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A ideologia de gênero e a desconstrução do feminino

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres!

Por Padre José Eduardo de Oliveira e Silva — Uma das estratégias do marxismo para destruir a família e, com ela, a sociedade foi interceptar os coletivos feministas para criar conflitos em nome da libertação: em primeiro lugar, libertar a mulher do homem; depois, libertar a mulher da família; e, por último, libertar a mulher da mulher, que é o escopo da ideologia de gênero.

A ideologia de gênero, portanto, alegando descoisificar o feminino que, segundo diz, está machistamente definido, para torná-lo incoisificável, inidentificável, acaba por pulverizar a noção mesma da identidade, tornando-a tão vazia que, por fim, produzirá um silenciamento tão universal e invencível que todas as reivindicações em nome das quais milita serão liquidadas, impossibilitadas, não farão mais o mínimo sentido.

Não há modo mais eficaz de tornar a sociedade passiva e manipulável. De fato, sem identidade, eu me torno o quê? Nada mais senão uma… COISA! E, nessa posição, acontecerá exatamente o contrário do que afirma, por exemplo, Jules Falquet: a abordagem de gênero não libertará a sociedade do capitalismo, como ela espera, mas o fortalecerá e o tornará inexpugnável, pois todos serão coisificados a ponto de serem reduzidos apenas a mão-de-obra, sem família, sem filhos, sem ninguém, mas com muita escravidão tecnocrática.

É por isso que os maiores propagadores da ideologia de gênero são os marxistas e os capitalistas: aqueles financiados por estes.

Caso queiramos libertar as mulheres, a primeira coisa que precisamos fazer é mostrar que são mulheres, que podem ser amadas pelos homens, que podem ser felizes tendo filhos, que podem ser rainhas em casa ao invés de empregadas na empresa, e que podem ser santas, chegando à contemplação, pois o fim do homem não está nessa ideologia chamada dinheiro, mas na aquisição e prática da sabedoria, que se alcança pelo estudo e pela vida espiritual, únicos bens inalienáveis.

Em certo sentido Foucault tem razão, mas contra ele mesmo: o que precisamos fazer é parar de recitar essa dialética, como se ela existisse; parar de viver em função da técnica e da economia; sair desse recital! Precisamos desvestir a camisa-de-força confeccionada para nós por Foucault, Butler, Scott et caterva. É simples como isso. Basta começar a viver o Evangelho, a doutrina católica, e entregar-se à contemplação.

Como essas ideias desconstrucionistas se estruturaram num sistema educacional, o nosso desafio é construir um novo sistema educacional que penetre o existente, desconstruindo a desconstrução. Isso requer estudo, mais que militância. E é aqui que começa nossa tarefa, se quisermos realmente trazer à realidade a verdadeira e necessária libertação.

Quando Simone de Beauvoir disse que o feminino é um "não masculino", e que isso precisaria ser revolucionado, estava apenas invertendo uma ideia bíblica. Segundo as Escrituras, a mulher proveio do homem, que, quando a viu, disse "carne de minha carne e osso dos meus ossos; tu serás chamada de mulher porque foste tirada do homem" (cf. Gn 2, 23). A missão do homem é, sim, reforçar a identidade feminina, amá-la, festejar com a mulher, carregá-la nos braços, elevá-la mais alto que antes…, "assim como Cristo amou a Igreja, e entregou-se a si mesmo, por ela" (Ef 5, 25).

Criando uma dialética aí, Beauvoir não conseguiu elevar a mulher, mas apenas a indefiniu, abrindo espaço que que Butler depois a aniquilasse, vendendo sua "teoria" sob a impostura da afirmação.

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. O mundo, sem elas, seria um quartel. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres! — Abaixo a ideologia de gênero! Viva as mulheres!

Fonte: Facebook do Pe. José Eduardo

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Abortoduto: tudo que você precisa saber (e fazer)

Saiba o que você pode fazer, ainda hoje, para barrar a lei do “abortoduto” no Brasil.

O que está acontecendo?

Para entender do que se trata o projeto em questão, recomendamos vivamente a todos que assistam ao seguinte material:

O que você pode fazer hoje para barrar a lei do "abortoduto"?

Apesar de serem contrários ao aborto, assim como maioria da população brasileira, nossos deputados têm dificuldade em entender por que o Projeto 7371, que fala apenas em fundos para comprar equipamentos e custear treinamento de "combate à violência contra as mulheres", está se referindo à implantação de um programa semelhante ao das "Iniciativas Sanitárias" uruguaio, que levou à legalização do aborto naquele país.

Você pode ajudar, e muitíssimo, para impedir a aprovação do PL 7371/2014 através do seguinte:

  1. Divulgue como puder as referências acima, para que as pessoas entendam o que está acontecendo.
  2. Ligue para os gabinetes dos principais deputados líderes de bancada (telefones listados abaixo), explique o que está acontecendo e peça que não pautem o PL 7371/2014 para votação.
  3. Escreva para os e-mails dos deputados federais (também a seguir), explique o que está acontecendo e peça que votem pela rejeição do PL 7371/2014.

Devido à urgência da situação, é imprescindível que cada um escreva alguma mensagem com suas próprias palavras, ao invés de mandar uma mensagem previamente padronizada. Aqueles que participam de alguma igreja ou religião, não se manifestem como religiosos, mas como cidadãos ou profissionais.

Lista de lideranças com as quais entrar em contato

1. ANDRE MOURA
http://bit.ly/2mMkGiL
http://bit.ly/2mMrw7S
(61) 3215-9001
lid.govcamara@camara.leg.br

2. BALEIA ROSSI
http://bit.ly/2mMiIiy
http://bit.ly/2mMftHQ
(61) 3215-9181/80
lid.pmdb@camara.leg.br

3. RICARDO TRIPOLI
http://bit.ly/2mWWbMT
http://bit.ly/2mWQTRs
(61) 3215-9345/9346
lid.psdb@camara.leg.br

4. ARTHUR LIRA
http://bit.ly/2mWW9Vh
http://bit.ly/2mMsmll
(61) 3215-9426
lid.pp@camara.leg.br

5. AELTON FREITAS
http://bit.ly/2mWWbwn
http://bit.ly/2mX9vRi
(61) 3215-9550
lid.pr@camara.leg.br

6. MARCOS MONTES
http://bit.ly/2mMx2Yj
http://bit.ly/2mWX5bW
(61) 3215-9060/9070
lid.psd@camara.leg.br

7. EFRAIM FILHO
http://bit.ly/2mWRx1n
http://bit.ly/2mMu0n2
(61) 3215-9265/9281
lid.dem@camara.leg.br

8. EROS BIONDINI
http://bit.ly/2mX5GvB
http://bit.ly/2mMu06w
(61) 3215-9990
lid.pros@camara.leg.br

9. CLEBER VERDE
http://bit.ly/2mX5Gf5
http://bit.ly/2mMiKXI
(61) 3215-9880/9882/9884
lid.prb@camara.leg.br

10. WEVERTON ROCHA
http://bit.ly/2mMyZ7f
http://bit.ly/2mWTjQ4
(61) 3215-9700/9701/9703
lid.pdt@camara.leg.br

11. JOVAIR ARANTES
http://bit.ly/2mWVkvH
http://bit.ly/2mXgzNF
(61) 3215-9502/9503
lid.ptb@camara.leg.br

12. AUREO
http://bit.ly/2mMyWIB
http://bit.ly/2mX2fVE
(61) 3215-3212
lid.solidariedade@camara.leg.br

13. ALEXANDRE BALDY
http://bit.ly/2mMuw4d
http://bit.ly/2mWOnup
(61) 3215-8900
lid.ptn@camara.leg.br

14. PROFESSOR VICTÓRIO GALLI
http://bit.ly/2mMvOMu
(61) 3215-9762/9771/9761
lid.psc@camara.leg.br

15. DIEGO GARCIA
http://bit.ly/2mMqnxc
http://bit.ly/2mMnX1D
(61) 3215-8875
lid.phs@camara.leg.br

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Pânico na Planned Parenthood: corte de verbas ameaça império da morte

Para salvar império da morte, Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, inventa acusações contra Donald Trump.

Cecile Richards, a presidente da maior rede de abortos dos Estados Unidos, a poderosa Planned Parenthood, está preocupadíssima com os rumos de sua ONG aborteira agora que o governo Trump decidiu abrir fogo contra a "cultura da morte". Dias atrás, em um apelo desesperado por novas doações financeiras, Richards conclamou os defensores do aborto à "batalha de nossas vidas" contra o que chamou de "a maior ameaça aos direitos reprodutivos da mulher que esta nação jamais enfrentou".

A retórica é pulsante e não podia ser diferente. Acostumada a receber quase US$ 530 milhões anuais do Estado para abortar cerca de 324 mil bebês ao ano, a Planned Parenthood viu sua mina de ouro evaporar quando, no início deste ano, o presidente americano Donald Trump assinou uma medida contra o financiamento de ONGs pró-aborto que atuam em países de terceiro mundo. E as coisas devem ficar ainda mais complicadas nos próximos meses, caso o Congresso decida finalmente transferir os fundos, até então dedicados a ela, para outras clínicas de saúde feminina, que não praticam abortos.

É claro, portanto, que Cecile Richards não poderia assistir passivamente à derrocada da Planned Parenthood sem que fizesse algo para defender o chamado "direito à escolha" da mulher de matar ou não seus filhos. Escolhidas as armas, hora do ataque: "Lutemos contra as racistas, homofóbicas, xenofóbicas, transfóbicas políticas da administração Trump", disparou a líder feminista, repetindo os já conhecidos jargões da grande mídia contra o atual governo americano. E o objetivo é claro: construir um monstro luciferino contra o qual a Planned Parenthood possa posar de vítima e heroína ao mesmo tempo. Trata-se do expediente mais antigo dos revolucionários, que raciocinam não a partir do senso comum, no sentido aristotélico do termo, mas a partir do seu mundinho das ideias, ao qual todos devem se submeter.

Uma vez, discorrendo sobre o surrealismo dos esquerdistas, Gustavo Corção fez a seguinte colocação:

Não, a esquerda propriamente dita jamais lutou contra a injustiça ou pela justiça; mas freqüentemente lutou contra os que, por assim dizer, lhe fazem o favor de praticar certas injustiças. É melhor usar o termo próprio: as esquerdas aproveitam as injustiças, vivem das in­justiças, para manter em movimento os dois cilindros da motocicleta do progresso na direção da luta de classes. [1]

A descrição não poderia ser mais fiel ao que se pode observar no modus operandi da Planned Parenthood, especialmente na fala de sua presidente. Ao apelar para os jargões preconceituosos contra Donald Trump, Cecile Richards não está defendendo nem as mulheres, nem os imigrantes, nem os homossexuais. Ela está apenas se alimentando do impacto que essas palavras causam no imaginário popular para manobrar uma massa de inocentes úteis que assegurem o seu depósito governamental ao fim do mês. Não é com a injustiça contra negros e homossexuais que Richards está preocupada, mas com o "injusto" corte de verbas que o governo Trump lhe fez o favor de conceder.

É assim que Cecile Richards jura escandalizar-se com os, sim, deploráveis comentários de Donald Trump sobre as mulheres, mas nada diz de sua candidata, Hillary Clinton, ter achado graça no fato de seu cliente estuprador ter conseguido enganar o detector de mentiras. É assim que Cecile Richards, à la Monalisa Perrone, inventa um suposto racismo ou preconceito homofóbico de Donald Trump sem ele nunca ter dito qualquer palavra contra esses grupos sociais. É que "não há mais violenta paixão do que essa de ver realizada, materializada, e funcionando, uma Idéia emanada de nossa mente criadora" [2]. Trata-se da "vontade de poder", como diria Gustavo Corção: "uma paixão de impor ao mundo uma forma nova, uma Idéia" [3]. Não importa se essa ideia contraria a lei natural e a razão. A lógica é esta: se o remédio não funciona, mudemos o paciente. Vale tudo para manter a "cultura da morte". Até mentir.

Acontece que a International Planned Parenthood Federation, a multinacional da morte, foi criada em 1916, pela ativista Margaret Sanger, com um objetivo muito claro: dizimar as populações negras e de imigrantes por meio da esterilização e da promoção do aborto. Sanger, aliás, era muito querida entre os círculos da Ku Klux Klan, para a qual chegou a ministrar uma palestra, devido às suas posições eugenistas e racistas. Na sua visão revolucionária, negros, imigrantes e pobres seriam o tipo de "seres humanos que nunca deveriam ter nascido".

E enganar-se-ia quem pensasse que esse racismo é algo do passado, com o qual a Planned Parenthood não tem mais nada a ver. Recentemente, em outra daquelas séries de vídeos escandalosos sobre as suas, por assim dizer, políticas econômicas, um doador aparece oferecendo uma quantia generosa à instituição desde que esta se comprometa a realizar um aborto em um bebê negro. "Por qualquer motivo aceitarão o dinheiro", responde a atendente.

Desde o tráfico de órgãos à negação de exame pré-natal, é a isto, e nada mais, que se resume a tal saúde reprodutiva da Planned Parenthood: aborto. Eles querem abortar e vão inventar qualquer artimanha para continuar a sacrificar vidas inocentes noaltar do globalismo, do qual são um fiel aliado.

Cecile Richards tem razão, porém, quando afirma que os direitos da mulher estão em perigo. Certamente, a política pró-aborto da Planned Parenthood é um perigo grave à saúde da mulher, sobretudo se essa mesma ONG continuar a ditar as regras do jogo através do financiamento público. O seu currículo está aí para provar: uma fundadora eugenista, cujo objetivo era eliminar os negros dos Estados Unidos, e que encontra sucessores ainda hoje dentro da sua instituição, cumprindo engenhosamente cada item de sua cartilha antinatalista. Que caia logo a Babilônia!

*

No Brasil, que coincidência!?, uma nova lei quer agora criar um fundo para… o "Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres". Você já sabe onde essa história vai terminar.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. CORÇÃO, Gustavo. O século do nada. São Paulo: Record, 1973, p. 97.
  2. Ibidem.
  3. Ibidem.

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O estranho fenômeno dos homens feministas

A chama do feminismo ainda está acesa, mas ela só se mantém acesa por causa de homens que fracassam em seu papel de homens.

Por Dale Ahlquist — Algumas das piores feministas são homens. A feminista clássica é, obviamente, uma mulher. Ela surgiu como um espetáculo público um século atrás e se tornou uma espécie de instituição em nossa época — tudo graças à propaganda financiada pelo Estado em nossas escolas públicas e à história por imagens aceita como "educação". Ela é retratada como uma criatura oprimida a libertar-se de uma prisão social mantida por homens. Trata-se de uma imagem relativamente bem estabelecida na mente americana. A demanda por igualdade dá um ar de nobreza à causa. Ela soa como um grito por justiça. Mas buscar a igualdade com os homens era, como apontava G. K. Chesterton, um rebaixamento para as mulheres. Foi provavelmente por isso que apenas uma minoria delas abraçou o feminismo. Elas tiveram culpa direta, como dizia Chesterton, pela "imitação entediante, elaborada e elefântica do sexo masculino" — uma descrição notavelmente desprovida de bons adjetivos.

Chesterton explicava que a principal fraqueza das feministas era acreditar em todas as alegações idiotas, feitas pelos homens, sobre a importância da política. A maior parte das mulheres era esperta o suficiente para deixar que seus maridos saíssem para discutir em bares e clubes, já que isso adiantava muito pouco e geralmente não interferia no verdadeiro negócio da vida, o drama do lar e da família. Os homens alegavam que a política era importante; as mulheres sabiam melhor. Elas sabiam o que era realmente importante: formar as mentes e as almas de seus filhos no cenário ideal e independente do lar. Mas havia algumas poucas mulheres — geralmente aquelas cujo "privilégio de classe" já as tinha separado de seus filhos — que caíram no falatório masculino e se tornaram políticas. Chesterton advertiu que, se as mulheres se envolvessem na política, isso geraria o temível resultado de fazer a política parecer mais legítima do que ela realmente era. Isso daria razão para o governo crescer em seu alcance e influência e eventualmente impor-se em todos os aspectos de nossas vidas. O resultado seria o enfraquecimento da autoridade da família e o fortalecimento da autoridade do Estado. A história mostra que os alertas de Chesterton foram justificados.

Alguns podem considerar as mulheres terem conseguido o direito de votar como o triunfo do feminismo. Mas, como as feministas constituíam uma minoria, o voto, na verdade, não lhes deu tanta voz assim. O verdadeiro triunfo do feminismo foi a legalização do aborto. O argumento de que as mulheres têm o direito de matar seus próprios bebês não é baseado em nenhuma precedente legal conhecido, em nenhum entendimento tradicional de direitos humanos, nem em nenhum ensinamento moral clássico ou civilizado. Esse argumento transformou violentamente a família desde dentro, tornando o próprio coração da família o seu inimigo letal. Mas a falácia feminista venceu… porque alguns homens caíram nela.

E ainda há homens a cair na mesma história. Apesar de toda a evidência de que o feminismo fracassou — os lares destruídos, a geração da creche, a melancolia das mães que trabalham fora, as consequências do sexo promíscuo e sem amor e, acima de tudo, os profundos sentimentos de culpa decorrentes do aborto —, a chama do feminismo ainda está acesa. Mas não são as mulheres que a têm mantido acesa. São os homens. São os homens fracassando em seu papel de homens. O homem feminista tem sido uma das piores influências na sociedade moderna. Ele representa a perda do cavalheirismo, a perda da masculinidade, a perda da paternidade, a perda da autoridade.

Ainda que o aborto seja um triunfo para o feminismo, não se trata de um triunfo para as mulheres. Ele tem tornado os homens menos responsáveis por seus atos e mais desrespeitosos para com as mulheres. São homens que arrastam, ou pressionam, ou abandonam mulheres a clínicas de aborto. São homens que financiam o aborto. São homens que se beneficiam do aborto. E, enquanto isso, são mulheres que continuam a ser degradadas e descartadas graças ao aborto. Talvez a mais contundente ironia de todas: normalmente são as mulheres que serão abortadas.

Chesterton chamava o feminismo de ódio por tudo o que é feminino. A coisa mais feminina de todas é a maternidade, e o ódio da maternidade é representado pelo aborto: o horrível assassinato do próprio bebê em um ato que é defendido como direito.

A perda dos papéis distintivos dos sexos — que Chesterton chama de "a distinção de dignidades entre homens e mulheres" — tem gerado graves consequências para a nossa sociedade. O problema com os sexos hoje, ele diz, "é que cada sexo está tentando ser ambos os sexos ao mesmo tempo". O feminismo, que surgiu com mulheres tentando ser mais como os homens, apenas conseguiu tornar os homens menos homens. E as mulheres estão deixando que eles se safem disso.

Fonte: The Distributist Review | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Doutrina

O recado de uma freira católica aos foliões de Carnaval

Aos cristãos que aproveitam a festa do Carnaval para cair na farra e na bebedeira, Madre Angélica tem um recado importante para passar.

São conhecidas as sentenças dos santos da Igreja sobre o tempo do Carnaval. Elas estão espalhadas na Internet e deveriam formar todos aqueles que se dizem católicos. Para citar um só exemplo, vindo da terra do santo Papa João Paulo II, vejamos o que diz Santa Faustina Kowalska sobre esses dias de festa e aparente alegria:

"Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista." (Diário, 926)

Essa apóstola da Divina Misericórdia escrevia tais palavras ainda na primeira metade do século XX. Hoje, passados já mais de 100 anos, não há dúvidas de que os festejos carnavalescos pioraram muito. Se a revelação recebida por Faustina fê-la "desfalecer de terror", com que tristeza não deveríamos reagir ao quadro que, agora, infelizmente, todos podemos ter diante dos olhos, graças ao alarde dos meios de comunicação! Se, com um só Carnaval do século passado, uma santa se admirava por Deus permitir que a humanidade existisse, o que dizer dos festivais que se repetem, ano após ano, aumentando mais e mais a sua malícia — a ponto de a ala de uma escola de samba anunciar, este ano, "que terá 40 casais simulando sexo na Avenida"?

Mas nós, infelizes que somos, perdemos a noção do que seja o pecado. A ofensa cometida a Deus tornou-se para os nossos contemporâneos uma trivialidade, algo banal. Os homens e mulheres de nosso tempo não estão minimamente preocupados com mandamento algum: embebedam-se fim de semana sim e outro também; têm sexo quando, como e com quem bem entendem; e, pior do que tudo isso, criam os filhos que têm, frutos do acaso, para viverem as mesmas coisas que eles vivem. Em resumo, e é esta a grande tragédia de nossa época, o homem moderno transformou a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada. Que as pessoas vivam 4 dias de festas indecentes uma vez por ano, é escandaloso; mas que passem as 4 idades de sua vida na mesma situação, é uma tragédia muito pior.

O quadro é horrendo, mas a pergunta que devemos fazer nós, que estamos no mundo sem sermos do mundo, é como acordar essas pessoas, que convivem conosco no dia a dia e até que fazem parte de nossa família. Qual a melhor forma de convertê-las e tirá-las do abismo em que se acham?

Uma sugestão que muitas vezes o Padre Paulo Ricardo lança em suas pregações é mostrar para os pecadores como eles são infelizes na vida que levam. Para aqueles que estão cegos e apaixonados pelas coisas do mundo, será muitas vezes inútil repetirmos o velho sermão dos santos — embora não o devamos subestimar, absolutamente. Com muita frequência, no entanto, as palavras deles só costumam funcionar para "os de dentro", que já têm o mínimo de temor de Deus. Para quem "está fora", muito mais eficaz é apontar para a tristeza que mora nos corações afastados do Senhor: onde estão, na Quarta-feira de Cinzas, os sorrisos e as gargalhadas que desfilaram na Sapucaí? Para onde foram tantas energias gastas pelo prazer, pela roupa mais exuberante, por mais um gole de bebida?

É mais ou menos esse o quadro que pinta, no vídeo acima, a grande comunicadora católica Madre Angélica, falecida ano passado (2016), nos Estados Unidos. No excerto em questão, a religiosa bem-humorada mistura com a estratégia do "olha para ti mesmo" a tradicional pregação cristã sobre o pecado, o escândalo, a penitência e o inferno, à semelhança do pai de família do Evangelho "que tira do seu baú coisas novas e velhas" ( Mt 13, 52).

Que as suas palavras possam cair, de alguma forma, nos corações afastados de Cristo e da sua Igreja. Para os que entendem inglês, vale a pena assistir ao episódio completo de onde foi extraído esse vídeo: o programa foi ao ar no dia 2 de março de 1999, e fala sobre as "observâncias quaresmais".

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Pró-Vida

O que está por trás do PL 7371/2014?

Um fundo para combater a violência contra as mulheres? É o que querem que você pense.

Todos os anos, por volta do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, nós podemos esperar uma artimanha das feministas para fazer avançar a causa do aborto no Brasil. Não está sendo diferente desta vez. Sob o pretexto de criar um "Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres" — quem ousaria se opor, afinal, a um objetivo tão nobre? —, corre no Congresso Nacional um projeto de lei que, na prática, torna amplo e irrestrito o acesso ao aborto em nosso país.

O projeto em questão é o PL 7371/2014, cuja íntegra pode ser acessada no site da Câmara dos Deputados. Ao consultá-lo, porém, não procure pela palavra "aborto", muito menos pela expressão eufemística "interrupção voluntária da gravidez". Os defensores da legalização do aborto são espertos. Eles não incluiriam esses termos em suas propostas, pois sabem que, deixando às claras os seus verdadeiros intentos, não conseguiriam implantar sua agenda. O Congresso Nacional, bem como o povo brasileiro, é majoritariamente contrário ao aborto e, assim como aconteceu em outras ocasiões, não permitirá que ele seja liberado em nosso país. Ao menos não dessa forma explícita e cabal.

Os métodos da militância pró-aborto são, por isso, mais artificiosos: o PL 7371/2014, que em si mesmo não teria nada de mau, faz parte de um plano maior e mais elaborado. Constitui apenas mais uma etapa de um processo longo e sorrateiro para liberar o aborto no Brasil. Vejamos como funciona.

O Código Penal brasileiro tipifica com muita clareza o crime de aborto, nos seus artigos 124 a 126, não punindo a prática realizada por um médico apenas em dois casos, sendo um deles "se a gravidez resulta de estupro" (art. 128). A previsão do legislador é bem clara: o aborto, neste caso de estupro (outro tipo penal específico, constante do art. 213), não se pune. Disto para as expressões distorcidas "aborto legal" e "direito ao aborto" já vai uma distância considerável: uma prática, só porque deixou de ser punida em âmbito penal, nem por isso está de acordo com a lei ou se transforma em direito subjetivo. O adultério, por exemplo, não consta mais de nosso ordenamento penal, mas nem por isso se tornou lícito — o Código Civil fixa como dever de ambos os cônjuges a "fidelidade recíproca" (art. 1.566) —, muito menos moral! Assim também, o mesmo diploma legal protege, "desde a concepção, os direitos do nascituro" (art. 2.º), o que significa dizer que não existe (ou, pelo menos, não deveria existir) "aborto legal" nem "direito ao aborto" no Brasil.

Mas, se a lei penal não dá margem para uma interpretação extensiva ou para a ampla descriminalização da prática, é preciso tentar outros meios. Por isso, em 2014, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a Lei 12.845, de 2013.

O Código Penal é muito limitado em suas previsões? Alargue-se então o conceito de violência sexual para "qualquer forma de atividade sexual não consentida" (art. 2.º), de modo que qualquer pessoa que alegue ter sido violentada, mesmo dentro do casamento, possa praticar o abortamento. Como encontrar um médico para realizar o procedimento? Ora, basta que se coloque o "atendimento imediato, obrigatório em todos os hospitais integrantes da rede do SUS", às vítimas de violência, incluindo o serviço de "profilaxia da gravidez" e de "fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis" (art. 3.º)!

Junte-se a essa lei a Portaria 415, do Ministério da Saúde, que incluiu o procedimento "interrupção da gestação/antecipação terapêutica do parto previstas em lei e todos os seus atributos" na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS, e voilà, estão abertas — ou melhor escancaradas — as portas para o acesso ao aborto no Brasil! E tudo isso muito inteligentemente arquitetado, para não deixar sequer um rastro de sangue no caminho.

O "Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres" se insere em todo esse quadro na medida em que procedimentos como esse demandam investimentos. Quem vai bancar tudo isso, é o próprio projeto que determina: trata-se das "doações, as contribuições em dinheiro, os valores e os bens móveis e imóveis que venham a ser recebidos de organismos ou entidades nacionais, internacionais ou estrangeiras, bem como de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais, internacionais ou estrangeiras" (art. 2.º).

Trocando em miúdos, com esta lei aprovada, fica garantido o dinheiro das organizações internacionais para que "todos os hospitais integrantes da rede do SUS" realizem o procedimento do aborto no Brasil. Basta que as mulheres aleguem uma relação sexual não consentida — palavra que deve ser assumida com "presunção de veracidade", conforme norma técnica do Ministério da Saúde —, entre em uma sala e o resto acontece tal como descrito pelo médico abaixo, Dr. Anthony Levatino, com ampla experiência no assunto:

É assim mesmo que os nossos parlamentares querem combater a violência contra as mulheres? Autorizando que as vidas de milhares — quiçá milhões — de nascituros, dos quais uma grande parte também é mulher, seja impiedosamente ceifada?

Acreditamos que não e esperamos que especialmente as deputadas mulheres do nosso Congresso, que são a favor da vida e da família, tomem consciência da tremenda responsabilidade que elas têm diante de si. Nem tudo é o que parece ou, como diz o provérbio popular, "nem tudo o que reluz é ouro". Passar adiante o PL 7371, de 2014, significa, na prática, um grande retrocesso na luta contra a violência da mulher.

Assista à nossa aula ao vivo desta semana, "Um novo Cavalo de Troia", a partir dos 38min10s, e saiba o que você pode fazer, de imediato, para impedir que esse projeto avance no Congresso Nacional!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Cristãos perseguidos na Europa: um relatório assustador

​Os cristãos na Europa enfrentam, atualmente, uma dupla perseguição: são alvo de extremistas islâmicos, muitas vezes vindo de fora, mas também dos próprios compatriotas, que não querem mais saber de Deus.

"Na Europa ocidental hoje, tanto a liberdade religiosa quanto a liberdade de consciência se encontram ameaçadas".

Embora não fizesse parte da discussão, nem fosse divulgado durante a coletiva de imprensa final, um documento distribuído aos bispos italianos pelo Cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana e também do Conselho das Conferências Episcopais Europeias, põe o dedo sobre a ferida da perseguição religiosa na Europa. E isso a partir de um ponto de vista privilegiado: o do Observatório sobre a Intolerância e a Discriminação contra os Cristãos, sediado em Viena, na Áustria.

A preocupação do Cardeal Bagnasco não é nova. Já há algum tempo o Cardeal denuncia a construção de uma ordem mundial sem Deus, a qual se reflete, por exemplo, no recente caso de eutanásia infantil praticado na Bélgica. Essa sua preocupação traduziu-se no relatório entregue aos bispos italianos, provavelmente com o objetivo de alargar a visão dos problemas de todo o continente.

O documento contém uma síntese eficaz dos 1.800 casos de discriminação contra os cristãos na Europa, foi redigido por Martin Kugler, diretor do Observatório, e circulou entre os bispos que se reuniram em Roma, de 23 a 25 de janeiro passado, para o encontro de inverno do Conselho Episcopal Permanente.

Entre os episódios de discriminação religiosa relatados desde 2010, estão incluídos:

Martin Kugler nota que "as restrições às objeções de consciência religiosamente motivadas atingem sempre mais os profissionais médicos e os farmacêuticos em diversos Estados membros da União Europeia, entre os quais a França, a Noruega, o Reino Unido e a Suécia", e que a preocupação é que a adoção "de uma linha dura de imposição de posições relativistas termine inibindo, a longo prazo, uma adaptação razoável das crenças religiosas".

O relatório destaca alguns casos dignos de nota. Na Itália, destacam-se o furto e os atos de vandalismo ocorridos na Igreja de Santa Helena, em Messina, no último dia 3 de julho; e a estátua de São Petrônio em Bolonha pichada na sua base com as palavras "Allah Akbar", no dia 26 de junho.

Na França se assinalou, obviamente, o assassinato do padre Jacques Hamel, no último dia 26 de julho.

Na Alemanha, mencionem-se o furto, no mesmo mês de junho, da relíquia do Papa João Paulo II da Catedral de Colônia; os atos de vandalismo na Basílica de Bonn, onde um homem de 24 anos provocou grandes danos à cripta, ao tabernáculo e ao sarcófago dos santos Casio e Florenzio, patronos da cidade; a destruição de quatro cruzes de madeira postas em alguns pontos altos da região Bad Tölz-Wolfratshausen, em um período que vai de maio a agosto.

Na Espanha, apontam-se os dois incêndios dolosos ocorridos em duas igrejas de Narón, entre 10 e 11 de junho.

E, depois, há os casos que afetam o direito à objeção de consciência. Na Bélgica, um lar de idosos foi multado em 6 mil euros por ter negado a eutanásia a um homem de 74 anos que sofre de câncer no pulmão. Na Itália, uma Ordem religiosa feminina foi condenada a pagar 25 mil euros a um professor por ter suspenso o seu vínculo de trabalho com base na incompatibilidade de sua orientação sexual com o ethos da escola católica.

As discriminações afetam, contudo, também os refugiados cristãos. O Observatório sublinha que, na Suécia, refugiados convertidos do Islã ao cristianismo testemunham ter sofrido espancamentos, ameaças, atos de intimidação e exclusão social nos alojamentos para refugiados.

Na Alemanha, 14 jovens iranianos cristãos foram obrigados a fugir dos campos de refugiados de Schloss Holte-Stukenbrock, depois de serem ameaçados de morte durante meses por um grupo de muçulmanos que vivem na caravana.

Assim, os cristãos europeus — os poucos que ainda restam — estão como que "entre a cruz e a espada", por assim dizer: são ameaçados, de um lado, pelos inimigos que vêm de fora, trazendo uma outra cultura e colonizando o continente com uma nova religião; e são hostilizados, de outro, pelos seus próprios compatriotas, que abandonaram a fé cristã e querem vê-la cada vez mais extinta da esfera pública. Cumprem-se, de um novo modo, as palavras do Autor Sagrado: "Se eu saio para os campos, eis os mortos à espada; se eu entro na cidade, eis as vítimas da fome!" ( Jr 14, 18). Que Deus tenha misericórdia da Europa.

Com informações de ACI Stampa | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categoria: Testemunhos

Ex-pastor conta como se converteu à Igreja Católica

Ulf Ekman estava acostumado a conduzir um ministério pessoal, dentro da igreja que ele mesmo tinha fundado. Agora, é a Igreja Católica que o conduz.

Por Ulf Ekman — Quando eu anunciei, à congregação da mega-igreja evangélica à qual servia como pastor, desde que a fundei 30 anos atrás, que eu e minha esposa tínhamos decidido nos tornar católicos, o que se seguiu, mais do que uma simples agitação, foi um verdadeiro alvoroço — especialmente para o meu país, a Suécia, que permanece em sua esmagadora maioria protestante. O período que vai desde aquele 9 de março até 21 de maio de 2014, quando fomos acolhidos na Igreja Católica, foi marcado por contendas e debates intensos. Guardo comigo pastas cheias de artigos, comentários e reações que apareceram na mídia tradicional e na Internet.

Nossa convicção de que precisávamos nos tornar católicos foi crescendo pouco a pouco, ao longo de vários anos, mas a decisão de dar esse passo demorou bastante, para dizer a verdade. Nossa pergunta era: como devemos anunciar isso? Era algo que realmente não podia ser feito no decorrer de um longo período de tempo, passo por passo. Isso teria causado muitas especulações e grande confusão, a nível nacional e internacional, em nossa ampla rede de igrejas. Ao longo dos últimos anos, nossos amigos e cooperadores perceberam que estávamos cada vez mais atraídos pela teologia, pela moral, pela liturgia e pela cultura católicas. Poucos deles, no entanto, perceberam que estávamos prestes a dar o passo da conversão. Nos meses e semanas que precederam o anúncio de nossa decisão, preparamos o conselho da igreja e alguns outros colegas, para que nos ajudassem no processo de transmitir essa notícia à nossa congregação.

Olhando agora para trás, não consigo ver nenhuma outra forma através da qual isso pudesse ser feito. Os pastores da Word of Life fizeram um excelente trabalho, ajudando os membros a processarem o que aconteceu e as diferentes consequências de tudo aquilo. Eles também fizeram um esforço para responder a várias questões sobre a fé católica. Além disso, houve muitas emoções envolvidas, críticas, bem como mágoas e sentimentos de perda e rejeição. Como eu, enquanto pastor, podia deixar meu rebanho? Não estava traindo a eles e ao meu próprio chamado? Não os considerava mais como cristãos? Tudo que eu havia ensinado antes estava errado, então? Muitos se perguntavam como eu, que tinha conseguido manter-me aparentemente forte por tantos anos, podia "cair" agora em uma decepção e uma mentira tão grandes. Acusações foram lançadas de todos os lados e as emoções ficaram à flor da pele. Algumas ainda estão.

Mesmo assim, houve muitos na congregação que conseguiram entender. Eles ficaram agradecidos por um novo pastor ter sido posto no meu lugar por mais de um ano. Esses membros respeitaram nossa decisão e entenderam que ela tinha se baseado no que percebíamos como um chamado de Deus. Não tínhamos sido enganados, mas conduzidos por Deus nessa matéria, ainda que eles não tenham entendido muito bem como nem por quê. Recebemos muitas cartas encorajadoras tanto de protestantes quanto de católicos.

Também recebemos, de alguns, uma abordagem curiosa e do tipo pós-moderna. Eles estavam dispostos a aceitar que Deus nos pudesse chamar para a Igreja Católica, mas não podiam aceitar as doutrinas da Igreja. Um pregador me disse assim: "Tudo bem, você se tornou católico, mas com certeza não acredita no que eles acreditam, não é?" Eles falavam como se eu realmente tivesse outra alternativa e pudesse ser seletivo em minha escolha. Quando respondi que acreditava em que tudo o que a Igreja Católica acredita e ensina, soou muito estranho para muitos de meus amigos protestantes. Foi difícil para eles entender que ser católico significa verdadeiramente crer como um católico, até mesmo para mim.

Para nós, a verdade era a única coisa que importava. Sempre acreditamos na Palavra de Deus e que há uma verdade absoluta, revelada por Ele. Então, cada vez mais, nós fomos abrindo os olhos para o fato de que há uma Igreja concreta e histórica fundada por Cristo, bem como um tesouro, um depósito de fé objetivo e vivo ao mesmo tempo. Isso atraiu-nos e levou-nos para a Igreja Católica. Se acreditávamos, portanto, que a plenitude da verdade é mantida e confirmada pela Igreja Católica, não tínhamos alternativa senão unir-nos inteiramente a ela.

Quando finalmente chegou o momento de sermos recebidos na Igreja, sentimo-nos mais que preparados, ansiosos para deixar essa "terra de ninguém". Era como se finalmente nos estivéssemos tornando o que realmente éramos. Finalmente o desejo de participar da graça sacramental chegava ao fim.

Tentamos explicar para nossos amigos que não estávamos rejeitando o que Deus nos tinha dado em nosso ambiente evangélico e carismático, mas, como diz o ditado, "ser evangélico não é o bastante". Ele não está errado em seu amor pelas Escrituras e em manter as verdades básicas do Evangelho e o seu fervor de evangelizar. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. A vida carismática, com sua ênfase no poder e na condução do Espírito Santo, é necessária e constitui um dom precioso. Mas não pode ser vivido em sua plenitude em um ambiente cismático e altamente individualista. Entender isso abriu-nos para a percepção da necessidade da Igreja em sua plenitude, com sua rica vida sacramental.

Nós não rejeitamos, portanto, nossa vida passada e as ricas experiências ministeriais que tivemos ao longo de tantos anos como fundadores e líderes da Word of Life. Seremos sempre gratos a Deus, por tudo o que Ele fez. Mas estamos imensamente felizes e agradecidos por agora entendermos que realmente precisamos da Igreja Católica para continuar a nossa vida e o nosso serviço ao Senhor.

Agora que começamos esta caminhada, há muito por explorar. Agora que todos os nossos antigos deveres, obrigações e posições se foram, nós podemos, pelo menos por enquanto, viver em um ritmo que nos permite uma vida mais reflexiva. Estávamos acostumados a conduzir o ministério, a nossa própria igreja. Agora, é a Igreja que nos conduz. Os sacramentos se tornaram uma realidade tangível em nossas vidas e eles nos sustentam de uma forma concreta. Algo — a graça, eu tenho certeza — está aqui de uma forma que nunca esteve antes. Uma brisa refrescante sopra sobre as nossas vidas. Não vemos a hora de explorar e identificar-nos completamente com tudo aquilo de que agora fazemos parte. É emocionante viver inteiramente por causa de Jesus Cristo — na Igreja Católica.

Ulf Ekman é ex-pastor da igreja "Word of Life", na cidade de Uppsala, na Suécia. Esse artigo foi publicado na edição impressa do jornal "The Catholic Herald", em 8 de agosto de 2014.

Fonte: Catholic Herald | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere