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Comunhão e métodos anticoncepcionais

A contracepção no casamento leva à “contracepção na comunhão”: ambos os sacramentos podem ser profanados e tornar-se igualmente infrutíferos.

Por Robert B. Greving | É um enigma: por que tantos católicos recebem a Eucaristia — que é a fonte de toda graça e o sinal de comunhão com a Igreja Católica — e ainda apoiam e praticam a contracepção, o aborto e relações antinaturais como o "casamento" homossexual, coisas que estão todas em oposição direta com os ensinamentos da Igreja? Como pode existir uma incoerência tão grande?

Essa divisão entre a Comunhão eucarística e os seus frutos na vida pública pode estar acontecendo devido a uma separação, em muitos católicos, da "comunhão" conjugal e dos seus frutos na vida privada, isto é, dentro do casamento. Dizendo de modo mais claro, a contracepção no casamento leva à "contracepção na comunhão": ambos os sacramentos podem ser profanados e tornar-se igualmente infrutíferos.

Em vários lugares Nosso Senhor traça paralelos entre o Matrimônio e o nosso relacionamento com Ele. Sob essa perspectiva, além de ser um sacramento, o casamento existe para mostrar-nos como deveria ser o nosso relacionamento com Jesus: uma relação de abertura e de compromisso exclusivo e total. Se comparamos o que acontece a um casal que faz uso de métodos contraceptivos, com o que acontece a um católico que comunga nessas condições, chegamos a uma conclusão bem interessante.

A participação na Eucaristia através da Comunhão e as relações conjugais existem ambas para ser atos que geram vida, atos fecundos. Ambas envolvem grandes riscos e exigem grande fé das pessoas envolvidas. Em ambas, deve haver uma comunhão de carne (cf. Mc 10, 8; Jo 6, 53s). Conta-se que G. K. Chesterton tinha o momento da Comunhão em tão alta conta, que chegava mesmo a suar quando entrava na fila para comungar.

Santo Tomás de Aquino ensina que, mesmo havendo uma quantidade de graça infinita nos sacramentos, isso não significa que as pessoas recebam uma quantidade infinita de graça. A quantidade de graça que alguém recebe depende da preparação, da disposição, da atenção e da ação de graças com que a pessoa se aproxima do sacramento. Uma disposição essencial que deveria estar presente, tanto no Matrimônio quanto na Comunhão, é a de abertura e de auto-entrega. Trata-se de um ato de fé no esposo que se recebe.

Nosso Senhor faz isso na Eucaristia. Assim como entregou o seu corpo por nós na Cruz, Cristo está entregando o seu corpo a nós na Eucaristia, sem reservas, sem o pedir de volta, querendo, mais do que podemos imaginar, que emerja a Vida desse encontro.

O casal aberto à vida no ato conjugal sabe que está entregando o controle sobre suas vidas. Eles estão fazendo a maior aposta natural que existe. Crianças mudam vidas (para usar uma expressão leve). Elas roubam seus planos, sua agenda, suas metas. Reviram por completo o modo como você lida com o mundo. Tornam você materialmente mais pobre. Nos supermercados e nas festas, rendem-lhe olhares surpresos e talvez até maldosos. Ter mais de 2 filhos nos dias de hoje torna aberta a temporada de comentários sarcásticos e de sobrancelhas arqueadas. O mesmo acontece, porém, com qualquer um que leve uma vida em Cristo.

Ambas as coisas aterrorizam e impõem medo. Mas ambas, também, constituem a nossa maior felicidade.

Nossa oração antes, seja do ato conjugal seja da recepção da comunhão, deveria ser: "Tornai-me aberto, Senhor, para a vida que Vós desejais que venha dessa união."

Mas não é assim com o casal que usa métodos anticoncepcionais. Na melhor das hipóteses, o que eles estão dizendo é: "Eu te amo; eu quero ser um contigo; eu quero dar-me a ti e quero que te dês a mim, mas…". Mas o quê? "Mas eu não quero que venha nada disso. Eu não quero a vida que é fruto natural do ato. Eu quero a aparência de união, mas não o risco. Eu quero o show da entrega e do compromisso, mas não a prova". Em muitos casos, o que está implícito não é "Eu quero dar-me a ti e que te dês a mim", mas sim "Eu quero ser saciado". E isso é o oposto da auto-entrega: é ser calculista.

Outra forma de ver esse problema é a partir do que disse Nosso Senhor: "O que quer que façais ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes" ( Mt 25, 40). Se isso é verdade em relação ao menor entre nós, como estamos tratando o Senhor presente em nosso cônjuge? Se agimos diretamente para tornar estéril a união conjugal, não estamos tornando estéril também, em certo sentido, nossa união com o Senhor? Católicos que usam contraceptivos e ainda assim recebem a Comunhão podem até amar nosso Senhor e desejar estar com Ele. Trata-se de um amor, todavia, que vem sempre com um "mas". "Mas não o suficiente para obedecer a Ti nos ensinamentos da Tua Igreja; não o suficiente para dar a Ti o controle sobre o meu corpo e sobre os frutos dos meus atos."

Peter Kreeft apontou, em certa ocasião, a zombaria diabólica do mantra abortista, que perverte as palavras de Nosso Senhor quando defende o aborto dizendo: "Esse é o meu corpo". Guardadas as devidas proporções, é isso o que diz um católico que usa anticoncepcionais. A resistência aberta ainda está ali, conscientemente ou não: "Esse é o meu corpo".

Isso se aplica igualmente aos homens. Eles não podem livrar-se da culpa que têm dizendo: "É ela quem quer". Pôncio Pilatos tentou lavar as mãos pela morte de Nosso Senhor usando a mesma desculpa. Não funcionou para ele.

A Igreja é o corpo de Cristo. Os seus ensinamentos são os ensinamentos de Cristo. Se alguém não acredita nisso, então está simplesmente fazendo uma encenação na Missa, um teatro. Como católicos, nós acreditamos que corpo e alma estão verdadeiramente unidos um ao outro, ainda que de modo misterioso. Acreditamos na ressurreição da carne. Usar anticoncepcionais e receber a Comunhão é erguer uma barreira não só ao esposo do seu corpo, mas também ao esposo da sua alma.

Imagine um casal em que a esposa, aberta à vida, descobrisse que o marido, por conta própria e sabendo que contrariava os desejos de sua mulher, tivesse feito uma vasectomia… Quão devastada não se sentiria essa mulher! Pois bem, o mesmo acontece quando um católico que usa anticoncepcionais recebe a Comunhão… Quão ferido fica Nosso Senhor! Ao não receberem toda a graça que poderiam, toda a graça que Ele morreu para nos dar, esses católicos vivem vidas truncadas, divididas, mutiladas. Não surpreende, depois, que as mesmas pessoas não vejam problema nenhum em apoiar — conscientes ou não — o aborto, a perversão do casamento e a destruição da família. Elas tornaram estéreis, afinal, tanto a vida de sua família quanto a sua vida de fé.

A vida da Igreja, física e espiritualmente, depende da fecundidade das famílias católicas. A fecundidade de nossas famílias depende da fecundidade de nossas Comunhões. As duas coisas não podem andar separadas. Como diz Nosso Senhor, "não separe o homem o que Deus uniu".

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere


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Antes e depois dos anticoncepcionais

Conheça o emocionante testemunho deste casal que se livrou dos anticoncepcionais e recebeu, como recompensa, uma família maravilhosa.

O testemunho que publicamos abaixo foi-nos enviado no final do último mês de setembro, poucos dias após uma visita do Padre Paulo Ricardo à cidade paranaense de Ponta Grossa, onde mora a família Pauluk. Nestas breves linhas, Carlos Eduardo, que já é nosso aluno de longa data, descreve como era a sua família antes e como ela é agora, depois que ele e sua esposa se livraram das pílulas anticoncepcionais.

Enviamos recentemente um e-mail ao casal pedindo a autorização para publicarmos o seu testemunho, e eles aceitaram compartilhar a experiência por que passaram. "Quem sabe possamos contribuir um pouco nesta batalha", ele nos escreveu. "Estamos sempre abertos a conversar com casais de amigos nossos e outros, para expor tudo o que passamos. Não é nada fácil, mas a recompensa é maravilhosa."

Padre Paulo, a sua benção...

Meu nome é Carlos Eduardo Pauluk. Sou de Ponta Grossa-PR e tive a oportunidade de conversar muito rapidamente com o senhor na terça-feira dia 20/09/2016, quando esteve aqui para as palestras de formação na paróquia São Cristóvão. Conversamos logo que o senhor entrou no carro para ir embora, mas por não querer segurar muito o senhor ali naquele momento, acredito que não pude me expressar muito bem. Então resolvi enviar este e-mail.

Em primeiro lugar, deixo claro que sei muito bem que nosso louvor deve todo ser direcionado a Deus, colocando nas mãos de Maria para que ela nos ajude a entregar a Ele tudo o que temos em nosso coração. Sei da tua preocupação em se desviar de possíveis idolatrias que a fama inevitavelmente trás no mesmo pacote, e até fiquei depois me sentindo um pouco mal por ter pedido para bater uma foto com o senhor.
A verdade é que o seu trabalho através do site mudou a minha vida de forma permanente, indelével.

Conheci seu site há muitos anos atrás, e desde então acompanhei muitos dos vídeos. Fiz alguns cursos, dentre eles todas as 90 aulas da primeira parte do curso de Catecismo. Meu crescimento intelectual e principalmente espiritual foi muito grande. E só por isso já tenho muito a te agradecer, por todo seu empenho e esforço. Ao senhor e a sua equipe, é claro! Imagino que o trabalho para nos entregar um material de tão grande qualidade não é fácil.

Continuando… lá por 2011, esbarrei no vídeo que tinha o título de "Abortos Ocultos". Li um pouco do descritivo onde dizia: "A maioria das mulheres que usa pílulas anticoncepcionais não sabe..." e só. Parei, fechei e decidi que continuaria vendo todos os outros vídeos, mas que este em específico não precisava ver. Eu já sabia... Já sabia que a Igreja era contra métodos anticoncepcionais, que devemos estar abertos aos filhos que Deus nos mandar, mas em seguida me anestesiava com as desculpas mais clássicas dadas por todos os católicos quando começam a discutir este tema.

Deixei o vídeo de lado por um bom tempo, fingindo que não existia, e continuei assistindo todo o restante. O problema é que o vídeo continuava sempre aparecendo como sugestão para mim nas laterais do site. Consegui me segurar por um tempo, mas quando o Espírito Santo teima em nos abrir os olhos, se temos o coração aberto para Deus, não temos muito como evitar. Foi quando então resolvi assistir ao vídeo.
Eu, sinceramente, não esperava que o assunto fosse abordado daquela forma. Eu não fazia a mínima ideia daquilo ali. Pra mim, os anticoncepcionais faziam exatamente o que o termo dizia: evitavam a concepção. Terminei de assistir e entrei num estado de confusão espiritual e mental muito grande.

Por um lado eu pensava que devia falar com minha esposa o mais rápido possível sobre isto. Nós não éramos um exemplo de casal católico, talvez no máximo um mau exemplo. Íamos à missa e só. E ainda faltávamos muitas vezes. Namoramos e tivemos uma vida sexual desde o tempo de namoro, e ela já tomava anticoncepcionais desde esta época. Fazia uns sete anos já. Outro detalhe é que quando começamos a namorar, minha esposa nem batizada era. Era filha de pais separados, evangélicos, mas cada um seguindo uma denominação diferente. Deixaram para ela se decidir sobre o batismo quando fosse adulta. Aí eu, por ser de família católica (meu pai é diácono permanente aqui na paróquia São José em Ponta Grossa), comecei a trazê-la para as missas. Mais tarde ela decidiu se batizar e meus pais acabaram sendo os padrinhos dela. Até por ser desta forma, eu nunca quis insistir muito em questões de fé com ela. Sempre achei melhor ir aos poucos, esperando que o Espírito Santo cuidasse da sua conversão. Ela também nunca foi muito resistente a nada, nunca foi muito de questionar, de ficar fazendo perguntas. Apenas me segue, e me escuta quando resolvo falar algo.

Passaram alguns dias até que eu decidisse mostrar o vídeo para ela. Antes, conversei um pouco, expliquei que aquilo ali poderia deixá-la confusa, mas que eu entenderia a decisão que ela tomasse, e estaria do lado dela de qualquer forma. A bem da verdade, eu estava era muito ansioso, porque não saberia o que faria se a decisão dela fosse a de continuar com os "remédios". Liguei o vídeo e assisti junto com ela. Quando terminou, olhei pra ela, e ela estava chorando já. Choramos juntos. Como não chorar? Como não chorar ao entender que o útero dela podia ter muito bem sido um verdadeiro túmulo nos últimos anos?

Agora o senhor pode imaginar a minha alegria quando ela levanta do sofá, vai até o banheiro, pega a caixinha, vai até o lixo da cozinha e vai jogando os comprimidos, um por um, no lixo? Eu pude sentir que aquele era um momento de grande mudança em nossas vidas. Um verdadeiro "turning point".

Deste dia passou algum tempo, mas não tanto, desde que Deus nos abençoou com o primeiro dos maiores presentes que ele nos daria. Dia 25/10/2012 vinha ao mundo a Maria Clara, nossa primeira filha.

Depois fomos atrás de aprender sobre métodos naturais. Fomos a uma reunião sobre o método Billings. Tentamos segui-lo por um tempo. Mas a verdade é que não é tão fácil quanto dizem. E a verdade também é que eu e ela não estávamos tão preocupados em "evitar". Fomos tentando seguir o método, mas sem muita dedicação. Um ano e sete meses mais tarde chega para nós o segundo presente de Deus: a Elis. Quando fiquei sabendo que ela estava grávida novamente, minha alegria foi tão grande que nem deu espaço aos medos tão naturais quando alguém recebe a notícia de uma gravidez nos dias de hoje.

Depois da Elis, mudamos de método. Tentamos o método da "temperatura basal". Tem um aplicativo para celular chamado Natural Cycles. É bem interessante, e muito mais fácil que o método Billings. Pode até ser usado em conjunto com ele. Acontece que este método tem uma exigência: que a mulher meça sua temperatura todo dia antes de levantar da cama. Só que quando você tem uma filha de dois anos e outra de poucos meses, fica meio difícil a mulher conseguir esperar deitada para medir a temperatura enquanto as duas choram no quarto ao lado pedindo mama! Mas mesmo assim minha esposa foi tentando, medindo quando podia.

Enquanto isso fui atrás de ler e estudar mais sobre métodos naturais, já que o segundo método que tentamos não estava dando muito certo também. Foi quando encontrei na internet o método da "Samambaia". Bom, te digo que de todos os que eu li, este parece ser o ideal para nós. Trata-se se acompanhar a fertilidade da mulher pela saliva. Só precisa de um microscópio, mas nada muito sofisticado. O método não exige as nuances das observações do método Billings, e nem que a mulher tenha um sono regular, coisa impossível para quem tem crianças pequenas em casa. A primeira vez que eu vi sobre o método da Samambaia pareceu simples demais, quase não acreditei! Mas Deus é sábio, e eu sempre pensei que devia existir sim alguma forma bem simples e objetiva de se observar a fertilidade da mulher. Quantos sinais nosso corpo não dá para as mais diversas condições humanas?

Bom, estava lá eu pesquisando na internet e quase fechando já uma compra de um microscópio, mas Deus já tinha feito seus planos para a nossa família. Eu e minha esposa não queríamos ter apenas dois filhos, isto era fato, falávamos desde sempre em quatro, mas ao mesmo tempo, no auge dessa crise financeira, também não estávamos mais tão abertos assim no momento. Agora já conhecemos o custo de um filho, não é brincadeira. A encruzilhada era esta. Duas filhas pequenas, uma com 3 e outra acabado de fazer 2 anos. A segunda tentativa por método natural não funcionando muito bem, e uma crise financeira grave. Acredito que foi assim que Deus fez a seguinte "proposta" para nós: "Ah, então você quer mesmo aprender um método natural muito bom para poderem planejar a família de vocês? Tudo bem, vou te ensinar, mas antes, uma surpresinha..."

Padre, na mesma semana que eu aprendi sobre o método e estava pronto para comprar o microscópio, minha esposa chega em casa com um teste de gravidez de farmácia com resultado positivo. Já está agora no quarto mês. E é um menino desta vez. Consegue imaginar a nossa felicidade? Não adianta... A alegria de saber que Deus aceitou a minha vida e da minha família quando ofereci a Ele, e que Seus planos estão acima dos meus, acaba com qualquer medo ou receio. Vem aí agora o Olavo. A gestação está muito bem, minha esposa está muito bem, e nossas meninas também estão ansiosas para conhecer o irmãozinho.

Enfim Deus nos ensinou um método natural. Talvez agora tenha deixado em nossas mãos a decisão para o quarto filho. O tempo irá nos dizer. Estaremos sempre abertos.

Se não tivéssemos visto o vídeo no site, não teríamos nenhum filho até hoje. Estaríamos ainda "esperando o momento certo". Se o método Billings tivesse funcionado, muito provavelmente só teríamos a Maria Clara. E mesmo se o segundo método tivesse funcionado, mas já tivéssemos a Elis, poderíamos não ter mais filhos também, por causa da situação financeira atual. Então... Como não acreditar que Deus planejou tudo para nós?

Padre, quero te agradecer. Sim, ao senhor. Eu sei que o senhor é apenas um instrumento de Deus. Provavelmente já devem existir milhares de relatos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelas mensagens do seu site. Te agradeço pelo senhor ter se deixado fazer um instrumento de Deus, colocando toda a sua intelectualidade e disposição de espírito nesta empreitada que é o "padrepauloricardo.org".

Eu quis bater uma foto com o senhor porque o senhor faz parte de nossa vida. Se Deus já conhece todos os seres humanos antes mesmo de eles serem concebidos, então a Maria Clara estava nos planos dele desde sempre. E com certeza o site padrepauloricardo.org também fazia parte da providência divina em nossas vidas.

Estou te escrevendo para te dar um feedback. Está funcionando! Tem vidas que surgiram também porque teu site existe. Te escrevo pra demonstrar a minha felicidade. Descobri um grande pecado que estava enraizado na minha vida, e ao me livrar dele, a recompensa que Deus me dá é uma família maravilhosa. Não tenho como não me emocionar ao imaginar o tamanho da misericórdia que Deus tem para comigo, o tanto que ele me ama, a mim e minha família!

Então agradeço ao senhor e a toda a sua equipe, de coração! Que Deus continue te abençoando e abençoando teus projetos.

P.S.: O nome Olavo estava em uma lista de nomes de meninos que eu tinha feito. Sou aluno também do professor Olavo de Carvalho (um pouco parado no momento porque realmente não está dando tempo de acompanhar as aulas), mas não tinha decidido qual nome escolher. Minha esposa é que se afeiçoou por "Olavo", mesmo quase não conhecendo o professor.

Testemunho enviado ao nosso site no dia 26 de setembro de 2016.

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Uma decisão histórica das Filipinas contra os anticoncepcionais

O Congresso filipino coloca um freio no avanço da “cultura da morte” e dá um exemplo de soberania e sensatez ao resto do mundo

Filipinos protestam contra lei que exigia fundos para contraceptivos e educação sexual nas escolas.

A ousada decisão do Congresso filipino de não mais financiar programas de contracepção no país não agradou nem um pouco às organizações internacionais. Desde o anúncio da medida, em janeiro deste ano, as Filipinas vêm enfrentando duras críticas por, supostamente, terem "dado um sério passo atrás na obrigação de proteger a saúde maternal, a redução da mortalidade infantil e a prevenção do HIV", como atacou o grupo Human Rights Watch.

No início do mês, o Congresso filipino decidiu remover os $21 milhões do fundo governamental para o financiamento de contraceptivos para famílias pobres, conforme exigia uma controversa lei de saúde reprodutiva, aprovada em 2012, e sob pressão da ONU. Phelim Kine, vice-diretor asiático da Human Rights Watch, descreveu a ação como uma "vitória para membros da Igreja Católica nas Filipinas que têm amargamente se oposto aos serviços de contracepção gratuitos". Em uma declaração, Kine disse que a oposição da Igreja inclui "falsas preocupações acerca da segurança e da confiabilidade de métodos contraceptivos como a camisinha".

O Arcebispo Ramon Arguelles, da Arquidiocese de Lipa, rebateu as acusações, dizendo que a medida do governo era "pró-filipinos". "Eu espero que tudo seja gasto na construção de escolas, que deem maior educação e formação moral aos jovens, e oportunidade de trabalho para os adultos", exortou o arcebispo.

Na mesma linha se posicionou o porta-voz da conferência dos bispos, padre Jerome Secillano. "É bom saber que nenhum orçamento será reservado para a aquisição de contraceptivos", declarou o sacerdote, acrescentando que aquelas eram "notícias bem-vindas".

A decisão do Congresso filipino vem um ano após a visita do Papa Francisco ao país, quando o Santo Padre alertou as autoridades locais para o risco das "colonizações ideológicas". Durante o encontro com as famílias, o Santo Padre incentivou-as a "dizer 'não' a qualquer colonização política, assim também como família devemos ser muito sagazes, muito hábeis, muito fortes, para dizer 'não' a qualquer tentativa de colonização ideológica da família". Recordando a encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, Francisco ainda insistiu na necessidade da "abertura à vida" dentro do matrimônio: "(Paulo VI) olhou os povos da terra e viu esta ameaça da destruição da família pela falta de filhos".

A cruzada da Igreja contra o controle populacional

A briga da Igreja contra os anticoncepcionais é antiga. Foi durante o pontificado de Pio XI que a Santa Sé fustigou as primeiras manifestações da mentalidade antinatalista. Com a encíclica Casti Connubii, o Papa afirmou que o ato conjugal, por ser destinado primeiramente pela natureza à geração de filhos, não pode ser alienado, e que, por isso, "aqueles que, em seu exercício, frustram deliberadamente seu poder e propósito, pecam contra a natureza e cometem um ato vergonhoso e intrinsecamente mau" (n. 54).

Também São João XXIII, na encíclica Mater et Magistra, considerando a sacralidade da vida humana e a questão do aumento demográfico no mundo, deplorava o uso de "expedientes que ofendem a ordem moral estabelecida por Deus e atacam os próprios mananciais da vida humana" (n. 188). Era o começo dos anos 60 e a voz inequívoca do Bispo de Roma já se lançava contra "métodos e meios que são indignos de um ser racional e só encontram explicação num conceito puramente materialista do homem e da vida" (n. 190).

Mas o matchpoint veio mesmo em 1968, com a publicação da encíclica Humanae Vitae. Além de frustrar as expectativas da grande mídia (e, infelizmente, de algumas autoridades eclesiásticas), que queria porque queria a aprovação da Igreja para o controle populacional, Paulo VI fez uma profecia assaz válida para o mundo de hoje:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade [...] É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal (n. 17).

Na mosca. O que era simplesmente um temor do Santo Padre tornou-se fato em nossos dias. Graças à falsa segurança dos anticoncepcionais, inúmeras famílias têm sido arruinadas pela praga da traição e da promiscuidade. Ademais, não é incrível que os índices de gravidezes indesejadas e de doenças sexuais sejam tão altos agora, quando nunca foi tão fácil o acesso à camisinha? É que os anticoncepcionais, longe de serem seguros, favorecem uma mentalidade utilitarista e imprudente, que não reconhece a sacralidade do corpo humano; antes, transforma-o em instrumento de satisfação imediata e, muitas vezes, de dinheiro fácil. Bento XVI estava mesmo certo: na luta contra as doenças sexualmente transmissíveis, a camisinha mais atrapalha do que ajuda.

Igualmente preocupante é a ingerência de certas autoridades mundiais na vida familiar e na soberania de outros países que, em troca de apoio econômico e militar, são obrigados a adotar a agenda antinatalista das fundações internacionais. Vejam o exemplo da China para terem ideia da dimensão do problema.

Lembremo-nos, ainda, dos efeitos colaterais de alguns métodos contraceptivos, como a chamada pílula. Não faz muito tempo, a revista Época publicou uma séria denúncia sobre casos de embolia pulmonar, trombose e acidente vascular cerebral (AVC) ligados ao uso de pílulas anticoncepcionais. Mais: os anticoncepcionais, embora se queira esconder amiúde das mulheres, são abortivos. É fato!

Os filhos são uma bênção

Madre Teresa de Calcutá foi, por muitos anos, uma pedra no sapato dos defensores da contracepção. Isso porque a missionária, em todas as suas viagens, não deixava de repetir o seu mantra às autoridades civis e à população em geral: "Não ao aborto, não aos contraceptivos". Madre Teresa defendia esses princípios não porque fosse uma fanática religiosa ou coisa parecida, mas porque estava convencida da verdade acerca do matrimônio e, sobretudo, da maternidade. Não se pode negar que a criação dos filhos seja difícil — e ninguém melhor que Madre Teresa entendeu isso, visto que diariamente se dedicava às crianças de seu orfanato; por outro lado, a família existe justamente para que o homem e a mulher cresçam no amor e aprendam a virtude da abnegação, coisa, aliás, muito em falta na sociedade de hoje, que prefere descartar o próximo a sacrificar-se por ele.

Não é por acaso que o atual crescimento da violência e da corrupção esteja acompanhado de um declínio acentuado na vida familiar. A família precisa ser a escola da santidade. Porém, quando essa concepção se perde, o que resta são os traumas e os rancores.

A Igreja entende — e aceita — que, em alguns casos, e por razões realmente graves, os casais estabeleçam um espaçamento maior entre a geração de filhos, desde que se recorra a métodos honestos e abertos à vida, como a abstinência conjugal e o conhecido Método de Ovulação Billings. Trata-se da autêntica "paternidade responsável", como dizia Paulo VI (cf. Humanae Vitae, n. 7-10). Mas, ao mesmo tempo, é sempre dever dela recordar as famílias sobre a generosidade na correspondência à própria vocação. Os filhos, se acolhidos com visão sobrenatural, são sempre uma bênção.

Neste mundo, que parece estar de joelhos ante a "cultura da morte", a decisão das autoridades filipinas é mesmo muito "bem-vinda". Que este exemplo de sensatez e amor à família ilumine as demais autoridades do planeta contra a perversa ideologia antinatalista.

Por Equipe CNP | Com informações de ChurchMilitant.com

| Categoria: Sociedade

A nova velha polêmica da Igreja e dos anticoncepcionais

​A mulher não precisa de anticoncepcionais para ser livre. Ela precisa de dignidade.

A página do Padre Paulo Ricardo no Facebook foi alvo de uma enxurrada de protestos ferozes na última semana. O motivo da celeuma foi este vídeo aqui. Nele, Padre Paulo explica os perigos que existem no uso da chamada pílula anticoncepcional. "Usando um simples anticoncepcional, você, mulher, pode transformar o seu útero num túmulo, e matar muitas crianças sem saber", afirma o sacerdote. A reação foi imediata. Sobraram ataques pessoais, faltaram argumentos.

É preciso esclarecer, em primeiro lugar, que o vídeo em questão não traz nenhuma citação bíblica, nenhuma pregação religiosa, nenhum sermão moralista. Quem se deu ao trabalho de assisti-lo sabe do que se trata. Abortos Ocultos apenas apresenta um histórico do que eram as pílulas anticoncepcionais quando surgiram, no início da década de 1960, e no que se transformaram após as denúncias do movimento pró-vida. A princípio, diz Padre Paulo, os anticoncepcionais eram verdadeiras "bombas de hormônio". Isso provocava efeitos colaterais terríveis para o organismo da mulher. Os produtores, então, decidiram diminuir a quantidade dessas substâncias, a fim de que não causassem os danos apresentados até aquele momento. O anticoncepcional tornou-se, assim, um "contraceptivo de componentes combinados".

Eis aí. Um desses componentes, de fato, impede apenas a ovulação. Ora, todo mundo sabe que não existe aborto se o óvulo não é fecundado. Até um estudante de ensino fundamental sabe disso. O problema está no outro componente. Trata-se de um hormônio para impedir a implantação do embrião no útero da mulher, isto é, o hormônio provoca um aborto. Isso não é teoria da conspiração nem fanatismo religioso. Está tudo descrito nas bulas desses remédios. Ou melhor, estava. Porque depois das denúncias do movimento pró-vida, os produtores de anticoncepcionais magicamente excluíram essas informações de suas clientes. Assim funciona a indústria da contracepção. Vale tudo em nome do lucro e da cultura da morte.

Para que não reste dúvida, leiam vocês mesmos as bulas dos remédios citados no vídeo aqui, aqui e aqui. Informar-se não dói. É libertador!

O engodo feminista

O movimento feminista celebra a contracepção como uma grande conquista das mulheres. Daí a fúria contra o vídeo. Afinal de contas, agora elas podem supostamente ter sexo como os homens. Não precisam preocupar-se com gravidez. Não precisam preocupar-se com casamento. Não precisam preocupar-se com família. E chamam isso de liberdade. Ocorre que as pílulas anticoncepcionais — para além dos efeitos abortivos, que por si só já bastariam para repudiar a produção desses venenos — trouxeram problemas gravíssimos às mulheres, tanto no aspecto psicológico quanto no social.

Há poucos meses, a revista Época publicou uma reportagem bombástica sobre vítimas dos anticoncepcionais. Uma das entrevistadas, segundo a revista, precisou amputar os dez dedos dos pés, devido a complicações causadas pelo remédio. E tem mais. Ela conta que sofreu três paradas cardíacas e embolia pulmonar. Apesar disso, denuncia Época, pouco se tem feito no Brasil — ao contrário de outros países, onde já existe uma regulamentação mais firme a respeito — para esclarecer a população quanto ao risco que oferecem as pílulas contraceptivas. É praxe médica, diz a reportagem, manter o silêncio: "Poucos são os que relatam às autoridades os casos de complicações após o uso de pílula". Perguntar não ofende: Onde estão as senhoras que vociferaram contra o Padre Paulo Ricardo no Facebook neste momento? Onde estão as vozes feministas que dizem defender as mulheres em nome dos "direitos reprodutivos"?

Infelizmente, a reportagem de Época falha ao endossar outros métodos contraceptivos como alternativa às pílulas. Essa é a questão. Os métodos contraceptivos artificiais fundamentam uma ideologia: a falsa ideologia de que a mulher só será livre quando for completamente desvinculada da figura materna.

Trata-se de um ataque orquestrado à dignidade da mulher. Notem: as pílulas anticoncepcionais não trouxeram a liberdade sexual às mulheres, mas tornaram-na um objeto de consumo masculino. Agora os homens podem "usá-las" sem correr o "risco" de engravidá-las. Podem praticar a torpeza do "sexo sem compromisso". E isso é devastador tanto para o homem quanto para a mulher. Argumentam alguns: "Ah, mas agora as mulheres também podem usar os homens e ter sexo sem compromisso". Exatamente. E a dignidade humana que vá para o lixo.

Desde que o sexo se tornou um lazer, o ser humano ficou refém de suas próprias paixões e dos interesses ideológicos. Paulo VI, na profética encíclica Humanae Vitae, havia alertado para isso:

"Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens — os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto — precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada."

"Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal." [1]

Sejamos francos. A realidade descrita pelo Beato Paulo VI não é precisamente a que vivemos hoje? Em Portugal, reportamos aqui, causou escândalo a história da mãe Liliane Melo, a qual foi obrigada pelo Estado a submeter-se a uma cirurgia de esterilização. Essas são as consequências dos métodos contraceptivos artificiais.

Os "pingos nos is" e mais um pouco de informação

Certas vozes reclamaram: "Temos que 'botar' um monte de filho no mundo, então? A Igreja vai pagar a conta?" Não é segredo para ninguém o apreço e o apoio que a Igreja presta àquelas famílias que têm muitos filhos. Elas são uma "esperança para a sociedade", como disse o papa Francisco recentemente. Muitas pessoas confundem, no entanto, famílias numerosas com falta de responsabilidade. Engano comum. A doutrina da Igreja é clara em ensinar a "paternidade responsável", que é a generosidade dos pais na abertura à vida, conforme as suas próprias condições. Trata-se de uma capacidade de doação e entrega a Deus. Filhos são sempre um "dom" de Deus, nunca um estorvo. Neste sentido, o Método de Ovulação Billings tem se mostrado um ótimo instrumento para o exercício da desejável "paternidade responsável", pois além de sempre favorecer a abertura do casal à vida, permite que marido e mulher se conheçam melhor e aprendam juntos a viver a continência necessária ao matrimônio.

A mentalidade contraceptiva, no entanto, criou um relacionamento egoísta entre o casal, imprimindo a ideia de que "criança" é algo ruim. Nascem, assim, várias desculpas para a contracepção. A maior delas seria o custo financeiro. Impressiona, todavia, que tantos casais que se recusam a ter filhos não reclamem de dispender gastos consideráveis em alimentação e tratamento veterinário a seus cães e gatos de estimação. Pesquisa recente do IBGE revela que, no Brasil, o número de animais domésticos por casal está ultrapassando o número de crianças. Nunca foi tão real o perigo, apontado pelo Catecismo da Igreja Católica [2], de que as pessoas dirijam aos animais "o afeto devido exclusivamente às pessoas".

O problema, portanto, parece ser de outra ordem. É que, na verdade, os filhos tiram as pessoas de sua "zona de conforto". Como Padre Paulo mesmo coloca em outro vídeo, "ter uma família numerosa tem o seu preço": quem faz uma escolha pela vida, deve estar disposto a renunciar às férias em Cancún, ao seu iate ou à sua casa na praia. Além disso, educar esses pequenos — diferentemente de adestrar animais — é um trabalho custoso, que demanda dedicação integral e um desenvolvimento especial do próprio caráter. Não se pode, de fato, "pôr filhos no mundo" e negligenciar a sua formação. É preciso sair do mundo do próprio ego — dos "meus planos", da "minha carreira", do "meu lazer" — para entrar de cabeça nesse universo novo e exigente. No fim das contas, a raiz da esterilidade do "novo mundo" não passa de um egoísmo disfarçado sob a máscara de "prudência".

No que diz respeito às mulheres, acrescente-se ainda o fator cultural: vivemos em um tempo avesso e hostil à maternidade. Quando Simone de Beauvoir declarou, com todas as letras, que, enquanto "os mitos da família, da maternidade e do instinto materno" não fossem destruídos, as mulheres continuariam a ser oprimidas [3], ela trazia à luz os projetos mais obscuros do movimento feminista — projetos que estão a pleno vapor ainda hoje. O discurso de "empoderamento" e "independência" da mulher, aliado a uma completa subversão da própria identidade feminina, não é um "processo automático de progresso da humanidade", como muitas vezes se pensa. Trata-se de um discurso artificialmente construído — e que, infelizmente, só trouxe frustração e infelicidade às mulheres.

Vejam, mulheres, que São João Paulo II deixou uma herança belíssima a vocês, com a sua carta apostólica Mulieris Dignitatem. Vale a pena redescobri-la. Vocês não precisam de anticoncepcionais para serem livres. Vocês precisam de dignidade. O cristianismo sabe disso há muito tempo. Parece que o feminismo não.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Carta Encíclica Humanae Vitae (25 de julho de 1968), n. 17.
  2. Catecismo da Igreja Católica, 2418.
  3. "Sex, Society and the Female Dilemma". Saturday Review (14 de junho de 1975). p. 20.

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Contracepção: uma lucrativa estrada para o aborto

A indústria de contraceptivos é um dos negócios mais rentáveis do mundo. Isso explica a campanha que existe contra a castidade.

SIECUS. É a sigla em inglês para Conselho de Informação e Educação Sexual dos Estados Unidos, fundado em 1964 pela dra. Mary S. Calderone. A organização é uma das responsáveis pela implantação da chamada "educação sexual" nos currículos escolares. Dra. Calderone, que por vários anos havia exercido o cargo de diretora médica da Federação Internacional de Paternidade Planejada (IPPF), decidiu criar a instituição a partir de sua experiência com os programas de controle da natalidade. Na visão da médica, era preciso dar um passo além da mera prevenção da gravidez.

A "educação sexual" consiste basicamente na formação de adolescentes por meio de palestras sobre masturbação, relações sexuais, homossexualismo etc., como também na distribuição gratuita de preservativos e outros métodos contraceptivos artificiais. A apologia é clara. Na cartilha "Carderno das coisas importantes", idealizada pela Unicef, lê-se, entre outros absurdos, a seguinte nota para masturbação: "É normal e permite um maior conhecimento do corpo". A página oficial da SIECUS, por sua vez, empreende uma raivosa campanha contra o financiamento de programas voltados para a abstinência até o casamento. Ela protesta: "Defendemos o fim do financiamento federal desses projetos, e ajudamos educadores e pais a manter esses programas nocivos fora de suas escolas". Não importa se Edward Green, diretor do projeto de pesquisa e prevenção da AIDS da Escola de Saúde Pública de Harvard, deu razão ao Papa Bento XVI no combate contra as doenças sexualmente transmissíveis [1]. Não importa se Uganda conseguiu diminuir consideravelmente o número de soropositivos no país graças ao incentivo à abstinência e à fidelidade conjugal [2]. Eles querem sexo.

Duas coisas explicam essa atitude. A indústria dos contraceptivos é altamente lucrativa. O laboratório farmacêutico Schering-Ploug, uma das maiores indústrias de contraceptivos do mundo, teve, em 2008, uma receita líquida de 291 milhões de dólares. O Método de Ovulação Billings não tem custo. Ademais, a disseminação dos anticoncepcionais, sob a falsa ideia de "sexo seguro", faz com que o número de pessoas sexualmente ativas aumente, sobretudo entre os jovens. Dados do IBGE revelam que a porcentagem de adolescentes grávidas subiu ano após ano, na década de 1990, tendo uma leve queda recentemente [3]. Foi precisamente na década de 1990 que se iniciaram os programas de "educação sexual". Todo mundo sabe que a camisinha não é cem por cento segura. Todo mundo sabe que sexo tem a ver com gravidez. Todo mundo sabe que, para os paladinos da anticoncepção, gravidez tem a ver com aborto. Dra. Mary S. Calderone foi a diretora médica da IPPF, a multinacional do aborto, antes de fundar a SIECUS. O círculo é vicioso e bastante rentável.

Em 2009, durante o voo que o levaria para Camarões, o Papa Bento XVI teve de responder à espinhosa pergunta sobre o combate à aids na África [4]. Eis a resposta:

Penso que a realidade mais eficiente, mais presente em primeira linha na luta contra a SIDA é precisamente a Igreja Católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio que faz tanto, de modo visível e invisível também, na luta contra a SIDA, nos Camilianos, em muitas outras realidades, em todas as irmãs que estão à disposição dos doentes... Diria que não se pode superar este problema da SIDA só com dinheiro, mesmo se necessário; mas, se não há a alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode superá-lo com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema. A solução pode vir apenas da conjugação de dois factores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes. E estes são os fatores que ajudam e proporcionam progressos visíveis. Diria, pois, que esta nossa dupla força de renovar o homem interiormente, de dar força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os doentes, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me que esta é a resposta justa, e a Igreja faz isto e deste modo presta uma grandíssima e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem.

Foi o fim do mundo! A tão alardeada defesa do diálogo e do pluralismo de ideias sumiu do mapa. A Organização das Nações Unidas reclamou: "O preservativo é essencial na prevenção" [5]. A este posicionamento somaram-se os governos da França, Espanha e Bélgica. A senhora Europa que, devido à aderência a essa política de controle da natalidade, padece a pior implosão demográfica do planeta. Mas o lucro vale mais que a verdade. Agora, colhem-se os frutos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Reinaldo Azevedo, Um dos maiores especialistas do mundo… Veja (26 de março de 2009).
  2. Reinaldo Azevedo, Uganda é bem-sucedida no combate à aids… Veja (06 de julho de 2008).
  3. Estatísticas do Registro Civel 2002.
  4. Entrevista concedida pelo Santo Padre Bento XVI aos jornalistas durante a viagem aérea para a África.
  5. Preservativo põe ONU contra o Papa.

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A tragédia no altar do hedonismo

A mentalidade contraceptiva transformou as mulheres em “estátuas de carne”.

Um dos perigos que o crescimento da mentalidade contraceptiva trazia consigo era o desgaste da figura feminina. A previsão não era de ninguém menos que do Papa Paulo VI. Em sua memorável encíclica Humanae Vitae, o Sumo Pontífice escrevia:

"É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada."

Dito e feito. As palavras de Paulo VI não só lançaram um olhar mais humano para o dilema da paternidade responsável, como se cumpriram, de modo profético. O uso desenfreado dos métodos anticoncepcionais fez com que, pouco a pouco, os aspectos procriativo e unitivo do ato sexual fossem se separando. A sexualidade deixava de ser algo sagrado pelo qual Deus dava ao homem o dom de participar de sua ação criadora. Agora, ela era apenas um instrumento nas mãos do homem e, como tal, poderia ser utilizada a seu bel-prazer.

À mulher, por sua vez, vista agora não mais como uma "companheira, respeitada e amada", cabia o papel de satisfazer os desejos do homem. Afinal, se o sexo serviria apenas para obter prazer, o que é a mulher senão um simples meio para se chegar a ele?

Assim, em meados do século XX, viu-se crescer no mundo o fenômeno dos "concursos de beleza". Hoje, as pessoas lidam rotineiramente com isto, mas, em um mundo de certa forma ainda moldado pela cultura cristã, não foram poucas as vozes a se levantarem contra o que foi chamado de "feiras da carne".

A crítica pode parecer absurda para este século hedonista, mas o seu conteúdo possui um sentido bem claro: se o que se exalta nestes concursos é a mera beleza exterior, material, as joias espirituais facilmente são relegadas ao desprezo ou à insignificância.

Dom Francisco de Aquino Corrêa, arcebispo de Cuiabá na primeira metade do século XX, não economizava palavras para condenar os concursos de beleza do seu tempo. "Não se condena, por certo, o culto da beleza física; o que não se pode admitir, é que seja ela arvorada, assim, em única ou suprema beleza da mulher", escrevia. "A mulher não é apenas uma formosa estátua de carne. Tem outras belezas muito mais excelentes e nobres: a beleza da sua inteligência, a beleza dos seus sentimentos e, sobretudo, a beleza da sua virtude e do seu caráter."01

É certo que, hoje, há uma veiculação massiva da imagem da mulher-objeto. Danças irreverentes alardeadas em programas de TV e em bailes mundanos, aliadas a uma cultura pornográfica que muito tem degradado a cultura, tornaram-se tristemente frequentes. Perto destas realidades, os concursos de beleza antigos – ou mesmo as suas edições mais recentes – chegam a parecer simples ou inofensivos. Em nossos dias, as mulheres não apenas desfilam como "estátua de carne", mas são vendidas como tais, sem pudor ou vergonha nenhumas.

Urge recordar as considerações de Dom Aquino Corrêa sobre os concursos de sua época, pois guardam valiosas lições para os dias hodiernos:

"A beleza física não passa de um dote da natureza, em que, pouco ou nada, colabora o esforço pessoal, não podendo, por conseguinte, fazer jus a recompensas, e muito menos a essas, que se lhe têm conferido, e raiam pelas culminâncias de uma verdadeira apoteose universal. Não é razoável se tome por base de concurso e critério de prêmio, um predicado, em que a mais virtuosa das mulheres pode ser derrotada pela barregã mais reles, só por ser esta mais formosa. E que falta de senso e de equidade deixar o silêncio e no esquecimento a beleza moral de tantas mães e donzelas, verdadeiras heroínas do dever e do trabalho, para entregar a coroa da realeza feminina à beleza de um corpo qualquer, beleza, a que, às mais das vezes, fazem cortejo a vaidade, a leviandade, a ignorância, a indolência, a irreligião, a imodéstia, o despudor e a lascívia!"02

Quando este grande prelado matogrossense escreveu estas linhas, ele pretendia evitar o terrível espetáculo que hoje se passa em tantos ambientes. Infelizmente, os seus alertas – bem como os do servo de Deus, o Papa Paulo VI – não foram ouvidos. Os frutos amargos da dissolução estão sendo colhidos: tem valido mais a exibição pornográfica de uma prostituta que o sacrifício de uma religiosa que se consagra inteiramente à vontade de Deus.

Não é de se admirar que uma sociedade que cultue os dotes físicos com espírito quase idolátrico tenha tantas dificuldades para enxergar beleza na vida de uma Santa Cecília ou de uma Santa Teresinha do Menino Jesus, que preferiram enfeitar com cuidado e amor suas almas a estamparem seus corpos no sacrílego altar do hedonismo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Dom Aquino Corrêa, 27 de dezembro de 1930. Discursos, vol. II, tomo II. Concursos de beleza. pp. 67-75. Brasília, 1985.
  2. Idem