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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Exaltação da Santa Cruz, Festa

Hoje – 14 de Setembro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos FilipensesFl 2, 6-11

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

Salmo Responsorial
Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!Sl 77(78),1-2.34-35.36-37.38

Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

1 Escuta, ó meu povo, a minha Lei, *
ouve atento as palavras que eu te digo;
2 abrirei a minha boca em parábolas, *
os mistérios do passado lembrarei. R.

34 Quando os feria, eles então o procuravam, *
convertiam-se correndo para ele;
35 recordavam que o Senhor é sua rocha *
e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo. R.

36 Mas apenas o honravam com seus lábios *
e mentiam ao Senhor com suas línguas;
37 seus corações enganadores eram falsos *
e, infiéis, eles rompiam a Aliança. R.

38 Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, *
não os matava e perdoava seu pecado;
quantas vezes dominou a sua ira *
e não deu largas à vazão de seu furor. R.

Segunda Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos FilipensesFl 2, 6-11

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13“Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Meditação
A Cruz que veio livrar-nos do pecado

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 13-17)

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.

Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Celebramos hoje, com grande alegria, a Festa da Exaltação da Santa Cruz. O que significa dizer que a Cruz foi exaltada? Em primeiro lugar, precisamos recordar que é pela Cruz redentora de Cristo que fomos libertos do pecado. E, para compreender a grandeza desse mistério, é necessário voltarmos à origem do próprio pecado.

O pecado foi, por assim dizer, uma “invenção” angélica. Lúcifer e seus demônios,  tomados pela soberba, quiseram ocupar o lugar de Deus, e por isso tornaram-se maus. Eram criaturas maravilhosas, luminosas e dotadas de grande perfeição; mas, diante de Deus, o que é uma criatura? Nada. Satanás, porém, movido pelo orgulho, quis exaltar-se e tomar para si o lugar que pertence somente ao Senhor. Dessa forma, liderando os anjos rebeldes, terminou precipitado com eles no abismo da morte eterna.

Esse primeiro pecado, o pecado da soberba, foi também aquele com que Satanás tentou os nossos primeiros pais e provocou a sua queda. No Paraíso, a Serpente disse a Eva: “Sereis como deuses” (Gn 3, 5). Eis novamente a mesma tentação: a criatura querendo tomar o lugar do Criador, e o homem desejando elevar-se por si mesmo à condição de Deus.

Assim, diante da miséria em que a humanidade havia caído, nosso Pai Celeste quis nos redimir e salvar. Ele poderia simplesmente ter esmagado a cabeça da Serpente e nos libertado de nossos pecados com seu poder; no entanto, Ele não quis que fosse desse jeito. Como remédio para a soberba, escolheu exatamente o seu contrário: a humilhação, a humildade do seu Filho, Jesus Cristo, encarnado-se em nossa natureza.

O Filho eterno de Deus assumiu a nossa humanidade e, como diz São Paulo no segundo capítulo da Carta aos Filipenses, “humiliavit semetipsum”, “humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 8). Logo, Ele assumiu a natureza humana para viver a humildade que nós não vivemos, e justamente nela encontramos o antídoto para o orgulho da Serpente.

Por isso, o hino da Carta aos Filipenses afirma, na sequência, que, porque Cristo se humilhou, “Deus o exaltou acima de tudo” (Fl 2, 9). A Cruz, portanto, é ao mesmo tempo o ponto mais profundo da humilhação de Cristo e o grande momento de sua exaltação, uma vez que ali se manifesta de maneira suprema a sua humildade, a sua obediência e o seu amor infinito. 

Na Cruz, Jesus tornou-se verdadeiramente abjeto. Segundo os critérios humanos de grandeza e de glória, já não havia n’Ele aparência alguma que pudesse despertar admiração. Estava de tal modo desfigurado que, utilizando a linguagem das Escrituras, assemelhava-se a um verme: “Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe” (Sl 21[22], 7). Contudo, é no momento da crucificação que nós contemplamos o grande momento de sua glória. Naquilo, então, que aos olhos do mundo parece derrota, resplandece a vitória de Deus.

Portanto, a Exaltação da Santa Cruz é a celebração dessa vitória: Deus esmaga a cabeça da Serpente por meio do antídoto contra a soberba, que é a humildade — e não uma humildade vazia ou simplesmente exterior, mas a humildade amorosa de Cristo, que obedece e entrega-se inteiramente a Deus.

Peçamos a Jesus, pois, a graça de seguirmos esse caminho de amor. Se os nossos primeiros pais caíram porque quiseram elevar-se e ser como Deus, somos chamados a percorrer o caminho inverso. Porque “Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes”, e é pela humildade, unidos a Cristo crucificado, que vencemos em nós a antiga soberba e participamos daquela vitória que a Santa Cruz manifesta e que hoje a Igreja solenemente exalta.

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