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'Fomos abençoados por tê-los conhecido': pais de trigêmeos prematuros encontram sentido no impensável

Bernadette, Christine e Adam sobreviveram por apenas quatro horas. O suficiente para marcar para sempre os membros da família Taylor.

Quando o médico revelou aos recém-casados Jason e Marie Taylor, ambos com seus 30 anos, que eles esperavam trigêmeos, o casal não cabia em si de tanta felicidade. "Nós estávamos muito, muito entusiasmados", conta Jason. No ultrassom, aparecia a imagem de duas meninas e um menino. Os pais orgulhosos se apressaram em dar-lhes um nome: Bernadette, Christine e Adam.

A primeira gestação do casal foi fruto de um relacionamento vivido na graça de Deus, já a partir do namoro. Desde o momento em que se apaixonaram, Jason e Marie ansiavam por começar uma família, mas decidiram fazer o seu relacionamento "do jeito de Deus", vivendo a castidade até que se comprometessem mutuamente, no altar, em maio de 2012.

Mesmo o sonho de ter muitos filhos, porém, não impediu que os dois se surpreendessem com a notícia dos trigêmeos. "Meu Deus, o que vamos fazer com tantos bebês?", eles pensavam. "Temos apenas um número limitado de braços". Em uma outra visita ao hospital, alguns médicos ousaram falar com eles sobre uma espécie de "redução seletiva", mas o casal nem deu atenção. Ainda que Marie fosse enfermeira e soubesse que os médicos fariam aquela pergunta, ela se sentiu mal em escutar alguém se oferecer tão tranquilamente para matar um ou dois dos seus filhos. "Aquilo foi realmente perturbador para nós dois, já que esperávamos tão ansiosamente por nossos filhos", disse Jason.

De fato, mal recebeu a boa nova, o casal começou a preparar a casa para a chegada dos novos hóspedes, prevista para fevereiro de 2013. Três bercinhos foram comprados e cuidadosamente enfileirados no quarto de cima, enquanto a barriga de Marie só aumentava... Todas as noites, antes de cair no sono ao lado de sua esposa, Jason se inclinava para conversar com os seus filhos: "Ei, Adam! Ei, Bernadette! Ei, Christina! Estou ansioso por conhecê-los. Amo vocês!" Antes de sair para o serviço, ele dizia às crianças: "Cuidem de sua mãe!"

O impensável

Mas o corpo de Marie começava a ter problemas para se adaptar às exigências daquelas três vidas que cresciam dentro dela. Além do refluxo severo, ela experimentava palpitações, dores no peito e fortes dores de cabeça. Um dia, enquanto assinava alguns cartões de 'obrigado' pelo casamento na mesa da cozinha, Marie repentinamente apagou. Quando voltou a si, tratou de telefonar ao seu marido para pedir ajuda.

Apesar das dificuldades, um ultrassom de novembro revelava que Marie e os seus bebês estavam bem. Com 22 semanas, Marie se parecia mais com uma gestante de 35 semanas.

Um dia depois do ultrassom, porém, Marie começou a sentir "pequenas dores agudas" no abdômen, que se foram tornando cada vez mais regulares. Naquela noite, o casal decidiu ir ao hospital para descobrir o que estava acontecendo.

Chegando lá, os dois não acreditaram quando os médicos disseram que Marie estava com 4 cm de dilatação e tinha entrado em trabalho de parto. O jovem casal se apegou à esperança de que os médicos pudessem fazer algo para impedir que o quadro progredisse, a fim de manter os bebês a salvo.

Mas a situação piorou e o médico revelou ao casal que as crianças estavam prestes a nascer. Com 22 semanas, os pequeninos trigêmeos não tinham muitas chances de sobreviver. Eles não apenas tinham crescido pouco por conta de serem três, como seus pulmõezinhos não se tinham aperfeiçoado o suficiente para que pudessem respirar. Como enfermeira, Marie sabia que tentativas de oxigenação em pulmões pouco desenvolvidos podiam fazê-los arrebentar, causando morte imediata. Os doutores advertiram os pais que, depois do parto, os bebê não receberiam intervenção médica.

Enquanto permanecia ao lado de sua esposa, testemunhando o inimaginável pesadelo que se desenrolava diante dos seus olhos, Jason percebeu que estava dando toda a sua atenção a Marie. Ele se deu conta de que os seus filhos provavelmente estavam tão assustados com o que acontecia quanto eles dois. Então, o jovem pai se inclinou e, ofegante, confortou os seus filhos com as palavras amorosas de costume: "Ei, eu amo vocês, meus filhos... Estou ansioso para conhecê-los..."

Os pais se prepararam para saudar os seus filhos e passar com eles o máximo de tempo que pudessem.

Enfim, nas primeiras horas do dia 15 de novembro de 2012, Bernadette, Christine e Adam nasceram, pesando de 360 a 450 gramas cada um. "Eles saíram cheios de vida e se movendo", disse Jason. "Continuei na esperança de que eles pudessem ser os únicos trigêmeos a sobreviverem com 22 semanas, mas eles se foram rapidamente".

Apesar da profunda dor de presenciar os seus filhos partindo, o casal ficou impressionado ao ver como eles estavam perfeitamente formados, com seus narizinhos, seus frágeis dedinhos, as unhas e, acima de tudo, com seus rostinhos adoráveis. "Nós os seguramos. Tivemos tempo de examiná-los com cuidado e sentimos realmente como se os tivéssemos conhecido um pouco", disse Jason.

Mais tarde, o resto da família chegou ao hospital para dar suporte ao casal e se despedir das três pequenas crianças. Uma enfermeira tirou o "carimbo do pezinho" dos três. Eles foram vestidos com uns pequenos chapéus e envoltos em roupinhas coloridas.

Para a mãe, tudo foi uma incrível mistura de emoções: "Nós seguramos os bebês, choramos, olhamos para eles e os examinamos, conversamos com eles e os batizamos. Enfim, nós os amamos."

Durante quatro horas, Bernadette, Adam e Christine foram amados, respeitados e acalentados por cada momento de suas curtas existências.

Em busca de sentido

Logo após a morte das crianças, Jason e Marie se perguntavam sobre o que devia ser feito com os seus restos mortais, não sabendo se o hospital deixaria que eles levassem os seus corpos.

O pai de Marie interveio. "É claro que devemos dar a eles um funeral adequado", ele disse. "Eles tiveram uma vida, assim como qualquer pessoa. Nasceram, foram batizados, viveram e morreram."

O irmão de Marie fez um pequeno caixão de madeira com três cruzes em cima. Os trigêmeos que cresceram, viveram e morreram juntos, seriam agora colocados juntos no seu paradeiro final de descanso.

Jeff Gunnarson, da Campaign Life Coalition, assistiu ao funeral e contou ao LifeSiteNews.com que ficou "profundamente emocionado" ao escutar o testemunho de Jason sobre a vida de seus filhos, acrescentando que era difícil encontrar algum olho seco na multidão.

"Jason explicou às pessoas ali reunidas que a vida de seus filhos foi preciosa", ele conta. "Ele mencionou as frágeis e pequenas unhas de suas filhas e o belo traço do queixinho de seu filho. Disse que, mesmo prematura, cada criança já mostrava traços distintos de personalidade. Ele mostrou que cada pessoa tem uma vida única e irrepetível."

"Acredite-me, qualquer um naquela multidão com um pingo de indiferença ao valor de um bebê de 22 semanas teria deixado o funeral repensando sua posição pró-aborto. Jason transmitiu como são maravilhosamente formados esses pequenos filhos de Deus. Ele foi capaz de enxergar, naquele sério e triste, mas também profundo momento de despedida, um raio pró-vida de esperança que trouxe lágrimas aos nossos olhos e fez com que sentíssemos gratidão por testemunhar um tão belo amor."

Um testemunho de vida

Como qualquer pai que tivesse que enterrar seus filhos, Jason e Marie se pegaram perguntando "por quê". Nos dias mais sombrios, eles se viram lutando com Deus na oração, perguntando a Ele por que havia permitido aquela dor, aquele luto, aquele sofrimento, aquela perda.

O momento mais difícil para Marie foi acordar no meio da noite que sucedeu a sua perda. Assim que o pesadelo do dia anterior caiu sob a sua cabeça, ela se deu conta de que não estava mais grávida. "Senti-me realmente desesperada, perguntando a mim mesma como poderia vir alguma coisa boa de tudo isso", ela conta.

À procura de respostas para questões tão difíceis, os dois se voltaram para a fé. "Não sabíamos por que não tínhamos conseguido ficar com eles", disse Marie. "Mas, seja qual for a razão, Deus permitiu que eles fossem tirados de nós. Temos fé de que eles estão agora no Céu, descendo para tentar nos puxar para lá com eles. Acreditamos que temos três pequenos anjos lá em cima, intercedendo por nós, a fim de que também nós um dia cheguemos lá."

Ao invés de focar na sua perda, o casal decidiu dar atenção às bênçãos que recebeu. "De qualquer modo, esses bebês são um testemunho de vida. É isso o que eles são. É isso o que temos de ver em tudo isso", diz Marie.

Apesar da dor e da perda, os pais nunca pensariam em tirar a vida de seus filhos. Eles sabem que o luto e o sofrimento não têm a palavra final.

Os trigêmeos já têm feito a diferença nas vidas de todos os que os conheceram. Os vizinhos se uniram para ajudar Jason e Marie. Os membros da família superaram as suas pequenas diferenças e ficaram juntos. A fé em Deus e os laços familiares foram fortalecidos; os corações frios foram aquecidos.

"De alguma forma, o simples fato de ver as suas vidas muda um coração", diz Jason. "A esperança e a oração" dos dois é que, compartilhando a sua experiência, outros "sejam encorajados" a enfrentar escolhas difíceis relacionadas à vida.

Eles colocaram no YouTube um emocionante tributo em memória aos seus três filhos. Os pais escreveram e gravaram uma canção cordial e inspiradora que acompanha a sua história, a qual é contada pelas fotos e pelo texto. O vídeo já recebeu mais de 4 milhões de visualizações.

"Graças a Deus, as vidas dos nossos bebês podem, de alguma forma, fazer a diferença, ainda que seja apenas fortalecendo e encorajando as pessoas que já estão no movimento pró-vida", diz Jason.

Gunnarson denominou o testemunho dos Taylor como "corajoso e surpreendente". Eles mostraram ao mundo que trazer crianças de 22 semanas ao mundo, mesmo sem longas perspectivas de vida, é "a coisa mais natural e mais saudável a se fazer". Ainda que Bernadette, Christine e Adam não fossem capazes de sobreviver senão por algumas horas, foram horas preciosas de existência – horas que dão testemunho do valor e dignidade de cada pessoa humana.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Ativistas exploram abuso de menor para legalizar aborto no Paraguai

Menina de 10 anos grávida por estupro é o novo “cavalo de batalha” da Anistia Internacional para legalizar o aborto na América Latina.

"Menina de 10 anos grávida por estupro no Paraguai": uma manchete assim, sem dúvidas, é de chocar e paralisar qualquer um. Como mãe de uma menina de 12 anos que vive no Paraguai, não posso sequer começar a imaginar o que sentiria em meu coração se algo desse tipo acontecesse a minha filha.

Há alguns dias atrás, a mídia no Paraguai reportou justamente essa manchete. Uma garota de 10 anos foi levada à unidade de emergência de um hospital em Assunção, reclamando de dores abdominais e de um inexplicável crescimento no tamanho de sua barriga. Depois de vários testes, os médicos chegaram a uma conclusão: a menina estava grávida.

Em 2014, a mãe da garota havia denunciado o homem com quem vivia para a polícia, acusando-o de molestar a sua filha, que, então, tinha nove anos de idade. A polícia começou a investigar o caso, mas a mãe logo retirou a acusação, assegurando à polícia que tudo não passava de um mal-entendido. A mãe continuou a viver com o homem, e agora, um ano depois, sua filha pequena está grávida de 23 semanas. Acredita-se que a menina era sujeita a abusos constantes e que sua mãe sabia, ou pelo menos suspeitava o que estava acontecendo.

Neste caso terrível, há duas vítimas e vários culpados. Obviamente, as vítimas são a jovem garota e o seu bebê. Tenho sentimentos divididos em relação à mãe da garota pequena. Como mulher, não colocaria toda a culpa sobre a mãe da menina, pois estou convencida de que a violência experimentada pela garota provavelmente também foi sofrida e temida por sua mãe. Contudo, como mãe que sou, também sei que lutaria com unhas e dentes contra qualquer um que tentasse ferir algum dos meus filhos. Daria alegremente a minha vida para defendê-los.

Não se pode desculpar as ações ou, neste caso, a omissão de uma mãe que fracassou em proteger a sua filha – e a mãe agora se encontra presa por sua cumplicidade no abuso. A polícia afirmou que por mais de um ano a mãe da garota sabia que sua filha era abusada por seu parceiro, mas deixou que isso continuasse.

Neste ínterim, o principal criminoso, o homem que estuprou e engravidou a menina de 10 anos, está foragido, tendo se escondido desde o momento em que o caso se tornou público.

Diante de tragédias desse gênero, no entanto, nossa sociedade é obrigada a lidar com uma situação mais comum do que se pode imaginar. De acordo com o Ministro da Saúde do Paraguai, em 2014, houve 684 casos de gravidez em garotas entre 10 e 14 anos. Essa estatística deixa entrever a magnitude do problema.

Agora, o que deve ser feito com a jovem menina grávida?

A Anistia Internacional está usando este caso para pedir a legalização do aborto. A organização montou um lobby intenso para pressionar o governo paraguaio a abortar a criança com 27 semanas de vida. Estão apelando para a chamada "interrupção legal da gravidez", com vistas a proteger a saúde da jovem menina.

Os advogados dessa campanha repetem o mantra de que o Estado deve agir "o mais rápido possível para proteger todos os direitos humanos das mulheres, começando com o direito à vida, à saúde e à integridade física e psicológica, a curto, médio e longo prazo". Eles dizem defender o "direito à escolha".

Eu me pergunto se os ativistas da Anistia Internacional estão realmente preocupados com a jovem garota. Porque, aparentemente, o que eles estão realmente fazendo é usar a menina, usar a sua trágica circunstância, para fazer avançar a sua própria agenda.

Será que eles não percebem que o que estão propondo como solução é simplesmente cometer uma outra injustiça? Que dois erros não fazem um acerto? Que aquela que estão punindo com a morte é a mais indefesa e inocente das partes envolvidas?

O art. 4º da Constituição da República do Paraguai é claro em afirmar que o Estado deve proteger a vida desde o momento da concepção ("El derecho a la vida es inherente a la persona humana. Se garantiza su protección, en general, desde la concepción."). Neste caso, seja a garota de 10 anos que foi abusada, seja o bebê que ela carrega em seu ventre, ambas têm o direito de demandar que o Estado aja para proteger as suas vidas. Ambas devem ter acesso a todos os esforços médicos necessários para atendê-las; ambas são vítimas e merecem todo o suporte da sociedade e do Estado.

O valor de uma vida não é definido pela sua idade, por seu estágio de desenvolvimento ou pelas circunstâncias sob as quais foi concebida. Toda vida é valiosa em si mesma. As autoridades têm a obrigação moral e o dever constitucional de proteger ambas as crianças e dar a elas o cuidado necessário para salvar as suas vidas.

Ainda que a Anistia Internacional afirme que o aborto seja necessário para salvar a vida e a saúde da jovem criança, no momento, felizmente, a sua vida não se encontra em risco. A médica que a está acompanhando, Dolores Castellanos, confirmou que a gravidez está se desenvolvendo sem afetar a saúde do bebê ou da pequena garota. No entanto, a propaganda midiática em torno do caso insiste que a jovem irá morrer se chegar ao final da gestação.

Para o seu maior crédito, o governo tem sido cauteloso e equilibrado. O Ministro da Saúde, Antonio Barrios, não sucumbiu à pressão do lobby internacional pró-aborto. Ele afirmou que o governo tomou medidas estritas para proteger a criança e o bebê.

Além disso, várias organizações sem fins lucrativos e outras instituições do Paraguai se apressaram em oferecer ajuda com assistência integral, como aconselhamento, suporte material e financeiro a curto e longo prazo, e apoio contínuo, levando em consideração – o que é o mais importante – a vida de ambas as crianças, a jovem mãe e o seu bebê. Já outros, como a Anistia Internacional, não oferecem assistência às vítimas, mas, ao contrário, apenas tiram proveito da situação, tentando estabelecer um precedente para a legalização do aborto, a fim de criar leis que violem o direito à vida.

Se, por um lado, é louvável o cuidado integral e generoso pela jovem garota e sua filha, por outro, trata-se apenas de apagar um fogo que infelizmente se acenderá de novo no futuro. Mais deve ser feito para atingir as raízes da tragédia com que essa garota e outras tantas crianças têm que lidar.

Ao invés do aborto, é hora do governo sancionar soluções efetivas para o abuso infantil. Que ele legisle para promover campanhas de combate a esse problema, em primeiro lugar, e que promova uma cultura de apreço e cuidado pelas crianças – ao invés de criar uma sociedade ainda mais insensível e que tolere o assassinato de crianças como solução. Há que se proteger todas as crianças, nascidas e não nascidas, porque são o rosto futuro da sociedade.

Mas, acima de tudo, urge compreender que a melhor resposta para o abuso infantil sempre esteve bem à frente dos nossos olhos. É uma solução tão óbvia que chega a ser inacreditável que tantos "especialistas" não a tenham enxergado: é preciso fortalecer a família encabeçada por um pai e uma mãe. A família é a mais básica organização sem fins lucrativos, e aquela que mais visa o bem comum. É focada na saúde do indivíduo e é a única verdadeira fundação da sociedade.

A pequena garota hoje grávida vem de uma família que é o retrato da disfunção familiar. A mãe, que tinha um emprego de baixa renda, tinha três filhos de três diferentes pais: um de 13 anos, a pequena menina de 10 que está grávida, e um menino de 8 anos. Importa, pois, atacar as raízes profundas do problema.

Não há melhor investimento para o governo do que fortalecer, proteger e promover o casamento e a família como coluna social insubstituível, especialmente quando há jovens crianças envolvidas nisso. A sociedade como um todo deve abraçar uma cultura que reconheça e valorize a família e todos os seus membros como um tesouro a ser cuidado e preservado.

Isso por que essa pequena garota e outras como ela passaram é algo impossível de apagar. Foi roubada delas a inocência da infância. O abuso ao qual ela foi sujeita deixará uma marca permanente em sua memória e em sua alma. Isso requer o nosso suporte e a nossa ajuda. Mas pensar que matar o bebê em seu ventre vai ajudá-la de alguma forma é um erro grave. Isso não vai amenizar, ao contrário, só vai aumentar o estrago causado por essa experiência. Violência não pode ser apagada com mais violência.

Como minha avó me dizia: "Não importa o quanto me enfureça um prato quebrado, nunca acharei que a solução seja destruir o resto da porcelana."

Por Andrea Radil | Tradução: Equipe CNP

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‘Eu achava que o hospital era um lugar para curar as pessoas, não para matá-las’

“Asfixia! Morte por asfixia!” Enfermeiras relatam o drama de mais bebês nascidos vivos durante abortos malsucedidos.

Geralmente, quando um bebê nasce vivo durante um procedimento de aborto, ele é mantido na clínica de aborto até morrer. Em alguns casos, o aborteiro mesmo age para matar o bebê. Mas, às vezes, ele é transferido para um hospital, onde pode receber os devidos cuidados médicos. Infelizmente, é a política de muitos hospitais simplesmente deixar que essas crianças morram.

A enfermeira Kathleen Malloy, de Jacksonville, Flórida, testemunhou a morte de um bebê que nasceu depois de um aborto salino e foi transferido ao seu hospital. Um panfleto pró-vida de título Children: Things We Throw Away? ["Crianças: Coisas que Jogamos Fora?"] conta a sua história:

"Eu trabalhava no turno da noite, das 23h às 7h, e quando estávamos desocupadas, eu saía para ajudar com os recém-nascidos. Uma noite, vi um berço do lado de fora da enfermaria. Tinha um bebê nesse berço – um bebê perfeitamente formado, chorando –, mas havia uma diferença nessa criança. Ela tinha sido escaldada. Era a criança de um aborto salino.

Parecia que aquela pequena menina tinha sido colocada em uma panela de água fervente. Ali, não havia ninguém, nenhum médico, nenhuma enfermeira, nenhum pai, para confortar aquela criança ferida e queimada. Ela foi deixada para morrer agonizando. Não a deixariam na enfermaria – sequer se preocuparam em cobrir a menina.

Senti vergonha de minha profissão naquela noite! É difícil acreditar que isso possa acontecer em nossos hospitais modernos, mas acontece. Acontece o tempo todo. Eu achava que um hospital era um lugar para curar os doentes – não para matar.

Perguntei a uma enfermeira em outro hospital o que elas faziam com os bebês que eram abortados por solução salina. Diferentemente do meu hospital, onde o bebê tinha sido abandonado enquanto lutava para respirar, no hospital dela, elas colocavam a criança em um balde e o fechavam com uma tampa. Asfixia! Morte por asfixia!"

Um aborto salino é realizado injetando-se uma solução salina cáustica dentro do líquido amniótico que envolve o bebê. Ele inspira o líquido, que queima os seus pulmões e a sua pele, fazendo-o morrer no prazo de poucas horas. A mãe, então, entra em trabalho de parto, para dar à luz uma criança morta. Hoje, esse tipo de aborto é raro, devido à grande probabilidade de as crianças nascerem vivas e ao alto risco de morte que esse método representa para a mulher: a solução poderia prejudicar seriamente o seu corpo, se a injeção caísse em sua corrente sanguínea. Um procedimento similar pelo qual o veneno é injetado no coração do bebê ou, em alguns casos, no líquido amniótico, ainda é praticado hoje em dia, sendo usado em casos de aborto tardio – no segundo e terceiro trimestres de gravidez.

O bebê que Malloy viu morrendo não ganhou nem um nome, nem a chance de viver. Em uma situação parecida, Gianna Jensen, que também foi abortada pelo método salino, recebeu assistência médica e sobreviveu. Hoje, ela é uma ativista pró-vida. O seu testemunho pode ser encontrado abaixo:

Um artigo de 2002 publicado em The Journal of Clinical Nursing parece sugerir que enfermeiras se deparam com bebês vivos depois de abortos malsucedidos com certa frequência. De acordo com o artigo:

"No caso de procedimento tardio, a morte do feto antes do parto, embora seja usual, não acontece sempre, exceto em casos raros de extrema anormalidade física. (...) De fato, às vezes, o feto tentará respirar ou mover os seus membros, o que torna a experiência extremamente angustiante para as enfermeiras. Além disso, enquanto a mulher provavelmente passará por esse processo uma vez na vida, enfermeiras podem passar por isso várias vezes no ano ou até em uma mesma semana." [1]

O artigo cita a autora e conferencista Annette D. Huntington, Ph.D., que diz que nascidos vivos durante casos de aborto são uma "ocorrência regular".

Outra enfermeira que se encontrou na terrível situação de cuidar de um bebê abortado contou a sua história no jornal do Friendship Pregnancy Center (agora chamado de Women's First Choice Center), em Morristown, Nova Jersey. A sua história, que pode ser lida na íntegra aqui, é aterradora. Na noite em que o bebê abortado chegou, três bebês prematuros de um hospital próximo estavam sendo atendidos, dois dos quais corriam risco de morte, e os médicos lutavam para salvar suas vidas. Enquanto eles trabalhavam duro para ajudar esses dois bebês queridos, a vítima do aborto foi trazida:

"A enfermeira da seção de parto e nascimento entrou em nossa unidade carregando uma manta e afirmando: 'Este é um aborto por prostalglandina. Ele tem pulsação e por isso o trouxemos.' O bebê foi colocado debaixo de um aquecedor radiante e eu fui inteirada do resto dos fatos. O bebê era dado como sendo de 23 semanas, pelo ultrassom. A mãe tinha câncer e recebeu tratamentos de quimioterapia antes de descobrir que estava grávida. Os pais ficaram sabendo que o seu bebê sairia horrivelmente deformado por causa da quimioterapia.

Olhei para o menino deitado diante de mim e vi que, sob todos os aspectos, ele era perfeito. Tinha uma boa e forte pulsação. Podia dizer isso sem usar um estetoscópio porque via seu peito se movendo em sincronia com a sua frequência cardíaca. Com o estetoscópio, eu ouvia um coração que bombeava com força. Olhei para o seu tamanho e sua pele – ele definitivamente parecia mais maduro que 23 semanas. Pesei-o e descobri que ele tinha 900 gramas. Quase duas vezes o peso de alguns bebês que tivemos a capacidade de salvar. Uma médica foi chamada. Quando ela chegou, o bebê começou a agitar seus bracinhos e perninhas. Tentou começar a inspirar, mas não podia puxar o ar para dentro de seus pulmões. Todo o seu corpo estremecia com os seus esforços para respirar. Fomos reunidas por um neonatologista e eu supliquei com ambos os médicos, dizendo: 'O bebê é viável – olhem para o seu tamanho, olhem para a sua pele –, ele parece ter muito mais que 23 semanas.'

Foi um momento horrível ver cada um de nós lutando com nossos próprios padrões éticos. Argumentei que devíamos fazer uma tentativa de ressuscitação, para fazê-lo respirar. O médico residente me disse: 'Isso é um aborto. Não temos nenhum direito de interferir.' O especialista, que teve a responsabilidade pela decisão, apertava as mãos e dizia com calma: 'Isso é muito difícil. Meu Deus, é muito difícil quando se está tão perto.' No final, eu perdi. Não íamos tentar ressuscitar aquele bebê. Então, fiz a única coisa que podia fazer. Mergulhei o meu dedo indicador na água esterilizada e, aplicando-a na sua cabeça, batizei a criança. Depois o envolvi em um cobertor para mantê-lo aquecido e o segurei. Eram as únicas medidas que eu podia tomar para confortar o bebê naquelas circunstâncias, ainda que eu quisesse muito fazer mais. Segurei esse pequeno menino, que estava ainda ofegante, tentando sobreviver. Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, pedi a Deus que ele levasse aquela criança para o Seu cuidado e que me perdoasse pela minha própria parte em sua morte. Pouco depois, ele parou de respirar. Seu coração continuava a bater, mas as batidas ficaram mais lentas e mais fracas, até finalmente pararem. Ele se tinha ido."

Ironicamente, enquanto a enfermeira tinha nos braços aquela criança abortada agonizando, os médicos lutavam para salvar a vida de outro bebê prematuro – este, porém, querido –, exatamente na mesma sala, a menos de cinco pés de distância. Infelizmente, também esse bebê morreu – a este, contudo, foi dado todo o tratamento médico possível, enquanto o bebê abortado foi completamente ignorado.

Outra enfermeira, Joan S. Smith, conta a seguinte história:

"Foi uma noite que eu jamais esquecerei. Eram 23h, eu e minha colega de trabalho Karen nos preparávamos para começar o nosso turno na Special Care Nursery ["Enfermaria de Cuidados Especiais"] de um grande hospital universitário... De repente, uma enfermeira atormentada correu para a porta.

O seu uniforme branco parecia fora de lugar na área do hospital em que se usavam apenas roupas cirúrgicas.

'Aqui, pegue isso', ela disse, empurrando para as minhas mãos uma tipo de panelinha de prata coberta com um papel toalha.

'O que é isso?', eu perguntei, percebendo pelo seu rosto que havia algo de muito errado.

'É um aborto de 22 semanas de gestação, realizado no nosso piso. Mas está vivo', ela explicou. Então, deu nos calcanhares e se foi. Eu tirei o papel toalha e vi o corpo perfeitamente formado de um bebê encolhido na fria panela de metal... Karen se aproximou para ajudar. 'Isso acontece de vez em quando', ela explicou, com pesar. Karen tinha sido treinada no hospital e trabalhava lá por mais de 15 anos.

Segurando o seu bracinho, eu tentava pôr em ordem a confusão das minhas emoções. Sentia-me impotente, com raiva e esmagada pela tristeza. Como podia o nosso sistema médico ser tão cheio de ironias? Ali eu estava, cercada de tecnologia médica, a qual, no entanto, não era de serventia nenhuma para aquela pequenina criança. Eu me perguntava se os seus pais pelo menos fossem avisados que o seu filho fôra admitido ao hospital como um nascido vivo, com pegadas impressas, número de identificação e fita na cabeça, se um médico notificasse o seu nascimento... Mas, tudo não passava de uma mera complicação imprevisível de um aborto rotineiro. Levou quase quatro horas até que aquele coraçãozinho diminuisse até parar de bater. Com lágrimas em meus olhos, envolvi o seu corpo para o necrotério. Isso era tudo da vida que aquela criança conheceria. Ela nunca saberia o que era o calor do abraço de uma mãe. Ninguém jamais celebraria o seu nascimento. Ela jamais sequer receberia um nome."

Não é desconhecido que um bebê nascido com 22 semanas sobreviva com tratamento médico. A pequena Amillia Taylor nasceu com apenas 21 semanas e 6 dias, pesando menos de 300 gramas. Ela sobreviveu e é uma criança saudável hoje. Na verdade, a mãe de Amillia teve que mentir para conseguir que os médicos tratassem a sua filha – eles tinham uma política de não cuidar de crianças nascidas antes de 23 semanas.

Um bebê alemão nascido com 21 semanas e 5 dias também sobreviveu. A sua história pode ser encontrada aqui. O artigo também cita o exemplo de um bebê canadense que nasceu com menos de 22 semanas e sobreviveu.

Casos de aborto tardio tornam tênue a linha que separa o aborto do infanticídio. Claramente, quando um bebê é capaz de sobreviver por si mesmo, ainda que por pouco tempo, torna-se óbvio que o aborto é o assassinato de um ser humano. Na verdade, a vida é um continuum desde a concepção até a morte natural – ainda que bebês abortados nos últimos estágios da gestação sejam mais completamente desenvolvidos, o aborto é um assassinato desde o início. Porém, histórias de bebês nascidos vivos e rejeitados pela assistência médica são aterradoras: elas testemunham e acusam a nossa sociedade, que permite atrocidades desse gênero.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Referências

  1. Huntington, A.D. (2002). Working with women experiencing mid-trimester termination of pregnancy: The integration of nursing and feminist knowledge in the gynaecological setting. Journal of Clinical Nursing, 11(2), 273-279.

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‘Isso não é um bebê. É um aborto!’: a tragédia de bebês nascidos vivos durante a prática do aborto

"As laterais da sacola pulsavam, como se alguém estivesse respirando dentro dela. Então, o saco parou de se mover."

Quando uma representante da Planned Parenthood testemunhou contra um projeto de lei da Flórida que defendia bebês nascidos vivos durante abortos malsucedidos, ativistas pró-aborto reclamaram que este cenário não era real. Situações como essas, no entanto, têm acontecido desde que o aborto se tornou legal nos Estados Unidos. Um número considerável de funcionários de clínica de aborto, médicos e ex-aborteiros tem quebrado o silêncio e falado sobre essas crianças a quem foi negada assistência médica depois do parto.

No livro The Ambivalence of Abortion ["A Ambivalência do Aborto"], a autora pró-aborto Linda Bird Francke recolheu o depoimento de várias pessoas envolvidas na indústria do aborto. Ela cita uma enfermeira, que conta a seguinte história:

" Tivemos um salino (tipo de aborto) que nasceu vivo. Eu corri para a enfermaria e pus aquilo em uma encubadora. Chamei o pediatra para ajudar, mas ele se negou. 'Isso não é um bebê. É um aborto!', ele disse." [1]

Embora o destino da criança não tenha sido revelado, é praticamente impossível que ela tenha sobrevivido sem assistência médica às lesões fatais de um aborto salino.

Em um procedimento desse gênero, uma solução salina cáustica é injetada no útero materno, envenenando o líquido amniótico e matando o bebê no curso de algumas horas. A mulher entra em trabalho de parto para dar à luz um bebê morto. Esse método foi abandonado na década de 1990 pelo grande número de abortos malsucedidos e porque era perigoso para a mulher. Foi substituído pela D&E ("dilatação e evacuação"), um procedimento brutal pelo qual o bebê é dilacerado com um fórceps e extraído pedaço por pedaço. Uma técnica similar à do envenenamento salino, que ainda é realizada hoje, consiste na injeção de digoxina diretamente no coração do feto. A substância "amolece" o cadáver, tornando mais fácil o ato de rasgá-lo e retirá-lo do útero. Abortos por digoxina são geralmente feitos nos últimos dois trimestres e, às vezes, também produzem nascidos vivos.

Em In Necessity and Sorrow: Life and Death in an Abortion Hospital ["Na Necessidade e no Sofrimento: Vida e Morte em um Hospital de Aborto"], Magda Denes, outra autora pró-aborto, relata o testemunho de Teresa Etienne, identificada como funcionária de uma clínica:

"A única vez em que pensei sobre aborto em termos de religião foi quando vi alguns fetos e um tinha nascido vivo. Eu realmente vi um deles, até senti a batida do coração. Eu o toquei. Parecia um bebê, mas era muito pequeno. Era realmente lindo. Muito calmo. Na verdade, estava começando a morrer. As batidas do coração estavam diminuindo. Ele estava indo para o Hospital Bellevue e um rapaz dizia: 'Eu não sei porque temos que levar isso pra lá, já que vai morrer de qualquer jeito. Por que passar por todo esse aborrecimento?" [2]

Um caso no qual um bebê nascido vivo foi morto por ação direta do aborteiro veio à luz quando funcionários de uma clínica revelaram o que aconteceu. Nas palavras do autor pró-vida Mark Crutcher:

"De acordo com cinco empregados de uma clínica de aborto, o aborteiro texano John Roe 109 (pseudônimo) estava realizando um aborto quando uma menina do tamanho de um pé (cerca de 30 cm) e com cabelo castanho claro nasceu. Eles confirmaram que o bebê se enrolava na mão de Roe e tentava respirar, enquanto ele segurava a placenta sobre o seu rosto.

Então, ele a jogou em um balde de água e vários empregados confirmaram que bolhas subiram até a superfície. Eles prosseguiram dizendo que Roe, então, 'soltou o feto dentro de um saco plástico... que foi amarrado e colocado no fundo da sala de operações. As laterais da sacola pulsavam, como se alguém estivesse respirando dentro dela. Então, o saco parou de se mover.' Uma testemunha diz que estava segurando o saco no qual Roe colocou a criança e, depois, pôs a sacola no freezer onde os fetos abortados eram armazenados." [3]

Aborteiros descrevem as suas experiências

No artigo Pro-Choice 1990: Skeletons in the Closet ["Pró-Escolha 1990: Esqueletos no Armário", literalmente], o ex-aborteiro Dr. David Brewer descreve a sua primeira participação em um procedimento de aborto tardio. A operação foi feita por histerotomia, um tipo de aborto no qual o bebê é tirado da barriga da mulher, de modo similar a uma secção cesariana.

"Eu me lembro de ver o bebê se movendo, debaixo das membranas da bolsa, assim que a incisão cesariana foi feita, antes que o médico a rompesse. Veio-me à mente: 'Meu Deus, aquilo é uma pessoa'. Então, ele rompeu a bolsa. E quando o fez, é como se viesse uma dor ao meu coração, assim como quando eu vi o primeiro aborto por sucção. Então, ele tirou o bebê, e eu não podia tocá-lo... Não podia mais ser um assistente. Apenas fiquei ali e a realidade do que estava acontecendo finalmente começou a entrar em meu cérebro e coração endurecidos.

Eles levaram aquele bebezinho que fazia pequenos sons e se movia e chutava, e o colocaram naquela mesa, em uma fria tigela de aço inoxidável. Enquanto fechávamos a incisão no útero e finalizávamos a cesariana, a todo momento eu conferia e via aquele pequeno ser se movendo naquela tigela. E ele, é claro, chutava e se movia cada vez menos com o passar do tempo. Lembro-me de ficar pensando e olhando para o bebê quando terminamos a cirurgia e ele ainda estar vivo. Era possível ver o seu peito se movendo, o seu coração batendo e o bebê tentando dar um pequeno suspiro. Aquilo realmente me atingiu e começou a me ensinar sobre o que o aborto realmente era." [4]

Brewer ainda realizaria mais abortos antes de eventualmente sair da indústria e se tornar um interlocutor pró-vida. Mais tarde, na sua carreira profissional, o mesmo David Brewer presenciou o drama de outro bebê nascido vivo depois de um aborto salino:

"Uma noite, uma mulher deu à luz e eu fui chamado a comparecer e examiná-la porque estava fora de controle. Entrei na sala e ela estava caindo aos pedaços, em um colapso nervoso, gritando e se debatendo. As enfermeiras estavam incomodadas porque não conseguiam trabalhar e do mesmo modo todos os outros pacientes, porque essa mulher estava gritando. Quando entrei, vi o seu pequeno bebê vítima de um aborto salino. Ele tinha nascido e ficou chutando e se movendo por um curto espaço de tempo, até finalmente morrer com aquelas terríveis queimaduras – porque a solução salina entra nos pulmões e os queima também."

O doutor Paul Jarrett, outro ex-aborteiro, conta a seguinte história:

"Como a solução salina hipertônica era muito tóxica se, ao invés do saco amniótico, fosse injetada na parede do útero, havia uma constante procura pela droga perfeita. A prostaglandina tornou-se agora a droga da vez, mas um dos primeiros experimentos era com ureia hipertônica. A maior desvantagem do seu uso era o problema dos nascidos vivos. Lembro-me de usar a solução em uma paciente que os residentes da psiquiatria nos trouxeram de sua clínica (...). Nunca esquecerei quando tirei o seu bebê de cerca de 900 gramas e ouvi os seus gritos: 'Meu bebê está vivo, meu bebê está vivo!'. Ele sobreviveu por vários dias."

Outros médicos testemunham o horror

Um médico que cuida de bebês prematuros descreve experiências que teve enquanto ainda fazia residência. Ele ajudou um médico a realizar um aborto terapêutico por histerotomia – técnica na qual o útero gravídico é removido como forma de tornar a pessoa estéril e, ao mesmo tempo, realizar um aborto.

"Eu já havia ajudado em duas outras histerotomias, uma por câncer no endométrio e outra por causa de um tumor benigno. Tinha sido ensinado durante os dois primeiros casos a 'sempre abrir o útero e examinar o seu conteúdo' antes de mandar a amostra para a patologia. Então, depois que o professor retirou o útero, eu – ansioso por mostrar-lhe que já tinha aprendido o procedimento padrão – perguntei-lhe se queria que eu o abrisse, ao que ele respondeu: 'Não, porque o feto pode estar vivo e então estaríamos diante de um dilema ético.'" [5]

Pouco tempo depois, o mesmo médico presenciou com os seus próprios olhos um bebê nascido vivo depois de um aborto:

"Algumas semanas depois, agora no departamento de obstetrícia, eu recuperei uma bolsa de fluído intravenoso que o médico residente havia pedido. O material era para ministrar prostaglandina, uma droga que induz o útero a contrair e expelir o que tem. O paciente fez o mínimo contato visual conosco. Algumas horas depois, eu vi o feto abortado ofegante e movendo as suas pernas em uma arrastadeira, que depois foi coberta com um pano." [5]

Então, ele descreve um aborto por nascimento parcial realizado sem sucesso em um bebê com hidrocefalia. Primeiro, ele conta o modo como o aborto seria realizado:

"O residente descreveu como ia tirar o corpo do bebê e, então, quando a cabeça estivesse presa, inserir o trocarte – um longo instrumento de metal com uma ponta afiada – através da base do crânio. Durante a fase final desse procedimento, ele indicou que moveria o tubo de sucção várias vezes de um lado ao outro do tronco cerebral, para garantir que o bebê nasceria morto. Vários dos pediatras residentes, incrédulos, disseram: 'Você está brincando' ou 'Você está inventando isso'..." [5]

Depois, descreve o resultado da operação:

"Depois, naquela tarde, o obstetra residente realizou o procedimento, mas, infelizmente, a criança nasceu com o coração batendo e alguns suspiros fracos e ofegantes. Então, o bebê foi trazido à UTI neonatal: era uma criança um pouco prematura, que pesava em torno de 2 quilos. Sua cabeça, em si, estava dilacerada. A cama estava suja de sangue e drenagem. Fiz o meu exame (nenhuma outra anomalia detectada), então anunciei a morte do bebê cerca de uma hora depois." [5]

O Dr. Ron Paul, que já foi candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA, contou a seguinte história em uma propaganda de campanha:

"Aconteceu, uma vez, de eu entrar em uma sala de operações onde estavam realizando um aborto em uma gravidez avançada. Eles retiraram um pequeno bebê que era capaz de chorar e respirar, colocaram-no em um balde, puseram-no no canto da sala e fingiram que ele não estava lá. Desci pelo pátio de entrada e um bebê tinha nascido prematuro – um pouco maior que o bebê que tinham colocado no balde – e eles queriam salvar esse bebê. Ali, eram em torno de 10 médicos fazendo todo o possível para salvar a vida daquela criança.

Quem somos nós para decidir, para escolher e descartar uns e lutar para salvar a vida de outros? A menos que solucionemos isso e entendamos que a vida é preciosa e que devemos protegê-la, não seremos capazes de proteger a liberdade."

Esses incidentes são apenas a ponta do iceberg. Não se sabe exatamente, ao longo de todos esses anos, quantas crianças nasceram vivas e morreram silenciosamente – ou foram deixadas para morrer – sem que ninguém revelasse o que aconteceu a elas.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe CNP

Referências:

  1. Linda Bird Francke. The Ambivalence of Abortion. New York: Laurel, 1982. p. 53.
  2. Magda Denes. In Necessity and Sorrow: Life and Death in an Abortion Hospital. New York: Basic Books, 1976. p. 39.
  3. In Mark Crutcher. Lime 5: Exploited by Choice. Denton, Texas: Life Dynamics Incorporated, 1996.
  4. David Kuperlain; Mark Masters. Pro-Choice 1990: Skeletons in the Closet. New Dimensions, October 1990.
  5. Hanes Swingle. A Doctor's Grisly Experience With Abortion. The Washington Times, July 23, 2003. p. A-18.

| Categoria: Pró-Vida

‘Este bebê está vivo!’: a emocionante história da pequena Hope

Como age a indústria da morte diante de um aborto malsucedido? Qual o destino dos bebês que milagrosamente sobrevivem à crueldade dos seus agressores?

Em 2013, o estado da Flórida, nos Estados Unidos, debateu um projeto de lei que previa assistência médica a crianças nascidas vivas durante procedimentos malsucedidos de aborto. Uma representante da Planned Parenthood – a maior rede de abortos norte-americana – foi escolhida para responder por que a organização se opunha a essa legislação. Em um vídeo chocante, ela diz que a decisão sobre o que fazer com a criança, ainda que esteja viva e respirando, deveria ser do médico e da mulher que escolheu o aborto. Em outras palavras, deveria ser permitido matar aquele bebê.

A ideia de que, uma vez marcado para o aborto, um bebê deve ser morto, esteja dentro ou fora do útero, é chocante para muitas pessoas. Mas, quão comum é o fenômeno de crianças nascidas vivas depois de procedimentos de aborto? Não se sabe exatamente, em termos estatísticos, com que frequência isso acontece. Afinal, é conveniente que maior parte desses casos nunca venha à luz. Mas um número suficiente deles foi documentado. É o caso da menina Hope, cuja história chocou os Estados Unidos no final do século XX.

Em 1999, Hope nasceu, apesar de sua mãe estar no meio de um procedimento de aborto.

O aborteiro, Dr. Martin Haskell, estava realizando um aborto por nascimento parcial ("partial birth-abortion", em inglês) em uma jovem mulher. Em um procedimento desse tipo, assim como nos métodos mais usados de dilatação e evacuação, o colo do útero da mulher é dilatado com as laminárias – pequenas lâminas que expandem gradualmente. Então, ela vai para casa. A morte e retirada do feto, propriamente ditos, são feitos um dia ou dois depois da introdução das lâminas, quando elas tiveram tempo suficiente para expandir.

Nesse caso particular, depois de deixar a clínica, a mulher começou a sentir cólicas e foi à unidade de emergência no Centro Médico Bethesda North, em Cincinnati, Ohio, onde ela deu à luz um bebê vivo, do sexo feminino. De acordo com um artigo publicado em The Southeast Missourian, o bebê foi colocado dentro de um prato e posto à parte para ser jogado fora. Quando mandaram a enfermeira levar "aquilo" para o laboratório, Shelly Lowe viu o bebê ofegante e se movendo e disse: "Eu não consigo fazer isso... Este bebê está vivo".

Os médicos se negaram a dar qualquer assistência médica ao bebê, que era estimado em pelo menos 22 semanas. Lowe deu à criança o nome de Hope e segurou a menina, cobrindo-a com um cobertor e cantando para ela, até que ela morresse. "Eu queria que ela se sentisse querida. Ela era uma recém-nascida perfeitamente formada, entrando prematura no mundo, sem que pudesse escolher por isso."

A menina Hope sobreviveu por três horas, enquanto Lowe a segurava e outras enfermeiras a observavam. Os funcionários do hospital que cuidaram do bebê relatam sentimentos constantes de tristeza e luto, mas também de paz – "paz porque ela foi confortada e acalentada até que desse o seu último suspiro", conta a enfermeira Connie Boyles. "Eu sentei e a segurei. Achava que ninguém devesse morrer sozinho", disse Lowe, à época, durante uma coletiva de imprensa com grupos pró-vida locais. "Nós a batizamos. Dei-lhe o nome de Hope ("esperança", em inglês) porque eu esperava que ela conseguisse sobreviver".

O certificado de óbito do bebê reforça a tragédia de sua breve existência. A causa da morte foi identificada como "prematuridade extrema secundária a aborto induzido", que é listada como um modo "natural" de morte. Não lhe foi dado nenhum nome oficial e, ao fim de tudo, o corpo da criança – cuja existência foi sucintamente descrita por duas simples expressões: "nunca se casou" e "nunca trabalhou" – foi cremado.

À época, as enfermeiras que trouxeram à tona a história de Hope foram criticadas e rejeitadas pela comunidade médica por suas declarações. Lowe enfrentou tanta perseguição, que foi quase que obrigada a aposentar. Grupos abortistas ("pro-choice", em inglês) também atacaram as funcionárias em comunicados à imprensa. "Nós estamos extremamente preocupados com a negligência exibida pelas empregadas que foram à mídia com essa história", declarou, na ocasião, Vicki Saporta, diretora executiva da Federação Nacional do Aborto ("National Abortion Federation", em inglês). "Nenhuma mulher deveria temer que a sua experiência médica pessoal fosse usada por políticos e organizações anti-escolha como instrumento para promover uma agenda política".

É digno de nota que nenhum dos artigos que contaram a história da pequena Hope revelou o nome da mulher que cometeu o aborto. Em outras fontes jornalísticas, o incidente chegou a ser descrito como "o aborto espontâneo de um feto inviável de 22 semanas".

Uma porta-voz da Planned Parenthood declarou à Associated Press que estava preocupada porque "o que parecia uma situação muito difícil e trágica estava sendo usado para propósitos políticos". A organização abortista não especificou se a tragédia estava no fato de Hope ter morrido após ter nascido viva ou no fato mesmo de ela ter nascido viva – embora você, leitor, possa supor muito bem qual seja a resposta. No fim das contas, se aquele aborto tivesse tido sucesso, Hope teria morrido sem que ninguém tomasse as suas dores ou sequer se preocupasse com a sua existência. Eis a cruel verdade por trás de todo o palavrório de "escolha" e "direitos da mulher": tudo não passa de uma grande farsa para disseminar a indiferença e promover a morte.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categoria: Pró-Vida

Encontrando vida na morte: a história de Nathan

Vítima de um aborto espontâneo com apenas 13 semanas e 4 dias, o pequeno Nathan recebeu de sua família todas as honras de um funeral.

De acordo com a legislação do Texas, Nathan Isaiah ainda não tinha idade ou peso suficientes para precisar de uma certidão de óbito. Vítima de um aborto espontâneo com apenas 13 semanas e 4 dias, mesmo assim, este pequeno ser recebeu, de sua família, todas as honras de um funeral.

Foi usando um aparelho para ouvir as batidas do coração do bebê que Allison e Daniel – ambos de 28 anos – perceberam haver algo de errado com seu filho. Diferentemente das outras vezes, Nathan estava estranhamente silencioso. Após dois dias procurando por suas batidas cardíacas, sem sucesso, o casal correu imediatamente para uma Unidade de Emergência. "Eu não podia esperar mais para descobrir o que estava acontecendo com meu bebê", diz Allison.

Horas depois, no hospital, os pais recebem a terrível notícia. "O médico finalmente apareceu e disse a mim e ao Daniel que nosso bebê não estava se mexendo e não tinha batidas", relata a mãe. "Ele disse que, embora eu devesse estar com 15 semanas, o bebê estava medindo tanto quanto media com 13 semanas e 4 dias". Naquele momento, confessa Allison, " eu senti como se o meu coração parasse de bater com o do meu bebê".

Em casa, após o choque, Allison foi amparada não só por sua família, mas por sua fé. "Eu sei que o Senhor me deu uma paz além do meu entendimento naquela hora. Sentia como que uma calma e uma tranquilidade diante do Senhor", conta. "Não sabia o que esperar, nem o que devia fazer naquela situação. Tudo o que sabia era que eu não queria soltar a mão de Deus. Eu sabia que Ele estava bem ali comigo. Sabia que Ele estava chorando comigo, que eu podia confiar n'Ele."

Consciente de que teria que retirar Nathan de seu corpo, Allison começa a preocupar-se. Sua irmã, Amy, revela que ela "não queria alguém simplesmente 'sugando o corpo do seu bebê para fora', que aquele pequeno merecia uma honra maior do que essa". " Eu não queria meu bebê desfeito em pedaços como em um procedimento de aborto e descartado em algum cesto de lixo como se não tivesse nenhum valor", diz Allison. "Eu queria ficar com meu bebê, levá-lo para casa e dar-lhe a dignidade de um funeral."

Confirmado o aborto espontâneo na semana seguinte, ela consegue, providencialmente, ter o seu filho em trabalho de parto. Depois de 13 semanas, um procedimento de dilatação e curetagem não era tão eficaz para retirar tudo o que precisava ser retirado de seu organismo. "Eu precisaria ser induzida e ter o bebê no hospital em trabalho de parto. Uma onda de satisfação, gratidão e alívio inundou o meu coração!", ela conta. "Fosse quatro dias mais cedo, o corpo do meu bebê possivelmente seria submetido a horrores indescritíveis e descartado como lixo."

Já na sala de parto, depois de ser induzida, esta jovem mãe recusa quaisquer medicações para a dor. "Eu queria sentir a dor e deixar que a realidade daquele momento me atingisse. Queria estar bem presente e sentir cada contração. Via como uma honra sentir as dores de parto pelo meu filho". Depois de várias horas na sala de parto, o corpo de Nathan finalmente vem à tona. A origem do nome é bíblica. Significa "presente de Deus", porque, diz Allison, "Nathan foi um grande presente de nosso Senhor".

Apesar da dor da perda, sua mãe Allison, seu pai Daniel e seu irmão Matthew, de dois anos e meio, têm razões de sobra para encontrar vida na morte prematura de seu filho. "Eu chorei quando o vi pela primeira vez", conta Allison. "Amei-o desde o momento em que soube que ele era meu."

A experiência fez a família respeitar e ter ainda maior consideração pela vida humana. "Seu pequeno corpo era tão perfeito, com dez dedinhos nas mãos e dez dedinhos nos pés. Tinha um nariz, uma boca, dois olhinhos e ouvidos", descreve a mãe. " Ninguém pode negar que aquele bebê de 13 semanas e 4 dias era um bebê".


Após todo o procedimento, o corpo de Nathan foi levado para casa e enterrado, no leste do Texas, onde Allison e Amy cresceram. Lendo as Sagradas Escrituras e agradecendo a Deus pela vida que puderam conhecer, toda a família se reuniu para sinalizar "a importância de uma vida que muitos desprezariam".

É verdade, são muitos os que negam a humanidade do nascituro, relegando-o como um mero "aglomerado de células". As impressionantes imagens da vida de Nathan, no entanto, apontam para uma direção oposta: a vida é realmente um dom precioso de Deus, desde o primeiro e significativo momento de sua concepção.

Fonte: LiveActionNews.org | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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O ultrassom que mudou a minha vida

Ex-diretora de clínica de abortos conta como abandonou a cultura da morte para se tornar ativista pró-vida

O texto que segue é o primeiro capítulo do livro Unplanned (sem tradução para o português), da ativista pró-vida Abby Johnson. Conta como um simples ultrassom mudou totalmente a sua história e revelou a ela a terrível verdade sobre o aborto. A sua experiência é muito parecida com a do dr. Bernard Nathanson, produtor do filme "O Grito Silencioso". Se ainda não assistiu ao vídeo, clique aqui. Nessa produção, é possível acompanhar, com detalhes de um ultrassom, como é feito um aborto.

Sem mais delongas, eis o testemunho de Abby:

A cabeça de Cheryl apareceu em meu escritório. "Abby, precisam de mais uma pessoa na sala de exames. Você está disponível?"

Eu levantei os olhos de minha papelada, surpresa. "Claro."

Embora estivesse com a Planned Parenthood por oito anos, nunca tinha sido chamada para a sala de exames para ajudar a equipe médica durante um aborto, e não fazia ideia por que precisavam de mim agora. Eram as enfermeiras instrumentistas quem ajudavam nos abortos, não as outras equipes da clínica. Como diretora dessa clínica em Bryan, Texas, eu podia ocupar qualquer posição, se fosse necessário, exceto, é claro, a dos médicos e enfermeiras realizando procedimentos médicos. Em algumas ocasiões, atendi ao pedido de uma paciente de ficar com ela e até segurar a sua mão durante o processo, mas apenas quando era eu a assistente a acompanhá-la durante a entrada e o aconselhamento. Não era o caso de hoje. Então, por que precisavam de mim?

O aborteiro visitante de hoje só esteve aqui, na clínica de Bryan, duas ou três vezes antes. Ele praticava abortos privadamente a cerca de 160 quilômetros de distância. Assim que conversei com ele sobre o trabalho, algumas semanas antes, ele me explicou que, para ficar mais fácil, só fazia abortos por ultrassom – o procedimento abortivo com o menor risco de complicações para a mulher. Porque esse método permite ao médico ver exatamente o que está acontecendo dentro do útero, há menos chances de perfurar a parede do útero, um dos riscos do aborto. Eu respeitava isso da parte dele. Quanto mais pudesse ser feito para manter as mulheres seguras e saudáveis, melhor, eu pensava. No entanto, expliquei a ele que essa prática não era o protocolo comum em nossa clínica. Ele entendeu e disse que seguiria nossos procedimentos usuais, embora concordássemos que ele estaria livre para usar o ultrassom, se a situação assim o exigisse.

Pelo que sabia, nunca tínhamos feito abortos por ultrassom em nossas instalações. Fazíamos abortos apenas em sábados alternados, e a meta estipulada por nossa filial era realizar de 25 a 35 procedimentos naqueles dias. Gostávamos de terminar tudo por volta das 14h. Nosso procedimento costumava durar em torno de 10 minutos, mas um ultrassom atrasava mais 5 minutos – e quando você está agendando 35 abortos para um dia, esses minutos a mais fazem a diferença.

Relutei por um momento do lado de fora da sala de exames. Nunca gostei de entrar nessa sala durante um procedimento de aborto – nunca aceitei bem o que acontecia por trás daquela porta. Mas, como todos nós devíamos estar prontos para colaborar e fazer o serviço, eu abri a porta e entrei.

A paciente já estava sedada – ainda consciente, mas grogue –, com o médico lançando a luz sobre ela. Ela estava em posição, os instrumentos arrumados na bandeja próxima à porta e a enfermeira posicionava a máquina de ultrassom perto da mesa de operações.

"Eu vou realizar um aborto por ultrassom nessa paciente. Preciso que você segure a sonda", explicou o médico.

Assim que coloquei a sonda de ultrassom nas mãos e ajustei as configurações na máquina, argumentei comigo mesma: Eu não quero estar aqui. Eu não quero participar de um aborto. Não, atitude errada – eu precisava me concentrar para essa tarefa. Respirei fundo e tentei prestar atenção à música de rádio que tocava suavemente ao fundo. É uma boa experiência de aprendizado – nunca vi um aborto por ultrassom antes, disse a mim mesma. Talvez isso me ajude na hora de aconselhar as mulheres. Vou aprender em primeira mão sobre esse processo mais seguro. Além disso, vai acabar em apenas alguns minutos.

Eu não podia imaginar como os próximos 10 minutos iriam abalar as fundações dos meus valores e mudar o curso da minha vida.

Eu havia ocasionalmente diagnosticado clientes por ultrassom antes. Era um dos serviços que oferecíamos para confirmar uma gravidez e estimar a sua duração. A familiaridade de preparar um ultrassom aliviou a minha inquietação por estar nessa sala. Apliquei o lubrificante na barriga da paciente e, então, arrumei a sonda até que o seu útero aparecesse na tela e ajustei a posição da sonda para capturar a imagem do feto.

Esperava ver o que já tinha visto em ultrassons passados. Normalmente, dependendo de quanto tempo era a gestação e de como o feto estava virado, eu via primeiro a perna, ou a cabeça, ou alguma imagem parcial do tronco, e precisava mexer um pouco para conseguir a melhor imagem possível. Mas, dessa vez, a imagem estava completa. Eu podia ver a silhueta inteira e perfeita de um bebê.

Parece-se com Grace quando tinha 12 semanas, eu pensei, surpresa, lembrando da primeira vez em que espreitei minha própria filha, três anos antes, protegida no aconchego de meu ventre. A imagem agora diante de mim parecia a mesma, apenas mais clara e mais nítida. Esse detalhe me assustou. Eu podia ver claramente o contorno da sua cabeça, dos seus braços e pernas, até mesmo dos seus pequenos dedinhos. Perfeitamente.

E, então, rapidamente, o sentimento da ardente memória de Grace foi substituído por um surto de aflição. O que eu estou prestes a ver? Meu estômago se remexeu. Eu não quero assistir o que está prestes a acontecer.

Suponho que isso soa estranho vindo de uma profissional que gerenciava uma clínica da Planned Parenthood por dois anos, aconselhando mulheres em crise, agendando abortos, revisando os orçamentos mensais da clínica, contratando e treinando equipes. Mas, estranho ou não, o simples fato é que eu nunca estive interessada em promover abortos. Eu viria para a Planned Parenthood oito anos antes, acreditando que o seu propósito principal era prevenir gestações indesejadas, reduzindo, desse modo, o número de abortos. Essa era certamente a minha meta. E eu acreditava que a Planned Parenthood salvava vidas – a vida de mulheres que, sem os serviços providos por essa organização, poderiam acabar nas mãos de algum açougueiro de fundo de beco. Tudo isso correu pela minha mente enquanto eu mantinha cuidadosamente a sonda em seu lugar.

"Treze semanas", ouvi dizer a enfermeira, depois de tirar as medidas para determinar a idade do feto.

"Ok", disse o médico, olhando para mim, "apenas mantenha a sonda no lugar durante o procedimento, para que eu veja o que estou fazendo."

O ar frio da sala de exames me fazia congelar. Com meus olhos ainda colados na imagem desse bebê perfeitamente formado, eu assistia ao vídeo, quando uma nova imagem surgiu na tela. A cânula – um instrumento em forma de canudo atado ao final do tubo de sucção – foi introduzida no útero e se aproximava do lado do bebê. Parecia como um invasor na tela, um intruso. Errado. Aquilo parecia errado.

Meu coração acelerou. O tempo parou. Não queria olhar, mas também não queria parar de olhar. Eu não podia não assistir. Estava aterrorizada, mas fascinada ao mesmo tempo, como um desses curiosos que desacelera o carro quando passa diante de algum acidente horrível – não querendo ver um corpo destroçado, mas olhando tudo, mesmo assim.

Meu olhar voou para o rosto da paciente. Corriam lágrimas dos cantos dos seus olhos. Eu podia ver que ela estava sofrendo. A enfermeira limpou o seu rosto com um lenço.

"Apenas respire", a enfermeira gentilmente a instruía. "Respire".

"Está quase acabando", eu sussurrei. Queria ficar focada nela, mas meus olhos voltaram rápido para a imagem na tela.

A princípio, o bebê não parecia se importar com a cânula. Ela tocou suavemente o seu lado e, por um segundo, eu me senti aliviada. É claro, eu pensei. O feto não sente dor. Tinha assegurado isso a inúmeras mulheres, como fora ensinada pela Planned Parenthood. O tecido fetal não sente nada ao ser retirado. Controle-se, Abby. Este é um procedimento médico simples e corriqueiro. Minha cabeça estava trabalhando pesado para controlar minhas reações – não podia esboçar nenhuma inquietação que se parecesse minimamente com terror, enquanto observava a tela.

O movimento seguinte foi o arranco súbito de um pezinho. O bebê começou a chutar, como se tentasse fugir daquele intruso ameaçador. Assim que a cânula apertou o seu lado, o bebê começou a lutar para virar e se mexer. Parecia claro para mim que ele podia sentir a cânula – e não gostava nada do que estava sentindo. Então, a voz do médico interrompeu, me assustando.

" Beam me up, Scotty" [*], ele disse tranquilamente à enfermeira. Estava pedindo a ela que iniciasse a sucção – em um aborto, a sucção só começa quando o médico sente que tem a cânula exatamente no lugar certo.

Eu tive um impulso súbito de gritar: "Pare!", de sacudir aquela mulher e dizer: "Olhe o que está acontecendo com o seu bebê! Acorde! Depressa! Impeça-os!"

Mas assim que concebia essas palavras, eu olhava para minha própria mão segurando a sonda. Eu era uma deles fazendo aquilo. Meus olhos voltaram para a tela de novo. A cânula já estava sendo girada pelo médico e, agora, eu podia ver o seu pequenino corpo ser violentamente retorcido. Por um brevíssimo momento, parecia que o bebê era espremido como um pano de prato, torcido e apertado. Então, ele ficou enrugado e começou a desaparecer para dentro da cânula, diante dos meus olhos. A última coisa que vi foi a sua coluna minúscula e perfeitamente formada ser sugada pelo tubo, e então já era. O útero estava vazio. Completamente vazio.

Eu estava imóvel e incrédula. Sem perceber, soltei a sonda. Ela escorregou da barriga da paciente e deslizou para a sua perna. Eu podia sentir meu coração batendo forte – tão forte que meu pescoço latejava. Tentei puxar fundo a respiração, mas não conseguia inspirar nem expirar. Ainda olhei espantada para a tela, mas ela estava preta agora, porque eu tinha perdido a imagem. Não conseguia assimilar nada. Estava muito chocada e abalada para me mexer. Estava consciente de que o médico e a enfermeira casualmente conversavam enquanto trabalhavam, mas aquilo soava distante, como um vago barulho de fundo, difícil de escutar, tendo o pulsar do meu próprio sangue nos ouvidos.

A imagem do corpo pequenino, destroçado e sugado fora, ainda se repetia em minha mente, e, com ela, a imagem do primeiro ultrassom de Grace – como ela tinha quase o mesmo tamanho. E podia ouvir em minha memória uma das muitas discussões que tive com meu marido, Doug, sobre aborto.

"Quando você estava grávida da Grace, não era um feto; era um bebê", ele dizia. Agora, aquilo me atingia como um raio: Ele estava certo! O que estava no ventre dessa mulher há alguns momentos estava vivo. Não era apenas tecido, células. Era um bebê humano. E estava lutando por sua vida! Uma batalha que ele perdeu num piscar de olhos. O que tenho dito às pessoas por anos, aquilo em que tenho acreditado, o que tenho ensinado e defendido, não passa de uma mentira.

De repente, senti os olhos do médico e da enfermeira em minha direção.

"Abby, você está bem?", perguntou o doutor. Os olhos da enfermeira procuravam o meu rosto com preocupação.

"Sim, estou bem." A sonda ainda não estava corretamente posicionada e, agora, estava preocupada, porque o doutor não conseguia mais ver o interior do útero. Minha mão direita segurou a sonda e a minha esquerda repousou cuidadosamente na barriga quente da mulher. Olhei de relance para o seu rosto. Mais lágrimas e uma expressão de dor. Mexi a sonda até recuperar a imagem do seu útero agora vazio. Meus olhos viajaram de volta para minhas mãos. Olhei-as como se sequer fossem as minhas próprias mãos.

Quantos estragos fizeram estas mãos durante os últimos oito anos? Quantas vidas foram ceifadas por causa delas? Não apenas pelas minhas mãos, mas pelas minhas palavras. E se eu soubesse a verdade, e se a contasse para todas aquelas mulheres?

E se...

Eu tivesse acreditado em uma mentira? Eu tinha promovido cegamente a "linha da empresa" por todo esse tempo. Por quê? Por que não havia procurado pela verdade por conta própria? Por que havia fechado meus ouvidos aos argumentos que escutava? Meu Deus, o que eu tinha feito?

Minha mão estava ainda na barriga da paciente e eu sentia que havia simplesmente tirado algo dela com aquela mão. Eu a tinha roubado. E minha mão começou a doer – sentia uma dor física, de verdade. E bem ali, de pé, ao lado da mesa, com minha mão na barriga daquela mulher em lágrimas, este pensamento emergiu do mais profundo do meu ser:

Nunca mais! Nunca mais.

Entrei no piloto automático. Enquanto a enfermeira limpava a mulher, coloquei de lado a máquina de ultrassom, levantei gentilmente a paciente, que estava mole e grogue. Ajudei-a a sentar-se, coloquei-a em uma cadeira de rodas e a levei à sala de recuperação. Arrumei um cobertor em volta dela. Como muitas pacientes que tinha visto antes, ela continuava a chorar, visivelmente condoída, emocional e fisicamente. Fiz o meu melhor para fazê-la sentir-se mais confortável.

Dez minutos – talvez quinze, no máximo – se passaram, desde que Cheryl me pediu para ajudá-la na sala de exames. E naqueles poucos minutos, tudo mudou. Drasticamente. A imagem daquele bebê sendo torcido e se debatendo ainda se repetia em minha mente… E a paciente? Eu me senti muito culpada. Tinha tirado algo precioso daquela mulher e ela sequer sabia disso.

Como as coisas chegaram a isso? Como deixei que acontecesse? Tinha investido meu ser, meu coração e minha carreira na Planned Parenthood porque me preocupava com as mulheres em crise. E agora era eu mesma quem enfrentava uma crise.

Olhando para trás, para aquele 30 de setembro de 2009, percebo como Deus é sábio não nos revelando o nosso futuro. Se soubesse a tempestade que estava para suportar, não teria tido a coragem de mover adiante. Como eu não sabia, não estava procurando ainda por coragem. Estava, todavia, tentando entender como eu fui terminar naquele lugar – vivendo uma mentira, espalhando uma mentira e machucando toda mulher que eu então queria ajudar.

Eu desesperadamente precisava saber o que fazer depois.

Essa é a minha história.

Por Abby Johnson | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

* A expressão " Beam me up, Scotty!" é um bordão nos Estados Unidos, retirado da série de ficção científica Star Trek ["Jornada nas Estrelas"]. Trata-se de um comando dado pelo Capitão Kirk ao engenheiro-chefe da nave estelar, Scotty, quando ele precisa ser transportado de volta à nave estelar Enterprise. No contexto do procedimento do aborto, significa, como Abby mesmo explica, um comando para "transportar" a criança do útero materno pelo tubo de sucção. Uma tentativa patética por parte do aborteiro de "brincar" com a situação.

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Uma série de comerciais produzidos pela empresa Wacoal chamou a atenção por dar valor à autêntica beleza feminina: aquela que vem de suas virtudes. O projeto tailandês – de nome “Minha Bela Mulher" – traz à luz a história de três mulheres reais, que abandonaram reputação, carreira e a própria integridade para se doarem a outras pessoas, fazendo da máxima do Evangelho: “o que perder a sua vida (...), irá salvá-la" (Mc 8, 35) um verdadeiro propósito de vida.

My Beautiful Woman: A escolha de uma mãe

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As propagandas de Wacoal – uma empresa de lingeries – vão na contramão das peças publicitárias modernas, que tendem à vulgarização do corpo feminino e ao menosprezo da identidade de mãe, a qual toda mulher é chamada a assumir. Como ensina Dom Aquino Corrêa:

“A mulher não é apenas uma formosa estátua de carne. Tem outras belezas muito mais excelentes e nobres: a beleza da sua inteligência, a beleza dos seus sentimentos e, sobretudo, a beleza da sua virtude e do seu caráter"[1].

Em uma sociedade onde a beleza física acaba mais valorizada do que a beautiful inside [“beleza de dentro"], são dignos de aplausos não só os exemplos dessas nobres mulheres, como a coragem dos publicitários que produziram esses vídeos. Eles não temeram nadar contra a corrente e expuseram ao mundo um grande testemunho de humanidade.

Ao final das peças, a frase “Todas as mulheres foram criadas para ser belas" lembra que a beleza verdadeira é atingível. Cooperando com a graça de Deus, toda mulher pode elevar-se e ascender de fato aos céus, tomando como exemplo máximo a bem-aventurada Virgem Maria. Permanecem válidas ainda hoje as sábias palavras de São Pedro às mulheres: “ Não seja o vosso adorno o que aparece externamente: cabelos trançados, ornamentos de ouro, vestidos elegantes; mas tende aquele ornato interior e oculto do coração, a pureza incorruptível de um espírito suave e pacífico, o que é tão precioso aos olhos de Deus" (1 Pd 3, 3-4).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere | Informações: LifeSiteNews.com

Referência

  1. Dom Aquino Corrêa. Concursos de beleza, 27 de dezembro de 1930. In Discursos (v. II, t. II). pp. 68-69. Brasília, 1985.