| Categoria: Espiritualidade

Não esqueçam a oração de São Miguel Arcanjo!

Ainda que não seja mais recitada ao final das Missas, como acontecia antigamente, a oração a São Miguel Arcanjo continua sendo um auxílio poderoso “na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo”.

Depois de receber em 1884 uma visão terrível de forças diabólicas prestes a serem soltas na Terra, o Papa Leão XIII escreveu de próprio punho a oração a São Miguel, ordenando que ela fosse recitada logo em seguida a todas as Missas rezadas no rito latino. A oração ao Arcanjo tornou-se parte das chamadas "orações leoninas", as quais foram deixadas de lado pela reforma litúrgica da década de 1960.

Em 1994, porém, o Papa São João Paulo II fez notar a ausência dessa oração e pediu que ela fosse novamente recitada pelos fiéis. Foi no dia 24 de abril, no Vaticano, depois da tradicional oração do Regina Caeli:

"Que a oração nos fortaleça para aquela batalha espiritual de que fala a Carta aos Efésios: 'Fortalecei-vos no Senhor e no poder da sua virtude' ( Ef 6, 10). É a essa mesma batalha que se refere o Livro do Apocalipse, colocando diante de nossos olhos a imagem de São Miguel Arcanjo (cf. Ap 12, 7). Tinha certamente bem presente diante de si essa cena o Papa Leão XIII, quando, no final do século passado, introduziu em toda a Igreja uma oração especial a São Miguel: 'São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra a maldade e as ciladas do demônio…'

Ainda que hoje essa oração não seja mais recitada ao término da celebração eucarística, convido todos a não esquecê-la, mas a recitá-la para obter a ajuda na batalha contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo."

Curiosamente, uma década apenas depois que essa oração deixou de ser recitada nas paróquias após as Missas, o bem-aventurado Papa Paulo VI reconhecia, com pesar, as vitórias que Satanás e suas forças estavam obtendo sobre a Igreja. Em uma homilia no dia 29 de junho de 1972, ele alertava:

" Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus. Subsiste a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se a confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrermos a ele e lhe pedirmos se tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, que já somos os donos e os mestres [dessa fórmula]. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam, em vez disso, serem abertas à luz.

[...]

Na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos sempre mais dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los. Como aconteceu isso? Confiamo-vos um nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo."

A oração a São Miguel foi composta pelo Papa Leão XIII no dia 13 de outubro de 1884, exatamente 33 anos antes do Milagre do Sol, em Fátima. Seguem a versão latina original da oração e a sua tradução portuguesa:

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós príncipe da milícia celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

Fonte: Church Militant | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Por que Nossa Senhora de Fátima se preocupava tanto com a Rússia?

Quando compreendemos o comunismo especialmente em sua dimensão cultural, a propagação dos erros da Rússia torna-se ainda mais evidente.

Por John-Henry Westen — Ao investigar as aparições de Fátima em razão de vários compromissos este ano, vi-me confrontado repetidamente pela insistência de Nossa Senhora com a consagração da Rússia. Depois que ela fosse feita, bem como a prática dos cinco primeiros sábados de reparação, Nossa Senhora prometeu que a Rússia se converteria e um período de paz seria dado à humanidade. Do contrário, advertiu a Rainha do Céu, a Rússia "espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja". E acrescentou: "Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas."

"Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará", ela disse. "O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz."

O Papa São João Paulo II, é claro, confiou o mundo ao Imaculado Coração em 1984, mas nós ainda estamos a esperar por esse período de paz. Nunca como no último meio século se viu tanta guerra, tantos massacres, tantos martírios e tantos abortos. Ominosamente, ainda não vimos a aniquilação de várias nações. Mas o que tudo isso tem a ver com a Rússia?

A Rússia representa, nas mentes de maior parte das pessoas, a origem do comunismo — pensado principalmente como um sistema econômico em competição com o capitalismo. No entanto, quando nós realmente compreendemos o comunismo, a propagação dos erros da Rússia torna-se evidente.

O livro The Naked Communist ("O Comunista Nu", lit., sem tradução para o português) é a fonte mais concisa e acessível que delineia as metas e a ideologia comunistas. Foi escrito por W. Cleon Skousen, um ex-agente do FBI que teve contato direto com várias fontes originais e a melhor inteligência da organização quando se investigou a infiltração comunista nos Estados Unidos. O livro está catalogado no Registro do Congresso e o presidente Ronald Reagan comentou sobre ele dizendo: "Ninguém está mais qualificado para discutir a ameaça do comunismo a esta nação."

Uma seleção dos objetivos do comunismo listados por Skousen servem para ilustrar a sua disseminação por todas as nações, especialmente no Ocidente:

  • Eliminar todas as leis que regulam a obscenidade, qualificando-as como "censura" e como uma violação da liberdade de expressão e de imprensa.
  • Romper os padrões culturais de moralidade, promovendo pornografia e obscenidade em livros, revistas, filmes, rádio e TV.
  • Apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como sendo "normal, natural, saudável".
  • Infiltrar as igrejas e substituir a religião revelada pela religião "social".
  • Desacreditar a Bíblia e enfatizar a necessidade de uma maturidade intelectual que dispense "muleta religiosa".
  • Eliminar a oração ou qualquer tipo de expressão religiosa nas escolas, com o fundamento de que ela viola o princípio da "separação entre Igreja e Estado".
  • Desacreditar a família enquanto instituição. Incentivar a promiscuidade, a masturbação e o divórcio fácil.
  • Enfatizar a necessidade de afastar as crianças da influência negativa dos pais. Atribuir "preconceitos, bloqueios mentais e retardamento das crianças à influência supressiva dos pais".

Além do comunismo, no entanto, outro dos erros da Rússia que se espalhou com força por todo o mundo foi o aborto. A prática foi legalizada na Rússia pela primeira vez em 1920 e, até hoje, o país apresenta a maior taxa de aborto per capita do mundo: com uma população de 143 milhões, há 1,2 milhões de abortos por ano.

Não resta dúvida de que as predições e promessas de Maria se tornarão verdadeiras. Nossa Senhora de Fátima previu a Segunda Guerra Mundial e até mesmo um sinal de alerta que a precederia. Alertou sobre a epidemia de impureza que infestou o planeta. Deu aos fiéis tarefas a cumprir, a fim de que se realize o triunfo do seu Imaculado Coração — profecias estas às quais ela será igualmente fiel.

Então, assim como nós honramos nossas próprias mães neste mês de maio, vamos examinar novamente os pedidos de Nossa Senhora e colocá-los em prática. Ela pediu oração, particularmente a do Santo Rosário e a devoção do Escapulário do Carmo. Ela pediu reparação pelos pecados e ultrajes perpetrados contra a graça de Deus e pelas blasfêmias contra os Sagrados Corações de Jesus e Maria, especialmente com a prática dos cinco primeiros sábados. E, finalmente, ela pediu a consagração ao Imaculado Coração de Maria, tanto a título pessoal como, publicamente, a da Rússia pelo Papa e pelos bispos de todo o mundo.

Quase a totalidade dessas matérias está sob o nosso controle pessoal. Não há melhor oportunidade do que este ano, especialmente durante o período da Ressurreição, o Tempo Pascal, para implementar essas práticas em nossas vidas. Empunhemos, pois, a arma do Rosário, o cordão umbilical que nos liga à nossa Mãe Celestial. Façamos a devoção dos cinco primeiros sábados e ensinemo-la aos nossos filhos. Consagremo-nos, como ensinou São Luís de Montfort, ao Coração Imaculado de Maria, condição que São João Paulo considerava "indispensável a quem quer que deseje se entregar sem reservas a Cristo e à obra da redenção".

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Sensus Fidei | Adaptação: Equipe CNP

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​Conheça o milagre da canonização dos Pastorinhos de Fátima

Em Fátima, brasileiro conta como o filho foi curado milagrosamente por intercessão de Francisco e Jacinta Marto.

Os pais de Lucas, a criança cuja cura foi atribuída à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, manifestaram hoje em Fátima a sua "imensa alegria por ser este o milagre que os leva à canonização".

"Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta", salientou João Batista, o pai do jovem Lucas, falando em seu nome e da sua mulher, Lucila Yurie.

"Mas sobretudo sentimos a bênção da amizade destas duas crianças, que ajudaram o nosso menino e agora ajudam a nossa família", acrescentou no seu testemunho.

Os agradecimentos são também dirigidos a todos os profissionais de saúde que se ocuparam do caso e a todas as pessoas que rezaram pelo seu filho, bem como à Postulação da Canonização dos dois beatos e ao Santuário de Fátima, "pelo convite para este momento de graça".

O caso ocorreu a 3 de março de 2013, pelas 20 horas, quando Lucas, na altura com 5 anos, caiu de uma janela, de uma altura de 6,5 metros.

"Bateu com a cabeça no chão e fez um traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral", relatou, referindo que a criança foi internada em coma muito grave, sofrendo duas paragens cardíacas, e os médicos deram-lhes poucas esperanças de sobrevivência.

"Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo às irmãs que rezassem pelo menino. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado para a comunidade", contou, indicando que a mensagem só foi passada à comunidade no dia seguinte.

"Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: 'Pastorinhos, salvem este menino, que é uma criança como vocês'. Conseguiu convencer toda a comunidade a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos", relatou.

"Assim fizeram. Da mesma forma todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas acordou, bem, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 saiu da UTI e dia 15 teve alta", disse João Batista.

Uma cura, referiu, para a qual os médicos, mesmo os não-crentes, não conseguem encontrar explicação.

A criança está completamente bem, "sem nenhum sintoma ou sequela": "O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual".


Texto completo do testemunho dos pais de Lucas:

Boa tarde.

Meu nome é João Batista. Esta é a minha esposa, Lucila Yurie.

No dia 3 de março de 2013, pelas 20.00 horas, o nosso filho Lucas, que estava a brincar com a sua irmãzinha Eduarda, caiu de uma janela, de uma altura de 6.50 metros. Tinha 5 anos.

Bateu com a cabeça no chão e fez um traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral.

Foi assistido na nossa cidade, em Juranda, e dada a gravidade do seu quadro clínico, foi transferido para o hospital de Campo Mourão, no Paraná.

O percurso demorou quase uma hora.

Chegou em coma muito grave. Teve duas paragens cardíacas e foi operado de urgência. Os médicos diziam que tinha poucas probabilidades de sobreviver.

Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo às irmãs que rezassem pelo menino. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado para a comunidade. Estavam na hora do silêncio e ela pensou: "O menino vai morrer. Vou rezar pela família".

Os dias passavam e o Lucas estava piorando. No dia 6 de março os médicos pensaram na transferência para outro hospital, uma vez que nem havia os cuidados necessários para a sua idade. Disseram-nos que as possibilidades de o menino sobreviver eram baixas e que se sobrevivesse teria uma recuperação muito demorada ficando certamente com graves deficiências cognitivas ou mesmo em estado vegetativo.

No dia 7 voltamos a telefonar ao Carmelo. Nesse dia, a irmã transmitiu o recado à comunidade. Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: "Pastorinhos, salvem este menino, que é uma criança como vocês". Conseguiu convencer toda a comunidade a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos.

Assim fizeram. Da mesma forma todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas acordou, bem, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 saiu da UTI e dia 15 teve alta.

Está completamente bem, sem nenhum sintoma ou sequela. O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual.

Os médicos, incluindo alguns não crentes, disseram não ter explicação para esta recuperação.

Queremos agradecer aos profissionais de saúde que acompanharam o Lucas, bem como à Postulação do Francisco e Jacinta Marto na pessoa da Irmã Ângela, por todo o cuidado prestado durante todo este processo até canonização.

Agradecemos também ao Santuário de Fátima pelo convite para este momento de graça. No entanto, não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que rezaram pelo Lucas.

Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta.

Sentimos uma imensa alegria por ser este o milagre que os leva à canonização, mas sobretudo sentimos a bênção da amizade destas duas crianças, que ajudaram o nosso menino e agora ajudam a nossa família.

Fonte: Página Oficial do Santuário de Fátima

| Categoria: Virgem Maria

Maria é toda poderosa junto de Deus

Assim quer Jesus honrar sua querida Mãe, que tanto o honrou em vida, prontamente concedendo-lhe tudo que pede ou deseja.

Por S. Afonso Maria de Ligório — Tão grande é o prestígio de uma mãe, que nunca pode tornar-se súdita de seu filho, ainda que seja monarca e tenha domínio sobre todas as pessoas do seu reino. É verdade, sentado agora à direita de Deus Pai, no céu, reina Jesus e tem supremo domínio sobre todas as criaturas e também sobre Maria. E o tem mesmo como homem, diz Santo Tomás, por causa da união hipostática com a pessoa do Verbo. Todavia, é também certo que nosso Redentor, quando vivia na terra, quis humilhar-se a ponto de ser submisso a Maria. "E lhes estava sujeito" (Lc 2, 51). Sim, desde que Jesus Cristo se dignou escolher Maria por Mãe, estava como Filho realmente obrigado a obedecer-lhe, diz S. Ambrósio. Os outros santos — reflete Ricardo de S. Lourenço — estavam unidos à vontade de Deus; mas teve Maria maior ventura. Pois não só foi submissa à vontade de Deus, mas também o Senhor se submeteu à sua vontade. Das outras virgens diz-se que "seguem o Cordeiro por toda parte". Porém, de Maria dizer se pode que o Cordeirinho de Deus a seguia, porque lhe foi submisso.

Daí concluímos que são as súplicas de Maria eficacíssimas para obterem tudo quanto ela pede, ainda que não possa dar ordens a seu Filho no céu. Pois os seus rogos sempre são rogos de Mãe. Tem Maria o grande privilégio de ser poderosíssima junto ao Filho, diz Conrado de Saxônia. E por quê? Justamente pela razão já apresentada, e que mais abaixo vamos examinar minuciosamente: porque as súplicas de Maria são súplicas de Mãe. De onde as palavras de S. Pedro Damião: A Virgem consegue quanto quer, no céu como na terra; até aos desesperados pode dar esperança de salvação. O Santo chama o Redentor de altar de misericórdia, onde os pecadores obtém de Deus a graça do perdão. A ele, Jesus, dirige-se Maria quando quer obter-nos alguma graça. O filho tanto aprecia, porém, os rogos de sua Mãe e tanto deseja ser-lhe agradável, que sua intercessão mais afigura uma ordem do que uma prece, e ela parece antes uma Rainha do que uma serva, remata o santo. Assim quer Jesus honrar sua querida Mãe, que tanto o honrou em vida, prontamente concedendo-lhe tudo que pede ou deseja. Belamente o exprime S. Germano nas suas palavras dirigidas à Virgem: Sois onipotente, ó Mãe de Deus, para salvar os pecadores; não precisais de recomendação alguma diante de Deus, pois que sois a Mãe da verdadeira vida.

Não receia S. Bernardino de Sena concordar com a sentença de que "ao império de Maria todos estão sujeitos, até o próprio Deus". Isto é, Deus lhe atende os rogos como se foram ordens. Exclama por isso Eádmero: Virgem, de tal modo vos elevou o Senhor, que podeis obter para vossos servos todas as graças possíveis; pois é onipotente vosso patrocínio, como assevera Cosmas de Jerusalém. Maria, sim, sois onipotente — acentua Ricardo de S. Lourenço; pois, que, conforme as leis, deve a rainha gozar dos mesmos privilégios que o rei. Por isso, colocou Deus toda a Igreja não só sob o patrocínio, senão também sob o império de Maria, observa S. Antonino.

Convindo portanto à mãe o mesmo império que ao filho, com razão Jesus, que é onipotente, tornou Maria toda poderosa. Contudo, sempre será verdade que o Filho é onipotente por natureza e a Mãe o é por graça. E isto se verifica, porque, quanto pede a Mãe, tudo lhe concede o Filho, como justamente foi revelado a S. Brígida. Ouviu ela Jesus dizer a Maria: Minha Mãe, já sabes quanto te quero; pede-me por isso o que quiseres, porque, seja qual for a tua petição, não pode deixar de ser de mim ouvida. E que bela razão alegou o Senhor! Minha Mãe, disse-lhe, nada me negavas na terra; é justo que nada eu te negue no céu. Diz-se que Maria é onipotente; mas é do modo que se pode entender de uma criatura, que não é capaz de atributo divino. Porque com seus rogos obtém tudo quanto quer, é ela, pois, onipotente.

Com sobras de razão, portanto, ó excelsa advogada nossa, vos diz S. Bernardo: Tudo se faz, se vós o quereis. Basta a vossa vontade para que tudo se faça. Quereis elevar a uma alta santidade o mais abjeto dos pecadores? Em vossa vontade está o fazê-lo. De Eádmero são estas palavras: Senhora, basta-vos querer a nossa salvação e nós não podemos perecer. S. Alberto Magno põe na boca de Maria palavras semelhantes: Devo ser rogada, para que queira; porque o que eu quero é necessário que se faça.


Da obra Glórias de Maria (I, 6), de Santo Afonso Maria de Ligório,
3. ed. Aparecida: Santuário, 1989, pp. 151-153.

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Rompendo o “Silêncio” com o Esplendor da Verdade

Quem quer assistir ao filme “Silêncio”, de Martin Scorsese, arme-se antes com a encíclica “Veritatis Splendor”, de São João Paulo II. Nunca antes as palavras do grande “João de Deus” foram tão necessárias, para a Igreja e para o mundo.

Agora que já se foi a primeira efervescência em torno de Silêncio, o filme baseado na obra homônima de Shusaku Endo, gostaríamos de tecer algumas considerações sobre a totalidade da produção de Martin Scorsese.

Em nossa primeira manifestação a respeito do filme, traduzimos um texto em inglês, de autoria de John Horvat II, ao qual demos um título categórico: "Silêncio", uma trágica negação da graça de Deus. À época, tivemos contato com alguns outros textos, escritos por católicos, principalmente de língua inglesa, mas as críticas todas iam praticamente no mesmo sentido: no final da história, o que sobressai, mais que o testemunho da fé pela qual deram a vida os mártires japoneses, é uma tentativa patética de justificar, de algum modo, a apostasia dos traidores.

De nossa parte, a impressão que tivemos, assistindo à produção de Scorsese, foi a mesma.

A primeira hora de filme retrata, de fato, cenas belíssimas e emocionantes (de chorar mesmo): uma comunidade cristã vivendo "nas catacumbas" por causa das perseguições, sedenta por sinais de fé, que se confessa, que comunga, que reza, que quer se entregar a Deus. A crucificação dos japoneses Ichizo e Mokichi, e o canto de louvor que este último eleva a Deus enquanto morre, constituem como que o clímax desse primeiro trecho da história. Na confissão de Kichijiro (a primeira), reconhecendo a sua miséria diante da misericórdia divina, cada um de nós pode ver a si mesmo e deplorar juntamente com ele a fraqueza de nossa carne.

Quando, porém, o protagonista da trama, Padre Rodrigues, interpretado por Andrew Garfield, diz ao mártir Mokichi que não há problema algum em pisar na imagem de Nosso Senhor (o fumi-e, como era chamado, em japonês), o filme muda totalmente de rumo. A partir disso, é como se o tom fúnebre com o qual se encerra a trama já começasse a tocar: era só uma questão de tempo para que Rodrigues imitasse Ferreira (Liam Neeson) e se rendesse, no final, passando o resto de seus dias como um apóstata.

A questão que vimos alguns levantando foi: esses fatos realmente se passaram, houve cristãos que traíram a sua fé e o filme simplesmente retrata o que aconteceu, sem a pretensão fabular de transmitir uma "moral da história". Só porque os protagonistas de Silêncio são traidores, não quer dizer que Scorsese esteja incentivando as pessoas a traírem a sua fé.

É claro que não, devemos dizer. Filmes não precisam ser, como alguém comentou aqui, um "catecismo de perguntas e respostas". A arte deve trabalhar com possibilidades, mais que com preceitos e "comandos". Acontece porém que, até na forma como um artista escolhe retratar o bem e o mal, a verdade e a mentira, a beleza e a feiúra, existe um componente moral que não pode ser ignorado. Nesse sentido, o que Scorsese faz em Silêncio é ainda pior do que faz o Padre Ferreira para arrastar Rodrigues à apostasia: o diretor não incentiva as pessoas a traírem a fé porque, na verdade, não existe sequer traição, no sentido próprio do termo. Se é a própria voz de Cristo que manda Rodrigues pisar no fumi-e, como vai retratado na trama, o ato de apostatar é relativo: tanto faz resistir ou ceder, ser mártir ou apóstata; o que importa é morrer como Padre Rodrigues, segurando um crucifixo. Se Judas Iscariotes tivesse um desses na mão enquanto se suicidava, estaria no Céu com os outros Apóstolos.

Um dos comentaristas que se irritaram com nosso primeiro texto captou bem essa mensagem moral de Silêncio quando escreveu aqui, em tom crítico, que "na vida certas escolhas dolorosas, pelo fato mesmo de serem dolorosas, não envolvem a opção fundamental da pessoa". Mal sabia ele (ou sabia?) que estava a apoiar uma tese já há muito condenada pelo Magistério da Igreja: a teoria da… (e atenção, porque a expressão é exatamente a mesma) "opção fundamental".

Cuidadosamente examinada pelo Papa São João Paulo II na encíclica Veritatis Splendor, de 1993, essa teoria constitui uma chave de leitura perfeita para o filme Silêncio. Com ela, alguns teólogos dão a entender que os "comportamentos concretos" de uma pessoa não influiriam na sua "opção fundamental": assim, por mais pecados que viesse a cometer, se alguém tivesse se decidido a crer em Cristo — ou a "fazer o bem", genericamente —, poderia se salvar do mesmo modo, sem muita dificuldade (quase como o "Pecca fortiter sed crede fortius" [1], de Martinho Lutero). Explica-nos melhor o Papa Wojtyla:

Deste modo, chega-se a introduzir uma distinção entre a opção fundamental e as escolhas deliberadas de um comportamento concreto, uma distinção que, nalguns autores, assume a forma de uma separação, já que eles restringem expressamente o "bem" e o "mal" moral à dimensão transcendental própria da opção fundamental, qualificando como "justas" ou "erradas" as escolhas de comportamentos particulares "intramundanos", isto é, referentes às relações do homem consigo próprio, com os outros e com o mundo das coisas. Parece assim delinear-se, no interior do agir humano, uma cisão entre dois níveis de moralidade: por um lado, a ordem do bem e do mal que depende da vontade, e, por outro, os comportamentos determinados, que são julgados como moralmente justos ou errados, somente em função de um cálculo técnico da proporção entre bens e males "pré-morais" ou "físicos", que efetivamente resultam da ação. E isto até ao ponto de um comportamento concreto, mesmo escolhido livremente, ser considerado como um processo simplesmente físico, e não segundo os critérios próprios de um ato humano. O resultado a que se chega, é reservar a qualificação propriamente moral da pessoa à opção fundamental, subtraindo-a total ou parcialmente à escolha dos atos particulares, dos comportamentos concretos.

[...]

Pela lógica das posições acima descritas, o homem poderia, em virtude de uma opção fundamental, permanecer fiel a Deus, independentemente da conformidade ou não de algumas das suas escolhas e dos seus atos determinados com as normas ou regras morais específicas. Devido a uma opção originária pela caridade, o homem poderia manter-se moralmente bom, perseverar na graça de Deus, alcançar a própria salvação, mesmo se alguns dos seus comportamentos concretos fossem deliberada e gravemente contrários aos mandamentos de Deus, reafirmados pela Igreja. [2]

A primeira consequência dessa forma de pensamento é fácil de prever: abole-se conceito de pecado mortal. Só pecaria gravemente contra Deus quem atentasse contra a sua "opção fundamental", talvez por uma carta renunciando expressamente a Cristo ou através um pacto com Satanás. Nessa lógica, o beijo de Judas, por exemplo, não teria sido suficiente para condená-lo ao inferno; uma traição só não seria ainda um adultério completo; um único roubo não bastaria para qualificar um ladrão. Quantas infidelidades formariam um pecado mortal, ficaria a cargo desses mesmos teólogos descobrir…

A resposta da Igreja a essa teoria absurda não poderia ser outra senão um anátema de São João Paulo II:

Na verdade, o homem não se perde só pela infidelidade àquela opção fundamental, pela qual ele se entregou total e deliberadamente a Deus. Em cada pecado mortal cometido deliberadamente, ele ofende a Deus que deu a lei e torna-se, portanto, culpável perante toda a lei (cf. Tg 2, 8-11); mesmo conservando-se na fé, ele perde a "graça santificante", a "caridade" e a "bem-aventurança eterna". A graça da justificação — ensina o Concílio de Trento —, uma vez recebida, pode ser perdida não só pela infidelidade que faz perder a mesma fé, mas também por qualquer outro pecado mortal.

[...]

Há-de evitar-se reduzir o pecado mortal a um ato de "opção fundamental" — como hoje em dia se costuma dizer — contra Deus, entendendo com isso quer um desprezo explícito e formal de Deus e do próximo, quer uma recusa implícita e não reflexa do amor. Dá-se, efetivamente, o pecado mortal também quando o homem, sabendo e querendo, por qualquer motivo escolhe alguma coisa gravemente desordenada. Com efeito, numa escolha assim já está incluído um desprezo do preceito divino, uma rejeição do amor de Deus para com a humanidade e para com toda a criação: o homem afasta-se de Deus e perde a caridade. A orientação fundamental pode, pois, ser radicalmente modificada por atos particulares. Podem, sem dúvida, verificar-se situações muito complexas e obscuras sob o ponto de vista psicológico, que influem na imputabilidade subjetiva do pecador. Mas, da consideração da esfera psicológica, não se pode passar para a constituição de uma categoria teológica, como é precisamente a da "opção fundamental", entendendo-a de tal modo que, no plano objetivo, mudasse ou pusesse em dúvida a concepção tradicional de pecado mortal. [3]

Mas, dados esses esclarecimentos, voltemos ao filme de Scorsese. Há algo de bom que se pode colher dele? A resposta é sim. Qualquer narrativa da vida dos mártires é capaz de nos colocar diante da mesma pergunta: o que faríamos nós, que com tanta facilidade traímos a Nosso Senhor no dia a dia, diante da perseguição e da morte? Testados em nossa fé, agiríamos nós como os santos ou como Kichijiro? Cada um faça, diante de Deus, o seu exame de consciência.

O que não se pode ignorar é a grande confusão em que pode entrar uma pessoa mal formada, ao sair de uma sessão de Silêncio. O relativismo moral dos nossos tempos não permite que tratemos esse filme com um simples dar de ombros, como se a arte não tivesse sua influência, para o bem e para o mal, sobre a forma de pensar e de agir das pessoas. Quem quer assistir ao Silêncio perturbador de Scorsese, portanto, arme-se antes com o "Esplendor da Verdade", de São João Paulo II. Nunca antes as palavras do grande "João de Deus" foram tão necessárias — para a Igreja e para o mundo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Carta a Melâncton, 1.º de agosto de 1521.
  2. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Veritatis Splendor, 6 de agosto de 1993, n. 65, 68.
  3. Ibid., n. 68, 70.

| Categoria: Virgem Maria

Ninguém se salva a não ser por meio de Maria

Jesus foi o fruto de Maria, como diz Santa Isabel. Quem quer o fruto deve também querer a árvore. Quem, pois, quer a Jesus, deve procurar Maria; e quem acha Maria, certamente acha também Jesus.

Por Santo Afonso Maria de Ligório — Uma sentença de S. Bernardo diz: Cooperaram para nossa ruína um homem e uma mulher. Convinha, pois, que outro homem e outra mulher cooperassem para nossa reparação. E estes foram Jesus e Maria, sua Mãe. Não há dúvida, diz o Santo, Jesus Cristo, só, foi suficientíssimo para remir-nos. Mais conveniente era, entretanto, que para nossa reparação servissem ambos os sexos, assim como haviam cooperado ambos para nossa ruína. Pelo que S. Alberto chamou a Maria cooperadora da redenção. A própria Virgem revelou a S. Brígida que assim como Adão e Eva por um pomo venderam o mundo, assim também ela e seu Filho com um coração o resgataram. Do nada pôde Deus criar o mundo, observa S. Anselmo, mas não quis repará-lo sem a cooperação de Maria.

De três modos, explica o Padre Suárez, cooperou a divina Mãe para a nossa salvação. Primeiro, merecendo com merecimento de côngruo a Encarnação do Verbo. Segundo, rogando muito a Deus por nós, enquanto esteve no mundo. Terceiro, sacrificando com boa vontade a Deus a vida do Filho para nossa salvação. Tendo, pois, Maria cooperado para a redenção com tanto amor pelos homens e tanto zelo pela glória divina, com razão determinou o Senhor que todos nos salvemos por intermédio de sua intercessão.

Maria é chamada cooperadora de nossa justificação, diz Bernardino de Busti, porque Deus lhe entregou as graças todas que nos quer dispensar. Por isso, no dizer de S. Bernardo, todas as gerações, passadas, presentes e futuras, devem considerar Maria como medianeira e advogada da salvação de todos os séculos.

Garante-nos Jesus Cristo que ninguém pode vir a ele, a não ser que o Pai o traga. "Ninguém pode vir a mim, se o Pai não o atrair" (Jo 6, 44). O mesmo também, no sentir de Ricardo de S. Lourenço, diz Jesus de sua Mãe. Ninguém pode vir a mim, se minha Mãe o não atrair com suas preces. Jesus foi o fruto de Maria, como diz S. Isabel (Lc 1, 42). Quem quer o fruto deve também querer a árvore. Quem, pois, quer a Jesus, deve procurar Maria; e quem acha Maria, certamente acha também Jesus. Vendo Isabel a Santíssima Virgem que a fora visitar em sua casa, e não sabendo como lhe agradecer, exclamou cheia de humildade: E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Lc 1, 43). Mas como assim pergunta? Não sabia já Isabel que não só Maria, como também Jesus tinha vindo a sua casa? Por que, pois, se declara indigna de receber a Mãe, em vez de confessar-se indigna de ver o Filho vir a seu encontro? Ah! é porque bem entendia a Santa que Maria vem sempre com Jesus e que, portanto, lhe bastava agradecer à Mãe sem nomear o Filho.

No livro dos Provérbios (31, 14), diz-se da mulher prudente: Fez-se como a nau do negociante, que traz de longe o seu pão. Maria foi esta ditosa nau, que do céu nos trouxe Jesus Cristo, pão vivo descido do céu para dar-nos a vida eterna, como ele diz: Eu sou o pão vivo, que desci do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente (Jo 6, 51). Daí conclui Ricardo de S. Lourenço que no mar deste mundo todos se perdem, quantos não se tiverem recolhido a esta nau, isto é, que não forem protegidos de Maria. Sempre, portanto, continua ele, que estivermos em perigo de nos perdermos pelas tentações ou paixões desta vida: urge recorrer a Maria, clamando: Depressa, Senhora, ajudai-nos, salvai-nos, se não quereis ver-nos perdidos. E note-se aqui, de passagem, que o sobredito autor não se faz escrúpulo de dizer a Maria: Salvai-nos que perecemos! Não imita, por conseguinte, o autor mencionado no parágrafo anterior, o qual nos proíbe que peçamos à Virgem salvação, porquanto no seu parecer só de Deus devemos esperá-la. Bem pode um condenado à morte dizer a algum valido do rei que o salve, pedindo ao príncipe indulto para a sua vida. Mas por que então não poderemos nós dizer à Mãe de Deus que nos salve, impetrando-nos a graça da vida eterna? S. João Damasceno sem dificuldade dizia à Virgem Santíssima: Rainha pura e imaculada, salvai-me, livrai-me da condenação eterna! S. Boaventura saúda-a como "salvação dos que a invocam". A Santa Igreja aprova o chamar-lhe "saúde dos enfermos". E teremos nós escrúpulos de pedir-lhes que nos salve, quando um escritor afirma que ninguém se salva senão por ela? E já antes deles, S. Germano afirmou "que ninguém se salva a não ser por meio de Maria".


Da obra Glórias de Maria (I, 5), de Santo Afonso Maria de Ligório,
3. ed. Aparecida: Santuário, 1989, pp. 141-143.

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Eleições e anticristianismo na França

Nesta despretensiosa análise política e histórica, saiba como a hostilidade à religião, e à fé católica em particular, está influenciando as eleições presidenciais na França.

Por Jean Duchesne [*] — No dia seguinte à vitória de François Fillon nas primárias republicanas da França, em novembro do ano passado, o título do jornal de esquerda Libération era: "Socorro, Jesus está voltando!" A razão para essa chamada de aflição? Fillon era conhecido como um católico praticante, marido fiel (aspecto nada comum entre os políticos contemporâneos) e visitante regular da Abadia de Solesmes, símbolo da restauração religiosa supostamente neomedieval e "reacionária" do século XIX. Pior, ele era apoiado por muitos dos militantes que organizaram, em 2013, as espetaculares e massivas (ainda que sem sucesso) manifestações contra a legalização do "casamento" gay — la Manif pour tous.

Olhando retrospectivamente, o "pedido de socorro" do jornal Libération, longe de causar pânico entre os secularistas, o que fez foi anunciar a determinação deles de acabar com a candidatura de Fillon. Dentro de semanas, ele foi acusado pela imprensa de fazer o que a maioria dos políticos, em todos os partidos, fazem: colocar a mulher e os filhos, que trabalhavam duro para ele, em cargos assalariados — o que é ilegal apenas se, de fato, nenhum trabalho é realizado. Um promotor público foi rapidamente apontado pelo governo socialista, e de maneira previsível, para acusar o líder da oposição conservadora. As acusações permanecem abertas, para dizer o mínimo. Não houve relatório algum nem de instituições públicas nem de instituições privadas que tivessem pago salários a membros da família Fillon. Detalhes da investigação preliminar foram vazadas para a mídia, que depois acrescentou novas acusações.

Fillon reconheceu que contratar membros de sua família tinha sido imprudente, e desculpou-se por isso. Mas ele foi incapaz de se desvincular das suspeitas de desonestidade. Antes do escândalo, ele estava em primeiro lugar nas pesquisas para a presidência da França; depois de tudo, ele caiu para o terceiro lugar, ficando atrás de Le Pen e do centrista Emmanuel Macron — e fora do segundo turno.

A acusação de corrupção contra Fillon não foi apenas um golpe político sujo. Foi também um ato motivado por ideologia, e reflete a hostilidade ao Cristianismo presente em vários círculos onde a religião em geral, e a fé católica em particular, é vista como uma doença infantil. Essa não é a ideia só de marxistas meio arrependidos, ainda ansiosos para protestar contra "o ópio das massas", ou de outros adeptos da esquerda materialista. A aversão ao Cristianismo também pode ser encontrada na extrema direita política, com o seu misticismo avesso ao amor e à misericórdia, e entre centristas cuja moderação assimila a fé ao fanatismo religioso.

Marine Le Pen, a candidata populista da Frente Nacional, também é acusada de incluir membros do seu partido na folha de pagamento do Parlamento Europeu, no qual ela detém um mandato eletivo. Apesar disso, ela não foi ferozmente perseguida como Fillon. Uma das razões é que ela aparentava ser, de acordo com as previsões da grande mídia, uma ameaça menor que o candidato republicano. Mas a razão principal por que a mídia caçou Le Pen com menos ferocidade que Fillon é que ela não é considerada uma inimiga do "progresso" na área de maior importância para as pessoas "iluminadas": a assim chamada liberação sexual. Le Pen já se divorciou por duas vezes e é simpatizante da causa gay. Ela não se comporta nem se define como uma boa católica.

A hostilidade à Igreja não é algo novo na França. Alguns historiadores chegam a dizer que o país nunca foi evangelizado por completo. Missões nas províncias foram necessárias até o século XIX, quando o secularismo crescente forçou o clero a se retirar para posições defensivas. Depois do batismo de Clóvis, rei dos francos, pelo bispo São Remígio de Reims, em 496 (considerado o ano de nascimento da nação), a Igreja tendia a confiar no poder real, proporcionando à monarquia, em retorno, uma aura de sacralidade (algumas vezes contrária ao Papa, em tempos de "galicanismo") e súditos obedientes. A aliança fundante entre o trono e o altar foi desafiada, primeiro durante a Reforma (quando aristocratas protestantes ameaçaram a união nacional, conquistada com suor pelos reis durante a Idade Média), e depois mais seriamente nos séculos XVII e XVIII, com a ascensão da burguesia, a nova classe de mercadores abastados.

A Revolução Francesa não faz sentido sem o preexistente peso dos novos ricos na sociedade e o seu ódio tanto ao regime quanto à Igreja. Porque eles não eram autorizados a frequentar a classe alta (como foi o caso da Inglaterra, por exemplo), os novos ricos financiavam intelectuais do livre pensamento. Esses escritores produziram histórias, peças e panfletos que espalharam entre as classes mais baixas a noção de que a pobreza e a fome eram devido à ordem social injusta mantida pela religião oficial. Em setembro de 1792, uma gangue invadiu o convento de Paris, quando centenas de padres e monges foram detidos como "inimigos da nação" e assassinados. Essa gangue, evidentemente, não tinha vindo do nada. Tampouco a multidão que aplaudia enquanto freiras inofensivas eram guilhotinadas sem motivo, a não ser os seus votos religiosos.

Napoleão, que inesperadamente emergiu do caos revolucionário, comprou a paz ao reconhecer o Catolicismo como "a religião da maioria dos franceses". Mas ele também concedeu reconhecimento oficial a judeus e protestantes, a fim de melhor mantê-los sob o seu controle. Isso fez com que fosse fácil, para os secularistas que tomaram o poder um século depois, denunciar e revogar a Concordata que ele havia assinado com a Santa Sé. É claro que, desde a Revolução, o clero e o seu rebanho tinham sido notavelmente persistentes em apostar nos cavalos políticos errados. Eles apoiaram todos os sucessivos regimes do século XIX, antes de se voltarem contra os mesmos, ora por serem muito autoritários, ora por serem muito liberais: sucessivamente, o império napoleônico, uma monarquia restaurada e então menos absolutista, uma segunda república, um segundo império…

Depois que um enfraquecido Napoleão III perdeu, em 1870, a guerra que os prussianos lhe tinham armado, os católicos prefeririam uma segunda restauração, mas uma terceira república, baseada nos ideais da Revolução de 1789, finalmente prevaleceu no voto popular. Eles se recusaram a aceitar isso (ainda que o Papa Leão XIII lhes aconselhasse o contrário), e a separação do Estado e da Igreja, em 1905, foi facilitada por duas crises simultâneas: os católicos estavam mais uma vez do lado errado no caso Dreyfus, que rachou o país no meio, e a repressão da exegese e da teologia "modernistas" passava a ideia de que a fé era incompatível com a razão e a ciência.

Como eram patriotas, os católicos franceses lutaram na Primeira Guerra Mundial, ignorando o Papa Bento XV; mas eles continuaram perdendo terreno político e cultural, até que os alemães voltassem em 1940 e implantassem o regime antissemita de Vichy, que muitos do clero e do laicato acolheram, mais uma vez erroneamente. Eles não gostavam muito de De Gaulle (ainda que ele fosse um deles) e foram lentamente marginalizados após a Segunda Guerra Mundial, conforme o crescimento econômico e a urbanização minavam as estruturas rurais da Igreja, e Marx, Nietzsche e Freud se tornavam os novas referências intelectuais, confirmando que o Cristianismo estava condenado.

Em décadas recentes, a crença de que o Catolicismo não só está fora de moda, como também é nocivo, vai baseada em questões mais sexuais que políticas. A modernidade considera que suas lutas pelo divórcio, pela contracepção e pelo aborto definitivamente ganharam, e agora busca impor a aceitação de todos os tipos de atividade sexual em nome dos direitos das minorias. Nestas circunstâncias, a Igreja é mais do que nunca a inimiga.

A maioria dos cidadãos franceses não são ativamente hostis ao Cristianismo. Eles são simplesmente indiferentes a uma religião que conhecem pouco e cada vez menos. Mas existem uns quantos lobbies efetivos ansiosos para desacreditar a Igreja. Essa pressa para eliminar a religião agora vai de encontro ao imprevisto da expansão islâmica, que nega formalmente a irreversibilidade da secularização. Mas isto não é razão para poupar a fé católica, já que ela não consegue controlar o fanatismo islâmico e continua sendo um alvo mais fácil.

A França não é uma exceção entre nações que já foram cristãs. O ódio anticlerical fez milhares de homicídios no México e durante a Guerra Civil Espanhola. E a recusa da União Europeia em reconhecer quaisquer raízes espirituais para o continente mostra que o anticristianismo não está limitado ao militantes dogmáticos, mas vai espalhado também entre as elites "iluminadas" do Velho Mundo.

Circunstâncias como essas não justificam o pessimismo. Artistas cristãos de renome mundial podem até sentir falta do apoio de uma civilização onde a fé era onipresente e provia um ambiente favorável e uma fonte de inspiração. Mas Igrejas nacionais em apuros, não menos que as triunfantes, também produzem missionários, santos e teólogos. Na França, a ascensão do secularismo durante o ano 1900 coincidiu com Santa Teresinha de Lisieux e as conversões de Péguy, Claudel e Maritain. O totalitarismo do século XX coexistiu com Bernanos, de Lubac, Daniélou, Congar e Bouyer. Alguns dos filósofos franceses mundialmente conhecidos de hoje (Jean-Luc Marion, Rémi Brague) também são católicos. Ou seja, a Igreja gera frutos também quando é incompreendida e desprezada. Ela não será aprovada por unanimidade até o final dos tempos. É essa uma das lições da Cruz de Cristo.

Fonte: First Things | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

Nota do Tradutor

[*] A análise histórica apresentada no texto não reflete necessária e integralmente, em todas as suas particularidades, a opinião do Padre Paulo Ricardo ou da equipe do site. Esse texto foi escolhido para tradução principalmente pela atualidade do tema e pela perspicácia em apontar o anticristianismo notável não só nas eleições francesas, mas em qualquer corrida política que aconteça hoje, em qualquer lugar do mundo. A leniência para com os atentados ao direito natural, a "fobia" midiática diante de candidatos religiosos ou conservadores e, por fim, as lições do autor para uma Igreja cada vez mais confinada às sacristias, são aspectos que todos podemos aproveitar, desse texto, para a nossa própria situação política e espiritual.


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“Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno”

“Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe.”

Um dos argumentos de que mais se servem os inimigos da Igreja para pôr em questão a verdade do inferno diz respeito à misericórdia divina. "Se Deus é misericordioso", dizem, "não condenará ninguém a fogo nenhum, quanto mais eternamente."

O primeiro problema por trás dessa forma de pensamento é, sobretudo, a falta de fé. Se Jesus Cristo realmente é Deus, como crê e ensina desde o princípio a Igreja Católica, e se foi Ele próprio quem disse, conforme consignado inúmeras vezes no Evangelho, que existe o "inferno" (cf. Mt 11, 23; 23, 33; Lc 12, 5; 16, 23), o "fogo eterno" (cf. Mt 18, 8; 25, 41), a "geena" (cf. Mt 5, 22ss; 10, 28; Mc 9, 43ss), ou o "castigo eterno" (cf. Mt 25, 46), a única resposta possível do ser humano é crer em suas palavras. O próprio Deus falou; a segunda Pessoa da Santíssima Trindade se pronunciou, Ele que nec falli nec fallere potest, isto é, "não se engana nem nos pode enganar" [1]. Ou aceitamos por isso a verdade do inferno, ou então estamos brincando quando dizemos crer em Deus, em Jesus e na sua Igreja. Quem escolhe da doutrina que o próprio Senhor revelou somente aquilo que lhe agrada, pondo de lado o que lhe desagrada, não é em Deus que crê, mas em si mesmo; não é católico, mas herege.

É claro que a teologia pode explicar a doutrina do inferno e demonstrar, àqueles que já crêem, a razoabilidade desse ensinamento de Nosso Senhor. O Deus cristão, afinal de contas, é também λόγος ("logos"); o que Ele faz não nasce do puro arbítrio, como acreditam os voluntaristas, os fideístas ou os muçulmanos. Ao mesmo tempo, porém, àqueles que estão do lado de fora, nenhuma explicação será suficiente para que creiam. Se essas pessoas, resistindo, não derem seu assentimento de fé à autoridade de Deus revelante, aceitando em sua totalidade o depositum fidei que a Igreja custodia e anuncia, todo e qualquer esforço argumentativo será em vão.

Nesse sentido, a visão de Santa Faustina Kowalska, descrita a seguir, serve menos para convencer os descrentes que para confirmar, no coração dos católicos mornos ou vacilantes, a veracidade da doutrina católica de sempre sobre o inferno. Pode-se muito bem, é verdade, duvidar dessa revelação privada que recebeu a Apóstola da Misericórdia, assim como se pode duvidar da visão do inferno de Fátima e de outros tantos fenômenos místicos semelhantes por que passaram os santos da Igreja [2]. O que não pode questionar, ao menos quem foi batizado na fé da Igreja e enche a boca para se dizer "católico", é que o inferno existe e a condenação eterna é uma possibilidade real e terrível, confirmada pelos Evangelhos, pela Tradição e pelo Magistério — ainda que, na verdade, os teólogos avessos a essas revelações privadas (aprovadas pela Igreja!) sejam, na maioria das vezes, justamente os hereges que rechaçam essa parte, incômoda, da doutrina católica.

Quem tem fé, entretanto, na vida eterna (e talvez até seja devoto da Divina Misericórdia), atente-se bem às palavras dessa santa religiosa, que recebeu de Deus o privilégio de visitar o inferno: "Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é"; "Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe". O testemunho de Santa Faustina é dirigido a nós, homens céticos e incrédulos do século XXI!

Escutemos o apelo que a Misericórdia Divina nos faz e, temendo a principal pena do inferno, que é "a perda de Deus", aprendamos a evitar o pecado, que nos faz viver a amargura e a infelicidade ainda nesta vida.

Hoje conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. "Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja."

[...]

Hoje ouvi as palavras: No Antigo Testamento, Eu enviava Profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração. Utilizo os castigos, apenas quando eles mesmos Me obrigam a isso, e é com relutância que a Minha mão empunha a espada da justiça. Antes do dia da justiça estou enviando o dia da Misericórdia. Eu respondi: "Ó meu Jesus, falai Vós mesmo às almas, porque as minhas palavras são insignificantes. [3]

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius (24 de abril de 1870), III: DS 3008.
  2. A expressão "Pode-se muito bem", aqui, deve ser lida de acordo com as orientações do Catecismo da Igreja Católica a esse respeito: "No decurso dos séculos tem havido revelações ditas 'privadas', algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é 'aperfeiçoar' ou 'completar' a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja." (§ 67)
  3. Diário de Santa Faustina, n. 741 e 1588.