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Mosteiro destruído por ISIS na Síria abrigava relíquias dos primeiros séculos da Igreja

O mosteiro católico de Santo Elias foi devastado pelo Estado Islâmico em 2015, mas só agora, com o território provisoriamente retomado, está sendo possível avaliar os estragos causados pelos terroristas.

Os ossos de um mártir foram encontrados entre as ruínas do Mosteiro de Santo Elias, na cidade síria de Al-Qaryatain, retomada das mãos do Estado Islâmico no último domingo (3). Fotos tiradas no local mostram um sarcófago destruído contendo ossos e um crânio.

As imagens, tiradas por uma repórter britânica, mostram as relíquias amontoadas no chão em meio aos destroços. Acredita-se que elas pertençam justamente ao santo que deu nome ao convento: o médico Elias, natural de Emessa (atual cidade de Homs), que foi martirizado em 284 d.C. por se recusar a negar a própria fé. A história diz que o santo foi cruelmente torturado e morto pelo próprio pai, que era um oficial romano.

Partes do Mosteiro de Santo Elias tinham 1.500 anos e, por hospedar os restos mortais de um santo, o local já foi destino de muitas peregrinações. No último dia 20 de agosto de 2015, porém, o lugar sagrado foi devastado por tropas do ISIS.

Capturado três meses antes pelos jihadistas, o padre Tiago Murad, então prior do convento, considerou um verdadeiro "milagre" ter sobrevivido e escapado das mãos de seus perseguidores:

Ainda que os cristãos no Oriente Médio nunca tenham experimentado tempos tão difíceis, a jihad islâmica contra os seguidores de Cristo existe desde os tempos de Maomé. O Islã chama os territórios em que ainda não vigora a lei da xariá dar al-harab, isto é, "casa da guerra": o combate dura até que os "infiéis" se convertam, paguem um imposto religioso ou pereçam pelo fio da espada.

O mosteiro católico de Al-Qaryatain, na Síria, não foi o único a ser destruído pelos terroristas do Estado Islâmico. No Iraque, uma comunidade antiquíssima, de mesmo nome, foi devastada na cidade de Mosul, em 2014. O crime só foi detectado por imagens de satélite.

Imagens do interior do mosteiro na Síria foram divulgadas pelo grupo Estado Islâmico.

É digno de nota que o monastério em cujas ruínas foram encontradas as supostas relíquias de Santo Elias esteja construído sobre o exato lugar em que ele provavelmente ofereceu a sua vida a Deus. A terra que recebeu o sangue dos primeiros mártires da Igreja continua testemunhando o escândalo da nossa fé. Ainda que as circunstâncias sejam outras e os perseguidores sejam diversos, o sangue que se derrama sobre o Oriente Médio é o mesmo que Tertuliano chamou de "semente de novos cristãos". O que pode explicar, afinal, tantas conversões de muçulmanos a Cristo na Europa, quando nem os próprios europeus sabem mais o que significa ser cristão?

À luz do mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, podemos ir além e dizer que o sangue dos mártires feitos pelo ISIS realmente atualiza e continua o sacrifício redentor da Cruz. Nós sabemos, pela fé na comunhão dos santos, que os sofrimentos desses homens e mulheres de Deus não são em vão, mas redundam em benefício de todas as pessoas unidas pelos laços da fé e da caridade fraterna. A exemplo de São Paulo, elas completam em sua carne o que falta à paixão de Cristo (cf. Cl 1, 24).

Do mesmo modo, as relíquias de Santo Elias de Emessa têm um valor inegável. Agora, elas estão misturadas aos destroços de um mosteiro que talvez nunca mais venha a existir. Pela fé, no entanto, nós sabemos que o dono desses ossos ressuscitará dos mortos, e esses mesmos restos que hoje são profanados sobre o pó da terra serão transformados e elevados à glória do Céu — viverão para sempre! As relíquias preciosas que hoje beijamos e veneramos participarão, no fim dos tempos, da bem-aventurança eterna!

Rezemos, pois, para que cesse de vez a profanação das relíquias e dos lugares santos no Oriente. Que o respeito que os muçulmanos têm pela Virgem Santíssima os conduza ao seu divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em quem reside toda a razão da nossa esperança.

Com informações de Catholic Herald | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Cristãos na Síria ensinam como viver a fé em tempos de guerra

A guerra que devasta há seis anos a Síria já desalojou e matou milhares de pessoas. A fé dos cristãos, no entanto, é de uma solidez fora do comum. Eles dão “lições de alegria” mesmo em meio aos escombros da guerra.

O cessar-fogo firmado recentemente entre o governo de Bashar al-Assad e os opositores do regime está longe de dar trégua ao caos em que vive a Síria. O país está repartido entre inúmeras facções e já entra em seu sexto ano de guerra.

Ao norte do país, na fronteira com a Turquia, está quase tudo nas mãos dos curdos. O centro e a parte oriental na divisa com o Iraque são propriedade do Estado Islâmico. As forças alauitas de Assad governam a zona costeira e parte do sul do país — salvo alguns enclaves dos rebeldes —, mantendo controle sobre cidades chave, como Hama e Homs, na esperança de um dia reconquistar Aleppo. A província de Aleppo propriamente dita está sob o governo de uma constelação de milícias islâmicas e terroristas.

O balanço de cinco anos de guerra é pesadíssimo: são pelo menos 271 mil mortos — há quem fale do dobro —, um milhão de feridos e 13 milhões de refugiados, 5 dos quais estão espalhados em campos de prófugos em todo o Oriente Médio.

Em meio a tantas mortes e destruição, uma pequena mas resplandecente luz é acesa pelos cristãos, que têm dado um belo testemunho da própria fé diante de seus perseguidores islâmicos. São muitos os seguidores de Cristo que sacrificaram as suas vidas, como o padre Frans van der Lugt, o missionário holandês sepultado no jardim do mosteiro de Homs, que não quis voltar por causa da guerra, para não abandonar os poucos cristãos que restavam na velha cidade tomada pelos rebeldes. "Ajudava a todos, cristãos e muçulmanos", e talvez justamente por isso tenha sido assassinado no dia 7 de abril de 2014.

Também comovente é o martírio de Sarkis el Zakhm — de quem já se pediu a abertura da causa de beatificação —, que em Maloula foi assassinado a sangue frio pelos jihadistas. Os muçulmanos passavam casa por casa para ordenar aos cristãos que se convertessem, sob pena de decapitação. Sarkis respondeu assim: "Sou cristão e, se me quereis assassinar só por isso, fazei-o". De fato, não o pouparam.

São muitos, enfim, os que têm algo a contar sobre os cristãos de Aleppo, constantemente ameaçados pelas bombas lançadas por rebeldes ditos "moderados". Sem água, sem eletricidade, sempre em risco de vida, eles têm dado ao mundo uma verdadeira "lição de alegria". É o testemunho que dá Abbot Semaan Abou Abdou, administrador apostólico da Eparquia Maronita de Aleppo, em entrevista à associação Ajuda à Igreja que Sofre:

"Três palavras resumem a guerra na Síria: assassinato, desalojamento e destruição. Há três questões existenciais: Quando a guerra vai acabar? Para onde estamos sendo conduzidos? Quem está se beneficiando com tudo isso? E há também três questões de fé: Onde está Deus? Por que Deus nos abandonou? Por que Ele não acaba com a guerra? Todos estão confusos, aterrorizados e sem rumo.

Há escassez de água, quedas de energia, falta de gasolina, medicamentos — muitos médicos fugiram da cidade. Além disso, muitos de nossos lares e igrejas foram destruídos. A violência está causando um luto indescritível. Fiquei profundamente abalado no último mês de março [2015] durante o funeral de uma mãe e de suas duas filhas pequenas que morreram em uma explosão. Ali, na igreja, havia três caixões: foi uma cena muito difícil e emocionante. O que eu poderia dizer às pessoas? Todos choravam, especialmente os seus amigos mais jovens. Que o Espírito do Senhor console os corações daqueles que estão em luto.
[...]
Trabalhamos tanto a nível psicológico quanto a nível espiritual: com orações diárias, Missa, o Rosário, celebrando ocasiões importantes como como o Natal e o Ano Novo — para as crianças — e jubileus das famílias, como o aniversário de bodas de 25 e de 50 anos; organizamos banquetes para a comunidade. Fazemos numerosos encontros que dão aos jovens a chance de expressarem os seus sentimentos, rezarem juntos, discutirem tópicos de guerra e paz e a importância vital da aceitação dos outros — como viver nossa fé em tempos de guerra. Visitamos os mais velhos, ajudamos as crianças a fazer suas tarefas e provas, e trabalhamos com as mulheres e donas de casa, com fins espirituais e culturais. A Igreja se ocupa com todas essas coisas na medida em que a situação de segurança permite.
[...]
Há uma perspectiva positiva: todos em Aleppo são mártires em potencial — em particular os cristãos que estão sendo mortos simplesmente porque são cristãos e não querem abandonar a sua fé e a sua terra. Às vezes eu realmente consigo ver que a fé das pessoas está mudando e crescendo. A fé dessa gente é pedra sólida, eles vêm à igreja em grandes números. É possível ver refletido no rosto da maioria uma alegria interior que leva você ao reino espiritual. Eles são capazes de agradecer ao Senhor com todo o seu coração. Não querem reclamar, não obstante a perseguição, o estresse e as privações. Há um sorriso em seus rostos. Eles lhe agradecem e apreciam tudo o que você faz por eles. Meu povo, incluídas as crianças, me dá lições de alegria.

Os cristãos no Oriente Médio são uma minoria — mas o seu número não é importante. O que importa é o valor e o poder inerentes à sua existência e o testemunho da sua presença ativa."

Com informações de Tempi.it | Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Cristãs são sequestradas e forçadas a casar com muçulmanos no Paquistão

Tahira, de 21 anos, e Reema Bibi, de 20, foram sequestradas enquanto voltavam do trabalho e obrigadas ao casamento islâmico. Mais de mil casos parecidos acontecem todos os anos no país de maioria sunita.

Tahira, de 21 anos, e Reema Bibi, de 20, são duas mulheres cristãs paquistanesas que, em 2 de dezembro de 2015, foram abduzidas em uma região próxima de suas casas, em Sargodha, 250 quilômetros ao sul da capital Islamabad. Elas foram capturadas enquanto retornavam juntas do trabalho. Os dois sequestradores — Muhammad Mustafa, de 29, e Muhammad Kashif, de 30 — estupraram as jovens e forçaram as duas a se casarem com eles. Depois, foram mantidas em cativeiro em algum lugar da cidade de Islamabad.

A notícia é trazida pela Associação Cristã Anglo-Paquistanesa, um grupo que milita ativamente pela liberdade religiosa no Paquistão, monitorando as contínuas violações que acontecem aos direitos das minorias (especialmente as mulheres), sem que ninguém seja punido por nada. Casamentos forçados têm sido há anos um flagelo para essa nação muçulmana — e o problema está muito longe de ser devidamente resolvido.

O caso de Tahira e Reema é emblemático. Em 11 de fevereiro, Tahira conseguiu escapar da mão de seus sequestradores, mas o seu "marido" muçulmano preencheu um boletim de ocorrência junto à polícia, que imediatamente prendeu seis membros de sua família. Os parentes foram liberados graças à pressão de grupos de direitos humanos, mas as autoridades ordenaram à família que devolvesse Tahira ao seu "marido".

Um caso similar foi reportado alguns dias atrás pela mesma associação cristã. Fouzia Sadiq, de 30 anos, foi capturada e forçada a casar com o muçulmano dono da casa em que ela trabalhava como faxineira. Depois que conseguiu escapar, graças a uma colega, a polícia ordenou à família que entregasse a filha às autoridades, sob pena de que um de seus familiares fosse preso.

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Movimento pela Solidariedade e Paz (MSP-PK), todos os anos, pelo menos mil mulheres e jovens paquistanesas são forçadas ao casamento muçulmano e obrigadas a se converterem ao Islã. O número real, contudo, é certamente muito maior, já que muitos incidentes não são noticiados.

A pesquisa também descobriu que casamentos forçados geralmente seguem um padrão: as vítimas são mulheres entre 12 e 25 anos. Mesmo quando um caso vai à Justiça, as vítimas são ameaçadas e pressionadas por seus "maridos" e famílias a declarar que a sua conversão foi voluntária. As mulheres são geralmente violadas e forçadas a uma vida de prostituição, sofrem violência doméstica ou acabam terminando no mercado de tráfico humano. As que tentam se rebelar contra a situação são avisadas de que "agora são muçulmanas e que a punição por apostasia é a morte".

O presidente da Associação Cristã Anglo-Paquistanesa, Wilson Chowdhry, considera "apavorante" a frequência com que esses crimes vêm acontecendo em seu país. "Nossas jovens mulheres estão sendo oprimidas em relacionamentos brutais e degradantes para satisfazer aos prazeres de homens com mentes sórdidas e corrompidas", ele diz. "Esse crime debilitante só aumenta enquanto as autoridades paquistanesas intencionalmente fecham os olhos e asseguram a impunidade."

O tema dos casamentos forçados, na verdade, é apenas um dos vários assuntos que as minorias étnicas e religiosas do país têm que enfrentar, muitas vezes sem a representação política adequada para atender às suas demandas mais básicas.

Para Wilson Chowdhry, o problema no Paquistão é mais profundo e diz respeito às próprias raízes religiosas do país. Mais de 95% da população local é muçulmana, com a orientação de boa parte sendo o salafismo sunita radical. "Além disso, imãs no Paquistão ensinam que a conversão forçada acarreta bênçãos, criando uma falsa justificação moral para os criminosos muçulmanos", ele diz.

Também ajudam a ilustrar o extremismo no país as dezenas de milhares de muçulmanos que lotaram as ruas de Islamabad para prestigiar o funeral de Mumtaz Qadri, o atirador que assassinou, em 2011, o político Salman Taseer, governador paquistanês que pedia o fim da pena de morte por blasfêmia no país. Taseer se tornou alvo dos fundamentalistas islâmicos por defender Asia Bibi, a camponesa condenada à pena capital em 2010 pelo simples fato de ser cristã.

Depois de buscar água em um poço comum e ser constrangida por mulheres muçulmanas a mudar de religião, Asia Bibi teria respondido: "Cristo morreu na cruz pelos pecados da humanidade. O que Maomé fez por vocês?" Frases como essas são punidas com a morte pela lei islâmica — e tal legislação tem o respaldo popular no Paquistão. Enquanto jogavam flores sobre o caixão de Qadri, a multidão gritava palavras de ordem assustadoras, para dizer o mínimo: "Qadri, seu sangue trará a revolução" e "A punição para um blasfemador é a decapitação".

"Os cristãos enfrentarão um longo período de incerteza enquanto o país fica de luto pela perda de um assassino", escreve Wilson Chowdhry. "A verdade que emerge desse apoio criminoso a um assassino conhecido é que o ódio às minorias está arraigado na sociedade paquistanesa. Advogados de um extremo ao outro do país mantiveram dois dias de luta em simpatia por Mumtaz Qadri, o que ilustra claramente que muitos na elite mantêm posições fundamentalistas", conclui.

Com informações de Asia News | Por Equipe CNP

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Cristãos convertidos do Islã vivem às escondidas na Itália

Conheça a história dos “cristãos-fantasmas”, que saíram do Islã para seguir a Cristo na Itália. Para evitar ameaças e retaliações de muçulmanos fanáticos, eles são obrigados a viver escondidos, mesmo morando em um país ocidental e com liberdade religiosa.

Por Mauro Pianta | Tradução: Equipe CNP – Omar (vamos chamá-lo assim) afasta a fumaça do cigarro que acende no intervalo do trabalho, limpa a voz e diz, olhando diretamente nos seus olhos:

"Sim, agora eu sou feliz. Só me arrependo dos anos que passei sem conhecer a Cristo, mas, como se pode ver, tinha que ser assim. Agora eu renasci, a minha vida mudou. Não que não tivesse problemas, imagine... Mas sou mais paciente, sereno."

Engenheiro químico vindo do Egito, Omar, que tem 55 anos e trabalha como garçom em uma cidade do centro da Itália, era muçulmano – com uma forte tendência para o fanatismo. Depois de vir à Itália e enfrentar a crise pela morte da mãe, ele começou a ler a Bíblia (e particularmente o livro do Apocalipse). Depois, apaixonou-se pelas homilias de um pregador cristão egípcio pela televisão e, enfim, alguns cristãos se tornaram seus amigos e o acompanharam até o batismo. De lá para cá, já se passaram três anos. O elemento decisivo para a sua conversão? "Ter visto nessas pessoas – ele conta, ao Vatican Insider – uma humanidade mais completa que a minha e o fato de terem me ajudado sem me pedir que mudasse de religião".

Fica, contudo, para Omar, uma enorme e dramática preocupação:

"Não posso praticar abertamente a minha fé cristã: tenho medo que qualquer fanático islâmico possa fazer mal não só a mim, mas sobretudo aos meus parentes que permanecem no Egito. Por que os italianos que se convertem ao Islã podem andar tranquilamente e falar sobre isso na TV e eu, ao contrário, devo esconder-me para evitar retaliações?"

Passamos a pergunta de Omar ao padre jesuíta Samir Khalil Samir, autoridade internacional em islamismo:

"O Islã não é só religião, mas também política, cultura e sociedade. Isso penetra as mínimas coisas. Não existe uma separação entre fé e política, pelo que o seguidor de Alá tem dificuldades em separar o cristianismo do Ocidente. Isso porque um muçulmano que passa a uma outra religião comete uma traição em relação à sua comunidade: não trai só a própria fé, mas ainda o próprio povo, a nação. Em suma, no Islã se pode entrar, mas é vedado sair."

De fato, em nenhum país islâmico é possível converter-se a outro credo sem sofrer consequências. O crime de apostasia é punido com diversas gradações: da "morte civil" (perda do emprego, da guarda dos filhos e de alguns direitos, rompimento dos laços familiares), chegando ao cárcere e à pena de morte. Todas essas punições fazem parte da lei islâmica, na interpretação de sunitas e xiitas. Recentemente, em Uganda, um imã foi preso, acusado de assassinar um cristão de 28 anos, convertido do Islã. Quatro dias antes de ser decapitado em sua casa, Laurence Maiso teria ouvido do clérigo que Alá não tolerava os infiéis e que "estava para mandar-lhe o anjo da morte em sua casa."

Segundo o xeique Youssef Al-Qaradawi, autoridade no mundo islâmico, "os juristas muçulmanos são unânimes em dizer que os apóstatas devem ser punidos, ainda que divirjam quanto ao tipo de punição a ser infligido sobre eles". Em um famoso vídeo da Internet, ele chega a dizer que, "se tivessem se livrado da punição por apostasia, não haveria mais Islã hoje em dia, ele teria acabado logo depois da morte do profeta Maomé".

Para quem se converteu a Cristo e vive onde rege a lei da charia, nem sempre mudar de país resolve o problema. "Mesmo em terra de migração – diz o padre Samir Khalil –, o apóstata é objeto de reprovação, ameaça ou violência por parte da comunidade a que pertence ou da sua própria família. Daqui vem a necessidade de os convertidos viverem reservados". Exemplo disso é a família de Nissar Hussain, que já foi várias vezes ameaçada de morte na Inglaterra. "Apesar de tudo isso, o fenômeno dos muçulmanos que se tornam cristãos, graças à TV por satélite e à Internet, se difunde sempre mais", afirma o jesuíta.

Quem são esses "novos cristãos"

Qual a identidade do muçulmano que abraça o cristianismo na Itália? O perfil designado pelas associações católicas que se ocupam de imigrantes e por quem trabalha com o catecumenato é muito variado. Entre os "novos cristãos" há estudantes universitários, diplomatas, jovens trabalhadores sazonais, viúvas, filhos nascidos na Itália de ao menos um genitor muçulmano, migrantes que solicitam asilo etc.

Saber, todavia, qual o número de convertidos no país é praticamente impossível. De acordo com o direito canônico, os pedidos de batismo provenientes de pessoas com mais de 14 anos de idade devem ser submetidos ao bispo da diocese de competência, o qual autoriza a administração do sacramento ao fim de um percurso de catecumenato, que dura cerca de dois anos. "O ponto – explica o jornalista Giorgio Paolucci, autor do livro Cristiani venuti dall'Islam (sem tradução para o português) – é que os registros batismais compilados das paróquias e das dioceses (única fonte estatisticamente confiável) não assinalam a fé religiosa de que provêm os catecúmenos, mas só a sua nacionalidade."

Em 2014, foram batizados 1206 catecúmenos na Itália, dos quais 347 são italianos, 567 são estrangeiros e 292 têm proveniência não especificada. Nos últimos anos, a tendência constante é de que 50 a 60% dos batizados venham de fora. Por motivos de segurança, a Conferência Episcopal Italiana não assinala nem mesmo quantos desses batizados estrangeiros chegam de nações de tradição islâmica. Mas, a portas fechadas, uma fonte interna ao serviço nacional para o catecumenato fala de "pelo menos mil convertidos presentes no território italiano, considerando os que se tornaram protestantes e os que aderiram à igreja copta."

"A Igreja – observa o padre Jourdan Pinhero, responsável pelo serviço para o catecumenato – os acolhe na comunidade eclesial com grande respeito e prudência. É muito importante não tê-los como grupo à parte, separado da vida pastoral".

Em todo caso, por que essas pessoas batem às portas da Igreja Católica? Segundo o padre Pinhero:

"Os motivos são diversos: o desejo de integrar-se, a simpatia pelo estilo de vida dos cristãos que conheceram, o reconhecimento pelas associações que os acolheram e ajudaram, o pedido do batismo para o filho nascido em nosso país. Mas creio que o elemento decisivo seja o encontro com cristãos autênticos que vivem plena e alegremente a própria fé em uma comunidade viva e acolhedora, e que sabem testemunhar o Evangelho na simplicidade do dia a dia."

O caminho que conduz ao batismo pode passar inclusive pelo namoro com uma cristã. É o caso do paquistanês S. K., de 42 anos, que vive na Itália desde 2010:

"Conheci a minha futura esposa há muitos anos, no Paquistão. À época, era um muçulmano muito observante, provindo de uma família de talibãs. Apaixonei-me por ela quase que subitamente. Depois, compreendi que o fato de ela ser especial, assim diferente, também era por causa da sua fé em Jesus. Comecei a ler o Evangelho, a informar-me. Levei treze anos para convencer a sua família ao matrimônio. Em 2001, recebi o batismo e, dois anos depois, guardando segredo dos meus familiares, casamo-nos na Igreja. Alguns anos depois do nascimento dos dois filhos, porém, decidimos sair de nosso país. Lá, quem muda de religião é assassinado. Temíamos pelos nossos filhos: todos começavam a nos olhar de modo estranho porque éramos diferentes. Vivíamos isolados, no medo, mas conseguimos fugir."

Na sua terra, S. K. era um empresário, mas, agora, ele ganha a vida como caminhoneiro. "Paciência – ele diz –, estou muito mais contente. O medo? Existe, mas nos confiamos a Deus e a algumas famílias italianas que nos ajudam. Em todo caso, por maior prudência, evitamos contato com pessoas de religião islâmica".

Alguns chamam esses novos cristãos de "cristãos-fantasmas", mas eles só fazem parte da tradicional Igreja dos mártires, que não deixa de crescer no mundo inteiro, muito mais do que no tempo das catacumbas.

Fonte: La Stampa | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

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“Reze a Alá ou morra”: o retrato de uma Europa pós-cristã

Os mesmos europeus que clamavam por paredes sem crucifixos agora têm bandeiras islâmicas pintadas nos muros de seus prédios. O secularismo na Europa realmente está com os dias contados.

"Reze a Alá ou morra": essas palavras foram pichadas, no começo deste mês, no muro de uma escola da cidade de Hovmantorp, comuna de Lessebo, ao sul da Suécia. Ao lado da frase, está o que parece ser uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico. A polícia foi chamada quando a inscrição foi descoberta, mas, até o momento, não há suspeitos para o crime. A diretora da escola declarou que a pichação fê-la sentir-se "desconfortável".

Embora a Suécia seja majoritariamente secularista – o país tem "um dos maiores números de ateus" do mundo –, já se estima que haja uma população de 500 mil muçulmanos na Suécia, a maioria composta por imigrantes vindos do norte da África e do Oriente Médio. Esse número já é muito maior que a quantidade de católicos e ortodoxos no país, que, somados, não chegam a 200 mil. Dos membros da comunidade luterana da Suécia – a maior denominação cristã do país –, "apenas cerca de 2% participam regularmente dos cultos aos domingos".

Para ilustrar o crescente domínio islâmico em uma Europa com cada vez menos cristãos praticantes, tome-se o exemplo de alguns edifícios, que antes abrigavam cultos cristãos, e que estão sendo pouco a pouco transformados em salas de oração para muçulmanos. Na cidade de Clitheroe, no Reino Unido, o que há 40 anos era uma igreja metodista hoje é uma mesquita. Em junho do ano passado, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, chegou a sugerir que o governo francês convertesse as suas igrejas católicas "abandonadas" em locais de culto islâmico. A população francesa reagiu e até fez um abaixo-assinado com o título "Não toque na minha igreja".

A verdade, porém, é que menos de 5% dos católicos franceses vão à Missa dominical, enquanto os muçulmanos, além de fazerem as suas orações, transmitem todas as suas tradições religiosas aos filhos, desde muito cedo – filhos, aliás, que eles têm em grande quantidade, enquanto as famílias europeias soçobram na esterilidade.

Todo esse quadro – igrejas vazias e mesquitas cheias, cristãos criando cachorros e muçulmanos doutrinando crianças – prenuncia uma mudança radical no continente europeu, que acontecerá em questão de poucas gerações. O que os "cavaleiros de Alá" não conseguiram no século VIII, graças à ação estratégica de Carlos Martel para defender as fronteiras da França, os seus descendentes farão por meios muito mais rápidos, sutis e eficazes.

Ninguém se escandalize com essa comparação, porque, mutatis mutandis, é este o quadro que se desenha e as notícias não nos deixam mentir: os muçulmanos estão realmente dominando a Europa. Se é verdade que há muitos imigrantes fugindo de regiões de conflito e procurando um ambiente de paz para abrigarem as suas famílias, também é verdade que essas pessoas têm uma religião e uma cultura próprias, e não vão simplesmente renunciar a elas só porque mudaram de território. As dezenas de cortes islâmicas operando ativamente à margem da lei britânica são emblemáticas. Onde entram os muçulmanos, entram também a lei e a tradição islâmicas, na sua crua integralidade, e não demora muito para que o Ocidente passe a conviver com aquilo que sempre deplorou em questão de direitos humanos – desde a inferiorização da mulher até a violência em matéria religiosa.

Embora alguém apressadamente sugira uma comparação de todo esse processo com as Cruzadas ou a Inquisição católicas, não existe paralelo. Nenhum desses episódios históricos se destinava a fazer o que o Islã faz desde que nasceu, na Península Arábica: propagar as suas crenças pela força da espada. As Cruzadas surgiram justamente para defender Jerusalém dos muçulmanos, que ameaçavam os peregrinos cristãos de visitarem os lugares sagrados pelos quais Jesus passou. A Inquisição, ainda que com os seus conhecidos abusos, era um instrumento para conter focos de perturbação social em reinos cristãos, e não uma máquina de proselitismo a qualquer custo. Basta estudar um pouco a história das duas religiões para descobrir um abismo evidente entre a religião dos mártires e o exército criado desde o começo por Maomé.

Certamente, também, não se trata de dizer que todos os muçulmanos são terroristas. Dentro do mundo islâmico, há quem deplore tudo isso, há pessoas verdadeiramente abertas ao diálogo. A carta assinada por 100 intelectuais e endereçada ao Papa Bento XVI, em 2006, como resposta ao seu discurso de Ratisbona, é um exemplo disso. Ao mesmo tempo, porém, que alguns o escutaram, dezenas de protestos foram convocados e uma freira italiana foi morta na Somália em retaliação às suas palavras. Ao mesmo tempo em que há eruditos muçulmanos contrários à violência, um acadêmico sírio foi preso recentemente em Frankfurt, na Alemanha, por defender o Estado Islâmico. Ele gravou um vídeo extenso dando argumentos retirados do Alcorão para mostrar por que ele, "como simples muçulmano", apoiava os terroristas do ISIS.

É perfeitamente compreensível, portanto, que um padre iraquiano venha a público declarar que "o ISIS representa cem por cento o Islã". De fato, a linha que divide o terrorismo e o chamado "verdadeiro islamismo" parece tênue demais para ser real. Pelo menos é esse o parecer dos especialistas que ainda não foram contagiados pela doença do "politicamente correto".

O jornalista palestino Abdel Bari Atwan, editor-chefe de um importante portal de notícias no mundo árabe, afirmou praticamente a mesma coisa durante uma conferência na Universidade Americana de Beirute:

"Por que o Estado Islâmico usa de selvageria? [...] Eu fico surpreso com as pessoas que dizem, 'essa ideologia embebida de sangue é estranha para nós, de onde eles tiraram isso, o Islã não é sangrento'. Como você pode dizer que o Islã não é sangrento? Não há nada de estranho nisso. Nos dias do Califado Abássida (750-1299), Abu Al-Abbas Al-Saffah estendeu um tapete em cima dos crânios das pessoas e, depois, teve jantar em cima dele […], e isso aconteceu em nossa região. […] Eu não sou nenhuma fonte de autoridade religiosa, mas quando o xeique de Al-Azhar, que lidera a instituição moderada da religião, se recusa a acusar o ISIS de heresia e diz que eles são muçulmanos, do que mais precisamos?"

"O terror que está abalando o mundo hoje não é um desastre natural, como um tornado, uma tempestade ou um terremoto, e não está sendo perpetrado por tribos selvagens, mas por pessoas que se alistam inspiradas por uma ideologia religiosa", escreve outro jornalista do mundo árabe, o iraquiano Fadel Boula. "Essas pessoas defendem o cumprimento e a propagação de seus princípios dogmáticos pela força da espada, e ordenam assassinatos, expulsões e destruição por onde quer que passem. (...) Todos esses crimes são perpetrados por aqueles que louvam a Alá dia e noite, que rezam fervorosamente e fazem tudo de acordo com a sua vontade."

Por isso, a mensagem pichada no muro daquela escola sueca não é totalmente estranha. Suas fontes estão no Alcorão (4, 89; 8, 12; 9, 5; 47, 4) e muitos a reivindicam como a verdadeira mensagem do Islã. Curioso, estranhamente curioso, é que os mesmos europeus que há uns dias clamavam por paredes sem crucifixos agora tenham bandeiras islâmicas pintadas nos muros de seus prédios. O secularismo na Europa realmente está com os dias contados.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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O que pode ser pior que o preconceito

A polêmica dos cristãos com a “ideologia de gênero” reacendeu o debate sobre o preconceito. As recentes notícias sobre a legalização do aborto em caso de microcefalia evidenciam, porém, que há algo pior que o preconceito: a obstinação pelo mal.

As manifestações contra a "ideologia de gênero" nos planos municipais de educação fizeram ressurgir uma velha rusga entre os laicistas e a Igreja. Aqui e ali, autoridades civis, jornalistas, professores e líderes sociais acusaram os cristãos de serem preconceituosos, por supostamente se negarem a aceitar os direitos civis e humanos dos homossexuais.

A palavra preconceito, originalmente, diz respeito àqueles juízos fundados no senso comum, isto é, num estilo de pensamento vulgar, que nem sempre converge para a verdade. Neste sentido, uma pessoa é preconceituosa quando assume uma determinada posição política, ideológica ou religiosa, previamente e sem a devida reflexão, levada tão somente pelo que está habituada a ouvir no noticiário local, na pregação do sacerdote ou nas cátedras universitárias. Dada a autoridade de que gozam essas fontes de informação, as mentes mais simples logo dão crédito a elas, ainda que estejam equivocadas.

Preconceito está ligado à ignorância. Uma pessoa que ignora a Biologia pode achar que a "Amazônia é o pulmão do mundo". Uma pessoa que ignora a Astronomia pode simplesmente negar as evidências de que o homem pisou na Lua. Uma pessoa que não compreende a Medicina pode acreditar nas "bênçãos para arca caída". Assim como uma pessoa que nada entende de Igreja Católica, cristianismo e matrimônio pode rotular os cristãos de preconceituosos apenas porque viu na mídia que eles lotaram as câmaras municipais do país para barrar uma fantasiosa "ideologia de gênero", como pintaram muitos jornais e educadores por aí.

De fato, uma parte considerável dos que se dispuseram a lutar contra a inclusão da palavra "gênero" nos currículos escolares mal sabe quem é Judith Butler e o que significa a sua teoria dos queers. Melhor seria, é verdade, que, antes de se exporem ao confronto com um pensamento tão complexo, tivessem estudado a fundo a questão. Alicerçada na máxima fides quaerens intellectum, a Igreja sempre defendeu a importância da razão sobre o fideísmo das seitas, cujas doutrinas negam essa faculdade humana que mais nos assemelha a Deus. Até para excomungar o Código do Direito Canônico exige que o fiel tenha conhecimento pleno do delito que cometeu.

O senso comum, porém, nem sempre está errado. Ao contrário, todo conhecimento, dizia Aristóteles, tem origem nos sentidos. No caso da "ideologia de gênero", se é verdade que muitos cristãos não entendiam plenamente do que se estava tratando, muito mais verdade é que a Igreja, guiada pela sabedoria da filosofia perene, tinha justas razões para motivar-nos a protestar contra uma ideologia que está longe de ser um consenso entre a comunidade científica. Mesmo vozes ateias têm suas dúvidas acerca do assunto:

Ademais, é de se questionar se os próprios homossexuais entendem a teoria de gênero, a julgar pelas respostas totalmente ambíguas que representantes da pauta deram todas as vezes em que foram questionados e pela agressividade com que tantos militantes atacaram os que deles discordavam. Quem está convencido da verdade não precisa recorrer à violência para defendê-la. E isso ficou bem claro no comportamento exemplar dos muitos cristãos que, em resposta aos ataques sofridos, apenas rezavam preces e cantavam bênçãos.

Com tantas evidências, é difícil não entender a "ideologia de gênero", conforme pensada pela mentalidade LGBT, como um ataque aos direitos humanos e civis, que se fundamenta em uma visão banal da sexualidade, reduzida a um mero produto dos desejos e da arbitrariedade. Para lembrar uma brincadeira de G. K. Chesterton, "um elefante ter uma tromba era esquisito; mas todos os elefantes terem tromba parecia uma trama". Uma coisa é lutar contra a violência doméstica, contra a desigualdade no trabalho, contra a exploração sexual etc.; outra bem diferente é a estupidez que leva pais, aconselhados por professores militantes do "gênero", a darem hormônios que inibem a puberdade a seus filhos. Na verdade, essa ideologia é um verdadeiro atentado aos direitos humanos. Qualquer pessoa é capaz de percebê-lo.

Pior do que o preconceito, contudo, é aquela mentalidade já bem formada, que sabe distinguir perfeitamente o certo do errado, mas ainda assim prefere guiar-se pelos seus próprios interesses e benefícios. O preconceito se resolve com esclarecimento, a obstinação pelo erro não se resolve nem com exorcismo. Essa obstinação é a que está por trás, por exemplo, da pressão ao STF pela legalização do aborto em caso de microcefalia. Os mesmos que acusam a Igreja de obscurantismo no caso da "ideologia de gênero" advogam a matança de bebês "sub-humanos" — para citar os comentários de alguns —, sob o pretexto de um direito à dignidade. Mas que dignidade é essa que para se sustentar precisa negar o direito mais fundamental ao mais indefeso dos indefesos?

Não podemos dizer que essas pessoas são ignorantes e "não sabem o que fazem", porque isso significaria eximi-las de suas responsabilidades. Essas pessoas são políticos, doutores, filósofos, juízes, antropólogos, que têm plena consciência de seus propósitos. Obcecadas pelo fetiche do materialismo, apenas enxergam valor numa vida que possa aproveitar ao máximo dos bens terrenos, dos prazeres da carne e das ofertas do mundo, pelo que tudo aquilo que representa dor e sofrimento deve ser extirpado como um câncer. É assim que, ao mesmo tempo, condenam a Igreja por considerar um escândalo a inibição da puberdade induzida por remédios e defendem a matança de crianças deficientes pelo prejuízo financeiro e psicológico que elas poderiam causar aos pais.

No fundo, trata-se do velho egoísmo e do horror à cruz: a errônea utopia de uma sociedade só de prazeres.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Charlie Hebdo erra o alvo

A França sabe muito bem o que pode lhe trazer a paz. E certamente não é a capa de um jornal blasfemo.

"O assassino continua solto" e, para os ateus do semanário satírico Charlie Hebdo, a culpa é de Deus.

"A primeira que quer a paz é a Igreja". Foi o que respondeu São João Paulo II a uma turba de sandinistas que tentava atrapalhar a celebração da Missa Papal, durante viagem do então pontífice à Nicarágua, em 1983. O episódio ficou marcado na história recente do cristianismo como um dos mais incisivos confrontos entre a Igreja e as ideologias anticlericais.

O anticlericalismo sempre buscou associar a guerra à religião. Foram os intelectuais iluministas quem primeiro espalharam o mito de que a Idade Média havia sido um período de trevas e de barbárie. Com a Revolução Francesa, essa mentalidade equivocada tornou-se ainda mais popular, provocando uma maior hostilidade às religiões monoteístas, sobretudo àquela fundada sobre o madeiro da cruz. O dogma cristão, para os anticlericais da época, seria uma ameaça aos, vejam só, preceitos revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade.

Na última semana, o jornal francês Charlie Hebdo resolveu fazer coro a esse mesmo anticlericalismo de que falávamos acima. O semanário satírico publicou uma edição especial sobre os atentados terroristas que mataram 12 pessoas dentro de sua redação, em 7 de janeiro do ano passado. Mas na capa, o jornal trazia a imagem não de Maomé, mas do Deus cristão carregando um fuzil, ao lado dos dizeres "Um ano depois, o assassino continua solto". A mídia do mundo inteiro publicou matérias a respeito. O Vaticano também se pronunciou; só que para lamentar a associação blasfema — e preconceituosa — que a edição especial do satírico fez sobre as mortes de seus funcionários.

A atitude da Santa Sé justifica-se por duas razões.

Primeiro, a capa de Charlie Hebdo, como o editorial assinado pelo diretor Laurent Sourisseau, confunde a prática comum entre um grupo de extremistas islâmicos com a fé de mais de um bilhão de pessoas. O jornal coloca uma suspeita sobre todos os religiosos, como se a única maneira de se viver a paz e a liberdade fosse pela adesão aos princípios do laicismo. Isso é inaceitável. A história mostra que os regimes ateus foram, e ainda são, capazes de cometer as piores barbáries.

Segundo, a generalização do jornal, ao invés de ajudar a pôr um fim ao problema, atacando os verdadeiros responsáveis pelo crime, cria ainda mais dificuldades para uma nação cujos fundamentos parecem esfacelar-se irreversivelmente. Estes fundamentos são os dogmas católicos que Sourisseau e o seu jornal tanto desprezam.

Laurent Sourisseau escreve: "Víamos a França como uma ilhota laica, onde era possível brincar, desenhar, rir, sem se preocupar com dogmas". Notem que Sourisseau estabelece um vínculo direto entre "brincar", "desenhar", "rir" e laicismo. A religião, por sua vez, seria uma ameaça a essas coisas. Sourisseau parece desconhecer a história de seu próprio país. É preciso esclarecer, em primeiro lugar, que a laicidade exaltada pelo diretor do Charlie Hebdo tem origem em um período bastante sangrento para a França. A aclamada Revolução Francesa matou milhares na guilhotina, principalmente aqueles que ousavam "brincar", "desenhar" ou "rir" das ideias dela. E julgava fazer isso para trazer liberdade e dignidade às pessoas contra a "intolerância" da Igreja romana. Ocorre que foi justamente dessa religião que não só os franceses, mas todo o Ocidente, colheram os verdadeiros princípios norteadores para o respeito à dignidade da pessoa humana e para a paz entre os povos. Destruir essa religião significa, portanto, cortar o galho da árvore em que se está sentado. O tombo é certo.

Recentemente, a Comissão Teológica Internacional publicou um estudo bastante profundo sobre a ligação entre as religiões monoteístas e a violência. Esse estudo, além de refutar os velhos chavões anticlericais, faz a seguinte declaração:

“Não parece ser obra do acaso que a postura polêmica que leva alguns a se afastarem e entrarem em conflito com o cristianismo, [...] venha acompanhada de um enfraquecimento [...] do respeito pela vida, pela intimidade da consciência, pela salvaguarda da igualdade, [...] e pelo respeito da autêntica consciência religiosa." [1]

A competente historiadora Régine Pernoud ajuda-nos a entender a questão, olhando para como eram as relações internacionais na Idade Média [2]. Durante esse período, escreve a autora, o Ocidente não era muito diferente do que vemos hoje em termos de diversidade étnica. Havia vários povos, de diferentes culturas e costumes, os quais se viam frequentemente em conflitos por territórios e poder político. Coube à Igreja o papel de assegurar a "tranquilidade da ordem", como diria Santo Agostinho [3]. Isso foi possível devido à convicção cristã de que, pela graça de Deus, todos os povos pertencem, ou devem pertencer, a uma mesma família: o Corpo Místico de Cristo. Pernoud explica: "A unidade doutrinária, tão viva na época, ajudava na união dos povos. Carlos Magno compreendeu tão bem isso que, para conquistar a Saxe enviou primeiro os missionários, antes dos exércitos, e não por ambição, mas por convicção. A história se repete no Império Germânico, na dinastia dos Othos."

A autoridade espiritual da Igreja reunia todos os poderes temporais sob um único propósito, de maneira tal que mesmo nações inimigas uniam-se ao chamado do Papa. Régine Pernoud não nega, ingenuamente, que "tenha havido abusos da parte da Santa Sé como da parte do poder temporal". "É incontestável, a história das disputas entre o Papado e o Império comprova", lembra a autora. "Mas no conjunto", prossegue, "pode-se dizer que esta tentativa audaciosa de unir os dois gládios, o espiritual e o temporal, pelo bem comum, foi um sucesso". Prova disso são as determinações papais conhecidas como Paz de Deus — em que se fazia a justa distinção entre o forte e o fraco, com a proibição de maltrato às mulheres, às crianças, aos camponeses e aos clérigos — e Trégua de Deus — quando, por ordem da Igreja, se cessava todo conflito durante o Tempo do Natal, da Quaresma e da Páscoa.

Ademais, o mandamento do amor ao próximo e ao inimigo educou os cavaleiros para a piedade. "Aquele que lutava por amor das grandes proezas, da violência ou da pilhagem, virou o defensor dos fracos", escreve Pernoud. Ela continua: "O soldado tem doravante um papel a cumprir, e os inimigos que ele é convidado a combater são, justamente, aqueles em quem subsiste o desejo pagão do massacre, de orgia e de pilhagem." Vemos tais exemplos nos Templários, cuja valentia livrou o Ocidente das incursões árabes. Na época das Cruzadas — frequentemente condenadas pelos professores de História — toda a Europa levantou-se em uníssono contra os então terroristas. Hoje, a França encontra-se dividida, sem saber para que rumo caminhar, diante dos ataques que se repetem.

Uma nota particular sobre a I Guerra Mundial deve ser lembrada também para comprovar ainda mais o poder pacificador do cristianismo. Foi durante o Natal de 1914 que aconteceu o que parecia improvável: na frente ocidental, os soldados ingleses e alemães depuseram as armas para comemorar o nascimento do Deus menino. Conta-se que houve canções, troca de presentes e até uma partida de futebol. O episódio ficou conhecido como Trégua de Natal.

Os atentados terroristas contra o jornal Charlie Hebdo merecem nosso repúdio e condenação. Mas a vitória contra essa perversidade não virá de pensamentos — igualmente fanáticos, é preciso dizer — como os do senhor Laurent Sourisseau. Colocar todos os crentes dentro do mesmo "carro bomba" para desacreditar as religiões — principalmente aquela à qual o seu país deve a própria existência — é um grande equívoco. A França sabe muito bem o que pode lhe trazer a paz. E certamente não é a capa de um jornal blasfemo. "Se não é o Senhor quem educa a casa, trabalham inutilmente aqueles que a constroem" (Sl 126, 1).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Comissão Teológica Internacional, O monoteísmo cristão contra a violência (6 de dezembro de 2013), n. 13.
  2. PERNOUD, Reginé. As relações internacionais no Medievo. In: Lumière du Moyen Age, Editions B. Grasset, Paris, 1944, cap. 6.
  3. Santo Agostinho, De Civitate Dei, XIX, 13 (PL 41, 640).

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Ex-clérigo muçulmano: “Foi o Corão que me converteu ao Cristianismo”

De sacerdote muçulmano a missionário católico: conheça o incrível testemunho do indiano Mario Joseph, que descobriu Jesus Cristo lendo o Alcorão. “Para ter vida eterna, você precisa de Jesus, e não só isso, você precisa da Igreja Católica.”

O indiano de ascendência turca Mario Joseph é o terceiro de uma família muçulmana de seis irmãos. Depois de uma gestação difícil, em que os médicos chegavam a temer por sua vida, Mario foi "dedicado" por sua mãe a Alá e, desde cedo, teve uma vida muito diferente da que seus irmãos levavam. Separado para o serviço religioso, ele cresceu sem ir à escola, até os 8 anos, quando começou a frequentar um colégio islâmico para assumir a função de " mawlana", uma espécie de clérigo do Islã. Antes de completar 18, Mario Joseph já era imã e chefe religioso de uma comunidade muçulmana na Índia.

O que ele não imaginava era que a sua vida virasse totalmente de ponta cabeça, depois que ele procurasse conhecer a fundo um dos profetas mencionados no Alcorão. Seu nome era Jesus Cristo.

Abaixo, excertos de uma entrevista concedida pelo agora missionário cristão Mario Joseph, à apresentadora Cristina Casado, do programa Cambio de agujas, do canal HM Televisión.

"Quem é Jesus?"

"Eu trabalhava em uma mesquita, como 'pároco', e um dia, enquanto eu pregava em minha comunidade que Jesus Cristo não era Deus – pois, para mim, Deus era apenas Alá e, como ele nunca se havia casado, não tinha nenhum filho –, alguém da multidão, talvez até um muçulmano, perguntou-me: 'Quem é Jesus?'. Eu estava pregando que ele não era Deus, mas a sua pergunta era: 'Quem é Jesus?'."

"Para saber quem ele era, li o Corão inteiro mais uma vez – 114 capítulos, 6.666 versículos. Quando li, encontrei o nome do profeta Maomé em 4 lugares, mas o nome de Jesus, eu achei em 25. A partir de então, comecei a ficar um pouco confuso. Por que o Alcorão dava mais preferência a Jesus?"

"Uma segunda coisa era que eu não conseguia ver o nome de nenhuma mulher no Corão, nem o da mãe de Maomé, nem o de sua esposa, nem o de suas filhas, nada. Lá, há um único nome de mulher que encontrei: Maria, mãe de Jesus, e nenhum outro. O capítulo 3 do Corão se chama 'Família de Maria' e o 19, simplesmente 'Maria'. Um capítulo todo dedicado a ela. Então, eu fiquei curioso para saber por que o Corão dizia todas aquelas coisas."

"Na surata III, versos de 45 a 55, há dez coisas que o Corão fala a respeito de Jesus: a primeira é 'Palavra de Deus'; a segunda, 'Espírito de Deus'; e a terceira, 'Jesus Cristo'. O Corão também diz que Jesus falou quando era pequeno, com 2 dias, logo depois de seu nascimento (v. 46); diz que ele criou um pássaro vivo a partir do barro, que ele pegou um pouco de lama, soprou e a lama se tornou um pássaro vivo (o que significava que ele podia dar vida, eu supunha); diz que ele curou um cego de nascença, um leproso etc (v. 49). Curiosamente, o Alcorão diz que Jesus dava a vida aos mortos, subiu aos céus, que ainda está vivo e que vai voltar de novo."

"Quando eu vi todas essas coisas, meu pensamento foi: e o que o Corão diz sobre Maomé? Sabe, de acordo com o Corão, o profeta não é nem Palavra de Deus, nem Espírito de Deus, não falou quando tinha 2 dias, nunca criou nenhum pássaro com barro, nunca curou nenhum doente, nunca ressuscitou nenhum morto – ele mesmo morreu e, segundo o Islã, não está vivo e não vai voltar. Então, há muita diferença entre esses dois profetas."

"Eu não chamava Jesus de Deus. Minha ideia era de que ele era um profeta, porém maior do que Maomé. Então, um dia, eu fui a um professor, que tinha me ensinado por 10 anos no colégio árabe, e perguntei-lhe: 'Professor, como Deus criou o universo?' Ele disse: 'Deus criou o universo por meio da palavra, através da Palavra'. E eu perguntei, então: 'A Palavra é criadora ou criatura?' Se ele dissesse que a Palavra de Deus era criadora, isso significaria que Jesus é criador e, portanto, os muçulmanos deviam fazer-se cristãos. Se ele dissesse que a Palavra é criação, ele cairia em contradição porque, se tudo foi criado pela Palavra, como Deus, então, teria criado a Palavra? Não podendo dizer que a Palavra é criadora nem criatura, ele, furioso, empurrou-me da sua sala e disse: 'A Palavra não é criadora, nem criatura, saia já daqui'."

"Lê a Bíblia"

"Então, eu disse ao meu professor: 'A Palavra não é criadora, nem criatura, e por isso os cristãos dizem que a Palavra é Filho de Deus'. Daí, ele me disse que, se há um filho de Deus, eu deveria mostrar-lhe a esposa de Deus. Sem esposa, impossível ter um filho. Mostrei-lhe um trecho do Corão, que diz que Deus pode ver, não tendo olhos; falar, não tendo língua; e ouvir, não tendo ouvidos. 'Se é assim, eu disse, ele pode ter um filho sem uma esposa.'"

"Nós tivemos uma grande discussão, e sabe o que eu fiz no final? Peguei meu Corão, abracei-o contra o meu peito e disse: 'Alá, dizei-me o que eu devo fazer. O vosso Corão diz que Jesus está vivo ainda e Maomé não está mais. Dizei-me qual deles eu devo aceitar.' Depois da minha oração, abri o Corão – sem perguntar a ninguém, apenas a Alá – e li o capítulo X, versículo 94, que dizia: 'Se tiveres alguma dúvida sobre esse Corão que te dou, lê a Bíblia ou pergunta ao seu povo, aqueles que leem a Bíblia'."

"Então, se você me perguntar quem me fez cristão, eu direi que não foi nenhum sacerdote, nenhuma religiosa, nenhum bispo, nenhum cardeal, nem mesmo o Papa. Foi o Corão que me converteu ao Cristianismo."

"Depois disso, então, eu decidi estudar a Bíblia e comecei a frequentar uma casa de retiros chamada Divine Retreat Center, na Índia. Enquanto eu fazia meus estudos bíblicos, houve muitos pontos da Bíblia que me tocaram. No primeiro dia, o padre leu o Evangelho de S. João, capítulo I, versículo 1 seguintes: 'No princípio, era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus, e a Palavra se fez carne.' O meu Corão dizia que Jesus era a Palavra de Deus, e agora a Bíblia também. Eu comecei a achar os dois livros muito parecidos e fiquei muito feliz em saber que eu precisava do Corão e da Bíblia, de ambos. Eu estava desse jeito: um dia me tornava cristão, no outro, muçulmano..."

"Até que eu ouvi mais uma palavra: João, I, 12, uma palavra que eu acolhi com muita docilidade. Está escrito na Bíblia que, àqueles que aceitam Jesus, Ele dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Sabe, em todos os versos do Corão, Alá chama os seres humanos de escravos, e Alá é senhor. Mas o senhor não pode amar o seu escravo, nem o escravo amar o seu senhor, e eu não gosto de ser chamado por alguém de escravo. Mas, quando ouvi aquele versículo, eu imediatamente falei: 'Eu preciso de Jesus, porque eu quero ser um filho de Deus.' Foi então que eu comecei a chamar a Deus de pai porque, até então, não sabia que podia chamá-Lo de pai, assim como fez Jesus, ensinando a oração do Pai-Nosso. Se você me perguntar, eu não consigo expressar a minha alegria toda vez em que chamo a Deus de pai. Sempre que eu penso que o Criador do universo é meu pai, eu sinto uma alegria inexprimível, uma experiência que não consigo explicar. Foi ali que eu decidi aceitar Jesus."

"O meu pai só estava obedecendo ao Corão"

"Nessa época, eu estava fora de casa. Os meus pais pensavam que eu estava em minha mesquita, e o pessoal da mesquita achava que eu estava em minha casa. Quando eles se comunicaram, perceberam que eu não estava em nenhum dos dois lugares. Então, eles procuraram por mim em todo lugar, publicaram um aviso em vários jornais e na televisão, até finalmente me encontrarem em uma casa de retiros católica."

"Quando meu pai chegou lá, foi terrível. Ele me espancou muito, até eu sangrar pelo nariz e ficar inconsciente. Daí, ele me levou para casa. Eu não sei como, porque estava inconsciente, mas de alguma forma ele me levou. Quando voltei a mim, eu estava em uma sala pequena, sem roupas, completamente nu, com os meus braços e pernas acorrentados . Eu não podia nem mesmo falar porque havia pó de pimenta em minha boca, em meu nariz e em meus olhos, e, nonde quer que houvesse uma ferida em minha pele, eles também colocavam alguma pimenta, para me queimar. Eles fizeram tudo isso porque está escrito no Corão, em mais de 18 passagens, para lutar contra os infiéis – e está escrito, em alguns lugares, para matar quem rejeita o Islã. O meu pai só estava obedecendo à lei do Corão."

"Durante todos aqueles dias, eles não me deram nada para comer ou beber. Desidratado, eu tentava lamber um pouco do sangue que escorria, para molhar a minha garganta. Veio então o meu irmão e passou urina em minha boca. (Eles dizem que esse é o castigo que merece quem acredita em Cristo.) Depois de muitos dias sem água nem comida, meu estômago começou a se retorcer e meu corpo começou a ficar fraco. Eu era como um recém-nascido. Cheguei a perder até o meu poder de memória. Não conseguia nem mesmo pensar, por não ter o que comer ou beber. Parecia um cadáver."

"Não sei quantos dias passei naquela sala – acho que mais de 20 –, até que, um dia, meu pai entrou na sala e tirou minha corrente para saber se havia vida no meu corpo. Eu estava desacordado, mas ele apertou tão forte a minha garganta que eu não conseguia mais respirar. Quando abri os meus olhos, então, vi que ele tinha um facão na sua mão. Ele disse: 'Este é o seu último momento. Sem misericórdia. Se você precisa de Alá, eu permito que você viva. Se precisa de Jesus, eu o mato.' Eu conheço bem o meu pai. Ele realmente ia me matar."

"Quando percebi que aquele era o meu último momento de vida, pensei: 'Bom, Jesus morreu, mas Ele voltou; se eu morrer em Jesus, também devo conseguir a minha vida de volta.' Pensei comigo que seria um tipo de alegria morrer em Jesus. Decidi-me, então, e, de repente, uma luz caiu em minha testa, como um luar, e eu senti uma espécie de choque elétrico, uma descarga que atravessava as minhas veias. Eu estava energizado. De algum lugar, a energia passava pelo meu corpo e eu não conseguia me controlar, havia muita energia nos meus ossos."

"Então, eu empurrei as mãos de meu pai para baixo e gritei: 'JESUS!' Quando eu gritei, o meu pai caiu com a faca no chão. Assim que ele caiu, apareceu uma grande ferida em seu peito, que começou a sangrar. Uma espécie de espuma corria da sua boca, e ele gritava. Todos estavam chocados – meus irmãos, minha mãe e minhas irmãs. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Eles pensaram que meu pai já estivesse morto. Pegaram-no, então, e correram com ele para o hospital."

"Ao sair, porém, eles esqueceram de trancar a porta do lado de fora. Eu, mesmo depois de tantos dias sem comer, como um recém-nascido, tinha uma energia que não sou capaz de explicar. Vesti, então, as roupas do meu pai, saí e corri para o ponto de táxi a fim de fugir para Potta. No caminho, o taxista, que era cristão e conhecia a minha história, comprou-me alguns doces e um suco. Ainda hoje, eu tenho contato com o taxista e ele é um bom amigo meu."

"Naquele dia, eu entendi que meu Jesus está vivo, mesmo agora. Quando clamei por Ele em minha necessidade, Ele salvou-me. Isso quer dizer que Ele está presente aqui, mesmo enquanto eu falo com você. Em todo lugar, eu sei que Ele está presente, porque, agora, 18 anos depois da minha conversão, eu jamais pensei que os muçulmanos me permitiriam viver por tanto tempo. Eu cheguei a pregar no Oriente Médio, os árabes vieram, mas nada aconteceu. Isso significa que meu Jesus está vivo e está me protegendo."

"Mesmo depois dessa experiência, já tentaram me matar muitas vezes. Na verdade, os meus pais simularam uma cerimônia de funeral para mim. Sabe o que é isso? Eles fizeram uma estátua minha, enterraram em um túmulo e escreveram a data do meu nascimento e o dia do meu falecimento, ou seja, o dia em que eu me fiz cristão, quando recebi o Batismo. Aquela é a data da minha morte para eles, e eles me enterraram. Então, eu tenho o meu próprio túmulo na minha cidade natal."

"Eu sei disso porque um dos meus amigos cristãos, quando passou por lá, tirou uma foto do túmulo e mandou para mim. Depois de tudo o que aconteceu, eu não tenho nenhum contato com minhas irmãs, que eu amo muito, nem com minha mãe... Eu realmente as amo, mas, sem chances. Humanamente falando, não tenho esperanças, mas Deus pode tocá-los um dia, então eu sigo rezando. Mesmo que eles não aceitem o Cristianismo, eu estou sempre dizendo: 'Jesus, por favor, leve-os ao Céu'. Onde quer que eu esteja, eu preciso deles, então essa é a minha oração sempre."

"Jesus está preparando uma grande mansão para mim"

"Nunca tive medo da morte, nem você deveria ter. Medo da morte é, na verdade, bobagem, porque todos os que nasceram deverão morrer um dia. Cem por cento. Com medo ou não, todos têm que morrer. Essa é a única coisa certa que você sabe na terra. Agora, enquanto falo com você, não tenho certeza se isso será transmitido, porque qualquer coisa pode acontecer. Não sei se jantarei hoje à noite, se voltarei para a Índia, se meus filhos farão bons estudos e conseguirão um diploma, não tenho certeza de nada, de nada. A única coisa certa que existe nesta terra é que eu morrerei. Tudo o mais é incerto."

"Então, nunca tema a morte. Esteja certo de que ela virá um dia. O que você pode fazer é pensar. Se você acredita em Maomé e morre, qual será a sua situação? O profeta Maomé morreu, as pessoas o enterraram e, depois, não sabemos para onde ele foi. Se eu morrer nele, não sei para onde irei. Todos os deuses hindus – existem tantos deuses e deusas em meu país! –, todos viveram, criaram história, morreram, as pessoas os enterraram, e não sabemos para onde eles foram. Então, se eu acredito em todos eles, não sei qual é o meu futuro. Mas Cristo, que morreu, voltou. Por isso, eu tenho a esperança de que, se eu morrer em Cristo, eu voltarei. É melhor, portanto, estar certo da morte e morrer em Cristo."

"Jesus diz bem claramente em João, XIV, 2-3: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também.' Sabe, eu estou muito feliz por saber que Jesus está preparando uma grande mansão para mim no Céu porque, uma vez que terminada, Ele volta para me buscar. Eu acho que é uma mansão muito grande porque, nos últimos anos, os muçulmanos tentaram e não conseguiram me matar, o que significa que a construção ainda está em andamento e, quando tudo estiver pronto, Ele voltará para me buscar. Só então os muçulmanos poderão me matar. Até lá, ninguém pode."

"Para ter vida eterna, você precisa da Igreja Católica"

"Então, eu não tenho medo da morte, isso é um fato. A única coisa em que penso é: e depois da morte, o que há? Para ter vida eterna, você precisa de Jesus, e não só isso, você precisa da Igreja Católica."

"Digo isso especificamente porque cada religião diz que a barreira entre Deus e o homem é o pecado. No Islã, para o pecado, há a oferta de animais. No hinduísmo, há a reencarnação. Mas só no Cristianismo o próprio Jesus remove o meu pecado e a minha punição e me faz puro para levar-me até o Céu. Jesus é meu Salvador. Ele é perfeito homem, porque sou homem, meu Salvador deve ser um homem; e Ele é perfeito Deus, porque eu preciso da vida eterna, e só Ele pode dar-me."

"É muito simples dizer-lhe por quê. A consequência do pecado é a morte. Assim como, para remover a escuridão, você deve trazer luz, para remover a morte, você deve trazer vida. Mas a vida de quem? No Antigo Testamento, eles davam a vida de um animal, porque acreditavam que a vida estava no sangue, e sangue animal. Os muçulmanos ainda estão fazendo isso. Mas, para remover minha morte, eu preciso ter vida eterna. Ora, de onde posso ter vida eterna? Só de Deus, e isso é dado por Jesus na Cruz."

"Por isso, quando eu participo de Seu corpo e sangue, eu estou participando de Sua vida, tomando parte de Sua vida. É por isso que Jesus me chama de 'irmão', e Jesus e nós, ambos, chamamos Deus de 'pai'. É uma união com Ele, na qual nós obtemos a vida eterna. Para receber isso sempre, você deve ser católico. Porque Jesus disse claramente: 'Se você come o meu corpo e bebe o meu sangue, nunca morrerá e, mesmo se morrer, eu o ressuscitarei' (cf. Jo, VI). Foi assim que eu decidi tornar-me cristão e, especialmente, católico."

Uma palavra à Europa

"Nós somos muito fracos em educar nossos filhos na fé. Somos muito fracos. E essa fraqueza originou-se em nós quando começamos a falar demais de 'liberdade'. Quando começamos a dar muitas liberdades que não são permitidas por Deus – como, por exemplo, 'casamento' gay, aborto e drogas, que são legalizados em todos os países agora –, ninguém tem o direito de questionar ninguém. Nem os pais têm o direito de questionar os filhos. Essa 'liberdade' é um verdadeiro obstáculo para transmitir a fé."

"Além disso, nessa 'liberdade', os pais são incapazes de mandar as crianças às aulas de Catecismo. No Islã, como se trata de uma religião política – eles tentam regular o mundo com a lei da sharía –, acaba-se obrigando as crianças a irem à escola. Desde a infância, eles são treinados em sua fé para serem fanáticos. Eu digo que devemos respeitar o ser humano, devemos dar-lhe total liberdade, mas, ao mesmo tempo, desde a infância, devemos educar as crianças no catolicismo. Se isso for possível, definitivamente a Europa mudará."

"Dois dias atrás, depois de chegar aqui, eu estava rezando pela Europa e perguntei ao Senhor qual era a mensagem que Ele tinha para esse continente, especialmente para a Espanha. A mensagem que eu recebi vinha do livro do Apocalipse, capítulo II, versículos de 2 a 4. Diz o Senhor: 'Sei o quão duro trabalhaste por mim.' A Espanha fez muitos trabalhos em nome de Jesus. 'E sei o quanto sofreste por mim.' Ela também passou por muitos sofrimentos por causa de Jesus. 'Sei como enfrentaste os falsos profetas.' A Espanha lutou contra falsos profetas por muitos anos. E Deus diz: 'Mas, agora, tenho uma queixa contra ti. Perdeste aquele primeiro amor. Perdeste aquele primeiro amor. Retorna àquele amor.' Então, para a Europa, Deus está dizendo apenas uma coisa: 'Retorna a esse amor', como os seus antepassados, 'retorna'."

"Todos nós rezaremos e trabalharemos por isso. Essa é a minha ambição, é a razão pela qual estou aqui. Não era meu desejo estar aqui, mas Deus mandou-me à Europa. Há muitos profetas que estão vindo para a Europa. E há tantos profetas e santos na Europa que passam despercebidos por nós. Com todos nós rezando e trabalhando juntos, no fim, as mudanças acontecerão."

Por Equipe Christo Nihil Praeponere