| Categoria: Testemunhos

Um noivado preparado por Deus

Este casal de noivos vive um momento de grande graça em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.

O testemunho a seguir foi enviado no dia 14 de outubro de 2016 ao nosso suporte. Conta a história de um casal de noivos que atribui bondosamente ao nosso trabalho de evangelização o momento de profunda graça que vêm experimentando em suas vidas: a oportunidade de viverem um relacionamento casto, de acordo com os planos de Deus.


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Os nomes Marcela e Mateus são fictícios, mas os corações que se unem para narrar esse belo relato de conversão são reais e pulsam de verdadeira caridade. A todos os que passarem por aqui, rezem uma Ave-Maria por esse casal, a fim de que descubram sempre mais, no afeto que manifestam um pelo outro, a resposta de amor que todos devemos a Cristo, Noivo das almas.

Querido Padre Paulo Ricardo,

Meu nome é Marcela, tenho 31 anos, e tenho muito a agradecer a Deus por sua vida e seu ministério, padre. Vou lhe contar uma grande graça que estou vivendo, e o senhor entenderá melhor essa gratidão.

Um dos grandes desafios das mulheres que sonham com um santo namoro é acreditar que podem encontrar homens que aceitem viver a castidade e aguardar em Deus, principalmente na minha idade. Existe uma cultura que supervaloriza o sexo e faz dos namoros verdadeiros "casamentozinhos" disfarçados. Existe um mito de que as pessoas, principalmente os homens, são incapazes de passar muito tempo sem sexo e, também, de que no pacote de todo namoro estão as relações sexuais.

Parece-me que a maioria dos homens solteiros, ainda que católicos e até frequentadores da missa, ignoram a castidade; as mulheres, em geral, seguem na mesma linha. Eu também fiz parte desse rol por alguns anos, mas, há quase 10 anos, eu tive um encontro profundo com Cristo que mudou a minha vida e um dos frutos do Espírito Santo na minha alma foi eu ter passado a viver uma vida casta desde essa época.

Há pouco mais de quatro meses, eu conheci o grande amor da minha vida, chamado Mateus. Desde quando nos conhecemos, nos identificamos bastante, pois ele é católico como eu, além de ser um rapaz sério, inteligente, sensível; gostamos das mesmas coisas, temos os mesmos propósitos de vida, nos alegramos com coisas simples. Mateus tem 33 anos.

Um dos momentos mais belos que vivemos aconteceu no quarto dia em que nos encontramos. Corremos em um parque e depois nos sentamos em um banco para tomar água de côco e conversar. Foi quando ele comentou sobre as viagens que poderíamos fazer juntos. Ele já tinha falado algo parecido antes, mas, naquele momento, senti que eu deveria abrir o jogo sobre aquilo que sempre havia sido o problema mais sério dos meus namoros anteriores e que sempre me dava ansiedade ao iniciar relacionamentos: a castidade.

Embora no fundo eu já soubesse que ele era um rapaz diferente e algo me dissesse que isto não seria problema desta vez, pela primeira vez, ao lado dele, me entristeci. Comecei a pensar nas palavras, escolher a forma de falar, disse que eu tinha uma coisa para contar a ele. Sempre que queremos dizer algo que nos é difícil manifestar ou sabemos que será complicado para o outro ouvir e entender, soltamos o velho clichê introdutório: "Preciso te contar uma coisa…".

Chamei-o para nos sentarmos em outro banco, pois ali onde estávamos fazia muito barulho. Enquanto caminhávamos, estava ansiosa, sentia medo de estragar, tão cedo, aqueles momentos agradáveis de descobertas e identificação que estávamos vivendo. Quando nos sentamos novamente, não tive mais como voltar atrás e adiar a conversa.

Comecei expondo que, no meu tempo de faculdade, eu conheci um Grupo de Oração Universitário, da Renovação Carismática Católica. Minha vida interior passou por uma absoluta guinada naquela época. Desde minha infância e adolescência, eu tinha uma busca espiritual que me impulsionava e me angustiava. Apesar de eu ser de família católica, frequentar a missa aos domingos, com meus pais, durante toda minha infância e parte da minha adolescência (obrigada por eles nesta última fase), somente quando me tornei adulta, depois de conhecer e viver muitas coisas, que minha fé em Jesus Cristo se estabeleceu de forma inequívoca dentro de mim. Uma profunda alegria e confiança na religião católica me trouxeram a paz espiritual que eu sempre buscara.

Expliquei ao Mateus que, desde esse tempo, eu optara por não ter relações sexuais com os homens com os quais eu me envolvesse. Decidi que teria sexo apenas com uma pessoa: aquele que viesse a se tornar o meu marido. Achei importante ressaltar que não se trata de uma forma de pressão para o casamento ou qualquer outra coisa, mas de uma decisão que está completamente relacionada à minha fé. Disse, ainda, que essa opção de vida me custa, que não é fácil, e inclusive está se tornando cada vez mais difícil de manter.

Quando terminei de contar todas essas coisas, perguntei se ele aceitava a situação e ainda queria continuar comigo aquele processo de conhecimento um do outro em que estávamos. Ele então me abraçou e disse que aquilo que eu acabara de dizer era a coisa mais linda que ele já tinha ouvido… Ele estava emocionado, parecia diante de algo que não esperava, não conhecia, ficando comovido. Além disso, fez questão de me dizer que ele nunca havia vivido a castidade e me perguntou se estava tudo bem. Eu disse que não tinha problema algum, desde que ele concordasse em viver de forma diferente, a partir daquele momento…

Alguns dias depois, Mateus descreveu que eu estava extremamente constrangida ao contá-lo sobre a minha castidade; estava nervosa, envergonhada, tinha a voz embargada. Disse que sentiu vergonha dele mesmo e de todos homens, pois não é certo que uma mulher se sinta amargurada por se preservar e ter princípios... Comentou que está tudo invertido, que os homens é que deveriam se envergonhar.

No próximo encontro, depois deste dia, fomos à missa, numa paróquia onde é possível confessar-se em qualquer dia da semana, especialmente antes e durante as missas, e as pessoas formam filas para se reconciliar com Deus. Fomos os dois para a fila da confissão. Desde as primeiras conversas que tivemos, eu havia convidado o Mateus para ir à missa e ele dito que precisava confessar-se para ir comigo e poder comungar. Naquele mesmo dia, na porta da igreja, ele me pediu em namoro.

Nunca me esquecerei daqueles dias… Deus me mostrou de forma maravilhosa sua presença e ação na minha vida. Pedi perdão por todas as vezes que questionei e até duvidei se seria possível, para mim, viver o que Ele me pedia e a Igreja me orientava, pelos diversos motivos mundanos que eu elencava. O Senhor não só me deu a graça de ter a oportunidade de viver um namoro santo, como me deu ainda mais motivos para que eu me esforce nessa meta. Todas as conversas e aquele dia mágico que vivi com meu namorado tornaram-se novos estímulos para que eu resista e o ajude na intenção de vivermos a castidade.

Claro que não é fácil. Amamo-nos muito, confiamos um no outro, falamos desde o início em nos casar (ficamos noivos há duas semanas!). Não somos naturais da cidade onde habitamos; ele mora sozinho e eu também; gostamos muito de estar juntos… Tudo isso torna a luta mais intensa, mas a vitória de cada dia, também, tem sido ainda mais gratificante.

Embora meu noivo já fosse batizado, tivesse feito a primeira comunhão e tivesse grande apreço e vivência dos princípios cristãos antes de me conhecer, ele não frequentava a missa ou participava de qualquer movimento da Igreja. O principal contato que ele tinha com a religião católica, antes de me conhecer, era por meio de sua obra, querido Padre Paulo Ricardo. Ele é seu aluno virtual há um bom tempo. Faz cursos, assiste a vídeos, gosta muito das suas homilias.

Tenho pleno entendimento de que o Senhor preparou meu noivo por meio de você, padre. Tudo o que eu propus e que ele aceitou com tanta abertura; toda a sede de Deus dele, que se juntou à minha, para passarmos a viver juntos uma vida tão voltada para a Igreja; a real mudança de vida dele; tudo isso é fruto do Espírito Santo e iniciou-se com o acesso que ele teve à sua obra, padre.

Tenho profunda gratidão a Deus pela sua vida, Padre Paulo Ricardo. Ir à missa e assistir a seus vídeos e cursos é parte da nossa rotina de casal desde o início do nosso namoro. Entre outros, estamos sempre assistindo os relacionados à pureza, temática que ele me confessou sempre evitar em seus cursos anteriormente... Queremos nos manter firmes no propósito que não é só meu, é dele também, de vivermos a castidade.

Meu noivo e eu admiramos profundamente sua inteligência, seu caráter, sua sinceridade, sua dedicação e seus conhecimentos da doutrina da Igreja e dos santos, de filosofia, da Bíblia... Jesus continua falando a nós por meio das suas palavras. Rezamos por você, pedimos que o Senhor o proteja e lhe dê a graça de seguir cada dia para mais perto dEle, ajudando a nós e a tantos outros a trilhar o mesmo caminho.

Deixo aqui um grande abraço ao senhor! Que Nossa Senhora e Santa Teresinha o protejam e lhe deem muitas graças, todas as que o senhor ora pedindo ou seu coração pede secretamente.

Com admiração e carinho,
Marcela.

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Quando Padre Paulo Ricardo cruzou o meu caminho

Nem sempre o encontro com um sacerdote é a experiência mais agradável do mundo. Para Jules, no entanto, foi o encontro com a Verdade que liberta, ainda que a duras penas.

O testemunho que vai abaixo é de uma aluna do nosso site, que mora na Itália. Em poucas linhas ela conta, com muita franqueza e bom humor, como foi a "descarada interferência" do Padre Paulo Ricardo em seu processo de conversão à Igreja Católica.

Nem sempre o encontro com um sacerdote é a experiência mais agradável do mundo. Para Jules, no entanto, deparar-se com nosso site foi, providencialmente, o encontro com a Verdade que liberta, ainda que a duras penas.

Que o breve retrato de sua vida, cujos contornos lembrarão a muitos de vocês a figura de Santo Agostinho, converta a tantas outras pessoas que se acham no mesmo caminho.

Eu tenho muitas coisas a dizer sobre o Padre Paulo Ricardo e a sua descarada interferência no meu processo de conversão.

Descobri a Igreja Católica há aproximadamente quatro anos e a internet foi um veículo fundamental no meu confronto de hipóteses e desmascaramento do que eu achava que sabia que era o Catolicismo Romano. Era também o modo como eu me mantinha em contato com amigos e família. O início do meu percurso se deu em um momento em que eu estava muito isolada, pois havia acabado de mudar pra um país onde não tinha amigos, emprego ou domínio da língua. Não me sobrava muito além da internet, mas graças a Deus que nesse mundão véio sem nenhuma porteira que é a worldwideweb foi o Padre Paulo Ricardo quem cruzou o meu caminho. Poderia ter sido qualquer outro, o Alexandre Frota, por exemplo. Quão grande a misericórdia divina!

A primeira fase foi de pura curiosidade. Eu estava me apaixonando pela Itália e é impossível fugir da presença das artes sacras pelas ruas, das cruzes sempre sobre nossas cabeças, do rosto amoroso da Madonna no jardim de tantas casas, dos olhares dos santos em todos os becos.

Passada essa fase, veio um desertinho purificador básico, porque alguns filhos têm a cabeça um pouco mais dura e Deus precisa deixá-los rangendo os dentes na areia, ouvindo Bon Jovi por um pouco mais de tempo. Ele sabe o que faz. E, quando não aguentava mais ouvir Bon Jovi, passei para a terceira fase em que eu já estava bem apaixonada por Cristo, procurando catequese, começando a rezar o terço. Na verdade, eu estava apenas me reerguendo de um dos períodos mais difíceis, deprimentes e solitários da minha vida e achava que tinha o direito de me divertir um pouquinho.

Todos nós sabemos que o Espírito Santo não é nenhum pastor pentecostal que sopra na tua testa, te derruba em êxtase sobrenatural no chão, te faz aceitar Jesus, e, no minuto seguinte, a vida está completamente transformada. Oh, que delícia seria se fosse tão simples! Todos os nossos desejos, defeitos, pecados e vícios de décadas desapareceriam instantaneamente com a expressão vocal do "sim" a Jesus! Eu não demorei muito para aprender que a conversão é um processo que leva a vida toda e que, no começo, naturalmente, a mudança é gradual.

Eu tive uma experiência real com Deus mas ainda estava muito perdida dentro da Igreja. Eu não conhecia a liturgia, a história, a filosofia, os sacramentos, nada. Eu via os vídeos do Resposta Católica sempre que possível, em todo o tempo livre que eu tinha. Lavando a louça, no ônibus, antes de dormir, antes de sair. Frequentemente antes de sair. Depois de tanto tempo de isolamento, uma vez que a vida voltou a uma certa normalidade, o meu primeiro impulso foi o de fazer o que já sabia, o que já conhecia: eu tinha me convertido, mas queria levar a mesma vida de antes. Não sabia de nada ainda.

Foi então que um fenômeno interessante começou a ocorrer. Eu me lembro nitidamente da primeira vez que tal "coincidência" aconteceu. Eu estava me preparando pra ir a uma festa de aniversário, onde eu sabia que teria a oportunidade de me aproximar de um homem que me interessava. Eu havia feito o download de vários áudios e vídeos do site do Padre Paulo Ricardo, e nesse dia coloquei pra escutar em modo aleatório. Eu estava bastante satisfeita comigo mesma e meu empenho em ser tão santinha, até que comecei a ouvir algo sobre aquela coisa ultrapassada e cafona, a castidade. Como não me interessava, mudei de áudio. Passados alguns minutos, o modo aleatório colocou naquele de novo. Desliguei.

Não vou me estender na descrição da sucessão de derrotas que obtive em minhas tentativas de me comportar como solteira que estava deliberadamente desobedecendo às ordens divinas. "Faz-me casta, mas não hoje" era a preferida das minhas frases, o que já mostrava que eu, mesmo agarrada às minhas falsas convicções resultantes de uma vida de lavagem cerebral cultural, sabia reconhecer que estava vivendo em modo desordenado. Como eu tendo a hiperbolizar tudo, imaginava que o Céu inteiro estava ocupado em me manter distante dos galantes conquistadores italianos. Meu anjo da guarda teve que fazer tanta hora extra pra me livrar de encrencas várias que eu não achei que ele tivesse tanta energia para o que eu considerava um pecadinho tão bobo. Mas ele tinha, e como: Deus já tinha dado um basta naquela vida, eu que ainda não sabia.

Como já disse, eu sou bem teimosa e a castidade era um assunto que eu considerava irrelevante. Tanto na minha vida já havia mudado... Em menos de um ano eu já tinha sido virada e revirada do avesso diversas vezes, e ainda mais isso? Assim, tão rápido? Ah, que carolice! Quem é que é casto nos dias de hoje, meu Deus do céu? Vou ficar aqui fazendo a puritana com mais de 30 anos nas costas? Ah, me poupe, Catecismo.

E assim, Deus permitiu que eu rascunhasse uma tragicômica busca em encontrar o amor pelos meus próprios meios, e, enquanto isso, o assunto carola continuou a me perseguir, sem que eu lhe desse atenção. Todas as vezes que eu sequer abria o site do Padre Paulo Ricardo era esse o assunto do dia. Eu ignorava e ia pra outro site. Eu esquecia, e voltava, e lá estava esse padre inconveniente querendo ficar falando disso de novo. E de novo, e de novo, e de novo. Não sei nem dizer quantas vezes isso aconteceu. Até que um dia percebi que isso não era uma coincidência e fui obrigada a confrontar o assunto com a sinceridade devida.

Não demorou muito e um senhor meio sem paciência se juntou ao coro do Padre Paulo Ricardo. Por puro turismo eu fui ver o corpo incorrupto de São Padre Pio e, já que estava ali, fiz umas orações. Para depois ir à praia, que era o que realmente me interessava naquele verão de 2013, no sul da Itália.

Alguns dias depois dessa viagem eu fui obrigada a me ajoelhar no meu quarto e chorar de tristeza. Briguei com Deus, com os anjos e com todos os santos (na minha cabeça o drama sempre envolve o Céu inteiro, e a trilha sonora é sempre Bon Jovi). Eu não tinha absolutamente nenhuma vontade de fazer a Sua vontade, um último ímpeto rebelde de resistência à entrega total a um Cristo exigente que nos quer por completo. Foi a primeira vez que eu entendi o quanto eu precisava da graça, que não sou eu que venço a carne, que venço o mundo. Eu estava aterrorizada diante da possibilidade de perder tudo aquilo que o mundo sempre me prometeu (e nunca me deu). Eu tinha medo de desperdiçar o restinho da minha juventude, medo de descobrir que minha vocação era ser freira, medo de abdicar de experiências que eu achava que eram essenciais para a compreensão da realidade. E medo maior ainda era da possibilidade de que o único tipo de homem nesse planeta que apreciaria uma mulher casta seria o moralista hipócrita onanista sem nenhuma compreensão da vida, mas com muita compreensão de discussões na internet. Eu detestava a ideia. Aceitei o meu dever com o coração pesado e aflito. Mas aceitei.

Dois meses depois eu conheci o meu marido (que nunca discute na internet).

Não se deve inferir que a castidade deve ser seguida pra que haja uma recompensa. Eu não esperava um matrimônio como resposta. Por muito tempo eu nem soube que meu marido seria meu marido. Eu chorava e fazia novenas, questionava se eu era vocacionada para o casamento, e ele já estava ali, do meu lado. Eu levo algum tempo pra perceber as coisas, acho que deu pra notar. Por alguns meses eu tive dificuldades, e ainda tenho, com a castidade. Somente a graça divina nos permite superar esses obstáculos, e foi também com o Padre Paulo Ricardo que eu aprendi a suplicar por ela. Mas em nenhum momento eu me arrependi da minha escolha. Foi através dela que eu me converti de verdade. Foi ali que eu entendi que não queria mais aquela minha velha vida, que queria amar a Cruz. Foi ali que eu soube que eu queria mesmo entrar no reino dos Céus, que queria glorificar a Deus com todas as coisas, inclusive com o meu corpo. Foi ali que a minha inteligência se abriu para a busca da Verdade, foi ali que eu comecei a aprender o que é amar. E até aquele chato insistente do Padre Paulo Ricardo eu amo um pouco mais por causa disso.

Testemunho enviado ao nosso site no dia 23 de setembro de 2015.

| Categoria: Santos & Mártires

De onde vêm as críticas a Madre Teresa de Calcutá?

De onde vêm as críticas à figura de Madre Teresa de Calcutá, canonizada há poucos dias no Vaticano? Por que uma freira que passou a vida inteira servindo aos mais pobres incomoda algumas pessoas?

Sim, talvez você não soubesse, mas há quem não goste de Madre Teresa de Calcutá, a freira que estava sempre sorridente, sempre servindo aos outros e sempre falando de Deus. Embora tenha falecido há quase 20 anos, a sua figura ainda é uma "pedra no sapato" de muitas pessoas.

Por ocasião de sua canonização, realizada neste domingo pelo Papa Francisco, alguns jornais ao redor do mundo fizeram questão de ressuscitar algumas antigas polêmicas, em uma tentativa patética de desacreditar seja a santidade de Teresa, seja a idoneidade da Igreja, acusada de propor ao culto de seus fiéis personagens controversas ou moralmente duvidosas.

Mas de onde vem, afinal, o burburinho de revolta contra a religiosa de Calcutá?

Ainda que as vozes dissonantes se tenham espalhado por toda a mídia ultimamente, o crítico mais famoso de Madre Teresa já morreu. Seu nome era Christopher Hitchens e ele se encontrava, não por acaso, nas fileiras do chamado "novo ateísmo". Em 1994, três anos antes da morte da religiosa albanesa, esse jornalista produziu um documentário atribuindo-lhe o infamante título de "Anjo do Inferno" (engraçado até, para quem não acredita nem em anjos, nem em inferno).

Quando ela foi beatificada pelo Papa São João Paulo II, ainda em 2003, Hitchens voltou a soltar seus cachorros: "Nós acabamos de presenciar a elevação e consagração do dogmatismo extremista, da fé cega e o culto de uma personalidade humana medíocre", ele dizia. "Ela era uma fanática, uma fundamentalista, e uma fraude, e uma igreja que oficialmente proteja aqueles que violam os inocentes (sic) acaba de nos dar outro claro sinal de onde ela realmente se situa em questões morais e éticas".

As palavras de Hitchens são pesadas, é verdade, mas seria possível, afinal, esperarmos algo diferente de alguém que não acreditava nem em Deus, nem em santidade, nem no conceito cristão de "caridade"? Como esperar que um ateu, descrente na vida eterna, compreendesse uma mulher que se gastou completamente por isso? Como esperar que um materialista, para o qual nada havia além deste mundo, compreendesse o discurso e a obra de uma pessoa que testemunhava diariamente o Céu?

Alguém poderá dizer que essas questões não contemplam a totalidade da crítica de Hitchens. Mas, para o teólogo e escritor americano Thomas D. Williams, que consultou toda a literatura "dedicada a manchar o legado de Madre Teresa":

"Todos os argumentos contra ela, na verdade, podem ser resumidos em duas coisas que, para a esquerda, são absolutamente imperdoáveis: sua firme e intransigente oposição ao aborto e sua espiritualidade abertamente cristã que a fazia entregar-se por seus irmãos. Todas as outras razões apresentadas — que ela prestava uma assistência médica precária, que ocasionalmente se irritava com suas ajudantes, que aceitava doações de personagens moralmente ambíguas — não passam de uma máscara para cobrir essas razões que levam a esquerda ao ponto da histeria."

Trocando em miúdos, a razão por que muitos não gostavam — e ainda não gostam de Madre Teresa — é o fato de ela ser profundamente católica.

Santa Teresa de Calcutá não tinha medo de dizer, por exemplo, que "o maior inimigo da paz hoje é o aborto, porque ele é uma guerra direta, um assassínio direto feito pela própria mãe". A religiosa disse-o uma vez, quando foi premiada com o Nobel da Paz, em 1979, e voltou a falar do assunto em 1994, nos Estados Unidos: "Se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como vamos dizer às outras pessoas para que não se matem?", ela perguntava, com destemor, a uma plateia que incluía o casal Bill e Hillary Clinton. "Com o aborto, a mãe não ensina a amar, mas mata inclusive o próprio filho para resolver seus problemas. Qualquer país que aceite o aborto está ensinando seu povo não a amar, mas a usar de qualquer violência para chegar aonde quer."

As palavras incisivas dessa humilde freira sobre o aborto, é preciso dizer, não têm nada de religiosas. Madre Teresa não invoca nenhuma revelação divina ou dogma católico para condenar o aborto e a sua legalização. Para se opor a essa prática, basta o bom senso. Mas, quando boa parte da sociedade está cega e incapaz de compreender os elementos mais básicos da lei natural, denúncias como essa inevitavelmente fazem inimigos. O próprio Hitchens não conseguia disfarçar o seu horror a esse discurso.

Outra coisa que o inquietava a respeito de Madre Teresa era o modo como ela tratava os pobres. Hitchens afirma que ela "não era uma amiga dos pobres, mas da pobreza", porque "dizia que sofrer era um presente de Deus e passou a vida toda se opondo à única cura conhecida para a pobreza (sic), que é o empoderamento das mulheres e a sua emancipação de uma vida inteira de reprodução compulsória".

Nesse ponto, porém, as acusações provêm de outra confusão elementar: congregações religiosas e instituições cristãs de caridade não são ONGs ou entidades meramente seculares; não são o Ministério da Saúde, para sair às ruas distribuindo contraceptivos, muito menos alguma sucursal do Partido Comunista ou da Teologia da Prosperidade, para ficar prometendo riquezas e felicidade neste mundo. As Missionárias da Caridade são católicas e, como tal, são regidas pela lei suprema da Igreja, que é a salvação das almas. Por isso, as irmãs de Madre Teresa não só cuidam de aliviar o sofrimento dos pobres, mas também de ministrar-lhes os sacramentos e ensinar-lhes a se unirem a Cristo crucificado; não só empenham seus esforços em trabalhar, mas principal e soberanamente em rezar; não operam somente tendo em vista o pão terreno, mas buscando em primeiro lugar o Pão do Céu.

Aqui reside, enfim, a razão central de todas as críticas a Madre Teresa de Calcutá. O que incomodava particularmente em sua vida era justamente o seu olhar dirigido ao Céu, quando todos hoje em dia insistem em manter os olhos fixos nas ninharias deste mundo. "Ela aberta e destemidamente invocava o amor de Jesus Cristo como a razão por trás de tudo o que fazia, uma prática repugnante para um mundo completamente desprovido de qualquer piedade religiosa", observa Thomas Williams, em artigo publicado no site Breitbart.

Emblemática nesse sentido é a história do jornalista americano que, desconcertado ao ver Teresa lavando um homem coberto de chagas, disse a ela: "Eu não faria isto nem por um milhão de dólares", ao que ela lhe respondeu: "Nem eu".

Era, afinal, tão somente por amor de Deus que Santa Teresa de Calcutá fazia tudo o que fazia. Se já é difícil que muitos de nós, católicos, hipnotizados que estamos pelos amores das criaturas, compreendamos e aceitemos isso, quanto mais não deve ser difícil, então, para aqueles que andam a esmo e não acreditam em Deus! Como sempre há esperança, porém, para eles e também para nós é que Teresa está no Céu. Que, pela sua intercessão, os que não crêem passem a ter fé, porque "quem não crer será condenado" (Mc 16, 16), e os que já crêem, enfim, passem a amar, uma vez que "a fé sem obras é morta" (Tg 2, 26).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Testemunhos

Conheça os atletas que foram “sinal de contradição” nas Olimpíadas do Rio

Para além de suas medalhas e conquistas pessoais, esses homens e mulheres falaram de Deus de maneira simples e descomplicada, para os quatro cantos do mundo.

Por Wanda Skowronska | Antes mesmo que as Olimpíadas de 2016 tivessem início, o cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, abençoou a tocha olímpica aos pés da estátua do Cristo Redentor. Já naquele momento, imagens de Jesus com os braços estendidos imediatamente "abraçaram" incontáveis famílias no mundo inteiro.

Nada disso tinha sido previsto nem agendado pelo Comitê Olímpico Internacional, mas mesmo assim aconteceu. Em meio ao frenesi olímpico, com todos os holofotes voltados a corpos atléticos, símbolos neopagãos e gastos suntuosos, esse foi apenas um dos muitos sinais de contradição que ainda muitos outros ostentariam no decorrer dos Jogos Olímpicos: lembranças do Salvador, da verdadeira luz que ilumina o mundo, muito mais gloriosa que qualquer fogo terreno.

Quando a seleção de rugby de Fiji, por exemplo, celebrou a conquista da medalha de ouro, as câmeras captaram e nós assistimos aos jogadores cantando um belo hino de ação de graças. Qualquer um poderia prever essa cena se acompanhasse a página do time na internet, onde é possível ler o testemunho do agora medalhista Leone Nakarawa: "Nós sabemos que estamos aqui não por nossos esforços, mas graças a Deus, e é tudo plano de Deus que estejamos aqui". Os atletas fijianos são assumidamente cristãos e revelam ser Deus a motivação última de eles jogarem.

Depois de esperarem ansiosamente a corrida de Usain Bolt nos 100 metros rasos, independentemente de serem ateus, muçulmanos ou hinduístas, todos tiveram de assistir ao corredor fazendo o sinal da cruz antes de assumir a sua posição na largada. O jamaicano entrou para a história dos Jogos Olímpicos como o primeiro atleta a ganhar por três vezes consecutivas o título de "homem mais rápido do mundo", com uma velocidade de 9,81 segundos.

Mas Bolt não só faz o sinal da cruz, como sempre leva no pescoço a catolicíssima Medalha Milagrosa, fazendo uma oração no silêncio antes de qualquer prova em que venha a competir. Novamente às claras, sem medo, o atleta revela com orgulho o seu nome do meio: Usain St. Leo Bolt, uma singela homenagem ao papa e santo católico Leão Magno. Sua postura faz lembrar a da corredora etíope Meseret Defar, que, depois de vencer os 5.000 metros nos Jogos de Londres, trouxe nas mãos uma imagem da Virgem do Perpétuo Socorro, exibindo-a ao mundo inteiro. A etíope tinha carregado aquele ícone mariano por toda a corrida.

Talvez a mais dramática das histórias de superação deste ano seja a de Simone Biles, a garota de 19 anos que fez a sua primeira aparição nas Olimpíadas do Rio. Nascida em Ohio, de pais com problemas de dependência química, Simone viu o pai abandonar a família quando ela era ainda pequena e, com os seus irmãos, a menina alternava entre a casa materna e um lar adotivo. O grande ponto de virada em sua vida veio não com a conquista recente de 5 medalhas olímpicas, as quais ela obteve com uma performance impecável na ginástica. Muito antes disso, foram seus avós católicos, Nellie e Ron Biles, que deram à jovem a chance de desenvolver seu talento e dominar a ginástica olímpica. Eles transmitiram a fé católica a Simone e a sua irmã, praticando com elas o homeschooling.

Para se ter uma ideia da influência que tem a religião em sua vida, a ginasta revela que viaja com uma imagem de São Sebastião, o santo padroeiro dos esportistas, além de carregar sempre consigo um Rosário que ganhou de sua mãe biológica. Simone também recita uma Ave-Maria antes de suas apresentações e não tem vergonha de dizer publicamente que tem fé, ainda que muitos na mídia secular tentem abafar o seu testemunho.

Ouvi pela primeira vez o nome de Katie Ledecky durante essas Olimpíadas e, como o resto do mundo, impressionei-me com a nadadora que parecia entrar na água como uma flecha, mantendo uma larga distância à frente de suas adversárias. Passei a me perguntar, então, de onde vinha a sua aparente simplicidade e equilíbrio, especialmente quando subia ao pódio. Foi quando descobri uma entrevista recente da nadadora ao site Catholic Standard, na qual ela revela algo muito bonito de sua vida interior: "Minha fé católica é muito importante para mim. Sempre foi e sempre será. É parte de quem eu sou e me traz um grande conforto. É algo que me ajuda a pôr as coisas em perspectiva."

Na mesma entrevista, a nadadora presta tributo à "educação excelente e cheia de fé que recebeu" nas escolas católicas que frequentou, além de confessar que também reza uma Ave-Maria antes de entrar na piscina. No Rio, ela ganhou 4 medalhas de ouro e 1 de prata.

Ledecky sempre admirou o fenômeno Michael Phelps, cujas atuações lhe renderam, em vários estilos da natação, a impressionante cifra de 23 medalhas de ouro em 5 Jogos Olímpicos. A revista Time anunciou que "o domínio de Michael Phelps tem sido a história reinante das Olimpíadas de 2016 no Rio".

Só que existe ainda uma outra história por trás desta.

O atleta norte-americano, assim como muitos outros esportistas, já teve uma amarga experiência com as drogas e terminou preso em 2014. Deprimido, vendo sua carreira chegar ao fim e sua vida arruinada, Phelps chegou a considerar a possibilidade do suicídio. Aqui entra a força escondida do alto: para recomeçar, o nadador contou com a ajuda de Ray Lewis, o lendário jogador de futebol americano, que também é cristão devoto. Graças à intervenção do amigo e à reabilitação, Phelps assumiu a sua fé em Deus e as rédeas de sua família.

Este ano, no Rio de Janeiro, ele encerrou a sua participação em Olimpíadas com grande estilo, consolidando o posto de maior medalhista da história.

Considerando que os Jogos Olímpicos no Rio não foram apenas sobre "ganhar medalhas", mas também "dar o melhor de si", é interessante que algumas estrelas queiram ainda, não obstante suas conquistas no esporte, oferecer publicamente um testemunho espiritual. Alguém até poderia esperar isso de um país católico, como a Polônia, onde recentemente, antes de um jogo de futebol, os torcedores estenderam um pôster em defesa do cristianismo e contra o Islã. Ver todavia símbolos de fé sendo usados nos Jogos Olímpicos, um festival de acentos tradicionalmente pagãos, é um forte sinal de contradição, especialmente para a mídia secular, obrigada a filmar essas manifestações, ainda que a contragosto.

As orações e os sinais cristãos desses atletas constituem um autêntico testemunho em defesa do cristianismo. Acima de qualquer conquista meramente humana, esses homens e mulheres falaram de Deus de maneira simples e descomplicada, para os quatro cantos do mundo.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Testemunhos

A freira que não recuou diante da guerra

A irmã Maria de Guadalupe Rodrigo está em missão na Síria desde que a guerra começou. E não tem nenhuma pretensão de sair de lá.

A crise na Síria é uma das mais graves das últimas duas décadas, com milhões de pessoas desabrigadas e mais de 210 mil mortos.

"Eu não sabia o que era a guerra", revela à agência Zenit a freira Maria de Guadalupe Rodrigo. "Não é possível imaginar o seu alcance até que a vivamos na pele. É o flagelo mais horroroso que pode sofrer um povo."

Vivendo desde 2011 na cidade de Alepo, a mais atingida pelo conflito, essa missionária argentina entrou para a vida religiosa com apenas 18 anos, em uma congregação relativamente nova, o "Instituto do Verbo Encarnado". Ao fazer sua profissão, essa servidora "do Senhor e da Virgem de Matará" (SSVM) — o ramo feminino da comunidade — abandonou o nome de batismo, Jimena, para chamar-se María de Guadalupe. A troca, no entanto, não lhe tirou o sobrenome Rodrigo, herdado de seu avô espanhol.

Tendo partido em missão com 23 anos de idade, Maria de Guadalupe já se instalou em muitos países do Oriente Médio e do norte da África, como Palestina, Egito, Jordânia e Tunísia. Ainda que as condições variem muito de um lugar para o outro, a freira garante que "o cristão sofre perseguição e discriminação em todos esses países".

Antes de que explodisse a chamada "Primavera Árabe" e começasse o conflito armado na Síria, porém, ela conta que "a tranquilidade e a paz que se vivia" ali "eram totalmente atípicas para o resto dos países" que ela havia conhecido:

"Se havia algo que não se esperava na Síria era que se conflagrasse uma guerra, tal era o ambiente de tranquilidade e convivência pacífica que se vivia entre cristãos e muçulmanos. Mas, uma vez que esses grupos extremistas irromperam no país, era de esperar-se a entrada do Estado Islâmico.

[...]

A morte violenta dos entes queridos; o risco cotidiano de morte; o exílio de perder casa, trabalho e futuro; o medo, a fome, o frio e a sede, e tudo somado a uma longa agonia de anos, fazem da guerra o flagelo mais horroroso que um povo possa sofrer."

A olhos humanos, está claro que não existe previsão de melhora. "Ainda que por vezes a Síria deixe de aparecer nas manchetes, a situação é essencialmente a mesma", relata a irmã. "Continuam os enfrentamentos, morrem cristãos todos os dias e o Estado Islâmico está muito longe de ser derrotado."

Aos cristãos desarmados e desamparados, o que resta é viver cada dia como se fosse o último.

E eles vivem! Intensamente.

Perguntada sobre como os sírios que crêem em Cristo vivem a sua fé, a religiosa louva neles "a sabedoria que têm para compreender e aceitar a dor":

"Não culpam a Deus, muito pelo contrário. Ao perder tudo, agarram-se ainda mais a Ele. Um senhor me dizia: 'Nós necessitávamos desta grande prova. Nosso cristianismo estava demasiado distraído com as coisas do mundo'. A fé faz com que eles descubram que Deus sabe tirar bens dos males. É isso o que leva uma jovem que por causa da guerra se aproximou de Deus e da vida paroquial a dizer: 'Vocês não vão acreditar, mas estes anos têm sido os mais felizes da minha vida!'.

[...]

Pode parecer um disparate... mas, compartilhando a vida com esse povo que está sofrendo atrozmente, o que mais me marcou foi a sua alegria. A gente vê eles sorrirem mais do que antes! E festejar porque chegou a eletricidade (durante uma ou duas horas diárias) ou porque conseguiram tomar banho (a água chega a cada oito dias), agradecendo cada pequeno dom de Deus.

Assim vivem eles, e isso contagia. O contato tão próximo com a morte faz com que a vida tome outro sentido, e que se viva plenamente. Não há tempo para perder, este pode ser meu último dia, como quero vivê-lo? Não é a alegria superficial e vã, mas aquela quase infinita de quem já tem os olhos postos no Céu."

A freira argentina já deu seu precioso testemunho em muitos lugares. Uma vez, na Espanha, em evento promovido pela instituição "Ajuda à Igreja que sofre", a sua fala foi gravada e tornada disponível na íntegra via Internet. Trata-se de uma oportunidade única de conhecer o dia a dia da Igreja dos mártires que sofre e derrama o seu sangue por Jesus ainda nos dias de hoje:

Nessa verdadeira via crucis que enfrentam, os cristãos de Alepo contam com a presença e a determinação dessa freira, que assegura a sua permanência no país, mesmo com toda a situação adversa por que passa:

"É justamente isso o que me anima a seguir! Pode haver melhor ocasião para viver em plenitude nossa vocação de serviço e de entrega?

[...]

Recordo que admirava as missionárias de nosso Instituto que se ofereciam para ir a lugares em guerra. 'Que coragem! — pensava — Eu não seria capaz...'. E acontece que me encontro vivendo em meio à guerra há quatro anos sem sequer haver cogitado de ir embora. Creio que é a graça de Deus, e que nos vem dada também como mérito por tantos que nos sustentam com suas orações."

Ainda em entrevista a Zenit, a irmã Maria de Guadalupe pede, para a resolução do conflito na Síria, a ação efetiva do Ocidente e, sobretudo, as orações da Igreja em todo o mundo. "As dimensões desta guerra fazem pensar que só um milagre poderia detê-la, mas se há algo que aprendemos vivendo na Síria é que os milagres são mais recorrentes do que se pensa", confirma a religiosa. "Não deixemos de rezar pela paz! Roguemos incansavelmente a Deus, nosso Senhor, o único que pode dobrar e converter os corações."

Com informações de AIS/Zenit | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Testemunhos

Ex-protestante: “Comungar foi o momento mais feliz de toda a minha vida”

Ele resolveu se tornar católico depois de descobrir a presença real de Jesus na Eucaristia. “A Igreja Católica trouxe minha alma a Cristo e eu não tenho palavras para agradecer por isso."

Por Jeremiah Neely | Tradução: Equipe CNP — Para os que me conhecem não é nenhuma surpresa o fato de eu ter nascido no "dia da mentira". Meus pais rezaram desesperadamente para que Deus permitisse o meu nascimento em literalmente qualquer outro dia, mas Deus tem o Seu senso de humor. O Seu humor — ou, melhor dizendo, a capacidade que Ele tem de mudar os meus planos — se tornaria um tema recorrente em minha vida.

Por exemplo, eu cresci tocando guitarra rítmica em bandas de louvor e de rock; agora, eu estudo música clássica na universidade. Também já quis ser atleta, mas, ultimamente, passo maior parte do meu tempo trancado, praticando meu instrumento. Fui criado, enfim, como protestante devoto, mas agora me juntei à Igreja Católica — e esta é a minha história:

Desde a mais tenra idade, meus pais me ensinaram que Deus é real, que Ele nos ama e que a Sua palavra é infalível. Eles me mostraram através das suas ações que seguir a Deus é a prioridade sobre todas as coisas, não importando quão absurdo isso parecesse.

Meu pai conduzia uma pequena igreja evangélica e não denominacional chamada Calvary Chapel ("Capela do Calvário", lit.), na cidade de Lodi, no estado da Califórnia. Alguns anos depois, ele se sentiu chamado a mudar para Tulsa, em Oklahoma, onde ele se tornou pastor de outra igreja da mesma organização.

Viver para Cristo não era algo que eu fazia porque meus pais queriam, mas porque o Espírito Santo me atraía a Si. Minha fé era real e se manifestava em um envolvimento ativo no ministério de louvor e adoração, desde a minha adolescência.

Como cabeça do ministério de adoração, eu era simultaneamente pastor e ovelha no rebanho de Cristo. Menor apenas que o meu amor a Cristo era o meu amor à música. A capacidade de expressar o meu amor a Cristo por meio da música, e de levar os outros a fazer o mesmo, era bonita. Quando saí para estudar música na universidade, Deus me colocou na Universidade de Tulsa. Lá eu encontrei as pessoas que eventualmente me levariam a uma união plena com Cristo.

Na faculdade, eu me ocupava a maior parte do tempo com meu quarteto de cordas. Ensaiava por horas incontáveis, toda semana, com duas violinistas e um violista, procurando aperfeiçoar o nosso ofício. Quando você passa tanto tempo com outras pessoas, você termina conhecendo bastante sobre elas. Como queria a divina providência, aconteceu de ambas as violinistas do meu quarteto serem católicas devotas.

Essas mulheres, Ellen e Sarah, logo se tornariam duas das minhas amigas mais próximas. Quanto mais eu crescia em amizade com elas, mais elas me confundiam. De acordo com a minha educação, católicos não eram cristãos de verdade — eles não passavam de idólatras, escravos da lei e da tradição, que tentavam de uma forma ou outra ganhar a sua passagem para o Céu.

Essas católicas, no entanto, eram muito mais santas do que eu. Elas tinham um relacionamento genuíno com Cristo, e Ele era a motivação de cada ação das suas vidas. Elas rezavam com um fervor e consistência que eu queria desesperadamente ter. Interagir pela primeira vez com católicos fervorosos, depois de muito tempo sendo "poupado", foi o primeiro passo rumo à minha conversão.

Sarah e eu tínhamos várias conversas até altas horas da noite sobre Deus. Cada vez mais, eu pensava comigo mesmo: "Essa conversa foi muito boa! Acho que ela deve estar perto de entender as coisas!" Qualquer dia desses, ela veria a verdade, o erro das heresias católicas, e voltaria para casa, para a verdadeira igreja de Cristo. Mal sabia que seria eu a ver o erro dos meus caminhos e a voltar para casa, para a Igreja Católica.

A Eucaristia, verdadeiro corpo de Jesus

Em uma noite de janeiro, Sarah e eu debatíamos teologia, quando veio à tona o tema da Eucaristia. Ela me disse que os católicos acreditavam que, em toda Missa, o pão e o vinho usados para a comunhão (a Eucaristia) cessam de ser pão e vinho e se tornam literalmente a carne e o sangue de Jesus Cristo. A quem não está familiarizado, pode parecer um conceito absurdo — mas, como eu estava prestes a perceber, Deus é um Deus do absurdo.

Eu disse a ela que era irracional acreditar que Jesus estivesse realmente presente na Eucaristia. O que ela fez em seguida causou em mim uma impressão que eu jamais esqueceria. Ela me disse para pegar a minha Bíblia — que eu, como um bom evangélico, trazia convenientemente guardada em minha mochila — e, então, me levou a João, capítulo 6, onde Jesus pronunciava algumas palavras intensas para Seus seguidores:

"Os judeus começaram a discutir, dizendo: 'Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?' Então Jesus lhes disse: 'Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6, 52-56)

Enquanto lia aquelas palavras em voz alta, eu tentava segurar as lágrimas. Era como se Deus começasse a soprar buracos em minha até então impermeável teologia. Se as palavras do Evangelho fossem literalmente verdadeiras, Jesus nos chama a comer da Sua verdadeira carne e sangue. A comunhão não seria apenas um símbolo de que eu deveria participar mais ou menos uma vez por mês, mas Deus que Se oferece totalmente para a humanidade.

Naquela noite, eu voltei para casa e perguntei ao meu pai por que acreditávamos no que fazíamos. Até hoje posso ouvir a minha voz trêmula dizendo: "Pai, eu preciso de uma boa razão para não acreditar nisso."

Tentei desesperadamente me convencer de que estava certo, mas, para a minha frustração, meu pai foi incapaz de explicar aquilo em que ele acreditava de um modo que satisfizesse às minhas questões.

Voltei-me para Sarah no dia seguinte com alguns contra-argumentos mal produzidos e claramente nada convincentes. Aleguei que Jesus estava apenas falando em parábolas, mas aquilo não explicava por que os discípulos de Jesus O deixaram depois de ouvir aquelas palavras. Disse que aqueles que saíram simplesmente não tinham entendido, mas isso não explicava por que os Seus discípulos tomaram as Suas palavras ao pé da letra quando confrontados. Como eu logo descobriria, é difícil argumentar contra a verdade.

Olhando para trás, é engraçado perceber o quanto eu aceitava mal a ideia de me tornar católico, mesmo depois que comecei a querer sê-lo. Fiz o que pude para evitar o assunto, mas o Espírito Santo continuou o Seu trabalho. Ele tem um jeito de tornar as coisas abundantemente claras. A cada vez que participávamos da comunhão na minha igreja, Deus me lembrava a todo momento do que eu havia lido em Sua palavra. Tentei imaginar que eu realmente tomava parte na Sua carne, mas eu ainda estava insatisfeito com nosso rito da comunhão.

Como Deus costuma fazer, Ele deixou que o assunto se assentasse por um tempo. No momento, eu não percebia o que estava acontecendo, mas as sementes que tinham sido plantadas começavam lentamente a formar raízes. Depois de um verão tranquilo, surgiu algo de repente, cerca de um mês antes da volta às aulas. Minha única explicação para o que aconteceu foi uma moção do Espírito Santo em mim. Eu estava de férias com minha família, descansando tranquilamente no lago, quando me veio essa ideia disparatada e persistente: "E se Sarah estiver certa? E se os católicos estiverem certos? E se a Eucaristia for realmente Jesus?"

As implicações seriam enormes. Eu precisava investigar a questão, independentemente de qual fosse o resultado. Se fosse verdadeira, seria a coisa mais bela que eu já tinha ouvido. Se Jesus me permitisse comer o Seu corpo físico, a cruz ganharia um significado ainda maior para mim. Se fosse falsa, no entanto, toda a Igreja Católica estaria imersa em completa idolatria.

Quanto mais eu pensava sobre o assunto, mais intenso ele se tornava. Os católicos literalmente adoravam o que parecia ser um pedaço de pão. Eu não queria parte nenhuma nisso se aquele pedaço de pão não fosse realmente Jesus Cristo, mas sabia que iria querê-Lo desesperadamente se fosse.

O testemunho dos Padres da Igreja

Na semana seguinte, fiz uma pesquisa intensa. Começando por João, capítulo 6, consultei as Escrituras de novo por minha conta. Esforcei-me por ver qualquer jeito de que Jesus pudesse ter querido dizer qualquer outra coisa que não literalmente comermos a Sua carne e bebermos o Seu sangue.

Eu ainda não estava completamente convencido da verdade do catolicismo, mas já sabia o suficiente para afirmar que ele não era absurdo. Sarah tinha me dito uma vez que, se eu acreditasse na doutrina católica sobre a Eucaristia, tudo o mais se encaixaria no devido lugar. As palavras dela não fizeram sentido para mim no momento. Quando Deus operou em meu coração, no entanto, comecei a perceber o que ela queria dizer.

Se os Evangelhos me fizeram perceber que eu podia possivelmente estar errado, os escritos dos primeiros cristãos me convenceram de vez. Descobri que, até o século XVI, os cristãos acreditaram por unanimidade que a Eucaristia era literalmente Jesus. Eis algumas das citações retiradas dos Santos Padres:

"Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós. [...] Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando." (Santo Inácio de Antioquia [† 110], Epístola aos Esmirnenses, 6-7)

"Não os tomamos como alimento e bebida comuns; do mesmo modo como nos foi ensinado que, pela palavra de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor se encarnou, assim também estes alimentos, para os que tenham pronunciado as palavras de petição e ação de graças, são a verdadeira carne e sangue daquele Jesus que se fez homem e que entra na nossa carne quando o recebemos." (São Justino Mártir [† 151], Primeira Apologia, 66)

"'Comei a minha carne', ele diz, 'e bebei o meu sangue'. Com esses alimentos o Senhor convenientemente nos abastece, tanto provendo a sua carne quanto derramando o seu sangue, e nada falta ao incremento dos seus filhos." (São Clemente de Alexandria [† 191], O Pedagogo, I, 6 [PG 8, 302a])

"Assim como, antes da santa invocação da Trindade adoranda, o pão e o vinho da Eucaristia eram simplesmente pão e vinho, depois de feita a invocação, o pão se torna o corpo de Cristo e o vinho, o sangue de Cristo." (São Cirilo de Jerusalém [† 350], Catequeses, XIX, 7)

"Cristo era carregado em suas próprias mãos quando, entregando o seu corpo, disse: Isto é o meu corpo." (Santo Agostinho [† 411], Comentários aos Salmos, XXXIII, 1, 10)

"O que vedes é um pão e um cálice, eis o que vossos olhos vos anunciam. O que a vossa fé, porém, propõe à vossa instrução é que o pão é o corpo de Cristo e o cálice, o sangue de Cristo" (Santo Agostinho, Sermões, 272)

Ler aquilo em que os primeiros cristãos acreditavam foi poderoso. Essas citações são apenas um pequeno exemplo da minha pesquisa, mas cada cristão primitivo com que eu me deparava em particular falava da Eucaristia como o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo. Eu não podia mais lutar contra isso. Fui convencido. Lembrei-me do Evangelho de S. João, especialmente de como aqueles que escutaram as palavras de Jesus ficaram desgostosos e muitos deles O deixaram. Também me lembrei da clássica resposta de São Pedro: "A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6, 68).

Lembro claramente o momento em que parei de lutar contra Deus. Era ainda verão, e o departamento de música estava deserto. Sentei-me na sala de prática da minha faculdade, completamente sozinho. Parei de tocar o violoncelo por um momento e Deus finalmente me alcançou. Senti como se Jesus estivesse me dando um ultimato: ou eu acreditava em Sua palavra ou eu devia deixá-Lo de uma vez por todas. Eu sabia que seria difícil fazer algo tão contrário a como eu havia sido criado, mas também sabia que não podia jamais deixar de seguir a Cristo. A resposta de São Pedro se tornou a minha oração. Eu então disse a Jesus que realmente não tinha nenhum outro lugar para onde ir.

Voltando para casa

Jeremiah, em foto após a sua primeira Comunhão, na Vigília Pascal de 2015.

Contei a todos os que eu conhecia sobre a minha conversão de coração, e fui recebido com reações as mais positivas. Quase nenhum dos meus amigos católicos podia prever que isso aconteceria; eles ficaram chocados e cheios de alegria.

Desde o início da minha conversão, a Igreja me ajudou a crescer mais do que eu podia imaginar. Comecei a rezar de verdade pela primeira vez na vida. Enquanto crescia, eu tentava rezar, mas nunca chegava muito longe. Participava de encontros de oração e dizia algumas palavras com os irmãos e as irmãs reunidos. Eu conversava com Deus e tentava escutá-Lo, mas hesitava muito e não tinha posto todo o meu coração naquilo. A minha oração era esporádica, para dizer muito.

Tudo mudou quando percebi que podia passar o meu tempo com Jesus em pessoa. A presença física de Cristo na Eucaristia é algo impressionante. Posso sentar-me em frente ao Deus que criou o universo, que veio a esse mundo na Pessoa de Jesus Cristo. O mesmo corpo que sofreu, foi crucificado, morreu, foi sepultado, ressuscitou do túmulo e subiu aos céus permanece no mesmo lugar comigo quando eu entro em uma capela.

Como a diferença entre passar o tempo pessoalmente com um amigo e mandar mensagem para ele, a presença física é incrivelmente significante em relação a Deus. É bom e necessário rezar a Deus onde quer que estejamos, mas é ainda mais valioso passar o tempo com Ele em pessoa. Comecei a me apaixonar pela oração e, por consequência, me apaixonei mais profundamente por Deus.

O tempo entre minha mudança de coração e minha entrada oficial na Igreja, na Páscoa, foi um dos períodos mais dolorosos da minha vida. Meus pais sentiram como se eu os tivesse traído e nossa relação ficou tensa. Deus usou minhas imperfeições nesse relacionamento para me ensinar a ser humilde e assumir a responsabilidade por meus erros. Mais do que isso, Ele usou meus sofrimentos para me ensinar que eles podiam ser, de fato, algo desejável. Pela primeira vez em minha vida, soube verdadeiramente o que significava não ter ninguém a quem recorrer senão Jesus.

Para tornar as coisas ainda mais difíceis, descobri que não poderia receber Cristo na Eucaristia até a Páscoa. Minha conversão inicial aconteceu por volta de agosto. O período de 8 meses entre agosto e abril pareciam mais como se fossem 8 anos. Apesar da minha impaciência, Deus usou esse tempo de espera para me fortalecer. Na medida em que a Páscoa se aproximava, Ele foi substituindo o meu sofrimento pela alegria.

Durante esse tempo, aprendi que é quando eu sofro que eu mais me pareço com nosso Senhor. Sua última prova de amor foi sofrer e morrer por nossa causa. Assim, quando eu experimento qualquer dificuldade, tenho a oportunidade de imitar o amor de Cristo que se apresenta na Cruz. Se antes eu reclamava da dor, agora eu posso unir minha dor à de Cristo. Assim, meu sofrimento recebe a mesma natureza redentora que tem a paixão de Cristo. Agora eu vejo que o sofrimento não é algo a ser temido, mas a ser acolhido. Se eu quero me unir a Cristo, o caminho mais rápido de fazê-lo é através dos Seus sofrimentos.

Enquanto focava mais completamente em Cristo, Ele colocava tudo o mais em ordem na minha vida. Eu não queria nada mais a não ser unir-me a Ele no sacramento da Sagrada Comunhão, e Deus usou esse desejo para atrair-me a Si.

Durante as semanas de preparação para a Páscoa, os dias pareciam meses. Quando a Semana Santa finalmente chegou, senti-me completamente pronto a receber Cristo. Na noite da Vigília pascal, finalmente fui acolhido na Igreja Católica e recebi o corpo de Cristo na minha primeira Comunhão.

Esse foi de longe o momento mais feliz de toda a minha vida, mas tentar colocar minha experiência em palavras seria injusto. Tudo o que posso dizer é que finalmente me senti completo. Por toda a minha vida estive à procura de algo que me completasse, sem jamais ter encontrado. Eu sabia que a resposta era Jesus, mas, mesmo tendo tentado de tudo, eu ainda sentia que algo estava faltando.

Receber em meu corpo o corpo de Jesus preencheu aquele vazio dentro de mim. No sacramento da Eucaristia, eu comi literalmente o corpo, sangue, alma e divindade de Cristo. Essa não é uma refeição como outra qualquer. O Deus que criou tudo o que existe quis vir fisicamente para dentro do meu corpo. Só de pensar nisso eu me arrepio até o dia de hoje. No coração dos Sacramentos, ninguém mais pode ser encontrado senão Jesus. A missão da Igreja é trazer as pessoas a Ele. A Igreja Católica trouxe minha alma a Cristo e eu não tenho palavras para agradecer por isso.

Fonte: We Dare to Say | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Santos & Mártires

Pai de família morto por se opor a ‘magia negra’ é beatificado na África do Sul

Foi o martírio o que levou Benedict Daswa à honra dos altares. Ele morreu porque se negou a cooperar com as práticas pagãs e supersticiosas de seus conterrâneos.

Beatificações e canonizações são momentos muito importantes na vida da Igreja e, apesar disso, são muitos os católicos que não ficam a par desses eventos, a menos que a pessoa em questão seja famosa – como um São João Paulo II ou uma Beata Teresa de Calcutá – ou venha de sua própria terra natal.

No último dia 13 de setembro, a Igreja do mundo inteiro se uniu ao povo da África do Sul em ação de graças pela vida e pelo testemunho de Benedict Daswa.

O bispo da diocese de Tzaneen, Joao Noe Rodriguez, vê a beatificação como uma evento verdadeiramente significativo não só para a comunidade sul-africana, como para toda a Igreja universal.

"Não estamos celebrando a memória de Benedict Daswa por nacionalismo, mas porque ele era um homem de muita fé. E isso é o que é bonito: ele era um de nós e, ao mesmo tempo, profundamente comprometido na vida da sua família, do seu trabalho e da sua comunidade. Um homem que estava servindo, ajudando e educando: uma completa inspiração de fé para todos."

Esposo, pai e professor

Nascido no vilarejo de Mbahe, província de Limpopo, a 16 de junho de 1946, Tshimangadzo Samuel Daswa foi criado em meio à tribo dos lemba, um grupo étnico e religioso que observa leis e rituais judaicos tradicionais.

Na juventude, trabalhou como pastor de rebanhos, antes de começar sua educação formal, em 1957. Após a morte inesperada de seu pai, assumiu a responsabilidade financeira por sua família, trabalhando para sustentar seus três irmãos e sua irmã, a fim de que continuassem estudando.

Durante as férias escolares, viajando para Johannesburgo à procura de emprego, Samuel se aproxima de um jovem cristão e começa a frequentar círculos de amigos católicos.

Na volta para Mbahe, ele começa a receber formações de um catequista leigo, Benedict Risimati, que lhe oferece aulas semanais e uma celebração dominical debaixo de uma figueira do vilarejo (a Missa era celebrada apenas uma vez por mês). Risimati exerce forte influência sobre o jovem Daswa, que, depois de receber catequese por dois anos, é batizado, no dia 21 de abril de 1963, com o nome cristão de "Benedict". Até o fim de sua vida, ele será inspirado pelo lema de São Bento: "Ora et labora – Reza e trabalha".

Benedict consegue obter sua graduação e passa a dar aulas na escola primária de uma vila próxima. Serve aos seus alunos e a toda a comunidade como professor e catequista, além de desenvolver um trabalho de caridade com as famílias mais pobres. Por sua honestidade e dedicação como professor, pouco a pouco conquista o respeito e a estima de todos no vilarejo.

Ele ajuda a construir a primeira igreja da vila de Nweli e, em 1º de janeiro de 1979, torna-se diretor da escola da região. Em seu novo posto, ele trabalha dando apoio a seus professores e proteção a seus estudantes. Quando estes faltam às aulas, ele procura as famílias para ver se precisam de ajuda. Conta-se que ele chegou a convencer um pai a permitir que sua filha terminasse os seus estudos, evitando que ela se casasse com um homem mais velho. Alunos impossibilitados de pagar as taxas da escola recebem dinheiro trabalhando em sua horta e na colheita de alimentos, os quais são distribuídos a famílias carentes do vilarejo.

Em 1980, Benedict casa-se com Shadi Eveline Monyai. O jovem e fecundo casal será abençoado com oito filhos. Ele ficou conhecido por quebrar a tradição dos venda, ajudando a sua esposa nas tarefas domésticas. Seu comportamento era tão chocante que alguns no vilarejo acreditavam que ele estava enfeitiçado.

Um mártir pela fé

Em novembro de 1989, chuvas carregadas e temporais relampejantes causam danos severos à região. Em janeiro de 1990, os líderes do vilarejo começam a dizer que as tempestades se devem à ação de "magia negra". Eles exigem que os moradores da vila paguem uma taxa, a fim de contratar um curandeiro e identificar o bruxo responsável pela maldição.

Benedict, que não participou nem da discussão nem da decisão, recusa-se a pagar, observando que tudo aquilo não passava de um fenômeno natural. Ele estava particularmente preocupado por aquela repentina adesão a superstições antigas e à crença de que um bruxo poderia ter causado os relâmpagos. Sua atitude era explicada, sobretudo, por sua fé católica, que o proibia de participar em qualquer coisa ligada à feitiçaria ou a atos de violência.

Muitos no vilarejo, porém, viram a sua resistência em cooperar como um ataque às crenças tradicionais da comunidade. O veredito final? Benedict deveria ser morto.

No dia 2 de fevereiro de 1990, voltando de carro para casa, Benedict encontra a estrada bloqueada por uma árvore caída. Enquanto tenta limpar o caminho, é atacado por um grupo de jovens rapazes que começam a atirar-lhe pedras. Sangrando e machucado, ele deixa seu carro e sai à procura de ajuda em uma cabana próxima. Quando os criminosos chegam à cabana, ameaçam matar as donas da casa, caso elas não revelem onde Benedict está escondido. Ouvindo as ameaças, Benedict sai de seu esconderijo e pergunta-lhes por que, afinal, eles queriam matá-lo. Sem responder, eles atacam Benedict e espancam-no até a morte. – Senhor, em tuas mãos recebe o meu espírito – são as últimas palavras de Daswa.

O caminho para a beatificação

A Missa de funeral foi celebrada no dia 10 de fevereiro. A procissão com o seu corpo saiu da casa onde ele morava até a igreja que ele tinha ajudado a construir, em Nweli. Durante a cerimônia, todos os padres trajaram paramentos vermelhos, demonstrando a firme convicção de que Benedict tinha morrido como mártir.

A causa de beatificação de Benedict Daswa foi aberta em 10 de junho de 2008. No último dia 22 de janeiro, o Papa Francisco reconheceu o seu martírio, abrindo o caminho para a sua beatificação.

Seguindo uma tradição antiquíssima da Igreja, os restos mortais de Benedict foram removidos de seu túmulo em 24 de agosto, em preparação para a sua beatificação. Durante a exumação, estiveram presentes todos os seus filhos. A pedido deles, o seu caixão foi primeiramente transportado para junto do túmulo de sua amada esposa (que morreu em 2008). Ali, seus restos físicos foram examinados e pequenas partículas de seus ossos e pedaços de sua roupa foram removidos, para serem venerados como relíquias. Por fim, o caixão foi lacrado e coberto com um tradicional tecido claro dos venda. Depois, foi levado por seus filhos a uma urna recém construída na igreja paroquial de Mbahe.

Uma companhia no caminho para o Céu

São Jerônimo escreveu certa vez que "o martírio não consiste apenas em morrer pela fé, mas também em servir a Deus com amor e pureza de coração todos os dias da nossa vida". O bem-aventurado Benedict Daswa é uma dessas almas agraciadas que viveram esse mistério de maneira particularmente efetiva em sua própria vida. Foi o que disse o Papa Francisco, no dia 13 de setembro, durante a tradicional oração do Angelus, na Praça de São Pedro:

"Na sua vida, [Benedict] demonstrou sempre muita coerência, assumindo corajosamente atitudes cristãs e rejeitando hábitos mundanos e pagãos. O seu testemunho ajude especialmente as famílias a difundir a verdade e a caridade de Cristo. E o seu testemunho junta-se ao de tantos nossos irmãos e irmãs, jovens, idosos, adolescentes, crianças, perseguidos, expulsos, assassinados por confessarem Jesus Cristo."

Comprometido com sua família e com sua vocação de pai e professor, Benedict realmente fez da fé católica o primeiro ponto de referência em todos os aspectos de sua vida.

Em entrevista concedida antes da beatificação, o arcebispo William Slattery, de Pretória, capital da África do Sul, afirmou que o bem-aventurado Benedict Daswa é honrado como mártir e exemplo não só para o povo sul-africano, como para o mundo inteiro: "O Papa está dizendo: Povos do mundo, eis um antepassado espiritual, um exemplo para o mundo inteiro, e, também, uma companhia em nosso caminho rumo a Deus. Porque todos nós somos uma família: vivos e mortos, todos nos movemos na direção d'Ele."

O arcebispo concluiu dizendo que "os santos e os beatos são presentes de Deus para nós, um exemplo da graça de Deus operando em Seu povo".

Fonte: Aleteia | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categoria: Notícias

Padre iraquiano revela drama de “Igreja dos mártires” no Oriente Médio

“Não chamem o que acontece em meu país de conflito”, disse o sacerdote. “O nome disso é genocídio.”

Imagem: Flickr/Rimini Meeting

"Há mais mártires hoje do que nos primeiros tempos da Igreja", disse certa vez o Papa Francisco, em uma frase que sintetiza a condição dos cristãos no Oriente Médio. De fato, não há palavra para definir melhor o que são esses valentes seguidores de Cristo: o martírio, que eles aceitam corajosa e generosamente, eleva-os à perfeita imitação de Jesus, ao ponto mais alto da caridade, como está escrito: "Ninguém tem amor maior que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15, 13).

É o que mostra o testemunho do padre Douglas Al-Bazi, pároco da igreja de Mar Elia, em Erbil, no Iraque.

No dia 23 de agosto, o sacerdote aproveitou o conhecido Encontro de Rímini para falar sobre os "mártires de hoje", vítimas do regime de terror que se espalha em todo o Oriente Médio pelo Estado Islâmico.

"Quem acha que o ISIS não representa o Islã, está errado", disse o padre. " O ISIS representa cem por cento o Islã. Se alguém diz: 'Não, eu tenho amigos muçulmanos, eles são legais'. Sim, eles são legais aqui. Mas, lá, eles são assassinos". As palavras do sacerdote são uma resposta clara e inequívoca ao discurso recente de um chefe de Estado, para quem 99,9% dos muçulmanos seriam contrários ao islamismo radical.

Durante a sua fala, o pe. Al-Bazi ressaltou a sua pertença à "Igreja dos mártires", que ele também chamou de "Igreja de sangue". "Antes de 2003, éramos mais de 2 milhões de cristãos no Iraque. Agora, não passamos de 200 mil", ele conta. O clérigo mantém dois abrigos para refugiados na região onde trabalha e acolhe todos os dias milhares de famílias, vindas das mais diversas regiões do Médio Oriente. "Não chamem o que acontece em meu país de conflito. O nome disso é genocídio."

"Como sacerdotes no Iraque e no Oriente Médio, nós vivemos uma missão única", ele diz. "Não sabemos se saíremos da igreja ou voltaremos a ela vivos. Quando estava em Bagdá, eles implodiram uma igreja na minha frente. Eu mesmo sobrevivi duas vezes a bombas que estouraram bem próximas a mim, e já fui atingido na perna por uma AK-47, uma espécie de Kalashnikov. (...) Ainda acredito que, mais cedo ou mais tarde, eles irão me matar."

O padre também revela detalhes dos dias em que foi mantido refém por terroristas muçulmanos. O sequestro aconteceu depois da celebração de uma Missa dominical, quando a estrada que dava acesso à igreja foi bloqueada e o sacerdote foi levado para um lugar desconhecido. De imediato, um dos sequestradores quebrou o seu nariz, acertando-o com o joelho. Com as mãos atadas e os olhos vendados por 9 dias, o padre Douglas permaneceu quatro dias sem tomar sequer um copo d'água.

Quando começaram as negociações para libertá-lo, o sacerdote conta que já tinha a sua morte como certa. "Eu achava que eles iriam me matar, atirar em mim. Quando falei com outro padre por telefone, com o viva-voz ligado, disse a ele: 'É isso, eu não vou mais voltar'. Então, ele disse: 'Fiquem com o padre Douglas. Nós vamos inclui-lo como um de nossos mártires, podem ficar com ele'."

"Naquele dia – continua o padre –, eles ficaram irritados e me levaram para outro quarto. Quando falavam comigo, eles ligavam a TV em um canal muçulmano e aumentavam o volume. Assim, se eu gritasse, nenhum vizinho ouviria a minha voz. Eles também faziam isso para mostrar aos outros quão religiosos eles eram, ouvindo o Corão todos os dias."

"Um deles bateu em meu dente e eu senti que ele sangrava. Ele me disse: 'Não se preocupe. Você tem muitos dentes e nós temos a noite inteira.' Depois disso, eles bateram em minhas costas com o martelo e quebraram a minha coluna."

O pe. Al-Bazi conta que só foi libertado depois que a sua comunidade pagou o resgate aos sequestradores. "Eu, é claro, nunca me esqueço do que aconteceu durante aqueles 9 dias, que é exatamente o mesmo que está acontecendo agora a muito cristãos no Oriente Médio".

O sacerdote iraquiano também relata que, quando estava acorrentado, usava os anéis da corrente para rezar o Santo Terço. "Quando me acorrentaram, eles me prenderam com um cadeado grande. Com os 10 anéis suspensos, eu rezava o meu Rosário: os 10 anéis eram as Ave-Marias e o cadeado era o Pai Nosso."

Durante o dia, os sequestradores se reuniam e procuravam "direção espiritual" com ele. "Eles costumavam pedir a minha opinião como pai espiritual. Um deles perguntava: 'O que eu devo fazer com a minha mulher?' E eu, acorrentado e com venda nos olhos, dizia: 'Vamos lá, seja amável com ela, chame-a de meu bem, meu amor...' À noite, eram essas mesmas pessoas que me batiam."

Ele continuou o seu testemunho com um apelo e um alerta. "Minha Igreja – diz ele – ainda está na Sexta-Feira Santa. Ajude-nos a passar para o Domingo da Ressurreição. (...) Sejam a nossa voz. Falem! E acordem. O câncer está às suas portas! Eles vão destruir vocês! Os cristãos no Oriente Médio e no Iraque são o único grupo que viu o rosto do demônio: o Islã".

No fim, portando uma mensagem de esperança, o padre concluiu fazendo uma bela analogia da perseguição aos cristãos com a Cruz de Cristo. "Jesus disse: Tomem a sua cruz, e nós estamos fazendo isso. Porém, mais importante que carregar a cruz é segui-Lo, e isso significa aceitar, resistir e comprometer-se até o fim. Eu acredito que eles vão nos destruir no Oriente Médio, mas acredito também que a última palavra a sair de nossa boca será: Jesus nos salva. Nunca vamos desistir. (...) Nós pertencemos a Jesus, não à terra. Jesus é a nossa terra, a nossa Terra Prometida. Deixem meu povo chegar à Terra Prometida. Ajam!"

Com informações de Rimini Meeting