu" ( Jo 1, 18)? E para pensares que está absolutamente fora de teu alcance ver a Deus, o mencionado apóstolo afirma: "Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus" (1Jo 4, 16). Ama, pois, o teu próximo e procura no teu íntimo a origem deste amor; lá verás a Deus o quanto agora te é possível.

Começa, portanto, a amar o próximo. Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa o pobre sem abrigo; quando encontrares um nu, cobre-o, e não dês as costas ao teu semelhante (cf. Is 58, 7).

Procedendo assim, o que alcançarás? "Então brilhará a tua luz como a aurora" ( Is 58, 8). Tua luz é o teu Deus; ele é a aurora que despontará sobre ti depois da noite desta vida. Essa luz não conhece princípio nem ocaso, porque existe eternamente.

Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. E para onde caminhas senão para o Senhor Deus, para Aquele que devemos amar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, de toda a nossa mente? É certo que ainda não chegamos até junto do Senhor; mas já temos conosco o próximo. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado, enquanto caminhas neste mundo, e chegarás até junto daquele com quem desejas permanecer para sempre.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O Natal de Cristo e o nosso natal

Embora cada cristão tenha sido chamado num momento diferente para fazer parte da Igreja, a totalidade dos fiéis, saída da fonte batismal, também nasce com Cristo neste Natal.

"A geração de Cristo é a origem do povo cristão", diz São Leão Magno, no Ofício das Leituras deste dia 31 de dezembro, "o Natal da Cabeça é também o natal do Corpo". O Verbo eterno de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, nasceu uma segunda vez, na humanidade, para nos fazer nascer uma vez mais, na fonte batismal, para a vida divina. "Embora cada um tenha sido chamado num momento determinado para fazer parte do povo do Senhor, e todos os filhos da Igreja sejam diversos na sucessão dos tempos, a totalidade dos fiéis, saída da fonte batismal", explica ainda o Papa Leão, "também nasceu com ele neste Natal".

Nasce nesta Oitava, portanto, não só o Cristo, mas cada cristão em particular. Celebrar essa solenidade não significa simplesmente recordar um acontecimento do passado, mas algo que toca concretamente a nossa própria história. Puer natus est nobis, "um menino nasceu" verdadeiramente, não para servir de enfeite nos presépios, não para trazer um feriado de fim de ano, não para entrar nas páginas frias dos livros de história; nasceu sim, mas "para nós", para nos salvar, para mudar e transformar por completo a nossa vida.

Ao passarmos em família ou em amigos as festividades deste fim de ano, não nos esqueçamos dessas verdades que dão sentido não só ao Natal e ao Ano-Novo, mas a toda a nossa existência.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 6 in Nativitate Domini, 2-3, 5: PL 54, 213-216)

O Natal do Senhor é o Natal da paz

O estado de infância, que o Filho de Deus assumiu sem considerá-la indigna de sua grandeza, foi-se desenvolvendo com a idade até chegar ao estado de homem perfeito e, tendo-se consumado o triunfo de sua paixão e ressurreição, todas as ações próprias do seu estado de aniquilamento que aceitou por nós tiveram o seu fim e pertencem ao passado. Contudo, a festa de hoje renova para nós os primeiros instantes da vida sagrada de Jesus, nascido da Virgem Maria. E enquanto adoramos o nascimento de nosso Salvador, celebramos também o nosso nascimento.

Efetivamente, a geração de Cristo é a origem do povo cristão; o Natal da Cabeça é também o natal do Corpo.

Embora cada um tenha sido chamado num momento determinado para fazer parte do povo do Senhor, e todos os filhos da Igreja sejam diversos na sucessão dos tempos, a totalidade dos fiéis, saída da fonte batismal, crucificada com Cristo na sua Paixão, ressuscitada na sua Ressurreição e colocada à direita do Pai na sua Ascensão, também nasceu com ele neste Natal.

Todo homem que, em qualquer parte do mundo, acredita e é regenerado em Cristo, liberta-se do vínculo do pecado original e, renascendo, torna-se um homem novo. Já não pertence à descendência de seu pai segundo a carne, mas à linhagem do Salvador, que se fez Filho do homem para que nós pudéssemos ser filhos de Deus.

Se ele não tivesse descido até nós na humildade da natureza humana, ninguém poderia, por seus próprios méritos, chegar até ele.

Por isso, a grandeza desse dom exige de nós uma reverência digna de seu valor. Pois, como nos ensina o santo Apóstolo, "nós não recebemos o espírito do mundo, mas recebemos o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos os dons da graça que Deus nos concedeu" ( 1Cor 2, 12). O único modo de honrar dignamente o Senhor é oferecer-lhe o que ele mesmo nos deu.

Ora, no tesouro das liberalidades de Deus, que podemos encontrar de mais próprio para celebrar esta festa do que a paz, que o canto dos anjos anunciou em primeiro lugar no nascimento do Senhor?

É a paz que gera os filhos de Deus e alimenta o amor; ela é a mãe da unidade, o repouso dos bem-aventurados e a morada da eternidade; sua função própria e seu benefício especial é unir a Deus os que ela separa do mundo.

Assim, aqueles que "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo" ( Jo 1, 13), ofereçam ao Pai a concórdia dos filhos que amam a paz, e todos os membros da família adotiva de Deus se encontrem naquele que é o Primogênito da nova criação, que não veio para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que o enviou. Pois a graça do Pai não adotou como herdeiros pessoas que vivem separadas pela discórdia ou oposição, mas unidas nos mesmos sentimentos e no mesmo amor. É preciso que tenham um coração unânime os que foram recriados segundo a mesma imagem.

O Natal do Senhor é o natal da paz. Como diz o Apóstolo, Cristo é a nossa paz, ele que de dois povos fez um só (cf. Ef 2, 14); judeus ou gentios, "em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai" (Ef 2, 18).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O mundo inteiro espera a resposta de Maria

O Criador faz depender do consentimento de uma criatura a execução de todo o plano de sua Providência.

O mistério da natividade do Senhor, que estamos prestes a celebrar, está indissociavelmente ligado à maternidade divina de Maria, como Padre Paulo Ricardo explicou na homilia do último domingo.

Os santos da Igreja bem o sabiam e, por isso, sempre que se dirigiam a Deus em agradecimento pela Encarnação do Verbo, cantavam ação de graças igualmente pelas maravilhas que o Todo-Poderoso operou em Maria. Foi por meio de seu "sim", afinal, que Ele escolheu vir ao mundo e salvar o gênero humano; o Criador faz depender do consentimento de uma criatura a execução de todo o plano de sua Providência.

Às vésperas do Natal, nada mais útil para nossa vida interior que meditar sobre essas verdades da nossa fé. A seguir, deixamos a você uma preciosa reflexão, da boca de São Bernardo de Claraval, em que ele descreve com belos detalhes a espera do mundo inteiro pela resposta de Maria, durante o episódio da Anunciação. Para um estudo teológico mais profundo a esse respeito, recomendamos a todos os nossos alunos e internautas que consultem a questão 30 da terceira parte da Suma Teológica, de Santo Tomás de Aquino, que é também de grande riqueza.

Essa meditação de São Bernardo faz parte do Ofício das Leituras de ontem, dia 20 de dezembro.

Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, de São Bernardo, abade
(Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4, [1966], 53-54)

O mundo inteiro espera a resposta de Maria

Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem — tu ouviste — mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Por que o milagre de São Januário é tão importante?

O mundo inteiro está falando do sangue de São Januário. Mas você sabe, afinal, em que consiste o milagre da sua liquefação e o que ele realmente significa?

Não é a primeira vez que o milagre da liquefação do sangue de São Januário vira notícia recentemente. Em 21 de março de 2015, dia incomum para a ocorrência do fenômeno, os restos sanguíneos do padroeiro de Nápoles se dissolveram à vista do Papa Francisco, conforme também nós reportamos aqui. Agora, no último dia 16 de dezembro, o que causou estranheza mundo afora foi justamente a ausência do milagre, a qual, como já dito, "sempre esteve ligada a momentos nefastos da história da cidade" italiana.

Considerando toda a atenção que se vem dando a este acontecimento de caráter realmente sobrenatural, transcrevemos abaixo uma pequena matéria, publicada no blog português Senza Pagare, que descreve de modo bem resumido em que consiste este milagre e qual é, afinal, a sua importância.

No passado dia 16 de dezembro, ao contrário do habitual, não aconteceu o milagre da liquefação do sangue de S. Januário, em Nápoles.

Este milagre acontece 3 vezes por ano: 19 de setembro, dia de S. Januário; 16 de dezembro, porque nesse dia, em 1631, foi feita uma procissão com as relíquias de S. Januário que impediu a iminente erupção do vulcão Vesúvio; no sábado que antecede o primeiro domingo de maio, dia da primeira trasladação do corpo do santo.

As datas da liquefação do sangue de São Januário são celebradas com grande pompa e esplendor.

As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente, iniciam-se preces coletivas. Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo " Miserere".

Quando o milagre ocorre, o Clero entoa um solene Te Deum, a multidão irrompe em vivas, os sinos repicam e toda a cidade rejubila.

Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.

O sangue de São Januário está recolhido em duas ampolas de vidro, hermeticamente fechadas, protegido por duas lâminas de cristal transparente. A ampola maior possui 60 cm cúbicos de volume; a menor tem capacidade de 25 cm cúbicos. Em geral, o sangue endurecido ocupa até a metade da ampola maior; na menor, encontra-se disperso em fragmentos.

A liquefação do sangue produz-se espontaneamente, sob as mais variadas circunstâncias, independentemente da temperatura ou do movimento, o sangue passa do estado pastoso ao fluido e, até, fluidíssimo. A liquefação ocorre da periferia para o centro e vice-versa. Algumas vezes, o sangue liquefaz-se instantânea e inteiramente, ou, por vezes, permanece um denso coágulo em meio ao resto liquefeito. Varia o colorido: desde o vermelho mais escuro até o rubro mais vivo. Não poucas vezes surgem bolhas e sangue fresco e espumante sobe rapidamente até o topo da ampola maior.

Trata-se verdadeiramente de sangue humano, comprovado por análises espectroscópicas.

Há algumas peculiaridades, que constituem outros milagres dentro do milagre liquefação, há uma variação do volume: algumas vezes diminui e outras vezes aumenta até o dobro. Varia também quanto à massa e quanto ao peso. Em janeiro de 1991, o Professor G. Sperindeo fazendo uso, com o máximo cuidado, de aparelhos de alta precisão, encontrou uma variação de cerca de 25 gramas. O peso aumentava enquanto o volume diminuía. Esse acréscimo de peso contraria frontalmente o princípio da conservação da massa e é absolutamente inexplicável, pois as ampolas encontram-se hermeticamente fechadas, sem possibilidade de receber acréscimo de substâncias do exterior.

A notícia escrita mais antiga e segura do milagre consta de uma crônica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já perfazem mais de dez mil!

Quanto à chave de interpretação com que devemos ler esse milagre (ou, no caso, a ausência dele), é a reação dos próprios fiéis napolitanos que nos ensina: " Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados". É a luta contra os nossos pecados, portanto, o que nos deve preocupar de modo especial ao sabermos que São Januário não quis operar o seu costumeiro milagre diante do povo de Nápoles.

Mais do que traçar conjecturas sobre o que acontecerá no mundo, mais do que perguntar que tipo de desgraça pode se abater sobre a humanidade, o momento presente pede oração e penitência. E essa é a mensagem não apenas do sangue de San Gennaro (como o chamam os italianos) ou da aparição de Nossa Senhora em Fátima, cujo centenário está às portas, mas de toda a revelação cristã. "Se não vos converterdes", afinal, diz o próprio Senhor, "perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 3).

Essas palavras são muito sérias. O cristianismo é coisa muitíssimo séria. Mas, pelo visto, poucos de nós estão dispostos a emendar-se de vida e atender aos apelos que o próprio Céu nos tem feito com tanta insistência, especialmente nas últimas décadas. Nossos pecados se multiplicam indefinidamente, levando-nos para longe da presença de Deus, como mostrou a Virgem de Fátima aos três pastorinhos, e nós ficamos a pensar em que tipo de catástrofe se irá suceder aqui ou acolá, este ano ou ano que vem, preocupados com desastres físicos e materiais. Quando vamos acordar e perceber que a pior tragédia de todas se chama perdição das almas e já está acontecendo há muito tempo? Quando vamos abrir os olhos da fé, afinal, para enxergarmos o mundo sobrenatural à nossa volta e tomarmos então consciência verdadeira da situação em que nos encontramos?

Repitamos com o venerável bispo norte-americano Fulton Sheen uma verdade mais do que necessária para tempos conturbados como os nossos: " Se as almas não forem salvas, nada se salvará". As almas, as almas cuja salvação sempre foi a lei suprema da Igreja, as almas cujo preço foi o próprio sangue de Cristo derramado na Cruz: são elas a nossa meta, porque são elas a meta de Deus! Que eventos como o milagre de São Januário — ou o silêncio de São Januário — sirvam para lembrar-nos desta realidade e ressuscitem aqueles que estão na morte do pecado para a vida sobrenatural da graça.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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A importância de rezar antes das refeições

Você sabia que há uma ligação entre seu filho esperar para rezar antes das refeições e a capacidade dele de evitar, no futuro, o sexo antes do casamento?

"Saying Grace" (1951), de Norman Rockwell.

Você sabia que há uma ligação entre seu filho esperar para rezar antes das refeições e a capacidade de ele evitar, no futuro, o sexo antes do casamento?

Isso tem a ver com esperar para ser recompensado. Quando nos sentamos à mesa, é justo e correto que primeiro agradeçamos a Deus e peçamos a sua bênção sobre o alimento de que estamos prestes a desfrutar. Só então pegamos em nossos garfos para comer.

Nas poucas famílias em que ainda se come à mesa, as crianças pequenas são normalmente tentadas a beliscar um pouquinho da comida de seus pratos enquanto suas mães se voltam para buscar o último prato para a refeição. É dever dos pais impedir que os filhos façam isso. Os filhos devem aprender a esperar. E por quê?

Bem, um dia os apetites deles vão incluir não só a comida para a preservação do corpo humano, mas eles terão também um apetite intenso para a preservação da raça humana. Se eles são autorizados a lambiscar um pouco aqui e ali antes da bênção, basta seguir a analogia:

Criança com fome → Bênção da refeição → Satisfação do apetite da fome
Pessoa jovem → Bênção matrimonial → Satisfação do apetite sexual

Veja, se meu filho aprende que pode comer antes de a família se reunir e o seu pai presidir à benção religiosa, então, do mesmo modo, ele provavelmente não vai esperar, para ter sexo, que a sua família se reúna na igreja e o padre pronuncie a bênção religiosa sobre ele e sua noiva no altar.

Isso tem a ver não só com refeições em família, mas com tudo: escola, trabalho, Advento, Quaresma, jejum eucarístico, abstinências às sextas-feiras, penitência, preparação sacramental, gravidez, educação dos filhos, doença, morte natural, e assim por diante.

O catolicismo é a religião da "recompensa demorada" (delayed gratification). Essa vida é um teste para determinar a nossa recompensa eterna. Se vivermos apenas para ter prazer no agora, não teremos a bem-aventurança no futuro. Cristo instituiu sua Igreja Católica para nos prover pequenos desafios e provações todos os dias. O jejum eucarístico é um exemplo óbvio. Humilhar-se a si mesmo no confessionário antes de receber a Sagrada Comunhão é outro. Significa aprender a fazer algo difícil ou inconveniente tendo em vista um bem maior.

Mas voltemos ao meu filho. Se ele aprende a violar o jejum eucarístico ou a quebrar suas resoluções quaresmais, o que fará ele em outras áreas de sua vida? Ele certamente vai explorar seus limites, mas vai terminar fracassando no final, por não entender que todo sucesso provém de sabermos esperar — seja o sucesso temporal, seja o eterno.

Observe, por exemplo, todos esses hipsters nos Estados Unidos [1]: eles têm cursos universitários, votam, são um pouco inteligentes e até possuem uma coleção interessante de discos de vinil. No entanto, eles não têm trabalho. As notícias dizem agora que nossos hipsters, formados na universidade, estão se tornando dependentes de subsídios estatais. Eles gastam todo o seu tempo em cafeterias discutindo Renoir, Radiohead e Rousseau, mas compram sua comida com vale alimentação! Parece que caíram na armadilha de hipster.

O que está acontecendo é que esses jovens foram educados para rejeitar recompensas demoradas. São produtos da sociedade que glorificam a recompensa imediata. Querem trabalhos significativos… agora. Querem ser diretores de galerias de arte, professores, CEOs, diretores de ONGs, de cinema, criadores de Facebook, autores, atores e poetas. O que eles não percebem é que demanda uma porção de trabalho árduo ascender a essas profissões, a qualquer profissão, para dizer a verdade.

É por isso que temos que nos dar conta do valor do catolicismo para a nossa cultura. A fé católica, nesse sentido, nos ajuda de duas formas: a primeira é sobrenatural e a segunda, natural, temporal e social.

Primeiro, a teologia católica de esperar confirma que as honras e glórias deste mundo são vaidade das vaidades. Foi a fé o que levou o Imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, a abdicar do trono e viver os seus últimos dias em um obscuro monastério. Os pequenos e naturais prazeres desta vida não são dignos de ser trocados pela enorme bem-aventurança sobrenatural a ser alcançada na vida futura. Essa vida em si mesma é uma prolongada espera por algo melhor e além.

Segundo, a teologia de esperar, ou da "recompensa demorada", como a chamamos, não é de passividade. Você está ativo e esperando. Ao contrário da ideologia de hipsters fumando cigarros enrolados à mão e reclamando daquelas camisas sem graça pertencentes ao "um por cento", a teologia de esperar pede o sacrifício de agora para algo melhor depois. Por isso, se você deseja um trabalho significativo, ponha-se de pé e produza alguma coisa. Contribua. Ninguém se importa com o que você pensa ou sente, a menos que contribua com alguma coisa. Se for um artista, pode levar a você 20 anos para realmente vender algo. Se não é capaz de aceitar isso, não faça birra nem fique reclamando do mundo. Aprenda um pouco a esperar pela recompensa. Escreva as suas metas e conforme-se que é necessário um longo tempo para atingir objetivos importantes.

A contracepção exemplifica perfeitamente o desejo de nossa sociedade por gratificação imediata. Trata-se da ideia de que você pode ter descargas e mais descargas de prazer sem comprometer-se nem com uma pessoa (um ato de sacrifício), nem com uma gravidez (um ato maior de sacrifício), nem com educar uma pessoa humana por dezoito anos (um ato de imenso sacrifício).

De volta ao meu filho pela última vez. Desde o momento em que ele nasceu, ele vai mantendo o seu "limite de espera". Ele vai observar o "limite de espera" dos seus pais. Será que vivem de modo extravagante? Entram em dívidas para ter divertimentos agora? Fazem penitência? São hipócritas religiosos? Então ele começará a ver como o padrão do "limite de espera" se aplica a ele. Ele é autorizado a fazer birra quando não é imediatamente atendido? Vai perseverar nas tarefas domésticas? Vai concluir seu dever de casa? Vai manter o jejum eucarístico ou vai roubar um biscoito antes da Missa? Vai manter costumes simples, tais como não comer antes de rezar? Enfim, vocês captaram a ideia.

Se meu filho não aprender esse princípio católico da "recompensa demorada", então ele se vai transformar em quê? Vai se tornar um hipster dado à contracepção com um diploma de bacharel, esperando que um trabalho de 60 mil por ano lhe caia no colo. Infelizmente, ele vai ser um nada. Pior de tudo, ele não vai viver a vida abundante prometida por Cristo a quem tomar a sua cruz e O seguir.

É claro que não é fácil assumir essa teologia de esperar. É o ensinamento mais difícil do catolicismo. Como a bem-aventurada Virgem Maria disse a Santa Bernadette: "Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no próximo". Essas palavras podem parecer terríveis, mas são uma promessa real. Ninguém de nós será perfeitamente feliz nesta vida. Simplesmente não vai acontecer.

C. S. Lewis disse certa vez que, se Deus nos desse a felicidade perfeita nesta vida, seria injusto já que, assim, deixaríamos de procurar o próprio Deus. Santo Tomás de Aquino diria que é impossível encontrar felicidade de outro modo, já que nosso Summum Bonum não é outro senão o próprio Deus.

Por isso, não fique chateado porque as recompensas não lhe vêm de maneira imediata. Elas demoram, mas chegam. A vida não será perfeita. Abrace essa verdade. Ela é libertadora. Há alegria quando nos damos conta disso. Eis o versículo que resume muito bem tudo isso: "Pelo contrário, alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais exultar de alegria quando se revelar a sua glória" (1Pd 4, 13). E outro: "Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt 24, 13).

Por Taylor Marshall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas

  1. O autor fala de um fenômeno particular da sociedade norte-americana. A descrição que ele faz, no entanto, se aplica com muita precisão, por exemplo, à nossa classe de jovens universitários, mutatis mutandis.

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Motivos para odiar crianças?

Uma mãe e escritora francesa escreveu um livro apresentando “motivos para odiar crianças”. Nós, às portas do Natal, queremos apresentar uma razão, uma só e suficiente, para amá-las: o menino Jesus.

"Tenho motivos para odiar crianças": é o título de um polêmico testemunho, amplamente divulgado esta semana na Internet, da escritora francesa Corinne Maier, que diz arrepender-se de ser mãe.

Se o título impressiona pela franqueza, não espanta pela realidade a que faz referência. As famílias brasileiras, assim como em muitas outras partes do mundo, não querem mais ter filhos. Os homens e mulheres de nossa época dão prioridade às suas carreiras, a viagens de férias, a uma vida de maior conforto, em resumo. As crianças vêm muitas vezes como resultado de um "acidente" do destino, ao qual os pais fatalmente têm que se adequar. Se são frutos de um planejamento, normalmente só nascem depois do pós-doutorado, e somam um casal, quando muito.

Desse que é um comportamento bastante comum hoje em dia, até o ato público de "odiar crianças", vai evidentemente um caminho, senão longo, pelo menos considerável. Mas isso é por enquanto. Matérias como essa, soltas na Internet, funcionam como uma espécie de "navio quebra-gelo": sua pretensão é desfazer tabus para expor uma concepção de mundo que há muito tempo permeia as mentes das "classes falantes". Pouco a pouco elas vão disseminando o que realmente pensam a respeito de família e a respeito de filhos, em uma tentativa de legitimar intelectualmente aquilo que já está generalizado na prática. É questão de pouco tempo para que mais e mais pessoas externem o horror que têm à maternidade, à vida e aos bebês (e de menos tempo ainda para que apareçam no Fantástico, como sabemos).

Já tivemos a oportunidade de tratar, no entanto, esse tema da influência negativa que os meios de comunicação exercem no comportamento das pessoas. As telenovelas da Rede Globo ainda constituem o melhor exemplo de como essas coisas funcionam, pelo que queremos realmente deixar de lado esse assunto, pelo menos ao longo destas linhas.

Acreditamos que, na verdade, a melhor resposta para um texto que expõe "motivos para odiar crianças" é justamente apresentar as contrarrazões disso. Por que nós, enquanto cristãos, amamos crianças? Por que é tão natural, para uma civilização fundada sobre bases cristãs, o amor aos filhos que nascem?

A solução para essa pergunta não deve ser encontrada em uma explicação meramente biológica. O choque de ver uma mãe que despreza a sua prole é de cunho evidentemente natural, mas o desejo que os cristãos têm de povoar a terra e o afeto que cultivam para com seus filhos pequenos são de uma ordem superior — sobrenatural, poderíamos dizer. Sua origem é o Natal.

Talvez não tenhamos parado para meditar suficientemente nisso, mas, na festa que estamos prestes a celebrar, no dia 25 de dezembro, o que comemoramos, senão que o próprio Deus se fez menino, criança, para a nossa salvação? O Onipotente se revestiu da fragilidade de um bebê, o Rei do universo inteiro assumiu a forma do mais pequeno dos súditos, Aquele que sustenta todos os seres quis experimentar as mais básicas das necessidades — a de um seio que o amamentasse, a de uma mão que lhe revestisse o corpo, a de uma mãe que o acalentasse e a de um pai que o protegesse. Deus se fez plenamente humano, com todas as fraquezas de nossa condição, exceto o pecado (cf. Hb 4, 15).

Ninguém imagine que o menino Jesus, da manjedoura, refulgia como na "transfiguração", ou combatia dragões, como se fosse "o pequeno Hércules" da mitologia romana. Absolutamente, não. São Leão Magno afirma que os magos encontraram o divino infante "sem que se diferenciasse em nada do comum das outras crianças" [1]. Assim, se nos fosse dado contemplar, por alguns minutos, o aspecto daquele bebê, envolto em faixas numa gruta fria de Belém, certamente seríamos capazes de identificar o mesmo sorriso cativante dos nossos filhos e netos, o mesmo choro com que eles pedem de comer, a mesma sonolência com que vivem os seus primeiros dias neste mundo etc. Agiu deste modo o Senhor para não desacreditar a sua humanidade [2]; para mostrar aos magos e aos pastores que era efetivamente fazendo-se um de nós que Ele vinha redimir o seu povo; para ensinar que Deus, que nos criou sozinho, não nos queria salvar sem que cooperássemos com Ele. Não, não era uma "ilusão fantasmagórica" o que a Sagrada Família de Nazaré e as primeiras testemunhas de Cristo tinham diante dos olhos: verdadeiramente, caro salutis est cardo, a carne humana se tinha tornado o eixo da salvação [3]!

Ao mesmo tempo, porém, aqueles homens vindos do Oriente, ainda que vissem um homem, reconheceram a Deus: vident enim hominem, diz Santo Tomás de Aquino, agnoscunt Deum [4]. Os presentes que eles traziam eram adequados à dignidade de quem visitavam: "ouro, como a um grande rei; incenso, utilizado nos sacrifícios divinos, como a Deus; e mirra, com a qual são embalsamados os corpos dos mortos, indicando que iria morrer pela salvação de todos" [5]. Ainda que com os olhos da carne não vissem nada de magnífico naquela criança, os magos, satisfeitos com o testemunho da estrela que avistaram nos céus, realmente se prostravam diante daquele bebê, em ato de verdadeira adoração. Foram os primeiros pagãos a se converterem e confessarem, com os atos, que Jesus Cristo era "verdadeiro Deus e verdadeiro homem".

Esse mesmo mistério do Natal, da Divindade que se une à humanidade, do Eterno que toca a história, nós o vemos atualizado em cada nova vida que vem a este mundo. Como diz o próprio Senhor nos Evangelhos, "quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo" ( Mt 18, 5). Cada ser humano que é concebido, que é gerado graças ao amor de um casal, é um novo templo moldado por Deus e no qual Ele mesmo quer morar, com a sua graça santificante. No corpo inerme de cada bebê que vem a este mundo, está escondida uma alma imortal, uma alma que, batizada, participa da própria natureza divina (cf. 2Pd 1, 4). É isso o que as famílias celebram — ainda que nem sempre tenham plena consciência disto —, quando levam os seus filhos para serem batizados. Nas águas que se derramam sobre as suas cabeças, elas nascem de novo e, com isso, configuram-se perfeitamente ao menino Jesus, "nascido do Pai antes de todos os séculos" e da Virgem Maria, há pouco mais de dois mil anos.

É essa alegria, de propiciar nascimentos para o Céu, o que deveria estimular os casais a terem filhos! Só com uma visão sobrenatural e íntegra da realidade os seres humanos voltarão a ter um lugar especial no seio das famílias e da sociedade como um todo. Nós, católicos, não fazemos filhos "para que eles sofram neste mundo", como os antinatalistas gostam de dizer, mas para que eles sejam felizes na eternidade.

Quem, ao contrário, só é capaz de olhar para o próprio umbigo, naturalmente cede à "campanha da esterilidade" e pode chegar até mesmo ao absurdo de inventar "motivos para odiar crianças". Todos nós sabemos, no entanto, quais as razões do homem moderno para evitar filhos. Normalmente, não são justificativas, mas desculpas, e, ainda que sejam muitas, podem resumir-se em uma só palavra: egoísmo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. São Leão Magno, Serm. 34, de Epiphania 4, c. 3 (PL 54, 247).
  2. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 36, a. 4.
  3. Tertuliano, De carnis resurrectione, 8, 3: PL 2, 806.
  4. Suma Teológica, III, q. 36, a. 8, ad 4.
  5. São João Crisóstomo, Opus imperfectum in Matthaeum, 2, super 2, 11 (PG 56, 642).

| Categoria: Espiritualidade

O que as mortes repentinas nos ensinam

Nada mais certo que a morte e, ao mesmo tempo, nada tão incerto quanto a hora em que ela vem.

O Brasil e o mundo acordaram em choque no dia de hoje, 29 de novembro, com a trágica notícia do acidente aéreo envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense. A delegação do clube viajava para a Colômbia, onde disputaria um título sul-americano inédito. O avião que conduzia os jogadores e outros profissionais caiu próximo de Medellín. Segundo as autoridades colombianas, há mais de 70 mortos e apenas 5 sobreviventes.

Poucas palavras servem, na verdade, para um momento como este. Quanta dor não devem estar sentindo neste momento, especialmente os amigos e familiares mais próximos das vítimas! Por eles, por todos os que experimentaram nessa tragédia a perda de seus entes queridos, não nos esqueçamos de oferecer as nossas orações e, se possível, o nosso conforto. Também pelas almas desses jogadores que se vão, rezemos para que recebam de Deus o "repouso eterno" e sejam iluminados pela "luz perpétua", como pedimos na tradicional oração do Réquiem.

De nossa parte, é necessário que tiremos, desses fatos, lições para a nossa vida. Diferentemente dos homens, Deus se comunica conosco não só por meio de palavras e ações, mas também através dos acontecimentos da história.

Por isso, para ajudar-nos a fazer uma verdadeira meditação nesse sentido, nada melhor que recorrer à sabedoria de um doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, autor da excelente obra de espiritualidade "Preparação para a morte". Transcrevemos abaixo o capítulo 5.º desse livro, que fala sobre a "incerteza da hora da morte".


Incerteza da hora da morte

Santo Afonso Maria de Ligório

Estote parati, quia qua hora non putatis, Filius hominis veniet.
Estai prevenidos, porque na hora em que menos pensais virá o Filho do Homem (Lc 12, 40).

PONTO I

É certíssimo que todos devemos morrer, mas não sabemos quando. "Nada há mais certo que a morte, porém nada mais incerto que a hora da morte" [1]. Meu irmão, estão fixados ano, mês, dia, hora e momento em que terás que deixar este mundo e entrar na eternidade; porém nós o ignoramos. Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de estarmos sempre bem preparados, nos disse que a morte virá como um ladrão, oculto e de noite: Sicut fur in nocte, ita veniet (1Ts 5, 2). Outras vezes nos exorta a que estejamos vigilantes, porque, quando menos o esperamos, virá Ele a julgar-nos: Qua hora non putatis, Filius hominis veniet (Lc 12,40). Diz São Gregório que Deus nos oculta, para nosso bem, a hora da morte, a fim de que estejamos sempre preparados para morrer: De morte incerti sumus, ut ad mortem semper parati inveniamur [2]. A morte pode levar-nos em qualquer momento e em qualquer lugar; por isso, se queremos morrer bem e salvar-nos, é preciso, diz São Bernardo que a estejamos esperando em qualquer tempo ou lugar: Mors ubique te exspectat; tu ubique eam exspectabis [3].

Ninguém ignora que deve morrer; mas o mal está em que muitos vêem a morte a tamanha distância que a perdem de vista. Mesmo os anciãos mais decrépitos e as pessoas mais enfermas não deixam de alimentar a ilusão de que hão de viver mais três ou quatro anos. Eu, porém, digo o contrário. Devemos considerar quantas mortes repentinas vemos em nossos dias. Uns morrem caminhando, outros sentados, outros dormindo em seu leito. É certo que nenhum deles julgava morrer tão subitamente, no dia em que morreu. Afirmo, ademais, que de quantos no decorrer deste ano morreram em sua própria cama, e não de repente, nenhum deles imaginava que devia acabar sua vida neste ano. São poucas as mortes que não chegam inesperadas.

Assim, pois, cristão, quando o demônio te provoca a pecar, com o pretexto de que amanhã confessarás, dize-lhe: Quem sabe se não será hoje o último dia da minha vida? Se esta hora, se este momento, em que me apartasse de Deus, fosse o último para mim, de modo que já não restasse tempo para reparar a falta, que seria de mim na eternidade? Quantos pobres pecadores tiveram a infelicidade de ser surpreendidos pela morte ao recrearem-se com manjares intoxicados e foram precipitados no inferno? Sicut pisces capiuntur hamo, sic capiuntur homines in tempore malo: "Assim como os peixes caem no anzol, assim são colhidos os homens pela morte num momento ruim" (Ecle 9, 12). O momento ruim é exatamente aquele em que o pecador ofende a Deus. Diz o demônio que tal desgraça não nos há de suceder; mas é preciso responder-lhe: E se suceder, que será de mim por toda a eternidade?

Afetos e súplicas

Senhor, não é este o lugar em que me devia achar agora, mas sim no inferno, tantas vezes merecido por meus pecados: Infernus domus mea est ( 17, 13). Mas São Pedro me adverte que "Deus nos espera com paciência e amor, não querendo que ninguém se perca, mas que todos se convertam à penitência" (2Pd 3, 9). Por isso, meu Deus, tivestes paciência extremada para comigo e me suportastes. Não quereis que me perca, mas que, arrependido e penitente, me converta a Vós. Sim, meu Senhor, retorno a vós, prostro-me a vossos pés e peço misericórdia. Para me perdoardes, Senhor, é preciso grande e extraordinária misericórdia, porque vos ofendi com pleno conhecimento do que fazia. Outros pecadores também vos ofenderam, mas não dispunham das luzes que me outorgastes. Apesar disso, mandais que me arrependa de minhas culpas e espere o vosso perdão. Pesa-me, meu querido Redentor, de todo o coração de vos ter ofendido e espero o perdão pelos merecimentos de vossa Paixão. Ó meu Jesus, que sois inocente, que quisestes morrer qual réu na cruz e derramar todo o vosso sangue para lavar minhas culpas! O sanguis innocentis, lava culpas poenitentis: "Ó sangue inocente, lavai as culpas de um penitente!"

Ó Pai Eterno, perdoai-me por amor a Cristo Jesus! Atendei-lhe as súplicas agora que, como meu advogado, intercede por mim. O perdão, porém, não me basta, ó Deus digno de amor infinito; desejo ainda a graça de amar-vos. Amo-vos, ó Soberano Bem, e vos ofereço para sempre meu corpo, minha alma, minha vontade, minha liberdade. Doravante, não só quero evitar as ofensas graves, mas também as mais leves, e fugir de toda a má ocasião. Ne nos inducas in tentationem. Livrai-me, por amor de Jesus, de toda ocasião em que possa ofender-vos. Livrai-me do pecado, e castigai-me depois como quiserdes. Aceito todas as enfermidades, dores e perdas que vos aprouver enviar-me, contanto que não perca vosso amor e vossa graça. Petite, et accipietis: Prometestes dar tudo que vos for pedido (Jo 16, 24). Rogo-vos que me concedais somente a perseverança e o vosso amor.

Ó Maria, Mãe de misericórdia, rogai por mim, que confio em vós!

PONTO II

O Senhor não nos quer ver perdidos. Por isso, com ameaça de castigo, não cessa de advertir-nos que mudemos de vida. "Se não vos converterdes, vibrará sua espada" (Sl 7, 13). Vede — diz em outra parte — quantos são os desgraçados que não quiseram emendar-se, e a morte repentina os surpreendeu quando não esperavam, quando viviam despreocupados, julgando terem ainda muitos anos de vida: Cum dixerint pax, et securitas, tunc repentinus eis superveniet interitus (1Ts 5, 3). Disse-nos também: "Se não fizerdes penitência, todos haveis de perecer" (Lc 13, 5). Por que tantos avisos do castigo antes de infligi-lo, senão porque quer que nos corrijamos e evitemos morte funesta? Quem dá aviso para que nos acautelemos, não tem a intenção de matar-nos — diz Santo Agostinho [4].

É mister, pois, que preparemos nossas contas antes que chegue o dia do vencimento. Se durante a noite de hoje devesses morrer, e ficasse decidida assim a tua salvação eterna, estarias bem preparado? Quanto não darias, talvez, para obter de Deus a trégua de mais um ano, um mês, um dia sequer! Por que agora, já que Deus te concede tempo, não pões em ordem tua consciência? Acaso não pode ser este teu último dia de vida? "Não tardes em te converter ao Senhor, e não o adies, porque sua ira poderá irromper de súbito e no tempo da vingança te perderás" (Ecle 5, 7). Para salvar-te, meu irmão, deves abandonar o pecado. "E se algum dia hás de abandoná-lo, por que não o deixas desde já?", pergunta Santo Agostinho [5]. Esperas, talvez, que chegue a morte? Mas esse instante não é tempo do perdão, senão da vingança. "No tempo da vingança, te perderás".

Se alguém te deve soma considerável, tratas de assegurar o pagamento por meio de obrigação escrita, firmada pelo devedor, dizendo: Quem sabe o que pode suceder? Por que, então, deixas de usar da mesma precaução, tratando-se da alma, que vale muito mais que o dinheiro? Por que não dizes também: quem sabe o que pode ocorrer? Se perderes aquela soma, não estará ainda tudo perdido e ainda que com ela perdesses todo o patrimônio, ficaria a esperança de o poder recuperar. Mas se, ao morrer, perdesses a alma, então, sim, tudo estaria irremediavelmente perdido, sem esperança de recobrar coisa alguma. Cuidas em arrolar todos os bens de que és possuidor, com receio de que se percam quando sobrevier morte repentina. E se esta morte imprevista te achasse na inimizade para com Deus? Que seria de tua alma na eternidade?

Afetos e súplicas

Ah! meu Redentor, derramastes todo o vosso sangue, destes a vida para salvar minha alma, e eu, quantas vezes a perdi, confiando em vossa misericórdia! Abusei de vossa bondade para vos ofender; mereci, por isso, que me deixásseis morrer e precipitásseis no inferno. Estamos, pois, como que numa competição. Vós usando piedade comigo, eu vos ofendendo; vós a correr para mim, eu fugindo de vós; vós, dando-me tempo para reparar o mal que pratiquei, eu, valendo-me desse tempo para acrescentar injúria a injúria. Senhor, fazei-me conhecer a grandeza das ofensas que vos fiz, e a obrigação que tenho de amar-vos.

Ah! meu Jesus! Como podeis amar-me ao ponto de ir à minha procura, quando eu vos repelia? Como cumulastes de tantos benefícios a quem de tal modo vos ofende? De tudo isto vejas quando desejais não me ver perdido. Arrependo-me de ter ultrajado a vossa infinita bondade. Aceitai, pois, esta ovelha ingrata que volta a vossos pés. Recebei-a e ponde-a aos ombros para que não fuja mais. Não quero apartar-me de vós, mas amar-vos e pertencer-vos inteiramente. E desde que seja vosso, gostosamente aceitarei qualquer trabalho. Que desgraça maior poderia afligir-me do que viver sem vossa graça, afastado de vós, que sois meu Deus e Senhor, que me criou e que morreu por mim? Ó malditos pecados, que fizestes? Induzistes-me a ofender a meu Salvador, que tanto me amou.

Assim como vós, meu Jesus, morrestes por mim, assim deverei eu morrer por vós. Morrestes pelo amor que me tendes. Eu deverei morrer de dor por vos ter desprezado. Aceito a morte como e quando vos aprouver enviá-la. Mas, já que até agora pouco ou nada vos hei amado, não quisera morrer assim. Dai-me vida para que vos ame antes de morrer. Para isso, renovai meu coração, feri-o, inflamai-o com o vosso santo amor. Atendei-me, Senhor, por aquela ardentíssima caridade que vos fez morrer por mim. Amo-vos de toda a minha alma. Não permitais que vos perca. Dai-me a santa perseverança. Dai-me o vosso amor.

Maria Santíssima, minha Mãe e meu refúgio, sede minha advogada!

PONTO III

"Estai preparados" — O Senhor não disse que nos preparemos ao aproximar-se a morte, mas que estejamos preparados. No transe da morte, nesse momento cheio de perturbação, é quase impossível pôr em ordem uma consciência embaraçada. Isto nos diz a razão. Nesse sentido Deus também advertiu-nos, dizendo que não virá então perdoar, mas vingar o desprezo que fizéssemos da sua graça (Rm 12, 19). "Justo castigo — disse Santo Agostinho — para aquele que não quis salvar-se quando pôde; agora, quando quer, não o pode" [6]. Dirá todavia alguém: Quem sabe? talvez nesse momento me converta e me salve. Mas quem é tão néscio e se lança num poço dizendo: Quem sabe? atirando-me, talvez fique com vida e não morra? Ó meu Deus, que é isto? Quanto o pecado cega o espírito e faz perder até a razão! Quando se trata do corpo, os homens falam como sábios, e como loucos, quando se trata da alma.

Meu irmão, quem sabe se esta reflexão que lês será o último aviso que Deus te envia? Preparemo-nos sem demora para a morte, a fim de que não nos encontre de improviso. Santo Agostinho disse que o Senhor nos oculta a última hora da vida com o fim de que todos os dias estejamos preparados para morrer: Latet ultimus dies, ut observentur omnes dies [7]. São Paulo nos previne que devemos procurar a salvação não só temendo mas tremendo: Cum metu et tremore vestram salutem operamini (Fl 2, 12). Conta Santo Antonino que certo rei da Sicília, para manifestar a um particular o grande medo com que se sentava no trono, o fez sentar à mesa com uma espada suspensa sobre sua cabeça por um fio delgado, de sorte que o convidado, vendo-se nessa terrível situação, mal podia levar à boca uma migalha de alimento. Todos estamos em semelhante perigo, já que dum instante para outro pode cair sobre nós a espada da morte, resolvendo o negócio da eterna salvação [8].

Trata-se da eternidade. "Se a árvore cair para o norte ou para o sul, em qualquer lugar onde cair aí ficará" (Ecle 11,3). Se na morte nos acharmos na graça de Deus, qual não será a alegria da alma vendo que tudo está seguro, que já não pode perder a Deus e que, para sempre, será feliz? Mas, se a morte surpreende a alma em estado de pecado, que desespero se apoderará do pecador ao dizer: "Então erramos" (Sb 5, 6), e para minha desgraça já não há remédio em toda a eternidade! Foi este receio que fez exclamar o bem-aventurado João de Ávila, apóstolo da Espanha, quando lhe anunciaram a aproximação da morte: "Oh! se tivesse um pouco mais de tempo para me preparar para a morte!" [9]. Foi por isso que o abade Agatão, ainda que morresse depois de haver exercido a penitência durante muitos anos, dizia: "Que será de mim? Quem conhece os juízos de Deus?" [10] Também Santo Arsênio tremia à vista da morte e, perguntando-lhe os seus discípulos a causa, respondeu: "Meus filhos, já não é novo em mim esse temor: tive-o sempre, em toda a minha vida" [11]. Mais que ninguém tremia o Santo Jó, dizendo: "Que será de mim quando Deus se levanta para me julgar, e que lhe direi se me interrogar? ( 31, 14).

Afetos e súplicas

Ó meu Deus! Quem me tem amado mais do que vós? E quem vos desprezou e ofendeu mais do que eu? Ó sangue, ó chagas de Cristo, sois minha esperança! Pai Eterno, não olheis meus pecados. Fitai as chagas de Jesus Cristo; contemplai vosso Filho muito amado, que morre de dor por mim e vos implora que me perdoeis. Pesa-me do íntimo de minha alma, meu Criador, de vos ter ofendido. Criastes-me para que vos ame, e vivi como se me tivésseis criado para vos ofender. Pelo amor de Jesus Cristo, perdoai-me e dai-me a graça do vosso amor.

Se outrora resisti à vossa santa vontade, agora já não quero resistir, mas fazer tudo o que me ordenais. Ordenais que deteste os ultrajes que voz fiz: detesto-os de todo o coração. Ordenais que me resolva a não vos tornar a ofender; pois bem, faço o firme propósito de antes perder mil vezes a vida do que a vossa graça. Ordenais que vos ame de todo o coração; pois bem, de todo o coração vos amo e a nada quero amar senão a vós. De hoje em diante, sereis o único amado de minha alma, o meu único amor. Peço-vos o dom da perseverança, e de vós o espero obter. Pelo amor de Jesus Cristo, fazei com que vos seja sempre fiel e possa dizer com São Boaventura: "Um só é meu amado; um só é meu amor". Não quero que minha vida sirva para vos desagradar, senão para chorar as ofensas que vos fiz e para vos amar muito.

Ó Maria, minha Mãe, intercedei por todos os que a vós se recomendam e rogai também a Jesus por mim!

Referências

  1. Essa citação, atribuída por Santo Afonso a um autor antigo de pseudônimo "Idiota", encontra-se ipsis litteris em um opúsculo de autor incerto intitulado De excellentia SS. Sacramenti et de dignitate sacerdotum, "Sobre a excelência do Santíssimo Sacramento e a dignidade dos sacerdotes" (PL 184, 991).
  2. Moralia in Iob, l. 12, c. 38, n. 43 (PL 75, 1006).
  3. Meditationes piissimae de cogn. hum. conditionis, c. 3, n. 10 (PL 184, 491).
  4. Sermo 22, c. 3, n. 3 (PL 38, 150).
  5. Cf. Confessiones, l. 8, c. 12, n. 28 (PL 32, 762); Possidius, Vita S. Augustini, c. 27 (PL 32, 57).
  6. De libero arbitrio, l. 3, c. 18, n. 52 (PL 32, 1296).
  7. Sermo 39, c. 1, n. 1 (PL 38, 241).
  8. Summa theol., pars IV, tit. 14, c. 8, par. 3 (IV, Veronae 1740, col. 818).
  9. Mugnos L., Vita dell'apostolico predicatore il P. M.o Giovanni d'Avila, l. 3, c. 23 (Milano 1667, 400-401).
  10. Cf. Vitae Patrum, l. 3, n. 161 (PL 73, 793).
  11. Cf. Vitae Patrum, l. 3, n. 163 (PL 73, 794).