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Sete domingos em honra a São José
Oração

Sete domingos
em honra a São José

Sete domingos em honra a São José

Conheça e aprenda a praticar esta devoção, criada para recordar as principais dores e alegrias da vida de São José, o patriarca da Sagrada Família.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 5 minutos
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Seguindo uma antiga tradição, a Igreja dedica os sete domingos anteriores à festa de São José, celebrada no dia 19 de março, para recordar as principais dores e gozos da sua vida. Esta devoção, no entanto, pode ser praticada em qualquer época do ano.

Como incentivo a esta prática de piedade, reproduzimos aqui o pensamento que Santa Teresa d’Ávila, grande doutora da Igreja, expressou certa vez em relação a São José:

Não me lembro de até hoje lhe ter pedido alguma coisa que não ma tenha concedido, nem posso pensar sem admiração nas graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e nos perigos de que me tem livrado, tanto para a alma como para o corpo. Parece-me que Deus concede aos outros santos a graça de nos auxiliar nesta ou naquela necessidade, mas sei por experiência que São José nos socorre em todas, como se Nosso Senhor quisesse fazer-nos compreender que, assim como Ele lhe era submisso na terra, porque estava no lugar de pai e como tal era chamado, também no céu não pode recusar-lhe nada.
“O Sonho de São José”, de Anton Raphael Mengs.

Primeiro Domingo

Medite-se sobre Mt 1, 18-25 e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim como foi grande a amargura do vosso coração na perplexidade de abandonardes a vossa castíssima esposa, assim foi indizível a vossa alegria quando pelo anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação.

Por esta dor e por este gozo, vos pedimos a graça de consolardes, agora e nas extremas dores, nossa alma, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte semelhante à vossa, assistidos por Jesus e por Maria.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

“Adoração dos Pastores”, de Carlo Dolci.

Segundo Domingo

Medite-se sobre Lc 2, 1-20 e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó felicíssimo patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido como pai adotivo do Verbo humanado, a dor que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus Menino se vos mudou em júbilo celeste ao ouvirdes a angélica harmonia e ao contemplardes a glória daquela noite brilhantíssima.

Por esta dor e por este gozo, vos suplicamos a graça de nos alcançardes que, depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar dos esplendores da glória celeste.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

“A Apresentação de Jesus no Templo”, de Francisco Rizi.

Terceiro Domingo

Medite-se sobre Lc 2, 21 e Mt 1, 25, e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó obedientíssimo das divinas leis, glorioso São José, o sangue preciosíssimo que na circuncisão derramou o Redentor Menino vos trespassou o coração, mas o nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento.

Por esta dor e por este gozo, alcançai-nos viver sem pecado, a fim de expiar cheios de júbilo, com o nome de Jesus no coração e nos lábios.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,

R. Rogai por nós!

São José com o Menino. Pintor anônimo.

Quarto Domingo

Medite-se sobre Lc 2, 22-35 e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó fidelíssimo santo, glorioso São José, que também tivestes parte nos mistérios de nossa Redenção, se a profecia de Simeão a respeito do que Jesus e Maria teriam de padecer vos causou mortal angústia, também vos encheu de sumo gozo pela salvação e gloriosa ressurreição que, como igualmente predisse, teria de resultar para inumeráveis almas.

Por esta dor e por este gozo, obtende-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da santíssima Virgem, sua mãe, hão de ressuscitar gloriosamente.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

“A Fuga para o Egito”, de Jerónimo Ezquerra.

Quinto Domingo

Medite-se sobre Mt 2, 13-14 e Is 19, 1, e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó vigilantíssimo custódio, íntimo familiar do Filho de Deus Encarnado, glorioso São José, quanto sofrestes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga com Ele para o Egito. Mas qual não foi também vosso gozo por terdes sempre convosco o mesmo Deus e por verdes cair por terra todos os ídolos egípcios.

Por esta dor e por este gozo, alcançai-nos que, afastando para longe de nós o infernal tirano, especialmente com a fuga das ocasiões perigosas, sejam derrubados dos nossos corações todos os ídolos dos afetos terrenos, e que, inteiramente dedicados ao serviço de Jesus e de Maria, para eles somente vivamos e na alegria do seu amor expiremos.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

Descanso durante a fuga para o Egito, de Murillo.

Sexto Domingo

Medite-se sobre Mt 2, 19-23 e Lc 2, 40, e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó anjo na terra, glorioso São José, que cheio de pasmo vistes o Rei do Céu submisso aos vossos mandatos, se a vossa consolação, ao reconduzi-lO do Egito, foi turbada pelo temor de Arquelau, filho de Herodes, contudo, sossegado pelo anjo, permanecestes alegre em Nazaré com Jesus e Maria.

Por esta dor e por este gozo, alcançai-nos a graça de desterrar do nosso coração todo temor nocivo, de gozar a paz de consciência, de viver seguros com JEsus e Maria, e também de morrer assistidos por eles.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

“O Menino Jesus à Porta do Templo”, de Claudio Coello.

Sétimo Domingo

Medite-se sobre Lc 2, 41-50 e faça-se, depois, a seguinte oração.

Ó exemplar de toda a santidade, glorioso São José, perdestes sem culpa o Menino Jesus, e para maior angústia houvestes de buscá-lO por três dias, até que, com sumo júbilo, gozastes do que era vosso vida, achando-O no templo entre os doutores.

Por esta dor e por este gozo, vos suplicamos com palavras saídas do coração, que intercedais a nosso favor para que nunca nos aconteça perder a Jesus por algum pecado grave. Mas, se por desgraça O perdermos, fazei com que O procuremos com tal dor que não tenhamos sossego até encontrá-lO, benigno, especialmente na hora da nossa morte, para podermos glorificá-lO no Céu e lá cantarmos eternamente suas divinas misericórdias.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória.

V. São José,
R. Rogai por nós!

Oração a São José

Ó Deus, que com inefável providência Vos dignastes eleger São José esposo de vossa santíssima Mãe, fazei que mereçamos ter no Céu a intercessão daquele que veneramos na terra. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado do livro “Seleta de Orações”, São Paulo: Cultor de Livros, 2011.

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A Eucaristia salvou o Brasil do ateísmo
Espiritualidade

A Eucaristia salvou o Brasil do ateísmo

A Eucaristia salvou o Brasil do ateísmo

Fenômeno de público, os Congressos Eucarísticos reavivaram nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República”.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 6 minutos
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O Brasil é mundialmente conhecido como o país mais católico do mundo. Os cinco milhões de jovens que lotaram a praia de Copacabana, sob as bênçãos do Cristo Redentor e do Papa, durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013, reforçaram ainda mais essa ideia.

Mas quem desconhece o passado e se impressiona facilmente com os números, não imagina que, um dia, o país cuja Constituição de 1988 foi promulgada “sob a proteção de Deus” quase se tornou ateu.

A situação da Igreja Católica no Brasil nunca foi tranquila. Apesar de a carta de Pero Vaz de Caminha atestar que o intuito das navegações era a evangelização dos povos, a verdade é que os missionários católicos tiveram de amargar muitas provações para tornar o Evangelho de Cristo conhecido nestas terras.

Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles.

No período monárquico, o regime de padroado causou muita dor de cabeça para os católicos, sobretudo ao clero e aos religiosos. O rei D. Pedro I atuou de forma regalista contra as ordens religiosas, interferindo em suas constituições e confiscando seus bens, de modo que a Igreja passou por um período de severa estagnação. E pouco mudou durante o regime de D. Pedro II, quando, aliás, estourou a Questão Religiosa, que culminou na famosa prisão do arcebispo de Olinda, Dom Vital.

Essas dificuldades, porém, não impediram que o povo brasileiro entrasse “na história sob o signo da cruz de Cristo, e com o viático de Jesus sacramentado no coração” [1]. A própria Questão Religiosa serviu para despertar alguns católicos da letargia, dada a coragem de Dom Vital contra os abusos da Coroa e da Maçonaria, o que lhe rendeu a alcunha de “Atanásio do Brasil”. Se o imperador apresentava algumas ambiguidades com relação à fé, o povo, porém, era católico na sua essência e “não havia cidade ou vila que se não assinalasse na devoção ao Santíssimo Sacramento” [2]. Foi apenas com a proclamação da República que esse quadro se viu ameaçado.

No dia 7 de janeiro de 1890, o governo provisório deu início à separação entre Igreja e Estado, declarando extinto o padroado e todas as suas instituições. Embora os métodos fossem diferentes, “a República, baseando-se nos princípios positivistas ou comtistas, se mostrou, desde os primeiros dias de sua existência, não menos ofensiva à Igreja do que o fora o Império” [3].

Para acabar com a influência católica na sociedade, os colégios e os cemitérios foram secularizados e o casamento religioso foi substituído pelo casamento civil. Mas a cartada final veio mesmo com a nova Constituição, sancionada em 1891 sem sequer citar o nome de Deus. Estava pavimentado, assim, o caminho para um Brasil sem religião.

Os anos da primeira República foram caracterizados por um forte laicismo. Diante desse novo contexto, os bispos do Brasil logo se organizaram para estabelecer os critérios de reação e promover a restauração católica no país. Com o apoio do Papa, novas dioceses foram criadas e outras congregações religiosas puderam vir para o Brasil, inclusive os jesuítas, os quais haviam sido banidos pela lei pombalina. A hierarquia católica tomava uma nova dimensão. No início da década de 1930, a Igreja já estava organizada o suficiente para empreender o projeto de uma “nova evangelização” e barrar tanto o laicismo quanto as ideias socialistas, que começavam a pipocar por todo lugar.

O mundo atual oscila entre duas bandeiras: a branca do Vaticano e a vermelha de Moscou. Estamos diante do dilema: a Cruz ou o martelo”, disse o padre Arruda Câmara durante uma das edições do Congresso Eucarístico Nacional, o evento que marcaria a tônica do episcopado brasileiro em defesa da fé católica no Brasil [4]. A primeira edição do evento ocorreu em Salvador, na Bahia, em 1933, com o tema: “Vinde, adoremos o Santíssimo Sacramento”.

Foi com estas palavras que, a 6 de agosto de 1931, o arcebispo primaz Dom Augusto da Silva anunciou o Congresso:

É o país todo, é a nação em peso que se vai prostrar aos pés de Jesus para aclamá-lo Rei, não só de cada um dos corações dos seus filhos, mas ainda do coração da Pátria, do seu povo, de seus homens públicos, de suas instituições civis, de seus governos, de sua Constituição, de suas leis, do presente e o futuro da Nação. [5]

Os Congressos Eucarísticos foram um fenômeno de público e serviram para reavivar nos brasileiros a consciência de que “o Brasil nascera católico e como tal deveria continuar, não obstante a aberração laicista da primeira República” [6]. Para a mentalidade da época, ser brasileiro significava ser cristão e “não se conhecia honra maior que a de poder comungar, nem maior infâmia do que a de ser privado da mesa eucarística” [7].

A vitória sobre o ateísmo marxista e positivista se deu, portanto, por um sentimento de “patriotismo católico”, que fazia questão de ser visível a toda a sociedade. Foi nesta mesma década, aliás, que o então arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Sebastião Leme, mandou erigir o Cristo Redentor sobre o monte do Corcovado. A presença de Jesus deveria estar tanto no coração quanto nas praças.

Na 3.ª edição do Congresso, realizada na Arquidiocese de Olinda e Recife, em 1939, as 60 mil pessoas que lotaram o parque Treze de Maio, centro de Recife, cantaram por uma semana o hino composto por Dom Aquino Corrêa, bispo de Cuiabá:

Aos Clarins do Congresso Sagrado
Pernambuco se ergueu varonil
E o Recife se fez lado a lado
Catedral onde reza o Brasil

Eia sus! Oh leão do norte
Ruge ao mar o teu grito de fé
Creio em ti Hóstia Santa até a morte
Quem não crê brasileiro não é

O maior Congresso Eucarístico realizado até hoje foi o do Rio de Janeiro, em 1955, quando 1 milhão de pessoas se reuniram para honrar o Santíssimo Sacramento, motivo pelo qual o Papa Pio XII dizia bendizer ao Senhor pelo reflorescimento da piedade entre os brasileiros.

A pujança da Igreja Católica no Brasil veio especialmente pela Eucaristia, que, como disse o mesmo Santo Padre, “uniu os ânimos para a vitória” contra “a invasão de armas estrangeiras, ervadas de heresia, [que] ameaçava a unidade e mais ainda a integridade da fé católica” [8].

Congresso Eucarístico Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 1955.

Ao término desse congresso, o senador Nereu Ramos, então presidente do Senado, consagrou o Brasil ao Sagrado Coração de Jesus em nome de todo o parlamento:

“A consciência e os sentimentos cristãos do povo brasileiro, por suas expressões mais lídimas e afirmativas, vêm desde muito revelando o nobre desejo, o elevado propósito e a inafastável aspiração de entregar os destinos da pátria ao Sagrado Coração de Jesus, no qual, segundo o apóstolo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (...) Entreguemos, pois, numa reafirmação de confiança e de fé ao Sagrado Coração de Jesus, ratificando solenemente a vitoriosa consagração do Excelso Episcopado Nacional, os superiores destinos do Brasil (...) Assim, em meio às tormentas que desabaram sobre a Terra, poderemos dizer sempre como aquele excelso sucessor de São Pedro: ‘O Coração Santíssimo de Jesus é sinal divino de vitória. Nele colocamos todas as nossas esperanças. Dele é que devemos esperar a salvação’.”

O Brasil enfrenta hoje outros desafios e é ele um dos últimos bastiões contra a cultura da morte no mundo. Mas, assim como no passado, também hoje os católicos devem procurar segurança no Santíssimo Sacramento, sabendo que nenhum poder temporal é capaz de suplantar a Igreja, contra a qual Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão. Esses esforços anticristãos passarão, assim como passaram o Império e outros governos republicanos. Como disse certa feita Dom Vital: “A Igreja nasceu, cresceu e vigorou no meio das perseguições e, por isso, nada há de recear. Mas o Estado? O futuro encarregar-se-á de nos responder” [9].

A história de nossa instabilidade política todos já conhecem… e estão presenciando até os dias de hoje. O que importa mesmo é que, assim como “a cruz permanece de pé enquanto o mundo dá voltas” (stat crux dum volvitur orbis), assim também o Santíssimo Sacramento salvou e continuará a salvar o Brasil.

Referências

  1. Papa Pio XII, Radiomensagem, 7 de setembro  de 1942.
  2. Ibidem.
  3. Frei Dagoberto Romag. Compêndio de História da Igreja: A Idade Moderna. Petrópolis: Vozes, p. 280, v. III.
  4. Riolando Azzi, O fortalecimento da restauração católica no Brasil (1930-1940), p. 73. (Os Congressos Eucarísticos surgiram na França, em 1881, por inspiração de uma discípula do “apóstolo da Eucaristia” São Pedro Julião Eymard, a senhora Emillie Tamasier. Com o tema “A Eucaristia salva o mundo”, o congresso apostava em “uma renovada fé em Cristo presente na Eucaristia como remédio contra a ignorância e a indiferença religiosa”. Logo se espalhou para outros países, “inspirados pela viva fé na presença real da pessoa de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia”, de sorte que “o culto eucarístico se manifestava de modo particular pela adoração solene e pelas grandiosas procissões que evidenciavam o triunfo da Eucaristia”).
  5. Ibidem, p. 76.
  6. Idem.
  7. Pio XII, op. cit.
  8. Idem.
  9. Frei Dagoberto Romag, op. cit., p. 279.

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Padre implora aos bispos por mais exorcistas na Irlanda
Igreja Católica

Padre implora aos bispos
por mais exorcistas na Irlanda

Padre implora aos bispos por mais exorcistas na Irlanda

A Igreja ainda precisa de exorcistas? Para este sacerdote, especialista no assunto, não há dúvidas: com o aumento dos casos de possessão diabólica, esse ministério, querido e exercido pelo próprio Jesus, nunca foi tão necessário.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 3 minutos
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Um padre especialista em exorcismos pediu aos bispos da Irlanda para criarem uma comissão de exorcistas, depois que casos estranhos de possessão demoníaca começaram a aumentar no país. Para o padre Pat Collins, a Irlanda estaria enfrentando uma onda crescente de maldade.

Muitos filmes de Hollywood costumam apresentar casos de exorcismos como algo fantástico, mas, para padre Collins, o assunto é um tema delicado, dada a frequência com que ele mesmo é procurado por pessoas que se julgam possessas ou vítimas de outras ações demoníacas.

O sacerdote acredita que os bispos irlandeses precisam tomar providências urgentes e nomear mais sacerdotes para lidarem com o problema, que vai desde pessoas que se “encontram” com espíritos a casos concretos de possessão. De acordo com padre Collins, “houve um aumento exponencial na demanda por exorcismos nos últimos anos”.

“Estou encontrando muitas pessoas desesperadas que acreditam piamente que estão sendo vítimas de algum espírito maligno”, declarou o sacerdote a um jornal católico da Irlanda. Padre Collins explicou que “muitos não são casos de possessão, mas, quando essas pessoas procuram a Igreja, os padres não sabem como lidar com elas e as encaminham para psicólogos, de modo que os fiéis acabam sem ajuda”.

Para padre Collins, a ideia de que não existiria demanda hoje na Igreja por sacerdotes exorcistas simplesmente não corresponde à verdade dos fatos. Ele recorda que as Sagradas Escrituras mostram o exorcismo como uma realidade fundamental no ministério de Jesus, e que isso deveria incentivar os clérigos a continuarem crendo na existência de espíritos maus, pois parece que eles não crêem mais.

São Francisco de Borja, no leito mortuário de um impenitente. Pintura de Francisco de Goya.

Em 1975, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu um excelente documento, intitulado “Fé Cristã e Demonologia, ao longo do qual são rebatidas inúmeras posições errôneas que normalmente se mantêm a respeito desse assunto. Com citações das Sagradas Escrituras, dos Santos Padres e do Magistério da Igreja, fica comprovado que a fé cristã na existência dos demônios e, com isso, a importância do ministério do exorcismo não são “um elemento secundário do pensamento cristão”. Trata-se, ao contrário, de “uma doutrina necessária — ao menos em parte — para a noção e a realidade da salvação” que Jesus nos veio trazer. Por isso, deixar de acreditar na ação demoníaca “compromete a fé constante da Igreja, seu modo de conceber a Redenção e a consciência mesma de Jesus”.

O documento admite que, “em vinte séculos de história o Magistério dedicou à demonologia só umas poucas declarações propriamente dogmáticas”. Mas isso se deve ao fato de que os cristãos, de modo geral, jamais puseram em questão essa doutrina, tão patente nos Evangelhos e nos escritos dos doutores da Igreja. Ao longo dos séculos, “tanto os hereges como os fiéis, fundando-se na Sagrada Escritura, estavam de acordo em reconhecer a existência do diabo e suas principais perversidades”. Isso levou o Papa Paulo VI a afirmar, em resposta aos erros da teologia moderna, que “quem se nega a reconhecer” a existência do diabo encontra-se fora “do quadro do ensinamento bíblico e eclesiástico”.

Também o Papa Francisco tem alertado os fiéis, em várias de suas homilias, para a ação real do diabo, cuja missão é apartar os cristãos de Nosso Senhor através da tentação. Em 2014, o Vaticano deu um reconhecimento formal à Associação Internacional de Exorcistas, que é um grupo de 250 exorcistas espalhados por 30 países.

“Os exorcismos, portanto, permanecem”, assegura o documento de 1975 da Congregação para a Doutrina da Fé. “Hoje, assim como ontem, eles pedem a vitória sobre ‘Satanás’, ‘o diabo’, ‘o príncipe deste mundo’ e ‘o poder das trevas’” — todas expressões das Sagradas Escrituras.

Duvidar da ação demoníaca não vai tornar as pessoas livres dela. Muito pelo contrário, um inimigo se torna muito mais forte e eficaz quando é ignorado ou quando se nega a sua existência. Por isso, o padre Collins conclui o seu apelo por mais exorcistas pregando contra a apostasia, que, para o sacerdote, é uma das causas para o crescimento do mal. À medida que isso acontece, ele garante, a atividade maliciosa só tende a crescer. Sim, mais do que qualquer outra coisa, Satanás odeia o sacerdócio católico.

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Padre Pio nos alerta para “um defeito que destrói a caridade”
Doutrina

Padre Pio nos alerta para
“um defeito que destrói a caridade”

Padre Pio nos alerta para “um defeito que destrói a caridade”

Neste vídeo, em que podemos ouvir a voz do Padre Pio, o santo de Pietrelcina nos acautela contra um vício típico de nossa época: a curiosidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 4 minutos
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No vídeo a seguir, é o próprio Padre Pio de Pietrelcina quem nos fala, de viva voz, sobre o perigo da curiosidade, “um defeito que é a destruição da caridade”.

Atentem-se bem: ele alertava seus filhos a propósito desse vício em uma época que acabara de conhecer a televisão. Se estivesse vivo hoje, no entanto, os conselhos do santo desafiariam não mais um, senão uma centena de meios que o homem encontrou para a própria distração: o computador pessoal, que já representou uma revolução e tanto no final do século passado, evoluiu em nossos dias para o smartphone, de modo que hoje cada pessoa possui um mundo inteiro de informações bem ao alcance da mão, dentro de seu bolso ou de sua bolsa.

Evidentemente, nem este vídeo nem esta matéria foram feitos para criticar, per se, os meios de comunicação. Se você está lendo estas linhas, é porque tem um computador em casa, um tablet ou um celular em mãos. Graças a Deus esses meios também podem ser usados para a evangelização e para a procura de conhecimentos verdadeiramente úteis e necessários para a nossa vida acadêmica, profissional e espiritual.

Isso não exclui o fato, porém, de que muitas, inúmeras pessoas usam muito mal esses meios de informação. E o vício da curiosidade se encontra, infelizmente, mesmo entre aqueles que se servem sadiamente dessas ferramentas. Quantos de nós mesmo, que estamos à procura de uma vida de perfeição, já não nos censuramos por perder tempo demais com as redes sociais, com o WhatsApp… deixando de cumprir, muitas vezes, com as nossas obrigações de cristãos, de profissionais e de pais e mães de família!

Por essa razão, não nos contentando em tornar disponível este vídeo com uma fala tão bela do Padre Pio, queremos trazer aqui, muito brevemente, o ensinamento de Santo Tomás de Aquino a respeito da curiosidade. Já tivemos a oportunidade de abordar esse mesmo assunto, algum tempo atrás, quando falamos sobre o fenômeno do Big Brother Brasil, que ainda hoje rende bastante audiência para a Rede Globo. O Padre Paulo Ricardo também, em algumas de suas homilias, já tratou muito oportunamente desse tema:

Na explicação sempre precisa de Santo Tomás de Aquino:

“O bem do homem está em conhecer a verdade. Mas o seu bem máximo não está em conhecer toda e qualquer verdade e sim em conhecer, perfeitamente, a verdade suprema [...]. Pode, então, haver vício no conhecimento de certas verdades, na medida em que essa busca não se ordena, devidamente, ao conhecimento da suma verdade, na qual se acha a suma felicidade.” (S. Th. II-II, q. 167, a. 1, ad 1)

Para apresentar, de forma bem didática, os modos como as pessoas pecam por curiosidade, vale a pena consultar o pequeno resumo feito pelo Pe. Antonio Royo Marín em sua Teología Moral para Seglares. Ele diz a respeito deste vício, sempre se orientando pelo Aquinate:

A curiosidade é o apetite desordenado de saber coisas inúteis ou prejudiciais. Pode referir-se tanto ao conhecimento intelectual como ao sensitivo, dando origem a uma multidão de desordens.

Acerca do conhecimento intelectual cabe a desordem:

a) Pelo fim mau (por exemplo, para se ensoberbecer da ciência ou para aprender a pecar).
b) Pelo objeto da ciência (por exemplo, de coisas inúteis, com prejuízo das fundamentais).
c) Pelo emprego de meios inadequados (como ocorre na magia, no espiritismo etc.).
d) Pelo não referir devidamente a ciência a Deus.
e) Pelo querer conhecer o que excede nossas forças e capacidade.

Acerca do conhecimento sensitivo a curiosidade recebe o nome de concupiscência dos olhos (cf. 1Jo 2, 16). Cabe a desordem de dois modos principais:

a) Por não se referir a algo útil e ser mais uma ocasião de se dissipar o espírito.
b) Por ordenar-se a algo mau (por exemplo, ver uma mulher para desejá-la ou interessar-se pela vida alheia para denegri-la).

A partir desse quadro, é bem fácil entender por que “a curiosidade é um defeito que destrói, antes de tudo, a caridade”. Como não lembrar, a partir desta intuição do santo Padre Pio de Pietrelcina, aquelas famílias ou aqueles grupos de amigos que se reúnem para conversar ou para comer e terminam não conversando nada uns com os outros, porque estão com celulares nas mãos? Quando foi que nos tornamos tão mal educados a ponto de ignorarmos as pessoas reais e concretas, que se encontram à nossa frente, para darmos atenção a um aparelho digital?

O atentado à caridade, no entanto, não só começa aí, e a perda de tempo, de que falamos mais acima, nem é o pior dos nossos problemas. A curiosidade que se ordena claramente para o mal, através da pornografia, acessada livremente do celular, compartilhada irreverentemente nos grupos de WhatsApp… essa curiosidade verdadeiramente destrói a caridade, “faz perdermos a paz conosco mesmos”, porque nos arrasta para o pecado mortal e nos afasta para longe de Deus.

Quem não concordará, então, com o Padre Pio quando ele diz: “Vigiemos seriamente sobre nós mesmos”? Não, “não desejemos saber de outra coisa senão de Jesus, e Jesus Crucificado”. Que a nossa busca por conhecimento se ordene, sobretudo, à busca de Deus. Só assim poderemos vencer esse vício tão característico de nossa época.

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