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Os bastidores espirituais de um atentado

Ou o Ocidente regressa ao Evangelho ou continuará a resvalar para o abismo.

O terrorismo islâmico mais uma vez fez as suas vítimas na Europa: desta vez, na cidade francesa de Nice, foram assassinadas mais de 80 pessoas. O Estado Islâmico já assumiu a autoria do ataque e os franceses novamente depositam sobre o asfalto, onde morreram brutalmente seus entes queridos, flores e lágrimas, de luto e de incompreensão.

Não é sobre o Islã, contudo, que pretendemos falar nestas breves linhas. Nossa pretensão aqui é fazer uma análise mais profunda, de natureza histórica e espiritual.

Comecemos com uma frase dita por Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labouré, a religiosa francesa e vidente da Medalha Milagrosa, no dia 19 de julho de 1830: "Os tempos são maus", ela diz. "Haverá desgraças de toda espécie no mundo inteiro."

É importante que a Santíssima Virgem se refira à maldade deste período determinado da história em que vivemos. Embora sejam muitos os eventos do último século que mostrem como o homem se tem afastado de Deus — a Renascença e a Reforma são apenas alguns exemplos —, um deles, emblemático, estava sendo comemorado no momento exato em que ocorreu o atentado de Nice: a "Tomada da Bastilha". Feriado na França, aconteceu no dia 14 de julho de 1789 e selou o que hoje se conhece pelo nome de "Revolução Francesa".

O que foi esse acontecimento não é o tema deste artigo. Para mostrar o que ele significou, no entanto, basta-nos lembrar a "Constituição Civil do Clero", de 1790, que transformou boa parte dos sacerdotes católicos em "funcionários públicos" do Estado francês — numa nítida reprodução da primeira Besta do Apocalipse (cf. Ap 13, 1-10) — ou os "períodos de terror" que se multiplicaram nos anos seguintes à Revolução, levando à guilhotina, por exemplo, as 16 freiras carmelitas de Compiègne, acusadas de "fanatismo" e assassinadas enquanto invocavam o auxílio do Espírito Santo.

De lá para cá, o afastamento de Deus por parte do homem só se acentuou ainda mais. Primeiro, como denunciou certa vez o Papa Pio XII, gritou-se: "Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente, o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu" [1].

As consequências disso são visíveis nas leis produzidas mundo afora. As autoridades civis há muito deixaram de consultar qualquer tipo de norma superior e transcendente para orientar sua conduta e ação pública: não há mais nem religião nem natureza à qual devam obedecer, nem um Deus ao qual tenham de um dia prestar contas. Não havendo nada, portanto, para além de suas "mentes iluminadas", tudo está permitido: desde o assassinato de seres humanos indefesos no ventre de suas mães, pelo aborto, até o abuso e a corrupção das crianças, pela ideologia de gênero. As leis deixaram de ser ditadas pela razão — como Santo Tomás sabiamente prevê que as leis devem ser feitas [2] — para serem impostas pelo mero arbítrio dos legisladores.

Esse quadro só existe, obviamente, porque a sociedade como um todo está em franca decadência moral: antes que Deus fosse destronado da vida pública das nações, Ele já havia sido expulso das casas cristãs, substituído pela ilusão da tecnologia e transformado em um mero acessório de domingo; antes do Estado laico, o que pavimentou o caminho para o "ateísmo moderno" foram as famílias laicas, as famílias de "católicos mornos", mais dispostos a agradarem ao mundo e conseguirem felicidade nesta vida do que a agradar a Deus e educar seus filhos — seus já reduzidos filhos — para o Céu.

Neste sentido, as linhas seguintes, de autoria do padre francês Stéphane Joseph Piat, o conhecido biógrafo da família de Santa Teresinha, são de uma atualidade fora do comum:

"A França [e por França se entenda aqui o Ocidente como um todo] reinava no mundo quando era o país dos lares estáveis e dos berços. O declínio inexorável principiou quando ela deixou desmoronar a casa e procurou diminuir as fontes da vida. Que vale o ardor no trabalho, a coragem física, o heroísmo militar, se a raça se entrega despreocupadamente ao suicídio coletivo que é o medo dos filhos?" [3]

Qual seja a solução para esse "egoísmo profundo que considera o filho como um estorvo", é esse mesmo sacerdote quem indica:

"Não é uma política de natalidade de vistas curtas que pode sobrepujar este obstáculo; torna-se indispensável o recurso intensivo às forças espirituais. Um vasto inquérito nacional sobre as causas da diminuição da natalidade não levaria a colocar em primeiro plano o esquecimento das normas religiosas? A família ou há-de ser cristã ou deixará de existir. Ou a França regressa ao Evangelho ou continuará a resvalar para o abismo." [4]

"A família ou há-de ser cristã ou deixará de existir". A França, e com ela todo o Ocidente outrora cristão, ou "regressa ao Evangelho ou continuará a resvalar para o abismo". Só uma sociedade com fortes laços cristãos é capaz de resistir às ideologias e às armas que a ameaçam. Os países que evangelizaram o mundo se iludem construindo alianças políticas e econômicas — como é a União Europeia — quando, na verdade, o seu primeiro grande ponto de convergência deveria ser o Cristo, aquele que primeiro os conquistou com o Seu sangue derramado na Cruz.

Não nos esqueçamos nunca, portanto, que o drama mais terrível que pode acontecer a uma sociedade não é que ela se afunde em crises econômicas ou colapsos políticos, mas que dê de ombros para as almas. O que Cristo veio trazer a este mundo, afinal, não foi sucesso nem prosperidade, mas salvação espiritual.

E é justamente às palavras de nosso divino Redentor que recorremos ao término desta reflexão, a fim de lembrar que atitude devemos tomar diante de tragédias e catástrofes como a de Nice, que se tornaram infelizmente tão comuns ao redor do mundo. Ao comentar duas fatalidades de Seu tempo, uma de natureza criminosa — que foi o assassinato de alguns galileus por Pôncio Pilatos, enquanto ofereciam sacrifícios religiosos —, outra de ordem acidental — como foi o esmagamento de dezoito homens pela queda da torre de Siloé —, Nosso Senhor Se perguntava se aqueles atingidos por essa sina eram por acaso mais pecadores que os outros homens. A Sua resposta foi a seguinte:

"Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo." (Lc 13, 2-5)

Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça! Nenhum dos fatos que acontecem na história dos homens é sem razão ou sem propósito. Deus nos convida à penitência! Não sejamos surdos ao Seu apelo!

Regressemos, enfim, à mensagem da Virgem da Medalha Milagrosa. "Quando tudo parecer perdido", diz ela a Santa Catarina Labouré, "lá eu estarei convosco".

A promessa da Mãe de Deus permanece. Que as famílias que perderam seus entes nesse terrível atentado sejam acolhidas pelo abraço materno de Nossa Senhora. Que ela console os corações aflitos e que as almas dessas pessoas, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Papa Pio XII, Discurso por ocasião do 30.º aniversário da Ação Católica (12 de outubro de 1952), n. 16: AAS 44 (1952), pp. 830-835.
  2. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 90, a. 1.
  3. Stéphane Joseph Piat, História de uma família, 3. ed., Braga, Apostolado da Imprensa, p. 12.
  4. Ibid., p. 13.

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O sorriso de quem foi se encontrar com Deus

A agonia provocada pelo câncer não apagou o sorriso desta carmelita, que, num pequeno bilhete, deixou o seu último pedido antes da morte: que suas irmãs “celebrassem” a sua chegada no Céu.

Fonte: ACI Digital | A irmã Cecília Maria partiu para a Casa do Pai depois de uma difícil luta contra o câncer. Milhares compartilharam nas redes sociais as imagens de sua agonia, período durante o qual nunca perdeu a paz nem a alegria.

Ela graduou-se em enfermagem e aos 26 anos de idade fez seus primeiros votos como carmelita descalça. Fez sua profissão perpétua em 2003. Há seis meses, foi diagnosticada com câncer de língua e a doença fez metástase pulmonar. Morreu na última quarta-feira, 22, durante a madrugada. Tinha 43 anos.

Vivia no Monastério de Santa Teresa e São José, em Santa Fé, Argentina. Dedicava-se à oração e à vida contemplativa, tocava violino e era conhecida por sua doçura e permanente sorriso.

Nas últimas semanas, sua doença se agravou e ela foi hospitalizada. No seu leito, não deixou de rezar e oferecer seus sofrimentos na certeza de que seu encontro com Deus estava próximo.

Em um pedaço de papel escreveu seu último desejo: "Estava pensando como queria que fosse meu funeral. Primeiro, com um momento forte de oração e, depois, uma grande festa para todos. Não se esqueçam de rezar e também de celebrar!".

Seu testemunho e as fotos de seus últimos dias falam por si mesmos e centenas de pessoas compartilharam nas redes sociais como a agonia da irmã Cecília está tocando os corações.

Assim anunciaram sua morte as carmelitas descalças, em sua página do Facebook:

"Jesus! Apenas duas linhas para avisar que nossa queridíssima irmãzinha dormiu brandamente no Senhor, depois de uma doença tão dolorosa levada sempre com alegria e entrega a seu Divino Esposo. Manifestamos todo nosso carinho agradecido pelo apoio e pela oração durante todo este tempo tão doloroso, mas ao mesmo tempo tão maravilhoso. Acreditamos que foi diretamente ao Céu, mas mesmo assim rogamos que não deixem de encomendá-la em suas orações, que ela os recompensará do Céu. Um abraço grande de suas irmãs de Santa Fé".

Ao contemplarmos por alguns segundos o sorriso desta religiosa e a paz em que adormeceu antes de partir ao Céu, é inevitável que venham à nossa mente questões como o sentido da nossa existência, o destino de nossos entes queridos ou, enfim, a nossa própria morte. Quantas pessoas que têm aparentemente tudo nesta vida não dariam de bom grado o que possuem, só para morrerem em paz como morreu esta carmelita descalça!

No fundo, a coisa mais importante para todos nós é morrer bem. Por isso, um bom cardeal da Igreja, São Roberto Belarmino, escreveu uma obra dedicada justamente a ensinar "a arte de morrer bem" (De arte bene moriendi). Trata-se do último momento desta vida terrena, instante do qual pende toda a eternidade.

Oxalá essas fotos que circularam nas redes sociais e nos informativos católicos levassem aos corações dos homens aquela mensagem que Santo Agostinho escreveu há tanto tempo em suas Confissões: "Fecisti nos ad Te, Domine, et inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te — Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti".

Sim, o sorriso de satisfação da irmã Cecília Maria tem um segredo: seu nome é Deus. Diante de sua agonia final, vivida com fé e confiança inabaláveis, só nos resta repetir com o Autor Sagrado: " Beati mortui qui in Domino moriuntur — Bem-aventurados os que morrem no Senhor" (Ap 14, 13).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Ônibus se preparam para o Ramadã na Inglaterra

A mesma Inglaterra que censura o Pai Nosso nas telas de cinema durante o Natal, prepara os seus ônibus públicos para celebrar o Ramadã islâmico.

Processo de islamização da Europa quase completo. De acordo com a agência Independent:

"Centenas de ônibus britânicos irão portar propagandas exaltando Alá como parte de uma campanha, promovida pela maior organização filantrópica muçulmana do país, para ajudar vítimas da guerra civil na Síria.

A associação Islamic Relief espera que os pôsteres, com as palavras Subhan Allah, que significa 'Alá seja louvado' em árabe, ajudem a retratar de maneira positiva o Islã e a intervenção estrangeira no Oriente Médio.

Ônibus farão parte da campanha em Londres, Birmingham, Manchester, Leicester e Bradford."

A iniciativa, que coincide com a preparação para o Ramadã, a maior festa religiosa do islamismo, já havia sido anunciada antes mesmo da eleição do muçulmano Sadiq Khan ao cargo de prefeito de Londres, no último dia 9 de maio.

Até o momento, nenhum protesto de grande dimensão foi registrado no país em resposta a essa campanha. Em compensação, no último Natal, um simples comercial com pessoas rezando o Pai Nosso foi o suficiente para despertar a censura dos defensores do "Estado laico". Empresas de cinema barraram o vídeo das telas porque "ele poderia ofender as pessoas".

Aparentemente, o mesmo argumento não se aplica aos ônibus de Alá. A Inglaterra, outrora cristã, hoje se prepara para o Ramadã.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Multados porque estavam rezando o Rosário

Eles só estavam rezando o Terço em frente a um edifício, no centro de Camberra, na Austrália, quando foram abordados por policiais federais.

Senhora é multada por policial em frente a clínica de aborto de Camberra, no dia 15 de abril (Matthew Biddle / Catholic Voice)

Ele foi multado pela polícia australiana, mas diz que não vai pagar e está disposto a levar o seu caso aos tribunais, se for preciso.

No dia 15 de abril, Kerry Mellor, de 75 anos, foi autuado no Território da Capital Australiana (uma das subdivisões do país, onde está a capital Camberra), por supostamente violar a "zona de segurança" (buffer zone) da clínica de aborto local. (Em países onde o aborto é legalizado, o governo cria zonas de proteção às clínicas e às pessoas que realizam o procedimento, para que grupos pró-vida não se aproximem e não dêem lugar a conflitos.)

Acontece que o senhor, bem como os outros 7 católicos que foram notificados pela polícia no centro de Camberra, não carregavam nem símbolos nem panfletos dirigidos a mulheres grávidas. O seu único "crime" foi rezar 15 dezenas do Rosário, contendo 150 Ave-Marias e 15 Pai-Nossos intercalados com meditações das vidas de Jesus e Maria.

De acordo com Catholic Voice, o jornal oficial da Arquidiocese de Camberra, os outros deixaram o lugar quando avisados pela polícia, mas Mellor decidiu ficar. "Nós não achamos que estamos protestando", disse Mellor ao jornal. "Nós estamos rezando, e nos dirigimos exclusivamente a Deus todo-poderoso e à Sua bem-aventurada mãe. Não se trata de um protesto, mas de uma petição, para que Deus aja para mudar os corações e as mentes dessas pessoas."

Uma nova lei na Austrália fala de multas entre $750 e $3750 dólares australianos por atividades passivas, como portar símbolos religiosos ou panfletos pró-vida, e entre $1500 e $7500 por atividades agressivas, como tirar fotos ou gravar vídeos seja dos clientes seja da equipe das clínicas.

Mas Mellor insiste que ele e seus companheiros não estavam nem protestando, nem obstruindo a passagem, nem dirigindo nenhum tipo de mensagem a ninguém, senão a Deus. " Também é uma antiga tradição rezar pelos mortos, incluindo os inocentes mortos aqui. Nós rezamos pelas suas almas e fazemos um pequeno ato de reparação por esse horror cometido em nosso meio, em nossa comunidade."

Mellor disse a Catholic Voice que ele "fez um pedido formal para que a cobrança fosse retirada, levando em conta que nossa oração silenciosa não pode sob nenhum aspecto ser interpretada como qualquer tipo de 'conduta proibida' na legislação. Estou aguardando o resultado."

Grupos favoráveis ao aborto reclamam que a presença pró-vida deixa os clientes da clínica se sentindo "envergonhados e culpados". Mas vigílias pró-vida já acontecem há 17 anos em Camberra, sem que sejam feitas quaisquer acusações de perturbação do sossego.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe CNP

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Igreja é furtada e hóstias são jogadas em rio no Espírito Santo

A notícia é de que apenas o sacrário foi levado durante o crime, o sacrário que contém justamente o que de mais valioso têm as nossas igrejas: o próprio Jesus Cristo.

Segundo informações do G1:

"Uma igreja de São João do Sobrado, no distrito de Pinheiros, na região Norte do Espírito Santo, foi furtada na madrugada desta quinta-feira (21). As hóstias e o sacrário da paróquia foram encontradas jogadas em um rio do município durante a manhã.

Segundo a Polícia Militar, foi furtado apenas o sacrário, uma peça parecida com um cofre, que continha as hóstias. O furto foi descoberto pela manhã. A polícia informou que os bandidos usaram alguma ferramenta para remover a fechadura da porta da frente e entrar no templo."

Nós sabemos, pela fé, que Jesus Cristo, o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré, foi crucificado em Jerusalém, ressuscitou e subiu aos céus, está verdadeiramente presente em cada mínima parte, de cada hóstia consagrada, nos tabernáculos do mundo inteiro. Essa notícia que recebemos, portanto, não é de um furto pura e simplesmente, mas de uma verdadeira profanação.

Fotos: Juscimar da Silva Pereira/ Leitor A Gazeta

A todos os internautas que passam por aqui e vêem essas fotos, pedimos, portanto, que parem por um instante o que estiverem fazendo e façam um ato de desagravo a Jesus no Santíssimo Sacramento do altar.

Orações do Anjo
Ensinadas pelo Anjo de Portugal aos três pastorinhos de Fátima

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Ato de reparação
Papa Pio XI

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Mosteiro destruído por ISIS na Síria abrigava relíquias dos primeiros séculos da Igreja

O mosteiro católico de Santo Elias foi devastado pelo Estado Islâmico em 2015, mas só agora, com o território provisoriamente retomado, está sendo possível avaliar os estragos causados pelos terroristas.

Os ossos de um mártir foram encontrados entre as ruínas do Mosteiro de Santo Elias, na cidade síria de Al-Qaryatain, retomada das mãos do Estado Islâmico no último domingo (3). Fotos tiradas no local mostram um sarcófago destruído contendo ossos e um crânio.

As imagens, tiradas por uma repórter britânica, mostram as relíquias amontoadas no chão em meio aos destroços. Acredita-se que elas pertençam justamente ao santo que deu nome ao convento: o médico Elias, natural de Emessa (atual cidade de Homs), que foi martirizado em 284 d.C. por se recusar a negar a própria fé. A história diz que o santo foi cruelmente torturado e morto pelo próprio pai, que era um oficial romano.

Partes do Mosteiro de Santo Elias tinham 1.500 anos e, por hospedar os restos mortais de um santo, o local já foi destino de muitas peregrinações. No último dia 20 de agosto de 2015, porém, o lugar sagrado foi devastado por tropas do ISIS.

Capturado três meses antes pelos jihadistas, o padre Tiago Murad, então prior do convento, considerou um verdadeiro "milagre" ter sobrevivido e escapado das mãos de seus perseguidores:

Ainda que os cristãos no Oriente Médio nunca tenham experimentado tempos tão difíceis, a jihad islâmica contra os seguidores de Cristo existe desde os tempos de Maomé. O Islã chama os territórios em que ainda não vigora a lei da xariá dar al-harab, isto é, "casa da guerra": o combate dura até que os "infiéis" se convertam, paguem um imposto religioso ou pereçam pelo fio da espada.

O mosteiro católico de Al-Qaryatain, na Síria, não foi o único a ser destruído pelos terroristas do Estado Islâmico. No Iraque, uma comunidade antiquíssima, de mesmo nome, foi devastada na cidade de Mosul, em 2014. O crime só foi detectado por imagens de satélite.

Imagens do interior do mosteiro na Síria foram divulgadas pelo grupo Estado Islâmico.

É digno de nota que o monastério em cujas ruínas foram encontradas as supostas relíquias de Santo Elias esteja construído sobre o exato lugar em que ele provavelmente ofereceu a sua vida a Deus. A terra que recebeu o sangue dos primeiros mártires da Igreja continua testemunhando o escândalo da nossa fé. Ainda que as circunstâncias sejam outras e os perseguidores sejam diversos, o sangue que se derrama sobre o Oriente Médio é o mesmo que Tertuliano chamou de "semente de novos cristãos". O que pode explicar, afinal, tantas conversões de muçulmanos a Cristo na Europa, quando nem os próprios europeus sabem mais o que significa ser cristão?

À luz do mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, podemos ir além e dizer que o sangue dos mártires feitos pelo ISIS realmente atualiza e continua o sacrifício redentor da Cruz. Nós sabemos, pela fé na comunhão dos santos, que os sofrimentos desses homens e mulheres de Deus não são em vão, mas redundam em benefício de todas as pessoas unidas pelos laços da fé e da caridade fraterna. A exemplo de São Paulo, elas completam em sua carne o que falta à paixão de Cristo (cf. Cl 1, 24).

Do mesmo modo, as relíquias de Santo Elias de Emessa têm um valor inegável. Agora, elas estão misturadas aos destroços de um mosteiro que talvez nunca mais venha a existir. Pela fé, no entanto, nós sabemos que o dono desses ossos ressuscitará dos mortos, e esses mesmos restos que hoje são profanados sobre o pó da terra serão transformados e elevados à glória do Céu — viverão para sempre! As relíquias preciosas que hoje beijamos e veneramos participarão, no fim dos tempos, da bem-aventurança eterna!

Rezemos, pois, para que cesse de vez a profanação das relíquias e dos lugares santos no Oriente. Que o respeito que os muçulmanos têm pela Virgem Santíssima os conduza ao seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em quem reside toda a razão da nossa esperança.

Com informações de Catholic Herald | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Confusão de gênero” cresce entre crianças e adolescentes na Inglaterra

Elas estão aprendendo a “questionar” o seu sexo biológico desde cedo, mas nem sempre sobra algo para colocar no lugar.

O número de crianças diagnosticadas com "disforia de gênero" pelo serviço de saúde da Inglaterra ( National Health Service) aumentou em 1000% ao longo dos últimos cinco anos, de acordo com o jornal The Sun, de Londres. Na clínica de Tavistock and Portman, ao norte da capital, onde todos os pacientes transgêneros com menos de 18 anos são tratados, "suas famílias estão sendo aconselhadas e, em alguns casos, os pacientes recebem tratamentos de bloqueio hormonal" como preparação para uma possível "mudança de sexo" após os 18.

Como sintoma da crise, o diário britânico menciona um episódio recente, acontecido em fevereiro, quando "um menino de cinco anos retornou para a escola, em Nottingham, como menina".

De acordo com o psiquiatra canadense Dr. Joseph Berger, que falou com o LifeSiteNews.com, a solução que está sendo dada para esses casos é inadequada. "Elas deveriam estar fazendo psicoterapia. Essas crianças estão infelizes por uma variedade de razões. Elas deveriam ter tratada a sua infelicidade. Cortar pênis e seios não é tratamento para a infelicidade."

Ainda de acordo com The Sun, o número de jovens diagnosticados com disforia de gênero subiu de 97, em 2010, para 1013, em 2015, com um custo de mais de 2 milhões e 500 mil libras esterlinas para os contribuintes. Apesar do aumento, Bernard Reed, integrante de uma associação de pesquisas de gênero, afirma que o serviço de saúde britânico "não está realmente preparado e treinado para atender essa crescente demanda por assistência médica". Um médico admite que "o aumento deste ano é extraordinário" e que "agora tem se tornado muito difícil prever se os casos continuarão a subir".

Outra notícia, desta vez do jornal The Telegraph, reporta um aumento de 400% nos casos entre crianças com menos de 11 anos: o número pulou de 19, em 2010, para 77, em 2015. A reportagem também traz à luz uma pesquisa feita com 32 jovens que receberam bloqueio hormonal do serviço de saúde, dos quais apenas 8 seguiram para a cirurgia de transgenitalização.

"Quando crianças expressam confusão desse tipo, nós precisamos afirmar a sua identidade dada por Deus e ajudá-las a entender o sexo com que nasceram", diz Andrea Williams, líder do grupo Christian Concern. "Muitas crianças estão simplesmente seguindo o exemplo de outras, sem entender verdadeiramente as implicações disso. Se não fizermos nada para conter essa tendência, poderemos ver muitas crianças tomando decisões das quais elas irão se arrepender no futuro."

O Dr. Joseph Berger explica que pessoas que acreditam mesmo que são do sexo oposto ao seu sexo biológico estão "totalmente loucas" e "precisam ser tratadas com medicamentos antipsicóticos". Todavia, a maioria dos pacientes com disforia de gênero são simplesmente pessoas insatisfeitas, que pensam que mudar o seu gênero as fará mais felizes.

O psiquiatra conta que tratou recentemente de uma jovem "muito atraente", que queria mudar o seu gênero porque, no final das contas, ela pensava que "homens tinham um nível social mais elevado".

Por outro lado, homens podem querer tornar-se mulheres, diz o médico, "porque vêem as mulheres levando vidas mais passivas, ou porque elas usam roupas mais coloridas, ou porque elas chamam mais a atenção". De qualquer modo, maior parte dos jovens com disforia de gênero, se não são encorajados, simplesmente perde o desconforto com a sua identidade em questão de poucos anos.

Embora a cirurgia de transgenitalização esteja "na moda" — e ganhe também as telas do cinema —, o ceticismo em relação a esse lobby vem crescendo. Grupos de pais preocupados e até mesmo de feministas estão resistindo à pressão do establishment: aqueles porque querem defender as crianças, estes porque enxergam no discurso transgênero uma forma distorcida de machismo. "Para ser uma mulher, você deve ser do sexo feminino e, para tanto, tem que ter cromossomos XX e a anatomia específica do sexo feminino", diz um blog feminista crítico do que chama de "doutrina transgender". Mulheres trans não passam de homens "que se identificam como o sexo oposto".

As evidências respaldam os céticos. Em 2014, o Dr. Paul McHugh, médico psiquiatra aposentado da Universidade Johns Hopkins, explicou ao Wall Street Journal que o seu hospital parou com a terapia de mudança de sexo nos anos 70 porque ela não funcionava. Acompanhamentos a longo prazo com pacientes transgêneros mostravam que "as suas adaptações psicossociais subsequentes" não eram em nada melhores que as de quem não tinha feito a cirurgia.

McHugh cita os resultados chocantes de um estudo sueco de 2011, que, depois de acompanhar por 30 anos pacientes que optaram pela mudança de sexo, revelou haver entre eles uma taxa de suicídio quase 20 vezes maior que a do resto da população normal (ou cisgênero, como preferem os politicamente corretos).

A Suécia não oferece nenhuma explicação para a pesquisa, mas o Dr. McHugh não tem dúvidas de uma "mudança de sexo é biologicamente impossível". "Pessoas que se submetem à cirurgia de transgenitalização não mudam de homem para mulher e vice-versa", ele explica, só "se tornam homens feminizados ou mulheres masculinizadas". Por fim, o médico norte-americano faz um alerta sério: "Dizer que isso é um problema de direitos civis e encorajar a intervenção médica é, na verdade, promover e colaborar com uma desordem mental."

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

P.S.: Entenda melhor a dimensão do problema em que vive a Inglaterra, conhecendo a lista que o Departamento britânico de Educação distribuiu este ano às crianças, demandando que escolhessem, de uma lista de 25 opções, qual o gênero com que se identificavam.

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Cristãos na Síria ensinam como viver a fé em tempos de guerra

A guerra que devasta há seis anos a Síria já desalojou e matou milhares de pessoas. A fé dos cristãos, no entanto, é de uma solidez fora do comum. Eles dão “lições de alegria” mesmo em meio aos escombros da guerra.

O cessar-fogo firmado recentemente entre o governo de Bashar al-Assad e os opositores do regime está longe de dar trégua ao caos em que vive a Síria. O país está repartido entre inúmeras facções e já entra em seu sexto ano de guerra.

Ao norte do país, na fronteira com a Turquia, está quase tudo nas mãos dos curdos. O centro e a parte oriental na divisa com o Iraque são propriedade do Estado Islâmico. As forças alauitas de Assad governam a zona costeira e parte do sul do país — salvo alguns enclaves dos rebeldes —, mantendo controle sobre cidades chave, como Hama e Homs, na esperança de um dia reconquistar Aleppo. A província de Aleppo propriamente dita está sob o governo de uma constelação de milícias islâmicas e terroristas.

O balanço de cinco anos de guerra é pesadíssimo: são pelo menos 271 mil mortos — há quem fale do dobro —, um milhão de feridos e 13 milhões de refugiados, 5 dos quais estão espalhados em campos de prófugos em todo o Oriente Médio.

Em meio a tantas mortes e destruição, uma pequena mas resplandecente luz é acesa pelos cristãos, que têm dado um belo testemunho da própria fé diante de seus perseguidores islâmicos. São muitos os seguidores de Cristo que sacrificaram as suas vidas, como o padre Frans van der Lugt, o missionário holandês sepultado no jardim do mosteiro de Homs, que não quis voltar por causa da guerra, para não abandonar os poucos cristãos que restavam na velha cidade tomada pelos rebeldes. "Ajudava a todos, cristãos e muçulmanos", e talvez justamente por isso tenha sido assassinado no dia 7 de abril de 2014.

Também comovente é o martírio de Sarkis el Zakhm — de quem já se pediu a abertura da causa de beatificação —, que em Maloula foi assassinado a sangue frio pelos jihadistas. Os muçulmanos passavam casa por casa para ordenar aos cristãos que se convertessem, sob pena de decapitação. Sarkis respondeu assim: "Sou cristão e, se me quereis assassinar só por isso, fazei-o". De fato, não o pouparam.

São muitos, enfim, os que têm algo a contar sobre os cristãos de Aleppo, constantemente ameaçados pelas bombas lançadas por rebeldes ditos "moderados". Sem água, sem eletricidade, sempre em risco de vida, eles têm dado ao mundo uma verdadeira "lição de alegria". É o testemunho que dá Abbot Semaan Abou Abdou, administrador apostólico da Eparquia Maronita de Aleppo, em entrevista à associação Ajuda à Igreja que Sofre:

"Três palavras resumem a guerra na Síria: assassinato, desalojamento e destruição. Há três questões existenciais: Quando a guerra vai acabar? Para onde estamos sendo conduzidos? Quem está se beneficiando com tudo isso? E há também três questões de fé: Onde está Deus? Por que Deus nos abandonou? Por que Ele não acaba com a guerra? Todos estão confusos, aterrorizados e sem rumo.

Há escassez de água, quedas de energia, falta de gasolina, medicamentos — muitos médicos fugiram da cidade. Além disso, muitos de nossos lares e igrejas foram destruídos. A violência está causando um luto indescritível. Fiquei profundamente abalado no último mês de março [2015] durante o funeral de uma mãe e de suas duas filhas pequenas que morreram em uma explosão. Ali, na igreja, havia três caixões: foi uma cena muito difícil e emocionante. O que eu poderia dizer às pessoas? Todos choravam, especialmente os seus amigos mais jovens. Que o Espírito do Senhor console os corações daqueles que estão em luto.
[...]
Trabalhamos tanto a nível psicológico quanto a nível espiritual: com orações diárias, Missa, o Rosário, celebrando ocasiões importantes como como o Natal e o Ano Novo — para as crianças — e jubileus das famílias, como o aniversário de bodas de 25 e de 50 anos; organizamos banquetes para a comunidade. Fazemos numerosos encontros que dão aos jovens a chance de expressarem os seus sentimentos, rezarem juntos, discutirem tópicos de guerra e paz e a importância vital da aceitação dos outros — como viver nossa fé em tempos de guerra. Visitamos os mais velhos, ajudamos as crianças a fazer suas tarefas e provas, e trabalhamos com as mulheres e donas de casa, com fins espirituais e culturais. A Igreja se ocupa com todas essas coisas na medida em que a situação de segurança permite.
[...]
Há uma perspectiva positiva: todos em Aleppo são mártires em potencial — em particular os cristãos que estão sendo mortos simplesmente porque são cristãos e não querem abandonar a sua fé e a sua terra. Às vezes eu realmente consigo ver que a fé das pessoas está mudando e crescendo. A fé dessa gente é pedra sólida, eles vêm à igreja em grandes números. É possível ver refletido no rosto da maioria uma alegria interior que leva você ao reino espiritual. Eles são capazes de agradecer ao Senhor com todo o seu coração. Não querem reclamar, não obstante a perseguição, o estresse e as privações. Há um sorriso em seus rostos. Eles lhe agradecem e apreciam tudo o que você faz por eles. Meu povo, incluídas as crianças, me dá lições de alegria.

Os cristãos no Oriente Médio são uma minoria — mas o seu número não é importante. O que importa é o valor e o poder inerentes à sua existência e o testemunho da sua presença ativa."

Com informações de Tempi.it | Por Equipe Christo Nihil Praeponere