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Qual o problema de governantes sem filhos?

Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

Por Juan Manuel de Prada — Após a vitória de Macron na França, um amigo me convida a refletir sobre um fato de não pequena importância: trata-se de um governante sem filhos — de mais um governante europeu sem filhos —, assim como a alemã Angela Merkel, assim como a britânica Theresa May, assim como o holandês Mark Rutte, assim como o italiano Paolo Gentiloni, assim como o sueco Stefan Löfven, assim como o luxemburgûes Xavier Bettel, assim como muitos outros mandatários europeus, incluído o nobilíssimo Jean-Claude Juncker.

Poder chamar com plena propriedade a todas estas personagens uma récua de mulas nos causa, por certo, uma enorme satisfação; mas, além disso, resulta ser muito inquietante que os governantes europeus sejam em sua maioria "filhos sem filhos". Não parece insignificante que os encarregados de velar pelo futuro da Europa e assegurar o porvir de nossos filhos sejam pessoas que decidiram permanecer estéreis.

O pensamento político clássico, ao explicar as obrigações do príncipe com respeito aos súditos, comparava-as com as de um pai com respeito aos filhos. O príncipe estava obrigado a zelar pelos súditos com a mesma diligência exigida de um pai de família, defendendo-os ao ponto de derramar o próprio sangue; e os súditos, por sua vez, estavam obrigados a prestar-lhe a obediência afetuosa e leal que um bom filho deve a seu pai.

Este cuidado amoroso que o príncipe devia a seus súditos encontrava sua melhor escola na própria instituição monárquica, que não à toa se fundamentava na continuidade familiar. Sempre que o príncipe tinha um filho, seus súditos celebravam o acontecimento com alvoroço, pois, além de garantir um sucessor, assegurava o porvir dos filhos de seus súditos, aos quais não faltaria um outro príncipe que os protegesse.

Ora, os governos do nosso tempo já não se baseiam na continuidade familiar; no entanto, que os governantes tenham ou não filhos não é uma questão ociosa. Como escrevia o cronista Juan de Lucena, em louvor a Isabel, a Católica: "Em tudo o que os reis façam, seja bom ou mau, procuramos imitá-los. Quando jogava o rei, tínhamos todos o vício do jogo; agora, como estuda a rainha, tornamo-nos todos estudiosos".

Com efeito, em meio ao inverno demográfico que vem assolando a Europa, seria alentador que os europeus pudessem olhar no espelho de alguns governantes que, com seu exemplo, convidam à procriação.

Há algo de muito grave ocorrendo quando um continente que atravessa a etapa mais próspera de sua história, que dispõe de meios para combater doenças e prolongar a vida, que parece ter-se livrado da ameaça das guerras, pragas e catástrofes que, em outras épocas, dizimaram sua população, nega-se, apesar de tudo, a gerar descendência.

Algo muito grave está acontecendo quando cada vez mais europeus se recusam a criar uma nova geração (ao mesmo tempo em que clamam farisaicamente contra a invasão muçulmana) e, não satisfeitos com isso, elegem governantes que os ratificam nesta decisão suicida.

A Europa tornou-se vítima do que Solzhenitsyn chamava uma "sanha de automutilação": o umbiguismo consumista, o egoísmo parasitário, o tédio vital de um continente que se afoga na náusea de sua própria esterilidade mereciam, de fato, que os governasse esta récua de mulas. E poderíamos perguntar-nos também, à luz do pensamento político clássico, se os "filhos sem filhos" são mesmo os mais idôneos para assumir tarefas do governo, para oferecer seu cuidado amoroso e lutar pelo futuro de nossos filhos.

A Europa não apenas carece de recursos morais para manter sua civilização; ela nem sequer possui governantes que a estimulem a prolongar sua existência. Talvez tenha chegado a hora de fechar a banca e esperar que cheguem os bárbaros.

Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Saiba o que têm em comum os principais líderes da Europa

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Merkel, Macron, Gentiloni e Theresa May?

O que têm em comum os líderes de Alemanha, França, Itália e Inglaterra, as quatro maiores potências econômicas da Europa? O que une Angela Merkel, Emmanuel Macron, Paolo Gentiloni e Theresa May?

Muitas coisas, sem dúvida, mas os quatro compartilham uma peculiaridade bastante significativa: nenhum deles tem filhos biológicos. A eles somam-se ainda o sueco Stefan Löfven e o primeiro-ministro holandês Mark Rutte.

A coincidência é extraordinária, especialmente com a onda de crise demográfica que vive a Europa, seguida de um envelhecimento acelerado da população. A pergunta é se, em igualdade de condições, importa ou não que os governantes das nações não sejam pais. Nós sabemos bem que, de acordo com a linha de pensamento oficial (politicamente correta), chamar a atenção para essa particularidade é ser "machista", "heteronormativo" e "odioso" — e a patrulha habitual sempre procura dissuadir-nos de notar o anômalo.

Por outro lado, não poucas pessoas fazem notar que o fato de não terem família permite a nossos representantes centrar-se mais intensamente nos assuntos públicos, sem preocupações alheias que os distraiam e sem as tentações de nepotismo que normalmente supõe uma descendência numerosa.

Nas redes sociais, porém, onde ainda subsistem (talvez não por muito tempo) pessoas que fogem da férrea ortodoxia que amordaça o jornalismo "de prestígio", alguém assinalou que não ter descendência supõe um menor interesse pessoal na posteridade — uma análise que me pareceu, também, bastante razoável.

Assim também pensa o filósofo alemão Rüdiger Safranski. "Para aqueles que não têm filhos, pensar em termos de gerações futuras é irrelevante", ele escreve. "É por isso que essas pessoas se comportam e se vêem cada vez mais como se fossem os últimos, como se estivessem situados no final da cadeia humana". E, se há uma mentalidade que agrava hoje todos os nossos problemas ao ponto de torná-los quase insolúveis, é essa mentalidade concentrada no curto prazo.

Quase tudo que aparentemente nos sobrevém como uma enchente ameaçando soterrar-nos é consequência do fato de as pessoas não pensarem mais além dos próximos poucos anos que virão. O próprio sistema de mandatos eleitorais, constantes de 4 e 5 anos, incentiva nos políticos, cuja meta primordial é exercer o poder e manter-se nele, a urgência de "tapar buracos" e, sobretudo, de evitar todo e qualquer sacrifício que, ainda que seja aconselhável para o futuro, possa traduzir-se, no horizonte imediato, em uma derrota eleitoral. Cite-se o que quiser: a falência programada da Previdência Social e do Estado de bem-estar social, de modo geral; a imigração massiva com o risco certo de substituição cultural e conflitos que vão muito além do mais trabalhoso de todos, que é o terrorismo; a desaceleração da inovação e criação de novas empresas (um trabalho que costumam empreender mais os jovens que os de idade avançada) etc.

O fato é que a cultura do imediato, mesmo que reforçada pelos mecanismos desse sistema, está absolutamente instalada em nossa mentalidade. E em nada se faz tão evidente esse suicídio gradual como no fato de não nos reproduzirmos. Não há sequer um país de peso no Ocidente que tenha filhos acima do nível de substituição — o mínimo para que se mantenha uma população, sem crescer nem diminuir — e, na imensa maioria dos casos, as nações se movem em médias das quais, advertem os demógrafos, nenhuma civilização na história conseguiu recuperar-se jamais.

A infertilidade dos líderes não passa, portanto, de um reflexo dos ventres da Europa. Se Merkel não tem filhos, 30% das mulheres alemãs tampouco os têm, e o número chega a 40%, no caso das que se graduaram nas universidades. O caso na Alemanha é de tal modo alarmante que a Ministra da Defesa, Úrsula von der Leyen, declarou recentemente que, a menos que as alemãs mudem essa tendência e comecem a gerar filhos, o país está prestes a "apagar as luzes".

Talvez, porém, o caso mais significativo e de maior atualidade seja o do recém-nomeado presidente da República Francesa, Emmanuel Macron. Aquilo que tanto alarma os franceses, e que levou Marine Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais, nomeadamente a islamização da França, não tira minimamente o sono do novo presidente. Mas Macron não precisa temer que seus descendentes vivam em uma França muçulmana, já que ele não deixa nenhum.

Sim, em meio a este vazio demográfico, é evidente quem herdará o continente europeu, e definitivamente não são os mesmos cujos valores o construíram. Os muçulmanos entendem muito melhor que nós como se ganha o jogo da história: o líder turco Erdogan animou recentemente os seus compatriotas na Alemanha a terem "cinco filhos" e os clérigos islâmicos não deixam de urgir os seus fiéis a que façam o mesmo.

O choque cultural que negam nossos líderes irresponsáveis é para os líderes muçulmanos uma razão chave para se prepararem com a melhor arma que se conhece (e de que eles já dispõem): a população.

Por Candela Sande — Fonte: Actuall | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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A visão do inferno, Fátima e os pecados da carne

Depois de mostrar o inferno aos três pastorinhos, Nossa Senhora de Fátima disse que “vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão”.

Por Pete Baklinksi — Cem anos atrás, três crianças pastoras em Portugal tiveram uma visão do inferno que as horrorizou tanto a ponto de pensarem que fossem morrer. Viram elas "um grande mar de fogo" onde iam mergulhados "os demônios e as almas" que, em vida, se tinham oposto a Deus e aos seus caminhos. Eles eram "como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas", "que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam", "caindo para todos os lados", "entre gritos e gemidos de dor e desespero".

Foi Nossa Senhora de Fátima quem mostrou às crianças a visão aterrorizante do inferno, lugar "para onde vão as almas dos pobres pecadores". Disse-lhes ainda a Virgem que "vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão".

Os cristãos sempre entenderam os pecados da carne como aquelas ações que constituem um mau uso ou um abuso da sexualidade enquanto dom de Deus. As relações sexuais foram criadas por Ele para serem entre um homem e uma mulher, unidos um ao outro no fiel, exclusivo, permanente e fecundo relacionamento do Matrimônio. Pecados contra o dom da sexualidade incluem a contracepção, o adultério, a fornicação, a prostituição, a pornografia, a imodéstia no vestir, a masturbação e a homossexualidade. Alguns pecados da carne às vezes podem dar origem a outros pecados sérios, como o aborto, e levar também à infidelidade, ao fracasso matrimonial e ao divórcio.

O pior de tudo, entretanto, é que os pecados da carne destroem o nosso relacionamento com Deus, já que o pecador, quando opta por eles, rejeita o plano divino para a sexualidade e dá as costas, em última instância, ao próprio Deus.

E por que se condenam ao inferno mais almas pelos pecados sexuais que por qualquer outro pecado? Talvez pela facilidade que há em se cair neles, especialmente na cultura de hoje, em que o sexo é glorificado como a principal fonte da felicidade humana.

Como pai de sete crianças, que se preocupa com a salvação dos próprios filhos, assusta-me observar as mentiras sexuais com que a cultura de hoje tem tentado envenenar meus filhos. Desde a mais tenra idade, centros educacionais querem expô-los aos pecados da carne em cursos de educação sexual, ensinando-lhes como aumentar o prazer sexual consigo mesmo (masturbação) ou com outros (fornicação, homossexualidade), e removendo, ao mesmo tempo, o propósito reprodutivo da atividade sexual (contracepção e aborto). A indústria do entretenimento quer iniciá-los nos pecados da carne, especialmente os mais velhos, bombardeando-os com conteúdo sexual explícito (pornografia, roupas imodestas) — além de manter os adultos viciados nos pecados da carne, oferecendo-lhes mais do mesmo. Os governos ao redor do mundo têm se servido até mesmo de sua autoridade política para resguardarem na lei certos pecados da carne, fazendo com que seja ilegal falar contra eles e alertar as pessoas sobre os seus perigos (homossexualidade).

Como repórter atuante nas linhas de frente do movimento pró-vida, e que enxerga tudo o que está acontecendo, todos os dias, na batalha pela vida e pela família, eu às vezes tenho que me perguntar com quem e por quem realmente estou a lutar. É muito fácil cair na armadilha de pensar que minha luta é contra provedores de aborto, contra o lobby homossexual ou contra governos corruptos, os quais, ainda que sejam capazes e responsáveis por fazer muito mal, não constituem o inimigo verdadeiro. Eles são apenas pessoas, como todos nós, incluindo eu, que preciso ser salvo do inferno.

Apraz-me particularmente quando São Paulo escreve que "a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço" (Ef 6, 12). É o diabo e a sua legião de anjos caídos que encaminham homens e mulheres, pelos pecados da carne, para o fogo do inferno.

A irmã Lúcia dos Santos, uma das videntes de Fátima, que viveu muito mais que os outros dois pastorinhos, escreveu certa vez uma carta ao Cardeal Carlo Caffarra e nela falou sobre a batalha final entre Deus e Satanás. "O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio", ela escreveu. "Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo. No entanto, Nossa Senhora já lhe esmagou a sua cabeça."

Aqueles que lutam pela vida, pelo Matrimônio e pela família devem lembrar, por ocasião do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, que a derradeira batalha consiste em salvar as almas do inferno. Isso significa salvar tanto os escravos dos pecados sexuais quanto os que lucram com eles, o aborteiro, o produtor pornográfico, o dono do bordel.

Nossa Senhora de Fátima convidou as crianças a ajudarem as almas por meio da oração e do sacrifício. A vidente mais nova, Jacinta Marto, ficou tão comovida com a visão do inferno, e com o fato de que ela podia fazer alguma coisa para impedir as pessoas de irem para lá, que começou a fazer sacrifícios pela salvação das almas. Ela não bebia água para que pudesse oferecer a sua sede. Ela doava o seu lanche da tarde para que pudesse oferecer a sua fome. Ela usava uma corda áspera, amarrada na cintura e roçando contra a sua pele, para que pudesse oferecer o seu desconforto.

A mensagem de Nossa Senhora sobre a realidade do inferno, assim como o exemplo que nos oferecem essas crianças, mostrando o que podemos fazer para impedir as pessoas de irem para lá, é algo que toda pessoa lutando pela vida e pela família precisa levar a sério. A oração ensinada às crianças deve estar constantemente em nossos lábios: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem."

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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A castidade é para os idiotas?

Através da graça, os castos participam na comunhão do homem com Deus. Isso não é uma forma apenas de ganhar o Céu, mas de vivê-lo aqui e agora. Só um mundo ao avesso consideraria isso uma coisa para idiotas.

A castidade, que já foi considerada uma virtude, é tida nos dias de hoje como uma coisa para idiotas. Os que querem acabar com ela descrevem seu fim como uma vitória da vida e do amor. Mas a verdade é justamente o oposto disso.

Um mundo impuro é um mundo morto e absorvido pelo egoísmo. Ao subordinar a natureza procriativa do sexo a propósitos recreativos, uma sociedade incasta vai sempre produzir filhos indesejados: em um lugar assim, o aborto não é opção, mas uma solução necessária. O "direito" que as pessoas recém descobriram de viver a própria sexualidade não pode ser livremente exercido sem que se afaste o direito dos filhos à vida. Que esses direitos sejam incompatíveis, deveria ser algo a acender-nos o alerta: algo errado está a se passar.

Não que viver a nossa sexualidade não seja, de fato, o mais básico dos direitos: perseguir esse caminho significa buscar a própria vida. Mas esses direitos, e a vida para a qual conduzem, não estão baseados em desejos eróticos, senão na verdadeira natureza de nossa sexualidade. Por isso, viver a castidade significa redimir a própria sexualidade, dando-lhe verdadeiro sentido e restaurando o direito que toda criança tem à vida e ao amor.

Para entender tudo isso, é necessário resgatar a sexualidade indefinida de hoje das nuvens sempre inconstantes do desejo, restaurando o seu significado objetivo. Independentemente da espécie, a nossa natureza sexual pertence, por definição, à biologia da criação da vida. Atos aparentemente sexuais que contrariem, portanto, a sua natureza inerentemente procriativa, não são atos sexuais de verdade. Isso incluiria tanto a relação sexual com contracepção, quanto atos intrinsecamente inférteis, tais como a sodomia e a masturbação. Sem abertura para a propagação da vida, atos assim não passam, na verdade, de aberrações da sexualidade. Considerá-los de outra forma significaria separar a sexualidade de uma definição ou sentido. Só apartada dessas aberrações a sexualidade pode ter restaurado o seu papel criador de vida. Olhando para a vida biológica, percebemos que nossa sexualidade é ao mesmo tempo procriativa e unitiva: é essa combinação inseparável que nos distingue do reino animal e nos torna verdadeiramente humanos.

A sexualidade se torna unitiva quando aceita a sua natureza procriativa. Ao aceitar a responsabilidade do poder de criar vida, o "eu" dá lugar ao "nós". Olhando para o filho que pode gerar, o homem verá cada mulher como uma mãe daquele filho. Ele verá a necessidade que ela tem de ser amada como mulher, como mãe. Um homem ama todas as mulheres quando leva uma vida que ajuda cada mulher a experimentar a maternidade no momento e no lugar certos. Amando toda mulher, então, ele ama toda criança, vendo a necessidade que todas as crianças têm de pais que se amem, uns aos outros, pela vida. Assim, também toda mulher deve ver, em cada homem, um pai e, por trás de cada homem, uma criança. Sem esse reconhecimento mútuo do potencial para serem pais e mães, a natureza inerentemente unitiva de nossa sexualidade se perde. É a procriação que produz a união.

Quando o ato sexual é designado como ato conjugal, fica reconhecida essa unidade inseparável. Uma vida casta honra essa definição, direciona-se propiciamente à formação de uniões matrimoniais e requer que vivamos interligados como homens e mulheres, como pais e mães em potencial. Na realização plena de nossa sexualidade, nós acolhemos toda criança ainda por nascer como digna do nosso amor. A castidade não é a vocação apenas de homens e mulheres solteiros, mas de todos os homens e mulheres. A meta para todos é ter filhos que sejam gerados no amor. Viver castamente é participar na alegria de cada criança que é concebida.

Isso não é abstinência, mas um chamado ao êxtase. Em Deus Caritas Est, Bento XVI nos fala do êxtase "não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus". A castidade é um ato de comunhão que traz todos os homens e mulheres para a união com Deus e para a alegria da própria criação. Sua natureza unitiva reúne todas as coisas em uma comunhão de amor, não simplesmente do homem e da mulher, mas a comunhão última com o próprio Céu, aqui e agora. Chamar isso de mera abstinência é um reducionismo absurdo.

No entanto, o absurdo reina nos dias de hoje. Ao mesmo tempo em que condena a castidade como um fardo arcaico, a Revolução Sexual segue condenando as pessoas à escravidão e à morte. Aborto, crianças abandonadas e famílias destruídas não são meros acidentes, mas o resultado natural de uma sexualidade separada de sua natureza criadora. O estilo de vida que se propaga não é estilo de vida coisa nenhuma, senão "estilo de morte", uma rejeição da vida. Oferece um paraíso falso de autorrealização, ao mesmo tempo em que destrói a comunhão do "nós" em favor do grito de guerra do "eu". Atrás do falso paraíso mora o inferno do egocentrismo. A Revolução Sexual é simplesmente um convite para começar a viver o inferno aqui e agora.

E a resposta a essa falsa sexualidade chama-se castidade: o único e verdadeiro estilo de vida, voltado para a vida. A maioria de nós, no entanto, vê a castidade como uma vida de negação. Talvez o problema não esteja com a castidade, no fim das contas, mas com o modo como a enxergamos. O mau ladrão provocou Jesus na cruz: "Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e também a nós!" Só o que ele via era a dor sem propósito algum. Mas, olhando para o mesmo homem pendendo da mesma cruz, o bom ladrão viu, além da dor, o próprio paraíso: "Senhor, lembra-te de mim…" Um ladrão viu Jesus sem a graça. O outro viu Jesus através da graça. Da mesma forma, nós podemos ver a vida casta sem a graça, como uma dor sem propósito, ou podemos vê-la através da graça, como um convite para participar na alegria da criação. O primeiro olhar diminui e amarga, enquanto o segundo nos atrai para o Céu, um Céu que se estende por toda a eternidade.

A escolha entre o Céu e o inferno está bem diante de nós. Hoje nós enfrentamos uma escolha entre um estilo de vida que rejeita a vida e um que a abraça. A castidade rejeita o inferno narcisista da falsa sexualidade e preenche o Céu vinculado à natureza da verdadeira sexualidade. Através da graça, os castos participam na comunhão do homem com Deus, vivendo a sua sexualidade radicalmente e no êxtase da entrega de si mesmo. Isso não é menos, é mais. Não é uma forma apenas de ganhar o Céu, mas de vivê-lo aqui e agora. Só um mundo ao avesso consideraria isso uma coisa para idiotas.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Eleições e anticristianismo na França

Nesta despretensiosa análise política e histórica, saiba como a hostilidade à religião, e à fé católica em particular, está influenciando as eleições presidenciais na França.

Por Jean Duchesne [*] — No dia seguinte à vitória de François Fillon nas primárias republicanas da França, em novembro do ano passado, o título do jornal de esquerda Libération era: "Socorro, Jesus está voltando!" A razão para essa chamada de aflição? Fillon era conhecido como um católico praticante, marido fiel (aspecto nada comum entre os políticos contemporâneos) e visitante regular da Abadia de Solesmes, símbolo da restauração religiosa supostamente neomedieval e "reacionária" do século XIX. Pior, ele era apoiado por muitos dos militantes que organizaram, em 2013, as espetaculares e massivas (ainda que sem sucesso) manifestações contra a legalização do "casamento" gay — la Manif pour tous.

Olhando retrospectivamente, o "pedido de socorro" do jornal Libération, longe de causar pânico entre os secularistas, o que fez foi anunciar a determinação deles de acabar com a candidatura de Fillon. Dentro de semanas, ele foi acusado pela imprensa de fazer o que a maioria dos políticos, em todos os partidos, fazem: colocar a mulher e os filhos, que trabalhavam duro para ele, em cargos assalariados — o que é ilegal apenas se, de fato, nenhum trabalho é realizado. Um promotor público foi rapidamente apontado pelo governo socialista, e de maneira previsível, para acusar o líder da oposição conservadora. As acusações permanecem abertas, para dizer o mínimo. Não houve relatório algum nem de instituições públicas nem de instituições privadas que tivessem pago salários a membros da família Fillon. Detalhes da investigação preliminar foram vazadas para a mídia, que depois acrescentou novas acusações.

Fillon reconheceu que contratar membros de sua família tinha sido imprudente, e desculpou-se por isso. Mas ele foi incapaz de se desvincular das suspeitas de desonestidade. Antes do escândalo, ele estava em primeiro lugar nas pesquisas para a presidência da França; depois de tudo, ele caiu para o terceiro lugar, ficando atrás de Le Pen e do centrista Emmanuel Macron — e fora do segundo turno.

A acusação de corrupção contra Fillon não foi apenas um golpe político sujo. Foi também um ato motivado por ideologia, e reflete a hostilidade ao Cristianismo presente em vários círculos onde a religião em geral, e a fé católica em particular, é vista como uma doença infantil. Essa não é a ideia só de marxistas meio arrependidos, ainda ansiosos para protestar contra "o ópio das massas", ou de outros adeptos da esquerda materialista. A aversão ao Cristianismo também pode ser encontrada na extrema direita política, com o seu misticismo avesso ao amor e à misericórdia, e entre centristas cuja moderação assimila a fé ao fanatismo religioso.

Marine Le Pen, a candidata populista da Frente Nacional, também é acusada de incluir membros do seu partido na folha de pagamento do Parlamento Europeu, no qual ela detém um mandato eletivo. Apesar disso, ela não foi ferozmente perseguida como Fillon. Uma das razões é que ela aparentava ser, de acordo com as previsões da grande mídia, uma ameaça menor que o candidato republicano. Mas a razão principal por que a mídia caçou Le Pen com menos ferocidade que Fillon é que ela não é considerada uma inimiga do "progresso" na área de maior importância para as pessoas "iluminadas": a assim chamada liberação sexual. Le Pen já se divorciou por duas vezes e é simpatizante da causa gay. Ela não se comporta nem se define como uma boa católica.

A hostilidade à Igreja não é algo novo na França. Alguns historiadores chegam a dizer que o país nunca foi evangelizado por completo. Missões nas províncias foram necessárias até o século XIX, quando o secularismo crescente forçou o clero a se retirar para posições defensivas. Depois do batismo de Clóvis, rei dos francos, pelo bispo São Remígio de Reims, em 496 (considerado o ano de nascimento da nação), a Igreja tendia a confiar no poder real, proporcionando à monarquia, em retorno, uma aura de sacralidade (algumas vezes contrária ao Papa, em tempos de "galicanismo") e súditos obedientes. A aliança fundante entre o trono e o altar foi desafiada, primeiro durante a Reforma (quando aristocratas protestantes ameaçaram a união nacional, conquistada com suor pelos reis durante a Idade Média), e depois mais seriamente nos séculos XVII e XVIII, com a ascensão da burguesia, a nova classe de mercadores abastados.

A Revolução Francesa não faz sentido sem o preexistente peso dos novos ricos na sociedade e o seu ódio tanto ao regime quanto à Igreja. Porque eles não eram autorizados a frequentar a classe alta (como foi o caso da Inglaterra, por exemplo), os novos ricos financiavam intelectuais do livre pensamento. Esses escritores produziram histórias, peças e panfletos que espalharam entre as classes mais baixas a noção de que a pobreza e a fome eram devido à ordem social injusta mantida pela religião oficial. Em setembro de 1792, uma gangue invadiu o convento de Paris, quando centenas de padres e monges foram detidos como "inimigos da nação" e assassinados. Essa gangue, evidentemente, não tinha vindo do nada. Tampouco a multidão que aplaudia enquanto freiras inofensivas eram guilhotinadas sem motivo, a não ser os seus votos religiosos.

Napoleão, que inesperadamente emergiu do caos revolucionário, comprou a paz ao reconhecer o Catolicismo como "a religião da maioria dos franceses". Mas ele também concedeu reconhecimento oficial a judeus e protestantes, a fim de melhor mantê-los sob o seu controle. Isso fez com que fosse fácil, para os secularistas que tomaram o poder um século depois, denunciar e revogar a Concordata que ele havia assinado com a Santa Sé. É claro que, desde a Revolução, o clero e o seu rebanho tinham sido notavelmente persistentes em apostar nos cavalos políticos errados. Eles apoiaram todos os sucessivos regimes do século XIX, antes de se voltarem contra os mesmos, ora por serem muito autoritários, ora por serem muito liberais: sucessivamente, o império napoleônico, uma monarquia restaurada e então menos absolutista, uma segunda república, um segundo império…

Depois que um enfraquecido Napoleão III perdeu, em 1870, a guerra que os prussianos lhe tinham armado, os católicos prefeririam uma segunda restauração, mas uma terceira república, baseada nos ideais da Revolução de 1789, finalmente prevaleceu no voto popular. Eles se recusaram a aceitar isso (ainda que o Papa Leão XIII lhes aconselhasse o contrário), e a separação do Estado e da Igreja, em 1905, foi facilitada por duas crises simultâneas: os católicos estavam mais uma vez do lado errado no caso Dreyfus, que rachou o país no meio, e a repressão da exegese e da teologia "modernistas" passava a ideia de que a fé era incompatível com a razão e a ciência.

Como eram patriotas, os católicos franceses lutaram na Primeira Guerra Mundial, ignorando o Papa Bento XV; mas eles continuaram perdendo terreno político e cultural, até que os alemães voltassem em 1940 e implantassem o regime antissemita de Vichy, que muitos do clero e do laicato acolheram, mais uma vez erroneamente. Eles não gostavam muito de De Gaulle (ainda que ele fosse um deles) e foram lentamente marginalizados após a Segunda Guerra Mundial, conforme o crescimento econômico e a urbanização minavam as estruturas rurais da Igreja, e Marx, Nietzsche e Freud se tornavam os novas referências intelectuais, confirmando que o Cristianismo estava condenado.

Em décadas recentes, a crença de que o Catolicismo não só está fora de moda, como também é nocivo, vai baseada em questões mais sexuais que políticas. A modernidade considera que suas lutas pelo divórcio, pela contracepção e pelo aborto definitivamente ganharam, e agora busca impor a aceitação de todos os tipos de atividade sexual em nome dos direitos das minorias. Nestas circunstâncias, a Igreja é mais do que nunca a inimiga.

A maioria dos cidadãos franceses não são ativamente hostis ao Cristianismo. Eles são simplesmente indiferentes a uma religião que conhecem pouco e cada vez menos. Mas existem uns quantos lobbies efetivos ansiosos para desacreditar a Igreja. Essa pressa para eliminar a religião agora vai de encontro ao imprevisto da expansão islâmica, que nega formalmente a irreversibilidade da secularização. Mas isto não é razão para poupar a fé católica, já que ela não consegue controlar o fanatismo islâmico e continua sendo um alvo mais fácil.

A França não é uma exceção entre nações que já foram cristãs. O ódio anticlerical fez milhares de homicídios no México e durante a Guerra Civil Espanhola. E a recusa da União Europeia em reconhecer quaisquer raízes espirituais para o continente mostra que o anticristianismo não está limitado ao militantes dogmáticos, mas vai espalhado também entre as elites "iluminadas" do Velho Mundo.

Circunstâncias como essas não justificam o pessimismo. Artistas cristãos de renome mundial podem até sentir falta do apoio de uma civilização onde a fé era onipresente e provia um ambiente favorável e uma fonte de inspiração. Mas Igrejas nacionais em apuros, não menos que as triunfantes, também produzem missionários, santos e teólogos. Na França, a ascensão do secularismo durante o ano 1900 coincidiu com Santa Teresinha de Lisieux e as conversões de Péguy, Claudel e Maritain. O totalitarismo do século XX coexistiu com Bernanos, de Lubac, Daniélou, Congar e Bouyer. Alguns dos filósofos franceses mundialmente conhecidos de hoje (Jean-Luc Marion, Rémi Brague) também são católicos. Ou seja, a Igreja gera frutos também quando é incompreendida e desprezada. Ela não será aprovada por unanimidade até o final dos tempos. É essa uma das lições da Cruz de Cristo.

Fonte: First Things | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

Nota do Tradutor

[*] A análise histórica apresentada no texto não reflete necessária e integralmente, em todas as suas particularidades, a opinião do Padre Paulo Ricardo ou da equipe do site. Esse texto foi escolhido para tradução principalmente pela atualidade do tema e pela perspicácia em apontar o anticristianismo notável não só nas eleições francesas, mas em qualquer corrida política que aconteça hoje, em qualquer lugar do mundo. A leniência para com os atentados ao direito natural, a "fobia" midiática diante de candidatos religiosos ou conservadores e, por fim, as lições do autor para uma Igreja cada vez mais confinada às sacristias, são aspectos que todos podemos aproveitar, desse texto, para a nossa própria situação política e espiritual.


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“Como cientista, posso afirmar que a homossexualidade não é inata”

Sem medo de enfrentar o “politicamente correto” e ser tachado de “homofóbico”, este especialista assegura: é possível sim a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

O dr. Jokin de Irala, médico e investigador da Universidade de Navarra, explica que a exclusão desta conduta do manual de doenças da APA ocorreu por simples votação. Questiona o fato de que todos os que criticam o fenômeno sejam considerados homofóbicos. O médico, mestre em saúde pública e especializado em afetividade e sexualidade humana, assinala nesta entrevista a necessidade de transpor para o plano científico o debate sobre a homossexualidade. Irala afirma que a homossexualidade é um desenvolvimento inadequado da identidade sexual e assegura que é possível a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

– Há alguma prova científica de que se nasce homossexual?

– Como cientista, diria que a homossexualidade se produz, não é inata, decididamente. Deve-se dizer que, de fato, não existe nenhuma evidência científica que apoie a teoria genética da homossexualidade ou que ela possa ser inata. Os especialistas em homossexualidade que trabalham em associações científicas como a NARTH nos EUA (Associação Nacional de Investigação e Terapia da Homossexualidade) afirmam que se trata de um desenvolvimento inadequado da identidade sexual. Por isso, deveríamos pelo menos aceitar que o debate científico sobre este tema possa continuar existindo.

– De onde vem a corrente de pensamento que afirma que é uma opção sexual normal?

– Esta ideia de que uma pessoa nasce homossexual tem a sua origem nos anos 70, quando os ativistas da homossexualidade nos EUA fizeram muito lobby para que a APA, que é a Associação Americana de Psiquiatras, excluísse o tema do manual de classificação de doenças. Assim, realizaram uma votação da qual participaram 25% dos membros e cujo resultado foi de 69% favoráveis à exclusão da homossexualidade dessa lista. Que eu saiba, este é o único caso na medicina em que foi decidido se algo é uma doença ou não por meio de uma simples votação de quem assiste a uma reunião. É como se na sociedade espanhola de endocrinologia fosse realizada uma votação para decidir, a favor ou contra, se a obesidade é um problema de saúde. Isto não tem precedentes. O que precisa ser feito é analisar o problema com estudos científicos.

– Trata-se de uma conduta que pode ser alterada?

– Há dados científicos, estudos publicados em revistas científicas que mostram que a homossexualidade pode, sim, ser alterada com uma terapia adequada, inclusive nos EUA há associações de ex-gays. Muitos deles protestam porque dizem que estes grupos de ativistas não deixam que se saiba que a mudança é possível. E não só não deixam que se saiba como não admitem que alguém possa livremente pedir ajuda. Há, por exemplo, o caso de um juiz de Lombardia (Itália) que declarou ilegal tratar a um homossexual, mesmo que ele o peça livremente. Isto é inacreditável. É um atentado contra a autonomia do paciente.

– Em que se baseiam?

– Afirmam que a terapia é quase uma tortura, traumática, com choques elétricos. No entanto, não tem nada a ver com isto. O tratamento é basicamente psicoterapia. Ora, não se pode impedir que as pessoas decidam livremente pedir ajuda. E é preciso dizer que hoje se utiliza o termo AMS para identificar a atração por pessoas do mesmo sexo, porque uma coisa é alguém se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo, outra é que alguém, por causa dessas atrações, acabe tendo relações sexuais de tipo homossexual. O fato de que uma pessoa se sinta atraída não significa, de modo nenhum, que seja homossexual. De fato, hoje em dia, com o ambiente pró-homossexual que nos rodeia e com a cultura que existe, há muitos casos de jovens que simplesmente se sentem confusos e pedem ajuda.

– E quais seriam as causas desta conduta?

– Há diversas causas possíveis, mas parece que a maioria dos casos de homossexualidade se deve à falta de identificação dentro da família com a figura do homem ou da mulher. Tornou-se muito comum a imagem do pai autoritário, passivo, ausente da vida de um rapaz que talvez seja sensível e perfeccionista. Ou de uma mãe muito possessiva do ponto de vista emocional. Este é um dos principais caminhos que conduzem à homossexualidade.

– Há outras?

– Outro caminho, que se cruza e junta a este, é que aquele rapaz sensível, por exemplo — e não há problema nenhum em sê-lo —, é rejeitado na escola pelos outros meninos por causa dessa sensibilidade. Esta rejeição pode levar a uma diminuição de sua autoestima como homem e, por conseguinte, quando chegar à puberdade, a uma orientação homossexual. Outra causa é a conhecida ambiguidade da identidade sexual nos adolescentes. É normal que um adolescente, menino ou menina, possa ter dúvidas sobre a própria identidade sexual, mas essa ambiguidade, se bem conduzida, acaba fortalecendo a identidade masculina ou feminina dos jovens, não traz problemas, leva à heterossexualidade. O problema atual é que esta situação tem sido mal administrada e o que se diz a esse jovem é que "saia do armário".

– Existem problemas de saúde ligados à homossexualidade?

– Sim, a atividade sexual de tipo homossexual acarreta problemas de saúde, alguns dos quais são específicos. Além dos problemas associados à promiscuidade sexual e às infecções de transmissão sexual, que também ocorrem entre heterossexuais promíscuos, existem problemas associados à utilização dos órgãos sexuais sem levar em conta que, por seu próprio "desenho", eles estão orientados à complementaridade entre homem e mulher.

– Por que, apesar dos dados científicos, se continua negando o problema?

– Há muitas razões. A primeira é que há desinformação. Muitos profissionais não dispõem desses dados e apenas utilizam o manual da APA. Sem contar as ideologias, os interesses econômicos e também a realidade do medo. Há profissionais que sabem disto, mas o preço que têm de pagar por afirmá-lo é muito caro. Se na Espanha um psiquiatra anunciasse que é terapeuta da homossexualidade, o lógico seria que lhe queimassem a porta do consultório, podendo acabar sem clientes.

– Qual seria o ponto de equilíbrio?

– O equilíbrio está em reivindicar um respeito incondicional por todas as pessoas com sentimentos homossexuais. Seria necessário compatibilizar a ciência com o respeito pela liberdade; deve ser possível o debate científico sobre o tema. Deve haver a possibilidade de que eu, como cientista, possa dar a minha opinião sobre a homossexualidade sem que me acusem de homofóbico só porque tenho uma postura contrária à das organizações gays.

– Há também muito de sentimentalismo neste tema…

– Efetivamente. Por isso é preciso separar este assunto do sentimento e do afeto. Há quem diga: "O meu filho homossexual é uma boa pessoa e eu o amo". É claro que sim, está certo, mas isso não tem nada a ver com o que estamos discutindo. Não é uma questão de ser boa ou má pessoa, não é uma questão de sentimento. Pode-se amar muito a um filho homossexual; agora, isso não quer dizer que não se possa opinar que se trata de um problema e que existe, além disso, uma solução possível. É como se o debate sobre a diabete fosse sobre se os diabéticos são boas pessoas; ora, isto é levar a discussão para o campo dos sentimentos.

– No entanto, há o receio de discriminar.

– É claro que a discriminação é uma barbaridade, mas isso não quer dizer que haja o direito de adotar, por exemplo. Não se podem confundir as coisas, este é outro problema. O problema é que hoje se quer tachar de homofóbica qualquer pessoa que simplesmente não opine na linha do homossexualismo político.

Fonte: Katehon | Tradução: Senza Pagare | Adaptação: Equipe CNP

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Todas as carreiras são boas, desde que...

Não existem ocupações impossíveis. Só uma consciência pura e o amor do trabalho podem tornar uma vida feliz, e muitas vezes é justamente isso que falta às pessoas.

Como se preparar para escolher uma profissão? O que se deve ler? Que línguas aprender? Esses são questionamentos comuns na juventude, que tendem a causar angústia ou até mesmo desespero no jovem, especialmente naquele que carece de exemplos sólidos e firme direcionamento.

Quantas dúvidas e inseguranças podem experimentar as almas jovens! São como pequenos navios que estão começando a enfrentar o mar. Por isso, é tão necessário que esses navios pequenos e frágeis, nas tempestades da primavera da vida, tenham uma mão vigorosa que aponte o leme na direção certa.

É nesse sentido que a editora Molokai nos brinda com o livro A Boa Educação, de Tihamer Toth (ou Dom Tihamer Toth, como o chamaríamos), bispo húngaro que empenhou sua vida na boa formação dos jovens. Essa obra é um verdadeiro guia para a juventude moderna que tem suas dificuldades pessoais agravadas pela crise educacional e moral que enfrentamos em nossa civilização. Essa crise acaba por produzir jovens desencorajados, desanimados em relação ao futuro, incapazes de tomar decisões definitivas, reféns da cultura do provisório. O bispo Toth vem ajudar o jovem a tomar consciência do seu chamado e da sua dignidade, a fazer bom uso da sua liberdade e a discernir a melhor forma de agir na circunstância dada.

A Boa Educação é o primeiro livro que a editora Molokai publicou para a coleção Tihamer Toth. Visite a página da editora e conheça outros excelentes títulos para a sua formação pessoal e para a educação dos seus filhos.

A seguir, tornamos disponível um capítulo dessa obra, intitulado "Todas as carreiras são boas". Trata-se de uma ótima reflexão para os jovens à procura de uma ocupação profissional.

Quero ainda dar-lhe um conselho: não pense exclusivamente em uma carreira. Isso o faria infeliz no caso de ter de abandoná-la. Em muitos casos, são as circunstâncias exteriores que decidem a carreira dos jovens. Por exemplo: quer ser engenheiro, mas seu pai tem um escritório de advogado bem conhecido: é mais prudente que siga a carreira dele. Deseja ser médico, mas seu pai tem uma farmácia que será seu legado: então é melhor que seja farmacêutico. Quer ser professor, mas seus pais têm uma bela propriedade em terras: os estudos agrícolas estão, pois, plenamente indicados.

No fundo, importa pouco que desenvolva a sua atividade em tal ou tal carreira, pois em toda parte pode, como é o seu dever, ter pensamentos elevados; e é o principal. Com quadros e flores, pode tornar-se bonito, ou ao menos suportável, o aposento mais triste; assim, também pode embelezar com pensamentos ideais uma carreira que foi obrigado a abraçar contra a vontade. Sabedoria profunda oculta-se nas palavras de São Francisco Xavier: "Quando a gente não pode fazer o que quer, deve contentar-se com querer só o que pode".

Pode ser que tentem dissuadi-lo de uma carreira: "Ah! Meu amigo, nunca seja isso nem aquilo: eu conheço o ofício! Escolha outra carreira, não importa qual, contanto que não seja essa!"

É a linguagem dos que falharam na vida. Toda carreira é boa, se está de acordo com você. Os que não estão satisfeitos com a profissão que livremente escolheram queixam-se porque conhecem bem as dificuldades e os desgostos dela, mas não souberam apreciar os prazeres; das outras carreiras, só veem as vantagens e delícias sem prestar atenção às dificuldades. A outra margem do rio parece-nos sempre mais bela do que a que pisamos.

Não nego que haja vidas realmente fracassadas; a maioria, porém, dos que dizem que poderiam ter sido muito mais felizes noutra profissão, são eles próprios a causa da sua infelicidade. Seriam igualmente inquietos, descontentes e inconstantes em outra ocupação. Só uma consciência pura e o amor do trabalho podem tornar uma vida feliz, e muitas vezes é justamente isso que falta. Esses melancólicos vencidos na vida, que gemem sob o peso dos deveres cumpridos sem gosto, poderiam aliviar muito o seu trabalho se vissem nele o cumprimento da vontade de Deus e do seu destino terrestre, um meio de merecer a vida eterna, e não apenas uma ganha-pão.

Seja qual for a carreira que escolher, pode sempre se preocupar com a salvação de sua alma e com o bem do próximo — é este, afinal de contas, o negócio decisivo! Toda carreira pode ser vista pelo seu lado ideal: é o que deve guiá-lo na escolha. Que venha a ser negociante, economista, médico ou funcionário público, afinal de contas pouco importa. Digo que é o mesmo porque, em qualquer carreira, pode-se cumprir a tarefa fixada pelo Eterno a toda vida humana: glorificar a Deus e trabalhar para o bem do próximo.

Toda carreira, portanto, é boa, se escolhida por vocação, e em toda parte podem assegurar-se os interesses imortais da própria alma: achará ótima prova na vida dos santos. Entre os santos da Igreja, não achamos só eclesiásticos, padres e religiosas, mas gente de todas as ocupações. Santo Estêvão era rei, São Hermenegildo, príncipe, São Roque, mendigo, São Cesário, médico, São Martinho, soldado, São Paulo, camponês, Santa Zita, criada, Santo Ivo, advogado, São Cassiano, professor primário, São João Câncio, professor de universidade, etc.

Aceito uma única exceção: nunca se torne padre se o coração não disser, e só as circunstâncias exteriores pareçam obrigá-lo. Mas não deixa tampouco que algum obstáculo o afaste deste caminho, se para ele sentir vocação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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A beleza feminina salvará o mundo

A beleza feminina salvará o mundo, e muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte.

Por Carrie Gress — Há uma figura de linguagem muito conhecida de Dostoiévski que diz que "a beleza salvará o mundo". Esse famoso ditado russo é comumente utilizado para se referir à beleza encontrada nas artes materiais. Com isso, a música, a arquitetura e a estatuária são adequadamente medidas por suas habilidades salvíficas, particularmente em como elas conduzem uma alma de volta para Deus. Há, entretanto, uma peça do quebra-cabeça que ainda precisa ser revelada quando se considera o papel que tem a beleza na salvação do mundo: as mulheres.

O desejo de ser ou estar bela está profundamente enraizado na alma da mulher. A cada ano, nos Estados Unidos, as mulheres gastam cerca de $11 bilhões em cirurgias plásticas, $24 bilhões em tratamentos com a pele (estéticos), $18 bilhões em maquiagens, $38 bilhões em tratamento capilar, $15 bilhões em perfumaria e algo entre $20 e 45 bilhões em tratamentos para perda de peso. A mulher comum passa 17 anos de sua vida fazendo dietas. Ao mesmo tempo em que podemos zombar de tudo isso com o Eclesiastes e dizer: "Vaidade das vaidades!" (Ecle 1, 2), talvez haja algo mais profundo ligado a isso do que a simples vaidade. E se Deus colocou esse desejo em nossos corações por uma razão? Porque, de fato, até a menor das garotinhas dirá que deseja ser tão bonita quanto uma princesa. Isso não é apenas condicionamento cultural, mas algo universal que se encaixa perfeitamente no coração feminino.

Enquanto revisava meu livro, The Marian Option: God's Solution to a Civilization in Crisis ["A opção mariana: solução de Deus para uma civilização em crise"], a ser lançado em maio de 2017, em cada aparição de Maria que encontrei, a pessoa que afirmava ter visto Nossa Senhora sempre se referia a ela como a mulher mais bonita que ela já vira. Inicialmente, achei esse detalhe bastante mundano — é claro que Nossa Senhora é belíssima —, até que finalmente me toquei da maior importância escondida em sua beleza. Sim, a beleza de Maria é importante porque é a expressão exterior de sua perfeição integral, indicando a beleza para a qual foram criadas todas as mulheres. A Virgem Maria não foi a única mulher criada para ser bela.

Pode parecer banal esta ideia — que as mulheres são chamadas a ser como Maria —, mas o significado por trás dela é rico, amplo e relevante para a vida de cada mulher. Maria tem sido chamada pelos santos como a "ponte" ou a "escada" que liga o Céu e a Terra. E cada mulher é chamada a ser uma ponte entre sua família e o Céu. As mulheres são chamadas a incendiar a chama do divino nas almas dos homens e dos filhos que elas amam. São chamadas a revelar o melhor do amor de Deus e a oferecer, aos que estão à sua volta, os caminhos para encontrar esse amor. O Cristianismo está cheio de santas mulheres, tais como Santa Mônica, Santa Helena, Santa Cecília e inúmeras outras, que conduziram seus maridos, filhos e filhas a abraçarem a fé — até mesmo às últimas consequências do martírio.

Quem quer que folheie uma revista feminina hoje em dia ficará com a distinta impressão de que a beleza se destina exclusivamente ao superficial: fascinar os homens, impressionar os amigos ou esconder as marcas do tempo. A noção de que a beleza deve apontar para além da própria coisa, em direção à fonte de toda beleza — que é o Criador —, está muito, muito distante. Essa beleza vazia faz com que as mulheres se pareçam com "sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro cheios de ossos e de todo tipo de imundície" (Mt 23, 27). Podemos dedicar 17 anos de nossas vidas a dietas para o exterior, mas quanto tempo nós dedicamos ao interior, fortalecendo a alma? Será que estamos nos fazendo a pergunta: "Eu tenho uma alma bela?", ou até mesmo: "O que é uma alma bela?"

Para responder parcialmente a essa última questão, podemos nos voltar para o que os homens dizem a respeito das mulheres (quando não estão com medo de revelar o que eles realmente pensam). Temos milênios de poesia, música e literatura revelando o que há na alma feminina que move os homens: desde Salomão, passando por Dante e Petrarca, até as composições líricas atuais. Em muitas delas, não encontraremos nada que combine com as qualidades as quais nossa cultura ensina as mulheres a perseguir e valorizar. Trata-se, no entanto, do tipo de qualidades que podem salvar o mundo: paz, paciência, acolhimento, presença e perseverança no amor. E não são justamente essas as qualidades da bela e bondosa Beatriz, que inspirou e guiou Dante através de sua odisseia, A Divina Comédia?

Chegar à verdadeira beleza é uma daquelas qualidades irônicas que povoam os antigos contos de estórias — e ela surge quando menos se espera. A mulher verdadeiramente bela sabe que seu verdadeiro objetivo não é uma beleza superficial. E só os homens sábios reconhecem que essa mulher existe e vale a pena ser buscada. Infelizmente, tais mulheres não são fáceis de se encontrar. Como resultado, os homens são deixados com substitutas que podem até saciar brevemente o corpo, mas nunca satisfarão a alma.

Sim, a beleza feminina salvará o mundo muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte. Não se encontra ela, de fato, nem nas cirurgias plásticas, nem nas dietas, nem no creme facial; tampouco na sedução, no sarcasmo, no cinismo, no narcisismo, na ambição gananciosa ou no poder — como nossa cultura tenta nos fazer acreditar. Ela está simplesmente em nos doarmos amorosamente pelos outros — coisa que pode não ser sempre gloriosa, mas será sempre bela.

Fonte: National Catholic Register | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere