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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Sábado do Tempo do Natal depois da Epifania

10 de Janeiro de 2026

Primeira Leitura
Leitura da Primeira Carta de São João1Jo 5, 14-21

Caríssimos, 14esta é a confiança que temos no Filho de Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. 15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido. 16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar. 17Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o Maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos com o Verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

Salmo Responsorial
O Senhor ama seu povo, de verdade.Sl 149,1-2.3-4.5.6a e 9b

O Senhor ama seu povo, de verdade.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

1 Cantai ao Senhor Deus um canto novo, *
e o seu louvor na assembleia dos fiéis!
2 Alegre-se Israel em Quem o fez, *
e Sião se rejubile no seu Rei! R.

3 Com danças glorifiquem o seu nome, *
toquem harpa e tambor em sua honra!
4 Porque, de fato, o Senhor ama seu povo *
e coroa com vitória os seus humildes. R.

5 Exultem os fiéis por sua glória, *
e cantando se levantem de seus leitos,
6acom louvores do Senhor em sua boca *
9bEis a glória para todos os seus santos. R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 3, 22-30

Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

Meditação
Somos instrumentos nas mãos de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 22-30)

Naquele tempo, Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
João ainda não tinha sido posto no cárcere. Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. É necessário que ele cresça e eu diminua”.

No Evangelho de hoje, vemos a humildade de São João Batista diante de Jesus. No início da narrativa do Evangelho de São João — e também dos outros evangelistas —, João Batista tem uma multidão ao seu redor. No entanto, ele cumpre o papel de ser apenas uma voz, e não a Palavra.

Quando nos comunicamos com alguém, no momento em que a conversa se encerra, a voz dessa pessoa cessa, mas o assunto comentado pode permanecer em nosso coração. Da mesma forma, João Batista se apresenta como um instrumento de Deus que logo desaparecerá, a ponto de dizer no final do Evangelho: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). E isso, de fato, aconteceu historicamente, pois os discípulos mais fiéis de São João Batista, que estavam na posição de aprender, de ouvir e de se deixar conduzir pelo seu mestre, imediatamente obedecem àquilo que este orienta: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). Eles, então, seguem Jesus e tornam-se dali para a frente seus seguidores. 

Esse exemplo maravilhoso de humildade deve iluminar a todos nós, que, devido à mancha do pecado original, temos a tendência de querer ser o centro das atenções. É difícil assumirmos a verdade de que somos, usando a linguagem moderna, “descartáveis”; ou “servos inúteis”, segundo a linguagem do Evangelho; ou ainda “meros instrumentos” de uma realidade muito maior, usando uma linguagem filosófica.

Quando nós, soberba, arrogante e vaidosamente, desejamos tomar o lugar de Deus, atraindo toda a atenção para nós mesmos, existe algo de profundamente errado em nosso coração. Por isso, São João Batista é um exemplo de como deve se portar todo cristão, principalmente ao exercer uma vida apostólica: tentar desaparecer, porque sabe de sua irrelevância. 

Santa Teresinha do Menino Jesus ensinava isso com uma comparação, contada no livro a História de uma Alma. Ela, que aprendera a pintar, sabia que na paleta de tintas descansavam vários pincéis: uns mais grossos, outros mais finos — cada um para um tipo de trabalho diferente —, e dizia que, quando um artista deixava um pincel de lado, os outros pincéis não reclamavam, pois estavam alegres de serem usados na hora oportuna. Então, ela se comparava a um pincel, do qual Deus fazia uso no momento adequado.

Assim também devemos ser nós: instrumentos nas mãos de Deus. Quando Ele nos usa, devemos nos sentir honrados; mas, ao nos deixar, não podemos nos entristecer; antes, precisa ser motivo de grande alegria ver outra pessoa sendo a voz que anuncia o Senhor. Como disse São João Batista: “É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo” (Jo 3, 29).

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Janeiro 2024