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Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo

A notícia é de que apenas o sacrário foi levado durante o crime, o sacrário que contém justamente o que de mais valioso têm as nossas igrejas: o próprio Jesus Cristo.

Segundo informações do G1:

"Uma igreja de São João do Sobrado, no distrito de Pinheiros, na região Norte do Espírito Santo, foi furtada na madrugada desta quinta-feira (21). As hóstias e o sacrário da paróquia foram encontradas jogadas em um rio do município durante a manhã.

Segundo a Polícia Militar, foi furtado apenas o sacrário, uma peça parecida com um cofre, que continha as hóstias. O furto foi descoberto pela manhã. A polícia informou que os bandidos usaram alguma ferramenta para remover a fechadura da porta da frente e entrar no templo."

Nós sabemos, pela fé, que Jesus Cristo, o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré, foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e subiu aos céus, está verdadeiramente presente em cada mínima parte, de cada hóstia consagrada, nos tabernáculos do mundo inteiro. Essa notícia que recebemos, portanto, não é de um furto pura e simplesmente, mas de uma verdadeira profanação.

Fotos: Juscimar da Silva Pereira/ Leitor A Gazeta

A todos os internautas que passam por aqui e vêem essas fotos, pedimos, portanto, que parem por um instante o que estiverem fazendo e façam um ato de desagravo a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Orações do Anjo
Ensinadas pelo Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Ato de reparação
Papa Pio XI

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Mosteiro destruído por ISIS na Síria abrigava relíquias dos primeiros séculos da Igreja

O mosteiro católico de Santo Elias foi devastado pelo Estado Islâmico em 2015, mas só agora, com o território provisoriamente retomado, está sendo possível avaliar os estragos causados pelos terroristas.

Os ossos de um mártir foram encontrados entre as ruínas do Mosteiro de Santo Elias, na cidade síria de Al-Qaryatain, retomada das mãos do Estado Islâmico no último domingo (3). Fotos tiradas no local mostram um sarcófago destruído contendo ossos e um crânio.

As imagens, tiradas por uma repórter britânica, mostram as relíquias amontoadas no chão em meio aos destroços. Acredita-se que elas pertençam justamente ao santo que deu nome ao convento: o médico Elias, natural de Emessa (atual cidade de Homs), que foi martirizado em 284 d.C. por se recusar a negar a própria fé. A história diz que o santo foi cruelmente torturado e morto pelo próprio pai, que era um oficial romano.

Partes do Mosteiro de Santo Elias tinham 1.500 anos e, por hospedar os restos mortais de um santo, o local já foi destino de muitas peregrinações. No último dia 20 de agosto de 2015, porém, o lugar sagrado foi devastado por tropas do ISIS.

Capturado três meses antes pelos jihadistas, o padre Tiago Murad, então prior do convento, considerou um verdadeiro "milagre" ter sobrevivido e escapado das mãos de seus perseguidores:

Ainda que os cristãos no Oriente Médio nunca tenham experimentado tempos tão difíceis, a jihad islâmica contra os seguidores de Cristo existe desde os tempos de Maomé. O Islã chama os territórios em que ainda não vigora a lei da xariá dar al-harab, isto é, "casa da guerra": o combate dura até que os "infiéis" se convertam, paguem um imposto religioso ou pereçam pelo fio da espada.

O mosteiro católico de Al-Qaryatain, na Síria, não foi o único a ser destruído pelos terroristas do Estado Islâmico. No Iraque, uma comunidade antiquíssima, de mesmo nome, foi devastada na cidade de Mosul, em 2014. O crime só foi detectado por imagens de satélite.

Imagens do interior do mosteiro na Síria foram divulgadas pelo grupo Estado Islâmico.

É digno de nota que o monastério em cujas ruínas foram encontradas as supostas relíquias de Santo Elias esteja construído sobre o exato lugar em que ele provavelmente ofereceu a sua vida a Deus. A terra que recebeu o sangue dos primeiros mártires da Igreja continua testemunhando o escândalo da nossa fé. Ainda que as circunstâncias sejam outras e os perseguidores sejam diversos, o sangue que se derrama sobre o Oriente Médio é o mesmo que Tertuliano chamou de "semente de novos cristãos". O que pode explicar, afinal, tantas conversões de muçulmanos a Cristo na Europa, quando nem os próprios europeus sabem mais o que significa ser cristão?

À luz do mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, podemos ir além e dizer que o sangue dos mártires feitos pelo ISIS realmente atualiza e continua o sacrifício redentor da Cruz. Nós sabemos, pela fé na comunhão dos santos, que os sofrimentos desses homens e mulheres de Deus não são em vão, mas redundam em benefício de todas as pessoas unidas pelos laços da fé e da caridade fraterna. A exemplo de São Paulo, elas completam em sua carne o que falta à paixão de Cristo (cf. Cl 1, 24).

Do mesmo modo, as relíquias de Santo Elias de Emessa têm um valor inegável. Agora, elas estão misturadas aos destroços de um mosteiro que talvez nunca mais venha a existir. Pela fé, no entanto, nós sabemos que o dono desses ossos ressuscitará dos mortos, e esses mesmos restos que hoje são profanados sobre o pó da terra serão transformados e elevados à glória do Céu — viverão para sempre! As relíquias preciosas que hoje beijamos e veneramos participarão, no fim dos tempos, da bem-aventurança eterna!

Rezemos, pois, para que cesse de vez a profanação das relíquias e dos lugares santos no Oriente. Que o respeito que os muçulmanos têm pela Virgem Santíssima os conduza ao seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em quem reside toda a razão da nossa esperança.

Com informações de Catholic Herald | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Confusão de gênero” cresce entre crianças e adolescentes na Inglaterra

Elas estão aprendendo a “questionar” o seu sexo biológico desde cedo, mas nem sempre sobra algo para colocar no lugar.

O número de crianças diagnosticadas com "disforia de gênero" pelo serviço de saúde da Inglaterra ( National Health Service) aumentou em 1000% ao longo dos últimos cinco anos, de acordo com o jornal The Sun, de Londres. Na clínica de Tavistock and Portman, ao norte da capital, onde todos os pacientes transgêneros com menos de 18 anos são tratados, "suas famílias estão sendo aconselhadas e, em alguns casos, os pacientes recebem tratamentos de bloqueio hormonal" como preparação para uma possível "mudança de sexo" após os 18.

Como sintoma da crise, o diário britânico menciona um episódio recente, acontecido em fevereiro, quando "um menino de cinco anos retornou para a escola, em Nottingham, como menina".

De acordo com o psiquiatra canadense Dr. Joseph Berger, que falou com o LifeSiteNews.com, a solução que está sendo dada para esses casos é inadequada. "Elas deveriam estar fazendo psicoterapia. Essas crianças estão infelizes por uma variedade de razões. Elas deveriam ter tratada a sua infelicidade. Cortar pênis e seios não é tratamento para a infelicidade."

Ainda de acordo com The Sun, o número de jovens diagnosticados com disforia de gênero subiu de 97, em 2010, para 1013, em 2015, com um custo de mais de 2 milhões e 500 mil libras esterlinas para os contribuintes. Apesar do aumento, Bernard Reed, integrante de uma associação de pesquisas de gênero, afirma que o serviço de saúde britânico "não está realmente preparado e treinado para atender essa crescente demanda por assistência médica". Um médico admite que "o aumento deste ano é extraordinário" e que "agora tem se tornado muito difícil prever se os casos continuarão a subir".

Outra notícia, desta vez do jornal The Telegraph, reporta um aumento de 400% nos casos entre crianças com menos de 11 anos: o número pulou de 19, em 2010, para 77, em 2015. A reportagem também traz à luz uma pesquisa feita com 32 jovens que receberam bloqueio hormonal do serviço de saúde, dos quais apenas 8 seguiram para a cirurgia de transgenitalização.

"Quando crianças expressam confusão desse tipo, nós precisamos afirmar a sua identidade dada por Deus e ajudá-las a entender o sexo com que nasceram", diz Andrea Williams, líder do grupo Christian Concern. "Muitas crianças estão simplesmente seguindo o exemplo de outras, sem entender verdadeiramente as implicações disso. Se não fizermos nada para conter essa tendência, poderemos ver muitas crianças tomando decisões das quais elas irão se arrepender no futuro."

O Dr. Joseph Berger explica que pessoas que acreditam mesmo que são do sexo oposto ao seu sexo biológico estão "totalmente loucas" e "precisam ser tratadas com medicamentos antipsicóticos". Todavia, a maioria dos pacientes com disforia de gênero são simplesmente pessoas insatisfeitas, que pensam que mudar o seu gênero as fará mais felizes.

O psiquiatra conta que tratou recentemente de uma jovem "muito atraente", que queria mudar o seu gênero porque, no final das contas, ela pensava que "homens tinham um nível social mais elevado".

Por outro lado, homens podem querer tornar-se mulheres, diz o médico, "porque vêem as mulheres levando vidas mais passivas, ou porque elas usam roupas mais coloridas, ou porque elas chamam mais a atenção". De qualquer modo, maior parte dos jovens com disforia de gênero, se não são encorajados, simplesmente perde o desconforto com a sua identidade em questão de poucos anos.

Embora a cirurgia de transgenitalização esteja "na moda" — e ganhe também as telas do cinema —, o ceticismo em relação a esse lobby vem crescendo. Grupos de pais preocupados e até mesmo de feministas estão resistindo à pressão do establishment: aqueles porque querem defender as crianças, estes porque enxergam no discurso transgênero uma forma distorcida de machismo. "Para ser uma mulher, você deve ser do sexo feminino e, para tanto, tem que ter cromossomos XX e a anatomia específica do sexo feminino", diz um blog feminista crítico do que chama de "doutrina transgender". Mulheres trans não passam de homens "que se identificam como o sexo oposto".

As evidências respaldam os céticos. Em 2014, o Dr. Paul McHugh, médico psiquiatra aposentado da Universidade Johns Hopkins, explicou ao Wall Street Journal que o seu hospital parou com a terapia de mudança de sexo nos anos 70 porque ela não funcionava. Acompanhamentos a longo prazo com pacientes transgêneros mostravam que "as suas adaptações psicossociais subsequentes" não eram em nada melhores que as de quem não tinha feito a cirurgia.

McHugh cita os resultados chocantes de um estudo sueco de 2011, que, depois de acompanhar por 30 anos pacientes que optaram pela mudança de sexo, revelou haver entre eles uma taxa de suicídio quase 20 vezes maior que a do resto da população normal (ou cisgênero, como preferem os politicamente corretos).

A Suécia não oferece nenhuma explicação para a pesquisa, mas o Dr. McHugh não tem dúvidas de uma "mudança de sexo é biologicamente impossível". "Pessoas que se submetem à cirurgia de transgenitalização não mudam de homem para mulher e vice-versa", ele explica, só "se tornam homens feminizados ou mulheres masculinizadas". Por fim, o médico norte-americano faz um alerta sério: "Dizer que isso é um problema de direitos civis e encorajar a intervenção médica é, na verdade, promover e colaborar com uma desordem mental."

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

P.S.: Entenda melhor a dimensão do problema em que vive a Inglaterra, conhecendo a lista que o Departamento britânico de Educação distribuiu este ano às crianças, demandando que escolhessem, de uma lista de 25 opções, qual o gênero com que se identificavam.

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Cristãos na Síria ensinam como viver a fé em tempos de guerra

A guerra que devasta há seis anos a Síria já desalojou e matou milhares de pessoas. A fé dos cristãos, no entanto, é de uma solidez fora do comum. Eles dão “lições de alegria” mesmo em meio aos escombros da guerra.

O cessar-fogo firmado recentemente entre o governo de Bashar al-Assad e os opositores do regime está longe de dar trégua ao caos em que vive a Síria. O país está repartido entre inúmeras facções e já entra em seu sexto ano de guerra.

Ao norte do país, na fronteira com a Turquia, está quase tudo nas mãos dos curdos. O centro e a parte oriental na divisa com o Iraque são propriedade do Estado Islâmico. As forças alauitas de Assad governam a zona costeira e parte do sul do país — salvo alguns enclaves dos rebeldes —, mantendo controle sobre cidades chave, como Hama e Homs, na esperança de um dia reconquistar Aleppo. A província de Aleppo propriamente dita está sob o governo de uma constelação de milícias islâmicas e terroristas.

O balanço de cinco anos de guerra é pesadíssimo: são pelo menos 271 mil mortos — há quem fale do dobro —, um milhão de feridos e 13 milhões de refugiados, 5 dos quais estão espalhados em campos de prófugos em todo o Oriente Médio.

Em meio a tantas mortes e destruição, uma pequena mas resplandecente luz é acesa pelos cristãos, que têm dado um belo testemunho da própria fé diante de seus perseguidores islâmicos. São muitos os seguidores de Cristo que sacrificaram as suas vidas, como o padre Frans van der Lugt, o missionário holandês sepultado no jardim do mosteiro de Homs, que não quis voltar por causa da guerra, para não abandonar os poucos cristãos que restavam na velha cidade tomada pelos rebeldes. "Ajudava a todos, cristãos e muçulmanos", e talvez justamente por isso tenha sido assassinado no dia 7 de abril de 2014.

Também comovente é o martírio de Sarkis el Zakhm — de quem já se pediu a abertura da causa de beatificação —, que em Maloula foi assassinado a sangue frio pelos jihadistas. Os muçulmanos passavam casa por casa para ordenar aos cristãos que se convertessem, sob pena de decapitação. Sarkis respondeu assim: "Sou cristão e, se me quereis assassinar só por isso, fazei-o". De fato, não o pouparam.

São muitos, enfim, os que têm algo a contar sobre os cristãos de Aleppo, constantemente ameaçados pelas bombas lançadas por rebeldes ditos "moderados". Sem água, sem eletricidade, sempre em risco de vida, eles têm dado ao mundo uma verdadeira "lição de alegria". É o testemunho que dá Abbot Semaan Abou Abdou, administrador apostólico da Eparquia Maronita de Aleppo, em entrevista à associação Ajuda à Igreja que Sofre:

"Três palavras resumem a guerra na Síria: assassinato, desalojamento e destruição. Há três questões existenciais: Quando a guerra vai acabar? Para onde estamos sendo conduzidos? Quem está se beneficiando com tudo isso? E há também três questões de fé: Onde está Deus? Por que Deus nos abandonou? Por que Ele não acaba com a guerra? Todos estão confusos, aterrorizados e sem rumo.

Há escassez de água, quedas de energia, falta de gasolina, medicamentos — muitos médicos fugiram da cidade. Além disso, muitos de nossos lares e igrejas foram destruídos. A violência está causando um luto indescritível. Fiquei profundamente abalado no último mês de março [2015] durante o funeral de uma mãe e de suas duas filhas pequenas que morreram em uma explosão. Ali, na igreja, havia três caixões: foi uma cena muito difícil e emocionante. O que eu poderia dizer às pessoas? Todos choravam, especialmente os seus amigos mais jovens. Que o Espírito do Senhor console os corações daqueles que estão em luto.
[...]
Trabalhamos tanto a nível psicológico quanto a nível espiritual: com orações diárias, Missa, o Rosário, celebrando ocasiões importantes como como o Natal e o Ano Novo — para as crianças — e jubileus das famílias, como o aniversário de bodas de 25 e de 50 anos; organizamos banquetes para a comunidade. Fazemos numerosos encontros que dão aos jovens a chance de expressarem os seus sentimentos, rezarem juntos, discutirem tópicos de guerra e paz e a importância vital da aceitação dos outros — como viver nossa fé em tempos de guerra. Visitamos os mais velhos, ajudamos as crianças a fazer suas tarefas e provas, e trabalhamos com as mulheres e donas de casa, com fins espirituais e culturais. A Igreja se ocupa com todas essas coisas na medida em que a situação de segurança permite.
[...]
Há uma perspectiva positiva: todos em Aleppo são mártires em potencial — em particular os cristãos que estão sendo mortos simplesmente porque são cristãos e não querem abandonar a sua fé e a sua terra. Às vezes eu realmente consigo ver que a fé das pessoas está mudando e crescendo. A fé dessa gente é pedra sólida, eles vêm à igreja em grandes números. É possível ver refletido no rosto da maioria uma alegria interior que leva você ao reino espiritual. Eles são capazes de agradecer ao Senhor com todo o seu coração. Não querem reclamar, não obstante a perseguição, o estresse e as privações. Há um sorriso em seus rostos. Eles lhe agradecem e apreciam tudo o que você faz por eles. Meu povo, incluídas as crianças, me dá lições de alegria.

Os cristãos no Oriente Médio são uma minoria — mas o seu número não é importante. O que importa é o valor e o poder inerentes à sua existência e o testemunho da sua presença ativa."

Com informações de Tempi.it | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Descanse em paz, Madre Angélica

Com 92 anos, morreu nos Estados Unidos uma das maiores evangelizadoras dos tempos modernos, Madre Maria Angélica da Anunciação, a fundadora da EWTN.

Neste Domingo de Páscoa (27), enquanto o mundo católico celebrava a festa da Ressurreição do Senhor, morria no estado do Alabama, nos Estados Unidos, Madre Maria Angélica da Anunciação, fundadora do grupo EWTN, sigla em inglês para Eternal Word Television Network ("Rede de Televisão Palavra Eterna", lit.). Embora fosse conhecida principalmente nos países falantes de língua inglesa, graças à Internet o mundo inteiro pode conhecer a grande obra de evangelização que essa irmã religiosa empreendeu durante a sua vida.

Foi quando visitou uma estação de TV batista de Chicago, em 1978, que surgiu o sonho de fazer uma TV católica. "Senhor, eu tenho que ter uma dessas", ela rezou baixinho, enquanto admirava o estúdio. Ao mesmo tempo, ela se repreendia dizendo que irmãs de clausura jamais conseguiriam lidar com essas coisas.

Depois de olhar para o equipamento de satélite, no entanto, Madre Angélica — que, àquela altura, já era priora de uma comunidade religiosa e dava palestras em todo o território dos Estados Unidos — concluiu que não precisava de muito "para atingir as massas". Dois anos depois, ela e as poucas irmãs de sua comunidade (que somavam 12 mulheres) transformariam a garagem que tinham em um estúdio, dando início à maior rede de comunicação religiosa do mundo.

A EWTN nasceu, em 1980, para impulsionar o "crescimento espiritual" dos católicos, com a missão de fazer avançar a verdade, "tal como definida pelo Magistério da Igreja Católica Romana". Seguindo os mesmos passos do Papa João Paulo II, a rede fundada por Madre Angélica se comprometeu desde o princípio a "servir à fé ortodoxa e à doutrina da Igreja como proclamada pelo Sumo Pontífice e por seus predecessores".

Madre Angélica encontra o Papa São João Paulo II.

Seu programa Mother Angelica Live chegou a milhares de famílias, trazendo incontáveis pessoas de volta à Igreja e ressuscitando a fé de muitos católicos. "Se eu pudesse trazer uma alma de volta esta noite, que tenha deixado a Igreja, não seria maravilhoso?", ela dizia ao seu auditório, em um programa de 1992. Com sua oratória espontânea e cativante, Madre Angélica introduzia as pessoas nos mistérios da salvação e na vida de oração, lembrando aos seus telespectadores que a santidade era para todas as pessoas, independentemente da profissão que exerciam. "Todos vocês foram chamados para ser grandes santos. Não percam essa oportunidade!", ela repetia.

O sucesso de seu trabalho de evangelização levou a revista Time a considerá-la "indiscutivelmente a mulher católica mais influente da América".

Nascida Rita Antoinette Rizzo, em 1923, e filha de pais separados, a fundadora da EWTN entrou para um convento de clarissas com apenas 21 anos, professando seus votos perpétuos em 1953. Depois de submeter-se a uma cirurgia delicada em 1956, prometeu construir um mosteiro no sul, caso Deus a permitisse andar novamente — o que efetivamente ela levou a cabo, em 1962. Os difíceis anos pós-conciliares tornaram urgente um trabalho apostólico na área das comunicações, e foi a isso que Madre Angélica se dedicou até 2001, quando um acidente vascular a obrigou a abandonar as telas da TV e a recolher-se em seu convento, no Alabama.

Em 2009, por seus serviços prestados à Igreja, o Papa Bento XVI concedeu-lhe a medalha Pro Ecclesia et Pontifice, a honra mais elevada que um leigo pode receber de um Papa.

Esse reconhecimento, é claro, não significa uma "canonização" — e nem é nossa intenção julgar se Madre Angélica foi santa ou não. Quem quiser conhecer melhor a sua vida, compre em formato Kindle a biografia que o jornalista Raymond Arroyo escreveu sobre a sua personalidade e conheça a fundo a história da sua vida. (Vale muito a pena.) Inegável é o trabalho extraordinário que essa mulher realizou em favor da Igreja e das almas. Que o Senhor Todo-poderoso e Misericordioso recompense grandemente essa serva de Deus, agora que ela se encontra face a face diante da Palavra Eterna que tanto anunciou. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Sugestão

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Irmãs são mortas e padre é sequestrado em atentado no Iêmen

Os terroristas capturaram o sacerdote salesiano Tom Uzhunnalil e podem estar planejando a sua crucificação para a próxima Sexta-feira Santa.

Quatro religiosas foram brutalmente assassinadas no último dia 4 de março, depois que jihadistas — ligados, ao que tudo indica, ao grupo terrorista Estado Islâmico — invadiram a casa de assistência das Missionárias da Caridade da cidade de Aden, extremo sul do Iêmen. A congregação católica, fundada pela Beata Madre Teresa de Calcutá, está no país árabe há mais de 20 anos, socorrendo os mais pobres e necessitados em meio aos constantes conflitos políticos da região.

As vítimas do atentado foram as irmãs Anselm, Reginette, Judith e Marguerite, além de 12 pessoas que trabalhavam no local. De acordo com o relato de uma das sobreviventes do ataque:

"Todos os artigos religiosos foram quebrados e destruídos — imagens de Nossa Senhora, o crucifixo, o altar, o tabernáculo e o suporte do lecionário —, incluindo suas Bíblias e livros de oração."

(...)

"O ISIS não vai sair daqui. Eles querem controlar e exterminar qualquer presença cristã. Eles não mataram as irmãs na guerra porque não tinham nenhuma razão política para perder tempo com elas. Mas agora, elas são a única presença cristã, e o ISIS quer se livrar de todo o Cristianismo. Portanto, elas são verdadeiras mártires, morreram porque eram cristãs. Elas podiam ter morrido várias vezes na guerra, mas Deus quis que ficasse claro que elas são mártires pela fé."

Todos esses martírios, perpetrados por radicais islâmicos, refletem uma crença comum entre os muçulmanos radicais: a de que não há lugar para igrejas cristãs na península arábica. Tal convicção se baseia em um comentário atribuído a Maomé — contido não no Alcorão, mas na Hadith —, de que não haveria lugar para duas religiões na Arábia.

As irmãs de Madre Teresa, Anselm, Reginette, Judith e Marguerite

O padre Tom Uzhunnalil, capelão das irmãs de Aden, foi sequestrado pelos jihadistas e, até o momento, nada se sabe sobre o seu paradeiro. Há rumores, porém, de que o sacerdote estaria para ser torturado e crucificado no dia 25 de março, que neste ano coincide com a Sexta-feira Santa, a comemoração cristã da Paixão e Morte de Cristo. O missionário nasceu no sul da Índia, mas mora no Iêmen há quatro anos.

A família salesiana, à qual pertence o padre Tom, pediu aos membros da congregação e aos fiéis do mundo inteiro que rezem pelas missionárias mortas e também pela libertação do sacerdote capturado. "Convido todos a fazerdes um momento muito intenso de oração na noite de Quinta-feira Santa, quando acompanharmos Jesus em seu sofrimento e solidão no Getsêmani", diz uma mensagem em vídeo do reitor-mor dos salesianos, o padre Ángel Fernández. "Queira Deus que toda a nossa família salesiana no mundo e os jovens estejamos unidos nesta mesma oração, pela paz. (...) Pedimos a paz ao Senhor, uma grande paz eterna para os mártires e uma força especial do Ressuscitado para aqueles que sofrem tanta dor e perseguição. E hoje também lembramos do nosso irmão Tom."

Aproveitemos essa ocasião para rezar também pelas vítimas do atentado de Bruxelas (22/03), o mais recente alvo do Estado Islâmico na Europa. Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace.

Com informações de Asia News | Por Equipe Christo Nihil Præponere

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Famílias protestam contra lei que quer monitorar crianças na Escócia

O plano é compulsório e prevê que o governo nomeie uma pessoa para cuidar do “bem-estar” de cada criança escocesa até que ela complete 18 anos de idade. Associações cristãs protestam e consideram o projeto “um insulto” às famílias.

Uma lei criticada por autorizar ampla intromissão do Estado na privacidade da família foi alvo de protestos, semana passada, na Suprema Corte do Reino Unido, por associações cristãs e grupos em defesa dos direitos dos pais. Colin Hart, um dos manifestantes e membro do Christian Institute, chamou a lei de "um insulto aos direitos fundamentais de mães e pais de criarem os seus filhos do modo como eles acham melhor".

De acordo com o plano, obrigatório para todos os pais, o governo deve nomear uma pessoa para monitorar o "bem-estar" de cada criança escocesa até que ela complete os 18 anos. O projeto não dá aos pais nem a alternativa de sair do programa, nem a possibilidade de nomear para os seus próprios filhos as pessoas que eles quiserem.

A legislação por trás do plano Named Person ("Pessoa Nomeada", lit.) é a Lei da Criança e do Adolescente. Apesar de ter sido aprovada em 2014, ela só será implementada em 31 de agosto deste ano — tempo suficiente para que vários grupos em defesa da família (Christian Institute, Christian Action Research and Education [CARE], The Young ME Sufferers [Tymes] e Family Education Trust), protestem contra a norma, que viola a vigente lei da privacidade e os direitos constitucionais dos pais. O colegiado que terminou de ouvir o caso na quarta-feira (9) diz que vai ordenar ao governo para adiar a execução da lei.

A "pessoa nomeada" pelo governo da Escócia poderá ser um professor, um diretor escolar, uma parteira ou mesmo uma assistente social, e será responsável por "ouvir, aconselhar e ajudar" a criança ou adolescente, ou quando a família pedir ou quando "necessidades de bem-estar forem identificadas". Os "monitores" indicados pelo governo poderão colher informações de médicos, movimentos sociais, escolas, tribunais e até mesmo das crianças, mas sem o conhecimento dos pais. À medida em que os filhos crescem e os seus "tutores" morrem, mudam de emprego ou perdem contato, outras pessoas são nomeadas, alargando o círculo de "confidentes" da família.

De acordo com o porta-voz da campanha No to Named Persons,

"Há duas ideias sinistras por trás disso. A primeira é a de que os pais não podem criar os seus filhos sem ajuda profissional fornecida pelo Estado — de que para as crianças crescerem e se tornarem cidadãos escoceses bem-sucedidos, deve haver uma intervenção governamental desde cedo. A segunda e mais perigosa ideia é a de que cada pai é um abusador de crianças em potencial, de que há muito mais abusos acontecendo que não saem em público, e que a única maneira de prevenir isso é através da intervenção preventiva do Estado."

O plano vai criar uma barreira de suspeitas entre pais, filhos e oficiais do governo, sem falar dos problemas morais que poderão emergir. Aidan O'Neill, do Christian Institute, menciona a possibilidade de um médico prescrever anticoncepcionais a uma adolescente e ela calar o assunto para os seus pais, revelando o segredo apenas para a sua "monitora" — ou mesmo de uma "pessoa nomeada" aconselhar uma jovem a tomar pílulas sem que haja o consentimento expresso dos seus pais.

A coalizão No to Named Persons admite que existem casos de abuso infantil, mas reivindica que o governo da Escócia dê atenção às crianças que precisam da intervenção do Estado, ao invés de acionar uma equipe sobrecarregada de professores e agentes sociais para prestar uma ajuda governamental desnecessária. Os grupos contrários à lei também argumentam que o plano viola o direito das famílias à privacidade na educação dos seus filhos. A linguagem dupla contida no plano dá margem a uma ampla intervenção dos agentes sociais e gera preocupação em todo o país.

Como se sabe, a Escócia não é o único país do mundo a ser ameaçado por uma política totalitária na área de educação. Na Noruega, inúmeras famílias sofrem com a perda dos seus filhos para o departamento de "proteção à infância" do país. Um pai oriundo da Romênia está desde o final do ano passado sem a guarda de suas cinco crianças porque era tido como "muito cristão". Na Alemanha, outro casal já foi encarcerado por ser contrário ao ensino da ideologia de gênero na escola de seus filhos. As notícias são muitas e seriam capazes de preencher muitas páginas. Mutatis mutandis, também o Brasil, com a nova "Base Nacional Comum Curricular", está sob o mesmo perigo.

Certamente, há quem olhe para tudo isso simplesmente como parte do zeitgeist (o "espírito dos tempos"). Estaríamos dentro da marcha inexorável da história, e a nossa única alternativa seria a conformidade e a resignação.

Quem quer que estude um pouco o desenvolvimento das ciências humanas nos últimos séculos, no entanto, sabe muito bem que nada disso é por acaso. Foi a liberdade humana que produziu tudo isso — ou, melhor dizendo, o trágico abuso da liberdade, que termina conduzindo à escravidão. É preciso que o mesmo homem "livre" que voltou as suas costas para Deus (e para si mesmo!) redescubra a sua dignidade e a sua vocação. Caso contrário, chegaremos cada vez mais perto do "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e do "Grande Irmão" de George Orwell. Nunca as distopias da literatura foram tão adequadas à realidade.

Com informações de LifeSiteNews.com | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O fracasso da “prostituição legal” na Holanda

Em 2000, o governo da Holanda decidiu legalizar a prostituição. A lógica parecia simples: dar segurança às mulheres e regularizar o que faziam como “profissão”. As coisas, no entanto, não saíram como o esperado.

Por Julie Bindel* | Tradução: Equipe CNP — Há um conhecido quadro de comédia britânico que retrata dois policiais em Amsterdã, recostados em uma cadeira, se gabando de que não precisariam mais lidar com o crime de homicídio, porque o governo holandês já o tinha legalizado. A cena seria cômica, se não fosse trágica. Em 2000, o governo da Holanda decidiu facilitar a vida de cafetões, traficantes e apostadores, legalizando o já maciço e ostensivamente visível comércio de prostituição. A lógica era tão simples quanto enganadora: tornar as coisas mais seguras para todo mundo. Fazer disso um trabalho como qualquer outro. Uma vez que as mulheres estivessem livres do submundo, então, os bandidos, contrabandistas e traficantes de pessoas iriam cair fora.

Agora, doze anos depois, podemos ver os resultados desse experimento. Ao invés de proporcionar melhor proteção às mulheres, só fez aumentar o tráfico. Ao invés de confinar os bordéis a uma discreta (e evitável) parte da cidade, a indústria do sexo se espalhou por toda a Amsterdã — incluindo o meio da rua. Ao invés de receberem direitos no "ambiente de trabalho", as prostitutas descobriram que os cafetões são tão brutais como sempre foram. A união criada pelo governo para protegê-las tem sido recusada pela vasta maioria das prostitutas, que permanecem assustadas demais para reclamar.

Depois da legalização, os cafetões foram reclassificados como empresários e homens de negócios. Os abusos sofridos pelas mulheres são chamados agora de "acidentes de trabalho", como uma pedra caída no dedo de um construtor. O turismo sexual cresceu mais rápido em Amsterdã do que qualquer outro tipo de turismo: como a cidade se tornou o bordel da Europa, mulheres têm sido importadas da África, do Leste da Europa e da Ásia para satisfazer a demanda. Em outras palavras, os cafetões não só não foram embora, como ganharam legitimidade — a violência não só prevalece, como se tornou parte do trabalho, e o tráfico aumentou. O apoio para que as mulheres deixassem a prostituição ficou praticamente inexistente. A obscuridade inerente a esse trabalho não foi amenizada pela bênção da lei.

O governo holandês esperava exercer o papel de "cafetão honrado", tomando parte do rendimento de prostituição através de impostos. Mas só 5% das mulheres se registraram para a taxa, porque ninguém quer ser conhecida como prostituta — não importa o quão legal isso seja. A ilegalidade simplesmente tomou uma nova forma, com um aumento no tráfico, nos bordéis clandestinos e no lenocínio; com a fiscalização completamente fora de cena, ficou ainda mais fácil quebrar as leis que restaram. Prostituir mulheres de países que não pertencem à União Europeia, desesperadas por uma vida nova, continua ilegal, mas nunca foi tão fácil.

A legalização impôs casas de prostituição em áreas de toda a Holanda, queiram elas ou não. Mesmo se um município ou cidade se opõe ao estabelecimento de um bordel, ele deve permitir pelo menos um — não fazê-lo é ir contra o direito federal básico ao trabalho. Para muitos holandeses, a legalidade e a decência foram irreconciliavelmente divorciadas. Tudo foi um fracasso social, jurídico e econômico — e a loucura, finalmente, está chegando ao fim.

O boom dos bordéis acabou. Um terço dos prostíbulos de Amsterdã foi fechado por envolvimento com o crime organizado e com o tráfico de drogas e devido ao aumento no tráfico de mulheres. A polícia agora reconhece que o famoso Distrito da Luz Vermelha — a zona de Amsterdã em que se concentram as casas de prostituição — se transformou em um centro global de tráfico humano e lavagem de dinheiro. As ruas estão infiltradas de gangues famintas à procura de jovens vulneráveis e vendendo-as como virgens que farão o que quer que sejam mandadas a fazer. Muitos dos envolvidos no comércio regular de turismo de Amsterdã — com os seus museus e canais — temem que os seus visitantes desapareçam juntamente com a reputação da cidade.

Eu estive lá recentemente com Roger Matthews, professor de Criminologia na Universidade de Kent e especialista renomado em tráfico sexual. Os políticos com quem ele conversou confessam que a legislação conseguiu piorar uma situação que já estava desagradável. Começa, então, um trabalho inútil de reparação, com mulheres que alugam vitrines em breve sendo obrigadas a registrar-se como prostitutas — uma medida tão inefetiva quanto a obrigação que elas têm de pagar impostos. Quando a falsa união governamental supostamente representando as mulheres fez um recrutamento maciço de associados após a legalização, apenas cem se filiaram, das quais a maioria eram strippers e dançarinas.

Ao invés de acabar com a corrupção do Distrito da Luz Vermelha, isso tornou a área mais decadente do que nunca — repleta de turistas sexuais bêbados agindo como olhadores de vitrine, apontando e rindo das mulheres que eles vêem. As mulheres da região atravessam as ruas com as cabeças baixas, tentando não ver as outras mulheres exibidas como pedaços de carne em um açougue. É possível ver homens entrando nos bordéis, tentando abaixar o preço do serviço, e outros saindo, enquanto fecham o zíper de seus jeans. Muitas das mulheres parecem muito jovens, todas entediadas, a maioria seminuas, sentadas em banquinhos com os celulares na mão.

Em nenhum outro lugar do mundo a prostituição de rua é legalizada, porque as pessoas não querem isso à vista. Onde há comércio sexual de rua, mulheres são abordadas no caminho de casa por apostadores e, frequentemente, camisinhas, parafernália de drogas e cafetões são visíveis. Mas a Holanda decidiu em 1996 que a prostituição de rua era uma forma decente de ganhar dinheiro e criou várias "zonas de tolerância" para homens alugarem com segurança a entrada do corpo feminino que desejarem por alguns poucos minutos.

Um dia depois de abrirem a zona de Amsterdã, mais de uma centena de residentes das redondezas tomaram as ruas em protesto. Levou seis anos para o prefeito admitir em público que o experimento tinha sido um desastre, um ímã para mulheres traficadas, traficantes de drogas e meninas menores de idade. Zonas em Roterdã, Haia e Heerlen foram fechadas em circunstâncias similares. A direção das mudanças é clara: a legalização será revogada. Ela não significou emancipação. Ao contrário, resultou no tratamento abusivo, desumano e degradante das mulheres, porque declara a compra e venda de carne humana aceitáveis aos olhos da lei. Enquanto o governo holandês é reformado e passa de cafetão a protetor, terá tempo para refletir no dano causado às mulheres envolvidas nesse calamitoso experimento social.

Fonte: The Spectator | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

* Esse artigo foi originalmente publicado em The Spectator no dia 2 de fevereiro de 2013.