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Santa Catarina de Siena, a voz profética de Deus

Com sua pregação, Catarina conduziu inúmeras almas a Deus e levou o próprio Papa de volta à Cidade Eterna.

Nascida em Siena, na Itália, por volta de 1347, "Catarina ouvira o chamamento de Deus desde a mais tenra infância, numa idade em que, normalmente, só se pensa em brincar" [1]. Passava sua infância aproveitando o silêncio e a solidão de sua casa para rezar e, em segredo, flagelar seus ombros com uma corda, por amor a Deus.

"O desejo de isolamento e as lendas dos padres do deserto, que tanto lhe ocupavam a imaginação, levaram-na a sonhar com um gruta solitária onde pudesse esconder-se para entreter-se exclusivamente com Deus". De fato, um dia, cruzando o portão de sua cidade, Catarina saiu à procura de uma dessas grutas onde se escondiam os eremitas. Achando uma, entrou e, pondo-se de joelhos, rezou fervorosamente. Nessa experiência, aconteceu-lhe de "ser levantada do solo e flutuar livremente sob a abóbada". A humilde criança, "temendo tratar-se de uma tentação do diabo para impedi-la de rezar, redobrou de ardor e de firmeza na oração" [2].

A pequena Catarina não se preocupava com as coisas com que normalmente dispendiam seus familiares. Ainda com sete anos, ansiando entregar-se exclusivamente a Deus, sem nenhuma ligação com o mundo aborrecedor dos homens, Catarina suplicou à Virgem Maria que a conservasse casta, a fim de tornar-se esposa de Jesus. "Amo-O com toda minha alma – dizia a Nossa Senhora – e prometo a Ele e a Ti jamais aceitar outro esposo" [3].

Para fugir de seus pais, que queriam vê-la casada, Catarina cortou sua longa cabeleira, sem lhes dizer uma palavra. Para castigá-la, a mãe impediu-a de ter um quarto próprio, pondo-a para viver com o irmão Stefano. Mas nem isso a podia afastar de seu Bem-Amado. "Durante o dia, enquanto Stefano se atarefava no porão diante dos caldeirões da tinturaria, Catarina tinha o aposento só para ela; e à noite Stefano dormia como uma pedra, sem se aperceber das longas vigílias que a irmã passava em oração, a mil léguas deste mundo terrestre" [4]. Mais tarde, depois de uma experiente vida de oração, Catarina aconselhava aos seus filhos: "Construí uma cela no fundo de vossa alma e de lá não vos afasteis mais" [5]. Parecia prefigurar a bela analogia feita por Santa Teresa de Ávila, ao comparar a alma a um castelo em cujo centro está Jesus.

Visitada em sonho por São Domingos de Gusmão, Catarina tomou a firme resolução de tornar-se "mantelata" – como eram chamadas as leigas da ordem dominicana. Quando comunicou a decisão aos familiares, as reações foram as mais negativas possíveis. O seu virtuoso pai, no entanto, acalmou a todos, com maturidade: "Deixem-na inteiramente livre para servir a seu Esposo e rezar assiduamente por nós. Jamais teríamos sido capazes de proporcionar-lhe tão gloriosa aliança. Não nos lamentemos, pois, se, ao invés de tomar por esposo um homem mortal, ela se entregar ao Deus feito homem, que é eterno" [6].

Voltando a ter um quarto só para si, Catarina entregou-se com assiduidade à vida de penitência. Consciente de que, como ela mesma escreveu mais tarde, "a satisfação se dá pelo amor, pelo arrependimento e pelo desprezo do pecado" e que "os gestos finitos são insuficientes para punir ou satisfazer, sem a força da caridade" [7], unia às suas severas mortificações corporais e a seus rigorosos jejuns um amor filial a Jesus.

Admitida, então, na Ordem Terceira de São Domingos, não demorou muito para que sua vida de virtudes atraísse as pessoas à sua volta. Em torno dela, nota o Papa Bento XVI, "foi-se constituindo uma verdadeira família espiritual. Tratava-se de pessoas fascinadas pela respeitabilidade moral desta jovem mulher de elevadíssimo nível de vida, e por vezes impressionadas também pelos fenômenos místicos aos quais assistiam, como os frequentes êxtases. Muitos se puseram ao seu serviço e sobretudo consideraram um privilégio ser orientados espiritualmente por Catarina" [8]. Daniel-Rops ainda faz notar que, "nesse núcleo de cristãos autênticos, lia-se a Divina Comédia, meditavam-se os místicos e perscrutavam-se os artigos da Suma de São Tomás de Aquino". Todos carinhosamente chamavam Catarina de "dolcissima mamma" [9], pois se consideravam seus filhos espirituais.

Ao lado de uma sólida vida interior, Santa Catarina de Siena desempenhou um papel fundamental na história da Igreja, ao pedir ao Papa Gregório XI o fim do terrível "grande cisma do Ocidente". Ela exortou o Sumo Pontífice a sair do exílio em Avinhão e voltar para Roma, a fim de devolver a unidade ao povo católico. Fê-lo por amor à Igreja, ao Papa – a quem chamava de "doce Cristo na terra" – e aos sacerdotes – que ela tinha em altíssima conta, mesmo consciente de suas faltas humanas. Sobre esses, ela escrevia, repetindo palavras do próprio Senhor:

"Os ministros são ungidos meus. A respeito deles diz a Escritura: 'Não toqueis nos meus cristos' (Sl 105, 15). (...) Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue. Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros.
Não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. (...) Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: 'Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos'!" [10]

Com seus ensinamentos, Catarina não só pedia a volta do clero à pureza dos costumes, mas também o respeito devido aos sacerdotes pelo caráter que receberam no sacramento da Ordem. Quando se procura os sacerdotes para receber os sacramentos ou quando se beija as suas mãos ungidas, não se faz isso "por eles mesmos", mas pelo poder que Deus lhes deu de trazer à humanidade a Eucaristia e a remissão dos pecados.

Ao fim de sua vida, a santa de Siena configurou-se inteiramente a Nosso Senhor, sendo coroada com os santos estigmas. Ela – "que era capaz de não tomar, durante cinquenta e cinco dias, outro alimento senão uma hóstia" – converteu-se em um milagre vivo de Deus. Por isso, ainda em 1461, menos de um século depois de seu nascimento para o Céu, foi canonizada pelo Papa Pio II.

"Nunca, ao longo da sua breve existência, se rompeu o seu contato com Aquele que a chamava pelo nome" [11], escreveu Daniel-Rops. E, agora, na Pátria Celeste, nada mais pode romper os laços tão estreitos que unem o seu coração ao Sagrado Coração de Jesus. Que a sua intercessão nos torne fiéis e perseverantes na oração e na penitência e fortaleça os nossos laços com a Igreja triunfante, de cuja plenitude pretendemos, com a graça de Deus, participar.

Santa Catarina de Siena, rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Recomendação

Catarina de Siena, de Sigrid Undset

Referências

  1. Henri Daniel-Rops. A Igreja da renascença e da reforma (I). Trad. Emérico da Gama. Quadrante: São Paulo. p. 20
  2. Sigrid Undset. Catarina de Siena. Trad. Maria Helena A. L. Senise. Agir: Rio de Janeiro, 1956. p. 15
  3. Ibidem, p. 17
  4. Ibidem, p. 24
  5. Ibidem, p. 25
  6. Ibidem, p. 30
  7. O Diálogo, 3
  8. Audiência Geral, 24 de novembro de 2010
  9. Henri Daniel-Rops. A Igreja da renascença e da reforma (I). Trad. Emérico da Gama. Quadrante: São Paulo. p. 22
  10. O Diálogo, 116
  11. Henri Daniel-Rops. A Igreja da renascença e da reforma (I). Trad. Emérico da Gama. Quadrante: São Paulo. p. 21

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A vida de São Luís Maria Grignion de Montfort

A vida do apóstolo da Virgem Maria que se gloriou somente na Cruz de Cristo

Hoje, devido à mudança dos equipamentos do site para o novo estúdio, não teremos a transmissão do nosso tradicional programa ao vivo. Mas, nesta data especial, dia de São Luís Maria Grignion de Montfort, Pe. Paulo Ricardo gravou um áudio especial para você. Confira!

Conheça a vida de São Luís de Montfort cuja doutrina sobre a Santíssima Virgem influenciou papas como Leão XIII, São Pio X, Pio XII e São João Paulo II. Alcançou, com apenas 16 anos de sacerdócio, uma estatura extraordinária: com sua pregação nada "politicamente correta", elevou verdadeiramente os corações dos homens ao alto. Ouça este áudio e descubra o que este grande servo de Deus tem a ensinar à Igreja e aos homens de hoje.

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São Luís de Montfort e o primado de Deus

“Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias”, diz São Luís de Montfort. O caminho da salvação continua sendo o caminho da Cruz.

O lema que inspirou a vida e o apostolado de São Luís Maria Grignion de Montfort resume-se em duas breves palavras: "Só Deus". Toda a sua existência – a ânsia de humilhações, desde muito cedo; o incansável ardor missionário, que o fez atravessar a pé grandes porções de terra; o amor à pobreza, que consagrou fazendo-se escravo de Maria Santíssima –, tudo apontava para o alto.

Para defender esse primado de Deus, São Luís não media palavras nem ficava "cheio de dedos": "Se a prudência consiste em não empreender nada de novo por amor de Deus e em não dar que falar, os Apóstolos cometeram um grande erro quando saíram de Jerusalém, São Paulo não devia ter viajado tanto nem São Pedro levantado a cruz no Capitólio" [1], dizia. Contra o respeito humano, ele ostentava, com coragem, o seu terço e um grande crucifixo, com os quais partia em missão França afora, pregando, levantando cruzeiros e reconstruindo igrejas.

Fiel às palavras de Jesus – "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me" [2] –, não se gloriava em nada senão na Cruz de nosso Senhor. Assim como São Paulo que, tendo "muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis (...), mas afirmou: "Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo" [3], São Luís proclamava:

"Encontro-me mais que nunca empobrecido, crucificado, humilhado. Os homens e os demônios fazem-me uma guerra bem amável e bem doce. Que me caluniem, que escarneçam de mim, que despedacem a minha reputação, que me metam na cadeia: esses dons são preciosos para mim, esses manjares são deliciosos para mim! Ah! Quando serei crucificado e perdido para o mundo?" [4]

Para seguir a Cruz, o próprio Luís fazia questão de pregar-se ao madeiro com Cristo. E indicava o mesmo caminho aos seus filhos: " Para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias. (...) Se não morrermos para nós mesmos, e se as nossas devoções mais santas não nos levam a esta morte necessária e fecunda, não daremos fruto que valha" [5]. E advertia aos que chamava de "amigos da Cruz": "Tende bem cuidado para não admitir em vossa companhia os delicados e sensuais, que temem a menor picadela, que se queixam de mínima dor, que nunca provaram a crina, o cilício, a disciplina e, entre as suas devoções em moda, misturam a mais disfarçada e refinada delicadeza e falta de mortificação" [6].

Devotíssimo da Virgem Maria, recebia seus favores desde a mais tenra infância. Na idade adulta, escreveu um livro no qual explicou, com piedade e clareza impressionantes, em que consiste o verdadeiro amor à Mãe de Deus. O hoje conhecido "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" ficou desconhecido por vários séculos. Como São Luís mesmo previu em seu livro – "muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito (...) ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio duma arca, a fim de que não apareça" [7] –, esta grande preciosidade permaneceu escondida por muito tempo.

Quando foi encontrada, porém, não só estimulou os fiéis a amarem mais Nossa Senhora, mas influenciou o magistério de pontífices como Leão XIII, São Pio X e, nos últimos anos, de São João Paulo II.

Nesta obra, São Luís responde com força aos escrupulosos: "Maria ainda não foi suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço" [8]. E aponta com insistência ao fundamento desta devoção: "Se a Devoção à Santíssima Virgem afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio" [9]. Mas, como pode a lua ofuscar o brilho do sol, se, ao contrário, é do próprio sol que vêm a sua glória e a sua majestade? Do mesmo modo, como pode Maria "obstruir" o caminho até Jesus, se é justamente em virtude d'Ele que Deus a preservou da mancha do pecado original e a cumulou de todas as graças? Se é justamente para melhor honrá-Lo e glorificá-Lo que se estabeleceu o seu culto na Igreja universal?

A devoção que ensinou São Luís não pretendia ser uma "nova revelação", mas simplesmente, nas palavras do próprio sacerdote francês, "uma renovação perfeita dos votos ou promessas do Santo Batismo" [10]. Recomendando a escravidão a Nossa Senhora, São Luís não pretendia criar uma "casta" de pessoas separadas e diferentes, mas tão somente apontar para as águas do Batismo, pelas quais todos aqueles que se tornam filhos de Deus devem passar; não pretendia inventar um caminho diferente, mas dar novo ânimo para que os fiéis pudessem trilhar a mesma estrada do Evangelho, rumo ao Calvário.

"Só Deus": isso basta. Eis a grande lição de São Luís de Montfort. Que ele nos ajude a amar, buscando a coroa de glória do Céu, mas sem rejeitar a coroa de espinhos que este "vale de lágrimas" nos reserva. Afinal, "nada existe que seja tão necessário, tão útil, tão doce ou tão glorioso quanto sofrer alguma coisa por Jesus Cristo" [11].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299
  2. Lc 9, 23
  3. Santo Agostinho, Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!. Ofício das Leituras, Segunda-Feira Santa. Sermo Guelferbytanus 3: PLS 2, 545-546.
  4. Henri Daniel-Rops, A Igreja dos tempos clássicos (I). São Paulo: Quadrante, 2000. p. 299
  5. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 81
  6. Carta aos Amigos da Cruz, n. 17
  7. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 114
  8. Ibidem, n. 10
  9. Ibidem, n. 62
  10. Ibidem, n. 126
  11. Carta aos Amigos da Cruz, n. 20

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A Trindade e os falsos deuses

Deus não é uma “brisa suave que navega no íntimo da natureza”, mas a Trindade que ama o homem e o leva à plenitude de seu ser

Os gurus da espiritualidade moderna têm constantemente relegado Deus à esfera dos sentimentos e da subjetividade. Para a "nova era" pagã, a divindade não passa de "um fluido", "um sopro", "uma brisa suave navegando no íntimo da natureza". Não é raro ouvir teólogos e pessoas aparentemente cultas apresentando uma visão maleável de Deus, visão que elas mesmas criaram e indicam aos outros como um remédio grosseiro para suas angústias.

Esses charlatões foram a causa de o Papa Paulo VI ter afirmado, com tristeza, que "a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus": "Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrer a ele pedindo-lhe se ele tem a fórmula da verdadeira vida" [1].

Isto que o Papa identificou há mais de 40 anos continua acontecendo hoje. De fato, "não se tem mais confiança na Igreja": as pessoas têm preferido aderir às posições e ideias do mundo a ouvir o Papa e os bispos em comunhão com ele; têm preferido as próprias opiniões às palavras do Sagrado Magistério; têm se tornado, em suma, autênticos protestantes, já que, longe de acatar a autoridade da Igreja, fazem os seus próprios dogmas e leis morais. O objeto da adoração que fazem, no fim das contas, não é Deus Criador, mas eles mesmos.

Negar a Igreja, no entanto, pavimenta o caminho para uma grande Babel. O que são tantas teorias confusas a respeito de Deus senão uma negação do sobrenatural? A teologia do conhecido pastor luterano Dietrich Bonhoeffer, ao propor um modo de ser cristão "sem Deus", é uma dessas teorias. Segundo ele, seria importante tomar a coragem e a doação do "Jesus histórico" como exemplos, mas Deus mesmo não existiria, seria apenas uma explicação mágica para a resolução de um problema intelectual.

É claro, falar de Deus como de uma noção abstrata é muito conveniente. Afinal, se Ele é apenas uma centelha presente na natureza; se não se trata de um ser pessoal, que criou o mundo e amou o homem a ponto de não se apegar "ciosamente a ser igual em natureza a Deus Pai", mas assumir "a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante", então, está a se falar de algo distante, que absolutamente não diz respeito ao homem. Ao contrário, se é verdade que Ele se encarnou e, humilhando-se ainda mais, obedeceu "até à morte, até à morte humilhante numa cruz" [2], assumir isso compromete toda a existência humana. Com efeito, toda ela passa a ser encarada tão somente como resposta a esse amor de Cristo, tão "forte como a morte" [3].

Se, por um lado, é conveniente não se comprometer, as satisfações que essa opção traz são sempre inconvenientes. Só o Deus trino da religião cristã pode verdadeiramente saciar os seres humanos e, enquanto estes teimam com teorias relativistas, caminham pelo escuro, às apalpadelas. Se, além disso, eles apregoam como verdadeiras essas opções que não passam de válvulas de escape, a situação torna-se ainda mais terrível. "São cegos guiando cegos" [4], diria Jesus, olhando para o seu comportamento.

Para solucionar toda essa confusão, a única saída chama-se fé. Deus não é o "espírito de luz" que a modernidade moldou, mas a Trindade santa que Cristo revelou e deixou estampada na Cruz. Ainda que permaneça um mistério e que não caiba na cabeça humana, assim é o Deus que falou a Israel e se mostrou em Jesus Cristo. Construir outras ideias de divindade, ainda que aparentemente lógicas, equivale a confeccionar para si imagens de barro, que "têm boca e não podem falar, têm olhos e não podem ver; tendo ouvidos, não podem ouvir, nem existe respiro em sua boca". "Como eles" – adverte o salmista – "serão seus autores, que os fabricam e neles confiam!" [5].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências bibliográficas

  1. Omelia di nella Solennità dei Santi Apostoli Pietro e Paolo, 29 giugno 1972
  2. Fl 2, 6-8
  3. Ct 8, 6
  4. Mt 15, 14
  5. Sl 135, 16-18

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Mensagem de Páscoa

Celebremos a vitória da Páscoa, do Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas

Santo Tomás de Aquino, ao analisar a paixão de Cristo, o Seu sofrimento, o Seu amor e tudo quanto Ele teve de suportar em Sua humanidade, chega à conclusão de que Cristo sofreu mais por Sua compaixão que por Sua paixão:

"A dor da compaixão foi maior que a da paixão e o motivo é que: 1. a caridade, com a qual ele sofria os nossos males, era preponderante sobre o equilíbrio do seu complexo psicofísico, com o qual sofria pela sua paixão; 2. além disto, para ele era mais preciosa a honra divina, que fora ofendida pelas nossas culpas, por quanto dependia de nós, do que a sua vida física; e, como sinal disto, suportou aquela dor a fim de eliminar esta [ofensa]." [1]

"A dor da compaixão foi maior que a da paixão", isto é, o sofrimento que Ele experimentou em sua humanidade não foi tão grande quanto aquele que sofreu movido pela caridade, pelo amor por nós. Jesus sofreu ao ver-nos perdidos e abandonados no pecado. Por isso, em Sua compaixão infinita, "desceu aos infernos" de nossa miséria; como Bom Pastor, desceu conosco ao "vale da sombra da morte" [2].

Eis o grande dom da Páscoa. Cristo entra nos cenáculos de nossa vida e deseja: "A paz esteja convosco!" [3]. Apaziguando os nossos corações, Ele diz que não precisamos ter medo. O Bom Pastor deu a vida por suas ovelhas, desceu ao vale tenebroso para resgatar-nos; em sua grande compaixão, Ele – que não precisava – sofreu a paixão de suas ovelhas; e, agora, Ele mesmo carrega-nos em seu regaço.

Eis a vitória da Páscoa, a paz que podemos encontrar no coração de Cristo. "Se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele [4]": se com Ele descemos ao "vale da sombra da morte", agora temos a esperança de estar com Ele, um dia, na glória do Céu.

Uma feliz e santa Páscoa a todos!

Referências

  1. Comentário sobre as Sentenças, Livro 3, Distinção 15, Explicação do texto
  2. Sl 22 (23), 4
  3. Lc 24, 36; Jo 20, 19
  4. Rm 6, 8

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O Calvário, ponto de encontro dos que amam

Não é possível que deixemos de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar.

Quando Jesus advertiu que, para segui-Lo, era preciso renunciar-se a si mesmo e tomar a sua cruz [1], talvez os discípulos não pensassem que Ele verdadeiramente tomaria uma “cruz", no sentido literal. De fato, após subir a Jerusalém, o Cristo “foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado", como rezamos no Credo Niceno-Constantinopolitano. O próprio Deus foi estendido sobre um madeiro: “tomou a sua cruz". E pediu que o imitássemos.

É verdade, nem todos os cristãos são chamados a imitar Jesus derramando o seu sangue por Ele. Mas todos, sem exceção, devem carregar a sua cruz, dia após dia, a fim de dizer, com São Paulo: “Estou pregado à cruz de Cristo" [2]. Era com esta atitude espiritual que São Josemaría Escrivá recomendava que os cristãos olhassem para os crucifixos despojados de Cristo: “Quando vires uma pobre Cruz de pau, só, desprezível e sem valor... e sem Crucificado, não esqueças que essa Cruz é a tua Cruz: a de cada dia, a escondida, sem brilho e sem consolação..., que está à espera do Crucificado que lhe falta. E esse Crucificado tens de ser tu" [3].

No entanto, muitas pessoas parecem agir com temor da cruz, quando não com desprezo e desdém. Dizem, orgulhosamente, que o madeiro ao qual Jesus foi pregado não deve ser ostentado por ninguém e, contrapondo-lhe o milagre da ressurreição, rejeitam a exaltação da Santa Cruz como culto da dor e do masoquismo.

Ora, é verdade que a crucificação era uma das penas mais infames que se aplicava aos homens nos tempos do Império Romano. Porém, “na Paixão [de Cristo], a Cruz deixou de ser símbolo de castigo para se converter em sinal de vitória" [4]. Por sua obediência ao Pai, Jesus transformou aquilo que era maldição em salvação para todos os homens. “Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação" [5], ensina o Concílio de Trento. E, do mesmo modo, o Vaticano II: “[Ele] mereceu-nos a vida com a livre efusão do seu sangue; n'Ele nos reconciliou Deus consigo e uns com os outros e nos arrancou da escravidão do demônio e do pecado" [6].

Por esse motivo, a Igreja saúda a cruz como “única esperança". No dizer de Santa Rosa de Lima, “ fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu".

Mais do que apontar o erro evidente desses “que se portam como inimigos da cruz de Cristo" [7], cabe perguntar qual atitude espiritual está por trás disso: o que faz as pessoas agirem com tanta indiferença, quando não com ódio, em relação à Cruz?

Essas pessoas, que até vão à igreja e começam uma vida de oração, ou não compreenderam o significado da redenção – e isto uma boa catequese e um ato de fé podem consertar – ou estão afetadas por uma “teologia da prosperidade", que, prometendo paraíso neste mundo, as aliena e faz que coloquem o coração nas coisas materiais e passageiras, ao invés das espirituais e eternas. Diante dos sofrimentos que Deus permite por que passem, fogem invariavelmente, até mesmo na oração, esquecendo-se de fazer a súplica do Pai-Nosso: “fiat voluntas Tua – seja feita a Vossa vontade".

Não devemos pedir a Deus que nos livre das cruzes, mas que nos ajude a suportá-las. Neste mundo, não é possível que sejamos privados de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar. A vontade de Deus é que sejamos santos, que O amemos, mas, para que isso aconteça, precisamos primeiro crucificar-nos para o mundo [8], purificar o nosso amor: “Cada dia um pouco mais – tal como ao esculpir na pedra ou na madeira –, é preciso ir limando asperezas, tirando defeitos da nossa vida pessoal, com espírito de penitência, com pequenas mortificações (...). Depois, Jesus vai completando o que falta" [9].

A verdade da Cruz é esta: o mesmo caminho que Deus fez para unir o Céu à Terra [10] é o que nós devemos percorrer para nos assemelharmos a Ele. Dois mil anos depois, o Calvário continua sendo o ponto de encontro dos que amam: de Jesus e de Seus santos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Mc 8, 34
  2. Gl 2, 19
  3. Caminho, 178
  4. São Josemaría Escrivá, Via Sacra, IIª estação, 5
  5. Sessão 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529
  6. Constituição pastoral Gaudium et spes, 7 de dezembro de 1965, n. 22
  7. Fp 3, 18
  8. Cf. Gl 6, 14
  9. São Josemaría Escrivá, Forja, 403
  10. Cf. Ef 1, 10

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Caindo no conto do gênero...

​O Brasil tem protagonizado nas últimas semanas a tentativa de implantação da ideologia do gênero por meio da Votação do Plano Nacional de Educação.

Nessa última quarta-feira houve a terceira tentativa de votação na câmara dos deputados, embora mais uma vez adiada, à causa, dessa vez, de bate-boca e provocação de deputados contra os manifestantes pró-vida e pró-família presentes na sala.

"Muitos têm desviado o foco do debate para temas que não pertencem ao âmbito da ideologia de gênero", disse à ZENIT o Pe. José Eduardo de Oliveira e Silva, sacerdote da Diocese de Osasco - SP, pároco da Igreja São Domingos (Osasco), doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Romana da Santa Cruz e professor de Teologia Moral.

Acompanhe a entrevista abaixo:

ZENIT: Temos visto nas últimas semanas um crescente debate sobre a questão de "gênero" no contexto do Plano Nacional de Educação. Como o sr. avalia estas discussões?

Pe. José Eduardo: Tenho acompanhado de perto os diferentes discursos e percebo que, embora a questão esteja cada dia mais clara, muitos têm desviado o foco do debate para temas que não pertencem ao âmbito da ideologia de gênero, talvez até como um recurso para não enfrentarem um tema tão absurdo. Trata-se de um deslocamento para sabotar o discurso.

ZENIT: Em que consiste, então, a "ideologia de gênero"?

Pe. José Eduardo: Sintetizando em poucas palavras, a ideologia de gênero consiste no esvaziamento jurídico do conceito de homem e de mulher. A teoria é bastante complicada, e uma excelente explicação desta se encontra no documento "Agenda de gênero". Contudo, a ideia é clara: eles afirmam que o sexo biológico é apenas um dado corporal de cuja ditadura nos devemos libertar pela composição arbitrária de um gênero.

ZENIT: Quais as consequências disso?

Pe. José Eduardo: As consequências são as piores possíveis! Conferindo status jurídico à chamada "identidade de gênero" não há mais sentido falar em "homem" e "mulher"; falar-se-ia apenas de "gênero", ou seja, a identidade que cada um criaria para si.

Portanto, não haveria sentido em falar de casamento entre um "homem" e uma "mulher", já que são variáveis totalmente indefinidas.

Mas, do mesmo modo, não haveria mais sentido falar em "homossexual", pois a homossexualidade consiste, por exemplo, num "homem" relacionar-se sexualmente com outro "homem". Todavia, para a ideologia de gênero o "homem 1" não é "homem", nem tampouco o "homem 2" o seria.

ZENIT: Então aqueles que defendem a "ideologia de gênero" em nome dos direitos homossexuais estão equivocados?

Pe. José Eduardo: Exatamente! Eles não percebem que, uma vez aderindo à ideologia de gênero, não haverá sequer motivo em combater à discriminação. Nas leis contra a discriminação, eles querem discriminar alguns que consideram mais discriminados. Contudo, pela ideologia de gênero, não há mais sentido em diferenciar condições e papeis, tudo se vulnerabiliza! Literalmente, eles caíram no conto do gênero.

Para defender a identidade homossexual, estão usando uma ideologia que destrói qualquer identidade sexual e, por isso, também a família, ou qualquer tipo de família, como eles mesmos gostam de dizer.

Em poucas palavras, a ideologia de gênero está para além da heterossexualidade, da homossexualidade, da bissexualidade, da transexualidade, da intersexualidade, da pansexualidade ou de qualquer outra forma de sexualidade que existir. É a pura afirmação de que a pessoa humana é sexualmente indefinida e indefinível.

ZENIT: Então a situação é muito pior do que imaginamos...

Pe. José Eduardo: Sim. As pessoas estão pensando em "gênero" ainda nos termos de uma "identidade sexual". Há outra lógica em jogo, e é por isso que ninguém se entende.

Para eles, a ideia de "identidade sexual" é apenas um dado físico, corporal. Não implica em nenhuma identidade. Conformar-se com ela seria "sexismo", segundo a própria nomenclatura deles. A verdadeira identidade é o "gênero", construído arbitrariamente.

Todavia, este "gênero" não se torna uma categoria coletiva. É totalmente individual e, portanto, indefinível em termos coletivos. Por exemplo, alguém poderia se declarar gay. Para os ideólogos de gênero isso já é uma imposição social, pois a definição de gay seria sempre relativa a uma condição masculina ou feminina mormente estabelecida. Portanto, uma definição relativa a outra, para eles, ditatorial.

Não existiria, tampouco, a transexualidade. Esta se define como a migração de um sexo para outro. Mas, dirão os ideólogos de gênero, quem disse que a pessoa saiu de um sexo, se aquela expressão corporal não exprime a sua identidade construída? Portanto, para eles, não há sequer transexualidade.

Gênero, ao contrário, é autorreferencial, totalmente arbitrário.

Alguém dirá que não há lógica isso. Realmente, a lógica aqui é "ser ilógico". É o absurdo que ofusca nossa capacidade de entender.

ZENIT: O que dizer, então, de quem defende a ideologia de gênero no âmbito dos direitos feministas?

Pe. José Eduardo: Os ideólogos de gênero, às escondidas, devem rir às pencas das feministas. Como defender as mulheres, se elas não são mulheres?...

ZENIT: Qual seria o objetivo, portanto, da "agenda de gênero"?

Pe. José Eduardo: Como se demonstra no estudo que mencionei, o grande objetivo por trás de todo este absurdo – que, de tão absurdo, é absurdamente difícil de ser explicado – é a pulverização da família com a finalidade do estabelecimento de um caos no qual a pessoa se torne um indivíduo solto, facilmente manipulável. A ideologia de gênero é uma teoria que supõe uma visão totalitarista do mundo.

ZENIT: Como a população está reagindo diante disso?

Pe. José Eduardo: Graças a Deus, milhares de pessoas têm se manifestado, requerendo dos legisladores a extinção completa desta terminologia no Plano Nacional de Educação. Pessoalmente, tenho explicado a muitas pessoas a gravidade da situação nestes termos: 1) querem nos impor uma ideologia absurda pela via legislativa; 2) querem fazê-lo às custas do desconhecimento da população, o que é inadmissível num Estado democrático de direito; 3) e querem utilizar a escola como um laboratório, expondo nossas crianças à desconstrução de sua própria personalidade. E ainda querem que fiquemos calados com isso! Não!, o povo não se calará!

ZENIT: Falando em "Estado democrático de direito" e vendo a manifestação de tantos cristãos, evangélicos e católicos, inclusive de bispos, alguns alegam a laicidade do Estado como desculpa para desprezar os seus argumentos. O que dizer sobre isso?

Pe. José Eduardo: Esta objeção é tão repetitiva que se torna cansativo respondê-la. Numa discussão democrática, não importa se o interlocutor é religioso ou não. O Estado é laico, não laicista, anti-religioso. Seria muito divertido, se não fosse puro preconceito – e às vezes, verdadeiro discurso de ódio anti-religioso –, a insistência com a qual alguns mencionam a Bíblia, os dogmas, os preceitos... como se nós estivéssemos o tempo todo alegando argumentos teológicos. Como se pode ver acima, nossos argumentos aqui são simplesmente filosóficos, racionais. Aliás, são tão racionais a ponto de mostrar o quanto a proposta deles é totalmente irracional, posto que contradizem as sua próprias bandeiras ideológicas.

No final das contas, a única coisa que lhes resta é a rotulação – na audiência de ontem, chamaram aos gritos um deputado de "machista", em outra ocasião de "patriarcalista" –, mas a rotulação é a arma dos covardes, daqueles que não têm honestidade e liberdade intelectuais. Como digo sempre, nestas discussões, precisamos nos comportar como filósofos, e não como maus advogados, que estão dispostos a negar até as evidências.

Fonte: Zenit

| Categoria: Sociedade

Mulheres falam contra o aborto na Câmara dos Deputados

Seminário no Congresso Nacional, comemorando o Dia da Mulher, apresenta vozes femininas contrárias ao aborto e à Cultura da Morte

Como parte das comemorações pelo Dia da Mulher, a Câmara dos Deputados, no Distrito Federal, abriu suas portas para o Seminário “Mulher, Família e Gênero", no dia 11 de março de 2014. O evento se deu no Auditório Nereu Ramos e foi promovido pelo Partido Social Cristão juntamente com o Observatório Internacional de Biopolítica.

O seminário contou com “especialistas nas áreas de Direito, Saúde e Humanidades, os quais discutiram a origem da problemática moderna sobre o aborto, seu desdobramento nos anos recentes e suas principais fundamentações teóricas", informou o site da Câmara.

Trata-se de um evento único, no sentido de que são vozes dissonantes ao pensamento quase hegemônico e tido até mesmo como natural de que tanto a descriminalização do aborto quanto o avanço da cultura da morte no país acontecem sob uma perspectiva de “evolução dos tempos". Nada mais falso. Desde a primeira palestra, proferida pela Dra. Renata Gusson, tomamos conhecimento de que a implantação da cultura da morte no mundo e, atualmente no Brasil, obedece a uma agenda milimetricamente pensada com esse objetivo.

Para tanto, os promotores dessa funesta cultura, tão denunciada pelo Bem Aventurado Papa João Paulo II e sucessores, utilizam-se até mesmo de manipulação de dados, conforme brilhantemente expõe a Dra. Isabela Mantovani.

A terceira palestra disponível foi proferida pela Professora Fernanda Takitani que trouxe à tona os antecedentes históricos e filosóficos da questão do gênero. Atualmente há uma intensa discussão acerca da chamada “ideologia de gênero" e, assim, a fala precisa da professora traz não só informações sobre o tema, mas sólido embasamento argumentativo para combatê-la.

Por fim, deve-se considerar que a presença de tais mulheres - todas católicas, casadas, mães - no Congresso Nacional como uma quebra do estereótipo do que comumente lá se vê: militantes patrocinadas por ONGs, por sua vez sustentadas pelas grandes fundações. São mulheres brilhantes que lutam para que a luz seja retirada de sob o alqueire e ilumine não só aquela que é a Casa do Povo, mas o restante do Brasil. Que elas sejam ouvidas.