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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
4ª feira da 4ª Semana do Tempo Comum

Hoje – 04 de Fevereiro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do Segundo Livro de Samuel2Sm 24,2.9-17

Naqueles dias, 2disse o rei Davi a Joab e aos chefes do seu exército que estavam com ele: “Percorre todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabeia, e faze o recenseamento do povo, de maneira que eu saiba o seu número”. 9Joab apresentou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens. 10Mas, depois que o povo foi recenseado, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: “Cometi um grande pecado ao fazer o que fiz. Mas perdoa a iniquidade do teu servo, porque procedi como um grande insensato”. 11Pela manhã, quando Davi se levantou, a palavra do Senhor tinha sido dirigida ao profeta Gad, vidente de Davi, nestes termos: 12“Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: dou-te a escolher três coisas; escolhe aquela que queres que eu te envie”. 13Gad foi ter com Davi e referiu-lhe estas palavras, dizendo: “Que preferes: três anos de fome na tua terra, três meses de derrotas diante dos inimigos que te perseguem ou três dias de peste no país? Reflete, pois, e vê o que devo responder a quem me enviou”. 14Davi respondeu a Gad: “Estou em grande angústia. É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!” 15E Davi escolheu a peste. Era o tempo da colheita do trigo. O Senhor mandou, então, a peste a Israel, desde aquela manhã até o dia fixado, de modo que morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabeia. 16Quando o anjo estendeu a mão para exterminar Jerusalém, o Senhor arrependeu-se desse mal e disse ao anjo que exterminava o povo: “Basta! Retira agora a tua mão!” O anjo estava junto à eira de Areúna, o jebuseu. 17Quando Davi viu o anjo que afligia o povo, disse ao Senhor: “Fui eu que pequei, eu é que tenho a culpa. Mas estes, que são como ovelhas, que fizeram? Peço-te que a tua mão se volte contra mim e contra a minha família!”

Salmo Responsorial
Perdoai-me, Senhor, meu pecado!Sl 31(32),1-2.5.6.7

Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

1 Feliz o homem que foi perdoado *
e cuja falta já foi encoberta!
2 Feliz o homem a quem o Senhor †
não olha mais como sendo culpado, *
e em cuja alma não há falsidade! R.

5 Eu confessei, afinal, meu pecado, *
e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: "Eu irei confessar meu pecado!" *
E perdoastes, Senhor, minha falta. R.

6 Todo fiel pode, assim, invocar-vos, *
durante o tempo da angústia e aflição,
porque, ainda que irrompam as águas, *
não poderão atingi-lo jamais. R.

7 Sois para mim proteção e refúgio; *
na minha angústia me haveis de salvar,
e envolvereis a minha alma no gozo *
da salvação que me vem só de vós. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MarcosMc 6,1-6

Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isso? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

Meditação
Jesus, a ponte entre Deus e os homens

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 1-6)

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: ‘De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?’. E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: ‘Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares’. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

Texto do episódio:

No Evangelho de hoje, vemos que até mesmo em Nazaré, cidade onde Jesus cresceu, há resistência e um sentimento de escândalo em relação a Ele. Escândalo por parte de pessoas que o viram crescer, que o viram brincar com os seus filhos, que o viram plenamente humano, igual a nós em tudo, exceto no pecado. 

E por que elas se escandalizaram? Porque esperavam que o Messias, o Filho de Deus que se fez homem, se mostrasse em sua glória, e não fosse tão humilde e humano como Nosso Senhor. Aqui está a dificuldade de dar o passo da fé: enxergar Jesus plenamente humano e crer que naquele homem está o próprio Deus, que vem nos visitar. 

Vemos esse problema inclusive no início da História da Igreja, embora num movimento contrário. Depois que Jesus morreu, ressuscitou e subiu aos céus, alguns enfatizaram tanto a divindade de Cristo que foram tentados a pensar que Ele não era plenamente homem. Já o povo de Nazaré viu o Jesus humano, e não acreditaram que Ele fosse Deus. 

Ora, a fé da Igreja Católica exige que acreditemos nessas duas realidades sólidas — que Jesus é plenamente humano e divino —, justamente porque elas nos levam à salvação. Sim, pois se Cristo é aquele que une a terra e o céu, o ser humano e Deus, Ele precisa, como toda ponte, ter a cabeceira firmada dos dois lados. Portanto, já não há mais um abismo entre Deus e o homem: Jesus é plenamente divino, igual ao Pai em tudo, e igual a nós em tudo, exceto no pecado. 

Voltando ao Evangelho, vemos que ele faz menção aos familiares de Jesus: sua Mãe, a Virgem Maria, São José, seu pai adotivo, e seus “irmãos”. Devemos tomar cuidado para não acharmos que essa expressão realmente significa “irmãos de sangue”, pois assim estaríamos indo contra o que a Igreja diz sobre a virgindade perpétua de Maria, antes, durante e depois do parto. O termo “irmão”, aqui, origina-se da palavra grega “adelphos”, que se refere aos parentes próximos, inclusive primos. Portanto, os “irmãos” de Jesus são seus parentes, e a própria fé nos dá essa interpretação firme e certa. 

Mas o que mais nos interessa neste Evangelho é que, com exceção de Maria e José, Nosso Senhor tinha uma família problemática como a nossa. Por isso, peçamos a Cristo que Ele tenha compaixão de nós e verdadeiramente abençoe as nossas famílias, especialmente aquelas onde reina a desordem, e renovemos a nossa fé em Jesus, plenamente humano e divino, aquele que possui verdadeiramente uma família no Céu — Pai, Filho e Espírito Santo —, que funda toda a família na terra e que certamente salvará nossas famílias.

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Janeiro 2024