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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
4ª feira da 2ª Semana da Páscoa

Hoje – 15 de Abril de 2026

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos ApóstolosAt 5, 17-26

Naqueles dias, 17levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido — isto é, o partido dos saduceus — cheios de raiva 18e mandaram prender os apóstolos e lançá-los na cadeia pública. 19Porém, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo: 20“Ide falar ao povo, no Templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver”. 21Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no Templo e começaram a ensinar. O sumo sacerdote chegou com os seus partidários e convocou o Sinédrio e o Conselho formado pelas pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos à prisão. 22Mas, ao chegarem à prisão, os servos não os encontraram e voltaram dizendo: 23“Encontramos a prisão fechada, com toda segurança, e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro”. 24Ao ouvirem essa notícia, o chefe da guarda do Templo e os sumos sacerdotes não sabiam o que pensar e perguntavam-se o que poderia ter acontecido. 25Chegou alguém que lhes disse: “Os homens que vós colocastes na prisão estão no Templo ensinando o povo!” 26Então o chefe da guarda do Templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras.

Salmo Responsorial
Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9

Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, *
seu louvor estará sempre em minha boca.
3 Minha alma se gloria no Senhor; *
que ouçam os humildes e se alegrem! R.

4 Comigo engrandecei ao Senhor Deus, *
exaltemos todos juntos o seu nome!
5 Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, *
e de todos os temores me livrou. R.

6 Contemplai a sua face e alegrai-vos, *
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
7 Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, *
e o Senhor o libertou de toda angústia. R.

8 O anjo do Senhor vem acampar *
ao redor dos que o temem, e os salva.
9 Provai e vede quão suave é o Senhor! *
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! R.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 3, 16-21

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

Meditação
Deu-nos o Filho para dar-nos a fé

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 16-21)

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

Continuando a leitura do capítulo 3 do Evangelho de São João, vemos neste dia um versículo central que resume todo o Evangelho: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Jesus dirige essas palavras a Nicodemos, explicando o que é necessário para que o homem se transforme e se torne filho de Deus. Ele já havia lhe dito que seria elevado na Cruz para atrair todos a si, conduzindo-nos, assim, a essa vida nova. Contudo, diante desse caminho — que passa pela morte do homem velho para o nascimento de uma vida nova em Cristo — surge a pergunta: como aceitar isso?

É aqui que resplandece a Boa-nova: Deus amou o mundo. Deus é amor, é ἀγάπη (ágape), e o seu amor é o próprio mistério do Pai, do Filho e do Espírito Santo — um amor eterno que Deus, por pura liberdade, quis derramar sobre a sua criatura. E não somente quando ela lhe era fiel, mas também quando já o havia rejeitado pelo pecado.

Por isso, o Evangelho afirma com intensidade: “Deus amou tanto o mundo” — inclusive, no original grego, há uma ênfase que expressa a grandeza, a profundidade e a intensidade desse amor. E como podemos avaliar esse amor? Santo Tomás ensina que a grandeza do amor se mede pela grandeza do dom. E o dom que Deus nos deu foi o seu próprio Filho Unigênito — o Filho que é da mesma natureza do Pai, ὁμοούσιος (homoúsios). Jesus é, portanto, o grande presente do Pai para nós, Aquele que é toda a sua riqueza.

Entretanto, diante desse dom, permanece a pergunta: o que devemos fazer? A resposta é clara: crer. Aqui está a grande mensagem do Evangelho. Deus nos amou ao entregar o Filho, mas também ao nos dar a possibilidade de acreditar n’Ele “para que não pereça todo aquele que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), isto é, possa participar da comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

E como entramos nessa vida? Professando: “Meu Deus, eu creio!”, pois a fé é o início de tudo, e é por meio dela que nos unimos a Cristo — uma vez que o amor, por sua própria natureza, é unitivo. Deus tomou a iniciativa de nos amar e quer unir-se a nós. E essa união começa com nossa confiança plena n’Ele, que nos leva a um contato contínuo com Ele e nos transforma por dentro.

Devemos ser profundamente gratos, pois a fé é um dom imenso. Deus nos amou a ponto de nos conceder a graça de crer. E, ao mesmo tempo, somos chamados a desejar que esse amor alcance outras pessoas, para que também creiam. 

Nicodemos já reconhecia em Jesus um Mestre vindo de Deus, mas foi convidado a dar um passo além: a reconhecer o Filho Unigênito e a sair das trevas para a luz. Assim também nós somos chamados a acolher esse dom e a viver nessa luz. 

Agradeçamos, portanto, a Deus pelo dom da fé e peçamos a Ele a graça da conversão daqueles que ainda não o conhecem, para que participem dessa vida eterna que nos foi conquistada na Cruz.

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Janeiro 2024