| Categoria: Doutrina

O recado de uma freira católica aos foliões de Carnaval

Aos cristãos que aproveitam a festa do Carnaval para cair na farra e na bebedeira, Madre Angélica tem um recado importante para passar.

São conhecidas as sentenças dos santos da Igreja sobre o tempo do Carnaval. Elas estão espalhadas na Internet e deveriam formar todos aqueles que se dizem católicos. Para citar um só exemplo, vindo da terra do santo Papa João Paulo II, vejamos o que diz Santa Faustina Kowalska sobre esses dias de festa e aparente alegria:

"Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista." (Diário, 926)

Essa apóstola da Divina Misericórdia escrevia tais palavras ainda na primeira metade do século XX. Hoje, passados já mais de 100 anos, não há dúvidas de que os festejos carnavalescos pioraram muito. Se a revelação recebida por Faustina fê-la "desfalecer de terror", com que tristeza não deveríamos reagir ao quadro que, agora, infelizmente, todos podemos ter diante dos olhos, graças ao alarde dos meios de comunicação! Se, com um só Carnaval do século passado, uma santa se admirava por Deus permitir que a humanidade existisse, o que dizer dos festivais que se repetem, ano após ano, aumentando mais e mais a sua malícia — a ponto de a ala de uma escola de samba anunciar, este ano, "que terá 40 casais simulando sexo na Avenida"?

Mas nós, infelizes que somos, perdemos a noção do que seja o pecado. A ofensa cometida a Deus tornou-se para os nossos contemporâneos uma trivialidade, algo banal. Os homens e mulheres de nosso tempo não estão minimamente preocupados com mandamento algum: embebedam-se fim de semana sim e outro também; têm sexo quando, como e com quem bem entendem; e, pior do que tudo isso, criam os filhos que têm, frutos do acaso, para viverem as mesmas coisas que eles vivem. Em resumo, e é esta a grande tragédia de nossa época, o homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada. Que as pessoas vivam 4 dias de festas indecentes uma vez por ano, é escandaloso; mas que passem as 4 idades de sua vida na mesma situação, é uma tragédia muito pior.

O quadro é horrendo, mas a pergunta que devemos fazer nós, que estamos no mundo sem sermos do mundo, é como acordar essas pessoas, que convivem conosco no dia a dia e até que fazem parte de nossa família. Qual a melhor forma de convertê-las e tirá-las do abismo em que se acham?

Uma sugestão que muitas vezes o Padre Paulo Ricardo lança em suas pregações é mostrar para os pecadores como eles são infelizes na vida que levam. Para aqueles que estão cegos e apaixonados pelas coisas do mundo, será muitas vezes inútil repetirmos o velho sermão dos santos — embora não o devamos subestimar, absolutamente. Com muita frequência, no entanto, as palavras deles só costumam funcionar para "os de dentro", que já têm o mínimo de temor de Deus. Para quem "está fora", muito mais eficaz é apontar para a tristeza que mora nos corações afastados do Senhor: onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida?

É mais ou menos esse o quadro que pinta, no vídeo acima, a grande comunicadora católica Madre Angélica, falecida ano passado (2016), nos Estados Unidos. No excerto em questão, a religiosa bem-humorada mistura com a estratégia do "olha para ti mesmo" a tradicional pregação cristã sobre o pecado, o escândalo, a penitência e o inferno, à semelhança do pai de família do Evangelho "que tira do seu baú coisas novas e velhas" ( Mt 13, 52).

Que as suas palavras possam cair, de alguma forma, nos corações afastados de Cristo e da sua Igreja. Para os que entendem inglês, vale a pena assistir ao episódio completo de onde foi extraído esse vídeo: o programa foi ao ar no dia 2 de março de 1999, e fala sobre as "observâncias quaresmais".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Pró-Vida

O que está por trás do PL 7371/2014?

Um fundo para combater a violência contra as mulheres? É o que querem que você pense.

Todos os anos, por volta do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, nós podemos esperar uma artimanha das feministas para fazer avançar a causa do aborto no Brasil. Não está sendo diferente desta vez. Sob o pretexto de criar um "Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres" — quem ousaria se opor, afinal, a um objetivo tão nobre? —, corre no Congresso Nacional um projeto de lei que, na prática, torna amplo e irrestrito o acesso ao aborto em nosso país.

O projeto em questão é o PL 7371/2014, cuja íntegra pode ser acessada no site da Câmara dos Deputados. Ao consultá-lo, porém, não procure pela palavra "aborto", muito menos pela expressão eufemística "interrupção voluntária da gravidez". Os defensores da legalização do aborto são espertos. Eles não incluiriam esses termos em suas propostas, pois sabem que, deixando às claras os seus verdadeiros intentos, não conseguiriam implantar sua agenda. O Congresso Nacional, bem como o povo brasileiro, é majoritariamente contrário ao aborto e, assim como aconteceu em outras ocasiões, não permitirá que ele seja liberado em nosso país. Ao menos não dessa forma explícita e cabal.

Os métodos da militância pró-aborto são, por isso, mais artificiosos: o PL 7371/2014, que em si mesmo não teria nada de mau, faz parte de um plano maior e mais elaborado. Constitui apenas mais uma etapa de um processo longo e sorrateiro para liberar o aborto no Brasil. Vejamos como funciona.

O Código Penal brasileiro tipifica com muita clareza o crime de aborto, nos seus artigos 124 a 126, não punindo a prática realizada por um médico apenas em dois casos, sendo um deles "se a gravidez resulta de estupro" (art. 128). A previsão do legislador é bem clara: o aborto, neste caso de estupro (outro tipo penal específico, constante do art. 213), não se pune. Disto para as expressões distorcidas "aborto legal" e "direito ao aborto" já vai uma distância considerável: uma prática, só porque deixou de ser punida em âmbito penal, nem por isso está de acordo com a lei ou se transforma em direito subjetivo. O adultério, por exemplo, não consta mais de nosso ordenamento penal, mas nem por isso se tornou lícito — o Código Civil fixa como dever de ambos os cônjuges a "fidelidade recíproca" (art. 1.566) —, muito menos moral! Assim também, o mesmo diploma legal protege, "desde a concepção, os direitos do nascituro" (art. 2.º), o que significa dizer que não existe (ou, pelo menos, não deveria existir) "aborto legal" nem "direito ao aborto" no Brasil.

Mas, se a lei penal não dá margem para uma interpretação extensiva ou para a ampla descriminalização da prática, é preciso tentar outros meios. Por isso, em 2014, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a Lei 12.845, de 2013.

O Código Penal é muito limitado em suas previsões? Alargue-se então o conceito de violência sexual para "qualquer forma de atividade sexual não consentida" (art. 2.º), de modo que qualquer pessoa que alegue ter sido violentada, mesmo dentro do casamento, possa praticar o abortamento. Como encontrar um médico para realizar o procedimento? Ora, basta que se coloque o "atendimento imediato, obrigatório em todos os hospitais integrantes da rede do SUS", às vítimas de violência, incluindo o serviço de "profilaxia da gravidez" e de "fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis" (art. 3.º)!

Junte-se a essa lei a Portaria 415, do Ministério da Saúde, que incluiu o procedimento "interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto previstas em lei e todos os seus atributos" na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS, e voilà, estão abertas — ou melhor escancaradas — as portas para o acesso ao aborto no Brasil! E tudo isso muito inteligentemente arquitetado, para não deixar sequer um rastro de sangue no caminho.

O "Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres" se insere em todo esse quadro na medida em que procedimentos como esse demandam investimentos. Quem vai bancar tudo isso, é o próprio projeto que determina: trata-se das "doações, as contribuições em dinheiro, os valores e os bens móveis e imóveis que venham a ser recebidos de organismos ou entidades nacionais, internacionais ou estrangeiras, bem como de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais, internacionais ou estrangeiras" (art. 2.º).

Trocando em miúdos, com esta lei aprovada, fica garantido o dinheiro das organizações internacionais para que "todos os hospitais integrantes da rede do SUS" realizem o procedimento do aborto no Brasil. Basta que as mulheres aleguem uma relação sexual não consentida — palavra que deve ser assumida com "presunção de veracidade", conforme norma técnica do Ministério da Saúde —, entre em uma sala e o resto acontece tal como descrito pelo médico abaixo, Dr. Anthony Levatino, com ampla experiência no assunto:

É assim mesmo que os nossos parlamentares querem combater a violência contra as mulheres? Autorizando que as vidas de milhares — quiçá milhões — de nascituros, dos quais uma grande parte também é mulher, seja impiedosamente ceifada?

Acreditamos que não e esperamos que especialmente as deputadas mulheres do nosso Congresso, que são a favor da vida e da família, tomem consciência da tremenda responsabilidade que elas têm diante de si. Nem tudo é o que parece ou, como diz o provérbio popular, "nem tudo o que reluz é ouro". Passar adiante o PL 7371, de 2014, significa, na prática, um grande retrocesso na luta contra a violência da mulher.

Assista à nossa aula ao vivo desta semana, "Um novo Cavalo de Troia", a partir dos 38min10s, e saiba o que você pode fazer, de imediato, para impedir que esse projeto avance no Congresso Nacional!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Notícias, Igreja Católica

Cristãos perseguidos na Europa: um relatório assustador

​Os cristãos na Europa enfrentam, atualmente, uma dupla perseguição: são alvo de extremistas islâmicos, muitas vezes vindo de fora, mas também dos próprios compatriotas, que não querem mais saber de Deus.

"Na Europa ocidental hoje, tanto a liberdade religiosa quanto a liberdade de consciência se encontram ameaçadas".

Embora não fizesse parte da discussão, nem fosse divulgado durante a coletiva de imprensa final, um documento distribuído aos bispos italianos pelo Cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana e também do Conselho das Conferências Episcopais Europeias, põe o dedo sobre a ferida da perseguição religiosa na Europa. E isso a partir de um ponto de vista privilegiado: o do Observatório sobre a Intolerância e a Discriminação contra os Cristãos, sediado em Viena, na Áustria.

A preocupação do Cardeal Bagnasco não é nova. Já há algum tempo o Cardeal denuncia a construção de uma ordem mundial sem Deus, a qual se reflete, por exemplo, no recente caso de eutanásia infantil praticado na Bélgica. Essa sua preocupação traduziu-se no relatório entregue aos bispos italianos, provavelmente com o objetivo de alargar a visão dos problemas de todo o continente.

O documento contém uma síntese eficaz dos 1.800 casos de discriminação contra os cristãos na Europa, foi redigido por Martin Kugler, diretor do Observatório, e circulou entre os bispos que se reuniram em Roma, de 23 a 25 de janeiro passado, para o encontro de inverno do Conselho Episcopal Permanente.

Entre os episódios de discriminação religiosa relatados desde 2010, estão incluídos:

Martin Kugler nota que "as restrições às objeções de consciência religiosamente motivadas atingem sempre mais os profissionais médicos e os farmacêuticos em diversos Estados membros da União Europeia, entre os quais a França, a Noruega, o Reino Unido e a Suécia", e que a preocupação é que a adoção "de uma linha dura de imposição de posições relativistas termine inibindo, a longo prazo, uma adaptação razoável das crenças religiosas".

O relatório destaca alguns casos dignos de nota. Na Itália, destacam-se o furto e os atos de vandalismo ocorridos na Igreja de Santa Helena, em Messina, no último dia 3 de julho; e a estátua de São Petrônio em Bolonha pichada na sua base com as palavras "Allah Akbar", no dia 26 de junho.

Na França se assinalou, obviamente, o assassinato do padre Jacques Hamel, no último dia 26 de julho.

Na Alemanha, mencionem-se o furto, no mesmo mês de junho, da relíquia do Papa João Paulo II da Catedral de Colônia; os atos de vandalismo na Basílica de Bonn, onde um homem de 24 anos provocou grandes danos à cripta, ao tabernáculo e ao sarcófago dos santos Casio e Florenzio, patronos da cidade; a destruição de quatro cruzes de madeira postas em alguns pontos altos da região Bad Tölz-Wolfratshausen, em um período que vai de maio a agosto.

Na Espanha, apontam-se os dois incêndios dolosos ocorridos em duas igrejas de Narón, entre 10 e 11 de junho.

E, depois, há os casos que afetam o direito à objeção de consciência. Na Bélgica, um lar de idosos foi multado em 6 mil euros por ter negado a eutanásia a um homem de 74 anos que sofre de câncer no pulmão. Na Itália, uma Ordem religiosa feminina foi condenada a pagar 25 mil euros a um professor por ter suspenso o seu vínculo de trabalho com base na incompatibilidade de sua orientação sexual com o ethos da escola católica.

As discriminações afetam, contudo, também os refugiados cristãos. O Observatório sublinha que, na Suécia, refugiados convertidos do Islã ao cristianismo testemunham ter sofrido espancamentos, ameaças, atos de intimidação e exclusão social nos alojamentos para refugiados.

Na Alemanha, 14 jovens iranianos cristãos foram obrigados a fugir dos campos de refugiados de Schloss Holte-Stukenbrock, depois de serem ameaçados de morte durante meses por um grupo de muçulmanos que vivem na caravana.

Assim, os cristãos europeus — os poucos que ainda restam — estão como que "entre a cruz e a espada", por assim dizer: são ameaçados, de um lado, pelos inimigos que vêm de fora, trazendo uma outra cultura e colonizando o continente com uma nova religião; e são hostilizados, de outro, pelos seus próprios compatriotas, que abandonaram a fé cristã e querem vê-la cada vez mais extinta da esfera pública. Cumprem-se, de um novo modo, as palavras do Autor Sagrado: "Se eu saio para os campos, eis os mortos à espada; se eu entro na cidade, eis as vítimas da fome!" ( Jr 14, 18). Que Deus tenha misericórdia da Europa.

Com informações de ACI Stampa | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categoria: Testemunhos

Ex-pastor conta como se converteu à Igreja Católica

Ulf Ekman estava acostumado a conduzir um ministério pessoal, dentro da igreja que ele mesmo tinha fundado. Agora, é a Igreja Católica que o conduz.

Por Ulf Ekman — Quando eu anunciei, à congregação da mega-igreja evangélica à qual servia como pastor, desde que a fundei 30 anos atrás, que eu e minha esposa tínhamos decidido nos tornar católicos, o que se seguiu, mais do que uma simples agitação, foi um verdadeiro alvoroço — especialmente para o meu país, a Suécia, que permanece em sua esmagadora maioria protestante. O período que vai desde aquele 9 de março até 21 de maio de 2014, quando fomos acolhidos na Igreja Católica, foi marcado por contendas e debates intensos. Guardo comigo pastas cheias de artigos, comentários e reações que apareceram na mídia tradicional e na Internet.

Nossa convicção de que precisávamos nos tornar católicos foi crescendo pouco a pouco, ao longo de vários anos, mas a decisão de dar esse passo demorou bastante, para dizer a verdade. Nossa pergunta era: como devemos anunciar isso? Era algo que realmente não podia ser feito no decorrer de um longo período de tempo, passo por passo. Isso teria causado muitas especulações e grande confusão, a nível nacional e internacional, em nossa ampla rede de igrejas. Ao longo dos últimos anos, nossos amigos e cooperadores perceberam que estávamos cada vez mais atraídos pela teologia, pela moral, pela liturgia e pela cultura católicas. Poucos deles, no entanto, perceberam que estávamos prestes a dar o passo da conversão. Nos meses e semanas que precederam o anúncio de nossa decisão, preparamos o conselho da igreja e alguns outros colegas, para que nos ajudassem no processo de transmitir essa notícia à nossa congregação.

Olhando agora para trás, não consigo ver nenhuma outra forma através da qual isso pudesse ser feito. Os pastores da Word of Life fizeram um excelente trabalho, ajudando os membros a processarem o que aconteceu e as diferentes consequências de tudo aquilo. Eles também fizeram um esforço para responder a várias questões sobre a fé católica. Além disso, houve muitas emoções envolvidas, críticas, bem como mágoas e sentimentos de perda e rejeição. Como eu, enquanto pastor, podia deixar meu rebanho? Não estava traindo a eles e ao meu próprio chamado? Não os considerava mais como cristãos? Tudo que eu havia ensinado antes estava errado, então? Muitos se perguntavam como eu, que tinha conseguido manter-me aparentemente forte por tantos anos, podia "cair" agora em uma decepção e uma mentira tão grandes. Acusações foram lançadas de todos os lados e as emoções ficaram à flor da pele. Algumas ainda estão.

Mesmo assim, houve muitos na congregação que conseguiram entender. Eles ficaram agradecidos por um novo pastor ter sido posto no meu lugar por mais de um ano. Esses membros respeitaram nossa decisão e entenderam que ela tinha se baseado no que percebíamos como um chamado de Deus. Não tínhamos sido enganados, mas conduzidos por Deus nessa matéria, ainda que eles não tenham entendido muito bem como nem por quê. Recebemos muitas cartas encorajadoras tanto de protestantes quanto de católicos.

Também recebemos, de alguns, uma abordagem curiosa e do tipo pós-moderna. Eles estavam dispostos a aceitar que Deus nos pudesse chamar para a Igreja Católica, mas não podiam aceitar as doutrinas da Igreja. Um pregador me disse assim: "Tudo bem, você se tornou católico, mas com certeza não acredita no que eles acreditam, não é?" Eles falavam como se eu realmente tivesse outra alternativa e pudesse ser seletivo em minha escolha. Quando respondi que acreditava em que tudo o que a Igreja Católica acredita e ensina, soou muito estranho para muitos de meus amigos protestantes. Foi difícil para eles entender que ser católico significa verdadeiramente crer como um católico, até mesmo para mim.

Para nós, a verdade era a única coisa que importava. Sempre acreditamos na Palavra de Deus e que há uma verdade absoluta, revelada por Ele. Então, cada vez mais, nós fomos abrindo os olhos para o fato de que há uma Igreja concreta e histórica fundada por Cristo, bem como um tesouro, um depósito de fé objetivo e vivo ao mesmo tempo. Isso atraiu-nos e levou-nos para a Igreja Católica. Se acreditávamos, portanto, que a plenitude da verdade é mantida e confirmada pela Igreja Católica, não tínhamos alternativa senão unir-nos inteiramente a ela.

Quando finalmente chegou o momento de sermos recebidos na Igreja, sentimo-nos mais que preparados, ansiosos para deixar essa "terra de ninguém". Era como se finalmente nos estivéssemos tornando o que realmente éramos. Finalmente o desejo de participar da graça sacramental chegava ao fim.

Tentamos explicar para nossos amigos que não estávamos rejeitando o que Deus nos tinha dado em nosso ambiente evangélico e carismático, mas, como diz o ditado, "ser evangélico não é o bastante". Ele não está errado em seu amor pelas Escrituras e em manter as verdades básicas do Evangelho e o seu fervor de evangelizar. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. A vida carismática, com sua ênfase no poder e na condução do Espírito Santo, é necessária e constitui um dom precioso. Mas não pode ser vivido em sua plenitude em um ambiente cismático e altamente individualista. Entender isso abriu-nos para a percepção da necessidade da Igreja em sua plenitude, com sua rica vida sacramental.

Nós não rejeitamos, portanto, nossa vida passada e as ricas experiências ministeriais que tivemos ao longo de tantos anos como fundadores e líderes da Word of Life. Seremos sempre gratos a Deus, por tudo o que Ele fez. Mas estamos imensamente felizes e agradecidos por agora entendermos que realmente precisamos da Igreja Católica para continuar a nossa vida e o nosso serviço ao Senhor.

Agora que começamos esta caminhada, há muito por explorar. Agora que todos os nossos antigos deveres, obrigações e posições se foram, nós podemos, pelo menos por enquanto, viver em um ritmo que nos permite uma vida mais reflexiva. Estávamos acostumados a conduzir o ministério, a nossa própria igreja. Agora, é a Igreja que nos conduz. Os sacramentos se tornaram uma realidade tangível em nossas vidas e eles nos sustentam de uma forma concreta. Algo — a graça, eu tenho certeza — está aqui de uma forma que nunca esteve antes. Uma brisa refrescante sopra sobre as nossas vidas. Não vemos a hora de explorar e identificar-nos completamente com tudo aquilo de que agora fazemos parte. É emocionante viver inteiramente por causa de Jesus Cristo — na Igreja Católica.

Ulf Ekman é ex-pastor da igreja "Word of Life", na cidade de Uppsala, na Suécia. Esse artigo foi publicado na edição impressa do jornal "The Catholic Herald", em 8 de agosto de 2014.

Fonte: Catholic Herald | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Pró-Vida, Política

É isto o que eles tramam às escondidas!

Sob o pretexto de “combater a violência contra as mulheres”, corre no Congresso Nacional mais um projeto de lei para liberar o acesso ao aborto no Brasil.

Alguns dias atrás, o presidente Michel Temer recebeu uma comitiva de parlamentares mulheres que foram pedir apoio do governo às suas pautas. O pedido principal era o apoio ao PL 7371/2014, que cria um fundo para "combater a violência contra as mulheres". Se verdadeiro fosse, nada haveria a opor, pois certamente não há quem desaprove o combate à violência, especialmente contra as mulheres.

O problema reside no fato de que este projeto vem complementar a Lei 12.845/2013, sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 1º de agosto de 2013. Esta lei mudou o conceito de violência sexual, considerando-a "qualquer forma de atividade sexual não consentida" (art. 2.º). Isto possibilitou uma enorme ampliação do acesso ao aborto, tornando-o literalmente livre, na medida em que qualquer pessoa, mesmo dentro de um matrimônio, mas, que esteja desejando o aborto, possa se dirigir a qualquer unidade de saúde equipada para este serviço, afirmando que teve uma relação sexual não consentida.

Esta lei também ampliou a oferta de aborto no Brasil quando determina, em seu art. 3.º, "o atendimento imediato, obrigatório em todos os hospitais integrantes da rede do SUS". Então, passamos de uma rede de aproximadamente 200 unidades hospitalares, que oferecia este serviço às vítimas de estupro, para uma rede de mais de 6.000 hospitais. É evidente que a maioria destas unidades não estão capacitadas a oferecer o serviço, e o governo não dispõe de recursos para tal fim, vez que até esparadrapo e gaze faltam nestas unidades.

Portanto, este fundo que se pretende criar não é para combater a violência contra as mulheres, mas será usado para expandir estas unidades, construir "salas de parto" e financiar a compra de equipamentos e treinamento dos profissionais de saúde para o aborto, conforme explicitado no texto do projeto de lei, in verbis:

Art. 3.º Os recursos do Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres serão aplicados em:
I - implantação, reforma, manutenção, ampliação e aprimoramento dos serviços e equipamentos;
II - formação, aperfeiçoamento e especialização dos serviços de garantia de direitos e assistência às mulheres; e
III - aquisição de material permanente, equipamentos imprescindíveis ao funcionamento dos serviços.

Algumas pessoas desavisadas insistem em dizer que o PL 7371/2014 não se refere ao aborto, e são as mesmas pessoas que também não percebiam que a Lei 12.845/2013 se referia ao aborto, até que foi publicada a Portaria 415, de 21 de maio de 2014, que inclui o procedimento "interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto previstas em lei e todos os seus atributos" na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS.

Para quem ainda acha que estamos a falar de uma "teoria da conspiração", basta assistir aos trechos recém-divulgados de uma conferência interna realizada em 2015, pelo Dr. Olímpio Morais, durante a qual o médico, famoso por sua militância nessa área, explica o próximo passo para implementar sua "estratégia de redução de danos", por ele qualificada de revolucionária (vídeo acima).

Desde que foi reconduzido à presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia tem incluído esse projeto na pauta de discussão legislativa todas as semanas. Considerando que a aprovação do PL 7371/2014 constitui um verdadeiro atentado à dignidade humana e à democracia brasileira, já que a esmagadora maioria do povo brasileiro é contrária à facilitação do aborto e da sua prática, é preciso que entremos urgentemente em contato com as autoridades abaixo, explicando com clareza do que se trata esse projeto, pedindo que ele seja definitivamente retirado de pauta, e que, durante este governo, este assunto seja esquecido, para o bem do Brasil e das criancinhas brasileiras.


PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
PRESIDENTE MICHEL TEMER
Telefone: Gabinete Pessoal: Nara de Deus Vieira (61) 3411-1186, (61) 3411-1045
naradedeus@presidencia.gov.br
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E-mail: gabinetepessoal@presidencia.gov.br
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PRESIDÊNCIA DA CÂMARA
DEPUTADO RODRIGO MAIA
Telefone: Chefe de Gabinete: Isabel (61) 32158015 / 32156016 / 32158017
Twitter: https://twitter.com/DepRodrigoMaia
Facebook: https://www.facebook.com/RodrigoMaiaRJ/?fref=ts
E-mail: dep.rodrigomaia@camara.leg.br; presidenciacd@agendaleg.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/rodrigomaiarj/
Site: http://www.rodrigomaia.com.br/

PRESIDÊNCIA DO SENADO
SENADOR EUNÍCIO DE OLIVEIRA
Telefone: Chefe de gabinete: Alberto Cascaz (61) 33035159
Twitter: https://twitter.com/Eunicio
Facebook: https://www.facebook.com/Eun%C3%ADcio-Oliveira-147...
E-mail: eunicio.oliveira@senador.leg.br; agendapresidencia@senado.leg.br
Instagram: https://www.instagram.com/euniciooliveira/
Site: eunicio.com.br https://t.co/5xbwDNpARY

CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA
MINISTRO ELISEU PADILHA
Telefone: Gabinete do Ministro: Roberto Severo Ramos (61) 3411-1628; (61) 3411-1633
Twitter: https://twitter.com/EliseuPadilha
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E-mail: deputadopadilha@gmail.com; casacivil@presidencia.gov.br;
Instagram: https://www.instagram.com/eliseupadilha/
Site http://www.eliseupadilha.com.br/

SECRETARIA GERAL DA PRESIDÊNCIA
MINISTRO MOREIRA FRANCO
Telefone: Gabinete: Jean Marcel Fernandes (61) 3411-6417
Twitter: https://twitter.com/MoreiraFranco
Facebook: https://www.facebook.com/moreirafranco?_rdr=p
E-mail: assessoria@moreirafranco.com.br; moreirafranco@presidencia.gov.br; agendappi@presidencia.gov.br;
Instagram: https://www.instagram.com/moreirafranco/
Site http://moreirafranco.com.br

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Se existe o Anticristo, haveria também uma Antimaria?

Se existe um Anticristo, como dizem as Escrituras, talvez exista também um complemento feminino para ele: uma espécie de “Antimaria”. Mas como ela seria?

Por Carrie Gress — Enquanto fazia pesquisas para o meu próximo livro, The Marian Option: God's Solution to a Civilization in Crisis ["A opção mariana: solução de Deus para uma civilização em crise"], a ser lançado em maio de 2017, veio-me à mente um novo conceito teológico. Eu estava a investigar a noção de Maria como "nova Eva" — uma ideia que remonta aos primeiros padres da Igreja. Maria como nova Eva é o complemento feminino para Cristo, o novo Adão. Na Escritura, São João fala do anticristo como um homem, mas também como um movimento presente ao longo de toda a história (cf. 1Jo 4, 3; 2Jo 1, 7). Isso me fez pensar: se há um anticristo, será que existe também um complemento feminino, uma "antimaria"?

Mas em que consistiria exatamente um movimento "antimaria"?

Seriam mulheres que não dariam valor aos filhos. Elas seriam obscenas, vulgares e iradas. Reagiriam com raiva à ideia de qualquer coisa que se parecesse ou com obediência humilde ou com autossacrifício pelos outros. Elas seriam petulantes, superficiais, maliciosas e exageradamente sensuais. Seriam também auto-absortas, manipuladoras, fofoqueiras, ansiosas e ambiciosas. Em suma, seriam tudo aquilo que a Virgem Maria não é.

Ainda que esse comportamento tenha sido posto como que sob a lente de um microscópio por conta da recente Marcha pelas Mulheres, em Washington [1], a tendência de mulheres mal comportadas não tem nada de nova. Há ampla evidência, no entanto, de que estamos a testemunhar algo, por causa de sua dispersão massiva, bem diferente do vício ordinário visto ao longo da história.

O tratamento que se dá à maternidade é um dos primeiros sinais de que estamos a lidar com um novo movimento. Mães (espirituais ou biológicas) são um ícone natural da Virgem Maria — elas ajudam outras pessoas a conhecerem quem é Maria através de sua generosidade, paciência, compaixão, paz, intuição e habilidade de nutrir almas. O amor de Maria (e o amor materno) oferece uma das melhores imagens de como é o amor de Deus: incondicional, salvador e profundamente pessoal.

As décadas mais recentes da história têm testemunhado o sutil apagamento do ícone mariano nas mulheres reais. Primeiro com a pílula anticoncepcional e depois com o advento do aborto, a maternidade ficou no cepo. Ela se tornou dispensável, a ponto de a cultura geral não dar a mínima quando uma criança é adotada por dois homens.

Toda cultura, inclusive a nossa, sabe quão importante é uma mãe (mesmo nas suas imperfeições) para assegurar uma fase adulta saudável e maturidade espiritual — e nenhuma cultura pode se renovar sem maturidade espiritual. Sim, há muitas pessoas que têm crescido sem mãe, e muitos estão de acordo que, de fato, poucas coisas há que sejam tão trágicas quanto essa. Essas tristes realidades, no entanto, ao invés de diminuírem a importância das mães, apenas fortalecem o argumento de que as crianças precisam delas. Não é por acaso que, com a maternidade tão desvalorizada como está, estejamos testemunhando traumas e transtornos emocionais e mentais sem precedentes em todos os segmentos da população.

Outro sinal impressionante de que estamos em uma era antimariana é que, depois de todo o chamado "progresso" conquistado pelas mulheres, há mui pouca evidência de que essas coisas tenham realmente tornado as mulheres mais felizes. As taxas de divórcio são ainda assombrosas, com 70% dos casos iniciados por mulheres; os índices de suicídio estão nas alturas; abusos de drogas e álcool também; depressão e ansiedade estão em todos os lugares. As mulheres não estão se tornando mais felizes, só estão ficando mais medicadas.

Fonte de dignidade

Poucos em nossa cultura sabem da dívida de gratidão que têm para com o catolicismo pela noção radical de que as mulheres são iguais aos homens. Essa ideia vem especificamente da Virgem Maria. Não veio dos gregos — Aristóteles e outros chamavam as mulheres de "machos imperfeitos" —, não veio do judaísmo — ainda que tivessem um certo status, um movimento maior para promover a dignidade das mulheres nunca chegou a acontecer — e muito menos do islamismo. O pensador William Lecky, acadêmico racionalista do século XIX, não católico, explica:

Não mais a escrava ou o brinquedo do homem, não mais associada apenas a ideias de degradação e de sensualidade, as mulheres ascenderam, na pessoa da Virgem Maria, a uma nova esfera, e tornaram-se objeto de homenagem reverencial, da qual a antiguidade não tem nenhuma notícia… Uma nova personagem foi chamada à existência; um novo tipo de admiração foi encorajado. Em uma idade rude, ignorante e obscurecida, esse tipo ideal infundiu uma concepção de gentileza e pureza, até então desconhecida para as mais orgulhosas civilizações do passado.

Hoje a igualdade entre homens e mulheres nos parece uma coisa óbvia, uma intuição simples que teria qualquer pessoa racional. Mas, se fosse realmente assim, por que então nenhum outro movimento religioso tinha se atentado para esse fato antes? Foi a Virgem Maria quem reverteu os pecados de Eva e propiciou que essa noção, agora tornada lugar-comum, tomasse raízes. O cristianismo, ainda que esteja agora amplamente abandonado pela cultura secular, continua sendo a fonte dessa profunda iluminação.

Nos lugares errados

Hoje as mulheres ainda desejam igualdade e respeito — talvez mais do que nunca —, mas paremos por um instante para observar como elas estão tentando alcançar isso. Elas estão seguindo não a graça de Maria, mas os vícios de Maquiavel: raiva, intimidação, histeria, assédio moral. É esse impulso agressivo que faz a mulher sentir orgulho em ser chamada de "nojenta" [2], sentir-se empoderada por vestir-se como uma prostituta, ou acreditar que uma criança é capaz de destruir a sua vida. Acontece que é precisamente esse tipo de coisas que jamais levará as mulheres à felicidade.

O antimarianismo detém um verdadeiro monopólio em nossa cultura; não há praticamente nenhuma alternativa no espaço público em que as mulheres mais jovens possam se espelhar. Ao invés disso, nós temos Madonna, que em um único discurso é capaz de ao mesmo tempo pedir uma revolução do amor e confessar o seu desejo de explodir a Casa Branca; temos políticas mulheres, que pensam que a única forma de serem eleitas é jurando lealdade a Planned Parenthood; ou Gloria Steinem, que tinha deixado claro, ainda na década de 1980, que sua meta era viver um estilo de vida livre "das amarras" do gênero. Manchetes e vedetes de Hollywood ditam como milhões de meninas e mulheres devem pensar.

Nenhuma mulher é uma ilha

Mas elas não são as únicas atingidas por esse movimento. Homens e rapazes também são profundamente afetados por isso. Eles se sentem à deriva, especialmente quando as virtudes que lhes são mais naturais são mal interpretadas como coisas ruins. Mais do que isso, os homens estão tendo roubada uma compreensão apropriada do eros, ou seja, o tipo de amor animado pela beleza e bondade. É esse tipo de amor que tem povoado a poesia, os sonetos e as canções românticas por séculos. (Não há uma música romântica sequer escrita sobre o amor de um homem por uma mulher arrogante e ranzinza em um terninho.) O eros agora tem sido apagado e substituído por uma forma sórdida de erotismo.

Infelizmente, as mulheres não têm ideia de como podem inspirar os homens através da bondade. Como escreveu sabiamente o arcebispo Fulton Sheen: "Quando um homem ama uma mulher, acontece que, quanto mais nobre a mulher, mais nobre é o amor; quanto maiores as exigências da mulher, mais valoroso deve ser o homem. É por isso que a mulher é a medida do nível de nossa civilização". Uma avaliação das mulheres — em seu estado de transtorno, forte medicação e irritação — revela maus presságios para a nossa civilização, independentemente de qual seja o partido político no poder.

O demônio sabe que todas essas marcas da "antimaria" — raiva, indignação, vulgaridade e orgulho — provocam um curto-circuito nos maiores dons que possuem as mulheres: sabedoria, prudência, paciência, paz imperturbável, intuição e a capacidade para um relacionamento profundo com Deus. Ao contrário disso, o tentador promete poder, fama, fortuna, respeito e prazeres fugazes e estéreis — e, como Eva, as mulheres do movimento antimariano continuam a cair em suas mentiras.

Enquanto muitos já demos vários nós em nossa cabeça tentando imaginar uma solução para esse problema, a verdadeira resposta está em voltar à fonte, voltar à mulher por meio da qual toda mulher ganha a sua dignidade. Não importa o quão forte seja o "espírito da Antimaria", a Virgem Maria continua a ser a mulher mais poderosa no mundo.

Fonte: National Catholic Register | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Notas

  1. Essa manifestação pode ser comparada, mutatis mutandis, aos conhecidos protestos do grupo Femen ao redor do mundo e, aqui no Brasil, às recentes e famigeradas "marchas das vadias".
  2. A autora do texto usa a expressão nasty, referindo-se a um episódio recente das eleições americanas, quando o atual presidente Donald Trump usou esse adjetivo para se referir à sua oponente, Hillary Clinton, durante um debate político. A reação nas redes sociais à frase foi instantânea: inúmeras mulheres manifestaram adesão à candidata democrata, assumindo o adjetivo para si como se fosse motivo de orgulho. A situação lembra o chilique das redes, aqui no Brasil, quando uma revista traçou o perfil de uma mulher como "bela, recatada e do lar".

| Categoria: Testemunhos

Juiz, católico e pai de nove filhos

“Um católico, um esposo e um pai, e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele”. São as revelações de um sacerdote sobre o seu pai, o ministro norte-americano Antonin Scalia, no aniversário de um ano de seu falecimento.

O ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia — um homem de tremenda influência no país, especialmente no Poder Judiciário —, inesperadamente partiu desta vida para a eternidade no dia 13 de fevereiro de 2016, há pouco mais de um ano.

Na ocasião, foi o seu filho, padre Paul Scalia, da diocese de Arlington (Virginia), quem celebrou a sua Missa de Exéquias. Na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, diante de familiares e amigos, e de uma audiência televisiva na nação e no mundo inteiro, o padre Scalia provou ser realmente filho de seu pai. Ele não escolheu focar o seu sermão nas impressionantes conquistas de seu pai. Ao invés, ele preferiu, como também o seu pai teria feito, focar em Cristo.

O padre Scalia conversou com Catholic Digest sobre "o que Deus fez por seu pai", em comemoração do aniversário de um ano do seu falecimento.

Padre, em nome de minha própria família — e tenho certeza que de muitas famílias católicas —, quero dizer-lhe que, quando ficamos sabendo da morte de seu pai, a primeira coisa que fizemos foi parar tudo para rezar pela alma dele.

Muito obrigado, eu lhe agradeço por isso. Nem sempre foi fácil ter um pai que era uma figura pública, mas a maior consolação na hora de sua morte foi ter todos esses católicos no país e no mundo rezando espontânea e imediatamente por ele. Isso foi uma grande bênção.

Você mencionou os 55 felizes anos de matrimônio que tiveram os seus pais. Como está a sua mãe?

Ela está bem, na medida do possível. Trata-se de um processo, uma jornada longa, mas há também muito apoio. Ela tem nove filhos e muitos amigos.

O que fica para você do casamento de seus pais?

Eu acho que a simplicidade e a generosidade — a simplicidade do compromisso. Eles vieram de uma época em que, quando dois católicos se casavam, eles sabiam do que se tratava, sabiam que aquilo era por toda a vida. A importância dos ensinamentos da Igreja em todas essas coisas — não acho que esteja presente em muitos casamentos agora. Há a ideia de que você pode cair fora, de alguma forma. Mas havia a simplicidade dessa devoção pela própria vocação e a generosidade — eles tiveram nove filhos.

Como essa generosidade acontecia na vida do dia a dia?

Em uma família grande, essa generosidade é exigida de todos, porque você tem que compartilhar as coisas. Como comentaram alguns de meus irmãos durante o memorial um mês depois, nem sempre nós tivemos muito dinheiro. Minha mãe brincava que meu pai estava sempre à procura de um emprego que pagasse menos do que o que ele tinha. Lembro-me de que, quando vivíamos em Chicago, éramos sete ou oito crianças vivendo com o salário de um professor. Aquilo nos custava muito. E tinha uma generosidade ali. Havia também uma questão de fé em fazer essas coisas, em não limitar a vida, em não procurar um emprego de salário maior. Havia uma confiança. Eles vieram de uma época mais simples e era isso o que faziam. Como disse, a fé era muito central para o relacionamento conjugal deles.

Quando você discursou no funeral de seu pai, disse que seus pais deram vocês um ao outro. Fale-nos melhor sobre esse apoio mútuo.

Acredito que o que fica em nossas mentes, acima de tudo, é ver quão bonito foi podermos ter um ao outro na hora da morte dele e durante toda essa situação. Teria sido muito mais difícil passar por isso sem os meus irmãos. Todos nós nos reunimos e compartilhamos juntos as coisas. Pareceu tão natural e nós pudemos enfrentar unidos tudo o que aconteceu. Foi uma grande bênção. Depois do funeral, uma jovem mulher se virou para o seu marido e disse: "Eu quero nove filhos".

O bispo Alexander Salazar disse certa vez que o primeiro seminário do padre é o seu lar. O que a formação que você recebeu de seu pai significou para o seu sacerdócio?

Que eu recebi não apenas dele, é claro, mas de meu pai e de minha mãe, juntos. É o que as crianças precisam. É assim que é estruturada a família. Meu pai tinha uma convicção muito forte da verdade da doutrina católica. Foi isso o que ele me deu. E isso também ajudou a nos confirmar em uma identidade. Que crianças não querem uma identidade — saber quem elas são, de onde vieram e para onde estão indo? Só a convicção da fé católica, que meu pai tinha, estabeleceu em nós esta identidade: nós somos católicos, não somos como todo o mundo, e não devemos esperar fazer as coisas que todo o mundo faz. Nos tempos obscuros das décadas de 1970 e 1980, meu pai fazia viagens relativamente longas a fim de encontrar para nós uma igreja que fosse sólida em sua doutrina e em sua liturgia, porque naqueles dias havia muitas loucuras acontecendo. Nós brincávamos que, quando vivíamos em Chicago, nosso pai gastava meia-hora para levar-nos a uma igreja que estava a 45 minutos de distância. Isso era um compromisso. Em 2008, fui designado para assumir a paróquia de nossa casa, e nós tínhamos a Missa tradicional em latim, na Forma Extraordinária, e meu pai começou a participar. Foi uma grande bênção porque, juntos, nós pudemos apreciar a beleza da tradição e da liturgia da Igreja.

Conte-me mais sobre a personalidade de seu pai. O ex-presidente Bill Clinton dizia que, mesmo quando discordava de seu pai, ele gostava dele porque Scalia nunca pretendia ser alguém que ele não era.

Isso é verdade — e é provavelmente a primeira coisa que eu ouço de Bill Clinton com a qual eu concordo. Acho que é por isso que meu pai se dava bem com tantas pessoas. Elas sabiam quem ele era. Ele não era uma coisa hoje e outra amanhã, como são muitas pessoas, especialmente na capital federal. Muito disso tinha a ver com sua fé, e outra parte também era o seu temperamento — quem ele era.

O senhor fez uma referência a São Thomas More em sua homilia: the king's good servant but God's first, "o fiel servidor do rei, mas de Deus primeiro".

Porque ele era de Deus primeiro.

São Thomas More foi advogado e homem de alta posição abaixo do rei. Seu pai o teve como especial santo padroeiro?

Ele tinha uma grande devoção por São Thomas More. Absolutamente. Ele brincava que, quando o Vaticano nomeou São Thomas More, que já há muitos anos era padroeiro dos advogados, como santo padroeiro dos políticos, aquela não era uma promoção. Acredito que meus pais assistiram ao filme A Man for All Seasons ("O homem que não vendeu sua alma") quando estavam viajando para a Europa depois de seu casamento. Paul Scofield estava certamente atuando. Ele certamente tinha uma grande admiração e devoção por São Thomas More — a integridade do homem, a astúcia, a sua piedade.

Seu pai também usava um cilício?

Não vou revelar as mortificações de meu pai. Ele tinha nove filhos; isso já era mortificação suficiente.

Conte-nos sobre uma das citações favoritas de seu pai: "Tenha a coragem de ter a sua sabedoria considerada como estupidez."

Meu pai obviamente tirou isso do Apóstolo, São Paulo: "Nós somos considerados tolos por causa de Cristo" ( 1 Cor 4, 10). Um católico que atua na esfera pública deve estar disposto a enfrentar o ridículo. É uma das coisas que meu pai gostava de destacar a respeito de São Thomas More: não é possível admirá-lo realmente, a menos que apreciemos o fato de ele parecer ridículo. Todos os demais, todos os seus companheiros, seguiram o rei. Todos os bispos da Inglaterra, com a exceção de um, seguiram o rei. Então ele parecia absurdo. Parecia um idiota. Esse é um tema da vida dos santos em geral.

Nosso Senhor mesmo foi ridicularizado. Então por que deveríamos imaginar-nos melhores que ele? Era um dos discursos favoritos que meu pai costumava fazer. Ele contrastava isso com Thomas Jefferson — um conto de dois Thomas. Thomas Jefferson, que ficou famoso por recortar a Bíblia, compôs a sua própria retirando todos os milagres dela porque, evidentemente, aqueles milagres, de acordo com o homem de sabedoria mundana, não são possíveis, então você não os pode ter. Por isso, você se livra deles. Ele considerava a Bíblia algo pouco sofisticado.

Os contemporâneos de Jesus pensavam o mesmo dEle. Para que ele cuspiu no chão e aplicou o barro nos olhos daquele homem (cf. Jo 9, 6)?

Pode vir algo bom da Galileia? A Galileia era um lugar desvalorizado. Devo dizer que meu pai se divertia com a ironia aqui. Ele era um homem muito sofisticado, e realmente representava o melhor do que tinham os jesuítas antigamente. Com todo o respeito, ele tinha mais cultura que muitos de seus pares em termos de literatura, música, arte e turismo. Não é minha intenção vangloriar-me, mas ele era mais sofisticado e creio que se divertia em estar no meio daquelas pessoas e dizer: "Devemos estar dispostos a parecer idiotas".

Há um vídeo no YouTube, do comediante Stephen Colbert tirando sarro dele durante o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 2006. Seu pai achou a brincadeira hilária. Ele gostava de rir de si mesmo?

Absolutamente. Quem o conhecia sabia que provocá-lo era a melhor forma de conseguir o melhor dele.

Era esse o segredo de sua amizade com a ministra Ruth Bader Ginsburg, de quem ele tanto discordava?

Deve ter sido, em parte. Mas acho que isso se devia ao que ele e ela eram. Não havia nenhuma pretensão. Ele podia respeitá-la. Ele podia discordar dela, mas ela era consistente. Ainda que houvesse desacordo, havia respeito pela integridade do seu pensamento, da sua palavra, e por quem ela era. Penso que muito disso se deve à sua criação em Nova Iorque. A cidade de Nova Iorque, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, era aquele lugar em que tudo acontecia. Você tinha todo tipo de pessoas. Era impossível viver em uma bolha. Você tem que aprender a lidar com todo o mundo. A menos que você queira uma vida miserável, é preciso haver um apreço pelas diferenças entre as pessoas.

Em sua homilia durante o funeral de seu pai, você falou, entre outras coisas, sobre rezar pelos mortos, não roubando deles as nossas orações pressupondo que eles já estivessem no céu. Isso parece muito o seu pai.

Meu pai odiava a palavra "homilia". Ele a achava carregada de modernismo. Ele preferia "sermão". Um ponto que eu sempre recordo quando faço um funeral é: esse é o modo como podemos continuar a fazer o bem pela pessoa que amamos. É necessário um sentido sobrenatural para nos mantermos firmes e aceitarmos. Todos querem pensar que está tudo bem. Todos querem chegar ao final feliz sem grande esforço.

Você também falou de quão tênue é o véu a separar o tempo e a eternidade, e do chamado ao arrependimento. Qual foi a resposta das pessoas a isso?

Graças a Deus e a Nossa Senhora que Ele usou esse discurso para o bem. Talvez isso seja tão simples quanto o fato de que sua morte fez as pessoas focarem na eternidade, coisa à qual elas tipicamente não dão importância alguma. Muitas pessoas se perguntavam: porque o ministro Scalia morreu neste momento da história dos Estados Unidos, quando parece que nós realmente precisamos tanto dele?

"O cemitério está cheio de homens indispensáveis."

Meu pai amava essa frase. Ele a amava. Foi dele que a ouvi pela primeira vez. Ele atribuía essa citação a Charles de Gaulle, por isso a repetia com um sotaque francês.

Seu pai era um artista?

Ah, com certeza ele era. Ele atuava quando era mais novo. Sim, ele era um ator. Ele era bom de piadas, de histórias.

Olhando para este ano que se passou, o que você espera que as pessoas se lembrem a respeito dele?

Seu catolicismo era o que ele era. Ele viveu a vida ao máximo. Tinha uma variedade de interesses e de amigos, mas o núcleo era composto de basicamente três componentes: ele era um católico; um esposo e um pai; e um americano. Essas eram as coisas mais importantes para ele.

Fonte: Catholic Digest | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Virgem Maria

A mensagem de Fátima nos impele

Se três crianças puderam salvar, com suas orações e pequenas penitências, milhares e milhares de almas, o que nós estamos esperando?

Foi em um dia 13 de fevereiro, como este, que faleceu a Irmã Lúcia, vidente de Fátima. Aproveitando esta oportunidade, Padre Paulo Ricardo recorda, nesta homilia especial, a mensagem urgente da bem-aventurada Virgem Maria aos nossos tempos.

O que os apelos de Nossa Senhora em Portugal têm a ver conosco? Se três pobres crianças puderam salvar, com suas orações e pequenas penitências, milhares e milhares de almas, o que nós estamos esperando?

Esta pregação foi proferida na manhã de hoje, na Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande (MT), onde Padre Paulo Ricardo é vigário.

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Hoje não só é dia 13 — o que, por si só, já faria desta uma data apropriada para falar sobre Fátima —, como também, estando em fevereiro, fazemos memória do falecimento da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Imaculado Coração, uma das três videntes de Nossa Senhora de Fátima. Mesmo que Lúcia seja a única dos pastorinhos ainda não beatificada pela Igreja, se considerarmos a sorte que tiveram os outros dois — os beatos Francisco e Jacinta —, é bem possível que a sua alma também esteja gozando, neste momento, da bem-aventurança eterna, ao lado de Deus, em um lugar de muita honra e distinção.

Ao mesmo tempo, porém, em que elevamos os olhos para o Céu e contemplamos o brilho desses primeiros fiéis devotos da Virgem de Fátima, somos quase que instantaneamente levados a refletir, também, no gênero de vida que tiveram essas crianças; em como se santificaram esses pequeninos, desprezados pelo mundo mas eleitos por Deus e por sua santíssima Mãe. E, se tomamos em mão as famosas Memórias da Irmã Lúcia, descobrimos que uma das coisas que mais impressionaram aqueles servos de Deus, levando-os a uma radical mudança de vida, foi nada menos que a visão do inferno.

Sobre Jacinta se conta, por exemplo, que "a vista do inferno tinha-a horrorizado a tal ponto, que todas as penitências e mortificações lhe pareciam nada, para conseguir livrar de lá algumas almas". Perguntando-se "como é que a Jacinta, tão pequenina, se deixou possuir e compreendeu um tal espírito de mortificação e penitência", a mesma Irmã Lúcia não hesitava em responder: "Parece-me que foi: primeiro, por uma graça especial que Deus, por meio do Imaculado Coração de Maria, lhe quis conceder; segundo, olhando para o inferno e desgraça das almas que aí caem" [1].

Assim, o que para muitos santos adultos só aconteceria depois de anos e anos de muita purificação, sucedeu-se com os pastorinhos de Fátima como num estalo, por assim dizer: recebendo "uma graça especial" de Deus, Lúcia, Francisco e Jacinta ficaram aterrorizados com a danação eterna de tantas pessoas e saíram de seu encontro com a Virgem Maria fortalecidos para a missão. Afinal, Nossa Senhora lhes havia revelado que, rezando muito e fazendo sacrifícios pelos pecadores, seria realmente possível salvar muitas almas do inferno [2].

Movidas por um grande amor, então — aquele mesmo amor de Cristo que nos urge, como diz São Paulo (cf. 2Cor 5, 14) —, os três videntes de Fátima acolheram esperançosos o pedido dos céus: "Quereis oferecer-vos a Deus", perguntava-lhes Nossa Senhora, "para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?", ao que as três crianças lhe respondiam, em uníssono: "Sim, queremos" [3]. Com isso — grande providência divina! —, aquelas crianças não só salvaram numerosíssimas almas da condenação eterna, como elevaram as suas próprias almas a Deus; a mensagem de salvação que a Virgem trazia a Portugal destinava-se, na verdade, ao mundo inteiro, mas também e antes de tudo, àquelas três crianças pastoras.

E se elas, cooperando com a graça do alto, puderam livrar, com as suas orações e pequenas penitências, milhares e milhares de almas do inferno eterno, o que nós estamos esperando? Se três crianças, mal tendo chegado à idade da razão, se deixaram trespassar pela urgência da salvação das almas, o que nós estamos a fazer, lerda e tolamente, quietos e inoperantes? Se três pequenas almas sararam, com seus esforços, tantas almas feridas pelo pecado, o que nós, que fomos ungidos com o sacramento da Confirmação [4] e feitos portanto soldados de Cristo, estamos fazendo de nossa vocação?

Assim, pois, como a mensagem de Fátima impeliu aquelas crianças, assim como o amor de Cristo impulsionava os primeiros cristãos, também nós devemos deixar-nos comover, neste Ano Mariano, pelo apelo da bem-aventurada Virgem Maria. Também a nós ela pergunta, no dia de hoje: "Quereis oferecer-vos a Deus (...), em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?". A resposta a esse chamado a cada um, individualmente, compete. Levantemo-nos de nossa letargia e, revestidos da graça do Senhor, sejamos grandes como foram estes pequenos. Amém.

Referências

  1. Memórias da Irmã Lúcia. 13. ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, pp. 122-123.
  2. Cf. Ibid., p. 92: "Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas."
  3. Ibid., p. 82.
  4. As considerações de Santo Tomás de Aquino sobre este sacramento e a oportunidade de ele ser conferido a todos, inclusive as crianças, constam da Suma Teológica, q. 72, a. 8.