| Categoria: Educação

Não dê um smartphone ao seu filho

Não conceda aos produtores pornográficos o acesso que eles tanto procuram aos seus filhos.

Por Jonathon van Maren | Depois de passar quatro dias em um encontro de combate à exploração sexual, na cidade de Houston, no Texas, minha mente está exausta. Assistimos a palestras sobre neurociência, tráfico humano, abuso sexual, exploração infantil e muito mais. Também assistimos a muitas, muitas palestras, sobre o veneno que tem se infiltrado em todos os lugares, alimentando o estupro, destruindo relacionamentos, debilitando os homens e obliterando a infância: a pornografia.

Ainda escreverei muito mais sobre o que aprendi, mas, por enquanto, gostaria de fazer aos pais um breve apelo, que praticamente todos os palestrantes fizeram e eu faço questão de repetir: não dê um smartphone ao seu filho.

Parece loucura imaginar que, uma década atrás, smartphones eram incomuns. Muitas pessoas sequer tinham um celular em mãos. Agora, de acordo com a premiada jornalista e escritora Nancy Jo Sales — autora de American Girls: Social Media and the Secret Lives of Teenagers —, praticamente todas as interações sociais (e sexuais) dos adolescentes foram canalizadas para os pequenos e frenéticos aparelhos que eles carregam consigo para onde quer que vão. Isso tem feito crescerem o cyberbullying, o consumo e a produção de pornografia e até mesmo o suicídio e a exploração sexual entre jovens. Adolescentes — e crianças — são puxados para dentro das redes sociais, do Facebook ao Instagram, do Snapchat a outra meia dúzia de aplicativos desconhecidos, onde as interações e os conteúdos são selecionados apenas pelas crianças que os acessam, livres de qualquer supervisão dos pais ou adultos.

Os adolescentes sabem que isso está tornando as suas vidas miseráveis. As meninas com quem conversou a jornalista Nancy Sales também lhe contaram isso. Mas elas também revelaram não ter saída. Como hoje a maior parte da vida das pessoas se passa online, optar por sair é como escolher o isolamento voluntário. As "moedas de troca" geralmente envolvem imagens de nudez, sexo explícito ou "selfies" — e, cada vez mais, também isso deixou de ser opcional.

Os pais são incapazes de controlar esse novo mundo dos adolescentes. Em muitos casos, eles sequer conseguem penetrar o seu interior. É por isso que um pai ficou tão perplexo quando sua filha se enforcou depois de um adolescente cruelmente publicar um vídeo seu tomando banho no Snapchat — aquela tinha sido, na verdade, a primeira vez em que o pai, desolado, ouviu falar de "Snapchat". Para os pais que desejam resgatar os seus filhos da "selva da Internet" ou poupá-los do sofrimento que está devastando milhões de pessoas, há algumas alternativas. Diálogo honesto e conversas francas. Fiscalização atenta do uso das redes sociais. Programas especiais e filtros de Internet em todos os aparelhos de tecnologia.

Mas, por hoje, eu gostaria de indicar apenas uma coisa: não dê um smartphone ao seu filho.

Esse conselho tem me tornado bastante impopular em alguns ambientes. Um dia desses, durante apresentação em uma escola, um adolescente me cumprimentou com sarcasmo: "Então você é aquele que disse aos meus pais que eu não deveria ter um celular". Mas isso é essencial. As crianças e a maior parte dos adolescentes não precisam de um celular com acesso à Internet. Eles não precisam de acesso ininterrupto aos sites de mídia social que os submetem mais à influência de seus colegas que à de seus pais. Eles não precisam da pressão social que inevitavelmente — inevitavelmente — advém da entrada em um mundo com novos padrões e novas "moedas de troca". E, acima de tudo, eles não devem ter acesso a toda a pornografia que a web pode oferecer, a todo esse material sujo criando novos e destrutivos modelos de comportamento — modelos com os quais toda a juventude, para além dos Estados Unidos, está começando a se conformar, seja por pressão, por violência ou por escolha própria.

Escutei dezenas de histórias nesse fim de semana, de pais que se surpreenderam encontrando os seus filhos assistindo a pornografia pesada em seus smartphones. Crianças com idade menor que a média de primeira exposição a pornografia, que costumava ser 11 anos. Agora são 9. Essas crianças, em alguns breves momentos de espanto e terror, têm roubada a sua inocência. Seus mundos mudam por completo naquele momento. Elas não podem "desver" o que viram. Elas sequer deveriam ter acesso a isso, para começo de história.

Por isso, não coloque um smartphone na mão do seu filho.

Eu entendo que os adolescentes tendem mais a precisar realmente de um celular. Meus pais me compraram um telefone celular quando eu tirei a carteira de habilitação — não para que eu interagisse com meus amigos e entrasse na Internet, mas para que eles entrassem em contato comigo e eu tivesse um meio de me comunicar quando estivesse fora, essas coisas. Meus primeiros celulares não tinham acesso à Internet, e eu não perdi nada com isso. Confesso que às vezes gostaria que meu telefone atual também não tivesse Internet, porque eu sou culpado, juntamente com esta geração, de desperdiçar tempo no meu telefone quando poderia estar fazendo alguma coisa (qualquer coisa, na verdade) mais produtiva. Mas, quando adolescentes precisam de um telefone, mesmo assim eles não precisam de um telefone com acesso à Internet. Um telefone que lhes permita fazer ligações e mandar mensagens é bom o suficiente. Eles não precisam estar constantemente conectados às redes sociais, não precisam de Snapchat (um aplicativo que pode arruinar vidas em questão de segundos) e eles definitivamente não devem ter acesso à pornografia selvagem com a qual quase inevitavelmente irão se deparar.

Não dê aos produtores pornográficos o acesso que eles tanto procuram aos seus filhos. Eles sabem que crianças e adolescentes são mais propensos a encontrar pornografia em seus celulares, e é por isso que eles fizeram um esforço gigantesco nos últimos anos para criar material pornô que pudesse ser visto e transmitido via aparelhos móveis. Eles sabem como chegar aos seus filhos: por meio de um smartphone.

Não dê um ao seu filho.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Educação, Papa Francisco

Terrível que as crianças aprendam gênero nas escolas, diz o Papa

“Deus criou o homem e a mulher”, disse o Papa Francisco. “Ele criou o mundo de um jeito, e nós estamos a fazer o contrário.”

Em encontro com os bispos polacos, durante recente viagem apostólica à Polônia, o Papa Francisco voltou a condenar a teoria de gênero, chamando-a uma vez mais de "colonização ideológica". O Santo Padre expressou sua preocupação especial pelas crianças, que aprendem desde cedo nas escolas que "cada um pode escolher" o próprio sexo. "Questo è terribile", ele disse.

A reunião durante a qual veio a sua declaração se deu a portas fechadas na Catedral de Wawel, em Cracóvia, na quarta-feira da semana que marcou a celebração da Jornada Mundial da Juventude, no dia 27 de julho.

O Santo Padre respondia a uma questão relativa aos refugiados na Europa, quando fez uma valiosa digressão acerca do problema das ideologias:

"Aqui gostaria de concluir com um aspecto concreto, porque por detrás dele estão as ideologias. Na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, na África, nalguns países da Ásia, existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas – digo-a claramente por 'nome e apelido' – é o gender! Hoje às crianças – às crianças! –, na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo. E por que ensinam isto? Porque os livros são os das pessoas e instituições que te dão dinheiro. São as colonizações ideológicas, apoiadas mesmo por países muito influentes. E isto é terrível. Em conversa com o Papa Bento – que está bem e tem um pensamento claro – dizia-me ele: 'Santidade, esta é a época do pecado contra Deus Criador'. É inteligente! Deus criou o homem e a mulher; Deus criou o mundo assim, assim e assim; e nós estamos a fazer o contrário. Deus deu-nos um estado 'inculto' para que o fizéssemos tornar-se cultura; e depois, com esta cultura, fazemos as coisas que nos levam ao estado 'inculto'! Devemos pensar naquilo que disse o Papa Bento: 'É a época do pecado contra Deus Criador'!"

As palavras do Papa foram reportadas mundo afora e se somam à indignação de milhões de famílias, católicas ou não, que se opõem à inclusão desses assuntos nos currículos de educação nacionais.

No Brasil, embora uma importante batalha tenha sido vencida em 2015 para barrar a teoria de gênero das escolas, a vigilância dos pais continua necessária, especialmente em relação aos livros didáticos que vão parar nas mãos das crianças. Mais do que isso, porém, é importante que as famílias estejam atentas ao conteúdo que entra em suas próprias casas, através dos meios de comunicação, pois são os seus detentores os primeiros a comprarem a ideia do gênero. A "época do pecado contra Deus Criador", como bem disse o Papa Bento XVI e confirmou o Papa Francisco, só se fortalece graças à promoção aberta, explícita e quase onipresente do mal. E de nada adiantará vencê-lo lá fora, se continuarmos a ser envolvidos pelo "espírito dos tempos" dentro de nossas próprias casas.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Urgente! MEC quer implantar uma ditadura na educação do Brasil.

Proposta de implantar um “sistema único de educação” dá poder ilimitado ao Ministério da Educação. De acordo com o Pe. José Eduardo, nem “as maiores ditaduras do Brasil cogitaram essa ideia”.

Fonte: Zenit — Na última terça-feira, dia 31 de maio de 2016, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados em Brasília convocou um Seminário sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC).

Um dos debatedores foi o Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva, Professor de Teologia Moral e estudioso dos temas de educação.

Em entrevista à ZENIT, o sacerdote explicou com mais detalhes a tentativa de implantar um "sistema único de educação", que eliminaria totalmente a liberdade das escolas e daria o poder ilimitado ao MEC de ensinar, na prática, qualquer ideologia para todas as crianças do Brasil. Acompanhe a entrevista abaixo:


ZENIT: Temos acompanhado com preocupação todo o debate acerca da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), de autoria do Ministério da Educação. De onde saiu a ideia de se impor a todas as escolas do Brasil uma mesma base curricular?

Pe. José Eduardo: A ideia surgiu a partir de uma Emenda à Constituição, a PEC 59/2009. O texto afirma que "a lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração... que conduza ao estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto". Como se vê, o texto é de uma "lei orçamentária", na qual foi inserido uma espécie de "cavalo de Tróia", que seria este "sistema nacional de educação", inexistente na legislação brasileira até então.

ZENIT: Mas em que consiste este "Sistema Nacional de Educação"?

Pe. José Eduardo: Na verdade, a lei não o define, apenas o enuncia. Por isso, precisamos interpretá-lo de acordo com a Constituição Federal.

ZENIT: Por quê? Existe um outro modo de interpretar esse "Sistema Nacional de Educação", em desacordo com a Constituição?

Pe. José Eduardo: Sim. Já em 1988, o Dep. Octávio Elísio apresentou um Projeto de Lei, quase idêntico a um modelo apresentado pelo Prof. Dermeval Saviani (UNICAMP), em que se anunciava um Sistema Nacional de Educação. Dizia o PL 1.258/1988: "haverá no país um sistema nacional de educação, constituído pelos vários serviços educacionais desenvolvidos no território nacional" (p. 7). O que se propunha é que todos os sistemas educacionais brasileiros fossem transformados em serviços de um único sistema. Quando os deputados perceberam que eles iriam tirar a autonomia das escolas, dos Municípios e dos Estados, reagiram imediatamente e rejeitaram o projeto de lei, assumindo-se o substitutivo do Dep. Jorge Hage, de agosto de 1989.

ZENIT: Então, essa ideia não é nova no Brasil.

Pe. José Eduardo: De modo algum. Na verdade, o primeiro a querer implementar um sistema federal fortemente centralizado foi o Presidente Getúlio Vargas. Ele criou o Ministério da Educação, cujo segundo ministro foi o conhecido Gustavo Capanema. Depois da queda da ditadura, o então Ministro da Educação Clemente Mariani, em 1949, apresentou o ante-projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que o então Dep. Gustavo Capanema rejeitou, por considerar o PL pouco centralizador.

Na época, levantou-se contra ele, nada mais, nada menos que, Anísio Teixeira, um dos maiores ícones da educação brasileira, alegando que aquele desejo de centralismo era absurdo! Foi isto que Anísio escreveu sobre as ideias educacionais de Capanema: "Ora, francamente, o sr. Capanema está a brincar. Fortalecer os poderes federais nunca significa transferir poderes locais para o centro, mas simplesmente fortalecer os poderes que devem pertencer ao centro. Do contrário, seria extrapolar e raciocinar à doida, pois nada, absolutamente nada no mundo resistiria a esse tipo de lógica. Na cabeça do sr. Capanema só é nacional o que nascer da cabeça de uma autoridade federal, o município, o estado, as regiões são antinacionais, quando, na realidade, o nacional é o país todo e, queira ou não queira, a substância nacional está nos municípios, nos estados e nas regiões" (p. 94).

Anísio, aliás, já tinha escrito, com outros educadores, o famoso "Manifesto dos pioneiros da educação nova", em 1932, em que rejeitava fortemente a ideia de uma educação centralizada. O Manifesto dizia: "Unidade não significa uniformidade. A unidade pressupõe multiplicidade. Não é, pois, na centralização, mas na aplicação da doutrina federativa e descentralizadora, que teremos de buscar o meio de levar a cabo, em toda a República, uma obra metódica e coordenada, de completa eficiência, tanto em intensidade como em extensão" (p. 8). No final das contas, Capanema, como relator do Projeto, conseguiu arquivá-lo.

No entanto, perceba: mesmo com todo este centralismo intolerante, quase ditatorial, do Gustavo Capanema, nunca lhe passou pela cabeça, nem a Vargas ou aos ditadores posteriores, criar uma base curricular centralizada, detalhada e uniforme para todas as escolas. Repito: as maiores ditaduras do Brasil nunca cogitaram essa ideia.

ZENIT: Mas, e então?, como ficaram as reivindicações dos educadores brasileiros?

Pe. José Eduardo: Em 1952, o Projeto da LDB foi desarquivado e, após uma década de profundos debates, foi aprovado e sancionado em 1961. Após a Constituição de 1988, resolveu-se criar uma nova LDB, atualizando-a de acordo com as novas configurações Constitucionais. Rejeitou-se o Projeto de Elísio-Saviani, que era pelo Sistema Nacional, e aprovou-se a nova LDB de 1996, vigente até hoje, que representa uma das maiores conquistas dos educadores do Brasil!

ZENIT: Até que se inserisse esse, como o sr. diz, "cavalo de Tróia": o novo conceito de sistema nacional de educação... Mas o sr. dizia que era possível interpretá-lo de modo correto, em harmonia com a Constituição. Como é isso?

Pe. José Eduardo: A Constituição afirma, no art. 211, que "A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino"; a LDB afirma, em seu art. 8, que "a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino" e, no § 1, que "caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais". Mais adiante, continua a LDB, no art. 15: "os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa".

ZENIT: Então, embora a Constituição não previsse um Sistema Nacional de Educação, a introdução sorrateira dessa terminologia forçosamente deve ser entendida como coordenação, e não substituição dos outros sistemas (municipais, estaduais etc), e deve ademais garantir progressivos graus de autonomia até às escolas… Então, por que querem agora criar essas Bases Curriculares Comuns?

Pe. José Eduardo: Na verdade, eles não estão "criando" as bases curriculares. O Ministério da Educação já tinha fornecido outras bases, anteriormente. O Parecer 15/98 do Conselho Nacional de Educação ofereceu a "base comum para as escolas de ensino médio", em duas páginas (vide as páginas 48 e 49). Agora, o MEC está apresentando uma BNCC que, na primeira versão, tinha 302 páginas e, nesta última, 676 páginas, em que se determinam os conteúdos, ano por ano, matéria por matéria, detalhadamente.

ZENIT: Impressionante! Mas, se eles deveriam garantir uma progressiva autonomia, para que querem controlar, assim, o ensino das escolas?

Pe. José Eduardo: Exatamente para criarem um sistema único de educação. Essa expressão, "sistema único", não é minha, mas de um grande parceiro do Prof. Saviani, que fez a Conferência de abertura do CONAE 2010, o Prof. Jamil Cury. Ele disse textualmente: "é evidente que o desafio de um sistema único de educação se radica no próprio desafio de uma superação do próprio capitalismo" (p. 10). Em outras palavras, o que eles querem, mesmo, é estabelecer um sistema único e, para isso, criaram essas bases curriculares tão detalhadas.

ZENIT: Mas, no texto que o sr. citou, ele fala claramente de "superar o próprio capitalismo". Então, essa reforma tem um sentido claramente ideológico?

Pe. José Eduardo: Na verdade, é pior que isso. Não se trata de uma questão de conteúdo, apenas; trata-se da transformação da arquitetura da educação do Brasil. A primeira versão das BNCC era claramente de inspiração marxista. A segunda está mais diluída. Contudo, isso não importa muito. A partir do momento em que puderem definir o ensino em todas as escolas, poderão ensinar a ideologia que quiserem, porque eles não pararão na BNCC. Ela é o primeiro passo de uma verdadeira revolução educacional.

ZENIT: Como assim? Eles não estão limitados pela LDB?

Pe. José Eduardo: Deveria ser assim. Essa é a minha interpretação. Mas o que se está claramente fazendo é lacear a legislação para que a mesma seja alterada. Num documento do MEC intitulado "Instituir um Sistema Nacional de Educação: agenda obrigatória para o país", afirma-se claramente: "hoje a falta de uma Base Nacional Comum inviabiliza, por um lado, orientações claras e potentes para a composição dos currículos das licenciaturas e, por outro, a regulação mais enérgica do setor privado" (p. 4) e, ainda mais, que "será imprescindível uma releitura da LDB à luz do Sistema Nacional de Educação a ser configurado" (p. 3). Está claro? Por um lado o MEC está dizendo que falta uma Base Nacional Comum, quando foi ele mesmo que já homologou várias Bases Nacionais Comuns, enquanto que, por outro lado, querem aproveitar-se desta falsa informação para redesenhar a LDB segundo a nova Base Nacional Curricular Comum!!!

ZENIT: Isso é muito grave! O que deveríamos fazer? Deveríamos lutar para que não houvesse a BNCC e o Sistema Nacional de Educação?

Pe. José Eduardo: A meu ver deveríamos apenas fazer as pessoas compreenderem, de um lado, que não é necessário uma BNCC detalhada, bastariam, como se tem feito até o momento, as definições de objetivos e métodos que garantissem a "progressiva autonomia" dos sistemas e unidades de ensino, ou, conforme já prescrevia o famoso Parecer 15/98 do Conselho Nacional de Educação, descrevendo principalmente as metas que deverão ser atingidas, "os pontos de chegada", deixando o detalhamento de seu conteúdo, "os pontos de partida", às instâncias mais próximas do alunado.

Por outro lado, o tal Sistema Nacional de Educação não pode se comportar como um sistema único, mas como um órgão de coordenação, que respeitasse a autonomia dos diversos sistemas. Parece-me que esta seria a posição mais sensata, e mais de acordo com nossos princípios democráticos. Quando temos um currículo que determina com exatidão o que e como deverá ser ensinado uniformemente em todo o território nacional, e inclusive quando se quer utilizar este mesmo currículo para poder avaliar de modo uniforme o desempenho das escolas em todo o país, como se o governo federal fosse o diretor e proprietário de cada uma destas escolas, as escolas, na prática, passaram a fazer parte do Sistema Nacional Único do governo federal, ainda que no papel se diga outra coisa.

Fonte: Zenit | Matéria de Thácio Siqueira

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Associação Americana de Pediatras fulmina ideologia de gênero

Grupo de médicos dos EUA emite declaração explicando, cientificamente, por que ideologia de gênero é nociva para as crianças.

Uma associação de pediatras dos Estados Unidos declarou, no último dia 21 de março, através de seu site na Internet, que "a ideologia de gênero é nociva às crianças" e que "todos nascemos com um sexo biológico", sendo os fatos, e não uma ideologia, que determinam a realidade.

A declaração da American College of Pediatricians expõe 8 razões para os "educadores e legisladores rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem" a teoria de gênero. A iniciativa dos médicos se soma a inúmeras outras, provindas das mais diversas áreas de informação, para conter o que o Papa Francisco chamou de "colonização ideológica". Em 2010, por exemplo, um importante documentário conseguiu desmontar, pelo menos em parte, a estrutura universitária que financiava essa ideologia na Noruega. O programa trouxe o parecer de vários especialistas, dos mais diversos campos científicos, que expuseram a farsa da teoria de gênero.

Agora, a medicina vem respaldar mais uma vez a verdade sobre a família.

A íntegra da nota escrita pelos pediatras norte-americanos pode ser lida a seguir.

A Associação Americana de Pediatras urge educadores e legisladores a rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem como normal uma vida de personificação química e cirúrgica do sexo oposto. Fatos, não ideologia, determinam a realidade.

1. A sexualidade humana é um traço biológico binário objetivo: "XY" e "XX" são marcadores genéticos de saúde, não de um distúrbio. A norma para o design humano é ser concebido ou como macho ou como fêmea. A sexualidade humana é binária por design, com o óbvio propósito da reprodução e florescimento de nossa espécie. Esse princípio é auto-evidente. Os transtornos extremamente raros de diferenciação sexual (DDSs) — inclusive, mas não apenas, a feminização testicular e hiperplasia adrenal congênita — são todos desvios medicamente identificáveis da norma binária sexual, e são justamente reconhecidos como distúrbios do design humano. Indivíduos com DDSs não constituem um terceiro sexo.

2. Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. Gênero (uma consciência e percepção de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, não um conceito biológico objetivo. Ninguém nasce com uma consciência de si mesmo como masculino ou feminino; essa consciência se desenvolve ao longo do tempo e, como todos os processos de desenvolvimento, pode ser descarrilada por percepções subjetivas, relacionamentos e experiências adversas da criança, desde a infância. Pessoas que se identificam como "se sentindo do sexo oposto" ou "em algum lugar entre os dois sexos" não compreendem um terceiro sexo. Elas permanecem homens biológicos ou mulheres biológicas.

3. A crença de uma pessoa, que ele ou ela é algo que não é, trata-se, na melhor das hipóteses, de um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, um problema psicológico objetivo existe, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de disforia de gênero (DG). Disforia de gênero, anteriormente chamada de transtorno de identidade de gênero (TIG), é um transtorno mental reconhecido pela mais recente edição do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-V). As teorias psicodinâmicas e sociais de DG/TIG nunca foram refutadas.

4. A puberdade não é uma doença e hormônios que bloqueiam a puberdade podem ser perigosos. Reversíveis ou não, hormônios que bloqueiam a puberdade induzem a um estado doentio — a ausência de puberdade — e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança até então biologicamente saudável.

5. De acordo com o DSM-V, cerca de 98% de meninos e 88% de meninas confusas com o próprio gênero aceitam seu sexo biológico depois de passarem naturalmente pela puberdade.

6. Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto vão requerer hormônios do outro sexo no fim da adolescência. Esses hormônios (testosterona e estrogênio) estão associados com riscos à saúde, inclusive, mas não apenas, aumento da pressão arterial, formação de coágulos sanguíneos, acidente vascular cerebral e câncer.

7. Taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e se submetem à cirurgia de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países mais afirmativos em relação aos LGBQT. Que pessoa compassiva e razoável seria capaz de condenar jovens crianças a este destino, sabendo que após a puberdade cerca de 88% das meninas e 98% dos meninos vão acabar aceitando a realidade e atingindo um estado de saúde física e mental?

8. Condicionar crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável, é abuso infantil. Endossar discordância de gênero como normal através da rede pública de educação e de políticas legais irá confundir as crianças e os pais, levando mais crianças a serem apresentadas às "clínicas de gênero", onde lhes serão dados medicamentos bloqueadores da puberdade. Isso, por sua vez, praticamente garante que eles vão "escolher" uma vida inteira de hormônios cancerígenos e tóxicos do sexo oposto, além de levar em conta a possibilidade da mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo quando forem jovens adultos.

Michelle A. Cretella, M.D.
Presidente da Associação Americana de Pediatras

Quentin Van Meter, M.D.
Vice-Presidente da Associação Americana de Pediatras
Endocrinologista Pediátrico

Paul McHugh, M.D.
Professor Universitário de Psiquiatria da Universidade Johns Hopkins Medical School, detentor de medalha de distinguidos serviços prestados e ex-psiquiatra-chefe do Johns Hopkins Hospital

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Como você define o seu gênero?”

Questionário distribuído em escolas da Inglaterra pede que crianças e adolescentes “definam o próprio gênero”, e dão 24 opções para elas escolherem.

Nós tínhamos feito uma breve menção a esta notícia na postagem de hoje, sobre a "confusão de gênero" entre crianças e adolescentes na Inglaterra, mas, dado o tamanho do absurdo, decidimos reproduzi-lo aqui, em uma postagem especial.

Trata-se de um questionário, distribuído a adolescentes de 13 a 18 anos, em todas as escolas das cidades de Brighton e Hove, no sul da Inglaterra. Uma das questões trazia a seguinte pergunta: "Como você define o seu gênero?". As opções não eram duas, nem três ou quatro, mas 24! Os alunos podiam assinalar expressões como "gênero fluido", "andrógino" e "no meio de menino e menina" — com direito a um espaço inferior em branco, caso a criança não se identificasse com nenhuma das alternativas elencadas.

A imagem em questão é uma cópia do questionário controverso e foi fornecida pelo jornal britânico The Telegraph. A reportagem é de janeiro deste ano.

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Famílias protestam contra lei que quer monitorar crianças na Escócia

O plano é compulsório e prevê que o governo nomeie uma pessoa para cuidar do “bem-estar” de cada criança escocesa até que ela complete 18 anos de idade. Associações cristãs protestam e consideram o projeto “um insulto” às famílias.

Uma lei criticada por autorizar ampla intromissão do Estado na privacidade da família foi alvo de protestos, semana passada, na Suprema Corte do Reino Unido, por associações cristãs e grupos em defesa dos direitos dos pais. Colin Hart, um dos manifestantes e membro do Christian Institute, chamou a lei de "um insulto aos direitos fundamentais de mães e pais de criarem os seus filhos do modo como eles acham melhor".

De acordo com o plano, obrigatório para todos os pais, o governo deve nomear uma pessoa para monitorar o "bem-estar" de cada criança escocesa até que ela complete os 18 anos. O projeto não dá aos pais nem a alternativa de sair do programa, nem a possibilidade de nomear para os seus próprios filhos as pessoas que eles quiserem.

A legislação por trás do plano Named Person ("Pessoa Nomeada", lit.) é a Lei da Criança e do Adolescente. Apesar de ter sido aprovada em 2014, ela só será implementada em 31 de agosto deste ano — tempo suficiente para que vários grupos em defesa da família (Christian Institute, Christian Action Research and Education [CARE], The Young ME Sufferers [Tymes] e Family Education Trust), protestem contra a norma, que viola a vigente lei da privacidade e os direitos constitucionais dos pais. O colegiado que terminou de ouvir o caso na quarta-feira (9) diz que vai ordenar ao governo para adiar a execução da lei.

A "pessoa nomeada" pelo governo da Escócia poderá ser um professor, um diretor escolar, uma parteira ou mesmo uma assistente social, e será responsável por "ouvir, aconselhar e ajudar" a criança ou adolescente, ou quando a família pedir ou quando "necessidades de bem-estar forem identificadas". Os "monitores" indicados pelo governo poderão colher informações de médicos, movimentos sociais, escolas, tribunais e até mesmo das crianças, mas sem o conhecimento dos pais. À medida em que os filhos crescem e os seus "tutores" morrem, mudam de emprego ou perdem contato, outras pessoas são nomeadas, alargando o círculo de "confidentes" da família.

De acordo com o porta-voz da campanha No to Named Persons,

"Há duas ideias sinistras por trás disso. A primeira é a de que os pais não podem criar os seus filhos sem ajuda profissional fornecida pelo Estado — de que para as crianças crescerem e se tornarem cidadãos escoceses bem-sucedidos, deve haver uma intervenção governamental desde cedo. A segunda e mais perigosa ideia é a de que cada pai é um abusador de crianças em potencial, de que há muito mais abusos acontecendo que não saem em público, e que a única maneira de prevenir isso é através da intervenção preventiva do Estado."

O plano vai criar uma barreira de suspeitas entre pais, filhos e oficiais do governo, sem falar dos problemas morais que poderão emergir. Aidan O'Neill, do Christian Institute, menciona a possibilidade de um médico prescrever anticoncepcionais a uma adolescente e ela calar o assunto para os seus pais, revelando o segredo apenas para a sua "monitora" — ou mesmo de uma "pessoa nomeada" aconselhar uma jovem a tomar pílulas sem que haja o consentimento expresso dos seus pais.

A coalizão No to Named Persons admite que existem casos de abuso infantil, mas reivindica que o governo da Escócia dê atenção às crianças que precisam da intervenção do Estado, ao invés de acionar uma equipe sobrecarregada de professores e agentes sociais para prestar uma ajuda governamental desnecessária. Os grupos contrários à lei também argumentam que o plano viola o direito das famílias à privacidade na educação dos seus filhos. A linguagem dupla contida no plano dá margem a uma ampla intervenção dos agentes sociais e gera preocupação em todo o país.

Como se sabe, a Escócia não é o único país do mundo a ser ameaçado por uma política totalitária na área de educação. Na Noruega, inúmeras famílias sofrem com a perda dos seus filhos para o departamento de "proteção à infância" do país. Um pai oriundo da Romênia está desde o final do ano passado sem a guarda de suas cinco crianças porque era tido como "muito cristão". Na Alemanha, outro casal já foi encarcerado por ser contrário ao ensino da ideologia de gênero na escola de seus filhos. As notícias são muitas e seriam capazes de preencher muitas páginas. Mutatis mutandis, também o Brasil, com a nova "Base Nacional Comum Curricular", está sob o mesmo perigo.

Certamente, há quem olhe para tudo isso simplesmente como parte do zeitgeist (o "espírito dos tempos"). Estaríamos dentro da marcha inexorável da história, e a nossa única alternativa seria a conformidade e a resignação.

Quem quer que estude um pouco o desenvolvimento das ciências humanas nos últimos séculos, no entanto, sabe muito bem que nada disso é por acaso. Foi a liberdade humana que produziu tudo isso — ou, melhor dizendo, o trágico abuso da liberdade, que termina conduzindo à escravidão. É preciso que o mesmo homem "livre" que voltou as suas costas para Deus (e para si mesmo!) redescubra a sua dignidade e a sua vocação. Caso contrário, chegaremos cada vez mais perto do "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e do "Grande Irmão" de George Orwell. Nunca as distopias da literatura foram tão adequadas à realidade.

Com informações de LifeSiteNews.com | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Onde estamos errando com nossos filhos?

O juiz Antonin Scalia educou bem os seus nove filhos, mesmo vivendo em um ambiente saturado de imoralidade, como foram os anos da “revolução sexual”. O que ele fez que nós não estamos fazendo?

Por Equipe CNP — Antonin Scalia, o juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que morreu na metade do mês de fevereiro, criou os nove filhos durante o período auge da Revolução Sexual, nas décadas de 1960 e 1970. Apesar dos tempos difíceis, o saldo final da educação que concedeu foi bem positivo: do casamento de Antonin e Maureen, saíram um sacerdote — o padre Paul Scalia — e 36 netos.

Esse expressivo número dá exemplo de que, mesmo em um mundo que perdeu tragicamente não só a fé em Cristo, como a própria concepção do que seja família, é possível dar aos nossos filhos uma educação católica de verdade — e ainda por cima colher, nas futuras gerações, os frutos da boa criação que receberam. A pergunta que fica é: como fazer isso? Como formar eficazmente as nossas crianças e impedir que elas sejam levadas pelas marés de novidade que arrastam o homem moderno?

Alguns fatos da vida dos Scalia podem ajudar a iluminar esse caminho e mostrar, ao mesmo tempo, onde exatamente estamos errando na educação dos nossos filhos.


A família Scalia apreciava a dádiva dos filhos, em primeiro lugar. Como eles mesmos admitem, em uma conhecida entrevista à jornalista Lesley Stahl, da CBS News: "Nós não tínhamos planejado ter nove filhos. Somos apenas bons e velhos católicos jogando o que se costumava chamar a 'roleta do Vaticano'". A jocosa expressão era usada por alguns para qualificar os métodos naturais de controle de natalidade, os únicos moralmente aceitos pela Igreja Católica. Como a relação dos dois estava sempre aberta a um novo filho — como é a prescrição do Papa Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, de que "qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida" (n. 11) —, existia sempre o bendito "risco" (vamos chamar assim) de que viesse o segundo, o terceiro, o quarto... até que, enfim, eles chegassem aos nove.

Nove filhos, uma excelente família — mas certamente aparecerá alguém para chamar a família Scalia de "irresponsável". O que hoje em dia as pessoas chamam de irresponsabilidade, no entanto, é considerado pelo Autor Sagrado um grande dom: " Os filhos são a bênção do Senhor, o fruto das entranhas, sua dádiva. Como flechas que um guerreiro tem na mão, são os filhos de um casal de esposos jovens. Feliz aquele pai que com tais flechas consegue abastecer a sua aljava!" (Sl 126, 3-5). Como saímos disso para os mesquinhos pais de um filho só? Por que a mentalidade das famílias mudou tanto em tão pouco tempo, se até alguns anos atrás as famílias eram numerosas — e viam isso com bons olhos?

A resposta deve ser encontrada, sobretudo, na ilusão do dinheiro, porque a alegação que as pessoas hoje fazem para evitar filhos está sempre relacionada, direta ou indiretamente, a um problema material: um filho a mais é sempre "uma boca a mais", um item a mais no orçamento familiar. O parâmetro, a régua que os casais têm usado para medir as suas ações, está sempre guiada por essa lógica mesquinha, a qual, na verdade, denuncia a própria miséria moral em que estamos afundados. Afinal, se não temos nada mais a dar aos nossos filhos do que dinheiro, se essa é realmente a melhor coisa — ou, quem sabe, a única — que podemos passar às futuras gerações, enfim, "se é só para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, somos, dentre todos os homens, os mais dignos de lástima" (1 Cor 15, 19).

Não é verdade que o conforto e o dinheiro sejam o bem mais importante do matrimônio. A Igreja sempre ensinou, ao contrário, que a riqueza mais preciosa que um casal pode acumular são justamente os seus filhos! Foi o que disse o padre Paul Scalia, durante a Missa de Exéquias celebrada pela alma de seu pai, e é também o que ensinam o Papa Pio XI, na encíclica Casti Connubii — "Entre os benefícios do matrimônio ocupa o primeiro lugar a prole" (n. 12) —, o Concílio Vaticano II, na constituição Gaudium et Spes — "Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio" (n. 50) —, e o que confirmou o Papa Paulo VI, mesmo depois do Concílio. O próprio Jesus sugeriu o mesmo, quando disse: "Quem acolhe em meu nome uma destas crianças, a mim acolhe" (Mc 9, 37).

Ciente disso, a esposa e mãe de família Maureen Scalia não só zelou pela geração de seus filhos, mas também por sua educação — afinal, não basta simplesmente "pôr filhos no mundo", é preciso formá-los. Antonin considerava sua mulher "o produto da melhor decisão que havia feito em toda a sua vida". Foi ela quem criou os nove filhos do casal — admite o marido — "com mui pouca assistência" da parte dele. "E não há ninguém burro no grupo!", ele brincava. Também aqui é possível extrair uma grande lição dessa família: a de que as mulheres fazem muito bem quando decidem ficar em casa para cuidar de seus filhos. Sem dúvida, isso pressupõe também o compromisso e a dedicação dos homens de família em trazer o sustento para dentro de casa, porém nada justifica a "confusa ideia" feminista "de que as mulheres são livres quando servem seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos".

O fato de as mulheres terem "conquistado" o mercado de trabalho, como se diz, também configurou um fator decisivo para a redução do número de filhos por família em todo o mundo. Isso enfraquece dramaticamente os laços familiares e torna a comunidade familiar uma presa fácil para as ideologias externas. Os filhos de Antonin Scalia, pasmem, frequentaram escolas públicas e, "certamente, cresceram envolvidos por uma cultura que não dava suporte aos nossos valores". O que os salvou, então? "Fomos ajudados pelo fato de que éramos uma família muito grande", ele diz. Famílias numerosas são núcleos fortes e robustos; famílias pequenas são facilmente fagocitadas pelo mundo. Quanto mais crianças, portanto, tanto melhor.

A família Scalia educava com a fé e com o exemplo, em segundo lugar. Em artigo publicado em The Washington Post, Christopher Scalia, o oitavo filho do casal, dá um comovente testemunho de seu pai:

"Ele nos levava à Missa todo domingo. Trazia consigo o seu já gasto Missal Romano, com as páginas enrugadas por causa da água benta e cheias de cartões de oração de décadas. Seu comportamento durante a Missa não era sempre contido. Se ele discordava de uma posição do padre durante o sermão, ele se inclinava, olhava para minha mãe e franzia a testa ou balançava a cabeça. Assim ele demonstrava o seu desacordo com a homilia. Por outro lado, se gostava de um sermão, ele depois dizia o quanto ao sacerdote. Todos nós víamos quão importante era a Missa para ele, com seus olhos fechados e a cabeça abaixada enquanto se aprofundava na oração durante a consagração e após a Comunhão."

Esse pequeno relato do filho mais novo do casal é bastante revelador. Antonin Scalia não concordava com tudo o que ouvia quando ia à igreja. Ainda que Christopher não tenha dado detalhes do que fazia seu pai menear a cabeça enquanto sentava no banco da paróquia, ele certamente não é o único de nós a discordar do que escuta durante as homilias dominicais. Isso é para nós um testemunho da sua . Antonin estava convencido do poder dos Sacramentos, independentemente dos erros ou possíveis escorregões dos ministros da Igreja. Estava convicto da verdade da fé católica, mesmo quando os seus pregadores falhavam em demonstrar a sua grandeza. Estava na Missa todos os domingos por causa de Cristo presente na Comunhão, e não por causa dos homens.

Os seus filhos, vendo o comportamento do pai, seguiram o seu exemplo e, por terem recebido uma sólida formação religiosa, não desertaram nos momentos de crise. Mais do que isso, eles mesmos parecem ter repetido em suas respectivas famílias aquilo que viram acontecer em casa. Pressupondo que, com exceção de Paul, todos os outros Scalia se casaram, temos 8 matrimônios e 36 filhos, uma média de 4 a 5 filhos por casal. Ninguém pretende elevar a família Scalia aos altares, mas, em uma sociedade que se limita a um casal de filhos por casal e basta, o exemplo deles é realmente admirável.

Novamente, como eles conseguiram isso?

A família Scala era intransigente nos costumes, em último lugar. Em um período em que todos começaram a abandonar os trajes mais sociais para usar calça jeans, a família Scalia resistiu bravamente. Eugene, o filho mais velho, conta que "levou um tempo" para que seus pais finalmente os deixassem usar jeans na escola. "Nós dizíamos, 'Está todo mundo usando jeans', e eles diziam, 'Por que você quer ser como todo mundo?'".

Hoje, o nível de decadência das roupas está bem além do normal. O jeans já não satisfaz, o clima é tropical e as alfaiatarias têm que cortar as pernas das calças. Tome-se como exemploa notícia de meninas fazendo protestos para usarem "shortinho" no colégio. Qual é o argumento da vez? A resistência a este ente abstrato e desconhecido chamado "machismo" — mais uma variante da agressiva "luta dos sexos" que está por toda parte. O que essas adolescentes falham em perceber — e, juntamente com elas, as suas mães — é que usar uma roupa decente, cobrir com modéstia o corpo feminino, é uma forma de elas mesmas se protegerem! É verdade que o modo masculino de olhar para as mulheres precisa mudar, mas esse não é, nem de longe, o único aspecto do problema da objetificação da mulher: também elas são responsáveis pela imagem que passam para os outros. Certamente, ninguém se resume à roupa que veste, mas também a veste constitui parte importante do que uma pessoa é. No mais, Santo Tomás de Aquino fala sobre isso com propriedade em sua Suma Teológica.

Para não permitir que os seus filhos fossem arrastados pelas modas do momento, Antonin Scalia criou em sua casa uma cultura própria. "A primeira coisa que você precisa ensinar aos seus filhos é o que os meus pais costumavam me dizer o tempo todo: 'Você não é todo mundo. Nós temos as nossas próprias regras e elas não são as mesmas do mundo em muitos aspectos, e quanto mais cedo você aprender isso, tanto melhor.'", ele diz.

Esta é, sem dúvida, uma noção fundamental a passar para os nossos filhos nos dias de hoje: a de que eles não são como os outros, de que são diferentes e, por isso, devem realmente se comportar de maneira diferente. Eles estão no mundo, mas, assim como os cristãos de outras épocas, não pertencem a ele — são cidadãos do Céu. Nós todos, também dentro do matrimônio, somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13-16). Se o sal perder o seu sabor, não haverá com o que salgarmos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Carta revela drama de mais famílias que perderam a guarda dos filhos na Noruega

Em abaixo-assinado, trinta e oito famílias denunciam sequestro sistemático de crianças pelo governo da Noruega: “Nossos filhos estão sendo literalmente arrancados de nossas mãos.”

"O Barnevernet sequestra crianças!": protesto de famílias da Lituânia, um dos países mais afetados pelas políticas autoritárias da Noruega.

Trinta e oito famílias escreveram um abaixo-assinado denunciando o sequestro sistemático de crianças feito nos últimos anos pelo governo da Noruega. Assinada no início deste mês por pais vindos das mais diversas partes do mundo, a carta é um protesto contra as decisões arbitrárias do Barnevernet – o departamento de "proteção à infância" do país –, que simplesmente afasta as crianças de seus pais, sem motivo razoável, nem mandado judicial. O documento foi enviado às Nações Unidas, ao Papa Francisco, bem como à Comissão e ao Parlamento da União Europeia.

Embora a Noruega não pertença à União Europeia, as famílias reunidas na plataforma Stop Barnevernet pedem que a comunidade internacional intervenha de alguma forma para defender os seus filhos e outros tantos que estão retidos pelo governo norueguês. Os signatários da carta vêm de países como Eslovênia, Estados Unidos, Índia, Inglaterra, Iraque, Lituânia, Romênia, Rússia, Suécia, Turquia e até do Brasil. Alguns só podem ver os seus filhos "quatro horas por ano"; a outros é negado qualquer contato com as crianças. Mesmo os lactentes são levados de suas mães e uma família norueguesa está sendo perseguida pelo departamento já há cinco gerações.

A brasileira residente no país Daiane Alves Lopes, uma das vítimas dessa política arbitrária, revelou à TV Anhanguera, no ano passado, como perdeu a guarda de um dos seus dois filhos, Yorrani, que hoje vive em um lar adotivo. "Eles fizeram uma reunião e não falaram que iam pegar a criança. Depois me chamaram. Falaram que iam me ajudar. E quando eu cheguei lá não era isso. Tinha dois seguranças, fecharam a porta e pediram a criança. Arrancaram a criança de mim, do meu braço", ela conta.

Na carta endereçada às autoridades internacionais, os 38 pais condenam o que chamaram de um "inexplicável abuso de poder" por parte do governo de uma nação "supostamente avançada", como é a Noruega. "Famílias inocentes estão sendo destruídas por 'violar' um 'bem-estar infantil' de que ninguém sabe a definição", diz o abaixo-assinado. "Muitas famílias têm que viver uma vida no medo".

A íntegra do documento foi disponibilizada pelo site espanhol Religión en Libertad e contém detalhes assombrosos sobre o que está acontecendo no país:

"As crianças estão sendo literalmente arrancadas das mãos de seus pais. Tanto o serviço social quanto a polícia são implacáveis. As crianças chorando e gritando, implorando por uma chance de ficar com as suas famílias, não são absolutamente nenhum obstáculo para eles. (...) Geralmente, tudo começa com uma acusação infundada e, depois de uma liminar, as crianças são levadas de seus pais em estado de choque. Os pais, então, colaboram com as autoridades e se conformam, tudo na esperança de que seus amados sejam devolvidos a eles um dia. Instruídos pelo Barnevernet, eles permanecem em silêncio: não lutam contra o sistema, não vão à imprensa com suas histórias e pacientemente aguardam pelo próximo encontro com seus filhos, que é agendado para apenas um par de horas algumas vezes ao ano, geralmente sob a vigilância pesada da polícia e do Barnevernet."

"Eles tratam-nos como assassinos, apesar do fato de não terem nenhuma evidência de maus tratos. Eles não têm nenhuma evidência de que algo ilegal tenha sido feito aos nossos filhos. O destino de nossas vidas é decidido pela chamada fylkesnemnda, um colegiado para matéria de família que determina com que frequência poderemos ver nossos filhos – se é que poderemos vê-los – e se os nossos filhos serão obrigatoriamente adotados."

Os signatários do documento ainda acusam as ditas comissões de se servirem de métodos fraudulentos para manter os filhos longe dos seus pais biológicos. "Eles são capazes de falsificar documentos e pareceres de especialistas, e nós temos fortes evidências para isso", diz o texto.

Alguns dos pais que assinaram a carta conseguiram novamente a guarda dos filhos, ainda que em "circunstâncias estranhas". "Não houve nenhuma intenção de indenizar-nos pela dolorosa intervenção por que passamos", afirma o documento, "nem sequer uma espécie de desculpas ou explicação por tudo o que aconteceu."

O abaixo-assinado também faz referência à base cristã em que nasceu a Noruega, hoje em franca decadência. "Ainda que a Noruega não seja um país predominantemente cristão, é um país baseado em uma herança cristã", diz a carta. "Essa herança cristã está, agora, severamente ameaçada pelas tendências a ignorar o que a unidade familiar significa, seja para os indivíduos, seja para toda a sociedade".

No caso dos Bodnariu, a família de ascendência romena que perdeu recentemente a guarda de cinco filhos, o motivo da intervenção parece ter sido eminentemente religioso. A diretora da escola em que as meninas estudavam se preocupava com o fato de Ruth e Marius serem "muito cristãos" e a avó acreditar que "Deus castiga o pecado". Na opinião dela, a ideia criaria "uma inabilidade nas crianças". Outras ocorrências, todavia, sugerem motivações de ordem étnica e econômica para o sequestro das crianças.

Porta-vozes da campanha Stop Barnevernet responsáveis por entregar a carta às autoridades europeias. À esquerda, o eurodeputado Tomáš Zdechovský.

O eurodeputado polonês Tomáš Zdechovský, que também está à frente da campanha Stop Barnevernetreunindo na Internet várias histórias similares ao caso Bodnariu –, explica que muitas das intervenções do governo norueguês afetam principalmente filhos de imigrantes.

"As famílias são forçadas a enviar os seus filhos à pré-escola, a assistir a programas infantis da Noruega e a ter um número de amigos noruegueses", escreve o deputado. "Não é suficiente que vocês, como pais, planejem ensinar a língua norueguesa ao seu filho fora da escola, nem que estejam prontos para obter o que é necessário quando a escola começar. É o governo que decide o que é melhor para o seu filho. Os legisladores desenvolveram medidas incrivelmente severas para forçar as pessoas a fazer o que o governo acha que é certo."

É sempre válido lembrar que, independentemente das leis que vigoram em um país, o direito dos pais de educar os próprios filhos é um direito natural, reconhecido inclusive pelo art. 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos".

Tomáš Zdechovský condena terminantemente o autoritarismo do Barnevernet e questiona o modo como as coisas estão sendo conduzidas na Noruega. "Sempre haverá problemas com imigração", ele diz. "Mas eles não podem ser resolvidos simplesmente tomando-se as crianças sem uma boa razão. Como chamar tal estado de ilegalidade senão de fascista ou comunista?"

Por Equipe Christo Nihil Praeponere