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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Santa Escolástica, virgem, Memória

10 de Fevereiro de 2026

Primeira Leitura
Leitura do primeiro livro dos Reis1Rs 8,22-23.27-30

Naqueles dias, 22Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: 23“Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. 27Mas será que Deus pode realmente morar sobre a terra? Se os mais altos céus não te podem conter, muito menos esta casa que eu construí! 28Mas atende, Senhor meu Deus, à oração e à súplica do teu servo e ouve o clamor e a prece que ele faz hoje em tua presença. 29Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. 30Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!”

Salmo Responsorial
Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!Sl 83(84),3.4.5.10.11

Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

3 Minha alma desfalece de saudades *
e anseia pelos átrios do Senhor!
Meu coração e minha carne rejubilam *
e exultam de alegria no Deus vivo! R.

4 Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, †
e a andorinha ali prepara o seu ninho, *
para nele seus filhotes colocar:
vossos altares, ó Senhor Deus do universo! *
vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor! R.

5 Felizes os que habitam vossa casa; *
para sempre haverão de vos louvar!
10 Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção, *
vede a face do eleito, vosso Ungido! R.

11 Na verdade, um só dia em vosso templo *
vale mais do que milhares fora dele!
Prefiro estar no limiar de vossa casa, *
a hospedar-me na mansão dos pecadores! R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MarcosMc 7,1-13

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5Os fariseus e os mestres da lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.

Meditação
O transbordamento da caridade divina

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 6, 53-56)

Naquele tempo, tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados.

Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de Santa Escolástica, irmã do grande fundador do monaquismo ocidental, São Bento, o qual com a sua Regra mudou verdadeiramente a história da civilização. 

Quem foi Santa Escolástica? A verdade é que sabemos muito pouco sobre sua vida. Temos conhecimento de alguns detalhes narrados por São Gregório Magno, em seu livro “Diálogos”, que dizem respeito a São Bento. Santa Escolástica aparece somente em um dos capítulos, no qual Gregório relata que ela tinha sido consagrada a Deus pela família desde a infância. É provavelmente daí que vem o seu nome “Escolástica”, ou seja, aquela que desde cedo foi dedicada à escola do Senhor, a seguir os passos de Deus. O fato é que, depois de São Bento se dedicar à vida eremítica e começar uma vida cenobítica em Monte Cassino, Escolástica também se estabeleceu como monja nas proximidades desse Monte. 

São Gregório Magno nos narra um episódio que aconteceu perto de sua morte. Uma vez por ano, São Bento visitava a sua irmã, e eles se entretinham durante o dia em colóquios a respeito das coisas do Céu, partilhando suas experiências com Deus e meditando sobre verdades espirituais que iluminavam as suas almas. Em uma dessas visitas, São Bento, ao ver que já estava entardecendo, começou a se despedir de sua irmã, pois jamais dormia fora do mosteiro. Escolástica, no entanto, pediu-lhe que ficasse durante toda a noite, a fim de que pudessem partilhar e falar mais sobre as coisas de Deus. Bento, por ser muito fiel à sua própria Regra, disse que não poderia fazer isso, e estava prestes a ir embora quando Santa Escolástica, sentada à mesa, abaixou a cabeça e começou a chorar copiosamente, rogando a Deus que impedisse o seu irmão de ir embora. 

Nesse momento, aconteceu algo inesperado: logo que as lágrimas de Escolástica começaram a banhar a mesa e ela levantou sua cabeça, o céu, antes limpo, ficou escuro, e em pouco tempo caiu uma tremenda tempestade que impediu São Bento de sair dali. Ele olhou para a irmã e disse: “O que fizeste? Deus te perdoe aquilo que fizeste”. Escolástica, então, falou com simplicidade de coração: “Eu pedi a ti e me negaste; eu pedi ao meu Deus, e Ele me ouviu”. Assim, os dois passaram a noite em santos colóquios, e somente de manhã Bento pôde ir embora. 

Três dias depois, voltando para o mosteiro, São Bento viu algo extraordinário: a alma de Escolástica subindo ao céu em forma de pomba e entrando na glória de Deus. Era a despedida desta santa mulher, que pareceu prever que logo passaria desta vida para a outra. 

São Gregório Magno, por fim, conclui o episódio com uma lição: “Como diz São João Evangelista, Deus é amor. Então, não te admires de que, embora Bento fosse um grande santo, Deus tenha ouvido a oração de Escolástica, porque ‘com justíssima razão teve mais poder aquela que mais amou’”. Eis uma regra para a nossa vida: a oração tem mais poder quando é movida de maior caridade, porque o coração caridoso sempre pede aquilo que o próprio Deus quer conceder. 

Que Santa Escolástica, grande contemplativa e mulher de Deus, nos ensine a cultivar essa caridade ardente, para que as nossas preces sejam agradáveis ao Senhor e, assim, possamos viver a caridade divina que Cristo fez brotar em nossos corações, permitindo que ela transborde e se espalhe abundantemente por este mundo.

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Janeiro 2024