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“Eu, Irmã Faustina, estive nos abismos do Inferno”

“Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe.”

Um dos argumentos de que mais se servem os inimigos da Igreja para pôr em questão a verdade do inferno diz respeito à misericórdia divina. "Se Deus é misericordioso", dizem, "não condenará ninguém a fogo nenhum, quanto mais eternamente."

O primeiro problema por trás dessa forma de pensamento é, sobretudo, a falta de fé. Se Jesus Cristo realmente é Deus, como crê e ensina desde o princípio a Igreja Católica, e se foi Ele próprio quem disse, conforme consignado inúmeras vezes no Evangelho, que existe o "inferno" (cf. Mt 11, 23; 23, 33; Lc 12, 5; 16, 23), o "fogo eterno" (cf. Mt 18, 8; 25, 41), a "geena" (cf. Mt 5, 22ss; 10, 28; Mc 9, 43ss), ou o "castigo eterno" (cf. Mt 25, 46), a única resposta possível do ser humano é crer em suas palavras. O próprio Deus falou; a segunda Pessoa da Santíssima Trindade se pronunciou, Ele que nec falli nec fallere potest, isto é, "não se engana nem nos pode enganar" [1]. Ou aceitamos por isso a verdade do inferno, ou então estamos brincando quando dizemos crer em Deus, em Jesus e na sua Igreja. Quem escolhe da doutrina que o próprio Senhor revelou somente aquilo que lhe agrada, pondo de lado o que lhe desagrada, não é em Deus que crê, mas em si mesmo; não é católico, mas herege.

É claro que a teologia pode explicar a doutrina do inferno e demonstrar, àqueles que já crêem, a razoabilidade desse ensinamento de Nosso Senhor. O Deus cristão, afinal de contas, é também λόγος ("logos"); o que Ele faz não nasce do puro arbítrio, como acreditam os voluntaristas, os fideístas ou os muçulmanos. Ao mesmo tempo, porém, àqueles que estão do lado de fora, nenhuma explicação será suficiente para que creiam. Se essas pessoas, resistindo, não derem seu assentimento de fé à autoridade de Deus revelante, aceitando em sua totalidade o depositum fidei que a Igreja custodia e anuncia, todo e qualquer esforço argumentativo será em vão.

Nesse sentido, a visão de Santa Faustina Kowalska, descrita a seguir, serve menos para convencer os descrentes que para confirmar, no coração dos católicos mornos ou vacilantes, a veracidade da doutrina católica de sempre sobre o inferno. Pode-se muito bem, é verdade, duvidar dessa revelação privada que recebeu a Apóstola da Misericórdia, assim como se pode duvidar da visão do inferno de Fátima e de outros tantos fenômenos místicos semelhantes por que passaram os santos da Igreja [2]. O que não pode questionar, ao menos quem foi batizado na fé da Igreja e enche a boca para se dizer "católico", é que o inferno existe e a condenação eterna é uma possibilidade real e terrível, confirmada pelos Evangelhos, pela Tradição e pelo Magistério — ainda que, na verdade, os teólogos avessos a essas revelações privadas (aprovadas pela Igreja!) sejam, na maioria das vezes, justamente os hereges que rechaçam essa parte, incômoda, da doutrina católica.

Quem tem fé, entretanto, na vida eterna (e talvez até seja devoto da Divina Misericórdia), atente-se bem às palavras dessa santa religiosa, que recebeu de Deus o privilégio de visitar o inferno: "Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é"; "Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe". O testemunho de Santa Faustina é dirigido a nós, homens céticos e incrédulos do século XXI!

Escutemos o apelo que a Misericórdia Divina nos faz e, temendo a principal pena do inferno, que é "a perda de Deus", aprendamos a evitar o pecado, que nos faz viver a amargura e a infelicidade ainda nesta vida.

Hoje conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. "Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja."

[...]

Hoje ouvi as palavras: No Antigo Testamento, Eu enviava Profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração. Utilizo os castigos, apenas quando eles mesmos Me obrigam a isso, e é com relutância que a Minha mão empunha a espada da justiça. Antes do dia da justiça estou enviando o dia da Misericórdia. Eu respondi: "Ó meu Jesus, falai Vós mesmo às almas, porque as minhas palavras são insignificantes. [3]

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius (24 de abril de 1870), III: DS 3008.
  2. A expressão "Pode-se muito bem", aqui, deve ser lida de acordo com as orientações do Catecismo da Igreja Católica a esse respeito: "No decurso dos séculos tem havido revelações ditas 'privadas', algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é 'aperfeiçoar' ou 'completar' a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja." (§ 67)
  3. Diário de Santa Faustina, n. 741 e 1588.

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“Como cientista, posso afirmar que a homossexualidade não é inata”

Sem medo de enfrentar o “politicamente correto” e ser tachado de “homofóbico”, este especialista assegura: é possível sim a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

O dr. Jokin de Irala, médico e investigador da Universidade de Navarra, explica que a exclusão desta conduta do manual de doenças da APA ocorreu por simples votação. Questiona o fato de que todos os que criticam o fenômeno sejam considerados homofóbicos. O médico, mestre em saúde pública e especializado em afetividade e sexualidade humana, assinala nesta entrevista a necessidade de transpor para o plano científico o debate sobre a homossexualidade. Irala afirma que a homossexualidade é um desenvolvimento inadequado da identidade sexual e assegura que é possível a mudança de conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

– Há alguma prova científica de que se nasce homossexual?

– Como cientista, diria que a homossexualidade se produz, não é inata, decididamente. Deve-se dizer que, de fato, não existe nenhuma evidência científica que apoie a teoria genética da homossexualidade ou que ela possa ser inata. Os especialistas em homossexualidade que trabalham em associações científicas como a NARTH nos EUA (Associação Nacional de Investigação e Terapia da Homossexualidade) afirmam que se trata de um desenvolvimento inadequado da identidade sexual. Por isso, deveríamos pelo menos aceitar que o debate científico sobre este tema possa continuar existindo.

– De onde vem a corrente de pensamento que afirma que é uma opção sexual normal?

– Esta ideia de que uma pessoa nasce homossexual tem a sua origem nos anos 70, quando os ativistas da homossexualidade nos EUA fizeram muito lobby para que a APA, que é a Associação Americana de Psiquiatras, excluísse o tema do manual de classificação de doenças. Assim, realizaram uma votação da qual participaram 25% dos membros e cujo resultado foi de 69% favoráveis à exclusão da homossexualidade dessa lista. Que eu saiba, este é o único caso na medicina em que foi decidido se algo é uma doença ou não por meio de uma simples votação de quem assiste a uma reunião. É como se na sociedade espanhola de endocrinologia fosse realizada uma votação para decidir, a favor ou contra, se a obesidade é um problema de saúde. Isto não tem precedentes. O que precisa ser feito é analisar o problema com estudos científicos.

– Trata-se de uma conduta que pode ser alterada?

– Há dados científicos, estudos publicados em revistas científicas que mostram que a homossexualidade pode, sim, ser alterada com uma terapia adequada, inclusive nos EUA há associações de ex-gays. Muitos deles protestam porque dizem que estes grupos de ativistas não deixam que se saiba que a mudança é possível. E não só não deixam que se saiba como não admitem que alguém possa livremente pedir ajuda. Há, por exemplo, o caso de um juiz de Lombardia (Itália) que declarou ilegal tratar a um homossexual, mesmo que ele o peça livremente. Isto é inacreditável. É um atentado contra a autonomia do paciente.

– Em que se baseiam?

– Afirmam que a terapia é quase uma tortura, traumática, com choques elétricos. No entanto, não tem nada a ver com isto. O tratamento é basicamente psicoterapia. Ora, não se pode impedir que as pessoas decidam livremente pedir ajuda. E é preciso dizer que hoje se utiliza o termo AMS para identificar a atração por pessoas do mesmo sexo, porque uma coisa é alguém se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo, outra é que alguém, por causa dessas atrações, acabe tendo relações sexuais de tipo homossexual. O fato de que uma pessoa se sinta atraída não significa, de modo nenhum, que seja homossexual. De fato, hoje em dia, com o ambiente pró-homossexual que nos rodeia e com a cultura que existe, há muitos casos de jovens que simplesmente se sentem confusos e pedem ajuda.

– E quais seriam as causas desta conduta?

– Há diversas causas possíveis, mas parece que a maioria dos casos de homossexualidade se deve à falta de identificação dentro da família com a figura do homem ou da mulher. Tornou-se muito comum a imagem do pai autoritário, passivo, ausente da vida de um rapaz que talvez seja sensível e perfeccionista. Ou de uma mãe muito possessiva do ponto de vista emocional. Este é um dos principais caminhos que conduzem à homossexualidade.

– Há outras?

– Outro caminho, que se cruza e junta a este, é que aquele rapaz sensível, por exemplo — e não há problema nenhum em sê-lo —, é rejeitado na escola pelos outros meninos por causa dessa sensibilidade. Esta rejeição pode levar a uma diminuição de sua autoestima como homem e, por conseguinte, quando chegar à puberdade, a uma orientação homossexual. Outra causa é a conhecida ambiguidade da identidade sexual nos adolescentes. É normal que um adolescente, menino ou menina, possa ter dúvidas sobre a própria identidade sexual, mas essa ambiguidade, se bem conduzida, acaba fortalecendo a identidade masculina ou feminina dos jovens, não traz problemas, leva à heterossexualidade. O problema atual é que esta situação tem sido mal administrada e o que se diz a esse jovem é que "saia do armário".

– Existem problemas de saúde ligados à homossexualidade?

– Sim, a atividade sexual de tipo homossexual acarreta problemas de saúde, alguns dos quais são específicos. Além dos problemas associados à promiscuidade sexual e às infecções de transmissão sexual, que também ocorrem entre heterossexuais promíscuos, existem problemas associados à utilização dos órgãos sexuais sem levar em conta que, por seu próprio "desenho", eles estão orientados à complementaridade entre homem e mulher.

– Por que, apesar dos dados científicos, se continua negando o problema?

– Há muitas razões. A primeira é que há desinformação. Muitos profissionais não dispõem desses dados e apenas utilizam o manual da APA. Sem contar as ideologias, os interesses econômicos e também a realidade do medo. Há profissionais que sabem disto, mas o preço que têm de pagar por afirmá-lo é muito caro. Se na Espanha um psiquiatra anunciasse que é terapeuta da homossexualidade, o lógico seria que lhe queimassem a porta do consultório, podendo acabar sem clientes.

– Qual seria o ponto de equilíbrio?

– O equilíbrio está em reivindicar um respeito incondicional por todas as pessoas com sentimentos homossexuais. Seria necessário compatibilizar a ciência com o respeito pela liberdade; deve ser possível o debate científico sobre o tema. Deve haver a possibilidade de que eu, como cientista, possa dar a minha opinião sobre a homossexualidade sem que me acusem de homofóbico só porque tenho uma postura contrária à das organizações gays.

– Há também muito de sentimentalismo neste tema…

– Efetivamente. Por isso é preciso separar este assunto do sentimento e do afeto. Há quem diga: "O meu filho homossexual é uma boa pessoa e eu o amo". É claro que sim, está certo, mas isso não tem nada a ver com o que estamos discutindo. Não é uma questão de ser boa ou má pessoa, não é uma questão de sentimento. Pode-se amar muito a um filho homossexual; agora, isso não quer dizer que não se possa opinar que se trata de um problema e que existe, além disso, uma solução possível. É como se o debate sobre a diabete fosse sobre se os diabéticos são boas pessoas; ora, isto é levar a discussão para o campo dos sentimentos.

– No entanto, há o receio de discriminar.

– É claro que a discriminação é uma barbaridade, mas isso não quer dizer que haja o direito de adotar, por exemplo. Não se podem confundir as coisas, este é outro problema. O problema é que hoje se quer tachar de homofóbica qualquer pessoa que simplesmente não opine na linha do homossexualismo político.

Fonte: Katehon | Tradução: Senza Pagare | Adaptação: Equipe CNP

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Indulgência Plenária na Festa da Divina Misericórdia

Saiba por que a Igreja celebra, neste domingo, a festa da Divina Misericórdia e aprenda como lucrar a indulgência plenária nessa celebração.

A devoção à Divina Misericórdia, de acordo com as revelações de Nosso Senhor a Santa Faustina Kowalska, é um grande dom concedido à Igreja Católica no terceiro milênio. Essa expressão de piedade foi de tal modo reconhecida e aprovada pela Igreja que, em 2000, o Papa São João Paulo II — conterrâneo de Santa Faustina — instituiu para a Igreja universal a festa da Divina Misericórdia, a ser celebrada todos os anos, na Oitava da Páscoa.

Mas por que instituir essa festa justamente no segundo domingo do Tempo Pascal?

Além do pedido expresso de Jesus Misericordioso [1], uma das razões pode ser encontrada no fato de que, nesse dia, a liturgia católica relembra com particular intensidade dois grandes instrumentos da divina misericórdia para a salvação humana: os sacramentos do Batismo e da Penitência. Esses dois sacramentos são chamados também de "sacramentos de mortos", porque foram "instituídos principalmente para restituir a vida da graça às almas mortas pelo pecado" [2]: o Batismo, como a porta pela qual todos temos de passar; e a Confissão, como uma "segunda tábua de salvação" [3], pois é por ela que são restituídos à graça os que voltaram a cair depois de terem sido batizados.

De fato, este domingo da Oitava da Páscoa era chamado, desde os primeiros tempos da Igreja, de Dominica in albis. A expressão latina significa "em vestes brancas" e faz referência ao fato de que, durante essa celebração, os neófitos que foram batizados na Vigília Pascal pela primeira vez aparecem com suas vestes alvas, simbolizando a brancura da alma purificada do pecado. Também neste domingo, o Evangelho proclama a instituição do sacramento da Penitência, quando Nosso Senhor Ressuscitado se põe no meio dos discípulos e, soprando sobre eles, diz: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos." (Jo 20, 22-23)

Para fazer com que vivêssemos mais intensamente esta celebração, o Papa São João Paulo II estabeleceu, em 2002, através de um decreto com "vigor perpétuo", que este Domingo da Divina Misericórdia fosse enriquecido com a Indulgência Plenária, entre outras razões, para que os fiéis pudessem " alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo". Os termos da concessão são os seguintes:

Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da "Misericórdia Divina", em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti").

Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas.

Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência dos lugares e outras causas do género, afastaram da pátria; aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma actividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total detestação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a intenção de observar, logo que seja possível, as três habituais condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, Confio em Ti").

Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incómodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária.

Para aqueles que não sabem ou não se lembram mais, é sempre válido recordar o que são as indulgências:

Aproveitemos essa concessão da Igreja, por ocasião da festa da Divina Misericórdia, para fortalecermos o nosso amor a Cristo, vivendo a vida da graça, e mantermos "o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado", pois só assim poderemos receber de Deus as indulgências que Ele, misericordiosíssimo, sempre nos quer conceder.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Diário de Santa Faustina, n. 49: "Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia [...] no primeiro domingo depois da Páscoa".
  2. Catecismo de São Pio X, n. 539.
  3. "O primeiro remédio para os que atravessamos os mares é nos conservarmos num navio em bom estado; o segundo, se ele naufraga, apegarmo-nos a uma tábua. Do mes­mo modo, o primeiro remédio no mar desta vida é conservarmos a nossa integridade; o segundo, recuperarmos essa integridade pela penitência, se a perdemos pelo pecado." (Santo Tomás de Aquino, S. Th. III, q. 84, a. 6)

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Jacinta e Francisco, videntes de Fátima, santos em 13 de maio

Há exatamente 100 anos da primeira aparição de Maria em Fátima, Jacinta e Francisco Marto serão canonizados. Trata-se das primeiras crianças não-mártires elevadas pela Igreja à honra dos altares.

Jacinta e Francisco Marto, os dois pastorinhos que tiveram visões de Nossa Senhora, serão canonizados pelo Papa Francisco em Fátima, no dia 13 de maio.

A confirmação deu-se na manhã desta quinta-feira, 20 de abril, durante o Consistório Ordinário Público, presidido pelo Santo Padre no Vaticano. (Na mesma ocasião, Sua Santidade definiu para 15 de outubro próximo a canonização de André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e vinte e sete companheiros leigos, protomártires do Brasil.)

Jacinta e Francisco serão as primeiras crianças não-mártires a serem proclamadas santas. Na mesma data, há 17 anos, os dois irmãos eram beatificados por João Paulo II.

De apenas nove e dez anos, essas duas crianças, junto com a prima Lúcia dos Santos, tiveram visões de Nossa Senhora. A primeira vez em 13 de maio de 1917, seguindo-se em todos os dias 13 de cada mês, até chegar ao mês de outubro. Nos "encontros celestiais" Maria deixou mensagens sobre acontecimentos futuros e recomendações aos pequenos, entre estas, a de rezar o Rosário diariamente.

A fama de santidade dos dois pastorinhos logo após as suas mortes já havia se difundido por todo o mundo. Francisco morreu em 4 de abril de 1919, de febre espanhola. Jacinta, dez meses mais tarde, em 20 de fevereiro de 1920.

Jacinta, após muitos sofrimentos oferecidos pela conversão dos pecadores, morreu sozinha em um hospital de Lisboa, sendo sepultada em Vila Nova de Ourém, o município ao qual pertence o Santuário de Fátima.

De Francisco — chamado de "o consolador" pelo seu desejo de consolar com a oração Nossa Senhora — perdeu-se o local preciso de seu sepultamento. Somente anos mais tarde seus restos mortais foram reconhecidos pelo pai, por um detalhe muito particular, o terço que ele tinha nas mãos.

Em setembro de 1935, o corpo incorrupto de Jacinta foi traslado de Vila Nova de Ourém a Fátima. O corpo foi fotografado e o Bispo de Leiria-Fátima, José Alvez Correia da Silva, enviou uma cópia a Lúcia, que havia se tornado uma Irmã dorotéia. Na ocasião, o prelado pediu a Lúcia que escrevesse tudo o que sabia sobre a vida de Jacinta. Nascia assim a Primeira memória, que ficou pronta no Natal de 1935.

Sucessivamente o bispo pediu que Lúcia escrevesse também suas recordações a respeito de Francisco e os fatos ocorridos em Fátima.

Não fossem estes relatos deixados sobre a breve vida dos dois irmãos, talvez ninguém poderia ter pensado em abrir uma Causa de canonização, mesmo porque naquele tempo ainda não havia sido decretado o reconhecimento de "exercício das virtudes em grau heróico" também para os pequenos.

O pedido para investigar a santidade dos dois foi iniciado pela Diocese de Leiria somente em 1952 e concluída em 1989, com o decreto sobre a prática das virtudes, em consideração à idade das crianças.

O obstáculo era ainda uma uma questão de fundo debatida no decorrer do século XX, em relação à possibilidade ou não de levar em consideração duas crianças como candidatos à canonização. Questão que foi resolvida em 1981 por meio de um um documento emitido com este propósito pela Congregação da Causa dos Santos. O milagre atribuído à intercessão das duas crianças, e que levou à beatificação, foi reconhecido em 1999.

Já o que abriu o caminho para a canonização foi reconhecido em 23 de março passado, e diz respeito a uma criança brasileira, que na época tinha seis anos. Esta criança estava na casa do avô, brincando com a irmãzinha, quando caiu por acidente de uma janela de cerca sete metros de altura, sofrendo um grave traumatismo crânio-encefálico, com a perda de material cerebral. Levada ao hospital em coma, foi operada. Caso sobrevivesse, viveria em estado vegetativo ou, no máximo, com graves deficiências cognitivas. Milagrosamente, após três dias, a criança recebeu alta, não sendo constatado nenhum dano neurológico ou cognitivo. Em 2 de fevereiro de 2007, uma equipe médica deu parecer positivo unânime sobre o caso, como "cura inexplicável do ponto de vista científico". No momento do incidente, o pai da criança havia invocado Nossa Senhora de Fátima e os dois pequenos beatos. Na mesma noite, os familiares e uma comunidade de irmãs de clausura haviam rezado com insistência, pedindo a intercessão dos pastorinhos de Fátima.

Fonte: Rádio Vaticano | Adaptação: Equipe CNP

| Categorias: Educação, Sociedade

Todas as carreiras são boas, desde que...

Não existem ocupações impossíveis. Só uma consciência pura e o amor do trabalho podem tornar uma vida feliz, e muitas vezes é justamente isso que falta às pessoas.

Como se preparar para escolher uma profissão? O que se deve ler? Que línguas aprender? Esses são questionamentos comuns na juventude, que tendem a causar angústia ou até mesmo desespero no jovem, especialmente naquele que carece de exemplos sólidos e firme direcionamento.

Quantas dúvidas e inseguranças podem experimentar as almas jovens! São como pequenos navios que estão começando a enfrentar o mar. Por isso, é tão necessário que esses navios pequenos e frágeis, nas tempestades da primavera da vida, tenham uma mão vigorosa que aponte o leme na direção certa.

É nesse sentido que a editora Molokai nos brinda com o livro A Boa Educação, de Tihamer Toth (ou Dom Tihamer Toth, como o chamaríamos), bispo húngaro que empenhou sua vida na boa formação dos jovens. Essa obra é um verdadeiro guia para a juventude moderna que tem suas dificuldades pessoais agravadas pela crise educacional e moral que enfrentamos em nossa civilização. Essa crise acaba por produzir jovens desencorajados, desanimados em relação ao futuro, incapazes de tomar decisões definitivas, reféns da cultura do provisório. O bispo Toth vem ajudar o jovem a tomar consciência do seu chamado e da sua dignidade, a fazer bom uso da sua liberdade e a discernir a melhor forma de agir na circunstância dada.

A Boa Educação é o primeiro livro que a editora Molokai publicou para a coleção Tihamer Toth. Visite a página da editora e conheça outros excelentes títulos para a sua formação pessoal e para a educação dos seus filhos.

A seguir, tornamos disponível um capítulo dessa obra, intitulado "Todas as carreiras são boas". Trata-se de uma ótima reflexão para os jovens à procura de uma ocupação profissional.

Quero ainda dar-lhe um conselho: não pense exclusivamente em uma carreira. Isso o faria infeliz no caso de ter de abandoná-la. Em muitos casos, são as circunstâncias exteriores que decidem a carreira dos jovens. Por exemplo: quer ser engenheiro, mas seu pai tem um escritório de advogado bem conhecido: é mais prudente que siga a carreira dele. Deseja ser médico, mas seu pai tem uma farmácia que será seu legado: então é melhor que seja farmacêutico. Quer ser professor, mas seus pais têm uma bela propriedade em terras: os estudos agrícolas estão, pois, plenamente indicados.

No fundo, importa pouco que desenvolva a sua atividade em tal ou tal carreira, pois em toda parte pode, como é o seu dever, ter pensamentos elevados; e é o principal. Com quadros e flores, pode tornar-se bonito, ou ao menos suportável, o aposento mais triste; assim, também pode embelezar com pensamentos ideais uma carreira que foi obrigado a abraçar contra a vontade. Sabedoria profunda oculta-se nas palavras de São Francisco Xavier: "Quando a gente não pode fazer o que quer, deve contentar-se com querer só o que pode".

Pode ser que tentem dissuadi-lo de uma carreira: "Ah! Meu amigo, nunca seja isso nem aquilo: eu conheço o ofício! Escolha outra carreira, não importa qual, contanto que não seja essa!"

É a linguagem dos que falharam na vida. Toda carreira é boa, se está de acordo com você. Os que não estão satisfeitos com a profissão que livremente escolheram queixam-se porque conhecem bem as dificuldades e os desgostos dela, mas não souberam apreciar os prazeres; das outras carreiras, só veem as vantagens e delícias sem prestar atenção às dificuldades. A outra margem do rio parece-nos sempre mais bela do que a que pisamos.

Não nego que haja vidas realmente fracassadas; a maioria, porém, dos que dizem que poderiam ter sido muito mais felizes noutra profissão, são eles próprios a causa da sua infelicidade. Seriam igualmente inquietos, descontentes e inconstantes em outra ocupação. Só uma consciência pura e o amor do trabalho podem tornar uma vida feliz, e muitas vezes é justamente isso que falta. Esses melancólicos vencidos na vida, que gemem sob o peso dos deveres cumpridos sem gosto, poderiam aliviar muito o seu trabalho se vissem nele o cumprimento da vontade de Deus e do seu destino terrestre, um meio de merecer a vida eterna, e não apenas uma ganha-pão.

Seja qual for a carreira que escolher, pode sempre se preocupar com a salvação de sua alma e com o bem do próximo — é este, afinal de contas, o negócio decisivo! Toda carreira pode ser vista pelo seu lado ideal: é o que deve guiá-lo na escolha. Que venha a ser negociante, economista, médico ou funcionário público, afinal de contas pouco importa. Digo que é o mesmo porque, em qualquer carreira, pode-se cumprir a tarefa fixada pelo Eterno a toda vida humana: glorificar a Deus e trabalhar para o bem do próximo.

Toda carreira, portanto, é boa, se escolhida por vocação, e em toda parte podem assegurar-se os interesses imortais da própria alma: achará ótima prova na vida dos santos. Entre os santos da Igreja, não achamos só eclesiásticos, padres e religiosas, mas gente de todas as ocupações. Santo Estêvão era rei, São Hermenegildo, príncipe, São Roque, mendigo, São Cesário, médico, São Martinho, soldado, São Paulo, camponês, Santa Zita, criada, Santo Ivo, advogado, São Cassiano, professor primário, São João Câncio, professor de universidade, etc.

Aceito uma única exceção: nunca se torne padre se o coração não disser, e só as circunstâncias exteriores pareçam obrigá-lo. Mas não deixa tampouco que algum obstáculo o afaste deste caminho, se para ele sentir vocação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Sociedade

A beleza feminina salvará o mundo

A beleza feminina salvará o mundo, e muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte.

Por Carrie Gress — Há uma figura de linguagem muito conhecida de Dostoiévski que diz que "a beleza salvará o mundo". Esse famoso ditado russo é comumente utilizado para se referir à beleza encontrada nas artes materiais. Com isso, a música, a arquitetura e a estatuária são adequadamente medidas por suas habilidades salvíficas, particularmente em como elas conduzem uma alma de volta para Deus. Há, entretanto, uma peça do quebra-cabeça que ainda precisa ser revelada quando se considera o papel que tem a beleza na salvação do mundo: as mulheres.

O desejo de ser ou estar bela está profundamente enraizado na alma da mulher. A cada ano, nos Estados Unidos, as mulheres gastam cerca de $11 bilhões em cirurgias plásticas, $24 bilhões em tratamentos com a pele (estéticos), $18 bilhões em maquiagens, $38 bilhões em tratamento capilar, $15 bilhões em perfumaria e algo entre $20 e 45 bilhões em tratamentos para perda de peso. A mulher comum passa 17 anos de sua vida fazendo dietas. Ao mesmo tempo em que podemos zombar de tudo isso com o Eclesiastes e dizer: "Vaidade das vaidades!" (Ecle 1, 2), talvez haja algo mais profundo ligado a isso do que a simples vaidade. E se Deus colocou esse desejo em nossos corações por uma razão? Porque, de fato, até a menor das garotinhas dirá que deseja ser tão bonita quanto uma princesa. Isso não é apenas condicionamento cultural, mas algo universal que se encaixa perfeitamente no coração feminino.

Enquanto revisava meu livro, The Marian Option: God's Solution to a Civilization in Crisis ["A opção mariana: solução de Deus para uma civilização em crise"], a ser lançado em maio de 2017, em cada aparição de Maria que encontrei, a pessoa que afirmava ter visto Nossa Senhora sempre se referia a ela como a mulher mais bonita que ela já vira. Inicialmente, achei esse detalhe bastante mundano — é claro que Nossa Senhora é belíssima —, até que finalmente me toquei da maior importância escondida em sua beleza. Sim, a beleza de Maria é importante porque é a expressão exterior de sua perfeição integral, indicando a beleza para a qual foram criadas todas as mulheres. A Virgem Maria não foi a única mulher criada para ser bela.

Pode parecer banal esta ideia — que as mulheres são chamadas a ser como Maria —, mas o significado por trás dela é rico, amplo e relevante para a vida de cada mulher. Maria tem sido chamada pelos santos como a "ponte" ou a "escada" que liga o Céu e a Terra. E cada mulher é chamada a ser uma ponte entre sua família e o Céu. As mulheres são chamadas a incendiar a chama do divino nas almas dos homens e dos filhos que elas amam. São chamadas a revelar o melhor do amor de Deus e a oferecer, aos que estão à sua volta, os caminhos para encontrar esse amor. O Cristianismo está cheio de santas mulheres, tais como Santa Mônica, Santa Helena, Santa Cecília e inúmeras outras, que conduziram seus maridos, filhos e filhas a abraçarem a fé — até mesmo às últimas consequências do martírio.

Quem quer que folheie uma revista feminina hoje em dia ficará com a distinta impressão de que a beleza se destina exclusivamente ao superficial: fascinar os homens, impressionar os amigos ou esconder as marcas do tempo. A noção de que a beleza deve apontar para além da própria coisa, em direção à fonte de toda beleza — que é o Criador —, está muito, muito distante. Essa beleza vazia faz com que as mulheres se pareçam com "sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro cheios de ossos e de todo tipo de imundície" (Mt 23, 27). Podemos dedicar 17 anos de nossas vidas a dietas para o exterior, mas quanto tempo nós dedicamos ao interior, fortalecendo a alma? Será que estamos nos fazendo a pergunta: "Eu tenho uma alma bela?", ou até mesmo: "O que é uma alma bela?"

Para responder parcialmente a essa última questão, podemos nos voltar para o que os homens dizem a respeito das mulheres (quando não estão com medo de revelar o que eles realmente pensam). Temos milênios de poesia, música e literatura revelando o que há na alma feminina que move os homens: desde Salomão, passando por Dante e Petrarca, até as composições líricas atuais. Em muitas delas, não encontraremos nada que combine com as qualidades as quais nossa cultura ensina as mulheres a perseguir e valorizar. Trata-se, no entanto, do tipo de qualidades que podem salvar o mundo: paz, paciência, acolhimento, presença e perseverança no amor. E não são justamente essas as qualidades da bela e bondosa Beatriz, que inspirou e guiou Dante através de sua odisseia, A Divina Comédia?

Chegar à verdadeira beleza é uma daquelas qualidades irônicas que povoam os antigos contos de estórias — e ela surge quando menos se espera. A mulher verdadeiramente bela sabe que seu verdadeiro objetivo não é uma beleza superficial. E só os homens sábios reconhecem que essa mulher existe e vale a pena ser buscada. Infelizmente, tais mulheres não são fáceis de se encontrar. Como resultado, os homens são deixados com substitutas que podem até saciar brevemente o corpo, mas nunca satisfarão a alma.

Sim, a beleza feminina salvará o mundo muito mais rapidamente do que qualquer pintura ou sonata. A batalha está em lembrar, àquelas que foram criadas para serem belas, a abraçarem essa beleza em sua Fonte. Não se encontra ela, de fato, nem nas cirurgias plásticas, nem nas dietas, nem no creme facial; tampouco na sedução, no sarcasmo, no cinismo, no narcisismo, na ambição gananciosa ou no poder — como nossa cultura tenta nos fazer acreditar. Ela está simplesmente em nos doarmos amorosamente pelos outros — coisa que pode não ser sempre gloriosa, mas será sempre bela.

Fonte: National Catholic Register | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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O que os católicos devem fazer para ajudar os homossexuais?

É na Igreja dos santos, e não nas boates e festas mundanas, que os homossexuais podem viver a plena felicidade. E é dever dos católicos convencê-los disso!

O fenômeno da homossexualidade já não pode ser ignorado por nenhuma esfera da sociedade. O tema já se tornou praticamente onipresente, especialmente no mundo das artes e das comunicações, a ponto de as pessoas se sentirem quase que impelidas a aceitar a propaganda LGBT promovida pela mídia.

É verdade, a prática homossexual existe desde o pecado original. O que há de novo na contemporaneidade é a tentativa de se construir uma "cultura gay", em que a homossexualidade seja vista como uma fonte positiva de comportamento, ainda que sua prática "esteja ameaçando seriamente a vida e o bem-estar de um grande número de pessoas" [1].

São incontáveis, de fato, os testemunhos de rapazes e moças que se encontram escravos de suas próprias paixões porque adotaram ingenuamente esse estilo de vida em que o sexo se torna um deus. Joseph Sciambra é um caso notável. Em seu livro Swallowed by Satan ("Engolido por Satanás", sem tradução para o português), o ex-ator homossexual conta como a pornografia e a propaganda do movimento LGBT quase o mataram.

Aos 19 anos, Sciambra saiu à procura de experiências mais "ousadas" que aquelas que via nos filmes eróticos. Frequentando um bairro gay de São Francisco, nos Estados Unidos, o então rapaz engatou um relacionamento com um homem mais velho, que o conduziu para a indústria pornográfica. Depois de envolver-se com o ocultismo e gravações cada vez mais violentas, Sciambra desenvolveu sérios problemas de saúde e se viu às portas do inferno. Uma vez recuperado do trauma e reconciliado com a graça de Deus, o rapaz decidiu iniciar seu apostolado para ajudar outros homossexuais a lidarem de maneira sadia com a própria sexualidade, longe das promessas de felicidade da cultura LGBT. É chocante um vídeo divulgado em seu site, no qual ele elenca uma série de atores pornográficos que morreram por causa do HIV.

De maneira idêntica à narrada acima, outros tantos homossexuais estão aprisionados pela cultura gay, que os trata como objetos de prazer. E o exemplo mais triste dessa desordem é o famoso caso do "clube do carimbo", a prática de transmitir HIV propositalmente a outras pessoas — que se tornou moda nas casas noturnas dedicadas a esse público.

A resposta católica à homossexualidade

A dificuldade da maior parte dos católicos com relação a esse tema é não saber distinguir a pessoa com tendências homossexuais — esta deve ser acolhida e amada generosamente — e a "cultura gay" — uma ideologia que tem como motor as paixões e as frustrações de muitos homossexuais. Essa falta de conhecimento da moral da Igreja conduz a muitos desentendimentos. Por isso, não há nada mais urgente que uma resposta clara dos católicos à homossexualidade, a fim de que as pessoas que experimentam essa tendência não se sintam seduzidas por um estilo de vida autodestrutivo.

A grande diferença entre a perspectiva católica e a "cultura gay" é que esta última define a identidade humana a partir de seu apetite concupiscível, ao passo que aquela entende que a "pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual" [2]. A Igreja recusa-se "a considerar a pessoa meramente como um 'heterossexual' ou um 'homossexual'" porque sabe precisamente que a identidade fundamental de todo e qualquer homem é a de "ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna" [3]. É dessa autêntica antropologia, radicada no íntimo do coração humano, que se pode desenvolver um verdadeiro serviço às pessoas com atração pelo mesmo sexo.

As pessoas com tendências homosssexuais podem, certamente, contribuir de maneira positiva para a sociedade por meio de um testemunho louvável e coerente, chegando mesmo à santidade. Não faltam exemplos de homossexuais que demonstram, e.g., um carinho imenso por seus familiares, zelando e cuidando deles no tempo da velhice. A Igreja reconhece essas virtudes, sublinhando, porém, que elas não derivam de uma vivência desordenada da sexualidade, mas procedem justamente daquela "semente divina" que está depositada no coração dos homens e por meio da qual eles são chamados à comunhão com Deus [4].

De fato, a homossexualidade é um desafio e implica uma séria renúncia. Trata-se mesmo de uma cruz. Porque a "atividade homossexual não exprime uma união complementar, capaz de transmitir a vida", as pessoas que a ela se entregam "reforçam dentro delas mesmas uma inclinação sexual desordenada, caracterizada em si mesma pela auto-complacência" [5]. E isso as impede de atingir a maturidade ideal como também torna menos eficazes as suas virtudes humanas, que poderiam evoluir mais perfeitamente se não fossem deturpadas pela perniciosidade de um comportamento desordenado. Notem que a mesma crítica é válida para heterossexuais que não vivem a vocação ao matrimônio, preferindo a masturbação e as relações efêmeras.

Neste sentido é que a fé católica defende "uma particular solicitude pastoral" para com os homossexuais, a fim de que eles não sejam "levados a crer que a realização concreta de tal tendência nas relações homossexuais seja uma opção moralmente aceitável" [6]. Os homossexuais necessitam encontrar um ambiente discreto, seguro e amoroso, onde possam compartilhar seus dramas íntimos sem o risco de serem expostos à humilhação pública ou, pior, ao isolamento.

O papel da família

Infelizmente, algumas situações de preconceito injusto e má vontade existem no seio da família e em outros ambientes sociais, de sorte que muitos jovens com atração pelo mesmo sexo acabam procurando refúgio no mundo LGBT.

A Igreja mesmo deplora "firmemente que as pessoas homossexuais tenham sido e sejam ainda hoje objeto de expressões malévolas e de ações violentas", ao mesmo tempo em que defende "um programa pastoral autêntico", por meio do qual esses jovens, sobretudo, possam ser ajudados "em todos os níveis da sua vida espiritual, mediante os sacramentos e, particularmente, a frequente e sincera confissão sacramental, como também através da oração, do testemunho, do aconselhamento e da atenção individual" [7]. É desta forma que "a comunidade cristã na sua totalidade pode chegar a reconhecer sua vocação de assistir estes seus irmãos e irmãs, evitando-lhes tanto a desilusão como o isolamento" [8]. É evidente que os pais devem favorecer o diálogo com os filhos para que eles não caiam em falsas promessas ideológicas.

Os homossexuais, assim como qualquer pessoa, são chamados a crescer no amor a Deus e ao próximo, até que estejam totalmente configurados aos sentimentos de Cristo. E isso depende também da ajuda de boas amizades, que os motivem a adquirir mais e mais virtudes humanas e sobrenaturais, de modo que o seu agir já não seja em função da carne, mas da conquista de uma coroa incorruptível. É na Igreja dos santos, não nas boates e noitadas, que os homossexuais podem viver a plena felicidade. E é dever dos católicos convencê-los disso!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, 1 de out. 1986, n. 9.
  2. Ibidem, n. 16.
  3. Ibidem, n. 2.
  4. Concílio Vaticano II, Const. Past. Gaudium et Spes, 7 de dez. 1965, n. 3.
  5. Congregação para a Doutrina da Fé, op. cit., n. 7.
  6. Ibidem, n. 3.
  7. Ibidem, n. 15.
  8. Ibidem.

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Ato de Reparação ao Sagrado Coração de Jesus

Em 1928, o Papa Pio XI entregou uma oração urgente a toda a Igreja: o ato de reparação ao Sagrado Coração de Jesus. Aprenda a rezá-lo e conheça a teologia por trás dessa importante prática de piedade.

Neste ano de 2017, as duas mais importantes nações lusófonas do mundo experimentam o privilégio de um Jubileu Mariano: em Portugal, por um lado, celebra-se o primeiro centenário das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima; no Brasil, por outro, comemoram-se os 300 anos do encontro, nas águas do Rio Paraíba, da imagem milagrosa da Virgem de Aparecida.

Dentre as várias formas pelas quais o site do Padre Paulo Ricardo deseja ajudar seus alunos e visitantes a viverem bem esse tempo de graça, destaca-se a prática dos "primeiros sábados do mês", uma devoção ensinada por Nossa Senhora à Irmã Lúcia cuja finalidade é reparar os pecados cometidos contra o seu Imaculado Coração. Para entender mais exatamente em que consiste esse piedoso exercício, vale a pena conferir a "A Resposta Católica" que temos a este respeito.

Mas os cristãos, particularmente os de nossa época, podem ser levados a perguntar: o que significa, afinal de contas, esta palavra — "reparação"?

Tão ausente de nossas homilias, meditações e orações quanto as verdades do pecado e do inferno, as palavras "reparação", "satisfação" e "desagravo", todas elas sinônimas, foram relegadas por muitos teólogos como "peças de museu", pertencentes a uma doutrina arqueológica, da qual o homem moderno deveria desfazer-se de uma vez por todas, já que não serviria mais, dizem eles, às necessidades "práticas" do mundo atual.

A verdade, porém, é que "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre" (Hb 13, 8). Se os primeiros cristãos completavam na sua carne o que faltava à paixão de Cristo, conforme o testemunho da própria Escritura (cf. Cl 1, 24), quem somos nós para agir de outra forma ou ainda sugerir o contrário? Afirmar levianamente que o Evangelho poderia mudar com os tempos, ou que parte dele se tornou "ultrapassada", é indício, na verdade, de uma grande petulância, quando não de uma tremenda falta de fé. Ora, se Jesus de Nazaré é verdadeiramente Deus e homem — como sempre acreditou a Igreja —, se Ele é, de fato, "a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai", como diz o Catecismo (§ 65), como poderia a sua revelação ser considerada insuficiente, incompleta ou adaptável? Estariam por acaso "fora de moda" os ensinamentos do próprio Deus? Será que somos tão soberbos a ponto de pretendermos corrigir o que Ele mesmo e os seus Apóstolos não só pregaram como viveram?

Se ainda resta, portanto, um pouquinho de fé que seja na cabeça de nossos contemporâneos, para confirmar o dever que temos de reparar as ofensas cometidas por nós mesmos contra Deus, nada melhor do que recordar o ensinamento sólido do Magistério da Igreja sobre esse assunto.

A seguir, você encontra alguns trechos preciosos da encíclica Miserentissimus Redemptor [1], com a qual o Papa Pio XI deu à Igreja universal a belíssima oração do "Ato de Reparação ao Sagrado Coração de Jesus" (que também se encontra logo abaixo). Neste documento, o Santo Padre responde, com a Tradição e as Sagradas Escrituras, aos principais obstáculos que geralmente são colocados à prática da reparação, ajudando nossa inteligência a compreender a teologia por trás dessa sadia devoção popular.

Ora, ainda que a copiosa Redenção de Cristo abundantemente nos tenha "perdoado todos os nossos pecados" (cf. Col 2, 13), em virtude daquela admirável disposição da divina Sabedoria, pela qual se deve completar em nossa carne o que falta às tribulações de Cristo por seu Corpo, que é a Igreja (cf. Col 1, 24), aos louvores e satisfações que Cristo, em nome dos pecadores, ofereceu a Deus, não só podemos como, ainda mais, devemos acrescentar também os nossos próprios louvores e satisfações.

[...] Mas como podem estes atos expiatórios consolar a Cristo, que reina ditosamente nos céus? "Dá-me um coração que ame e entenderás o que digo", respondemos com estas palavras de Santo Agostinho, tão convenientes a este ponto.

Com efeito, quem ama verdadeiramente a Deus, se considera os fatos passados, vê e contempla a Cristo trabalhando em favor do homem, sofrendo, suportando as mais duras penas, quase desfeito sob o peso da tristeza, de angústias e opróbrios "por nós homens e para a nossa salvação", "esmagado por nossas iniquidades" ( Is 53, 5) e curando-nos com suas chagas. Ora, quanto mais profundamente penetram as almas piedosas estes mistérios, mais claro veem que os pecados e crimes dos homens, em qualquer tempo perpetrados, foram a causa de que o Filho de Deus se entregasse à morte; e ainda agora esta mesma morte, com suas mesmas dores e tristezas, de novo Lhe é infligida, já que cada pecado renova a seu modo a Paixão do Senhor: "Novamente crucificam o Filho de Deus e O expõe a vilipêndios" (Hb 6, 6). E se por causa também dos nossos pecados futuros, por Ele previstos, a alma de Cristo padeceu aquela tristeza de morte, não há dúvida de que algum consolo Cristo recebeu também de nossa futura, mas também prevista, reparação, quando "o anjo do céu Lhe apareceu" (Lc 22, 43) para consolar seu Coração oprimido de tristeza e angústias. Por isso, podemos e devemos consolar aquele Coração Sacratíssimo, incessantemente ofendido pelos pecados e pelas ingratidões dos homens, por este modo admirável, mas verdadeiro, pois, como se diz na Sagrada Liturgia, o mesmo Cristo, pelos lábios do salmista, se queixa a seus amigos de ter sido abandonado: "Impropério e miséria esperou meu coração: e busquei quem compartilhasse da minha tristeza e não houve ninguém; busquei quem me consolasse e não encontrei" (Sl 69, 21).

Acrescenta-se que a Paixão expiatória de Cristo se renova e, de certo modo, continua e se completa em seu Corpo Místico, que é a Igreja, já que, servindo-nos outra vez das palavras de Santo Agostinho ( In Ps., 86), "Cristo padeceu quanto devia padecer, e nada falta à medida de sua Paixão. A Paixão, pois, está completa, mas na Cabeça; faltava ainda a Paixão de Cristo no Corpo". Nosso Senhor mesmo se dignou declará-lo quando, ao aparecer a Saulo, "que respirava ameaças e morte contra o discípulos" (At 9, 1), lhe disse: "Eu sou Jesus, a quem persegues" (At 9, 5), significando claramente que nas perseguições contra a Igreja é a Cabeça divina da Igreja a quem se atinge e impugna. E isso com razão, porque Jesus Cristo, que ainda padece em seu Corpo Místico, deseja ter-nos por sócios na expiação, e isto no-lo exige nossa própria incorporação a Ele: pois sendo como somos "corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros" (1Cor 12, 27), é necessário que o que padece a Cabeça, padeçam-no com Ela os seus membros (cf. 1Cor 12, 26).

Quão necessárias sejam, especialmente em nossos tempos, a expiação e a reparação, é coisa clara a quem olhe e contemple este mundo que, como dissemos no início, "está sob poder do mal" ( 1Jo 5, 19). De todas as partes chega a Nós o clamor de povos que gemem, cujos príncipes ou governantes se congregaram e conspiraram juntos contra o Senhor e sua Igreja (cf. Sl 2,2). Por essas regiões vemos atropelados todos os direitos divinos e humanos; demolidos e destruídos os templos, os religiosos e as religiosas expulsos de suas casas, afligidos com ultrajes, tormentos, cárceres e fome; multidões de meninos e meninas arrancadas do seio da Madre Igreja e induzidos a renunciar e blasfemar contra Jesus Cristo e a cometer também os mais horrendos crimes da luxúria; todo o povo cristão duramente ameaçado e oprimido, colocado a todo instante em ocasião de, ou apostatar da fé, ou padecer uma terrível morte. Tudo isso é tão triste que nestes acontecimentos parece prenunciar-se "o princípio daquelas dores" que precederiam "o homem de pecado que se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é cultuado" (2Ts 2, 4).

E ainda é mais triste, veneráveis irmãos, que entre os próprios fiéis, lavados no Batismo com o sangue do Cordeiro Imaculado e enriquecidos com a graça, haja tantos homens de toda classe que, com inacreditável ignorância das coisas divinas e envenenados de falsas doutrinas, vivem longe da casa do Pai uma vida repleta de vícios; uma vida, pois, não iluminada pela luz da verdadeira fé, nem reconfortada pela esperança da felicidade futura, nem aquecida e fomentada pelo calor da caridade, de modo que eles parecem verdadeiramente jazer na escuridão e na sombra da morte. Ademais, aumenta cada vez mais entre os fiéis a negligência da disciplina eclesiástica e daquelas antigas instituições em que toda a vida cristã se funda e pela qual a sociedade doméstica é governada e se defende a santidade do matrimônio; totalmente menosprezada ou depravada com lisonjas de bajulação a educação das crianças, até mesmo negado à Igreja o poder de educar a juventude cristã; o esquecimento deplorável da modéstia cristã na vida e principalmente no vestido da mulher; a cobiça desenfreada das coisas perecíveis, o desejo desproporcional das honrarias mundanas; a difamação da autoridade legítima e, finalmente, o desprezo da palavra de Deus, de maneira que a fé é destruída ou é posta à beira da ruína.

Formam o cúmulo destes males tanto a preguiça e a negligência dos que, dormindo ou fugindo como os discípulos, vacilantes na fé, miseravelmente desamparam a Cristo oprimido de angústias e rodeado dos sequazes de Satanás, quanto a deslealdade dos que, à imitação do traidor Judas, ou temerária e sacrilegamente comungam, ou desertam para os acampamentos inimigos. Deste modo, inevitavelmente se nos apresenta ao espírito a ideia de que se aproximam os tempos preditos por Nosso Senhor: "E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos se esfriará" ( Mt 2, 24). [...]

Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

Amém.

Introdução por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. A tradução portuguesa apresentada neste post encontra-se disponível aqui. Limitam-nos a fazer apenas algumas pequenas correções de detalhe, a fim de que o texto em português se ajustasse melhor tanto ao teor quanto à forma do original latino.