15 de Fevereiro de 2026
16Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. 17Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. 18Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. 19A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. 20Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. 21Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar.
Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
1 Feliz o homem sem pecado em seu caminho,*
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
2 Feliz o homem que observa seus preceitos,*
e de todo o coração procura a Deus! R.
4 Os vossos mandamentos vós nos destes,*
para serem fielmente observados.
5 Oxalá seja bem firme a minha vida*
em cumprir vossa vontade e vossa lei! R.
17 Sede bom com vosso servo, e viverei,*
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
18 Abri meus olhos, e então contemplarei*
as maravilhas que encerra a vossa lei! R.
33 Ensinai-me a viver vossos preceitos;*
quero guardá-los fielmente até o fim!
34 Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,*
e de todo o coração a guardarei. R.
Irmãos, 6entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal, estão votados à destruição. 7Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória. 8Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. 9Mas, como está escrito, “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu”. 10A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade eu vos digo, antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado o menor no reino dos céus. Porém quem os praticar e ensinar será considerado grande no reino dos céus.
20Porque eu vos digo, se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no reino dos céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo, todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de tolo será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta aí diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo, daí não sairás, enquanto não pagares o último centavo.
27Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28Eu, porém, vos digo, todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la já cometeu adultério com ela no seu coração.
29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ir para o inferno. 31Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. 32Eu, porém, vos digo, todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério.
33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34Eu, porém, vos digo, não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei. 36Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. 37Seja o vosso ‘sim’ sim, e o vosso ‘não’ não. Tudo o que for além disso vem do maligno”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 17-37)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Porque eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério. Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso ‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.
Neste domingo, proclamamos o Evangelho de São Mateus, capítulo 5, versículos do 17 ao 37, em que continuamos meditando sobre o Sermão da Montanha. Agora, Nosso Senhor faz uma síntese dos Dez Mandamentos inscritos por Deus nas duas Tábuas da Lei.
Na primeira tábua, estão os três primeiros Mandamentos que falam a respeito do amor a Deus; e na segunda, os sete Mandamentos relativos ao amor devido ao próximo. Mais à frente, Jesus resume todos os Dez Mandamentos em dois, como numa alusão às duas Tábuas da Lei: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito” (Mt 22, 37) e “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39). No finalzinho do Evangelho, Cristo fala a respeito do perjúrio, que é um pecado contra a primeira tábua da Lei; e no restante do Evangelho, apresenta a realidade da Segunda Tábua, isto é, dos pecados contra o amor ao próximo.
Na segunda Tábua da Lei, Jesus nos fala sobre os pecados contra a benevolência do irmão. Sim, pois nós pecamos contra o próximo através de dois caminhos, que se baseia na nossa natureza decaída: o concupiscível e o irascível, que são respectivamente o desejo sexual desordenado e o desejo de fazer mal ao nosso irmão, matando-o em nosso coração. Esse é o resumo do Evangelho de hoje.
Mas precisamos enxergar isso de forma mais específica, a fim de que realmente possamos viver o ensinamento do Evangelho. Em primeiro lugar, se queremos cultivar uma vida espiritual, urge abandonarmos de vez os pecados graves e permanecermos em estado de graça. Deixar de pecar mortalmente é o ponto de partida — ainda não é a santidade, que só começa a surgir quando, depois de pararmos de ofender às pessoas, começamos a amá-las.
Jesus começa analisando o primeiro passo para deixarmos de ofender ao nosso irmão: abandonar os pecados sexuais. Ele diz assim: “Ouviste o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mt 5, 27-28). Precisamos urgentemente nos dar conta da gravidade de pecar contra o 9º Mandamento: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo” (Ex 20, 17). A maior parte de nós, católicos preocupados com a vida espiritual, possui clareza sobre os pecados contra o 6º Mandamento: não se masturbar, não ter sexo fora do casamento, não trair o cônjuge. Ou seja, as pessoas reconhecem os pecados que acontecem externamente, fora do nosso coração; mas ainda não estão plenamente convencidas sobre a gravidade dos pecados relacionados aos desejos. E isso porque vivemos numa sociedade hipersexualizada, num mundo pansexual, onde os gatilhos e provocações estão em praticamente todos os lugares. O que nos faz achar ser impossível resistir aos desejos.
A verdade, porém, é a seguinte: existe uma grande traição no olhar pecaminoso. Ora, os homens casados jamais consentiriam que suas esposas ficassem horas a fio olhando homens seminus nas redes sociais. Mas, quando eles próprios vêem mulheres seminuas na internet, não querem admitir que isso seja uma traição contra suas esposas. Basta invertermos os papéis para deixarmos evidente a gravidade do pecado contra o 9º Mandamento. Sim, pois nos sentimos verdadeiramente traídos quando sabemos que nosso cônjuge está cobiçando outra pessoa.
O 9º Mandamento pode parecer um fardo, uma tarefa impossível, mas não é; na verdade, ele é libertador. Ora, Cristo jamais diria que “aquele que olhar para uma mulher desejando-a no coração já cometeu adultério” se isso não fosse libertador. Sim, quando vivemos a felicidade verdadeira, nós nos tornamos realmente pessoas livres. Se cobiçamos a mulher do outro, então a fidelidade para com nossa esposa não passa de uma hipocrisia. Quando nossa mulher está nos observando, fazemos questão de nos comportar; mas basta estarmos longe dela para começarmos a cobiçar a mulher do próximo. Grande hipocrisia! É libertador, por exemplo, para um homem casado, pensar que a sua esposa tem acesso a todos os seus pensamentos. Desse modo, por amor a ela, ele não cederá à tentação da cobiça.
Existe, digamos, uma dinâmica biológica do pecado: quando damos o primeiro passo rumo à concupiscência e, por exemplo, fixamos nosso olhar nas coxas de uma moça mal vestida, não ficamos excitados logo de início. Em primeiro lugar, acontece uma descarga de dopamina em nosso cérebro; e, como esse neurotransmissor foi projetado para a caça, nosso cérebro se altera e saímos à procura de cada vez mais mulheres. Na rua ou na internet — o que é mais comum —, começamos a escolher mulheres como um predador escolhe suas presas: as mais atrativas. Aí vem a excitação, que é fatal, pois nos leva à pornografia e à masturbação.
Então, ouçamos o chamado de Cristo, pois o mal não está somente na prática do adultério e do sexo desregrado, pecados que acontecem externamente; o mal está também na cobiça, em desejar a mulher do outro em nosso coração. Afastemo-nos do abismo, lutemos para não nos aproximarmos do perigo. Isso é libertador. Quantas e quantas pessoas no confessionário foram libertas da pornografia e da masturbação porque simplesmente aceitaram essa revelação de Jesus neste Evangelho. Normalmente, as pessoas se recusam a viver a castidade, alegando que vão ficar neuróticas e recalcadas, como ensina a psicanálise. Ora, você crê em Jesus Cristo ou em Sigmund Freud? Vivamos os ensinamentos do Senhor!
Agora que já vimos a realidade do pecado da concupiscência, vamos analisar os pecados contra a benevolência no âmbito da nossa dimensão irascível. Sim, quando cedemos aos desejos sexuais desordenados, pecamos contra a benevolência porque estamos usando alguém só para descartá-lo em seguida, como refugo; mas quando, enraivecidos, desejamos o mal para alguém, também cometemos pecado grave. No Evangelho de hoje, lemos o seguinte: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás. Quem matar será condenado por tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com o seu irmão será réu em juízo” (Mt 5, 21-26). Vamos lançar luz sobre isso que nos é dito no Evangelho. Vejamos: se uma criança de sete ou oito anos — que já faz uso da razão — ficar furiosa e espatifar um brinquedo no chão, ela não peca gravemente. Sua reação demonstra apenas uma desordem, não um pecado — ela precisa aprender a exercitar a paciência. No entanto se, num acesso de fúria, essa mesma criança jogar o brinquedo na cabeça do irmãozinho, aí sim ela pecou gravemente, porque atentou contra a benevolência.
Ora, esses exemplos servem para mostrar que, muitas vezes, os momentos de impaciência e de raiva — quando o irascível fica aflorado — não são propriamente pecados, mas apenas imperfeições. Jesus está nos ensinando que pecamos de fato quando nos encolerizamos com nosso irmão, não quando simplesmente temos momentos de raiva. Sentir raiva não é pecado. De fato, experimentamos momentos de impaciência. Nessas situações, temos de nos exercitar nas virtudes se estamos no caminho da santidade. Só pecamos gravemente quando, no momento de ira, desejamos o mal a alguém; como acontece, por exemplo, no trânsito, quando estamos atrasados para algum compromisso e alguém nos impede a passagem. Nessas horas, somos chamados a unir o nosso pequeno aborrecimento aos sofrimentos de Cristo.
Esclarecemos, portanto, os pecados da segunda tábua dos Dez Mandamentos, que são as faltas contra a benevolência, sintetizadas aqui em pecados da concupiscência e da ira. Sim, ao nos decidirmos por viver essa verdade evangélica, colocamo-nos no caminho do amor, pois o primeiro passo para amar é justamente parar de ofender. Claro, isso ainda não é amor pleno, estamos ainda nos inícios. Nosso Senhor quer que avancemos para o amor pleno, cuja base é isto que aprendemos no Evangelho de hoje.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.