| Categoria: Teologia

Por que Jesus Cristo falava em parábolas?

Se Jesus devia pregar o Evangelho da salvação, por que decidiu expor boa parte de seu ensinamento em forma de parábolas? Era conveniente que o Filho de Deus “escondesse” sua doutrina dos homens, aos quais veio trazer o conhecimento da verdade?

Lemos no Evangelho que Cristo ensinou algumas coisas privadamente a seus Apóstolos, mas ordenando-lhes que as pregassem depois publicamente: "O que eu vos digo na obscuridade, dizei-o às claras, e o que é dito ao ouvido, pregai-o sobre os telhados" ( Mt 10, 27).

Outras vezes, porém, o Senhor ensinou por meio de parábolas, que ele explicava depois aos seus discípulos, mas cujo sentido escapava à maior parte de seus ouvintes. Os próprios Apóstolos perguntaram ao Senhor a razão dessa maneira de pregar, e obtiveram uma resposta cuja interpretação exata é um tanto obscura e difícil:

"Chegando-se a ele os discípulos, disseram-lhe: 'Por que razão lhes falas por meio de parábolas?' Ele respondeu-lhes: 'Porque a vós é concedido conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido. Porque ao que tem lhe será dado (ainda mais), e terá em abundância, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo não vêem, e ouvindo não ouvem nem entendem. E cumpre-se neles a profecia de Isaías (6,9-10), que diz: Ouvireis com os ouvidos, e não entendereis; olhareis com os vossos olhos, e não vereis. Porque o coração deste povo tornou-se insensível, os seus ouvidos tornaram-se duros, e fecharam os olhos, para não suceder que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam com o coração, e se convertam, e eu os sare" (Mt 13, 10-15).

Esta é uma das passagens evangélicas que mais fizeram suar os exegetas. Vejamos, pois, em síntese, a interpretação do Doutor Angélico ( S. Th. III, q. 42, a. 3):

Por três motivos uma doutrina pode permanecer oculta:

a) Pela intenção de quem ensina, que não quer comunicá-la a muitos, mas antes mantê-la oculta, seja por inveja e desejo de excelência, seja por tratar-se de uma doutrina errada ou imoral. É evidente que não foi este o caso de Nosso Senhor.

b) Porque se ensina a poucos. Tampouco este motivo diz respeito a Jesus Cristo, pois, como Ele mesmo disse a Pilatos, "Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, aonde concorrem todos os Judeus; nada disse em segredo" (Jo 18, 20). As mesmas instruções que o Senhor dava privadamente a seus Apóstolos deveriam depois ser pregadas publicamente (Mt 10, 27).

c) Pelo modo de ensinar. Dessa forma, Cristo ocultava algumas coisas às turbas quando lhes expunha em parábolas os mistérios que não eram capazes ou dignas de receber. No entanto, ainda lhes era melhor recebê-los assim e ouvir a doutrina espiritual sob o véu das parábolas que permanecer totalmente excluídas dela. E, além disso, o Senhor expunha a verdade clara e desnuda das parábolas aos discípulos, por meio dos quais ela haveria de chegar aos outros que fossem capazes de recebê-la.

Segundo esta interpretação do Doutor Angélico, a razão profunda da pregação em parábolas deve ser buscada em uma ação combinada da misericórdia e da justiça de Deus: "porque não eram capazes ou dignos" de receber abertamente a doutrina de Cristo.

a) Em primeiro lugar, não eram capazes de receber abertamente essa doutrina por conta de seus prejulgamentos messiânicos, completamente opostos à realidade evangélica. Eles imaginavam um Messias em forma de rei temporal, forte e poderoso, que esmagaria todos os inimigos de Israel e os encheria de felicidades e prosperidades temporais. Frente a esta concepção, tão arraigada no povo, a doutrina evangélica, orientada inteiramente ao Reino dos Céus e ao desprezo das coisas da terra, era demasiado sublime e elevada para que pudessem captá-la exposta em toda a sua nudez. Cristo lhes dá o pão da verdade na forma que então podiam compreendê-la, deixando a seus discípulos o cuidado de expô-la com toda claridade à medida que fossem capazes de assimilá-la. Di-lo expressamente São Marcos (4, 33-34): "Assim lhes propunha a palavra com muitas parábolas como estas, segundo podiam entender. Não lhes falava sem parábolas; porém, tudo explicava em particular a seus discípulos".

b) Em segundo lugar, não eram dignos de recebê-la claramente por causa da sua obstinada incredulidade. Era um fato, como lamentava o próprio Cristo, que "vendo não veem e ouvindo não ouvem nem entendem". Os milagres estupendos com que o Cristo demonstrava, diante do povo, sua divina missão endureciam mais e mais os corações obstinados, até o ponto de atribuir os milagres ao poder de Belzebu (Lc 11, 15) ou de querer matar Lázaro, visto que, por motivo de sua ressurreição, muitos criam em Jesus (Jo 12, 10-11). Diante de tanta obstinação e malícia, a justiça de Deus tinha forçosamente que castigá-los, e por isso lhes anuncia a verdade de forma velada e misteriosa, a fim de que os homens de boa vontade tivessem as luzes suficientes para abraçar a verdade evangélica, e os rebeldes obstinados recebessem o justo castigo de sua maldade. Contudo, com relação a estes últimos brilha ainda de algum modo a misericórdia de Deus, porque, como adverte Santo Tomás, "ainda lhes era melhor receber a doutrina do reino de Deus sob o véu das parábolas que permanecer totalmente privados dela".


Não deixe de assistir, também, à nossa aula recente sobre o Sermão das Parábolas, no curso exclusivo "Os Evangelhos Sinóticos". Abaixo, um pequeno trecho deste material:


Essa interpretação explica a misteriosa passagem bíblica de forma discreta e razoável. Mas, em todo caso, seja como for, não se pode interpretar a pregação parabólica como uma restrição da vontade salvífica universal de Deus, que está clara e expressamente revelada na Sagrada Escritura. É-nos dito claramente que "Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" ( 1Tm 2, 4); que "Deus não quer a morte do pecador, mas sim que se converta e viva" (Ez 18, 23); que Cristo "não veio chamar os justos, mas os pecadores à penitência" (Lc 5, 31); que Deus "prefere a misericórdia ao sacrifício" (Mt 9, 13) e outras muitas coisas do mesmo tipo. Deve-se interpretar as passagens obscuras da Sagrada Escritura pelas claras, e não o contrário. Trata-se de uma norma fundamental da hermenêutica bíblica.

*

Do livro Jesucristo y la vida cristiana, do Pe. Antonio Royo Marín,
Madrid: BAC, 1961, p. 286s. (Tradução, adaptação e grifos nossos.)

| Categoria: Espiritualidade

À procura de paz interior? Experimente sair do Facebook!

Sacerdote revela por que decidiu abandonar o mundo do Facebook e do Twitter, e adverte: “Todos os católicos deveriam, pelo menos, começar a incluir o uso das mídias sociais em seus exames de consciência.”

Durante anos fui um viciado em mídias sociais, checando regularmente meu celular à procura de atualizações no Facebook e no Twitter (estou muito velho para Snapchat) e compartilhando minha sabedoria mundo afora. Eu gostava de ganhar "curtidas" e retweets, tanto quanto qualquer outra pessoa (talvez mais).

Sim, eu olhava com desdém para posts de gatinhos e pensava que selfies eram narcisistas e irritantes. Mas, de forma geral, nunca me perguntei sobre a importância das mídias sociais como um todo. Não de um ponto de vista católico, pelo menos. Afinal de contas, elas não são a principal forma de comunicação hoje em dia? Não é necessário, aliás, que os católicos estejam presentes nelas para poder evangelizar? Isto não poderia ser visto, enfim, como parte do meu ministério enquanto padre, como um tipo de "paróquia cibernética"?

Como quer que seja, encontrei-me recentemente com um amigo seminarista que decidiu há uns dois anos parar de usar o Facebook. Ele confessou que sua vida, sobretudo como católico, melhorou muito desde então. E desafiou-me a seguir o seu exemplo.

Minha reação imediata foi fechar-me na defensiva, à semelhança de um viciado em jogos cuja esposa lhe pede que tente parar de apostar por um tempo. E o que me surpreendeu foi justamente essa reação interna. Afinal, por que a simples ideia de abandonar as redes sociais pareceu-me tão amedrontadora? Será que eu estava tão viciado assim em "curtidas" e retweets?

Enquanto eu pensava em excluir minhas contas de Facebook e de Twitter, as pessoas com quem conversei a respeito levantaram-me inúmeras objeções; dentre elas, apenas duas pareciam ter algum peso. As redes sociais, em primeiro lugar, são plataformas de comunicação, e é por isso que a Igreja não deve estar fora do Facebook e do Twitter, assim como São Paulo não fugiu do Areópago. Em segundo lugar, elas constituem um meio de manter contato com pessoas a que eu não teria acesso de outra forma.

Estes dois argumentos fizeram-me hesitar por um instante. Foi então que me perguntei pelo número de pessoas que verdadeiramente se convertem por causa de um tweet. Suspeito que não sejam muitas. Na verdade, é possível que mais gente se afaste da fé por causa das "guerras" intestinas travadas entre católicos on-line. As mídias sociais não são favoráveis a meio-termos e à moderação; antes, pelo contrário, tendem a acentuar o lado menos agradável da comunicação, e são os comentários mais escandalosos que costumam ganhar maior número de "curtidas".

Quem usa mídias sociais está constantemente exposto à tentação, como os jornalistas, a dar demasiada atenção ao que é escandaloso e polêmico, e isto vai na contramão do que São Paulo disse aos filipenses: "Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos" (Fl 4, 8).

Quanto à segunda objeção, é preciso lembrar que é natural perder contato com as pessoas ao mudarem as circunstâncias que nos unem a elas. Seria inútil tentar congelar, numa espécie de "câmara criogênica" para amigos de Facebook, todo e qualquer relacionamento. De fato, um amigo de Facebook anunciou há poucas semanas que estava de volta à plataforma, e eu sequer havia notado que ele tinha deixado de usá-la. Isso diz tudo.

Quanto a mim, a razão básica que me levou a sair do mundo do Facebook e do Twitter foi a necessidade, frequentemente sublinhada por Bento XVI, do recolhimento interior. As mídias sociais costumam fazer-nos boiar na superfície, num comprometimento leviano com o mundo. Elas favorecem a escravidão ao momentâneo, à moda passageira, às controvérsias atuais. Elas militam contra a centralidade da Palavra, levando-nos a dar uma excêntrica atenção às puras palavras, como um balbuciar de Babel.

Como Bento XVI observou em 2005: "Deixemo-nos 'contagiar' pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disso, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus [...]. Cultivemos o recolhimento interior, para acolher e conservar Jesus em nossa vida."

Ora, o Facebook e o Twitter nunca me ajudaram a cultivar esse tipo de recolhimento, nunca me tornaram capaz de enraizar-me nas profundezas da presença de Deus em mim mesmo. Por isso, eles deviam sair de minha vida. Talvez nem todos passem por isso, mas creio que todos os católicos deveriam, pelo menos, começar a incluir o uso das mídias sociais em seus exames de consciência.

Excluí minhas contas de Facebook e de Twitter numa Sexta-feira Santa, e duvido que que meus "amigos" e "seguidores" se sintam abandonados ou, privados agora de meus posts e tweets, invadidos por uma sensação de abandono. A verdade é que a maior parte deles nem mesmo vai notar a minha ausência. (Nem mesmo quando eu morrer — mas isto fica para outro dia, assim espero.)

Se estou com saudades das mídias sociais? Bem, estou escrevendo este artigo durante uma pequena pausa depois da Páscoa em Whitby e preciso ser honesto: queria muito tirar uma foto da Abadia da cidade e postá-la para que todos se alegrassem comigo por encontrar-me num lugar tão bonito, enquanto os outros estão sentados em seus escritórios. Mas não havia maneira. Por fim, não tirei foto alguma e fiquei a apreciar a vista.

Por Pe. David Palmer | Fonte: Catholic Herald | Tradução e adaptação: Equipe CNP

| Categorias: Notícias, Doutrina

A Igreja Anglicana “sai do armário” e caminha para a extinção

Quanto mais se esforça para adaptar-se ao mundo e ao politicamente correto, mais fiéis perde a Igreja Anglicana. Quanto mais relativismo, menos adeptos.

O relativismo moral foi o solvente mais corrosivo para a Igreja Anglicana, que perdeu nas últimas décadas a metade de seus fiéis. A gota d'água tem sido a ideologia de gênero: quanto mais ela "sai do armário", menor é o número de seus fiéis. E é chamativo o fato de que muitos deles se convertam ao catolicismo. O que ocorre é que, quanto mais o anglicanismo se esforça por adaptar-se ao mundo e ao politicamente correto, mais fiéis o abandonam. Quanto mais relativismo, menos adeptos. E o coroamento deste processo é a ideologia de gênero.

A única serventia da ordenação de "bispas" ou de serviços religiosos para transsexuais tem sido afugentar muitos fiéis. Em 30 anos, a comunidade fundada no século XVI pelo impudico Henrique VIII perdeu a metade de seus fiéis. E o vazamento continua…

A hierarquia anglicana, em todo o caso, exigiu que Governo do Reino Unido proibisse as terapias para quem deseja modificar uma atração homossexual indesejada.

Os líderes anglicanos consideram que "não há espaço no mundo moderno" para que uma pessoa procure voluntariamente ajuda profissional para deixar de ser homossexual. O arcebispo anglicano de York, John Sentamu, manifestou-se de maneira clara a favor da proibição: "Só poderei dormir tranquilamente quando proibirem esta prática." O bispo de Liverpool, Paul Bayes, afirmou que a orientação LGBTI não é nem crime nem pecado: "Não precisamos levar as pessoas para terapia se elas não estão doentes."

A proposta foi finalmente aprovada por 298 votos a favor, 74 contra e 26 abstenções provenientes dos três "estados", formados por bispos, clérigos e leigos, do sínodo da Igreja da Inglaterra.

Serviços religiosos especiais para transsexuais

O sínodo geral da Igreja Anglicana exigiu ainda, por uma ampla maioria de 285 votos a 78, que os bispos proporcionem serviços religiosos específicos para as pessoas transsexuais.

A proposta consiste em elaborar "materiais litúrgicos" que possam ser utilizados com o propósito de "reafirmar o seu longo, angustiante e muitas vezes complexo processo de transição".

De acordo com o jornal The Guardian, ao longo dos 75 minutos em que foi debatida a questão, nenhum dos presente expressou a ideia de que o sexo é determinado biologicamente.

Antecedentes

Longe, porém, de atenuar o êxodo de fiéis, o que a ideologia de gênero faz é acentuá-lo. Com efeito, a Igreja Anglicana vem tomando há várias décadas uma série de decisões que, além chocar-se com a tradição cristã em geral, parecem cada vez mais alinhadas aos preceitos do relativismo.

Por isso, os anglicanos permitem desde 1995 que as mulheres exerçam a função de "sacerdotisas"; desde 2000, que os divorciados celebrem novas núpcias religiosas; e desde 2004 que as sacerdotisas ocupem o cargo de "bispas". Em 2003, seus irmãos episcopais dos Estados Unidos ordenaram o primeiro bispo abertamente homossexual da comunidade anglicana.

Êxodo para o catolicismo

Não deixa de ser significativo que uma parte expressiva dos anglicanos que abandonam essa religião volte para Roma. O número de comunidades anglicanas que solicitaram em 2005 plena comunhão com a Igreja Católica Romana não foi pequeno: representava por volta de 400.000 fiéis.

O pedido foi feito por meio dos chamados Ordinariatos Anglocatólicos, que se formalizaram com a Constituição Apostólica " Anglicanorum Cœtibus", de Bento XVI.

A uma geração da extinção

Lorde Carey, arcebispo de Canterbury entre 1991 e 2002, já tinha advertido em 2015 que "a Igreja da Inglaterra encontra-se a uma geração da extinção".

Em 1983, havia no Reino Unido 16,5 milhões de anglicanos. Esta cifra reduziu-se à metade em apenas 30 anos e a assistência semanal aos serviços religiosos caiu para menos de um milhão de pessoas, ou seja, por volta de 1,4% da população.

Por Nicolás de Cárdenas | Fonte: Actuall | Tradução: Equipe CNP

| Categorias: Sociedade, Pró-Vida

Não deixem morrer a memória de Charlie Gard

A batalha pela vida de Charlie Gard está chegando ao fim. Mas a guerra que já agora precisamos travar, enquanto família, para resistir à intromissão estatal em nossas casas, só está começando.

Se o bebê Charlie Gard tivesse recebido mais cedo o tratamento para sua doença, ele teria o potencial para crescer como um garoto normal e saudável.

Em linhas gerais, foi o que afirmaram ontem Chris Gard e Connie Yates, os pais do pequeno Charlie Gard, que há quase um ano batalhavam na Justiça pelo direito de tentarem um tratamento especial para seu filho, acometido por uma doença genética rara. Com base na recente avaliação feita por um especialista norte-americano, segundo a qual os músculos da criança já se tinham deteriorado de modo irreversível, os pais chegaram ontem, dia 24 de julho, à difícil decisão de deixar o seu filho partir.

A declaração dos pais de Charlie Gard já correu o mundo e é realmente, como disseram algumas matérias em inglês, "de cortar o coração" ( heartbreaking). Quem quer que se comova, porém, com a voz embargada do pai e o desconsolo da mãe, devastados por terem que ver o seu filho morrer, não se esqueça o que provocou essa dor. Não foi simplesmente uma enfermidade grave que lhe tornou inviável a vida. Antes que a sua condição piorasse, um grupo de burocratas — médicos e juízes, em grande parte — arrogou para si o direito de decidir o futuro de Charlie, impedindo que ele saísse do hospital em que se encontrava e atropelando a vontade de seus pais de lutar pela vida e pela saúde de seu filho.

Por isso, neste início de semana, o mundo assiste não só à morte de uma criança, mas também à triste vitória do Estado contra a família; à triste vitória da "cultura da morte", em última instância, contra a própria dignidade humana.

Esses pais que perderam o seu filho, infelizmente, não foram nem serão os primeiros. Há um movimento global se aproveitando da crise em que vivem muitas de nossas famílias para enfraquecer o pátrio poder, quando não para extingui-lo por completo. Nesse caso em particular, a intervenção descabida do Estado provocou a morte de Charlie. Na Noruega, porém, já há algum tempo, famílias estão perdendo sem mais nem menos a guarda de seus filhos e, em outros tantos lugares do mundo, quantos pais já não perderam as suas crianças, por exemplo, para a educação sexual permissiva que lhes é ministrada nas escolas!

A batalha pela vida dessa criança específica, Charlie Gard, está chegando ao fim. Mas a guerra que já agora precisamos travar, enquanto família, para resistir à intromissão estatal em nossas casas, essa só está começando.

Por isso, não deixem a memória de Charlie Gard morrer. Que o seu exemplo sirva para nos lembrar os sacrifícios que precisaremos fazer, no mundo moderno, pela sobrevivência e salvação eterna de nossos filhos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categoria: Notícias

Pais dão fim a batalha legal por tratamento de Charlie Gard

Nesta segunda-feira, pais do bebê Charlie Gard deram por encerrada batalha legal para que filho recebesse tratamento experimental contra doença genética.

Pais do bebê Charlie Gard chegam ao tribunal em Londres (Foto: REUTERS/Peter Nicholls)

Por G1 — Os pais do bebê britânico Charlie Gard vão discutir com o Great Ormond Street Hospital como e quando as máquinas que mantêm a criança viva serão desligadas. Nesta segunda-feira (24), o casal Chris Gard e Connie Yates retiraram seu apelo às autoridades judiciais britânicas para que o bebê fosse mantido vivo com a ajuda de aparelhos e para que sua transferência aos EUA — onde ele seria submetido a um tratamento experimental — fosse autorizada.

O bebê sofre de miopatia mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais. Há poucas perspectivas de tratamento para a enfermidade. Falando na Suprema Corte, o advogado da família, Grant Armstrong, afirmou que os exames mostram que o dano sofrido pela criança é irreversível. "Para Charlie, é muito tarde, o tempo acabou. Ele sofreu danos musculares irreversíveis, e o tratamento não pode mais ser bem-sucedido."

" Charlie esperou pacientemente pelo tratamento. Por causa do atraso, essa janela de oportunidade foi perdida", criticou. A mãe do bebê disse que ele poderia ter tido uma vida normal, caso o tratamento tivesse sido autorizado antes. "Nós decidimos deixá-lo ir. Ele tinha uma chance real de melhorar. Agora, nós nunca saberemos o que aconteceria se ele fosse tratado", disse Connie Yates na saída do julgamento.


Entenda o caso do bebê Charlie Gard à luz da moral católica, assistindo à aula do Padre Paulo Ricardo sobre o assunto.


O julgamento desta segunda reuniu manifestantes em Londres, com balões e cartazes de apoio à família de Charlie.

O caso de Charlie atraiu atenção internacional depois que a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) apoiou a decisão de instâncias inferiores no Reino Unido e determinou que os aparelhos que mantêm Charlie vivo deveriam ser desligados, mesmo contra a vontade de seus pais.

O Papa Francisco fez apelos sobre o caso, e o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a afirmar que os EUA ficariam felizes em ajudar Charlie e sua família. Na semana passada, um comitê do Congresso americano chegou a aprovar uma emenda para conceder o status de residente permanente para a criança e sua família, para que ela pudesse receber o tratamento no país.

| Categoria: Espiritualidade

Aprenda a rezar a Coroa do Preciosíssimo Sangue de Cristo

Nesta devoção, acompanhamos Nosso Senhor da circuncisão até a Cruz, meditando sobre cada uma das sete principais efusões de seu Preciosíssimo Sangue.

Esta devoção consiste em sete mistérios, durante os quais se medita sobre as sete principais efusões do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É possível acrescentar livremente, ao fim de cada mistério, Pai-nossos, Ave-Marias e outras jaculatórias piedosas ( como as que constam na Ladainha do Preciosíssimo Sangue). Assim como na recitação do Santo Rosário, porém, só o que não se deve perder de vista é a contemplação das verdades eternas contidas em cada mistério. Através desse conhecimento, somos chamados a aumentar o nosso amor ao Sangue bendito que nos conquistou a salvação.

A versão da Coroa que tornamos disponível abaixo foi retirada, ipsis litteris, de um pequeno devocionário publicado pela editora Canção Nova, cuja aquisição recomendamos a todos.

— Iniciar rezando um Creio, um Pai-nosso, e um Glória.

1. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na circuncisão.
Bendito e adorado para sempre seja Jesus, que nos salvou com seu Preciosíssimo Sangue. Bendito e exaltado seja o Sangue de Jesus, agora e sempre e por toda a eternidade (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

2. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na agonia no Horto das Oliveiras (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

3. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na flagelação (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

4. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou na coroação de espinhos (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

5. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou no caminho do Calvário (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

6. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou pregado à cruz (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

7. Pai de misericórdia, eu vos ofereço os méritos do Preciosíssimo Sangue que Jesus, vosso amadíssimo Filho e nosso Redentor, derramou da ferida de seu lado (repetir 7 vezes).
Glória ao Pai…

Ao final, rezar uma Salve Rainha.

Do "Devocionário ao Preciosíssimo Sangue de Jesus",
Ed. Canção Nova, São Paulo, 2007, pp. 56-58.

| Categoria: Sociedade

Evitar filhos para... conter o “aquecimento global”?

“Ter menos filhos para conter o aquecimento global”, como sugere a chamada de um periódico, é tão ridículo quanto deixar as pessoas morrerem de fome, para salvar a vida dos bois, dos porcos e das galinhas.

A moda agora, senhoras e senhores, é o antinatalismo com fins ecológicos.

Quem anuncia a nova tendência é a Folha de São Paulo. " Ter menos filhos", diz uma reportagem recente do jornal, "pode ser uma das soluções para conter o aquecimento global." O título da matéria, porém, é escrito em tom imperativo: "Tenha menos filhos". Isso salvará o planeta. Quem dá a boa-nova, obviamente, não é o jornalista. Para emprestar um ar de autoridade à ideia, nada melhor do que chamar "pesquisadores", "estudiosos", "cientistas" — pessoas entendidas que, você supõe, não diriam qualquer bobagem.

À parte, porém, o argumentum ad auctoritatem, qualquer um com o mínimo de bom senso é capaz de enxergar a ideologia por trás dessa proposta. Disto que vai escrito na Folha até o pedido expresso de que o homem, quem sabe, migre para Marte, vai uma distância realmente muito curta.

O silogismo de Seth Wynes e Kimberly Nicholas, a dupla sueco-canadense responsável pelo estudo, parece muito simples. Primeiro, parte-se da premissa, já duvidosa, de que o aquecimento global é causado pelo ser humano; este não vai deixar de desejar "um padrão de vida semelhante ao padrão de consumo intenso dos países ricos"; logo, melhor que não tenhamos seres humanos, pelo menos no futuro.

A partir dessa metodologia, os cálculos mostraram que ter um filho a menos (digamos, um casal que decide ter só dois filhos, em vez de três) reduziria as emissões per capita em quase 60 toneladas de gás carbônico por ano. [...] Uma única família americana que decidir ter um filho a menos será capaz de evitar a mesma quantidade de emissões que quase 700 pessoas que passarem a reciclar todo o seu lixo.

Bom, em primeiro lugar, é evidente que as pessoas não precisam de um motivo assim para evitar filhos. A ideia é interessante, no entanto, para atribuir um ar de certa "nobreza moral" à causa dos que não gostam de crianças (ou simplesmente não as querem): não é que eles só pensem no próprio umbigo; a preocupação deles é com o bem do planeta ("do planeta", grife-se, porque a expressão "bem da humanidade" já está evidentemente ultrapassada).

Em segundo lugar, assumindo que essa fosse realmente uma estratégia "genial", quem poderia tê-la, senão um ser humano? Galhos de árvores não folheiam livros, nem escrevem em papel (ainda que o papel venha delas); tampouco os chimpanzés, tidos como o ápice da evolução, são capazes de produzir pesquisas sobre mudanças climáticas. Se o planeta estivesse realmente correndo perigo, quem poderia articular uma estratégia para salvá-lo, a não ser os Homo sapiens sapiens?

Com isso, chegamos ao terceiro ponto, e o mais importante de todos. O grande problema dessa pesquisa é o pressuposto do qual ela parte: o de que, numa escala de interesses a ser tutelados, o planeta estaria acima do ser humano. A velha história de preservar o planeta "para as futuras gerações" finalmente cai por terra. O problema não é conservar o que temos para nossos filhos e netos; o problema são os nossos próprios filhos e netos! Se não os evitarmos, a natureza tratará de os eliminar, num futuro "apocalipse ecológico", como se eles fossem "células cancerígenas".

Sim, alguém já disse isso e, hoje, são muitos os indivíduos no mundo acadêmico que pensam deste modo. No Direito Ambiental, por exemplo, matéria obrigatória em nossas faculdades jurídicas, os seres humanos não são tratados mais como os únicos "sujeitos de direito"; não é simplesmente para ordenar as suas relações que existe o Direito; não é para servir ao homem que existem os animais, os vegetais e tudo quanto há. Não, isso faria parte de uma visão de mundo antropocêntrica. O que conta pontos agora é ser "ecocêntrico"; é defender a natureza por si mesma; é defender igualmente todas as formas de vida!

Os promotores dessa ideologia, no entanto, nem sempre levam até o fim as consequências dessa forma de pensar. Continuam a se alimentar da carne de animais, sem lhes pedir o consentimento; continuam a pisotear baratas e formigas, sem nenhum escrúpulo; e nesse processo predatório e opressor, não poupam nem mesmo as alfaces, perturbando a absoluta tranquilidade que reina entre os vegetais.

Pode parecer brincadeira, mas a verdade sobre as coisas é esta. Sempre que alguém coloca um bife de carne animal na boca, está admitindo que a natureza pode, sim, servir aos interesses do homem. Sempre que assistimos a um documentário animal, em que um leão é visto atacando uma girafa, por exemplo, e não nos revoltamos pelos "direitos" da girafa, é porque sabemos que existe uma hierarquia nas coisas criadas. E esse não é o tipo de coisa que se possa modificar ou abolir simplesmente por uma "lei" ou por uma nova forma de pensar. Nossas ideias, afinal, só valem alguma coisa se estiverem em conformidade com o mundo real. Caso contrário, o único lugar para o qual elas devem ir é a lata de lixo.

"Ter menos filhos para conter o aquecimento global" é tão ridículo quanto dizer que se devem matar todos os leões para salvar a vida das girafas; ou deixar as pessoas morrer de fome, para salvar a vida dos bois, dos porcos e das galinhas. Se você é capaz de entender isso, parabéns! Mais do que um cérebro, você possui uma faculdade chamada inteligência. Use-a para algo útil, povoe o mundo de seres iguais a você e, se possível, ajude a resgatar o jornalismo e as outras ciências humanas da fossa em que há muito tempo elas se encontram.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

| Categorias: Sociedade, Igreja Católica

Precisamos falar sobre censura no Facebook

Saiba como a maior comunidade virtual do mundo está se alinhando ao globalismo e por que cristãos e conservadores podem estar com os dias contados no Facebook.

No dia 18 de julho de 2017, sem apresentar nenhuma explicação, o Facebook simplesmente tirou do ar mais de 20 páginas católicas de sua comunidade. E, do mesmo modo como foram desativadas, assim também elas voltaram, sem mais nem menos. Um verdadeiro "apagão". Dentre as páginas atingidas por esse corte repentino, estão algumas de grande expressão, como "Papa Francisco Brasil", com 3,8 milhões, e "Nossa Senhora cuida de mim", com 3,1 milhões de seguidores.

O Brasil não foi o único país afetado pela medida. Algumas páginas católicas dos Estados Unidos também foram removidas, e o bloqueio chegou a ser noticiado inclusive pela agência Fox News.

O grupo ACI falou com o Facebook e, de acordo com um porta-voz da rede, "o incidente foi ocasionado acidentalmente por um mecanismo de detecção de spam na plataforma". O deputado Flavinho garante que entrou em contato com o diretor central da plataforma no Brasil, segundo o qual tudo não passou de um "erro técnico". A informação repassada pelo parlamentar, no início da tarde de ontem (19), é que "o que gerou todo este bloqueio foi a palavra Amém". O uso excessivo da expressão, especialmente nos comentários das páginas católicas, teria sido identificado como atividade suspeita, gerando o "apagão" de dois dias atrás.

Verdadeira ou não a explicação que corre até o momento sobre este caso, a censura no Facebook é um tema premente. Precisamos falar sobre este assunto para entender não só os padrões dessa comunidade virtual, mas também a situação política para a qual caminhamos e o lugar que nós, cristãos, temos neste "admirável mundo novo" que querem construir.

Os Padrões da Comunidade de Mark Zuckerberg

Antes de mais nada, o Facebook é uma comunidade que, como qualquer outra, é regida por algumas normas, políticas de conduta que devem ser aceitas por todos os que nela ingressam. São os chamados "Padrões da Comunidade", que ajudam "a entender os tipos de compartilhamentos permitidos no Facebook e os tipos de conteúdos que podem ser denunciados e removidos". Entre estes últimos, alguns são proibidos por razões muito evidentes: é o caso de postagens relacionadas a "atividades criminosas" ou "exploração e violência sexual", e também de materiais que exibam "nudez" ou "violência e conteúdo gráfico". (Ainda que, nós sabemos, muitos absurdos ainda passem pelo crivo dos censores, sem maiores problemas.)

Outro item importante, porém, e que está gerando bastante discussão ultimamente, é o chamado "discurso de ódio". Segundo o próprio Facebook:

O Facebook remove discursos de ódio, o que inclui conteúdos que ataquem diretamente as pessoas com base em: raça, etnia, nacionalidade, religião, orientação sexual, gênero ou identidade de gênero, ou deficiências graves ou doenças.

Organizações e pessoas dedicadas a promover o ódio contra grupos protegidos não têm a presença permitida no Facebook. Levando em conta nossos padrões, precisamos que a nossa comunidade denuncie esse tipo de conteúdo para nós.

Os que estão acostumados com nosso conteúdo começam a enxergar já aqui o problema que os cristãos poderão ter com essas diretrizes claramente ideológicas do Facebook: no mundo fictício de Mark Zuckerberg, as categorias "orientação sexual" e "identidade de gênero" são perfeitamente válidas para caracterizar um discurso de ódio. (Não há tempo para explicar em detalhes o perigo dessas expressões, mas em nosso site nós possuímos abundante material sobre o assunto. A aula Sexo ou gênero? pode ser uma ótima introdução a esse respeito.)

O que aconteceria, então, cabe perguntar, se alguém publicasse em sua linha do tempo, por exemplo, que "os libertinos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, [...] ninguém desses terá parte no Reino de Deus" ( 1Cor 6, 10)? Ou que, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados" e "não podem, em caso algum, ser aprovados" (§ 2357)? Essa orientação moral, que critica abertamente certas "orientações sexuais", poderia ser qualificada como "discurso de ódio"?

Quanto à "identidade de gênero", como o Facebook lidaria com a figura de um Walt Heyer, por exemplo — dois de cujos textos já traduzimos aqui neste espaço —, que abandonou o transgenderismo para viver de acordo com o seu sexo biológico e, agora, escreve ajudando as pessoas justamente a saírem deste mundo? Atitudes assim também poderiam ser interpretadas como "discurso de ódio"?

Enfim, como serão tratados os compartilhamentos de vídeos e textos, que temos aos montes, afirmando categoricamente que "a teoria de gênero é uma farsa"? Com que régua serão medidas essas publicações que põem em xeque as próprias políticas da comunidade zuckerberguiana?

Quem decide o que é "discurso de ódio"?

A essas perguntas muito simples se somam ainda muitas outras interrogações, dentre as quais destacamos as seguintes, muito oportunas, feitas pelo ensaísta conservador Bernardo Pires Küster:

No meio da documentação que é apresentada por Bernardo neste vídeo, há um texto, publicado pelo próprio Facebook, no qual um diretor da rede tenta responder "quem deve decidir o que é discurso de ódio em uma comunidade global online".

Neste texto, fica bem claro que o Facebook tem ciência de que certas restrições podem parecer uma "censura". Justamente por isso, a rede de Zuckerberg está fazendo grandes investimentos na análise de conteúdo. "Ao longo do próximo ano", eles garantem, "acrescentaremos 3 mil pessoas ao time de operações de nossa comunidade ao redor do mundo, além das 4,5 mil que possuímos atualmente."

A grande preocupação com relação a essas medidas, porém, tem a ver não tanto com a quantidade de pessoas trabalhando na área, mas com a qualidade do serviço a ser prestado. Ao mesmo tempo em que o Facebook se compromete, por exemplo, "a confrontar o preconceito (bias, em inglês) onde quer que ele exista", os funcionários da rede sem nenhum pudor recomendam, para este debate sobre liberdade de expressão, dois sites financiados por ninguém menos que o metacapitalista George Soros e a fundação internacional MacArthur — esta última notória defensora da causa do aborto na América Latina. Os sites se chamam Free Speech Debate e Dangerous Speech Project, e essa informação é pública (basta acessar aqui e aqui).

Trocando em miúdos, é com grupos alinhados à esquerda mundial que o Facebook pretende definir os contornos do chamado "discurso de ódio". Odioso será o que os movimentos feministas, LGBTs e ambientalistas considerarem como tal. Por esse motivo, cristãos e conservadores de um modo geral estão com os dias contados no Facebook. Escrever "Amém" nos comentários de publicações católicas será, em questão de pouco tempo, o menor de nossos problemas.

Uma estratégia para silenciar cristãos

Entender isso é importante, como já dito, não só para sobrevivermos no Facebook. Desde agora, na verdade, antes mesmo que alguma medida mais drástica seja tomada em relação a nós, precisamos articular novos meios de manter contato com as pessoas, de fornecer informações a elas e de promover nossos apostolados virtuais.

Por isso, a todos que estamos excessivamente dependentes, de um modo ou de outro, desta ferramenta, está na hora de começar a pensar em outras alternativas: um bom começo pode ser fortalecer nossas listas de e-mails, investir na criação de redes independentes e forçar os usuários a visitarem as nossas próprias plataformas. O conhecido site católico norte-americano Church Militant começou a fazer isso há um tempo, e está tendo sucesso.

Ninguém se iluda pensando, no entanto, que só na Internet tentarão calar-nos a boca. A comunidade global do Facebook é apenas um instrumento do movimento globalista, a serviço da implantação sistemática de uma Nova Ordem Mundial, com novas leis, novos valores e novos comportamentos a serem estabelecidos, à revelia dos verdadeiros interesses das pessoas comuns. Neste mundo que eles planejam fundar — do qual, novamente, o Facebook não passa de "miniatura" —, o lugar de os cristãos expressarem livremente as suas opiniões é tão-somente a sacristia de suas igrejas. No espaço público, ao contrário, suas posições morais poderão facilmente ser qualificadas como "discurso de ódio".

Em um mundo cada vez mais avesso não só aos verdadeiros ensinamentos de Jesus Cristo, mas até mesmo aos princípios mais básicos da lei natural, não poderia ser diferente. A própria existência dos cristãos é um incômodo tremendo, praticamente intolerável, pois a verdade é que somos os únicos a resistir, com a fé e com nossos velhos hábitos, à ditadura do discurso único que destroça tanto as soberanias nacionais quanto — o que é ainda pior — as consciências dos que vivem à nossa volta.

Não é que todos estejam de acordo com o que querem impor um Mark Zuckerberg, um George Soros ou uma Organização das Nações Unidas. No Brasil, por exemplo, a maior parte da população é relativamente conservadora em temas morais. No fundo, o brasileiro médio ainda é religioso e, se tiver a oportunidade de dizer o que pensa, sem coação, sobre o aborto e o "casamento" gay, por exemplo, são poucos os que se manifestarão favoráveis a essas pautas progressistas. O problema é acharmos que simplesmente não temos opção; que todas essas revoluções morais são "inevitáveis". As pessoas olham para a grande mídia, para os seus professores universitários, e pensam consigo: ou eu aceito e fico bem com todos, ou então serei perseguido e ostracizado. E é assim que bilionários sem moral, do conforto burguês de seus escritórios, têm o mundo inteiro em suas mãos e dizem a todos tranquilamente o que pensar, o que querer e como agir.

A história recente da humanidade, com tantas revoluções promovidas por pequenos grupos — insignificantes numericamente, mas poderosos econômica e culturalmente —, só confirma o que disse certa vez o grande jurista brasileiro José Pedro Galvão de Sousa: o que estamos presenciando não é a "rebelião das massas"; é a rebelião, isso sim, das minorias.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere