08 de Março de 2026
Naqueles dias, 3o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?” 4Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!” 5O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. 7E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”
Hoje não fecheis o vosso coração,
mas ouvi a voz do Senhor!
1 Vinde, exultemos de alegria no Senhor,*
aclamemos o Rochedo que nos salva!
2 Ao seu encontro caminhemos com louvores,*
e com cantos de alegria o celebremos! R.
6 Vinde adoremos e prostremo-nos por terra,*
e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!
7 Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, †
e nós somos o seu povo e seu rebanho,*
as ovelhas que conduz com sua mão. R.
8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: †
"Não fecheis os corações como em Meriba,
9 como em Massa, no deserto, aquele dia,
em que outrora vossos pais me provocaram,*
apesar de terem visto as minhas obras". R.
Irmãos, 1justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores.
Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber". 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: "Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: 'Dá-me de beber`, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva." 11 A mulher disse a Jesus: "Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?" 13 Respondeu Jesus: "Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna". 15 A mulher disse a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la". 16 Disse-lhe Jesus: "Vai chamar teu marido e volta aqui". 17 A mulher respondeu: "Eu não tenho marido". Jesus disse: "Disseste bem, que não tens marido, 18 pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade". 19 A mulher disse a Jesus: "Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar". 21 Disse-lhe Jesus: "Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". 25 A mulher disse a Jesus: "Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas". 26 Disse-lhe Jesus: "Sou eu, que estou falando contigo". 27 Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: "Que desejas?" ou: "Por que falas com ela?" 28 Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: 29 "Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?" 30 O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: "Mestre, come". 32 Jesus, porém disse-lhes: "Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis". 33 Os discípulos comentavam entre si: "Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?" 34 Disse-lhes Jesus: "O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35 Não dizeis vós: 'Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!' Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! 36 O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe'. 37 Pois é verdade o provérbio que diz: 'Um é o que semeia e outro o que colhe'. 38 Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles". 39 Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: "Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo".
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 4, 5-42)
Naquele tempo, Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. Disse-lhe Jesus: “Vai chamar teu marido e volta aqui”. A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade”. A mulher disse a Jesus: “Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: “Que desejas?” ou: “Por que falas com ela?” Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?” O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: “Mestre, come”. Jesus, porém disse-lhes: “Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis”. Os discípulos comentavam entre si: “Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?” Disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós: ‘Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!’ Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe'. Pois é verdade o provérbio que diz: ‘Um é o que semeia e outro o que colhe’. Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles”. Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz”. Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.
Proclamamos neste domingo o Evangelho de São João, capítulo 4, versículos do 5 ao 42, que narra o diálogo de Jesus com a samaritana. Este Evangelho nos convida a refletir a respeito da nossa páscoa pessoal, ou seja, do nosso batismo, da nossa passagem da morte para a vida em Cristo. Assim como para os judeus a Páscoa ficou marcada pela passagem do povo hebreu pelo Mar Vermelho, a Páscoa cristã é a passagem pelas águas batismais, onde morre o homem velho para dar lugar ao novo. E isso de tal forma que podemos dizer com São Paulo: “Vivo, mas não eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). O Evangelho de hoje é bastante extenso, mas vamos nos concentrar nos seus pontos principais, a fim de que possamos renovar o nosso itinerário de fé.
O Evangelho começa com Cristo chegando a uma terra de pagãos: a Samaria era uma faixa de terra entre a Galiléia e a Judéia, um reduto de sincretistas, que misturavam elementos da religião judaica com o paganismo. Os samaritanos eram considerados pelos judeus como o pior tipo de gente, uma raça inferior. E então, sob o calor do meio-dia, Nosso Senhor está à beira de um poço, onde encontra uma mulher samaritana que se achega justamente para tirar água. Sim, vamos tirar simbolismos místicos desse encontro, mas precisamos enxergar o diálogo de Jesus com a samaritana também como um fato histórico. Deus, que é o Senhor da história, faz com que os acontecimentos sejam para nós verdadeiros ensinamentos. E nesse encontro de Cristo com essa mulher nos recordamos do seguinte: Jesus pensava em nós.
E aqui chegamos a um ponto interessante: Nosso Senhor diz àquela mulher: “Dá-me de beber”. É interessante, pois o próprio Deus vem até nós como um sedento; Ele tem sede de nós. Muito se fala e se prega sobre a sede que temos de Deus, mas geralmente não nos recordamos do fato de que o próprio Deus tem sede de nós. Como nos lembram os grandes místicos, na sua Cruz, quando disse “tenho sede”, Jesus se referia a nós, ao nosso amor. Deus, a fonte da vida, fez-se carente; a fonte da água viva se fez sedento, e tudo isso porque Ele quer o nosso amor. Se Ele não nos pedisse nada, isso seria a prova de que Deus não tem amor por nós; mas Jesus nos pede algo, porque sabe que, se entregarmos nossa vida a Ele, sairemos ganhando.
Mas a mulher não entende o pedido de Jesus: “Dá-me de beber”. Ela logo se recorda da inimizade que existe entre judeus e samaritanos. E isso nos faz enxergar que somos inimigos de Deus quando estamos em pecado. Pode ser que pensemos o contrário, porque rezamos bastante e somos até mais espirituais do que os outros à nossa volta. No entanto, se morrêssemos em pecado mortal, veríamos a nossa alma tal qual ela é. Aliás, perceberíamos duas coisas: i) uma tremenda sede de Deus; ii) e, ao mesmo tempo, um profundo ódio por Ele.
A sede de Deus, todos nós já a temos, mas não percebemos porque não vemos a nossa própria alma. Se víssemos essa sede de Deus, que não soubemos nutrir, sofreríamos tanto quanto as almas do Purgatório. Nossa alma sofre intensamente porque não encontra a água que irá saciá-la, o que só acontecerá no Céu, diante de Deus. E a segunda coisa é que veríamos em nossa alma não só uma tremenda sede, mas também um terrível ódio por Deus. Apesar de não enxergarmos, essa inimizade entre o pecador e Deus existe em nós desde que fomos expulsos do Paraíso, como nos relata o livro de Gênesis, quando nossos primeiros pais se esconderam de Deus. Eis o nosso estado de inimizade.
A Segunda Leitura nos recorda justamente isso, pois São Paulo diz: “Com efeito, quando éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo marcado” (Rm 5, 6). Ou seja, Cristo morreu por nós quando ainda éramos seus inimigos. E a mulher samaritana do Evangelho reconhece essa inimizade, refletida simbolicamente na inimizade entre judeus e samaritanos. O Senhor nos pede algo, mas nos recusamos a atendê-lo; mas aqui existe um paradoxo, pois quando Ele nos pede alguma coisa, é Ele mesmo quem nos dá algum dom. Jesus diz: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” (Jo 4, 10). Estamos inquietos, não queremos nos entregar; mas, se soubéssemos a maravilha que é largar o pecado e entregar nossa vida nas mãos de Deus, faríamos isso agora mesmo. Sim, parece contraditório, mas se nos entregarmos a Ele, nós é que receberemos o maior presente. É isso que Jesus está nos dizendo neste Evangelho.
A mulher, porém, coloca um empecilho de ordem natural: Jesus não tem um balde para lhe dar de beber. Ora, o Mestre não está falando da água tirada de poços, mas da água sobrenatural, da qual todos nós temos sede. Como dizíamos, se morrêssemos agora e víssemos nossa alma, constataríamos a sede lancinante que temos de Deus. E o Papa João Paulo II explica que tal sede é reflexo do pecado. Sim, porque o pecado consiste em procurar Deus onde Ele não se encontra. Quando procuramos nas criaturas aquilo que só o Criador pode satisfazer, só aumentamos nossa sede. É quando Jesus diz àquela mulher: “A água que eu lhe der se tornará uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 14).
Ora, essa só pode ser a água do nosso batismo, que simboliza a fé. Aqui é importante recordarmos o que São João nos diz em sua Primeira Carta (1 Jo 5, 5-9):
Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não somente pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é quem dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. São três os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes. Se aceitamos o testemunho dos homens, maior é o testemunho de Deus, pois este é o testemunho de Deus que Ele dá acerca de seu Filho.
Só iremos vencer o mundo se crermos que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus. Ele veio pela água e pelo sangue. Os Santos Padres interpretam essa passagem das Escrituras da seguinte maneira: a água é a fé; o sangue, a caridade. Jesus disse à samaritana “tenho sede” da mesma forma, com o mesmo amor com o qual, na Cruz, brotaram-lhe água e sangue. Temos nesses elementos o símbolo do Batismo e da Eucaristia refletidos em nós, respectivamente, pela fé e pela caridade. Em nós, o rio de água viva que brota de Jesus é a própria fé. Daí a necessidade de renovarmos a nossa fé nele. No Evangelho, a samaritana vai ao poço buscar água, mas ao se encontrar com o Messias, ela deixa o seu cântaro; a mulher tinha sede, mas ao encontrar o Senhor, ela encontra a fonte de água viva.
Eis aí o passo da fé que precisamos dar. Jesus está dizendo à samaritana que ela vai crescer de fé em fé. Então, a mulher inicia a sua vida espiritual como todos nós deveríamos iniciar o nosso próprio itinerário de santidade. Sim, porque a primeira coisa que ensinamos a um pecador que está sendo evangelizado — seja ele um prostituto ou um drogado — é pedir a fé. Pedindo fé a Deus, essa pessoa vai mudar de vida, assim como a samaritana: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui tirá-la” (Jo 4, 15). Quando ela pede água a Nosso Senhor, ela está pedindo a fé.
Mas então, eis que vem a parte dolorosa: como quem não entendeu o pedido, Jesus lhe responde: “Vai chamar o teu marido”, e a samaritana então diz: “Eu não tenho marido”. Jesus então reconhece que ela diz a verdade: “Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso, falaste a verdade” (Jo 4, 18). Sim, a samaritana vê o próprio pecado e é desmascarada por Jesus, como também acontece conosco: uma vez que pedimos fé, o nosso pecado vem à tona e Jesus nos pede uma mudança de vida. E aqui vem algo extraordinário deste Evangelho: em vez de ficar com raiva de Jesus, a samaritana acolhe aquela correção com fé, é quando decide buscar a luz da verdade, o Deus verdadeiro. Na sequência, Jesus fala dos verdadeiros adoradores, que o adoram “em espírito e em verdade”. Ali então, à beira do poço, Jesus se revela como o Messias, o Filho de Deus: “Sou eu, que estou falando contigo” (Jo 4, 26).
Neste domingo, se verdadeiramente dermos o passo da fé, o passo definitivo para abandonar os nossos pecados e buscar a Confissão, então estaremos prontos para finalmente nos encontrarmos com o esposo definitivo. É interessante observarmos que a samaritana estava no sexto marido, o sétimo é o próprio Cristo — o Esposo perfeito. E nós nos encontramos com Ele na Eucaristia, que é o ápice do nosso itinerário espiritual de pedirmos cada vez mais fé, assim como a mulher que pedia água. Nosso Senhor é o primeiro que nos pede fé: “Dá-me de beber”, ou seja, “dá-me a tua fé”, é o que Ele diz. E então, nós nos damos conta de que somos nós que não temos fé, não temos ainda essa água viva.
Assim, depois de confessarmos, podemos comungar, unindo-nos intimamente com o sétimo Esposo, o Esposo perfeito. Ele chega até nós e se revela com ternura: “Sou eu, que estou aqui falando contigo”. Sim, chega a nos dar vontade de sair dançando de alegria por saber que Ele está conosco. Essa é a grande mensagem do Evangelho de hoje.
Que possamos meditar nessas verdades e, assim como os samaritanos ao final desta passagem, digamos: “Já não cremos por causa de tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 42).
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.