Hoje – 04 de Março de 2026
Naqueles dias, 18disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. 19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.
Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
5 Retirai-me desta rede traiçoeira, *
porque sois o meu refúgio protetor!
6 Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, *
porque vós me salvareis, ó Deus fiel! R.
14 Ao redor, todas as coisas me apavoram; *
ouço muitos cochichando contra mim;
todos juntos se reúnem, conspirando *
e pensando como vão tirar-me a vida. R.
15 A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, *
e afirmo que só vós sois o meu Deus!
16 Eu entrego em vossas mãos o meu destino; *
libertai-me do inimigo e do opressor! R.
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 20, 17-28)
Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. Jesus, então, respondeu-lhe: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
No Evangelho de hoje, Jesus anuncia pela terceira vez a sua Paixão e, de certo modo, já começa ali a sua crucificação, ao experimentar a dor de ver que seus próprios discípulos não compreendem o que Ele ensina. Enquanto fala do sofrimento e da Cruz, os filhos de Zebedeu — com a ajuda de sua mãe — pedem lugares de honra, desejando poder, prestígio e importância.
Isso nos leva a uma pergunta profunda: por que, mesmo ouvindo a Palavra de Deus, muitas vezes não a entendemos? Não é por falta de clareza, de sabedoria ou de pedagogia de quem a anuncia. Jesus é a própria Palavra encarnada, o maior pregador que poderia existir, e ainda assim não é compreendido, pois existe uma dificuldade no coração humano que o faz frequentemente escutar mais as próprias paixões e ambições do que a voz de Deus.
A Palavra estava ali, ecoando no coração dos Apóstolos, que não eram homens maus — foram escolhidos por Cristo e conviviam com Ele diariamente. No entanto, tornaram-se como surdos, porque estavam centrados em si mesmos. Os filhos de Zebedeu, por exemplo, pediram pelos primeiros lugares, e os outros se indignaram não por humildade, mas porque também desejavam a mesma honra. Este é o mistério do pecado: ele nos ensurdece, pois, em vez de abraçarmos a Cruz e renunciarmos a nós mesmos, ficamos presos aos nossos caprichos, veleidades e interesses pessoais.
Por isso, é indispensável a ação do Espírito Santo. É Ele quem vem agir em nossas vidas e fazer aquilo que São João afirma em seu Evangelho — nos “acusar de pecado” (cf. Jo 16, 8) —, levando-nos a reconhecer a nossa profunda necessidade de conversão e a renunciar aos nossos conceitos e vontades.
Logo, ouvir a Palavra de Deus de modo autêntico significa deixar-se transformar para fazer parte do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Isso significa uma mudança de sujeito: morre o homem velho e nasce o homem novo, que já não vive conforme suas próprias opiniões, mas segundo Cristo, que vive nele, e segundo a fé da Igreja ao longo dos séculos, transmitida pela Tradição e materializada na vida dos santos.
Por isso, abandonemos hoje a nossa falsa ideia de “autenticidade”, que muitas vezes não passa de um disfarce para a soberba, e dobremos o nosso coração diante da sabedoria de Deus, reconhecendo com humildade: “Senhor, para onde iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.